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Blavatsky - Isis Sem véu 3

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Text of Blavatsky - Isis Sem véu 3

LIVRO 3 TEOLOGIA I CAPTULO I A IGREJA: ONDE EST ELA? AS ESTATSTICAS DA IGREJA. (L. 3. pg. 13).

Nos Estados Unidos da Amrica, sessenta mil homens (60.428) receberam salrios para ensinar acincia de Deus e as Suas relaes com as Suas criaturas. Esses homens comprometem-se, por contrato, a transmitir-nos o conhecimento que trata da existncia, carter e atributos de nosso Criador; Suas leis e Seu governo; as doutrinas em que devemos acreditar e as obrigaes que precisamos praticar. Cinco mil desses telogos com o auxlio de 1.273 estudantes, ensinam esta cincia a cinco milhes de pessoas, de acordo com a frmula prescrita pelo Bispo de Roma. Cinqenta e cinco mil (55.287) ministros e itinerantes, representando quinze diferentes denominaes, cada uma contradizendo todas as outras, no que a questo teolgicas maiores ou menores, instruem, em suas respectivas doutrinas, outras trinta e trs milhes (33.500.000) de pessoas. Existem algumas centenas de milhares de Judeus; alguns milhes de fieis orientais de todas as espcies; e uns poucos que pertencem Igreja grega. O Deus dos unitaristas um celibatrio; a Divindade dos presbiterianos, metodistas, congrecionistas e as outras seitas protestantes ortodoxas, um Pai sem esposa com um Filho idntico ao prprio Pai. No esforo de se superarem umas s outras na ereo de suas sessenta e duas mil e tantas igrejas, casas de oraes e salas de reunio em que se ensinam essas conflitantes doutrinas teolgicas, gastou-se a soma de 334.485.581 dlares. Somente o valor dos presbteros protestantes, nos quais se abriram os pastores e as suas famlias, estimado em cerca de 54.114.297 dlares. Dezesseis milhes (16.179.387) de dlares so destinados todo ano para cobrir as despesas correntes apenas das seitas protestantes. Uma igreja presbiteriana em Nova York custa cerca de um milho de dlares; um altar catlico, um quarto de milho! No mencionamos a multido de seitas menores, de comunidades e de extravagantes pequenas heresias originais desse pas, que nascem num dia para morrer no outro, como os esporos de cogumelos, aps um dia chuvoso. No nos deteremos, tambm, para considerar os pretensos milhes de espiritistas, pois maior parte deles falta a coragem de escapar-se de suas respectivas seitas religiosas. Eles so os Nicodemos clandestinos. Pois bem, perguntamos como Pilatos, "O que a Verdade?" Onde devemos procur-la, no meio dessa multido de seitas em guerra? Cada uma delas pretende basear-se na revelao divina, e cada uma afirma possuir as chaves das portas do cu. Estar qualquer uma delas na posse rara da Verdade? Ou devemos exclamar como o filsofo budista. "H apenas uma verdade sobre a Terra, e ela imutvel; ei-la: - a Verdade no est na Terra!" Embora tenhamos a inteno de trilhar por um caminho que foi exaustivamente batido pelos sbios eruditos que demonstraram que todo dogma cristo tem a sua origem num rito pago, no obstante os fatos que eles exumaram desde a emancipao da cincia, nada perdero se forem repetidos. Alm disso, propomonos a examinar esses fatos de um ponto de vista diferente e talvez original: o das antigas filosofias esotericamente compreendidas. Referimo-nos, de passagem, a elas em nosso primeiro volume. Vamos utilizlas como o modelo para a comparao dos dogmas cristos e dos milagres, com as doutrinas e fenmenos da magia antiga, e da moderna Nova Revelao, como o Espiritismo chamado por seus devotos. Como os materialistas negam os fenmenos sem investig-los, e como os tesofos, admitindo-os, oferecem-nos a pobre escolha de dois manifestos absurdos - o Demnio e os milagres -, pouco perderemos recorrendo aos teurgistas, e eles podem realmente ajudar-nos a lanar uma grande luz sobre um assunto muitssimo obscuro. CRENAS CRIST, E PAGS COMPARADAS. (L.3.pg.16). portanto insensato os autores catlicos despejarem a sua blis em frases como estas: "Em inmeros pagodes, a pedra flica assume com freqncia, como o baetylos grego, a forma brutalmente indecente do linga (...) o Mah-Deva". Antes de macularem um smbolo, cujo sentido metafsico por demais profundo

para os modernos campees dessa religio do sensualismo par excellence, o Catolicismo romano, eles deveriam destruir as suas igrejas mais antigas e modificar a forma da cpula de seus prprios templos. O Mah-Deva de Elefanta, a Torre Redonda de Bhagalpur, os minaretes do Islo - redondos ou pontudos - so os modelos originais do Campanile de So Marcos, em Veneza, da Catedral de Rochester, e do moderno Duomo de Milo. Todos esses campanrios, torrinhas, zimbrios e templos cristos reproduzem a idia primitiva do lithos, o falo ereto. "A torre ocidental da Catedral de So Paulo, em Londres", diz o autor de The Rosicrucians, " um dos dois litides que sempre se encontram na frente de todos os templos, sejam cristos ou pagos. Alm disso, em todas as igrejas crist, particularmente nas igrejas protestantes, onde figuram de modo mais conspcuo, as duas tbuas de pedra da Providncia Mosaica so colocadas sobre o altar, disposta em dptico, como uma nica pedra, cuja parte superior arredondada. (...) A da direita masculina, a da esquerda, feminina. Portanto, nem os catlicos, nem os protestantes tm o direito de falar das formas indecentes dos monumentos pagos, visto que eles ornamentam as suas prprias igrejas com seus smbolos do linga e do yoni, e at mesmo escrevem das leis de seu Deus sobre eles. Outro detalhe que no hora de forma particular o clero cristo poderia ser traduzido pela Inquisio. As torrentes de sangue humano derramados por essa instituio crist e o nmero de seus sacrifcios humanos no tm paralelo nos anais do Paganismo. A sis egpcia era representada como uma Virgem Me por seus devotos, e segurando o seu filho, Hrus, nos braos. Em algumas esttuas e baixos-relevos, quando aparece s, ela est completamente nua ou velada da cabea aos ps, Mas nos mistrios, em comum como quase todas as outras deusas, ela figura inteiramente velada da cabea aos ps, como smbolo da castidade materna. Nada perderamos se emprestssemos dos antigos um pouco do sentimento potico de suas religies e da inata venerao que eles tinham por seus smbolos. No injusto dizer que o ltimo dos verdadeiros cristos morreu com o ltimo dos apstolos diretos. Max Mller pergunta convincentemente: "Como pode um missionrio em tais circunstncia fazer surpresa e s perguntas de seus alunos, a no ser que se refira semente e lhes diga o que o Cristianismo pretendeu ser? A menos que lhes mostre que, como todas as outras religies, o Cristianismo tambm tem a sua histria; que o Cristianismo do sculo XIX no o Cristianismo da Idade Mdia, e que o Cristianismo da Idade Mdia no era o dos primeiros Conclios; que o Cristianismo dos primeiros Conclios no era o dos apstolos, e que s o que foi dito por Jesus foi verdadeiramente bem dito? Podemos assim inferir que a nica diferena caracterstica entre o Cristianismo moderno e as antigas fs pags a crena do primeiro num demnio pessoal e no inferno. "As naes arianas no tinham nenhum demnio", diz Max Mller. "Plato, embora de carter sombrio, era um personagem respeitabilssimo; e Loki (o escandinavo), embora uma pessoa maligna, no era um diabo. A deusa alem Hel, como Proserpina, tambm havia conhecido dias melhores. Assim, quando aos alemes se falava na idia de um semtico Seth, Sat ou Diabolus semita, no se lhes infundia temor algum". Pode-se dizer o mesmo do inferno. O Hades era um lugar muito diferente de nossa regio eterna, e poderamos qualific-lo antes como um estgio intermedirio de purificao. Tambm no o o Amenti egpcio, a regio de julgamento e purificao; nem o Adhera - o abismo de trevas dos hindus, pois mesmo os anjos cados que nele foram precipitados por Shiva so autorizados por Parabrahman a consider-lo como um estgio intermedirio, no qual uma oportunidade lhes concedida para se prepararem para graus mais elevados de purificao e redeno de seu miservel estado. O Gehenna do Novo Testamento era uma localidade situada fora dos muros de Jerusalm; e, ao mencion-lo, Jesus empregava apenas uma metfora comum. Donde ento provm o triste dogma do inferno, essa alavanca de Arquimedes da Teologia crist, com a qual se conseguiu subjugar milhes e milhes de cristos por dezenove sculos? Seguramente no das Escrituras judaicas, e aqui chamamos em testemunho qualquer erudito hebreu bem-informado. A nica meno, na Bblia, a algo que se aproxima do inferno o Gehenna ou Hinnom, um vale prximo a Jerusalm, onde se situava Tophet, local em que se mantinha perpetuamente acesa uma fogueira queimando os detritos para fins de higiene. O profeta Jeremias informa-nos que os israelitas costumavam sacrificar suas crianas a Maloch-Hrcules nessa regio; e mais tarde descobrimos os cristos substituindo calmamente essa divindade por seu deus do perdo, cuja ira no pode ser aplacada, a no ser que a Igreja lhe sacrifique suas crianas no batizadas e os seus filhos mortos em pecado no altar da "danao eterna"! Como chegaram os padres a conhecer to bem as condies do inferno, a ponto de dividir as suas tormentas em duas categorias, a poena danni e a poena sensus, sendo a primeira a privao da viso beatfica; a segunda, as penas eternas num lago de fogo e enxofre? Se eles responderem que foi atravs do Apocalipse (XX, 10), "E o demnio que os seduzira foi arrojado no lago de fogo e enxofre, onde j se achavam a besta e o falso profeta que sero atordoados para todo o sempre", estamos preparados para demonstrar de onde o

prprio telogo Joo retirou a idia. Deixando de lado a interpretao esotrica de que o "demnio" ou o demnio tentador significa o nosso prprio corpo terrestre, que depois da morte certamente se dissolver nos elementos gneos ou etreos, a palavra "eterna" pela qual os nossos telogos interpretam as palavras "para todo o sempre" no existe na lngua hebraica, nem como palavra, nem como sentido. No h nenhuma palavra hebraica que expresse exatamente a eternidade; olam, segundo Le Clerc, significa apenas um tempo cujo comeo e cujo fim no so conhecidos. Embora demonstre que essa palavra no significa durao infinita, e qu

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