Cadernos de Medicina Tradicional Chinesa - pdf

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C

adernos de medicina tradicional hinesaOutono 99 - n1

acupunctura, fitoterapia, diettica, massagem e chi kung

Uma edio da Escola Superior de Medicina Tradicional Chinesa

Quem somos Regulamentao das medicinas no convencionais - uma questo actual O Outono na Medicina Tradicional Chinesa

esta Escola no reconhecida oficialmente Representante em Portugal da Universidade de Medicina Tradicional Chinesa de Nanquim (UMTCN) - Centro de colaborao da Organizao Mundial de Sade cadernos de mtc - Outono 99 1 (OMS) para a formao em MTC em todo o mundo

editorial a lebre, a tartaruga e o acto mdicoe ainda: lobos, cordeiros e galgos americanos O dia 29 de Julho pode ser considerado uma data histrica para as Medicinas no convencionais. Em Conselho de Ministros foi aprovado o projecto de Decreto-Lei que define Acto Mdico. Num conceito holstico nada visto ao acaso e nada por si s acontece ou age de forma isolada. O momento presente da inteira responsabilidade do momento que o precede assim como o agora influencia de forma determinante tudo o que poder vir a seguir - A uma aco est de forma indissocivel ligada uma reaco. A no promulgao do referido decreto no dia 24 de Setembro sem dvida resultado da movimentao que o precedeu por parte de todos aqueles que de uma forma ou de outra se sentiam lesados nas suas convices e direitos e, porque no, nos deveres que a Constituio contempla para os cidados Portugueses. Esse foi o eixo para pr em marcha uma roda que nos levou a todos numa espiral de ideias e realizao - todos tinhamos a nossa responsabilidade no resultado final, fosse ele qual fosse. Uma reflexo no muito profunda leva-nos tambm a espreitar do outro lado da moeda e a constatar que o que se passou no Conselho de Ministros no final de Julho uma colheita daquilo que se tem vindo a semear. Ou se preferirem do que no se tem vindo a semear. O Acto Mdico fruto de uma semente lanada pela Ordem dos Mdicos. A Ordem dos Mdicos tem entre os seus pilares a associao, a unio de pessoas que representam e defendem aquilo em que acreditam. Uma viso cor-de-rosa mas, apesar de tudo, realista e tambm bastante funcional. To funcional que provocou, em reaco, um movimento massificado de terapeutas induzidos na defesa dos seus direitos. Nas montanhas, os carneiros tm uma vida pacata, comem erva, levam a sua existncia numa total comunho com a natureza, vivem em paz. Os lobos organizados h muitos milhares de anos tiram partido desta situao. Nos Estados Unidos as corridas de galgos so muito famosas, existe um isco que faz correr os ces, o que os move. Nestas duas histrias est presente um factor, a motivao: se no fossem os lobos, os carneiros no se moviam, assim como os galgos precisam da lebre para terem a iniciativa de correr. At que ponto que estes acontecimentos dos ltimos dias no podem ser convertidos numa fbula qualquer por um La Fontaine de fim de milnio? Afinal o que nos motiva a ns como terapeutas? As nossas convices ou os lobos mais organizados que provocam facilmente movimentos massivos numa determinada direco? Facilmente ao longo da histria se provou que a capacidade de sobrevivncia de um organismo est nas mos de quem mais organizado, de quem mais unido e de quem sabe manter essa organizao ao longo do tempo. Agora pegamos na moeda com as duas faces - o antes, o depois - e podemos observar o que foi construdo, no por um, mas por todos aqueles que defendem e praticam terapias alternativas. A evoluo das medicinas no convencionais s pode ser poss!vel se uma atitude de constante cooperao e interligao entre todas as partes for mantida e alimentada por todos os interessados, pelo seu interesse e para seu interesse, no por factores externos. O exemplo disso foi aquilo a que assistimos e que, para quem quiser observar melhor, ficou retratado em bastante tinta e suor: tudo conta, todos contamos, tudo possvel. Aproveitando a abertura que neste momento se proporciona: tem sido recordada muitas vezes a cena bblica de David e Golias; mas tambm sempre bom (e aproveitando a nostalgia desta estao do Outono), relembrar a histria da lebre e da tartaruga, que povoou a nossa infncia. L.A.Direco e Edio: ESMTC; Coordenao redactorial: Ana Sofia Pacheco; Design Grfico: Loureno Azevedo

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cadernos de mtc - Outono 99

ESCOLA SUPERIOR DE MEDICINA TRADICIONAL CHINESA - ESMTCacupunctura, diettica, plantas medicinais, qigong, tuina

Quem somos?A nossa Escola foi criada em Dezembro de 1992 e em Julho de 1996 assinou um contrato de cooperao com a Universidade me das Universidades de MTC da Repblica Popular da China, a Universidade de Medicina Tradicional Chinesa de Nanquim (UMTCN). Indigitada pela Organizao Mundial de Sade (OMS) para ensinar estrangeiros desde os fins dos anos 50, aceitou colaborar pedagogica e cientificamente com a nossa Escola, reconhecendo o curso nela ministrado como equivalente s licenciaturas chinesas na mesma rea.

Da esquerda para a direita: Dr. Yang Gong Fu, director das Relaes Internacionais da UMTCN; Deolinda Fernandes e Jos Faro, directores da ESMTC, Dr. Jie Jing, professor associado da UMTCN, presidente honorrio da ESMTC.

A UMTC de Nanquim, estrutura governamental, Austrlia, Japo, Israel, pases da Europa, entre outros. um centro de treino para os professores de MTC de toda Est pronta para receber os estudantes portugueses a China e do mundo inteiro. da ESMTC que, no final do 4 ano, podero praticar Sendo um centro da OMS possui um departamento em meio hospitalar. Um dos hospitais escolares que para estudantes estrangeiros no seu campus unireceber os estudantes portugueses recebe por dia cerca versitrio. Conta ainda com mais seis departamentos: de 3000 doentes na consulta externa e 300 nas consultas cincia mdica, MTC, farmacologia, acupunctura e de especialidade. tuina, cincia social e educao para adultos. indispensvel para um finalista receber um estgio Est vocacionada para o ensino de vrias com uma tal riqueza de experincias, no s para a sua especialidades: Preveno Social e Reabilitao, Cirurgia, Enfermagem, Matria mdica, Farmacologia Chinesa, Frmacos chineses, Acupunctura, Moxabusto e Tuina, Medicina Interna, Pediatria, Ginecologia, Doenas Epidmicas e Febris, entre outras. Tem cerca de 200 professores, incluindo doutorados, professores associados e especialistas. Desde que foi fundada j formou mais de 10 000 estudantes. J recebeu para estgio mais de 2 000 profissionais vindos de 70 pases e das vrias regies da China. A Universidade tem dois hospitais afiliados com 1000 camas, uma fbrica de medicamentos, 12 hospitais escolares e 58 bases para a prtica clnica. Nanquim, Rep. Popular da China: Conversaes com a Prof. Dr Wang LingTem estabelecido acordos de cooperao ling, directora da Faculdade de Acupunctura, prxima presidente do Conselho com os Estados Unidos, Canad, governo da Cientfico da ESMTC.cadernos de mtc - Outono 99 3

vida profissional como tambm pela possibilidade de imergir num mundo cultural totalmente novo para ele. Certa de que assim poder veicular e divulgar com mais correco a MTC, a nossa Escola oferece um programa de 5 anos - 4 anos de estudo com 2 de estgio + 1 ano de estgio tutelado. O programa de estudos tem vindo a ser aperfeioado de maneira a garantir a mais alta qualidade no s tcnica e profissional como tambm cientfica, pedaggica e didctica. Os finalistas recebem um diploma de especialista em Medicina Tradicional Chinesa passado pela Escola portuguesa e um diploma de licenciatura passado pela Universidade de MTC de Nanquim, da Repblica Popular da China. Aqueles que obtm mdia superior a 14 valores podero

prosseguir a sua formao acadmica, nomeadamente com acesso aos mestrados em MTC da Universidade de Nanquim.

1998: Alunos finalistas da ESMTC durante a prtica clnica hospitalar na China, da esquerda para a direita: Imtiaz Sidik, Dr. Jie Jing, Dr.Xiangyi, tradutora Sr Ding Xiao Hoy, Snia Rodrigues, Paulo Franco.

Nanquim 1998: Cerimnia de entrega de diplomas. Da esquerda para a direita: Dr. Jie Jing; Dr. Xiang Ping, presidente da UMTCN; Adelino Ribeiro, finalista e Dr. Yang Gong Fu.

Hospital Escolar de MTC em Nanquim: preparao de prescries de plantas medicinais.

Na formao em cuidados de sade a aprendizagem prtica sob orientao indispensvel. No caso da M.T.C. esta questo decisiva, dadas algumas das suas caractersticas peculiares. Apesar das dificuldades e limitaes que todos conhecem, este sistema de estgio tem-se revelado satisfatrio e srio, levando a uma insero na vida profissional efectiva marcada por uma grande segurana pessoal e profissional e por um importante nmero de xitos nos cuidados de sade prestados. Este , na verdade, um dos mais importantes trunfos que temos para oferecer aos nossos alunos e aos seus futuros utentes.

Estgios da ESMTCNa formao em cuidados de sade a aprendizagem prtica sob orientao indispensvel. No caso da M.T.C. esta questo decisiva, dadas algumas das suas carac tersticas peculiares. Por um lado, a verdadeira dimenso dos conhecimentos tericos s revelada quando se comea a sua aplicao concreta - s esta mostra as verdadeiras dificuldades a resolver, os mtodos eficazes, as possibilidades e limitaes de cada teoria - servindo como factor rectificador e motivador da prpria aprendizagem intelectual. Por outro lado, a Medicina Tradicional Chinesa exige dos seus praticantes um conjunto importamte de competncias operativas cuja aprendizagem e maturao s so viveis na prtica: a arte do interrogatrio, a anlise dos pulsos e observao do aspecto da lngua, o adestramento manual e corporal necessrios prtica da4 cadernos de mtc - Outono 99

Segue-se o estgio hospitalar num dos hospitais da Universidade de M.T.C. de Nanquim. Os alunos so integrados em equipas de especialistas de M.T.C. e, durante um perodo mnimo de um ms, exercem as actividades correntes de atendimento, diagnstico e teraputica dos utentes chineses. Sendo aprovado no estgio pelos supervisore