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CADERNOS DO IASP. Gestão de centro de socioeducação

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CADERNOS DO IASPINSTITUTO DE AO SOCIAL DO PARAN

Gesto de Centro de Socioeducao

Curitiba 2006

GOVERNO DO ESTADO DO PARAN

Roberto Requio de Mello e Silva Governador do Estado do Paran Orlando Pessuti Vice-Governador Rafael Iatauro Chefe da Casa Civil Joo Carlos de Almeida Formighieri Diretor Presidente da Imprensa Ocial do Estado Emerson Nerone Secretrio de Emprego Trabalho e Promoo Social Thelma Alves de Oliveira Presidente do Instituto de Ao Social do Paran Laura Keiko Sakai Okamura Diretora Tcnica do Instituto de Ao Social do Paran Sandra Mancino Assessora Tcnica do Instituto de Ao Social do Paran Marli Claudete Bonin Castro Alves Diretora Administrativo-Financeiro do Instituto de Ao Social do Paran

CADERNOS DO IASPINSTITUTO DE AO SOCIAL DO PARAN

Gesto de Centro de Socioeducao

Curitiba 2006

Capa Caroline Novak Laprea Ilustraes Caroline Novak Laprea Projeto Grco / Diagramao / Finalizao Caroline Novak Laprea Reviso Patrcia Alves de Novaes Garcia Snia Virmond Organizao Cristiane Garcez Gomes de S

CEDCA

IASP Instituto de Ao Social do Paran Tel.: (41) 3270 1000 www.pr.gov.br/iasp

IMPRENSA OFICIAL DO PARAN Rua dos Funcionrios, 1645 CEP 80035 050 - Juvev - Curitiba - Paran Tel.: 41 3313 3200 - Fax: 41 3313 3279 www.dioe.pr.gov.br

EQUIPE DE SISTEMATIZAO: Aline Pedrosa Fioravante Cristiane Garcez Gomes de S Laura Keiko Sakai Okamura Sandra Mancino Thelma Alves de Oliveira

EQUIPE DE COLABORADORES DIRETORES DE UNIDADES QUE REPRESENTAM SUAS EQUIPES: Amarildo Rodrigues da Silva Pato Branco Ana Cludia Padilha Justino Campo Mouro Ana Marclia P. Nogueira Pinto Cascavel Ana Maria Grcia Ponta Grossa Cssio Silveira Franco Londrina Francesco Serale Curitiba Giovana V. Munhoz da Rocha Piraquara Jorge Roberto Igarashi Londrina Jlio Cesar Botelho - Toledo Lilian Lina M. M. Drews Fazenda Rio Grande Mariselni Vital Piva Curitiba Nilson Domingos Santo Antonio da Platina Nivaldo Vieira Loureno Curitiba Ricardo Peres da Costa Paranava Roberto Bassan Peixoto Foz do Iguau Rubiana Almeida da Costa Umuarama Solimar de Gouveia Piraquara

A Palavra da Presidente ] A Palavra da PresideUm cenrio comum das cidades: meninos perambulando pelas ruas. Antes, apenas nas grandes cidades; agora, em qualquer lugarejo. Ontem, cheirando cola; hoje, fumando crack. Destruindo seus neurnios e seus destinos. Enfrentando os perigos da vida desprotegida. Aproximando-se de fatos e atos criminosos. Sofrendo a dor do abandono, do fracasso escolar, da excluso social, da falta de perspectiva. Vivendo riscos de vida, de uma vida de pouco valor, para si e para os outros. Ontem, vtimas; hoje, autores de violncia. Um cenrio que j se tornou habitual. E, de tanto ser repetido, amortece os olhos, endurece coraes, gera a indiferena dos acostumados. E, de tanto avolumarse, continua incomodando os inquietos, indignando os bons e mobilizando os lutadores. Uma mescla de adrenalina e inferno, a passagem rpida da invisibilidade social para as primeiras pginas do noticirio, do nada para a conquista de um lugar. Um triste lugar, um caminho torto; o ccc do crack, da cadeia e da cova. Assim, grande parte de nossa juventude brasileira, por falta de oportunidade, se perde num caminho quase sem volta. Reverter essa trajetria o maior desao da atualidade.

Enquanto houver um garoto necessitando de apoio e de limite, no deve haver descanso. Com a responsabilidade da famlia, com a presena do Estado, desenvolvendo polticas pblicas conseqentes, e com o apoio da sociedade, ser possvel criar um novo tecido social capaz de conter oportunidades de cidadania para os nossos meninos e meninas. A esperana um dever cvico para com os nossos lhos e para com os lhos dos outros. A vontade poltica e a determinao incansvel do governador Requio, aliadas ao empenho e dedicao dos servidores do IASP, compem o cenrio institucional de aposta no capital humano, e sustentam a estruturao da poltica de ateno ao adolescente em conito com a lei no Paran, como um sinal de crena no futuro. nosso desejo que esses cadernos sejam capazes de apoiar os trabalhadores da Rede Socioeducativa do Estado do Paran, alinhando conceitos, instrumentalizando prticas, disseminando conhecimento e mobilizando idias e pessoas para que, juntos com os nossos garotos, seja traado um novo caminho. Com carinho, Thelma

Apresentao

Apresentao ]

Na gesto 2003-2006, o Governo do Estado do Paran, atravs do Instituto de Ao Social do Paran IASP , autarquia vinculada Secretaria de Estado do Emprego Trabalho e Promoo Social SETP , realizou um diagnstico sobre a situao do atendimento ao adolescente que cumpre medida socioeducativa, identicando, dentre os maiores problemas, dcit de vagas; permanncia de adolescentes em delegacias pblicas; rede fsica para internao inadequada e centralizada com super-lotao constante; maioria dos trabalhadores com vnculo temporrio; desalinhamento metodolgico entre as unidades; ao educativa limitada com programao restrita e pouco diversicada e resultados precrios. Com base nessa leitura diagnstica, foi traado um plano de ao, que estabeleceu o desao de consolidar o sistema socioeducativo, estruturando, descentralizando e qualicando o trabalho de restrio e privao de liberdade e apoiando e fortalecendo as medidas em meio aberto. Nesse contexto de implementao da poltica de ateno ao adolescente em conito com a lei, algumas aes estruturantes esto em processo, tais como a construo de cinco novos centros de socioeducao, concurso pblico e programa de capacitao dos servidores, reordenamento institucional, adequao fsica das unidades existentes e ocializao das unidades terceirizadas, dentre outras.

De todas as aes desenvolvidas, talvez a mais importante delas tenha sido a concepo da Proposta PolticoPedaggica-Institucional, como resultado de um processo de estudo, discusso, reexo sobre a prtica, e registro de aprendizado, envolvendo diretores e equipes das unidades e da sede, e grupos sistematizadores, com intuito de produzir um material didtico-pedaggico servio do bom funcionamento das unidades socioeducativas do IASP. Assim surgiram dos Cadernos do IASP. Esse esforo de produo terico-prtica foi realizado com a inteno de alinhar conceitos para estabelecer um padro referencial de ao educacional a ser alcanado em toda a rede socioeducativa de restrio e privao de liberdade e que pudesse, tambm, aproximar, do ponto de vista metodolgico, os programas em meio aberto, criando, assim, a organicidade necessria a um sistema socioeducativo do Estado. Os contedos presentes nos cadernos do IASP, que reetem o aprendizado acumulado da instituio at o momento, pretendem expressar a base comum orientadora para a ao pedaggica e socioeducacional a ser desenvolvida junto aos adolescentes atendidos em nossos Centros de Socioeducao. Trata-se, portanto, de uma produo coletiva que contou com o empenho e conhecimento dos servidores do IASP, e com a aliana inspiradora da contribuio terica dos pensadores e educadores referenciais. Esperamos que seu uso possa ser to rico e proveitoso quanto foi a sua prpria produo!

SumrioSumrio ]Introduo ................................................................................................................ 13 1. O contexto da gesto do sistema socioeducativo .................................................... 15 1.1. Os princpios da gesto pblica ................................................................ 15 1.2. O modelo de gesto do IASP ................................................................... 16 1.3. O modelo de gesto do sistema socioeducativo......................................... 19 1.4. As orientaes do SINASE ....................................................................... 25 2. A gesto dos Centros de Socioeducao ................................................................ 26 2.1. O Sistema de Justia Juvenil ..................................................................... 26 2.2. As medidas socioeducativas de internao e semiliberdade........................ 29 2.3. As bases dos Centros de Socioeducao .................................................... 31 2.4. Os programas dos Centros de Socioeducao ........................................... 33 2.5. As nalidades e fundamentos sociopedaggicos dos Centros de Socioeducao 36 2.6. As caractersticas programticas ................................................................ 38 2.7. A dinmica funcional ............................................................................... 40 2.8. A operacionalizao das atividades............................................................ 44 3. A comunidade socioeducativa .............................................................................. 57 3.1. O trabalho de equipe ............................................................................... 57 3.2. O socioeducador ...................................................................................... 61 3.3. O socioeducador e a liderana servidora ................................................... 64 Anexo1: Diretrizes do Sistema de Socioeducao ...................................................... 69 Anexo 2: Atribuies funcionais ................................................................................ 75

Introduo

Introduo ]

A razo de existir de uma organizao orienta o seu processo de gesto, compreendido como o modo de planejar, organizar, executar e avaliar o trabalho e seu resultado. A gesto refere-se ao modo de fazer o que precisa ser feito para se chegar a um determinado m. Dessa forma, tudo aquilo que pensado e realizado em uma organizao deve estar voltado para o alcance de seu objetivo nal. Na realizao dessa tarefa, o Instituto de Ao Social do Paran tem rejeitado categoricamente as prticas absolutistas das instituies totais que se caracterizam pela segregao do indivduo e pela ruptura com o mundo exterior. Como contrapo