CAPÍTULO 9 - DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA Para fins da DFC, “Caixa ...· CAPÍTULO 9 - DEMONSTRAÇÃO

Embed Size (px)

Text of CAPÍTULO 9 - DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA Para fins da DFC, “Caixa ...· CAPÍTULO 9 -...

  • 1

    CAPTULO 9 - DEMONSTRAO DOS FLUXOS DE CAIXA DFC E DEMONSTRAO DO VALOR ADICIONADO - DVA

    Demonstrao dos Fluxos de Caixa - DFC

    1. Fundamentao Legal

    O contedo mnimo da Demonstrao dos Fluxos de Caixa est previsto no art. 188 da Lei 6.404/76 e suas alteraes:

    Art. 188. As demonstraes referidas nos incisos IV e V do caput do art. 176 desta Lei indicaro, no mnimo: (Redao dada pela Lei n 11.638,de 2007) I demonstrao dos fluxos de caixa as alteraes ocorridas, durante o exerccio, no saldo de caixa e equivalentes de caixa, segregando-se essas alteraes em, no mnimo, 3 (trs) fluxos: (Redao dada pela Lei n 11.638,de 2007) a) das operaes; (Redao dada pela Lei n 11.638,de 2007) b) dos financiamentos; e (Redao dada pela Lei n 11.638,de 2007) c) dos investimentos; (Redao dada pela Lei n 11.638,de 2007)

    2. Conceitos

    Obrigatria para todas as companhias abertas e para as fechadas com patrimnio lquido, na data do balano, igual ou superior a R$ 2 milhes, a demonstrao dos fluxos de caixa evidencia as modificaes ocorridas nas disponibilidades da companhia, em um determinado exerccio, por meio da exposio dos fluxos de recebimentos e pagamentos (mtodo direto) ou de forma indireta (mtodo indireto ou da reconciliao).

    A DFC apresenta informaes relevantes para o pblico interessado em avaliar a capacidade da empresa de gerar disponibilidades (caixa e equivalentes de caixa), bem como em identificar suas necessidades de utilizao desses recursos. Tais elementos tambm podem ser teis quando se quer avaliar uma sociedade com base no valor presente de seu fluxo de caixa.

    Outro aspecto relevante da anlise dos fluxos de caixa reside no fato de que a gerao de lucros no garante a sobrevivncia de uma empresa, se no for conjugada com a capacidade de honrar seus compromissos em dia. Atrasar pagamentos pode causar a perda do crdito no mercado e inviabilizar a continuidade do negcio.

    Para fins da DFC, Caixa compreende numerrio em espcie e depsitos bancrios de livre movimentao (Bancos Conta Movimento).

    Alm do Caixa, a DFC tambm trata das disponibilidades denominadas equivalentes de caixa, que so aplicaes financeiras de curto prazo, de alta liquidez, prontamente conversveis em caixa, sujeitas a um insignificante risco de mudana de valor.

    Portanto, alm das modificaes ocorridas no saldo da conta Caixa, a DFC deve evidenciar as alteraes sofridas pelas demais disponibilidades, inclusive a conta corrente de livre movimentao e os investimentos de elevada liquidez.

    Conforme a Lei n 6.404/76 e as normas da CVM, a DFC deve indicar, pelo menos, as alteraes ocorridas, durante o exerccio, no saldo de caixa e equivalentes de caixa, segregando essas alteraes em, no mnimo, trs fluxos:

    1 DAS OPERAES

    2 DOS FINANCIAMENTOS

    3 DOS INVESTIMENTOS

    Fluxos de caixa so as entradas e sadas de disponibilidades, ou seja, de caixa e equivalentes de caixa.

    Atividades operacionais so as principais operaes geradoras de receita da empresa (vendas e prestaes de servios, por exemplo), assim como outras que no se enquadrem como atividades de financiamento ou investimento. Seguem algumas hipteses que provocam entradas e sadas de caixa e equivalentes de caixa classificadas entre os fluxos operacionais:

    1 recebimentos pela venda de mercadorias e pela prestao de servios;

    2 recebimentos decorrentes de royalties, honorrios, comisses e outras receitas;

    3 pagamentos a fornecedores de mercadorias e servios;

    4 pagamentos de empregados ou por conta de empregados;

    5 pagamentos ou restituies de impostos sobre a renda, a menos que possam ser especificamente identificados com as atividades de financiamento ou de investimento; e

    http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm#art1http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm#art1

  • 2

    6 - pagamentos ou restituio de caixa de impostos sobre a renda, a menos que possam ser especificamente identificados com as atividades de financiamento ou de investimento; e 7 - recebimentos e pagamentos de caixa de contratos mantidos para negociao imediata ou disponveis para venda futura.

    Atividades de financiamento so aquelas que resultam em alterao no capital prprio (principalmente aumentos e diminuies do capital social) e em endividamento da entidade (aumentos e diminuies do passivo exigvel no classificados como fluxos operacionais). So exemplos:

    1 recebimentos pela emisso de aes ou outros instrumentos de capital;

    2 pagamentos a investidores para adquirir ou resgatar aes da empresa;

    3 recebimentos provenientes da emisso de debntures, emprstimos, ttulos e valores, hipotecas e outros emprstimos a curto e longo prazos;

    4 amortizao de emprstimos a pagar; e

    5 pagamentos, pelo arrendatrio, para a reduo do passivo relativo a um arrendamento mercantil (leasing) financeiro.

    Os fluxos de caixa da DFC (das operaes, dos financiamentos e dos investimentos), no incluem movimentos entre itens que constituem caixa ou equivalentes de caixa (porque estes no alteram o valor das disponibilidades), em virtude de estes serem parte da gesto financeira de uma entidade. Desse modo, depsitos bancrios, por exemplo, no fazem parte dos fluxos de caixa indicados na DFC, pois movimentam apenas contas de disponibilidades.

    Na classificao dos fluxos, devem-se levar em considerao as operaes principais da sociedade. Numa empresa cuja atividade principal seja a negociao de ttulos, por exemplo, os fluxos de caixa decorrentes da compra e venda de ttulos negociveis so classificados entre as atividades operacionais, no como fluxos de investimentos. De forma idntica, uma instituio financeira classifica os emprstimos e financiamentos que concede entre os fluxos operacionais, no como atividades investimento.

    As alienaes de bens do ativo imobilizado e do intangvel podem resultar em ganho ou perda de capital, includos na apurao do resultado. Todavia, os fluxos de caixa relativos a tais transaes so provenientes de atividades de investimento. Portanto, quando da apresentao das atividades operacionais pelo mtodo indireto, os lucros ou prejuzos

    na alienao de bens do imobilizado e intangvel devem ser eliminados do resultado e classificados como atividades de investimento.

    Atividades de investimento so as relativas aquisio e alienao de ativos de longo prazo e investimentos no includos nos equivalentes de caixa. So exemplos:

    1 desembolsos para aquisio de ativos imobilizados, intangveis e outros ativos de longo prazo. Esses desembolsos incluem os custos de desenvolvimento ativados e ativos imobilizados de construo prpria;

    2 recebimentos resultantes da venda de ativos imobilizados, intangveis e outros ativos de longo prazo;

    3 desembolsos para aquisio de aes ou instrumentos de dvida de outras entidades e participaes societrias em joint ventures (exceto desembolsos referentes a ttulos considerados como equivalentes de caixa ou mantidos para negociao);

    4 recebimentos em caixa provenientes da venda de aes ou instrumentos de divida de outras entidades e participaes societrias em joint ventures (exceto recebimentos referentes aos ttulos considerados como equivalentes de caixa e os mantidos para negociao);

    5 adiantamentos e emprstimos em dinheiro feitos a terceiros;

    6 recebimentos por liquidao de adiantamentos ou amortizao de emprstimos feitos a terceiros;

    7 recebimentos e desembolsos por contratos de futuros, a termo, de opo e swap.

    Os equivalentes de caixa so mantidos para atender a pagamentos de curto prazo, e no para investimento ou outras finalidades. Por isso, investimentos em aes de outras sociedades no fazem parte dos equivalentes de caixa (em geral so atividades de investimento), a menos que sejam, de fato, equivalentes de caixa, como por exemplo aes preferenciais adquiridas dentro de um perodo de at 3 meses de seu resgate.

    2.1. Fluxos das Operaes

    Os fluxos de caixa das atividades operacionais so basicamente derivados das principais atividades geradoras de resultado da empresa. Em regra, resultam das transaes computadas na apurao do lucro ou prejuzo lquido. Devem englobar as atividades ligadas produo e entrega de bens e servios, alm das transaes no definidas como atividades de investimento e financiamento.

  • 3

    As principais entradas e sadas de disponibilidades decorrentes das atividades operacionais so apresentadas a seguir.

    Entradas:

    1 recebimentos das vendas vista de bens, servios e royalties e das contas a receber correspondentes, na hiptese de vendas prazo;

    2 recebimentos de juros decorrentes de emprstimos e financiamentos concedidos ou de aplicaes financeiras em geral; e recebimento de dividendos e juros sobre o capital prprio derivados de participao no capital de outras sociedades;

    3 outros recebimentos que no sejam originrios de transaes definidas como atividades de investimento ou financiamento, como por exemplo recebimentos decor