CAPÍTULO V

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CAPTULO V

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5 PROCESSOS FSICOS DE DETERIORAO COM NFASE A EXECUO

5.1 FISSURAO

Para SOUZA e RIPPER: "as fissuras podem ser consideradas como a manifestao patolgica caracterstica das estruturas de concreto, sendo mesmo o dano de ocorrncia mais comum e aquele que, a par das deformaes muito acentuadas, mais chama a ateno dos leigos, proprietrios e usurios a includos, para o fato de que algo de anormal est a acontecer". (op. cit., p. 57)

Na poca do ano em que a temperatura ambiente mantm-se elevada, freqente o aparecimento de fissuras ou trincas no concreto. As prticas modernas de construo, com exigncias de altas resistncias iniciais, desfrma em pequenas idades, concretos bombeados e outras, tornaram a trinca ou fissura um assunto mais comum do que era h algum tempo. No h duvida de que ocorriam menos trincas na poca em que se usavam concretos com menores consumos de cimento, abatimentos menores e empregava-se mais tempo no adensamento e acabamento durante uma concretagem. certo que seja quase impossvel executar um concreto totalmente livre de algum tipo de fissura, mas existem medidas para reduzir sua ocorrncia ao mnimo possvel. interessante observar que, no entanto, a caracterizao da fissurao como deficincia estrutural depender sempre da origem, intensidade e magnitude do quadro de fissurao existente, posto que o concreto, por ser material com baixa resistncia trao, fissurar por natureza, sempre que as tenses trativas, que podem ser instaladas pelos mais diversos motivos, superarem a sua resistncia ltima trao.1 de 35 11/04/2012 21:34

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Portanto, ao se analisar uma estrutura de concreto que esteja fissurada, os primeiros passos a serem dados consistem na elaborao do mapeamento das fissuras e em sua classificao, que vem a ser a definio da atividade ou no das mesmas (uma fissura dita ativa, ou viva, quando a causa responsvel por sua gerao ainda atua sobre a estrutura, sendo inativa, ou estvel, sempre que sua causa se tenha feito sentir durante um certo tempo e, a partir de ento, deixado de existir). Classificadas as fissuras e de posse do mapeamento, pode-se dar incio ao processo de determinao de suas causas, de forma a poder-se estabelecer as metodologias e proceder aos trabalhos de recuperao ou de reforo, como a situao o exigir. necessrio sempre muita ateno e competncia, pois uma anlise malfeita pode levar aplicao de um mtodo de recuperao ou de reforo inadequado e, caso no sejam eliminadas as causas, de nada vai adiantar tentar sanar o problema, pois, neste caso, ele ressurgir, e at mesmo poder vir a agravar-se. Alm do aspecto antiesttico e a sensao de pouca estabilidade que apresenta uma pea fissurada, os principais perigos decorrem da corroso da armadura e da penetrao de agentes agressivos externos no concreto. Devido a isso a NBR - 6118 (NB 1/78), subitem 4.2.2, considera fissurao como nociva quando a abertura das fissuras na superfcie do concreto ultrapassa os seguintes valores: 0,1 mm para peas no protegidas, em meio agressivo; 0,2 mm para peas no protegidas, em meio no agressivo; e 0,3 mm para peas protegidas. 5.1.1 Fissuras do concreto no estado plstico A utilizao de mtodos inadequados ou negligncia podem afetar, durante a fase de execuo da obra, a qualidade do concreto. No estado plstico o concreto pode apresentar fissuras devidas deficincias ou descuido na execuo. O deslizamento do concreto em rampas de escadas com grande inclinao, os movimentos de uma forma mal projetada ou mal fixada, os deslocamentos de armaduras durante a compactao do concreto etc., figuram entre os motivos mais freqentes de fissurao por falhas na execuo. As fissuras que ocorrem antes do endurecimento do concreto podem ser tambm do resultado de assentamentos diferenciais dentro da massa do concreto (sedimentao) ou retrao da superfcie causada pela rpida perda de gua2 de 35 11/04/2012 21:34

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enquanto o concreto ainda est plstico. Elas podem ser devidas a combinao de endurecimento superficial com sedimentao interior. Outra causa de fissura nessa fase pode ser a movimentao das frmas ou do leito do concreto numa fundao. Como exemplo deste tipo de fissurao, abordaremos alguns casos mais tpicos deste sintoma. 5.1.1.1 Retrao Plstica Quando a gua se desloca para fora de um corpo poroso no totalmente rgido, verifica-se uma contrao. No concreto geralmente ocorre esse tipo de deslocamento de gua, desde o estado fresco at idades mais avanadas. Logo aps o adensamento e acabamento da superfcie do concreto, pode-se observar o aparecimento de fissuras na sua superfcie, facilmente eliminadas pela passagem da colher de pedreiro ou por revibrao. Esta retrao plstica, devida a perda rpida de gua de amassamento, seja por absoro das frmas, ou dos agregados, seja por evaporao. A intensidade da retrao plstica influenciada pela temperatura, pela umidade relativa ambiente e pela velocidade do vento. No entanto, a perda de gua por si mesma no permite prever a retrao plstica; depende muito da rigidez. Pode haver fissurao se a quantidade de gua perdida por unidade de rea for grande e maior do que a gua que sobe superfcie por efeito da exsudao. NEVILLE, afirma que "impedindo-se completamente a evaporao depois do lanamento do concreto, elimina-se a fissurao". (op. cit. p. 424) Deve ser lembrado que a evaporao aumenta quando a temperatura do concreto for muito mais alta do que a temperatura ambiente: em tais circunstncias, pode ocorrer retrao plstica mesmo que seja alta a umidade relativa do ar. Portanto, melhor proteger o concreto contra o sol e contra o vento, lanar e iniciar a cura o mais cedo possvel. Deve-se evitar lanar o concreto em um subleito seco.

Conforme RIPPER, E.: "para temperaturas do ar e do concreto a 32 C, umidade relativa de 10% e velocidade do vento de 40 Km/h,

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o grau de evaporao 50 vezes maior do que quando a temperatura do ar e do concreto for de 21 C, a umidade relativa de 70% e no haja vento. Mesmo quando so usados os mesmos materiais, propores, mtodos de mistura, manuseio, acabamento e cura as trincas podem ocorrer ou no, dependendo apenas das condies do tempo". (op. cit. p. 42)

As medidas para reduzir a evaporao da gua na superfcie do concreto consistem em: a. Baixar a temperatura do concreto durante os dias quentes: resfriando a gua de amassamento; estocando os agregados sombra; protegendo as frmas e o prprio concreto do sol; e lanando o concreto durante os perodos mais frios do dia. a. Reduzir a velocidade do vento na superfcie do concreto: construindo barreiras para o vento com madeira, plstico ou vegetao. a. Manter a umidade do concreto: proteger a superfcie do concreto caso haja atraso entre o lanamento e o acabamento; e aspergir gua sobre o concreto acabado logo desaparea o brilho, que indica a secagem superficial. Geralmente as fissuras aparecem com uma distribuio caprichosa e cortando-se entre si. As vezes existem regies nas quais se apresentam concentraes de fissuras formando "teias" que podem ser oriundas da maior concentrao nestas regies de pasta de cimento, que secar mais rapidamente do que o resto da superfcie.

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Fig.11 Fissuras de retrao plstica do concreto (RIPPER, 1996) As fissuras no seguem linhas determinadas, mas se ramificam ou apresentam sinuosidade, por ocorrerem quando o concreto no apresenta praticamente resistncia e, que vo se adaptando ao contorno dos agregados, pois no os podem atravessar. So fissuras mais freqente em superfcies de pavimentos, lajes, e em todos os elementos de grande rea ou volume. O fenmeno pode ser tambm significativo quando a pega retardada, como em tempo frio ou pelo uso de aditivo retardador. 5.1.1.2 Assentamento Plstico do Concreto Aps o lanamento do concreto, os slidos da mistura comeam a sedimentar, deslocando a gua e o ar aprisionado. A gua aparece na superfcie (exsudao) e a sedimentao continua at o endurecimento do concreto. A fissurao por assentamento do concreto ocorre sempre que as armaduras e os agregados impedem a livre sedimentao do concreto, obrigando-o a separar-se, surgindo fissuras no concreto plstico. As fissuras formadas pelo assentamento do concreto acompanham o desenvolvimento das armaduras, e provocam a criao do chamado efeito de parede, que pode formar um vazio por baixo da barra, reduzindo a aderncia desta ao concreto. Se o agrupamento de barras for muito grande, as fissuras podero interagir entre si, gerando situaes mais graves, como a de perda total de aderncia.

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CNOVAS, adverte que "a unio de pilares a vigas corre riscos se, uma vez concretados os pilares, e no se espera algumas horas antes de concretar as vigas, para permitir que o concreto fresco dos pilares assente". (op. cit., p. 222)

Fig. 12 Fissuras de assentamento plstico (HELENE, 1992) E importante tambm considerar que, em termos de durabilidade, fissuras como estas, que acompanham as armaduras, so as mais nocivas, pois facilitam, bem mais que as ortogonais, o acesso direto dos agentes agressores, facilitando a corroso das armaduras. As medidas preventivas consistem em: produzir misturas mais secas, mais densas, com menor abatimento possvel; fazer um bom adensamento; e evitar uma execuo muito rpida do concreto. 5.1.1.3 Movimentao de Frmas e Escoramentos Os recalques do subleito ou mau escoramento das frmas podem causar trincas no concreto enquanto na fase plstica.

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