Cadernos T©cnicos ADVID

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  • CadernosTcnicos ADVID

    MANUTENO, CALIBRAO E REGULAO DO PULVERIZADOR VITCOLA

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  • Srie: Cadernos Tcnicos da ADVID

    Caderno Tcnico no 3 - Manuteno, Regulao e Calibrao do Pulverizador Vitcola

    FICHA TCNICA

    Edio: ADVID - Associao para o Desenvolvimento da Viticultura DurienseTexto: Francisco FevereiroFotografias: Francisco Fevereiro e Jorge Costa / ADVIDCoordenao: Fernando AlvesAno: 2007

    Tiragem: 400 ExemplaresDistribuio: ADVID - Associao para o Desenvolvimento da Viticultura DurienseISBN: 978-989-95481-2-1

    Reproduo autorizada com referncia da fonte

    Agradecemos ao Prof. Dr. Bianchi de Aguiar (UTAD) a reviso do texto.

  • m Introduom Verificao e Manuteno do Pulverizador

    .Verificao Esttica

    .Verificao Dinmica

    .Identificao e Correco de Anomalias de Funcionamento

    .Manuteno do Pulverizador.Dispositivos Ecolgicos

    m Regulao e Calibrao do Pulverizador.A Escolha dos Bicos.Regulao do Ventilador (Turbina) e Orientao dos Bicos.Medio da Velocidade de Deslocamento do Tractor (V).Regulao da Presso

    .Via Qualitativa

    .Via Quantitativa

    .Calibrao do Dbito do Pulverizador

    .Determinao da Concentrao de Empregom Ficha de Calibraom Bibliografia

    ndice

    Cadernos Tcnicos ADVID

    3MANUTENO, CALIBRAO E REGULAO DO PULVERIZADOR VITCOLA

  • Introduo

    A aplicao de novas tcnicas culturais, o aparecimento de equipamentos cada vez mais sofisticados e o respeito de cada vez mais exigentes normas ambientais exigem um esforo de actualizao constante por parte de tcnicos e aplicadores. A tarefa de informao e formao um trabalho de grande envergadura que urge empreender. Acresce o aparecimento de legislao recente com a actualizao das exigncias de formao dos intervenientes na comercia-lizao, manuseamento e aplicao de produtos fitossanitrios.

    O manuseamento e a aplicao so da responsabilidade do agricultor pelo que importante que este seja sensibi-lizado para a oportunidade e importncia da sua actualizao nesta matria. Este caderno pretende contribuir para esse objectivo, especialmente no que diz respeito aplicao.

    Para que se cumpra o objectivo de uma aplicao mais racional, necessrio que o equipamento esteja dotado dos componentes necessrios, em bom estado de funcionamento, e seja tecnicamente bem utilizado. Para isso, fundamental que a verificao / manuteno e a regulao / calibrao tenham sido efectuadas com a frequncia e a competncia devidas. Embora este processo tenha fundamentos e preocupaes essencialmente ambientais, no devemos menosprezar a reduo de custos na aplicao e acrscimo de receitas que este procedimento pode pro-porcionar, quando comparado com a aplicao desregrada e com equipamentos desajustados e em mau estado de funcionamento.

    A conformidade do equipamento dever vir a ser alvo de inspeces peridicas obrigatrias, conforme j ocorre em alguns pases da Unio Europeia (EU). Tais inspeces tm por fim averiguar a conformidade do pulverizador com as normas regulamentares, quer na sua constituio quer no seu estado de conservao e funcionamento.

    Desta forma, alem das referidas vantagens duma correcta manuteno do pulverizador, tal procedimento dever vir a ser obrigatrio num futuro prximo, constituindo mais um reforo na oportunidade deste caderno.

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  • Verificao e Manuteno do Pulverizador

    A verificao do pulverizador deve ser sempre efectuada antes do incio da campanha de pulverizao, para que este esteja operacional quando necessrio. Com as instrues a seguir compiladas pretende-se que o viticultor seja capaz de efectuar por si uma verificao expedita: A metodologia de actuao derivou essencialmente da informao prtica recolhida pelo autor, atravs da sua experincia pessoal e de inquritos j realizados na RDD a equipamentos de associados da ADVID. Realar-se-o os pontos em que mais frequentemente se encontraram deficincias de funcionamento e por conseguinte motivos para uma possvel reprovao dos pulverizadores ob-servados. Constatar-se- no entanto, que as anomalias mais frequentes so tambm as de mais fcil reparao, e portanto possveis de ser executadas pelo viticultor, quando devidamente formado para o efeito.

    Verificao Esttica Com o pulverizador devidamente lavado, observam-se os seguintes pontos:

    ESTADO GERAL - Verificam-se: Chassis - Corroso e solidez: se for necessrio efectuar soldaduras estas devem ser protegidas da corroso por pin-tura adequada (Figura 1); Depsito - O plstico dever manter alguma flexibilidade e sem estaladuras ou fendas. No caso da construo em fibra poder ser reparado por pessoal habilitado. Se for de polietileno, normalmente substitudo.A tampa deve fechar bem ajustada ao depsito, de forma a no permitir fugas de calda quando em trabalho.O indicador de nvel de enchimento deve estar legvel; Ventilador (incluindo grelha e anel exterior) - Corroso e amolgadelas. A turbina deve rodar livre sem roar no anel exterior; Bicos Aspecto geral, orientao, desgaste e entupimentos visveis: abrir e limpar interiormente todos eles, incluindo o do agitador (Figura 2), com uma escova de material plstico. No se devem utilizar arames; Estado e tenso das correias se existirem. Veio de transmisso (cardan) - Verificam-se:

    - Estado da proteco;- Comprimento e desgaste dos tubos;- Folgas das cruzetas.

    Figura 1 Pormenor de corroso no chassis Figura 2 Bico do agitador desmontado para limpeza

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    5MANUTENO, CALIBRAO E REGULAO DO PULVERIZADOR VITCOLA

  • BOMBA - Verificam-se: Nvel, aspecto e possveis manchas de perdas de leo: se o leo tiver cor esbranquiada, dever haver fuga de calda para o interior da bomba. Dever recorrer a um reparador se se verificar alguma destas anomalias, excepto na reposio do nvel do leo (Figura 3 - a e b); - Presso adequada da cmara de compensao, estanquecidade ao ar e ou sada de lquido pela vlvula; - Filtros - Tipo, (os orifcios das malhas devem ser tanto mais finos, quanto a sua posio seja mais prxima do bico e o ltimo filtro dever sempre ter orifcios menores que o dos bicos de pulverizao montados no pulverizador), estado e limpeza das malhas (Figura 4 - a e b).

    MANMETRO - Verificam-se o estado do corpo, agulha, glicerina e estado e adequao da escala de leitura, para as presses que vamos utilizar.

    Verificao DinmicaCom o tractor parado com tomada de fora (tdf) a 500 rpm e presso dentro do intervalo normal de funciona-mento (com gua), verificam-se:

    Estanquecidade geral; Flexibilidade e estabilidade das ligaes das condutas ( especialmente no tubo de aspirao da calda onde, se estiver demasiado rgido, pode haver entrada de ar sem haver fuga visvel de calda); Agitao da calda; Fiabilidade do manmetro, se possvel, e estabilidade da agulha (Figura 5); Equilbrio da turbina atravs da observao de um copo cheio de gua sem vazar durante o giro da mesma (Figura 6); Forma do jacto A simetria das linhas de contorno dos jactos, direitas e ou curvas conforme o tipo de bicos, no devem ter descontinuidades, o que a acontecer indica a presena de impurezas ou rugosidade significativa no interior dos bicos. Mesmo que tenham sido devidamente

    Figura 3 a Bomba com manchas de fuga de leo visveis

    Figura 3 b Reservatrio do leo da bomba com mistura de gua da calda

    Figura 4 a e b Primeiro e ltimo ponto de filtragem com orifcios de medida decrescente

    Figura 5 Manmetro para alta presso montada no regulador do pulverizador

    Figura 6 Mtodo expedito de avaliar o desequilbrio da turbina

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  • limpos na etapa anterior, pode haver incrustaes mais internas que sejam movidas para o bico. Este pormenor ocorre com mais frequncia aps uma imobilizao prolongada, em que essas incrustaes se desidratam e descolam dos pontos onde haviam aderido, sendo facilmente deslocadas para os filtros e bicos. Se apesar de limpos se mantiver a irregularidade, substitui-se a ponta do bico (pastilha ou outros excepto corpo porta-bico); Uniformidade de dbito dos bicos - a uniformidade do dbito verifica-se atravs do procedimento indicado na Figura 7 (a e b):

    De acordo com o resultado dessa comparao aconselha-se o seguinte procedimento: Herbicidas e produtos de contacto: Bicos que tenham uma diferena superior a 10% do bico novo- Substituir a ponta do bico;Restantes tratamentos vinha- Comparar cada bico com o seu oposto lateral, procedendo da mesma forma. Poder-se- prolongar a vida til dos bicos, desde que os de menor dbito se possam emparelhar em nveis que atinjam densidades foliares menores. A soma dos dbitos de cada lateral deve tambm obedecer ao critrio de comparao dos 10% de diferena mxima permitida. O estado dos bicos e manmetro so as irregularidades mais comuns. Conforme a refere a DGPC (Moreira, 2005) so tambm estas as causas mais frequentes da reprovao nas inspeces levadas a cabo nos pases que j as praticam.

    Identificao e Correco de Anomalias de FuncionamentoQuer no decurso da verificao, quer depois durante a utilizao do pulverizador, podero ser detectadas falhas de funcionamento. Abaixo esto referenciadas algumas anomalias que podero ocorrer e possveis causas das mesmas:

    DBITO REDUZIDO OU NULO - vlvulas da bomba que no fecham bem; filtro ou tubo de aspirao entupido; entrada de ar na aspirao (possvel fenda ou rigidez excessiva nas ligaes j referida atrs);

    OSCILAES NA AGULHA E SADA DE CALDA S GOLFADAS - entrada de ar na aspirao; presso de ar incorrecta na cmara de compensao (amortecedor) ou membrana da mesma fendida (neste caso se pressionarmos o interior da vlvula por onde se mete o ar, sair calda);

    BOMBA DEBITA, MAS A PRESSO NO SOBE - mau funcionamento do regulador de presso (muita calda no retorno); m vedao das vlvulas da bomba; rotura no agitador;

    M AGITAO DA CALDA - conduta ou bicos do agitador hidrulico obstrudos, ou estes demasiado largos; pr