Cartilha - Alienação Parental

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Identificação e combate a uma das mais devastadoras pregas que tanto prejudicam nossas crianças

Text of Cartilha - Alienação Parental

  • Desembargador ORLANDO DE ALMEIDA PERRIPresidente do TJMT

    Desembargador MRCIO VIDALVice-Presidente do TJMT

    Desembargador SEBASTIO DE MORAES FILHOCorregedor-Geral da Justia

    ANGELA REGINA GAMA DA SILVEIRA GUTIERRES GIMENEZJuza Titular da Primeira Vara das Famlias e Sucesses de Cuiab

    Presidente do IBDFAM-MT

    Projeto Grfico - Departamento Grfico TJMT

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  • O presente trabalho integra s aes do Projeto Revisitando oDireito das Famlias e Sucesses, desenvolvido pela 1 VaraEspecializada de Cuiab-MT, sob coordenao de sua juza titular,Angela Regina Gama da Silveira Gutierres Gimenez que, tambm,ocupa o cargo de presidente do IBDFAM-MT.

    A inteno do projeto abrir uma profunda discusso, com asociedade civil em geral e organizaes pblicas, acerca de temasimportantes na referida rea. Para a sua efetivao, o projeto prev arealizao de palestras, mini-cursos, material didtico e reuniesoperativas, com os diversos segmentos sociais e, tambm, com osservidores do Poder Judicirio, alm claro, de uma boa articulao coma imprensa.

    Essa cartilha a realizao de um sonho que, busca alcanar omaior nmero de pessoas e famlias que, h muito vm sofrendo, com asgraves conseqncias, decorrentes do afastamento de crianas e jovensde parte de seus parentes e combater essa prtica, tantas vezes,invisvel aos nossos olhos.

    Ao estudar a alienao parental, para a produo desta cartilha,deparamo-nos com a constatao de que, esta ocorre, com freqnciamaior do que se imaginava, tambm, com os nossos idosos e que, alegislao vigente no tem alcanado essa camada da populao.

    Assim, o Projeto Revisitando o Direito das Famlias e Sucessestem como proposta, apresentar e difundir uma aplicao analgica da Lein 12.318/2010 ( Lei de Combate Alienao Parental) para a populaoidosa, igualmente, em situao de vulnerabilidade.

    Apresentao

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    Primeira Vara das Famlias e Sucesses de Cuiab Instituto Brasileiro de Direito das Famlias

  • Antes, porm, importante lembrar que, com a Constituio de 1988,onde o princpio da dignidade da pessoa humana ganhou elevadaspropores, fez-se necessrio o reconhecimento, da multiplicidade doscontornos familiares, abandonando-se o esteritipo da famlia"matrimonializada".

    inegvel que, a multiplicidade e variedade de fatores no permitem!xar um modelo nico de famlia, sendo obrigatrio compreend-la, deacordo com os novos arranjos de convivncia, adotados pela sociedadebrasileira. Hoje vemos crianas que vivem, concomitantemente, com asfamlias que seus pais construram, aps a separao, e que podemalcanar um grande nmero (no h limitao para o nmero decasamentos ou de unies estveis); avs que criam seus netos sem apresena dos pais; !lhos de unies homoafetivas, dentre outras formas.

    Nos dizeres de Cristiano Chaves: Os novos valores que inspiram asociedade contempornea sobrepujam e rompem, de!nitivamente com aconcepo tradicional de famlia. A arquitetura da sociedade modernaimpe um modelo familiar descentralizado, democrtico, igualitrio edesmatrimonializado.

    Assim, o objetivo da famlia a solidariedade social.

    Quer queiramos ou no, temos que aprender a viver de uma novaforma, garantindo espaos para que, nossas crianas e jovens possamdesfrutar da convivncia, com os dois genitores e com suas famlias(paternas e maternas), mesmo aps o divrcio, recebendo o amor e aateno de todos. Para isso h um requisito, o respeito mtuo.

    Cristiano Chaves de Farias e Nelson Rosenvald, in Direito das Famlias, 2 edio, Editora Lumen Juris

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  • Nesse sentido, o combate alienao parental ganhou fora. Ofenmeno de se utilizar as crianas e os adolescentes como "moeda debarganha" muito antigo. Porm, seu primeiro reconhecimento cient!cose deu, atravs, do psiquiatra americano Richard Gardneer, na dcadade 1980.

    Temos certeza que, no h ningum que no tenha visto, em sua famliaou entre amigos, a utilizao dos !lhos, como mecanismo de vingana,daquele que deteve a guarda unilateral dos infantes, em desfavor dooutro genitor que, no mora com eles.

    No Brasil a lei de combate alienao parental foi editada, em 26 deagosto de 2010, sob o n 12.318.

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  • Alienador e Alienado

    A Alienao Parental uma forma de abuso psicolgico que, secaracteriza por um conjunto de prticas efetivadas por um genitor (namaior parte dos casos), denominado alienador, capazes de transformar aconscincia de seus !lhos, com a inteno de impedir, di!cultar oudestruir seus vnculos com o outro genitor, denominado alienado, semque existam motivos reais que justi!quem essa condio.

    Porm, no so apenas os genitores que podem alienar, masqualquer parente ou outro adulto que tenha autoridade eresponsabilidade pela criana ou adolescente.

    Considera-se ato de AlienaoParental a interferncia na formaopsicolgica da criana ou do adolescentepromovida ou induzida por um dosgenitores, pelos avs ou pelos quetenham a criana ou adolescente sob asua autoridade, guarda ou vigilncia paraque repudie genitor ou que cause prejuzoao estabelecimento ou manuteno devnculos com este.

    o que alienao parental?

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  • So formas exempli!cativas de alienao parental, alm dos atosassim declarados pelo juiz ou constatados por percia, praticadosdiretamente ou com auxlio de terceiros:

    I - realizar campanha de desquali!cao da conduta do genitorno exerccio da paternidade ou maternidade.

    Isso ocorre, por exemplo, quando, continuamente, um dos paisimplanta, no !lho, ideias de abandono e desamor, atribudas ao outrogenitor, fazendo-o acreditar que, o alienado no uma boa pessoa e nopossui valores altura de ser pai ou me.

    ..Seupai no se interessa por voc, agora ele temoutra famlia..

    Seu av tem dinheiro e no ajuda nas suas despesas, ento vocno deveriamais visit-lo....

    II - di!cultar o exerccio da autoridade parental.

    Quando os pais no vivem juntos e no houver acordo sobrequem deva exercer a guarda do !lho, a Lei n 11698/2008 que, alterou oart. 1584 do Cdigo Civil imps que, o juiz determine a guardacompartilhada entre eles.

    No entanto, mesmo que a guarda !que restrita a apenas um dospais, o outro permanece com o direito e a responsabilidade de educar,cuidar e externar o seu amor ao !lho, no podendo aquele que, odetentor da guarda desautoriz-lo.

    Formas de alienao

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  • III - di!cultar contato de criana ou adolescente com genitor

    Quando os !lhos vivem em companhia de um nico genitor resta aele a obrigao de favorecer o contato destes com o outro genitor que,com eles no more.

    Os !lhos tm direito convivncia com ambos os pais, por issomesmo que, encontros marcados, com datas e horrios estipulados,devem se dar somente em casos excepcionais, pois o ideal que sejamlivres.

    As crianas e os adolescentes devem permanecer o maior tempopossvel com seus pais, independentemente, de morarem ou no comeles. Dizemos que o direito da populao infanto-juvenil o de conviverque, signi!ca, viver-com, ambos os pais.

    Os contatos por telefone, internet, bilhetes, cartas, etc, tambmno podem ser obstrudos.

    Quando a convivncia dos !lhoscom seus pais no se d de forma livre, ojuiz pode regulamentar os encontrosentre eles.

    comum, o genitor com quem ascrianas moram, apresentar uma srie dedi!culdades, para impedir que o outrogenitor encontre seus !lhos. comum,tambm, para di!cultar a interao entreeles, !car ligando incessantemente,durante todo o perodo de visitao.

    IV - di!cultar o exerccio do direito regulamentadode convivncia familiar.

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  • Hoje ele no pode ir, pois vamos fazer um passeio.... Ela novai, porque no pode faltar aula de catecismo.... Parece que ela estfebril, ento melhor que !que.... Meu !lho no visita o pai porque nogosta de !car na casa dele....

    Quanto mais se convive, maior ser o vnculo entre pais e !lhos.

    V - omitir deliberadamente a genitor informaes pessoaisrelevantes sobre a criana ou adolescente, inclusive escolares,mdicas e alteraes de endereo.

    Todas as informaes importantes que, envolvam as crianas e osjovens, devem ser prestadas aos pais e parentes que no morem comeles, de forma completa e em tempo hbil, tais como, eventuaisproblemas de sade, festividades escolares, dilemas apresentadospelos !lhos, mudana de endereo, etc.

    No participar da vida cotidiana dos !lhos provoca a fragilidade dovnculo paterno ou materno-!lial, gerando o sentimento de abandono nacriana, que pode levar a uma repulsa do !lho ao genitor afastado.

    VI - apresentar falsa denncia contra genitor, contrafamiliares deste ou contra avs, para obstar ou di!cultar aconvivncia deles com a criana ou adolescente.

    Atribuir fatos inverdicos contra aquele que no mora com acriana ou contra seus parentes, assim como o uso indevido da Lei Mariada Penha, retrata uma das formas mais graves de vingana contra ogenitor que, no convive com os !lhos. Sabe-se que, se chega a atribuirao genitor alienado, falsas denncias de maus tratos e, at de abusosexual.

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  • VII - mudar o domiclio para local distante, sem justi!cativa,visando a di!cultar a convivncia da criana ou adolescente com ooutro genitor, com familiares deste ou com avs.

    O afastamento fsico, atravs da mudana de cidade, Estado ou atpas, outra forma, bastante utilizada, para impedir a convivncia entreos !lhos e o genitor e seus parentes, com quem no moram.

    Isso no quer dizer que, em alguns casos, o guardio no possatransferir o seu domiclio, para um lugar distante do outro genitor. Porm,nesses casos deve haver uma justi!cativa importante e o novo endereodeve ser prontamente comunicado ao genitor. Alm disso, os espaoslivres, tais como frias, feriados, festividades de !nal de ano, devem sercompartilhados e se possvel priorizados, em favor daquele genitor quepassa a maior parte do ano, sem a presena diria do !lho.

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  • A lei n 12.318/2010 dispe que, a prtica de ato de ali