Cartas Paulinas

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Cartas paulinas estudo.

Text of Cartas Paulinas

  • Cartas Paulinas Contexto, Comunidade e destinatrios

    Esquema Temtico

    Introduo: Conhecer o mundo de Paulo e o contexto das Comunidades por ele fundadas e a

    quem depois so enviadas as suas Cartas fundamental para a compreenso da mensagem teolgica. Neste sentido, um percurso, mesmo que seja rpido e breve, pelas Comunidades uma tarefa imprescindvel em ordem compreenso dos textos que nos so propostos por Paulo, incluindo o seu alcance e a sua vivncia hoje.

    1. Algumas questes:Paulo um missionrio do anncio kerigmtico ou um homem da escrita? Como entender as suas Cartas no contexto do anncio da Boa Nova?Que gnero literrio este de Cartas que Paulo nos legou?

    2. Tinha Paulo uma estratgia missionria?A quem se dirige Paulo no seu anncio? Temos aqui sempre presente o eterno dilema: Judeus ou Gregos? A quem se destina a palavra que Paulo proclama, tanto no anncio oral como depois nos textos escritos?Quando Paulo se dirige aos gentios (aos no-judeus) f-lo porque tem conscincia que a mensagem rejeitada pelos Judeus? Paulo est consciente que o horizonte da mensagem tem agora um alcance universal, um novo projecto messinico que incorpora judeus e no-judeus, superando a dicotomia que o Judasmo no era capaz de comportar?

    3. Quais os contedos essenciais do anncio Paulino? semelhana do que sucedia no Imprio, Paulo recorre a um vocabulrio prprio e proclama um anncio de salvao que incorpora em Jesus o Messias anunciado uma esperana universal de salvao, aberta a todos, judeus e gregos, escravos e homens livres.

    4. Quais os Centros de irradiao da actividade missionria de Paulo?A actividade de Paulo concentra-se em trs grandes cidades: Antioquia (1 fase e 1 viagem missionria); na Macednia (Filipos, Tessalnica, incluindo Corinto, uma 2 fase e 2 viagem); em feso (sia, centro da 3 viagem).

    5. Judeus e Gregos Os Tementes a Deus e as Mulheres:Paulo escolhe o seu auditrio ou tens grupos especiais a quem se dirige? Quem so os chamados Tementes a Deus a que Paulo alude nos seus textos e que estavam tambm no centro das suas preocupaes missionrias? Supera Paulo a dicotomia judaico entre o masculino e o feminino? Qual a razo que leva a que muitas mulheres tenham aderido mensagem proposta por Paulo.

    Centro Cultural Franciscano 24 de Outubro de 2008 P. Joo Loureno

  • Cartas Paulinas Contexto, Comunidade e destinatrios

    (24.10.08)

    IntroduoDando continuidade ao que fizemos no ano passado acerca de S.

    Paulo e da celebrao do Ano Jubilar, este ano vamos continuar a estudar S. Paulo, mas numa linha mais orientada para a compreenso dos seus Escritos. No ano que passou, colocamos a tnica das nossas actividades na pessoa de Paulo e nos grandes eixos do seu pensamento, da sua mensagem e da sua teologia. Este ano, no conjunto de actividades que pretendemos levar a cabo, desejamos aprofundar mais a misso de Paulo: as comunidades evangelizadas e por ele criadas, bem como o contexto dos seus Escritos, das suas Cartas e a problemtica que estas abordam como resposta ao mundo de ento.

    Neste sentido, os encontros aqui organizados no CCF sero muito direccionados para os Escritos de Paulo, convidando-vos, se possvel, e conforme o programa, a fazer-vos acompanhar pelos textos da Carta (ou das Cartas) que analisaremos no respectivo dia. Ser assim uma forma de procurar olhar os textos e a partir deles conhecer melhor os grandes dinamismos da misso Paulina no seu contexto e enquadramento. Colocamos a tnica nesta trplice perspectiva:

    .A quem dirigiu Paulo o seu anncio as Comunidades Paulinas;

    .Como se dirigia Paulo ao seu auditrio a linguagem e a estrutura das cartas;.Onde falou Paulo o contexto social e religioso das Comunidades urbanas a quem Paulo anunciou o Evangelho.

    O tema de que nos ocupamos aqui hoje tem exactamente um carcter introdutrio questo das Cartas; abordamos algumas das temticas mais directamente relacionadas com o Paulo escritor e a sua aproximao s Comunidades onde anuncia Jesus Cristo. No se tratava de uma tarefa fcil, tal a complexidade que descobrimos nos grupos sociais e nas cidades onde Paulo anunciou Jesus. Ao contrrio do que sucedia nas comunidades palestinenses, a sociedade onde Paulo anuncia a Boa Nova um mundo complexo, diversificado, onde pontificam cultos e ritos pagos para todos os gostos, numa contraposio declarada com o teor da mensagem que o Apstolo proclama

    1. Paulo, um homem da palavra oral ou escrita uma interrogao?No pretendemos olhar os Escritos de Paulo a partir de uma

    perspectiva literria, pois creio que ele, apesar de ser um notvel escritor, no gostaria de ser tido nem considerado como tal. Paulo, ao falar de si

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  • mesmo, mormente nas Cartas (destaco o testemunho de Glatas: cap. 1-2; e o da Carta aos Filipenses: 3,4-6) a que poderamos tambm acrescentar o testemunho que dele nos deixou Lucas nos Actos dos Apstolos (Act 22), apresenta-se sempre como um ministro da Palavra, um homem do anncio, anncio este que era dirigido a um pblico nem sempre determinado, embora na maioria dos casos a pregao seja dirigida aos Judeus da dispora e, mais tarde, anunciada aos pagos.

    Paulo, como um mestre de retrica judaica que era, ele que fora instrudo numa das melhores escolas do pensamento rabnico, um homem do verbo fcil, onde sobressai o testemunho pessoal e, ao mesmo tempo, constata-se que h nele um impulso arrebatador que Paulo concentra sempre em Jesus Cristo. Senn Vidal1, numa obra recente sobre Paulo, chama a esta realidade concntrica, o Projecto Messinico de Paulo, todo ele centrado no anncio de que Jesus era o messias esperado de Israel, empenhando-se Paulo em mostrar como afinal Ele agora o Messias universal, e no apenas de Israel.

    Dando incio proclamao deste Projecto, Paulo comea por visitar e fazer-se presente em ambientes urbanos, mormente em cidades que ladeiam as grandes vias de comunicao, as estradas da poca, ou ento, em cidades que serviam de portos, onde se cruzavam grupos variados de pessoas. Os casos so mltiplos e bem conhecidos. Aludiremos a alguns deles ao longo da nossa reflexo. Para compreender Paulo, importa ter presente que o seu anncio , essencialmente, um prolongamento da sua converso e as suas palavras, antes de escritas, fazem-se eco desta experincia pessoal.

    Por isso, antes de nos debruarmos sobre as Cartas em si, vejamos em que consistia o anncio de Paulo. O esquema era muito simples e muito linear, quase sempre idntico, podendo ns sintetiz-lo em quatro pontos:

    .Paulo comea por situar o seu anncio no contexto da Histria de Israel, apresentando Jesus como aquele que d sentido a essa histria, cumprindo as promessas feitas aos antepassados (no AT);.Alude ao ministrio de Joo Baptista como preparao para o advento do Messias, numa aluso clara tradio messinica da vinda do arauto do Messias (Elias deve vir primeiro: Mt 17,10-11);.Apresenta Jesus como salvador, referindo a sua injusta condenao perante Pilatos a pedido das autoridades judaicas e do povo de Jerusalm, dando assim cumprimento ao que tinha sido anunciado pelas profecias do Antigo Testamento. A argumentao Paulina, neste aspecto, muito consistente e repetitiva;.Finalmente, Paulo refora o anncio especfico da ressurreio de Jesus (dando cumprimento s Escrituras) que, desta forma, concede o perdo dos pecados queles que acreditam nEle. Por sua vez, a Lei mosaica no s no concede o perdo, como acentua a diviso entre os homens.

    1 SENN VIDAL, El Proyecto Mesinico de Pablo, Sgume, 2005.

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  • Este esquema est bem documentado em passagens dos Actos (13,16-41), constituindo como que um paradigma do 1 anncio feito aps o servio sinagogal. Estamos, portanto, perante um quadro em que decorre a misso de Paulo, que , antes de mais, um missionrio.

    Neste sentido, podemos dizer que Paulo no um epistolrio como tal; no um homem que redige um texto para anunciar uma boa-nova, seja ela qual for, partindo do princpio que o anncio da Boa-Nova j tinha acontecido na Comunidade antes do envio da respectiva Carta. Por isso, denotamos uma forte oralidade em muitas das Cartas, j que estas tinham como objectivo confirmar agora o que outrora havia sido j anunciado oralmente, conservando assim os traos da passagem do Apstolo e do anncio que havia sido a proclamado. A oralidade das Cartas uma espcie de eco da voz do Apstolo que perdura na Comunidade. Da a razo que leva ao pedido para que a Carta seja lida na Comunidade, como o caso de Col 4,16. O mesmo se pode dizer acerca dos Emissrios que faziam de portadores das Cartas; eles so apresentados como que representando o prprio autor (Paulo) em pessoa, para quem pedido um bom acolhimento por parte da Comunidade destinatria.

    O que uma Carta?Na antiguidade, o gnero Carta era usado essencialmente para

    transmitir, informar, comunicar. Na Grcia antiga, este gnero literrio era j muito comum; Plato, Epicuro e outros, escreveram cartas abertas a expor as suas ideias filosficas e religiosas a um vasto pblico que assim tinha acesso s suas teses. Tambm no mundo romano encontramos o mesmo gnero de escritos, sendo clebres as Cartas de Ccero, Plnio, Sneca, etc. Na fase decadente do Imprio, vamos encontrar autores

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  • cristos recorrendo ao mesmo processo, de que se celebrizaram, de entre outros, Cipriano, Santo Agostinho, S. Jernimo. Neste sentido, Paulo segue uma tradio que era j em uso e que ter continuidade depois dele, sendo ele um excelente representante do pensamento cristo que deu incio a este processo de comunicao.

    Comecemos por