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  • Editorial Neste Caderno

    RQI - 2 trimestre 2016 16-1

    16-1

    Depoimento de Fernando Figueiredo,

    presidente da Abiquim, que fala sobre a Qumica Verde, o mercado da indstria qumica,

    situao econmica e as expectativas para a futuro.

    16-6

    16-7

    Notcias daDow;

    Braskem e Genomatica;Oxiteno;

    O consenso sobre a necessidade de reverter os impactos da ao humana sobre fenmenos climticos, o crescente rigor da regulamentao de produtos qumicos atravs do REACH da Unio Europeia e a gradual adoo de legislao semelhante por outros pases assim como a demanda das grandes empresas do setor qumico por especialistas em questes ligadas a sustentabilidade e segurana qumica so claras manifestaes de que a Qumica Verde veio para ficar. A Escola Brasileira de Qumica Verde, criada em 2010 e hospedada na Escola de Qumica da UFRJ, estabeleceu: a gerao de conhecimentos, formao de recursos humanos e divulgao de suas atividades junto ao pblico em geral como suas prioridades. Neste sentido foi logo identificada a necessidade de criar veculos especficos para aumentar o volume e alcance das informaes geradas. O Caderno de Qumica Verde est sendo lanado num momento crtico. Embora haja uma compreenso geral do que seja a sustentabilidade, o papel dos processos qumicos na produo dos materiais que assegurem um padro de vida confortvel e seguro no muito familiar ao grande pblico. Por exemplo, sabe-se que a produo de biocombustveis depende bastante de qumica, mas pouco provvel que se associe estas mesmas fontes renovveis tambm fabricao, de maneira sustentvel, de muitos dos produtos usadas no seu dia a dia. O Caderno mostrar como a qumica vem contribuindo para aumentar a sustentabilidade de vrios aspectos da vida moderna. O Caderno abordar a Qumica Verde atravs das seguintes sees:Depoimento Anlise da atualidade; Cpsulas - Notcias curtas de relevncia; Empresas Atuao em segmentos importantes; Artigo tcnico - Aplicaes a segmentos especficos; Eventos e cursos. A presente edio o artigo tcnico dedicada ao esporte. Os prximos sero dedicados a segmentos, como habitao, alimentos, sade, agricultura, transportes e lazer, nos quais a Qumica Verde vem contribuindo substancialmente para assegurar a sua segurana e sustentabilidade.

    Peter SeidlEditor

    QUMICA VERDE nas Empresas

    CADERNO DE QUMICA VERDEAno 1 - N 1 - 2 trimestre de 2016

    A Qumica nos Esportes:Artigo de Peter Seidl sobre o uso

    da Qumica e seus processos

    16-12 QUMICA VERDE em CpsulasPr-tratamento da biomassa.

    Marinha ao azul.Plantas e os qumicos sintticos.

    16-12 QUMICA VERDE Eventos6 EBEQV

    CADERNO DE QUMICA VERDE

  • Evanildo: O que qumica verde?

    Fernando: O termo qumica verde muito

    uti l izado como sinnimo da qumica

    relacionada ao uso das matrias-primas

    renovveis. Para ns da ABIQUIM, qumica

    verde um conceito mais abrangente. Ele

    engloba a reduo do consumo de energia,

    gua, matrias-primas e insumos qumicos,

    por exemplo. Esta rea recente, por isso

    suas aplicaes concretas ainda so pouco

    difundidas. Os exemplos mais citados pelos

    especial istas referem-se ao plstico

    desenvolvido pela Braskem, feito a partir do

    etanol da cana-de-acar e no de petrleo, e

    o prprio lcool etlico de segunda-gerao,

    oriundo do bagao da cana-de-acar. A Dow

    e a Rhodia Solvay tambm possuem projetos

    neste segmento que esto na fase

    embrionria. Com a queda do preo do

    petrleo, de se esperar uma retrao nos

    i n v e s t i m e n t o s e m p e s q u i s a e

    desenvolvimento (P&D) da qumica de

    renovveis, pois seus processos so menos

    econmicos do que os petroqumicos.

    Evanildo: Como a indstria qumica, em

    geral, est sendo afetada pela crise

    econmica no Brasil?

    Fernando: O mercado brasileiro de

    petroqumicos, por exemplo, cresceu em

    mdia 25% acima do Produto Interno Bruto

    (PIB) nos ltimos 20 anos. Entretanto, a

    desacelerao da economia e o aumento do

    desemprego e da inflao alteraram o

    comportamento do consumidor. A reduo do

    consumo das famlias resultou na queda do

    ritmo da produo, dos investimentos e dos

    preos dos produtos fabricados pelos setores

    automotivos, de linha branca, txtil e de

    mquinas e equipamentos, por exemplo,

    atingindo a rentabilidade e o crescimento da

    indstria qumica. Porm, a qumica existe na

    composio das roupas, das baterias dos

    relgios, dos automveis, dos aparelhos de

    RQI - 2 trimestre 2016

    Depoimento de Fernando Figueiredo, presidente da Abiquim (Associao Brasileira da Indstria Qumica)

    Evanildo da SilveiraJornalista Convidado

    A qumica existe na composio das

    roupas, das baterias

    dos relgios, dos

    alimentos, dos

    automveis, dos

    medicamentos, dos

    computadores, itens

    essenciais para a

    vida moderna.

    16-2

    FO

    TO

    : A

    biq

    uim

  • indica que muitos outros setores retraram

    em resposta a queda do mercado de consumo

    nacional.

    Evanildo: O senhor v perspectiva de

    mudana nesse quadro?

    Fernando: Enquanto no solucionarmos a

    crise poltica, no vejo nenhuma perspectiva

    de melhora. Apesar do Brasil possuir uma

    agricultura e uma indstria fortes e ter mo-

    de-obra qualificada disponvel, a falta de

    confiana do consumidor e dos investidores

    tm levado ao agravamento da crise e a

    manuteno de altas taxas de juros para

    tentar controlar a inflao, o que prejudica o

    crescimento da indstria qumica.

    E v a n i l d o : C o m o e n c o n t r a - s e a

    capacidade de produo neste cenrio?

    Fernando: No momento, a indstria qumica

    est trabalhando com 78% da sua capacidade

    de produo instalada. Isso significa que,

    ser possvel aumentar em 22% a quantidade

    de produtos gerados para atender a um

    eventual aumento da demanda, sem que

    sejam realizados novos investimentos em

    infra-estrutura. Entretanto, a retomada do

    crescimento econmico, aps o fim da crise

    poltica, exigir que novos investimentos

    sejam realizados.

    Evanildo: E a balana comercial dos

    produtos qumicos foi afetada? H

    superavit ou deficit?

    Fernando: At maro, o dficit na balana

    comercial de produtos qumicos totalizou US$

    24,2 bilhes, 4,7% abaixo dos US$ 25,4

    bilhes correspondentes ao mesmo perodo

    do ano anterior. Este o menor valor

    alcanado para as importaes deste setor

    desde 2011, quando foi registrado o record de

    US$ 32,0 bilhes. Este recuo deve-se ao

    cenrio da crise econmica. Mas ainda assim,

    este quantitativo foi o mais significativo em

    relao ao dficit de toda a industrial nacional

    no ano passado, juntamente com o setor de

    eletroeletrnicos.

    Evanildo: Por que ocorre este dficit na

    indstria qumica?

    Fernando: Metade deste dficit est

    relacionado aos defensivos agrcolas e

    fertilizantes, pois no h incentivos para

    oinvestimento em P&D nesta rea no Brasil e

    RQI - 2 trimestre 2016 16-3

    t e l e v i s o , d o s

    computadores, dos

    a l i m e n t o s , d o s

    medicamentos, entre

    vrios outros itens

    essenciais para a vida

    moderna. Por isso, a

    produo de insumos

    qumicos no Brasil

    a p r e s e n t o u u m

    crescimento de 0,15%

    nos ltimos 12 meses,

    e n q u a n t o o P I B

    retrocedeu 3,8% no

    mesmo perodo, o que

  • nem para o registro de novos produtos. No

    caso dos fertilizantes, a importao recebe

    incentivo fiscal do governo, desencorajando

    ainda mais a produo nacional para atender

    a demanda da agricultura.

    Evanildo: Existe alguma iniciativa para

    reverter este cenrio?

    Fernando: H cerca de cinco anos, a

    Abiquim props o Pacto Nacional da

    Indstria Qumica com o intuito de

    aumentar o potencial de investimentos e de

    desenvolvimento associados ao crescimento

    da indstria qumica no Brasil. Para cumprir

    este objetivo, identificou-se que haveria um

    potencial de investimento de US$ 18 bilhes

    por ano, entretanto, o valor mximo

    realmente aplicado foi de apenas US$ 4,8

    bilhes at o momento.

    Evanildo: Quais so os principais

    entraves para a competitividade da

    indstria qumica nacional no mercado

    global?

    Fernando: A indstria qumica tem dois

    pilares fundamentais para ser competitiva:

    custo da matria-prima e energia. A nafta a

    p r i n c i pa l ma t r i a - p r ima u t i l i z ada

    pela indstria qumica nacional, porm a

    naf ta bras i le i ra a mais cara do

    mundo, mesmo aps sofrer uma reduo

    signif icativa de preos no mercado

    in te rnac iona l . O gs na tu ra l , po r

    sua vez , equ iva le a t rs vezes o

    preo de venda dos Estados Unidos.

    E n q u a n t o a s f o n t e s r e n o v v e i s

    ainda possuem valores pouco significativos

    de produt iv idade na inds t r ia em

    relao as demais matrias-primas. O

    a l to custo destas matr ias-pr imas

    , portanto, um dos principais fatores

    que tornam a indstria qumica brasileira

    pouco competitiva no mercado internacional,

    seguidos pela logstica e inovao.

    Evanildo: Quais so as principais

    diretrizes traadas pela indstria

    qumica brasileira para minimizar os

    efeitos das mudanas climticas?

    F e r n a n d o : O g o ve r n o b r a s i l e i r o

    comprometeu-se a red