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Boletim Salesiano n.º 545

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Edição n.º 545 de julho/agosto de 2014 da Revista da Família Salesiana.

Text of Boletim Salesiano n.º 545

  • Pastoral Juvenil prope vero cheio de atividades

    JULHO/ AGOSTO 2014

    545

    A REVISTA DA FAMLIA SALESIANA

  • 38 A FECHAR Que faria Dom Bosco hoje?Maria Gentil Pontes Vaz

    38 FUTUROS Viver com demasiada informao Tiago Bettencourt

    O Boletim Salesiano

    foi fundado por Dom Bosco a 6 de fevereiro

    de 1877. Hoje so

    publicadas em todo o mundo 51 edies em

    diversas lnguas, com tiragem anual

    estimada em mais de 8,5

    milhes de exemplares no

    total.

    Acordo Ortogrfico:

    Os artigos publicados

    respeitam o novo Acordo

    Ortogrfico

    Propriedade e edio:Provncia Portuguesa da SociedadeSalesiana, Corporao Missionria Direo e Administrao:Rua Saraiva de Carvalho, 275, 1399-020 LisboaTel.: 21 090 06 00, Fax: 21 396 64 [email protected] Distribuio gratuitaContribuio mnima anual de benfeitor: 10 euros NIB: 0035 0201 0002 6364 4314 3 IBAN: PT50+NIB, Swift Code CGDIPTPL Membro da Associao de Imprensa de Inspirao Crist

    20 OPINIO O valor da verdade Antnio Bago Flix

    O novo Reitor-Mor dos Salesianos visitou Portugal para participar na Pere-grinao da Famlia Salesiana a Ftima e no Dia do Movimento Juvenil Sale-siano. Em Portugal nos mesmos dias esteve tambm a Superiora das Filhas de Maria Auxiliadora, Madre Yvonne Reungoat.

    8 REPORTAGEM

    Pe. ngel Fernndez Artime em Portugal

    Colaboradores: Ana Carvalho, ngel Fernndez Artime, Antnio Bago Flix, Artur Pereira, Baslio Gonalves, Bruno Ferrero, Claudine Pinheiro, Egdio Deiana, Jernimo Rocha Monteiro, Joo Ramalho, Joaquim Antunes, Jos Anbal Mendona, Jos Antnio San Martn, Jos Armando Gomes, Juan Freitas, Luciano Miguel, Maria Fernanda Afonso, Maria Gentil Pontes Vaz, Maria Jos Barroso, Michael Fernandes, Miguel Mendes, Nuno Quaresma, Orlando Camacho, Tiago Bettencourt, Vanessa SantosCapa: Acampamento Nacional MJS/2012Execuo grfica: Invulgar GraphicTiragem: 10.500 exemplares

    FICHA TCNICA

    n. 545 - julho/agosto 2014

    Revista da Famlia Salesiana

    Publicao Bimestral

    Registo na DGCS n. 100311

    Depsito Legal 810/94

    Empresa Editorial n. 202574

    Diretor: Joaquim Antunes

    Conselho de Redao: Ana Carvalho, Baslio Gon-

    alves, Joo de Brito Carvalho, Joaquim Antunes,

    Pedrosa Ferreira, Raquel Fragata, Simo Cruz

    Administrador: Orlando Camacho

    3 EDITORIAL4 REITOR-MOR/OLHARES6 IGREJA/DESCORTINAR14 EM FOCO18 ATUALIDADE22 ECONOMIA24 COMO DOM BOSCO26 DA VIDA DE D. BOSCO 28 MISSES29 FMA30 PASTORAL JUVENIL32 FAMLIA SALESIANA34 MUNDO SALESIANO39 VOCACIONAL

    O Boletim Salesiano de Espanha en-trevistou a Me do Reitor-Mor, em Luanco, terra costeira nas Astrias de onde natural a famlia.

    36 ENTREVISTA ISABEL ARTIMEA Congregao Salesiana um barco que precisa de bom leme no mar

    JULHO/ AGOSTO 2014

    545

  • Grande a poesia, a bondade e as danas... / Mas o melhor do mundo so as crianas (Fernando Pessoa, Liberdade, em Cancioneiro). Apesar de as crianas serem o melhor do mundo, h hotis e similares que as rejeitam, mesmo quando acompanhadas pela famlia. S os adultos so bem-vindos. H tempos pasme-se! um cliente, no se apercebendo da restrio, fez a reserva num hotel do Algarve e, j na receo com a famlia, no conseguiu o check-in.

    Este novo conceito, dizem os defensores da ideia, est associado ao sol, ao mar e ao silncio. As pessoas vm para repousar e no querem estar sujeitas s correrias, s birras, aos gritos, s traquinices e s brincadeiras das crianas.

    O antigo presidente da Associao Portuguesa das Famlias Numerosas, em entrevista a um jornal dirio da capital, afirmou: pior que os hotis a poltica anti-famlia praticada pelo Governo e outras instituies afins que cria uma cultura nesse sentido.

    A cultura do nosso tempo, marcada pelo egocentrismo, mostra sinais de degradao preocupante ao promover o bem-estar e o prazer a todo o custo, a ponto de desunir pais e filhos em ocasies to importantes e saudveis como passar frias juntos.

    Num tempo de crise de civilizao, a famlia continua a ser a realidade base do equilbrio da sociedade e o principal foco da estabilidade e da esperana. E disto no se pode abdicar.

    Vm a as frias grandes, como se dizia. Que a sua grandeza sirva para estreitar relaes familiares, harmonizar vontades e, sobretudo, criar laos duradoiros entre pais e filhos.

    O melhor do mundo so as crianas

    Editorial

    JOAQUIM ANTUNES DIRETOR

    3

  • Uma saudao cordial e afetuosa. Escrevo estas linhas na preparao imediata da festa de Maria Auxilia-dora e peo Me de Jesus que ob-tenha a bno de Deus sobre todos vs, com os meus melhores votos para as vossas famlias, para as pes-soas e as situaes que precisam de mais luz.

    Nestes primeiros meses, come-cei a visita a algumas Provncias e

    Seguir Jesus percorrer o caminho da pobreza e da

    proximidade com os ltimos.

    Fiis s intenes de Dom Bosco

    Com poucos pes e poucos peixes

    REITOR-MOR

    NGEL FERNNDEZ REITOR-MOR DOS SALESIANOS DE DOM BOSCO

    continuo a conhecer cada vez mais a realidade concreta da Congrega-o e de toda a Famlia Salesiana. Dou graas a Deus pelo bem que, em nome de Dom Bosco, se reali-za no mundo inteiro em favor dos jovens, dos mais pobres e da gente simples. Sou testemunha dos in-meros projetos apaixonantes em que, continuamente, com poucos pes e poucos peixes, Deus multi-

    plica a nossa ao e torna exube-rantes as pobres obras das nossas mos.

    Sinto-me muito feliz por partilhar convosco esperanas e anseios. Estou disposio de todos para continuar a dar entusiasmo e apoio com a minha presena, o meu hu-milde servio e a minha orao quilo que o Esprito vai suscitando nas nossas Provncias.

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    BOLETIM SALESIANOjul/ago 2014

  • Justamente nestes dias, chegam notcias terrveis de perseguies dos cristos em muitas partes do mundo, de violao dos direitos humanos em regies crticas do planeta, de maus tratos e seques-tros de menores pela sua condio de mulher ou pelo seu credo. Nada de mais distante do plano de Deus! A presena do Senhor Ressuscita-do luz que ilumina as trevas e paz que dissipa o medo. A mensagem de Cristo Salvador de harmonia, numa criao nova, libertada do mal e da escurido. Infelizmente, o pecado agarra-nos e a ciznia sufo-ca o bom trigo. Por isso, ns cristos, com os homens e as mulheres de boa vontade, precisamos de conti-nuar a empenhar-nos, em nome de Deus e dos nossos irmos mais vul-nerveis, para fazer com que surja uma nova realidade mais prxima do projeto de Deus, com maiores oportunidades para todos, a fim de que, embora no j mas ainda no, ressoe com mais fora a plenitude da nova criao que ainda geme nas dores do parto.

    Precisamos de levantar a nos-sa voz e de unir-nos na denncia proftica que o Santo Padre lanou nestes dias, pedindo aos podero-sos que no fiquem indiferentes e unam esforos para pr fim barb-rie e injustia.

    Entretanto, no se trata apenas de uma questo de poltica dos Es-tados ou de estratgias das Naes Unidas. Na nossa famlia salesiana, marcada por uma espiritualidade profundamente pascal, continua-remos a trabalhar com todas as nossas foras para que, no nome de Jesus, haja sempre mais vida, para os mais pequenos e para os ltimos. Com o corao do Bom Pastor, que toma sobre si o cuidado dos mais fracos, continuaremos a fazer op-es vlidas pelos jovens mais des-favorecidos e em situao de risco, como Dom Bosco nos ensinou e quis.

    O apelo do Papa Francisco para dar impulso a uma Igreja que

    A presena do Reitor-Mor dos Salesianos e da Madre Geral das Filhas de Maria Auxiliadora entre ns, no passado ms de maio, fez-nos voltar s origens do Carisma e da obra Salesiana. A evangelizao e a educao dos jovens mais pobres, das classes populares, dos ltimos, foram repetidamente lembradas. Trata-se, portanto, de recordar a evangelizao como prioridade, a educao integral como campo de trabalho e o zelo apostlico como resposta genuna misso confiada famlia salesiana, qual missionria dos jovens.

    Voltemos histria de Dom Bosco. No sonho dos nove anos, Maria disse a Joozinho Bosco: Eis onde deves trabalhar, eis o campo que deves lavrar. Joo era um campons, percebia de campo. O semeador, o ceifeiro e o lavrador tm horizontes bem diferentes. Joo Bosco sabia que o lavrador trabalha com grande esperana, com a certeza do futuro que j antev florido e com frutos abundantes, mesmo se o tempo em que vive preenchido de suor, esforo e grande sacrifcio.

    As virtudes de quem quer ser evangelizador e educador dos jovens so as virtudes do lavrador: no perde tempo, no se fixa no passado, no se desvia das tarefas que tem de fazer e no tempo oportuno mas sabe que no pode ver logo os frutos. necessrio apostar, esperar com toda a confiana, alimentar no prprio corao a certeza de que os frutos a seu tempo surgiro. E, como Dom Bosco, colaborar na formao de honestos cidados e bons cristos.

    Como Dom Bosco, Pai e mestre da juventude, olhamos para os jovens como o lavrador contempla a terra que lavra, trabalhando para que os projetos evangelizadores e educativos correspondam ao projeto de Deus.

    Ainda a esperana

    Olhares

    ARTUR PEREIRA

    PROVINCIAL

    sai para as periferias e os bairros pobres nos quais o sofrimento e o desconforto so maiores, um estmulo para a nossa proposta educativo-evangelizadora. Somos chamados a um novo modo de fazer pastoral: a revoluo da ternura, do curvar-se diante dos mais feridos, do acolhimento dos que andam mais afastados, da pro-posta de ir ao encontro dos ltimos, de caminhar ao lado daqueles que a realidade social marginaliza e abandona.

    Meus caros amigos e amigas, esta tambm a nossa proposta.

    Como parcela da Igreja, continua-remos nestes anos a trabalhar para tornar mais credvel o nosso modo de viver e mais audacioso o nosso anncio. Isto dar-se- na medida em que as nossas opes forem mais prximas das necessidades dos jo-vens mais pobres. O nosso ltimo Captulo Geral pediu aos Salesianos para intensificarem o testemunho da nossa radicalidade evanglica. O convite pode ser estendido a toda a Famlia Salesiana. Seguir Jesus percorrer o caminho da pobreza e da proximidade com os ltimos. Como o Mestre, queremos passar no meio aos homens curando e li-bertando. Aqueles que carregam as chagas de Cristo impressas na car-ne das suas existncias martiriza-das so os primeiros destinatrios do anncio do Ressuscitado: A paz esteja convosco!.

    Ao aproximar-nos do Bicenten-rio do Nascimento de Dom Bosco, a melhor maneira de festejar o nosso Pai a fidelidade s suas grandes intuies. No duvido mi-nimamente de que uma delas, que tambm vital para ns hoje, a opo preferencial pelos jovens abandonados e em perigo.

    A mensagem do Senhor Ressusci-tado para retornar Galileia retor-nar s nossas razes, retornar aos jovens pobres. Estou certo de que l O encontraremos.

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  • IGREJA

    Canonizaes Dois novos santos

    No dia 27 de abril, o Papa Francis-co, na Praa de So Pedro, no Vatica-no, proclamou santos os papas Joo XXIII e Joo Paulo II.

    Estiverem presentes 19 chefes de Estado, 24 primeiros-ministros e 23 ministros, assim como alguns reis, um elevado nmero de Cardeais, Bispos, Presbteros e Diconos. De-zenas de comitivas oficiais e uma imensa multido de fiis na Praa de So Pedro e nas ruas e avenidas adjacentes onde foram instalados 16 ecrs gigantes.

    J. ANTUNES FOTOGRAFIAS: ROMAN WALCZAK

    O Papa Francisco presidiu, no Domingo da Divina

    Misericrdia, canonizao dos Papas Joo XXIII e Joo

    Paulo II. Participou na cerimnia, para alegria de todos, o

    Papa emrito, Bento XVI.

    ngelo Amato dirige pedido ao Santo Padre

    O cardeal ngelo Amato, SDB, dirigiu-se ao Santo Padre pedindo se dignasse incluir estes filhos elei-tos no catlogo dos santos, ao que o Papa Francisco respondeu em latim, lendo uma frmula longa e concluindo com as seguintes pala-vras: Declaramos e determinamos santos os abenoados Joo XXIII e Joo Paulo II, e inscrevemo-los no catlogo dos santos e estabelece-

    mos que em toda a Igreja eles sejam devotamente honrados entre os santos.

    Elogio dos novos santos pelo Papa Francisco

    Ao apresentar as suas vidas, o Papa Francisco na homilia, disse: Padres, bispos, papas do sculo XX, eles conheceram a tragdia, mas no vacilaram. Neles, Deus foi mais forte; mais forte era a f em Jesus Cristo, Redentor do homem e Se-

    Relquias dos novos santos:

    um pedao de pele removido

    do corpo de Joo XXIII, o bom papa,

    exumado em 2001 para a

    beatificao; e uma ampola

    com o sangue do papa polaco

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    BOLETIM SALESIANOjul/ago 2014

  • nhor da histria. Neles, a misericr-dia de Deus era maior, assim como a proximidade materna de Maria. E acrescentou: Eram dois homens contemplativos das chagas de Cris-to e testemunhas da sua misericr-dia, mantendo viva a esperana com uma alegria indescritvel e gloriosa.

    A Joo XXIII o Papa Francisco chamou pastor e guia. No es-queamos, que so os santos que fazem crescer a Igreja. Na convo-cao do Conclio, Joo XXIII de-monstrou uma delicada docilidade ao Esprito Santo e foi para a Igreja um pastor, um guia-guiado.

    De Joo Paulo II, Francisco lem-brou que queria ser recordado como o Papa da famlia. Apraz-me sublinh-lo, sublinhou o Papa, no momento em que estamos a viver um caminho sinodal sobre a famlia que ele seguramente acompanha e sustenta no Cu.

    Ambos, disse o Papa Francisco, restauraram e atualizaram a Igreja segundo a sua fisionomia original.

    Os milagres dos dois Papas canonizados

    A irm Caterina Capitani teve du-rante mais de vinte anos abcessos que lhe tinham progressivamente atingido o corpo todo. Intervenes cirrgicas tinham sido catorze. Em fim de vida, depois de ter recebido o sacramento da Santa Uno, foi--lhe colocada uma relquia do Papa Joo XXIII sobre uma das feridas e ela acordou curada.

    Prodigiosa foi tambm a cura de Floribeth Mora Diaz, natural da Cos-ta Rica. Me de quatro filhos, foi-lhe diagnosticado um aneurisma ce-rebral. Deram-lhe um ms de vida. Depois de ter visto a beatificao de Joo Paulo II, numa transmis-so, pediu-lhe que a curasse. Tinha

    Prefiro a misericrdia ao sacrifcio

    Descortinar

    LUCIANO MIGUEL HISTORIADOR

    A um mundo dilacerado pela violncia, a intolerncia e uma crise que, cada vez mais, mina a relao entre as pessoas, a Igreja, atravs dos seus representantes mximos, apresenta uma proposta de esperana: a medicina da misericrdia! Alguns, ao ouvir isto, talvez reajam com ironia, como os filsofos gregos quando Paulo lhes anuncia no Arepago um Jesus, como o Deus que ressuscitou. evidente que a proposta apenas ser aceite por quem tem F. Ao longo de todo o Antigo e Novo Testamento a misericrdia o atributo principal de Deus. ela que faz Israel levantar-se das suas crises, pois est intimamente ligada justia, santidade e fidelidade de Deus. Jesus, ao anunciar a sua Boa Nova, apresenta-nos sempre um Deus misericordioso. Na misericrdia est contida a Regra de Ouro 1 que todas as Religies defendem. Este remdio da misericrdia para os novos tempos foi anunciado por Joo XXIII no Discurso de abertura do Conclio Vaticano II. Antes, at nos estudos teolgicos, a misericrdia quase no tinha lugar. Mas desde ento tornou-se a referncia fundamental na vida crist e na sua relao com o mundo. A prpria Liturgia a apresenta como o maior atributo de Deus ao afirmar: Senhor, que dais a maior prova do vosso poder quando perdoais e vos compadeceis (XXVI DTC). Joo Paulo II, que cresceu perto de Auschwitz e viveu os horrores da II Guerra Mundial, escreve a bela encclica sobre a misericrdia divina: Deus rico em misericrdia (1980). Nela recorda que s a justia no basta, pois a suma justia pode tornar-se em suma injustia. preciso a misericrdia. E no incio do Terceiro Milnio canoniza a Irm Faustina Kowalska, a pedido da qual institui a Festa da Divina Misericrdia no II Domingo de Pscoa. Aceitando como dirigida a ns a resposta que Jesus d aos fariseus Prefiro a misericrdia ao sacrifcio (Mt 12,7), talvez mereamos a sua bem-aventurana: Felizes os misericordiosos porque alcanaro misericrdia.

    1 Regra de Ouro: Faz aos outros aquilo que queres que te faam a ti.

    A menina Julia Lipiska em nome do povo polaco colocou um ramo de flores junto das relquias de S. Joo Paulo II

    Caterina Capitani e Floribeth Diaz, as duas miraculadas, assistiram canonizao

    medo de morrer e no queria dei-xar os seus quatro filhos e o mari-do. E conta: O Senhor naquele dia tirou-me o medo, tirou-me a agonia e deu-me uma paz, uma paz que me deu a certeza que estava curada. E de facto assim aconteceu.

    7

  • REPORTAGEM

    JOS ANBAL MENDONA, MIGUEL MENDES E VANESSA SANTOS FOTOGRAFIAS: JOO RAMALHO

    O novo Reitor-Mor dos Salesianos, Pe. ngel Fernndez

    Artime, visitou Portugal para participar na Peregrinao

    da Famlia Salesiana a Ftima e no Dia do Movimento

    Juvenil Salesiano. A viagem, a primeira fora de Itlia

    desde a eleio, permitiu o contacto com os Salesianos

    da Provncia e os jovens, e ficou marcada pela simpatia e

    proximidade do novo sucessor de Dom Bosco.

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    BOLETIM SALESIANOjul/ago 2014

  • PE. NGEL FERNNDEZ ARTIME em Portugal

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  • cerimnia de homenagem. O Pe. ngel manifestou-se muito sensibi-lizado pela atitude serena e alegre daqueles jovens e elogiou o exem-plo de comunho e colaborao que a se verifica entre salesianos e leigos.

    Nessa mesma obra, no sector de-dicado aos salesianos doentes, a Casa Artmides Zatti, o Superior Ge-ral deteve-se saudando cada irmo e deixando-lhes uma mensagem de reconhecimento.

    A tarde foi passada em Lisboa, onde o Pe. ngel foi entrevistado pela Televiso Portuguesa para o programa catlico Ecclesia e pelo Boletim Salesiano de Portugal.

    Depois esteve reunido com o con-selho provincial, com quem parti-lhou a sua viso e experincia, dei-xando palavras de incentivo para que se continue o bom caminho empreendido at ao momento, que est em sintonia com as prioridades apontadas pelo Captulo Geral 27.

    Na manh de sexta-feira, dia 16 de maio, o Pe. ngel Fernndez Ar-time foi recebido calorosamente na escola Salesianos de Manique, comeando desta maneira a sua primeira visita internacional como 10. sucessor de Dom Bosco. O Rei-tor-Mor estava acompanhado pelo seu secretrio, Pe. Horacio Lopez, e pelo Provincial, Pe. Artur Pereira.

    Os dois mil alunos desta escola, subsidiada pelo estado e fortemen-te inclusiva e multicultural, foram os primeiros de muitssimos outros jovens que, pelo mundo fora, viro a saborear a presena, a palavra e o testemunho do Superior Geral dos Salesianos de Dom Bosco.

    Essa manh comeou com a ce-lebrao da Eucaristia da festa de Nossa Senhora Auxiliadora, para toda a comunidade educativa, na qual os alunos finalistas se despe-diram da escola, dando graas a Deus pela educao recebida e pela segunda casa que a encontraram. Seguiu-se uma singela e vibrante

    REPORTAGEM

    Em Manique, em Ftima e

    em Lisboa o Reitor-Mor foi

    calorosamente recebido por

    milhares de jovens

    Reitor-Mor, peregrino em Ftima

    No sbado, 17 de maio, o Supe-rior Geral dos SDB esteve com a Famlia Salesiana no Santurio de Ftima para participar na 62. Pe-regrinao, que juntou tambm as celebraes do Dia Nacional do Movimento Juvenil Salesiano e do Dia Nacional dos Antigos Alunos. Os eventos tiveram tambm o privi-lgio da presena e participao da Superiora Geral das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA), Madre Yvonne Reungoat.

    O programa teve incio s 10 ho-ras com o encontro do Pe. ngel Fernndez com os salesianos desta Provncia, dedicando tempo para partilhar a sua mensagem e escu-tando as suas questes e reflexes.

    Ao princpio da tarde o Reitor--Mor encontrou-se com os jovens em caminhada vocacional e com os antigos alunos, que tiveram a possibilidade de dialogar e encon-

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    BOLETIM SALESIANOjul/ago 2014

  • Pe. ngel nos bons-dias aos alunos dos Salesianos de Lisboa

    Na concluso do Captulo Geral 27, no final do ms de maro, o Papa Francisco rece-beu os salesianos no Vatica-no. Foi uma oportunidade para o Superior Geral da Congrega-o renovar a fidelidade ao che-fe da Igreja, a Deus e ao carisma identitrio dos Salesianos de

    Dom Bosco. O Papa Francisco lembrou aos presentes o cami-nho de servio que sustenta a obra de So Joo Bosco. O trabalho e a temperana dizia Dom Bosco faro florescer a Congregao. Quando se pen-sa em trabalhar pelo bem das almas, supera-se a tentao da mundanidade espiritual, no se buscam outras coisas, mas s Deus e o seu reino. Tempe-rana depois sentido da me-dida, contentar-se, ser simples. A pobreza de Dom Bosco e de me Margarida inspire a todos os salesianos e a todas as co-

    PAPA FRANCISCO AOS SALESIANOS

    A evangelizao dos jovens a vossa misso

    munidades uma vida essencial e austera, proximidade dos po-bres, transparncia e responsa-bilidade na gesto dos bens.

    A evangelizao dos jovens a misso que o Esprito Santo vos confiou na Igreja. neces-srio preparar os jovens para trabalhar na sociedade segun-do o esprito do Evangelho, como construtores de justia e de paz, e para viver como pro-tagonistas na Igreja. Por isso lanai mo dos necessrios aprofundamentos e atualiza-es pedaggicas e culturais, para responder atual emer-gncia educativa. A experincia de Dom Bosco e o seu sistema preventivo vos sutentem no compromisso de viver com os jovens. A presena no meio de-les seja caraterizada por aque-la ternura a que Dom Bosco chamou amorevolezza, ex-perimentando tambm novas linguagens, mas sabendo bem que a do corao a linguagem fundamental para se aproximar e se tornar amigo deles.

    Por fim o Papa Francisco referiu a celebrao dos 200 anos do nascimento de Dom Bosco, na qual vai participar em Turim em agosto de 2015, como um momento oportuno para propor de novo o carisma do Fundador.

    trar respostas s suas perguntas. Ao final da tarde, aps a Saudao a Nossa Senhora na Capelinha das Aparies, deu-se incio ao momen-to Arte e F, grande festa juvenil, inspirada nos valores da espiritua-lidade juvenil salesiana. Os jovens, que enchiam por completo o gran-de auditrio do Centro Paulo VI, pu-deram ouvir as mensagens inspira-doras do sucessor de Dom Bosco e da Madre Geral das FMA.

    noite, com a multido de pere-grinos, o Reitor-Mor rezou o tero na Capelinha e participou na pro-cisso, que iluminou com milhares de velas acesas o recinto do Santu-rio. Como afirmou mais tarde, esses

    11

  • Atitude serena e alegre dos jovens foi

    elogiada pelo Reitor-Mor, que se mostrou

    muito comunicativo com alunos,

    professores, salesianos e leigos

    momentos de intimidade com a Me do Cu, foram por ele vividos como peregrino, confiando a Maria todas as intenes do seu corao de pai.

    A programao desse dia, to in-tenso, terminou com a tradicional boa-noite salesiana aos jovens do MJS, que puderam despedir-se de ambos os convidados e agradecer a sua presena.

    Reitor-Mor e Madre Geral renem com os grupos da Famlia Salesiana

    O domingo comeou cedo para os membros da Famlia Salesiana. s 6h45 teve lugar uma Via-Sacra nos Valinhos, local das aparies do Anjo da Paz aos Pastorinhos, que antecedeu o encontro com o Reitor-Mor e a Superiora Geral das Salesianas, s 9 horas, no salo do Bom Pastor, onde foram apontados caminhos de futuro para a Famlia Salesiana.

    O Pe. ngel e a Madre Yvonne pe-diram aos membros da Famlia Sale-siana que sejam fermento no meio da massa e sinal de verdadeira co-munho entre si, grupos da Famlia Salesiana, e com a Igreja. Antes de

    REPORTAGEM

    S pelo facto de o Reitor--Mor se poder encontrar com os Salesianos desta Provncia e poder falar-lhes, j se justifica a viagem. Este o momento que considero de intimidade fra-terna para podermos falar da nossa vida, da nossa pobreza e da nossa riqueza. O Reitor-Mor tem como primeira prioridade e misso principal cuidar dos seus irmos salesianos. O que de mais valioso a Congregao tem so os Salesianos. A sua vida e as suas pessoas. Peo--vos que vos cuideis.

    AOS SALESIANOS, ENCONTRO 17 DE MAIO, FTIMA

    O que de mais valioso tem a Congregao so os salesianos

    12

    BOLETIM SALESIANOjul/ago 2014

  • Padre Stefano Martoglio

    terminar o encontro, o Reitor-Mor pediu ainda que a Famlia Salesiana em Portugal cresa em nmero e em graa, segundo o carisma sale-siano proposto por Dom Bosco.

    Aps a sesso, rumaram ao San-turio para a recitao do Tero juntamente com milhares de pere-grinos, tambm de outros grupos, que habitualmente se deslocam, em maior nmero, Cova da Iria nos meses de maio a outubro.

    A Eucaristia, no grande recinto do Santurio, foi presidida pelo Bis-po do Algarve, D. Manuel Quintas, tendo sido concelebrada pelo bispo emrito de Portalegre-Castelo Bran-co, D. Augusto Csar, e pelo Pe. n-gel Fernndez Artime.

    Aps o almoo, o Reitor-Mor des-locou-se aos Salesianos do Estoril onde visitou a comunidade ali re-sidente, tendo regressado a Lisboa nessa noite para jantar com a comu-nidade provincial, com a presena do bispo salesiano, Auxiliar de Lis-boa, D. Joaquim Mendes.

    Um bom-dia especial na concluso da visita do Reitor-Mor a Portugal

    A visita do Reitor-Mor a Portugal terminou com a apresentao do bom-dia aos alunos dos Salesia-nos de Lisboa.

    Este bom-dia especial teve como pano de fundo a Espirituali-dade Juvenil Salesiana e, nas bre-ves palavras que dirigiu aos alunos, o Pe. ngel Artime manifestou a sua enorme satisfao com esta visita a Portugal e prometeu que todos os jovens das casas salesianas sero lembrados e confiados a Maria Au-xiliadora e a Dom Bosco na sua visi-ta a Valdocco, dentro de alguns dias.

    O Reitor-Mor lembrou que a fe-licidade no temporria, mas algo que deve nascer do fundo do corao, naquilo que se faz e com as pessoas que nos rodeiam. A vida de cada um s produzir felicidade se for uma vida de entrega e doa-o. Como palavra de despedida, o Reitor-Mor fez seu o desejo de Dom Bosco: Quero que sejam felizes aqui e na eternidade.

    O Pe. Stefano Martoglio, eleito pelo Captulo Geral 27 Conselheiro Regional para a nova Regio Mediterrnica, far a Visita Extraordinria Provncia Portuguesa em nome do Reitor-Mor nos me-ses de abril e maio de 2015.

    Natural de Turim, onde nas-ceu em 30 de novembro de 1965, fez o noviciado em 1984 no Monteoliveto, Pinerolo, os primeiros votos salesianos na Baslica de Maria Auxiliadora, Valdocco, Turim, no dia 8 de se-tembro de 1985 e os votos per-ptuos no dia 27 de setembro de 1992, em Castelnuovo Don Bosco. Foi ordenado sacerdote em Turim no dia 11 de junho de 1994. Foi diretor da Casa-Me

    da Congregao (em Valdoc-co), Conselheiro nas obras de Pinerolo e So Domingos Svio, em Valdocco, e era desde 2008 o Superior da Circunscrio Es-pecial Piemonte-Vale dAosta.

    VISITA EXTRAORDINRIA

    Novo Regional visita Portugal em 2015

    SALESIANOS NO MUNDO: ESTATSTICAS 2013

    7 REGIES:Interamrica;

    Amrica Cone Sul; Europa do Norte;

    Mediterrneo; frica Madagscar;

    sia Sul; sia Leste Ocenia.

    90 PROVNCIAS:Mais de 1800 casas

    canonicamente eretas nas 97 presenas existentes

    em 132 pases.

    15.298 SALESIANOS:122 bispos;

    10.308 sacerdotes; 1.758 salesianos coadjutores;

    19 diconos permanentes; 2.646 scholasticus;

    445 novios.

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  • EGIDIO DEIANA/BOLETIM SALESIANO ITLIA TRADUO: PE. BASLIO GONALVES

    Todos os anos milhares de turistas visitam os lugares

    onde So Joo Bosco nasceu, cresceu e comeou a

    construir a obra com 200 anos que hoje conhecemos.

    Convidamos os leitores a acompanhar-nos num passeio

    nesta colina que tambm um roteiro da sua histria.

    COLLE DON BOSCO

    Aqui onde tudo comeou h 200 anos

    glione, canton Cavallo, casa Graglia e borgata Bechis. Nos campos, vinhas e prados, alguns cultivados e outros simplesmente de pastagem. Daqui, uma paisagem estupenda: uma ca-deia alpina extraordinria, um ce-nrio maravilhoso de colinas, jogos

    de cores a beleza fascinante da criao: o horizonte estende-se por quilmetros e quilmetros. Fcil di-vagar com a imaginao, sonhar em grande

    Nesta colina, hoje conhecida como Colle Don Bosco, no lugare-jo dos Becchi, anexa de Morialdo, concelho de Castelnuovo, em 16 de agosto de 1815, nasceu Joo Bosco. Na poca de Joozinho, havia nesta colina poucas vacarias: cascina Bi-

    EM FOCO

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    BOLETIM SALESIANOjul/ago 2014

  • Casa onde Dom Bosco viveu desde novembro de 1817 at aos 11 anos

    Durante a sua visita, em 3 de se-tembro de 1988, S. Joo Paulo II de-finiu o lugar como Colina das bem--aventuranas Juvenis: o projeto evanglico de felicidade indicado por Jesus acessvel a todos, des-de pequenos, como experimentou Joozinho Bosco e como, enquanto santo educador, ensinou e ensina a multides de rapazes de todo o mundo. A grande cruz erguida no cimo da colina mais alta quer mes-mo testemunhar a universalidade da salvao trazida por Jesus e do carisma missionrio de Dom Bos-co. Visitar estes lugares quer dizer redescobrir as origens da extraordi-nria personalidade de Dom Bosco e da sua obra espalhada por todo o mundo.

    A casetta: Esta a minha casa

    Corao histrico e afetivo da co-lina a casetta em que Joozinho Bosco cresceu. A famlia tinha-se transferido para aqui depois da morte improvisa do pap Francis-co (maio de 1817). Anteriormente a famlia ocupava algumas divises numa quinta que era propriedade dos Biglione, notrios e advogados em Chieri. Francisco cultivava as terras de Biglione como caseiro e capataz. Tendo enviuvado, casara em segundas npcias com Marga-rida Occhiena, natural de Capriglio. Do seu casamento nasceram Jos e Joo. Por morte de Francisco Bosco, Margarida transfere-se para a hu-milde casinha que o marido tinha adquirido no ms de fevereiro, pro-jetando deixar a Cascina Biglione e transferir-se para uma casa que era mesmo deles: pobre mas, em todo o caso, a sua casinha. Mulher sbia, de grande bom senso, rica de uma f ao mesmo tempo simples e profunda, Margarida assume o cui-dado da famlia. Na escola da me, dotada de uma personalidade si-multaneamente forte e meiga, Joo-zinho Bosco aprende os valores fundamentais do bom cristo, da bondade evanglica e do cidado honesto, de confiana e generoso. A vida na casetta agitava-se com gran-de, grande sacrifcio, mas tambm com grande caridade e partilha. porta vinham bater pobres, mendi-gos, pessoas que aproveitavam os dias de festa ou de feira para jun-

    esquerda a construo original, demolida em 1957, direita depois da reconstruo

    tar alguns trocos e sobreviver. Um copo de gua, um pedao de po, um prato de sopa, um abrigo para passar a noite ou fugir do mau tem-po com serenidade e cordialidade, Me Margarida acolhia sempre. Os pobres so um dom de Deus!, afir-mava com delicada caridade. Aqui Deus era de casa! O dia era pautado pela orao quotidiana, confiante. Terminava com o Rosrio, que dava serenidade e confiana no presente

    e para dia de amanh entregando--se ao auxlio materno de Maria, me de Jesus.

    O prado do sonho: Eis o campo em que hs de trabalhar

    medida que vai crescendo, Joozinho vai sentindo aumentar no seu corao um grande desejo: estudar. Para ser padre. Para cuidar dos rapazes. E enquanto nele vai

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  • EM FOCO

    crescendo este desejo, Deus d-lhe a entender de modo extraordin-rio o seu projeto. Comunica-lho atravs de um sonho: o primeiro de uma srie de sonhos que Joo Bosco ter e lhe revelaro pouco a pouco o caminho. Joozinho tem este sonho na idade de nove/dez anos. Passava-se aqui, nesta exten-so que vinha dar ao prado, com um grande horizonte at Butigliera e mais longe ainda. Com bondade, conquistando o corao dos rapa-zes, deve ajud-los a transformar-se de animais ferozes em cordeiros (de rapazes pobres, abandonados, em perigo e perigosos em bons Cristos e honestos Cidados). Este sonho traar toda a existncia de Joo Bosco: cuidar dos rapazes de todo o mundo e lev-los virtude, a Jesus.

    Monumento a Joozinho prestidigitador

    Fazer alguma coisa pelos outros. uma sensibilidade que Joo come-a a mostrar desde muito pequeno. Graas tia Mariana, empregada do proco de Capriglio, pode frequen-tar algumas aulas do ensino prim-rio. Aprende assim a ler e escrever. Sobretudo nos seres de inverno,

    Construo que assinala o local onde

    no sonho dos nove anos

    Dom Bosco v um prado

    cheio de feras trans-

    formarem-se em cordeiros

    mansos

    Monumento a Joo Bosco saltimbanco

    Primeira Capela construda por Dom Bosco, dedicada a Nossa Senhora do Rosrio

    Capela situa-se dentro da casa do irmo de Dom Bosco, Jos, que pe disposio dele e de Me Margarida algumas divises para os perodos de frias em que regressam de Valdocco para os Becchi

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    BOLETIM SALESIANOjul/ago 2014

  • A casa do irmo Jos e o Museu rural. A capela do Rosrio

    Encontramo-nos na casa do ir-mo Jos. Depois de trabalhar em Sussambrino, a um par de quil-metros daqui, Jos regressara aos Becchi e construra a casa. Com ele morava tambm Me Margarida. Durante o vero de 1846, Dom Bos-co, aps uma doena que o tinha levado s portas da morte, regressa aqui aos Becchi em convalescena. Aqui faz a proposta me: Me, anda comigo para Turim a zona em que encontrei casa, em Valdoc-co, isolada, no das melhores, antes Se fores comigo, fico mais tranquilo!. E Me Margarida par-te com o filho (3 de novembro de

    1846). Nas frias dos anos seguintes, na altura das vindimas, Dom Bos-co regressa aos Becchi juntamente com a Me. Alm do quarto, Jos pe disposio do irmo padre este compartimento para que o transforme em capela e no tenha de fazer todos os dias o caminho at igreja paroquial para celebrar. a primeira capela que Dom Bosco constri, dedicando-a a Nossa Se-nhora do Rosrio. Depois de Dom Bosco, os seus filhos continuaram a vir de Turim para a festa do Ros-rio (a banda at 1934). A capela foi recentemente renovada voltando ao estilo das origens, simples e re-colhida. Os vitrais recordam alguns acontecimentos significativos aqui ocorridos e ligados memria sale-siana das origens: sonho dos nove anos, encontro com Domingos S-vio, vestidura clerical do padre Rua, Dom Bosco e sua me.

    O pequeno Santurio de Maria Auxiliadora

    Foi construdo no centenrio do nascimento de Dom Bosco, 1915. J vrios grupos de peregrinos tinham comeado a vir aqui ao Colle depois da morte de Dom Bosco para visitar a casa das origens. O padre Albera, Reitor-Mor e sucessor de Dom Bos-co, aceita o convite para construir um lugar de culto que acolha os v-rios grupos de peregrinos que vm visitar a casetta de Dom Bosco. O pequeno templo construdo com projeto do arquiteto salesiano Giu-lio Valotti e com o contributo dos alunos e antigos alunos das vrias escolas salesianas. Com a inaugura-o da pequena igreja, a 1 de agosto de 1918, comea no Colle tambm a presena dos primeiros salesianos. Assim comea a aventura da obra salesiana.

    Hoje o pequeno Santurio lugar de orao mariana e de adorao quotidiana contnua com os dois grandes amores de Dom Bosco, Eu-caristia e Maria Santssima. Desde h mais de 20 anos, vrios mem-bros da Famlia Salesiana revezam--se diariamente em orao e ado-rao. Rezam pelos jovens, pelas famlias e pelos educadores da Fa-mlia Salesiana de todo o mundo.

    reunidos no estbulo (o lugar mais quente da casa), Joozinho nar-rava ou lia aos da sua idade o que tinha aprendido. O monumento sublinha os incios de Joo como juvenssimo animador: atravs da arte de malabarista e de saltimban-co. Nestes prados. Gradualmente, ao organizar os seus espetculos de entretenimento, Joo segue al-guns critrios que orientaro mais tarde o jogo no Oratrio. Seriedade de preparao, divertimento so e inteligente, e finalidade formativa.

    Da me aprende um critrio para escolher os amigos: ligar-se a quem leal e generoso (evitar quem vul-gar, grosseiro, malcriado, prepoten-te) e a quem aberto ao sentido de Deus

    Santurio de Maria Auxiliadora construdo em 1915 mesmo em frente casa de S. Joo Bosco. Hoje lugar de orao mariana e de adorao quotidiana contnua

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  • ATUALIDADE

    PE. JUAN FREITAS FOTOGRAFIAS: JOO RAMALHO

    Nesta edio de 2014, realizada de 1 a 4 de maio, os Jogos

    Nacionais Salesianos congregaram cerca de 1500 atletas

    e ainda os seus animadores desportivos, vindos dos

    vrios ambientes dos Salesianos e das Filhas de Maria

    Auxiliadora do Continente e da Madeira.

    JOGOS NACIONAIS SALESIANOS

    Um evento com 21 anos de sucessos

    distribudos pelas modalidades de futsal, basquetebol, voleibol, xa-drez, tnis de mesa e natao, pro-venientes de dezasseis delegaes tiveram uma variedade de propos-tas no s desportivas e ldicas, mas tambm culturais e pastorais fazendo deste encontro tipicamen-te salesiano uma autntica festa do Movimento Juvenil Salesiano.

    Alm do Quadro Competitivo, o programa contemplou uma espe-tacular sesso de abertura no dia

    1 noite com a participao em palco de cerca de 500 alunos da Escola do Estoril. Houve tambm propostas de orao da manh, pro-postas culturais, passeios, cinema, orao da noite com a presena do Selecionador Nacional da Federa-o Portuguesa de Futebol, Paulo Bento, e tambm do Professor Mar-celo Rebelo de Sousa, assim como a Eucaristia no Domingo presidida pelo Provincial dos Salesianos em Portugal.

    Os XXI Jogos Nacionais Salesia-nos realizaram-se entre os dias 1 e 4 de maio nos Salesianos do Estoril, sob o lema: De alma e corao.

    Nesta edio de 2014, o evento desportivo anual dos Salesianos de Portugal congregou cerca de 1500 atletas e respetivos animadores desportivos dos vrios ambientes dos Salesianos e das Filhas de Ma-ria Auxiliadora do Continente e da Madeira.

    Ao longo destes dias, os atletas

    Cenrio a enquadrar a

    Eucaristia do Encerramento

    dos Jogos

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    BOLETIM SALESIANOjul/ago 2014

  • EXPERINCIA DE SUCESSOPe. Artur Pereira, Provincial

    Temos ainda na memria a festa dos Jogos Nacionais Salesianos, nomeadamente os momentos das grandes celebraes conjuntas, isto , a cerimnia de abertura e a Eucaristia de encerramento. E haver com certeza tantas outras imagens que guardamos como tesouro desta atividade to movimentada, to juvenil, to cheia de desafios, to educadora, to bem preparada, participada e realizada Nunca se agradece demais quando a generosidade no tem medida. Podemos dizer que esta atividade, realizada com as crianas, adolescentes e jovens de forma paciente e confiante, paulatinamente h vinte e um anos que os Jogos Nacionais Salesianos se realizam! nos

    permite concluir que o caminho se faz andando. Porque se caminha, as pessoas crescem e as realizaes tm mais contedo. A felicidade cada vez maior, uma vez que o projeto que se desenvolve corresponde sempre mais quilo que torna os jovens mais felizes, com as experincias de sucesso em que participam.

    AGRADECIMENTO DE UM PAIRui Diniz, Encarregado de Educao e Antigo Aluno

    Escrevo como antigo aluno que durante 12 anos frequentou a Escola e como pai de quatro atuais alunos um deles atleta para reconhecer e agradecer de forma sincera e entusistica a excelente organizao dos jogos, o excelente ambiente que se viveu, a qualidade dos espetculos, a simplicidade e genuinidade de tudo. Parabns e obrigado.

    Resultados no site dos JNS em www.salesianos.pt/jogosnacionais e fotografias em facebook.com/jnsalesianos

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  • A verdade uma prova de fundo, uma espcie de

    maratona na nossa conscincia e na conscincia de

    vivermos em sociedade.

    OPINIO

    Escreveu o Papa Emrito, Bento XVI, na Encclica Caritas in Veritate que sem verdade, cai-se numa viso empirista e cptica da vida, incapaz de se elevar acima da ao porque no est interessada em identificar os valores s vezes nem sequer os significados pelos quais julg-la e

    orient-la. A fidelidade ao homem exige a fidelidade verdade, a nica que garantia de liberdade (cf. Jo 8, 32).

    A verdade existe por si. A mentira subsiste por ns. A verdade d tra-balho porque exige a consonncia

    O valor da verdade

    da sua essncia com a predisposi-o da nossa mente e corao. A mentira implica a imaginao do seu fabrico e exige memria para no ser atraioada ao virar da es-quina.

    A verdade uma prova de fundo,

    ANTNIO BAGO FLIX PROFESSOR CATEDRTICO E CONSELHEIRO DE ESTADO

    ILUSTRAO: NUNO QUARESMA

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    BOLETIM SALESIANOjul/ago 2014

  • Cada vez mais, necessrio que o cristo exprima na ao, na palavra, no testemunho, no servio, a ideia central de amor verdade.

    uma espcie de maratona na nossa conscincia e na conscincia de vi-vermos em sociedade. Vai sempre longe, chega primeiro e no ofegan-te. A mentira uma modalidade de velocidade rpida, quanto muito de meio-fundo, s vezes perigosamen-te de estafeta. Desiste ou perde-se na pista.

    O problema que, no raro, ganha na secretaria quem perde na corri-da. Sobe ao pdio, escarnece da ver-dade e recebe medalhas de ouro.

    Cada vez mais, necessrio que o cristo exprima na ao, na palavra, no testemunho, no servio, a ideia central de amor verdade, no po-dendo alimentar a tendncia que Bento XVI exprimia na sua ltima Encclica de um contexto social e cultural que relativiza a verdade, aparecendo muitas vezes negligente seno mesmo refratrio mesma.

    A verdade tambm indissoci-vel do patrimnio inalienvel da Paz. Foi, alis, neste contexto que, por exemplo, S. Joo Paulo II escre-veu a mensagem do Dia Mundial da Paz de 1980 intitulada A verdade fora da Paz e Bento XVI retoma o tema em 2006 com Na verdade, a Paz.

    Semanticamente antnimos, a verdade no um aditivo que anule uma mentira, nem esta uma es-ponja que apague a verdade. Como escreveu Jean Cocteau Uma gar-rafa de vinho meio vazia est meio cheia. Uma meia mentira nunca ser uma meia verdade.

    A mentira uma espcie de nova especiaria comportamental que assume diferentes formas: a pro-priamente dita, ou seja, por ao, a omisso, o exagero, o rumor, a in-coerncia, a iluso.

    De entre elas, destacam-se o exa-gero e o rumor que at parece terem tomado conta de quase tudo. Exa-gero que pode ser por excesso ou por defeito. Por isso, se tem neces-sidade de dizer que se diz sem exa-gero, quando se foge regra hiper-blica da exagerao. O exagero, no futebol, o que melhor embrulha a paixo. O exagero, na poltica, a tentao maior de quem diz que fez e de quem acha que no foi feito. So-mados estes exageros de sinal con-

    trrio, o resultado nulo. O exagero nos comportamentos faz da menti-ra uma regra, da banalizao uma atitude, da desconsiderao uma sentena que transitou em julgado.

    O exagero vive de sinais exterio-res. Expressionista, precisa de in-terlocutor que o aproprie. E que, de exagero em exagero, o propague. At se anular por excesso. Como o peixe que morre pela boca, a exa-gerao morre por apoplexia. Cons-tri a sua prpria morte. Mas deixa sucessor nas suas prprias cinzas.

    Verdadeiramente, o exagero es-vazia-se em ns, porque a nossa medida fora dos outros sempre se reduz normalidade, que o que resta depois de extrada a exagera-o. Ss, diante da nossa conscin-cia, a nossa medida rigorosa. No precisa da inflao mtrica contida no exagero. Nem do eufemismo que apazigua, na forma, a substn-cia da hiprbole. Na linguagem do quotidiano, h at uma instituio nacional de exagero que prece-de qualquer substantivo para dar uma ordem de grandeza, mesmo que insignificante: extremamente. Reproduz-se por todo o lado e ul-trapassou, em degenerescncia do seu significado, o vocbulo urgente. a exagerao do exagero. o con-traponto do mais ou menos. Tudo quanto exagerado acaba por se tornar insignificante.

    O rumor como o caro. Est em todo o lado, no nos apercebemos dele vista ou ouvido desarmado, alimenta-se do p, e provoca mal--estar.

    Aparentemente, estamos perante uma contradio. H mais informa-o, a notcia corre clere, a imagem documenta at em excesso, e, toda-via, o boato e o rumor florescem, a cada instante, em toda a parte. O ru-mor e o boato convivem bem com a sociedade de informao e as redes sociais. Tentando buscar razes, talvez o boato seja uma forma, si-multaneamente leviana, mordaz e apelativa, de quebrar o crculo roti-neiro, em que muita gente se deixou aprisionar. O boato refugia-se no anonimato, forma perversa de irres-ponsabilidade. O boato tem a fora que resulta de ser informe, insidio-so, larvar. Por isso, o seu desmenti-do perde no confronto, porque, ao contrrio, tem que ser rigoroso na forma e exigente na substncia. O rumor o mensageiro da mentira, da insinuao torpe, da meia-verda-de, sem rosto. Como na sua origem latina, boatus, significa um grito forte. No nos decibis, mas na sua capacidade de auto-reproduzir-se. Veja-se o que por a vai nas redes sociais, onde se junta o progresso social do seu benefcio com o retro-cesso humano do seu malefcio.

    Concluo citando, a propsito, o Papa Francisco na sua recente Exortao Apostlica: Os esforos volta dum tema especfico podem transformar-se num processo em que, atravs da escuta do outro, am-bas as partes encontram purificao e enriquecimento. Portanto, estes esforos podem ter o significado de amor verdade.

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  • O relgio regressivo do adeus troica j fez estralejar os

    foguetes, provocando uma folia catrtica, anuladora dos

    jejuns quaresmais. A urgncia de voltar ao carnaval, ao

    imediatamente antes da quaresma, e nele permanecer,

    parece um desgnio portugus.

    O adeus troicaORLANDO CAMACHO ADMINISTRADOR PROVINCIAL

    ECONOMIA

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    BOLETIM SALESIANOjul/ago 2014

  • Na pscoa deste ano o bode expi-ratrio, carregando todos os males que o povo tem padecido, foi defi-nitivamente exorcizado e corrido para o deserto.

    Mas esta fico de algumas men-tes, se no est longe do desejo ptrio, est, porm, muito distante de uma previso factual. Nenhum credor se ir embora sem que lhe sejam pagos at ao ltimo cntimo todos os financiamentos concedi-dos.

    certo que os financiamentos obtidos atravs da troica no foram to benvolos como os concedidos aos bancos em dificuldade, mas ficaram muito abaixo do que se es-tava a pagar entrada do resgate. Oxal que a ganncia especulativa no se torne a aproveitar da nos-sa fragilidade e a assim chamada sada limpa no volte a exigir uma nova entrada de apoios externos. Todavia, a concretizao deste de-siderato dever-se-, mais que ao mrito prprio, ao interesse da Eu-ropa.

    At agora o poder poltico teve as costas quentes para tomar as medidas ditas necessrias sus-tentabilidade do pas. Infelizmente, a estrutura econmica portuguesa est quase na mesma: elevados custos com salrios dos funcion-

    Perdemos uma grande oportunidade de decidir bem e de reorganizar o pas com reduzidos custos polticos. Com ou sem troica o pas continuar insustentvel se no corrigir os seus conhecidos erros estruturais.

    rios pblicos; demasiados custos sociais; insustentveis custos com o financiamento; uma justia lenta; uma sade demasiado cara; uma educao ao servio do sistema e no dos estudantes; investigadores de excelncia que s conseguem singrar no exterior; um tecido em-presarial que, com a retoma da pro-cura interna e sem acesso ao finan-ciamento, pode no ter capacidade de corresponder s necessidades de investimento e crescimento (e no se esquea que a criao de empregos depende das empresas).

    Somos um povo que continua a dar exemplo de tolerncia, demo-cracia e solidariedade, um povo que sabe aguentar, com uma ca-pacidade quase ilimitada de adap-tao sobrevivncia. Este povo merece mais respeito dos seus re-presentantes, mais conteno de quem gere os seus impostos, mais humanidade de quem tem nas mos o seu presente e o seu futuro.

    justo exigir mais respeito por quem paga os frequentes erros de quem decide. Na verdade, tm sido excessivas as ms decises dos diri-gentes muitas vezes porque se en-ganam, mas algumas vezes porque nos enganam.

    Perdemos uma grande oportu-nidade de decidir bem e de reorga-

    nizar o pas com reduzidos custos polticos. Com ou sem troica o pas continuar insustentvel se no corrigir os seus conhecidos erros estruturais.

    O esforo dos portugueses mere-ce uma sada limpa, ou seja, com um oramento equilibrado, uma economia que cria emprego, um pas reorganizado um pas que, a exemplo das famlias e das organi-zaes, extirpe as gorduras, reorga-nize as funes e credibilize as ins-tituies. S num pas assim muitos gostaro de investir e valer a pena nascer.

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  • Qual o segredo das famlias que, no obstante toda a

    insistncia apocalptica no desastre juvenil, conseguem

    tirar a limpo jovens normalmente sensatos e

    humanamente vlidos?

    BRUNO FERRERO DIRETOR DO BOLETIM SALESIANO ITALIANO

    COMO DOM BOSCO

    H muitos especialistas que acon-selham os pais a ser assertivos e a impor-se com frequentes nos, a recorrer obedincia incondicio-nal e a algum castigo firme. So con-selhos ditados por formas de deses-pero crescente face m educao imperante de jovens e crianas e ao insucesso de muitos adultos jovens.

    Mas estes especialistas esque-cem um aspeto preventivo. Mes-mo que aparentemente antigo. Educa-se por aquilo que se . A educao comea pelos olhos e a pergunta mais eficaz : o que veem os nossos filhos?

    Os adultos vivem em total contra-dio. Dizem: No metas os dedos no nariz. Mas eles fazem-no. Dizem: No fumes. Mas eles fumam. Di-zem: No bebas bebidas alcolicas!. Mas eles so como esponjas. Pro-bem-nos de ver filmes pornogrficos ou policiais na televiso. Mas eles ficam a v-los at altas horas. Quanto mais idade tm, mais coisas dizem e que eles no fazem. (Ana, 12 anos)

    Antes, pensava que os adultos podiam ser modelos para mim. Mas quando se veem a acelerar de car-ro como doidos, quando se veem a no respeitar o sinal vermelho ou a acelerar nas passadeiras dos pees, damo-nos conta de que ainda so imaturos. Creio que, se ns jovens

    fizssemos tudo como os adultos, o mundo seria ainda pior. (Andrea, 14 anos).

    o desafio mais difcil e exigente do problema educativo: trata-se de ser sempre pais e educadores coe-rentes.

    Trs metas e trs mtodos para pais coerentes

    A formao coerente consiste em oferecer aos filhos aes positivas, literalmente, em mostrar-lhes como fazer.

    Um aspeto do ensino criativo con-siste em dar aos filhos as compe-tncias que lhes sero necessrias, como vestir-se, ler, escrever, andar de bicicleta e marcar os nmeros telefnicos de emergncia. Outra funo da formao coerente con-siste em favorecer o crescimento e a formao do carter fazendo compreender a importncia de va-lores como a honestidade, o empe-nhamento no trabalho e a coragem. O terceiro aspeto da formao coe-rente prev que se proporcione aos filhos os instrumentos necessrios para enfrentar emoes como o re-ceio, a ira e a desiluso.

    H fundamentalmente trs mto-dos para dar uma formao coeren-te aos vossos filhos:

    Educar oferecendo modelos de comportamento

    Este tipo de formao realiza-se, quer o compreendais ou no, quei-rais ou no. No bem ou no mal, os vossos filhos referem-se a vs, para ter indicaes de como viver. A pri-meira coisa que procuram a con-firmao de que as vossas aes estejam de acordo com as vossas palavras. Se e quando notarem falta de coerncia entre umas e outras, podeis ter a certeza de que vo-lo diro.

    A certa altura, os vossos filhos deixaro de escutar o que dizeis e comearo a imitar o que fazeis. Se este pensamento vos assusta, no sois os nicos.

    Mas onde h margem de risco, h tambm alguma margem de sucesso. Com efeito, no preciso que sejais especialistas de relaes familiares para tornar diferente a vida do vosso filho. Tudo o que ten-des de fazer levar uma vida digna de ser imitada.

    Educar ensinando como se faz

    Podereis ensinar os vossos filhos a andar de bicicleta recorrendo a uma videocassete. Podereis en-sinar a lavar a loua explicando

    Porque h ainda bons jovens?

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    BOLETIM SALESIANOjul/ago 2014

  • quanto detergente lquido devem deitar e depois descrever a tcnica mais adequada para tirar as ndoas de sumo, as crostas de massa e os resduos de gordura. E podereis en-sinar a lavar a roupa limitando-vos a mandar ler as instrues de uma embalagem de detergente.

    Mas seria muito melhor fazer montar o vosso filho numa bicicle-ta e comear a andar, segurando-o com a mo, at que ele seja capaz de andar sozinho; dar uma esponja ao vosso filho, coloc-lo em cima de uma cadeira ao vosso lado e ensi-nar-lhe a lavar um prato de cada vez como vs fazeis; levar o vosso filho ao quarto que serve de lavandaria e pedir-lhe que vos ajude a separar os vrios tipos de roupa branca, es-colher a qualidade e quantidade de detergente, selecionar o programa de lavagem mais adequado e seguir o ciclo de funcionamento da m-quina.

    Utilizar o tempo necessrio para dar instrues no terreno pode-ria ajudar os vossos filhos a tornar--se mais confiantes e desejosos de aprender, e no ficar nervosos e

    Utilizar o tempo necessrio para dar instrues no terreno poderia ajudar os vossos filhos a tornar-se mais confiantes e desejosos de aprender

    inseguros, ao menos quando esto em questo as capacidades neces-srias para a vida.

    Educar a tempo inteiro

    Os especialistas dizem que as crianas aprendem fazendo ou adquirindo pessoalmente conheci-mentos e experincias.

    Isto significa que, se quiserdes que o vosso filho adquira conhe-cimentos referentes guerra, po-dereis simplesmente dar-lhe uma lio baseando-vos nas reminis-cncias das vossas aulas de histria (ou melhor, daquilo que delas ainda vos lembrais), ou ento podereis voltar a dar-lhe uma lio do gnero ao visitar um monumento ou um museu de histria.

    A combinao dos dados visuais e auditivos proporcionar prova-velmente ao vosso filho uma expe-rincia que nunca mais esquecer.

    Usai a vossa criatividade para fa-zer com que os momentos que pas-sam na vossa famlia constituam tambm ocasies de aprendiza-gem. Isto exigir um certo esforo

    da vossa parte, mas esse esforo depressa ser compensado quando virdes que os vossos filhos adqui-rem ou aprendem uma competn-cia a que de outra forma no teriam acesso.

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  • DA VIDA DE D. BOSCO

    O dia mais feliz da minha vida!

    Finalmente, Joo Bosco pode repetir com o Poeta: Deus

    quer, o homem sonha e a obra nasce.

    ANA CARVALHO PROFESSORA

    Longo foi o percurso de vida e longas foram as noites e as cansei-ras para realizar o seu maior sonho: ser sacerdote de Cristo ao servio dos jovens.

    Durante o seu tempo de prepara-o no seminrio, Joo Bosco recor-da com alguma mgoa, o que mais

    o impressionava e que no pde alterar. Lamentava a distncia que ento reinava entre os sacerdotes e os jovens seminaristas. Este sofri-mento contribuiu para que come-asse a nascer no seu corao um novo estilo de ser padre. Quero ser um padre para os jovens, apro-

    ximar-me deles para os conduzir a Cristo. Ainda seminarista, atraa os jovens e estes sentiam que ti-nham um lugar privilegiado no seu corao. A portaria do seminrio enchia-se de jovens, sobretudo quinta feira, que vinham entreter--se com Bosco de Castelnuovo.

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    BOLETIM SALESIANOjul/ago 2014

  • A palavra (do jovem Padre Joo Bosco) aquecia e convertia os coraes, transformava vidas, alterava percursos e conduzia, at os mais endurecidos, pelos caminhos do Senhor.

    DAS MEMRIAS BIOGRFICAS

    Com D. Bosco dia a dia2011-2015 PREPARAO DO BICENTENRIO DO NASCIMENTO DE DOM BOSCO

    26 de julho de 1956Morte exemplar de Fernando Cal, de 17 anos, tipgrafo da escola tcnica (OSJ) de Lisboa. O seu grande anseio era ser padre, no obstante a oposio dos pais. Foi mulo de S. Domingos Svio e props-se ser santo mediante a Santa Confisso e a Comunho. (B.S. 1957, p. 16)

    29 de julho de 1860Ordenao sacerdotal do dic. Rua, pelo bispo mons. Balma, oblato, por delegao de mons. Fransoni, arcebispo de Turim no exlio em Lyon. A cerimnia solene teve lugar em Caselle, na capela da vivenda do baro Bianco di Barbania, cooperador e amigo de Dom Bosco. (M.B. VI, 703)

    10 de agosto de 1877O primeiro nmero do Bolletino Salesiano sai da tipografia. Desde h dois anos existia j o Bibliofilo cattolico que tratava das edies salesianas. A partir de hoje passar a ter um duplo ttulo: Bibliofilo cattolico o Bolletino salesiano. Em janeiro de 1878 chamar-se- Bolletino salesiano e ser publicado mensalmente destinado aos Cooperadores salesianos. (M. B. XIII, 259)

    13 de agosto de 1886De regresso de Pinerolo, Dom Bosco recebeu uma carta de mons. Cagliero em que entre outras coisas informava que os missionrios salesianos iriam dentro em breve para o centro da Patagnia. O Santo chorou de alegria com esta notcia. (M. B. XVIII, 172)

    Ao longo dos seis anos de pre-parao para o sacerdcio, Joo Bosco no perde um momento. A sua vida decorre entre o estudo e o trabalho. A sua dedicao e firme convico no sonho que o alimen-ta, fazem dele o melhor aluno. Fui sempre abenoado por Deus dei-xou escrito D. Bosco pois durante os seis anos, fui sempre favorecido pelo prmio anual de 60 liras, o que dava muito jeito!

    5 de junho de 1841. Um dia inol-vidvel na vida de Joo Bosco que marcou a etapa mais fecunda da sua vida de apstolo da juventu-de.

    O sol espargia os seus raios de luz e calor pela cidade de Turim e o corao do novel sacerdote ardia em desejos de se pr ao servio dos mais pobres e necessitados deste mundo. A natureza associou-se de bom grado ao acontecimento que se celebrava na capela do Pao Ar-quiepiscopal. Joo Bosco recebe a ordenao sacerdotal e pede a Deus que lhe conceda a eficcia da palavra para poder beneficiar as almas. A vida do padre Joo Bosco constituiu a prova de que o seu pedido foi atendido. A sua pa-lavra aquecia e convertia os cora-es, transformava vidas, alterava percursos e conduzia, at os mais endurecidos, pelos caminhos do Senhor.

    Aquele extraordinrio dia che-gava ao fim, mas era tambm o pri-meiro da misso que a Senhora do sonho dos 9 anos lhe tinha confia-

    do: torna-te humilde, forte e robus-to a seu tempo, tudo compreende-rs.

    O sol declinava no horizonte e a alma do padre Joo Bosco era um mar imenso onde as ondas iam e vinham e as emoes se sucediam e deixavam uma paz infinda.

    A me, sempre presente nos mo-mentos decisivos do filho, chama-o parte e, a ss, diz-lhe estas me-morveis palavras: s sacerdote, j dizes Missa, estars mais perto de Jesus. Lembra-te, porm, que comear a dizer Missa quer dizer comear a sofrer. Ao princpio, no o notars, mas pouco a pouco vers como a tua me te disse a verdade. Estou certa de que todos os dias rezars por mim, enquanto viver e depois de morta; e isso me basta. Daqui por diante pensa unicamen-te na salvao das almas e no te preocupes comigo.

    E Joo Bosco seguiu risca o pro-grama traado pela sua santa Me, Me Margarida.

    Termina nesta edio a publicao desta srie de

    episdios da vida de Dom Bosco. autora, a Irm Ana Carvalho,

    agradecemos a generosa colaborao.

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  • MOAMBIQUE

    Encontrei o rosto de Cristo e a minha felicidade

    Nasci em Timor-Leste. A minha vocao missionria fruto da ex-perincia crist radicada na minha famlia: ali recebi um grande exem-plo de amor a Deus e de f nEle. Devotava tambm uma grande ad-mirao pelo Pe. Afonso Maria Nas-cher, missionrio em Timor e meu diretor espiritual.

    No dia 24 de maio de 1992, Soleni-dade de Maria Auxiliadora, ele cele-brava o seu 60. aniversrio de vida consagrada salesiana e a data coin-cidia com a visita do Pe. Luciano Odorico, ento Conselheiro Geral para as Misses. Nessa ocasio tive o desejo de oferecer-me para ir s misses ad xteros, ad vtam: seria um bom presente ao meu di-retor espiritual, grande devoto de Maria Auxiliadora.

    Durante o ofertrio, levei para o altar a minha carta para o Reitor--Mor pedindo que me mandasse como missionrio. Cuidei de ali-

    mentar esse desejo missionrio ao longo dos anos de formao inicial com a orao e a escuta.

    Em 1995, findo o ps-noviciado, voltei a Timor-Leste para o primei-ro ano de tirocnio prtico. No ano seguinte, j membro da Expedio Missionria 126, recebi a cruz mis-sionria das mos do Reitor-Mor, Pe. Juan E. Vecchi. O meu destino foi Moambique.

    claro que a necessidade de sale-sianos em Timor-Leste muito gran-de. Entretanto, ali o carisma salesiano tem-se desenvolvido bastante e en-contra-se j radicado e inculturado: recebemos tantos missionrios e, portanto, de dever que tambm ns, como fruto dos seus trabalhos, nos ofereamos pelas necessidades missionrias da Congregao. En-tendi tambm que recebi a vocao salesiana como um dom gratuito de Deus: por isso, procuro viv-la com alegria e partilh-la com os outros.

    MISSES

    O testemunho do Pe. Adolfo de Jesus Sarmento, timorense, missionrio em Moambique desde 1995 ao Boletim de Animao Missionria Salesiana Cagliero 11.

    Sou missionrio em Moambique h 18 anos. Aqui fiz dois anos de tiro-cnio numa Parquia. Depois da or-denao sacerdotal sempre traba-lhei em Escolas Profissionais, onde passo todos os dias no meio dos jovens: fizeram-me compreender a sua sede e fome de sentido da vida e de Deus. No meio deles encontrei o rosto de Cristo e a minha felicida-de. Ofereo-lhes tudo o que posso para servi-los com corao salesia-no. Mas repito tambm com muita sinceridade: Somos servos inteis. Fazemos o que devemos fazer! (cf. Lc 17,10)

    Aos salesianos que se encontram a fazer discernimento, em particu-lar da sua vocao missionria, gos-taria de lhes oferecer trs palavras: liberdade, disponibilidade e cora-gem para ir aonde Deus quiser! CAGLIERO 11

    Pe. Adolfo de Jesus

    Sarmento com paroquianos

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    BOLETIM SALESIANOjul/ago 2014

  • SUPERIORA GERAL EM PORTUGAL

    Partilhar a alegria gal e com os membros do Conselho Provincial.

    No dia seguinte, sbado, a Ma-dre encontrou-se durante a manh com um grande nmero de Irms da Provncia, 85 num total de 125. tarde, no espetculo Arte e F do Movimento Juvenil Salesiano (MJS)a Madre Yvonne protagonizou um momento marcante, pois o silncio reinou na grande plateia quando, com toda a vibrao e entusiasmo que lhe so caractersticos, falou aos jovens sobre o modo salesiano de viver a amizade com Jesus. No final, os jovens rodearam-na para conseguir os autgrafos e as fotos pessoais. A Madre a todos acolheu com uma disponibilidade e um sor-riso cativantes. noite, participou, como peregrina, na orao do Ter-o na Capelinha das Aparies e, ao chegar a hora da Procisso de Velas, foi-lhe concedido um lugar espe-cial, seguir imediatamente atrs do andor de Nossa Senhora de Ftima.

    Ao final da noite, juntamente com o Reitor-Mor, deu a boa-noite aos adolescentes e jovens do MJS, que a escutaram com muita ateno.

    A Superiora Geral das Filhas de Maria Auxiliadora (FMA), Ma-dre Yvonne Reungoat, visitou Portugal em maio, por ocasio da Peregrinao ao Santurio de Fti-ma. Na receo na Casa Provincial no Monte Estoril, na presena das FMA, alguns professores, funcio-nrios e alunos, falou da alegria de viver. Acabou dizendo que, entre os jovens e as crianas ali presentes e os seus amigos estaro os futuros membros da Famlia Salesiana. Tudo isto dito de uma forma muito simples e acessvel a todos, e trans-mitindo aquela alegria que ela vive.

    Em Ftima, no dia 16 de maio, a Madre rezou em primeiro lugar na Capelinha das Aparies e de seguida visitou os tmulos dos Pas-torinhos. tarde reuniu com as di-retoras das 13 casas FMA em Portu-

    FMA

    Visita da Madre Yvonne Reungoat a Portugal alimenta a partilha espiritual e apostlica das comunidades.

    MARIA FERNANDA AFONSO/SINTONIA

    No domingo, como peregrina, acompanhada aqui e sempre pela Provincial, Ir. Maria das Dores Ro-drigues, e pelas Conselheiras Pro-vinciais, participou com a FS na Eucaristia no Recinto do Santu-rio. Na homilia, D. Manuel Quintas, Bispo do Algarve, apontou a edu-cao dos jovens como o melhor caminho de transformao da so-ciedade. Neste contexto sublinhou o contributo dado para a misso da Igreja por parte de S. Joo Bosco, de S. Maria Mazzarello e de cada um dos grupos da Famlia Salesiana por ele fundados. Referiu tambm a presena do Reitor-Mor e da Madre Geral, naquele dia no Santurio. Du-rante a tarde, a Madre reuniu o Con-selho Provincial, com uma atitude maravilhosa de acompanhamento e de interesse pela vida e misso da Provncia.

    Damos Graas a Deus pela pre-sena entre ns do Reitor-Mor, Pe. ngel Fernndez Artime, e da Ma-dre Yvonne. Tendo-os conhecido mais de perto, no deixaremos de rezar todos os dias pelas suas inten-es. Deixaram-nos muitos cami-nhos em aberto. Que Nossa Senhora nos ajude a segui-los e ir ao encon-tro dos jovens que precisam perce-ber quanto Deus os ama.

    Superiora Geral das Salesianas rodeada por jovens na festa do Dia MJS

    Foto/Joo Ramalho

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  • PASTORAL JUVENIL

    PROGRAMA D. BOSCO - PROJETO VIDA

    Vero cheio de atividades pastorais

    As frias de vero aproximam-se e com elas as ativida-des levadas a cabo pela Pastoral Salesiana. Os meses de julho e agosto oferecem diversas propostas para uma melhor vivncia deste perodo de descanso.

    Os Encontros com D. Bosco, na sua edio especial de vero, destinam-se a adolescentes e jovens que, du-rante a primeira semana de julho, vo viver uma expe-rincia de grupo, conhecendo melhor So Joo Bosco e os Salesianos, com vista a uma maior assimilao e ade-so aos valores da sua pedagogia e ao seu ideal.

    Sero 28 os educadores salesianos que participaro na Semana de Formao em Turim, no final de julho, tendo a oportunidade de conhecer mais de perto as ori-gens do carisma salesiano.

    No Acampamento Nacional MJS, cerca de 300 pr--adolescentes, adolescentes e jovens, de diversas casas salesianas do Pas, usufruiro de momentos de partilha, diverso e orao, em ambiente de alegria, no parque de Paredes da Vitria. uma oportunidade para reforar o sentido de pertena ao MJS e permitir um encontro com Deus atravs da natureza e da reflexo.

    Os Campos de Trabalho, durante uma semana de vero, so momentos propcios para jovens e adultos da famlia salesiana partilharem a sua f e alegria com crianas e jovens da terra que os acolhe, dando a conhe-cer o estilo salesiano e a sua proposta pastoral.

    Revestido de um carter de peregrinao e tendo como destinatrios cerca de 400 jovens de Espanha e Portugal, com idade mnima de 19 anos, o CampoBos-co possibilita o seu encontro com Dom Bosco e Madre Maria Mazzarello, percorrendo nos incios de agosto os lugares onde viveram e comearam a obra salesiana, em Barcelona, Turim e Mornese.

    PROGRAMA DOM BOSCOPROJETO VIDAPara conhecer melhor a atividade do Programa Dom Bosco - Projeto Vida visita o site da Fundao Salesianos www.fundacao.salesianos.pt/solidariedade-salesiana!

    Agosto tambm ms do voluntariado internacio-nal. Este ano o Programa D. Bosco Projeto Vida tem 59 voluntrios, em cinco grupos, acompanhados por sale-sianos, que iro em misso para Cabo Verde. Os volun-trios faro experincia de entrega, partilha, vivncia em grupo e de servio em misso, sendo eles tambm beneficirios desta iniciativa. Para Moambique iro seis voluntrios, desenvolvendo atividades de formao de professores, educao para a sade, formao de ani-madores, e apoio ao desenvolvimento de projetos em curso. MICHAEL FERNANDES

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    BOLETIM SALESIANOjul/ago 2014

  • No dia 17 de maio, teve lugar um inesquecvel Dia Nacional do Movimento Juvenil Salesiano. Este acon-tecimento nico contou com o privilgio da presena e participao do novo Reitor-Mor dos Salesianos, Pe. n-gel Fernndez Artime, e da Superiora Geral das Filhas de Maria Auxiliadora, Madre Yvonne Reungoat.

    O programa teve como tema unificador Na rbita da santidade, inspirando e desafiando os jovens salesia-nos a continuar a sua caminhada vocacional. Deram in-cio s suas atividades com uma feira temtica, de modo a acolher os membros do MJS antes da abertura oficial.

    A manh de sbado foi assim preenchida com momen-tos de alegria, que lhes proporcionaram as primeiras de muitas experincias que os esperavam. Ao princpio da tarde, foi organizado um peddy-paper, que guiou pe-quenos grupos a vrios locais do recinto do Santurio, cativando os seus participantes a realizar uma srie de tarefas relacionadas com os santos salesianos. Durante este perodo, os jovens em discernimento vocacional dos Encontros com Dom Bosco e alguns antigos alu-nos puderam dialogar com o Reitor-Mor.

    Aps a Saudao a Nossa Senhora, na Capelinha das Aparies, deu-se incio ao espetculo Arte e F. Uma emocionante festa juvenil, que voltou a encher por com-pleto o auditrio do Centro Pastoral Paulo VI. Onde, en-tre muito fervor e animao, houve a possibilidade de ouvir as mensagens do Sucessor de D. Bosco e da Ma-dre, inspirando a audincia a viver com paixo e procu-rar seguir o caminho certo.

    noite, o MJS juntou-se procisso das velas, aju-dando a numerosa multido de peregrinos a preencher

    DIA MJS

    Centenas de jovens recebem Reitor-Mor dos Salesianos e Superiora Geral das FMA em festa

    As Edies Salesianas e a Fundao Salesianos organi-zam o E-vangelizar, um evento de formao destinado a animadores, catequistas, consagrados, professores e demais agentes evangelizadores. Com a durao de um dia, o E-vangelizar oferece cerca de 30 workshops em

    FORMAO

    E-vangelizar convida a Ir mais longe

    www.edisal.salesianos.pt [email protected]

    o recinto do Santurio de luz e orao. Terminando de seguida a programao desse belo dia com a tradicio-nal boa-noite salesiana. No dia 18, domingo, o MJS fina-lizou o seu grande fim de semana com a participao na Eucaristia, presidida pelo bispo do Algarve, D. Manuel Quintas. VANESSA SANTOS

    diferentes reas, dos quais o participante pode frequen-tar o mximo de cinco estabelecendo, assim, a partir das propostas e dos seus interesses, o seu curriculum for-mativo. Este ano, as entidades organizadoras avanam com a realizao de trs edies: em Mirandela, a 20 de setembro; no Porto, a 4 de outubro, e no Estoril, a 11 de outubro. O lema do E-vangelizar 2014 Ir mais longe, inspirado nos apelos do Papa Francisco para que os cristos saiam da sua zona de conforto e procurem levar a alegria de Cristo junto daqueles que ainda no O conhecem ou que porventura O conhecem mal.

    As inscries esto abertas e podem ser feitas no site das Edies Salesianas. CLAUDINE PINHEIRO

    e-vangelizar2014

    MEGA ENCONTRO DE FORMAO

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    Ir LongeSETEMBRO

    20MIRANDELA

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    www.edisal.salesianos.pt

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  • FAMLIA SALESIANA

    O cnego Francisco Senra Coelho foi nomeado pelo Papa Francisco bispo auxiliar de Braga. Natural de Maputo, Moambique, onde nas-ceu a 12 de maro de 1961 e onde frequentou o Colgio Dom Bosco, foi ordenado a 29 de junho de 1986, pelo Arcebispo de vora, D. Maur-lio de Gouveia, na Igreja de N. Sr. Auxiliadora de vora.

    BRAGA

    Cnego Senra Coelho nomeado bispo auxiliar de Braga

    Faleceu no dia 6 de abril em Comoro, Dli, o salesia-no Jos Ribeiro, aos 89 anos de idade. Natural de Ftima, integrou a primeira expedi-o missionria de Portugal para Timor em 1946. Pro-fessor, agricultor, facttum, grande contador de hist-rias, catequista. Aprendeu algumas lnguas nativas, o que lhe permitia contactar com as gentes locais com grande proximidade. Foi um grande missionrio! Paz sua alma. J. A. GOMES

    IN MEMORIAM

    Faleceu Salesiano Jos Ribeiro

    Festa Provincial, celebrar com alegria a comunho fraterna

    VENDAS NOVAS

    No dia 10 de maio, a obra sale-siana de Vendas Novas recebeu a Festa da Provncia, encontro anual que junta os salesianos de todas as comunidades para homenagear o Provincial e celebrar os salesianos jubilares. Este ano comemoraram os aniversrios de Primeira Profis-so o Sr. Antnio Pinto, o Pe. Ama-deu Nogueira (Bodas de Diamante); o Pe. Ablio Gaspar (de Ouro); e os padres Gonalo Carlos, Joo Cha-ves, Jos Jorge M. Gomes e Leonel de Castro (de Prata).

    O programa da festa comeou com uma sesso cultural no audit-rio da obra que incluiu uma pales-tra sobre o Captulo Geral, em que foram oradores o Pe. Artur Pereira e o Pe. Tarczio Morais, que tinham participado no CG 27 em Roma.

    Seguiu-se a Eucaristia, na Igreja de S. Domingos Svio. Na homilia o

    Pe. Provincial recordou a fidelida-de dos salesianos aniversariantes. Ns respondemos como Pedro, fazendo nossas as suas palavas: Senhor, a quem iremos? S Tu tens Palavras de vida eterna. Como Pe-dro, temos a conscincia de que

    no existe outro nome no qual pos-samos ser salvos, seno o nome e o poder de Nosso Senhor Jesus Cris-to.

    tarde, no ginsio, decorreu a sesso de homenagem com algu-mas intervenes musicais.

    Trs capitulares de passagem pela Casa Dom Bosco, em Lisboa, concelebraram a Missa da Comuni-dade no dia 23 de abril: Pe. Antenor Velho, do Brasil, Pe. Joo Paulino Guterres, Provincial de Timor, e Pe. Amrico Chaquisse, Conselheiro Regional para a frica e antigo Su-perior da Visitadoria de Moam-bique. Trs continentes, trs raas, uma mesma lngua, um mesmo esprito.

    LISBOA

    Dom Bosco no mundo

    Aniversariantes Pe. Joo Chaves, Pe. Leonel Castro, Pe. Gonalo Carlos e Pe. Jos Jorge

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    BOLETIM SALESIANOjul/ago 2014

  • Encontro de Avaliao dos Grupos da FSFTIMA

    No dia 31 de maio, no Hotel das Dominicanas em Ftima, realizou--se o encontro de avaliao do ano 2013/2014 dos grupos da Famlia Salesiana (FS). Foi presidido pelo Pe. Artur Pereira, Provincial, e liderado pelo Delegado Nacional da FS, Pe. Jernimo da Rocha Monteiro.

    Estiveram presentes alguns de-legados/as e membros dos grupos ADMA e SSCC das casas FMA e das Casas SDB, num total de 28 mem-bros. Depois da orao de Laudes, o Pe. Rocha apresentou uma breve sntese que nos permite entender

    A FAMLIA SALESIANA EM FTIMA

    Uma profecia de comunho em Igreja para os jovens

    Que maravilha a nossa pe-regrinao de 2014! A ns que passamos a vida a sonhar com o cu, com o mundo e seus pro-blemas, foi-nos dada uma gra-mtica, a gramtica dos saberes de Deus e da beleza de ser Fam-lia Salesiana (FS).

    O nosso Reitor-Mor, Pe. ngel Fernndez Artime e a Madre Yvonne Reungoat, no Salo do Bom Pastor, no dia 18, domingo, deixaram-nos uma mensagem fresca, irresistivelmente prof-tica.

    1. - A comunho recproca que todos os grupos da FS so chamados a viver tem um obje-tivo bem preciso: a educao da

    juventude; 2. - A FS um dom para toda

    a Igreja como famlia apostli-ca, portanto tem de estar atenta a alimentar e acompanhar os grmenes de vida salesiana que percebemos nossa volta;

    3. - A urgncia de crescer como FS, quer em nmero, quer em autenticidade.

    Demos ateno a estas trs aprendizagens. A Igreja e a vida propem-nos os exemplos de Maria e das mes recordadas no ms de maio: exemplos de entrega, dedicao e, sobretu-do, de esperana. Um desafio aos grupos da Famlia Salesia-na. PE. J. ROCHA MONTEIRO

    a nossa vocao de Salesianos Cooperadores. Definem a vocao apostlica, a identidade, a misso, a comunho e os princpios organi-zativos, salientando que quem no entende estes pontos no estar pre-parado para fazer a promessa.

    Seguidamente o Pe. Artur Pereira, destacou a importncia da presen-a do Reitor-Mor e da Madre Yvon-ne, na 62. Peregrinao Salesiana. O Pe. Provincial abordou ainda a preparao do bicentenrio do nascimento de S. Joo Bosco, a cele-brar em 2015. E afirmou que dever ser vivido como um momento de agradecimento pelo bem recebido. importante demonstrar grande apreo pela oferta recebida; pelo carisma, pelo dom. Seguiu-se a par-tilha das atividades calendarizadas. MARIA JOS BARROSO

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  • MUNDO SALESIANO

    PE. LUC VAN LOOY

    Bispo salesiano eleito Presidente da Critas Europa

    D. Luc Van Looy, SDB, Bispo de Gante, Blgica, foi eleito Presidente da Critas Europa no decor-rer da Conferncia anual Regional do organis-mo, feita em Soesterberg, Holanda, no dia 21 de maio. O bispo salesiano iniciar o seu mandato em maio de 2015, com trmino previsto para 2019. ANS

    MADRID, ESPANHA

    Antigos Alunos propem Salesianos para Prmio Prncipe das Astrias da Concrdia

    A Confederao Mundial dos Antigos Alunos de Dom Bosco solicitou Fundao Prncipe das As-trias a atribuio do Prmio Prncipe das Astrias da Concrdia 2014 aos Salesianos de Dom Bosco, como reconhecimento da ao educativa a favor dos jovens que os salesianos realizam nos 132 pa-ses em que esto presentes. O prmio reconhece o indivduo, instituio, grupo de pessoas ou de insti-tuies cujo trabalho contribua de forma relevante para a defesa dos direitos humanos, o fomento da paz, da liberdade, da solidariedade, da proteo do patrimnio e, em geral, para o progresso da huma-nidade. Os Antigos Alunos argumentam que, nos 150 anos de vida da Congregao, os salesianos contriburam para o progresso dos povos atravs da educao e da promoo dos jovens, em especial

    no campo da formao profissional.Os Salesianos dedicam aos jovens cerca de 2.000

    centros juvenis, 3.300 escolas e centros formativos, entre os quais 590 de formao profissional com 155.000 alunos , 775 centros de promoo social e cerca de 2.000 parquias. Cerca de dois milhes de jovens frequentam as suas obras em todo o mundo. Tudo graas a 15.300 religiosos e cerca de 110.000 educadores, (professores, animadores e funcion-rios). A estes juntam-se milhares de voluntrios.

    Para alm do mbito educativo, a ao dos salesia-nos estende-se tambm por outras reas de cariz so-cial: centros de acolhimento, servios para crianas e jovens em risco, de sade materno-infantil, de de-senvolvimento rural e de igualdade entre homens e mulheres. Nestas reas contribui muito, obvia-mente, o trabalho das Organizaes No Governa-mentais Salesianas, que desenvolvem numerosos programas de colaborao com governos e outras instituies em favor dos mais desfavorecidos.

    World Wildlife Fund, Mdicos Sem Fronteiras, Me-dicus Mundi, Fundao Americana para a Investiga-o sobre a SIDA, a Critas Espanhola, Unicef, e mais recentemente a cidade de Berlim quando passa-ram 20 anos sobre a queda do muro, e os heris de Fukushima foram alguns dos premiados. O prmio ser entregue a 3 de setembro. BOSCO MEDIA

    SANTA CLARA, CUBA

    Novos Salesianos Cooperadores cubanos

    Sete aspirantes fizeram a Promessa e foram admitidos na Associao dos Salesianos Coo-peradores, no dia 28 de abril num retiro na Casa das Filhas de Maria Auxiliadora, de Pealver, em Santa Clara, Cuba. ANS

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    BOLETIM SALESIANOjul/ago 2014

  • MADRID, ESPANHA

    Misiones Salesianas apoiam 400.000 refugiados em todo o mundo

    vivem nas nossas parquias e escolas. Na Turquia e no Lbano os missionrios salesianos acolhem as famlias srias. No Paquisto, mais de 2.200 crianas afegs vo escola graas ao empenho dos missio-nrios salesianos. Na ndia, mais de 22.000 pessoas, que vivem nos campos de refugiados perto de Nova Deli, recebem apoio para que possam ter acesso instruo e sade, encontrar trabalho, e os mais pequenos possam ter atividades explica o Pe. George Menamparampil, diretor da BoscoNet In-dia. Para ns a educao das crianas e dos jovens refugiados essencial. No s pelos conhecimentos e a preparao para o mercado de trabalho, mas tambm porque ajuda a estabelecer procedimen-tos, a dar um sentido de normalidade e a manter viva a esperana, conclui Ana Muoz. ANS

    Uma noite tivemos que sair a correr de casa por-que caam projteis e uns homens armados esta-vam a arrombar as casas para as saquear. Joseph tem 11 anos, sul-sudans, da etnia nuer. Hoje vive no campo de refugiados de Kakuma no Qunia. Chegou ali com a me e os irmos depois de correr vrios dias no deserto. A me repetia-lhe No olhes para trs. No mires atrs o nome da campanha que a ONG espanhola Misiones Salesianas est a promover a favor dos 400.000 refugiados que apoia nas vrias obras e campos de refugiados que tem espalhados pelo mundo. Haiti, Colmbia, Chile, Repblica Centro-Africana, Sudo do Sul, Qunia, Sria, Paquisto, ndia, Filipinas e Ilhas Salomo.

    Existem mais de 35 milhes de refugiados em todo o mundo. Destes, 85% so mulheres e crianas. Combates, perseguies, calamidades naturais (se-cas, inundaes, terramotos, tufes) obrigam-nos a deixar as suas casas. O seu destino, em muitos ca-sos, so os campos de refugiados, montados em si-tuaes de emergncia, e que, por vezes, continuam por anos e anos. H pessoas que conhecem somen-te o campo de refugiados como casa: nasceram e cresceram ali explica Ana Muoz, porta-voz da Misiones Salesianas. A vida nesses lugares passa lenta, lentamente. No h muito que fazer e os refu-giados no podem sair para trabalhar ou estudar, explicam os missionrios salesianos que trabalham no campo de refugiados de Kakuma.

    No Sudo do Sul, a misso salesiana cuida de 500 mulheres e crianas refugiadas; na Repblica Centro-Africana h ainda milhares de pessoas que

    AJUDE COM O SEU DONATIVO: www.misionessalesianas.org

    CUIAB, BRASIL

    ndios participam na procisso em honra de Maria Auxiliadora

    No dia 24 de maio, em Cuiab, realizou-se a pro-cisso em honra de Maria Auxiliadora, com a par-ticipao de indgenas xavantes e bororos. ANS

    ROMA, ITLIA

    Consultadoria Mundial da Famlia Salesiana

    De 30 de maio a 1 de junho reuniram em Roma em assembleia representantes de 23 dos 30 gru-pos que formam a Famlia Salesiana. ANS

    Pe. George Menamparampil brinca com meninos do bairro da Parquia de Najafgarh, Nova Deli

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  • ISABEL ARTIME, ME DO REITOR-MOR, PE. NGEL FERNNDEZ ARTIME

    A Congregao Salesiana um barco que precisa de bom leme no mar

    surpresa foi muito grande, nem podia acreditar. Depois recebi uma chamada telefnica do padre Pas-coal Chvez, Reitor-Mor at esse momento. No consegui respon-der-lhe, porque me pus a chorar de emoo. Recebi tambm a cha-

    Isabel, quem lhe deu a notcia da eleio do seu filho como novo Reitor-Mor da Congregao Sale-siana?

    A primeira pessoa que me deu a notcia foi o provincial de Len, padre Jos Rodrguez Pacheco. A

    Dias depois da eleio do X Sucessor de Dom Bosco, o Boletim Salesiano de Espanha entrevistou a me do Pe. ngel Fernndez Artime, em Luanco, terra costeira nas Astrias de onde natural.

    JOS ANTNIO SAN MARTN E JOS PREZ MATA (FOTOGRAFIAS)/BOLETIM SALESIANO ESPANHOL

    mada do secretrio do Reitor-Mor, padre Juan Jos Bartolom, e do pa-dre Filiberto Gonzlez, conselheiro da Comunicao Social.

    Que sentimentos experimentou quando lhe deram a notcia da eleio?

    Disse: Meu Deus, ajuda-o; precisa de Ti. Mas no sabia o que pensar nem o que fazer. Invadiu-me um sentimento de preocupao, j que um cargo de muita responsabili-dade e, como tal, ter de enfrentar dificuldades. Mas tambm de es-perana. Eu sempre lhe disse que os talentos que Deus lhe concedeu no so para enterrar, mas para dar aos outros. Como me, sei o seu va-lor.

    Quando recebeu o telefonema de ngel, que conseguiu dizer--lhe?

    No telefonou logo. Mais de duas horas depois das primeiras cha-madas que recebi que pude falar com ele. Disse-lhe que j sabia e que Deus o ajudaria quando fosse preci-so. Ele disse-me que ficasse descan-sada, porque no ia faltar-lhe ajuda. Foi uma conversa muito curta. Na-

    Os pais, a irm e a sobrinha do

    Pe. ngel

    ENTREVISTA

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    BOLETIM SALESIANOjul/ago 2014

  • quele momento tinha muitas coisas a atender e disse-me que voltaria a ligar para falar com mais calma.

    Como que ele conheceu os Sa-lesianos?

    A mo de Deus est muito clara nas nossas vidas. O meu marido e eu dedicvamo-nos pesca; ele pescava e eu vendia o peixe na nossa peixaria. Um dia, quando ngel tinha nove anos, D. Mara Snchez Miambres, benfeitora leonesa com quem tnhamos muita amizade, perguntou-lhe se queria ir estudar para os Salesianos de Len. ngel disse-lhe que ia pensar. Foi no ano seguinte, com dez anos, que decidiu ir estudar para l. Aps quatro anos, teve possibilidade de fazer o ensino secundrio em Luan-co, mas no quis. Queria continuar em Len. Desde esse momento, os Salesianos tinham calado fundo na sua vida.

    Diga-nos algumas qualidades de que mais gosta no seu filho.

    bondoso. Tem uma grande do-ura e muito carinhoso. Est mui-to dedicado a tudo, sua famlia e s suas responsabilidades. Tudo isso lhe veio, porque desde pequeno lhe transmitimos a f. Somos uma fam-lia crist.

    Dos pratos que a senhora lhe faz regularmente quando ele vem a Luanco, quais so os que ele pre-fere?

    Hui! Gosta de muitos pratos, mas sobretudo de legumes, do pote asturiano que leva couve-galega, chourio, morcela, toucinho, fa-rinheira; tambm gosta de favas, naturalmente, e, como no podia deixar de ser, de peixe, de qualquer tipo de peixe. Aqui o peixe extraor-dinrio.

    Algum conselho que, como pais, lhe tenham dado ao longo da sua vida.

    O que dizia antes, o dos talentos, que no eram para ele. Que no de-vem enterrar-se, que devem dar-se aos outros.

    Puxando pela memria, recor-da-se, D. Isabel, de todos os lu-gares em que ngel esteve desde que Salesiano?

    Claro que sim, isso no se pode esquecer. Primeiro esteve em Astu-dillo (Palencia). Depois em Camba-dos (Pontevedra), onde, por razes econmicas, no pudemos visit-lo. Em seguida veio para Len, onde esteve at aos 17 anos. Foi para Mohernando (Guadalajara) at aos primeiros votos. Esteve em Vallado-lid para fazer os estudos universit-rios de Filosofia. Depois regressou a Len e Santigado de Compostela (La Corua), onde fez a profisso perptua e estudou teologia. Pos-teriormente, ordenou-se sacerdote em Len. Passou algum tempo na casa salesiana de viles (Astrias), foi para Madrid a fim de fazer estu-dos universitrios de Teologia Pas-toral e Filosofia e regressou a Len como Delegado de Pastoral Juvenil, Vigrio Provincial e, a seguir, Pro-vincial. Orense foi outro dos seus destinos, vrios anos de Provincial na Argentina e, agora, em Roma, Reitor-Mor.

    Qual foi o presente de que mais gostou, de todos os que ngel lhe ofereceu?

    Uma imagem de Maria Auxiliado-ra que me trouxe de Len, quando era Provincial. Aqui em casa, desde que ele a trouxe, tenho-a 24 horas por dia com a sua vela acesa, a luz nunca se apaga. Encantou-me.

    Recorda-se de alguma travessu-ra que ele tenha feito quando era pequeno?

    Era to bom que nunca fez ne-nhuma. A nica coisa que, no mo-mento do nascimento, no chorou e estvamos apreensivos por isso.

    Mas nos trs anos seguintes chora-va muitssimo. Chegou a fazer-nos perder as esperanas, mas ao re-gressar para casa de meus pais, com outros membros da minha famlia, j no voltou mais a chorar. A sua meninice foi difcil, porque ficou muitos dias sozinho em casa. Ns estvamos na peixaria.

    Que pediu a Deus e a Maria Auxi-liadora para o seu filho?

    Que o ajude muito, que possa le-var as coisas por diante. Eu sou pes-soa de Deus e tambm dos santos. Pedi-Lhes que lhe deitassem a mo no seu novo cargo. Sem a sua ajuda, no h pessoa humana que possa levar nada por diante. A Congrega-o Salesiana um barco que pre-cisa de um bom leme no mar. Deus e Dom Bosco, como seu sucessor, ajud-lo-o nestes anos.

    Luanco, Astrias, terra natal do Reitor--Mor

    A casa dos pais do Pe. ngel Fernndez Artime

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  • Viver com demasiada informao

    Futuros A Fechar

    Em tempos como os nossos, to marcados pela violncia, agitao e desigualdades sociais, minha convico de que Dom Bosco se empenharia a fundo na sua tarefa de Educador. Combateria a indeciso entre a angstia e a esperana e, acima de tudo, saberia investir na construo da pessoa. Comearia por si prprio atravs da meditao e da autocrtica. Educaria os jovens para viver como honestos cidados e bons cristos nas comunidades naturais de pertena e na aldeia global, partilhando desafios e riscos, na resoluo dos inevitveis conflitos. Estaria aberto s exigncias do progresso cientfico e social e necessidade constante de adquirir competncias num mundo em mudana vertiginosa. Em suma, seria um educador altura dos novos tempos, corajoso e realista e, simultaneamente, um sacerdote zeloso e amigo dos jovens. Ajud-los-ia a descobrir quanto so amados por Deus a fim de ser felizes agora e na eternidade.

    Que faria hoje Dom Bosco?

    Viveremos de facto s atravs da tecnologia ao nosso dispor?

    S. Joo Bosco, educador atual e atualizado.

    Estaremos verdadeiramente preparados para a quantidade de informao que recebemos e para a velocidade a que nos transmitida?

    Tecnologicamente parece que estamos, dispositivos mveis cada vez mais versteis, software intuitivo, informao personalizada, correio eletrnico de acesso imediato, itinerrios e informao, tudo ao alcance de uns cliques...

    Nos dias de hoje, tudo acontece a uma velocidade estonteante, mas, e viver?

    A vida deve ser vivida com interaes, com emoes, com relaes reais e no virtuais.

    Cada vez mais, somos levados a viver dent