CARDOSO, Ciro - Brecha Camponesa

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em especial o papel histrico do campesinato. O contexto imediato deste debate dado pela efervescncia das Ligas Camponesas. Na segunda h os textos de Otvio Guilherme Velho, Octvio Ianni, Ciro Flamarion, Guillermo Palcios, Maria Yedda Linhares e Francisco Carlos Teixeira da Silva, todos buscando compreender teoricamente o campesinato. Para isso, constroem conceitos e categorias analticas, o que resulta em uma viso mais clara das particularidades que envolvem trabalho e trabalhador rural, um sujeito social situado nos limites da escravido e da concentrao fundiria. Na terceira, Kalervo Oberg, Antonio Candido, Moacir Palmeira e Klaas Woortmann do seguimento a tal incurso terica, mas enfocando situaes concretas distintas de reproduo do campesinato brasileiro. E, por fim, fechando este volume, dois lderes das lutas camponesas, Thomas Davatz e Francisco Julio, do seu testemunho.

Desafiando uma tradio historiogrfica ao colocar as formas de vida camponesas como elemento novo na paisagem brasileira, este livro rene textos clssicos sobre a realidade do mundo rural. Trabalho de autores j clssicos que pensam a realidade do trabalhador do campo de modo plural e estimulam o leitor a aprofundar seu conhecimento dos debates conceituais sobre a natureza do campesinato nacional.

Camponeses brasileiros

A coletnea Histria Social do Campesinato foi pensada para oferecer uma compreenso mais ampla do mundo cultural, poltico, econmico e social em que o campons produz e se reproduz. Neste volume, esto reunidos catorze autores que mostraram ao pas ser possvel pensar no trabalhador do campo de modo plural, refutando a imagem de atraso que era (e ainda ) geralmente associada ao campons. Trata-se de textos fundamentais da Sociologia, Geografia, Histria e Antropologia, campos disciplinares diversos que aqui se integram na anlise das mltiplas caractersticas e experincias do campesinato brasileiro. Textos clssicos, e muitas vezes inacessveis, que aqui formam um panorama abrangente das temticas trabalhadas nos anos 60 e 70, momento importante de redescoberta dos camponeses em todo o mundo. Na primeira parte esto os trabalhos de Alberto Passos Guimares, Maria Isaura Pereira de Queiroz e Manuel Correia de Andrade, autores que colocaram no centro de suas reflexes sobre a natureza e as perspectivas da sociedade brasileira a configurao das classes sociais,

Camponeses brasileiros vol. I Welch, Malagodi, Cavalcanti e Wanderley (Orgs.)

vol. ILeituras e interpretaes clssicasClifford A. Welch, Edgard Malagodi, Josefa S. B. Cavalcanti, Maria de Nazareth B. Wanderley (Orgs.)

Coleo Histria Social do Campesinato no Brasil

NEAD

UNESP

Camponeses brasileiros

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FUNDAO EDITORA DA UNESP Presidente do Conselho Curador Herman Voorwald Diretor-Presidente Jos Castilho Marques Neto Editor-Executivo Jzio Hernani Bomm Gutierre Assessor Editorial Antonio Celso Ferreira Conselho Editorial Acadmico Cludio Antonio Rabello Coelho Jos Roberto Ernandes Luiz Gonzaga Marchezan Maria do Rosrio Longo Mortatti Maria Encarnao Beltro Sposito Mario Fernando Bolognesi Paulo Csar Corra Borges Roberto Andr Kraenkel Srgio Vicente Motta Editores-Assistentes Anderson Nobara Arlete Zebber Christiane Gradvohl Colas

LUIZ INCIO LULA DA SILVA Presidente da Repblica GUILHERME CASSEL Ministro de Estado do Desenvolvimento Agrrio DANIEL MAIA Secretrio-executivo do Ministrio do Desenvolvimento Agrrio ROLF HACKBART Presidente do Instituto Nacional de Colonizao e Reforma Agrria ADONIRAM SANCHES PERACI Secretrio de Agricultura Familiar ADHEMAR LOPES DE ALMEIDA Secretrio de Reordenamento Agrrio JOS HUMBERTO OLIVEIRA Secretrio de Desenvolvimento Territorial JOAQUIM CALHEIROS SORIANO Coordenador-geral do Ncleo de Estudos Agrrios e Desenvolvimento Rural VINICIUS MACRIO Coordenador-executivo do Ncleo de Estudos Agrrios e Desenvolvimento Rural MINISTRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRRIO (MDA) www.mda.gov.br NCLEO DE ESTUDOS AGRRIOS E DESENVOLVIMENTO RURAL (NEAD) SBN, Quadra 2, Edifcio Sarkis Bloco D loja 10 sala S2 CEP: 70.040-910 Braslia/DF Tel.: (61) 2020-0189 www.nead.org.br PCT MDA/IICA Apoio s Polticas e Participao Social no Desenvolvimento Rural Sustentvel

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CLIFFORD ANDREW WELCH EDGARD MALAGODI JOSEFA SALETE BARBOSA CAVALCANTI MARIA DE NAZARETH B. WANDERLEY (Orgs.)

Camponeses brasileirosLeituras e interpretaes clssicasvolume 1

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2009 Editora UNESP Direitos de publicao reservados : Fundao Editora da UNESP (FEU) Praa da S, 108 01001-900 So Paulo SP Tel.: (0xx11) 3242-7171 Fax: (0xx11) 3242-7172 www.editoraunesp.com.br feu@editora.unesp.br

CIP Brasil. Catalogao na fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ C198 v.1 Camponeses brasileiros: leituras e interpretaes clssicas, v.1/ organizao Clifford Andrew Welch... [et al.]. So Paulo: Editora UNESP; Braslia, DF: Ncleo de Estudos Agrrios e Desenvolvimento Rural, 2009. 336p. (Histria social do campesinato brasileiro) ISBN 978-85-7139-954-9 (Editora UNESP) ISBN 978-85-60548-51-4 (NEAD) 1. Camponeses Brasil Histria. 2. Camponeses Brasil Condies sociais. 3. Camponeses Brasil Atividades polticas. 4. Brasil Condies rurais. 5. Posse da terra Brasil. 6. Movimentos sociais rurais Brasil Histria. I. Welch, Clifford Andrew. II. Ncleo de Estudos Agrrios e Desenvolvimento Rural. III. Srie. 09-3675. CDD: 305.5633 CDU: 316.343

Editora aliada:

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Histria Social do Campesinato no Brasil Conselho Editorial NacionalMembros efetivos Ariovaldo Umbelino de Oliveira (Universidade de So Paulo) Bernardo Manano Fernandes (UNESP, campus de Presidente Prudente) Clifford Andrew Welch (GVSU & UNESP, campus de Presidente Prudente) Delma Pessanha Neves (Universidade Federal Fluminense) Edgard Malagodi (Universidade Federal de Campina Grande) Emilia Pietrafesa de Godoi (Universidade Estadual de Campinas) Jean Hebette (Universidade Federal do Par) Josefa Salete Barbosa Cavalcanti (Universidade Federal de Pernambuco) Leonilde Servolo de Medeiros (Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, CPDA) Mrcia Maria Menendes Motta (Universidade Federal Fluminense) Maria de Nazareth Baudel Wanderley (Universidade Federal de Pernambuco) Maria Aparecida de Moraes Silva (UNESP, campus de Araraquara) Maria Ignez Paulilo (Universidade Federal de Santa Catarina) Marilda Menezes (Universidade Federal de Campina Grande) Miguel Carter (American University, Washington DC) Paulo Zarth (Uniju) Rosa Elizabeth Acevedo Marin (Universidade Federal do Par) Sueli Pereira Castro (Universidade Federal de Mato Grosso) Wendy Wolford (Yale University) Coordenao Horcio Martins de Carvalho Mrcia Motta Paulo Zarth

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SUMRIO

APRESENTAO COLEO 9 PREFCIO 19 INTRODUO ESTUDOS CLSSICOS BRASILEIROS SOBRE O CAMPESINATO 23Clifford Andrew Welch Edgard Malagodi Josefa Salete Barbosa Cavalcanti Maria de Nazareth Baudel Wanderley

PARTE I O DEBATE NOS ANOS 1960 1 Formao da pequena propriedade: intrusos e posseiros (1963) 45Alberto Passos Guimares

2 Uma categoria rural esquecida (1963) 57Maria Isaura Pereira de Queiroz

3 As tentativas de organizao das massas rurais As Ligas Camponesas e a sindicalizao dos trabalhadores do campo (1963) 73Manuel Correia de Andrade

PARTE II OLHARES TERICOS 4 O conceito de campons e sua aplicao anlise do meio rural brasileiro (1969) 89Otvio Guilherme A. C. Velho

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Sumrio

5 A brecha camponesa no sistema escravista (1979) 97Ciro Flamarion S. Cardoso

6 A questo da agricultura de subsistncia (1981) 117 Maria Yedda Linhares & Francisco Carlos Teixeira da Silva 7 A utopia camponesa (1986) 135Octvio Ianni

8 Campesinato e escravido: uma proposta de periodizao para a histria dos cultivadores pobres livres no Nordeste oriental do Brasil: 1700-1875 (1987) 145Guillermo Palacios

PARTE III MODOS DE VIDA E REPRODUO 9 O campnio marginal no Brasil rural (1957) 181Kalervo Oberg

10 As formas de solidariedade (1964) 193Antonio Candido

11 Casa e trabalho: nota sobre as relaes sociais na plantation tradicional (1977) 203Moacir Palmeira

12 Migrao, famlia e campesinato (1990) 217Klaas Woortmann

PARTE IV LUTAS CAMPONESAS 13 O levante dos colonos contra seus opressores (1858) 241Thomas Davatz

14 Que so as Ligas Camponesas? (1962) 271Francisco Julio

Sobre os autores 299

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APRESENTAO COLEO

Por uma recorrente viso linear e evolutiva dos processos histricos, as formas de vida social tendem a ser pensadas se sucedendo no tempo. Em cada etapa consecutiva, apenas so exaltados seus principais protagonistas, isto , os protagonistas diretos de suas contradies principais. Os demais atores sociais seriam, em concluso, os que, por alguma razo, se atrasaram para sair de cena. O campesinato foi freqentemente visto dessa forma, como um resduo. No caso particular do Brasil, a esta concepo se acrescenta outra que, tendo como modelo as formas camponesas europias medievais, aqui no reconhece a presena histrica do campesinato. A sociedade brasileira seria ento congurada pela polarizada relao senhorescravo e, posteriormente, capitaltrabalho. Ora, nos atuais embates no campo de construo de projetos concorrentes de reordenao social, a condio camponesa vem sendo socialmente reconhecida como uma forma ecaz e l