Click here to load reader

Cartilha tratamentodiferenciado mpe

  • View
    212

  • Download
    0

Embed Size (px)

DESCRIPTION

 

Text of Cartilha tratamentodiferenciado mpe

  • Secretaria da Micro e Pequena EmpresaPresidncia da Repblica

    Guilherme Afif DomingosMinistro

    Nelson Hervey CostaSecretrio Executivo

    Carlos Leony Fonseca da CunhaSecretrio de Competitividade e Gesto

    Jos Constantino de Bastos JniorSecretrio de Racionalizao e Simplificao

    Elaborao: Departamento de Racionalizao das Exigncias Estatais - DREE

    Texto: Carlos Leony Fonseca da Cunha, Clarice G. Oliveira, Clese Nascimento Costa, Fbio Santos Pereira da Silva, Jos Constantino de Bastos Jnior, Marcelo Dias Varella, Marcelo Pacheco Bastos, Nelson Hervey Costa e Roseli Teixeira Alves.

    Projeto Grfico e Diagramao: Bruna Pagy

    Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidncia da RepblicaSRTVS 701, Quadra 3, Bloco M, Lote 12, Edifcio Dario Macdo

    CEP: 70340-909 - Braslia DF

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas:

    Legislao para Estados e Municpios

    Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

  • Mesa DiretoraBinio 2013/2014

    Senador Renan CalheirosPresidente

    Senador Jorge Viana1 Vice-Presidente

    Senador Romero Juc2 Vice-Presidente

    Senador Flexa Ribeiro1 Secretrio

    Senador Angla Portela2 Secretrio

    Senador Ciro Nogueira3 Secretrio

    Senador Joo Vicente Claudino4 Secretrio

    Luiz Fernando Bandeira de Mello FilhoDiretor-Geral

  • SumrioPrefcio ................................................................................................................. 7

    Apresentao ........................................................................................................ 9

    Nota dos Autores ............................................................................................... 11

    1. Poltica Pblica de Tratamento Especial e Diferenciado s Microempresas e Empresas de Pequeno Porte no Nvel Estadual e Municipal .................... 13

    2. O que so Microempresas e Empresas de Pequeno Porte? .................... 15

    2.1. Apoio aos Microempreendedores Individuais ........................................ 17

    3. A importncia econmica das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte .................................................................................................................... 19

    4. Lei Complementar n 123: avanos e o que ainda precisa ser feito no nvel estadual e municipal ......................................................................................... 23

    4.1. Simples Nacional ......................................................................................... 23

    4.2. A Rede Nacional para a Simplificao do Registro e da Legalizao de Empresas e Negcios REDESIM ..................................................................... 24

    4.2.1. Emisso do Licenciamento: preciso simplificar ................................ 27

    4.3 Licitaes Pblicas: um passo importante para o desenvolvimento .... 30

    4.4 Consolidao anual de toda legislao ..................................................... 32

    ANEXO I Projeto de Lei Municipal sobre tratamento diferenciado, simplifi-cado e favorecido ao Microempreendedor Individual, s Microempresas e s Empresas de Pequeno Porte ............................................................................ 33

    ANEXO II Projeto de Lei Estadual sobre tratamento diferenciado, simplifi-cado e favorecido ao Microempreendedor Individual, s Microempresas e s Empresas de Pequeno Porte ............................................................................ 47

    ANEXO III -- Modelo de Projeto de Lei Municipal - Cargo de Agente de Desenvolvimento ................................................................................................ 57

    Bibliografia ........................................................................................................... 71

  • PrefcioA Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidncia da Repblica e o SEBRAE trabalham para a simplificao da relao dos governos com os micro e pequenos empreendedores. Em boa medida, simplificar equivale a desburocratizar normas e regulamentos. Como temos defendido, preci-so, cada vez mais, pensar simples. Nesse sentido, fundamental estreitar o dilogo com os legisladores municipais e estaduais, corresponsveis pela implementao dos mecanismos previstos no Estatuto Nacional da Micro-empresa e da Empresa de Pequeno Porte - Lei Complementar n 123, de 14 de dezembro de 2006.

    Normas locais que simplifiquem o processo de abertura de empresas, uni-fiquem o licenciamento e favoream a participao de micro e pequenas empresas nas aquisies governamentais so importantes indutores do de-senvolvimento econmico e beneficiam o ambiente de negcios.

    Com isso em mente, as equipes da Secretaria e do SEBRAE elaboraram esta cartilha com informaes e sugestes para regulamentar e aprimorar leis estaduais e municipais que tratam das microempresas e empresas de pe-queno porte. So aes para facilitar a vida do empreendedor e liber-lo para dedicar mais tempo ao crescimento do seu negcio.

    Ministro GUILHERME AFIF DOMINGOSSecretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidncia da Repblica

    LUIZ BARRETODiretor Presidente do SEBRAE

    Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    7

  • Apresentao Os Poderes Legislativos estadual e municipal desempenham papel primor-dial no desenvolvimento econmico e social local. Todavia, no raro que as Assembleias Estaduais se deparem demasiadamente sobrecarregadas por matrias de ordem imediata, e as Cmaras Municipais no possuam recursos suficientes para enfrentar desafios que a atividade legislativa lhes impe.

    Diante deste cenrio, o projeto ora apresentado visa oferecer subsdio tcnico aos legisladores estaduais e municipais com o intuito de auxiliar a elaborao de normas necessrias promoo de avanos legais em matrias de sens-vel importncia para sociedade.

    O presente documento trata-se de parceria do Interlegis com a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, cujo objetivo simplificar a relao do governo com os micro e pequenos empreendedores.

    O resultado dessa parceria um volume que apresenta de forma clara, os principais conceitos que envolvem o universo das micro e pequenas empre-sas, e esclarece os objetivos e necessidades da poltica pblica que tanto pro-move o desenvolvimento social e econmico local.

    , para mim, um honra apresentar este trabalho que, certamente, contribuir para o aprimoramento do servio pblico estadual e municipal.

    RENAN CALHEIROSPresidente do Senado Federal

    Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    9

  • Nota dos AutoresEsta Cartilha uma edio atualizada do material publicado em 2013 por intermdio de parceria estabelecida entre a Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidncia da Repblica e o Senado Federal, por intermdio do Programa Interlegis.

    As modificaes foram feitas considerando a reviso do Estatuto Nacional da Micro Empresa e da Empresa de Pequeno Porte debatida no Congresso Nacional e sancionada em 7 de agosto de 2014 por meio da LC n 147/2014, publicada no Dirio Oficial de 8 de agosto de 2014. No escopo de atualizao da Lei, destacam-se:

    a universalizao do Simples Nacional, com a incluso de mais de 140 atividades neste regime de tributao.

    garantia de execuo de processo nico e integrado para registro e legalizao de empresas realizado pela internet.

    facilitao da obteno da licena ou alvar para o incio da operao da empresa nos casos de baixo risco da atividade.

    iseno total de taxas para o microempreendedor individual (MEI). incluso de qualquer microempresa e empresa de pequeno porte no acesso aos benefcios e processos desburocratizados da Lei Geral das MPE: simplificao dos processos de abertura e baixa, acesso aos mercados, simplificao das relaes de trabalho, fiscalizao orien-tadora, incentivos ao associativismo, estmulo ao crdito, inovao, acesso Justia, entre outros.

    ampliao da possibilidade de tratamento tributrio favorecido nos Estados, Distrito Federal e Municpios.

    proibio de que as concessionrias de servios pblicos aumentem as tarifas do MEI por conta da modificao de sua condio de pes-soa fsica para pessoa jurdica.

    ampliao do prazo de comprovao de regularidade fiscal das MPE nas licitaes para cinco dias teis.

    O material apresentado nesta publicao tem por objetivo oferecer subsdio tcnico aos legisladores e apoiar a elaborao de normas locais para regu-lamentao da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, colaborando para o avano nas polticas pblicas.

    Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    11

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    12

    A maioria dos Estados e Municpios editaram Leis Gerais para Micro e Pe-quenas Empresas (MPE). No entanto, a anlise das diferentes normas em vi-gor mostra a existncia de grandes oportunidades de avano para o desen-volvimento local. H prticas positivas e diferenciadas em vrias legislaes que sugerem o aprimoramento das demais, em um processo absolutamen-te natural de aprendizado e incorporao de boas prticas, decorrente do amadurecimento institucional alcanado pelo tema. Um dos objetivos deste trabalho foi reunir as iniciativas mais vantajosas para o desenvolvimento local, a partir do fomento s MPE e propor que os Estados e Municpios as incorporem em suas normas e avancem no tratamento diferenciado.

    Este documento procurou focar apenas nas questes da lei federal que no so autoaplicveis no mbito Estadual e Municipal, ou seja, que exigem re-gulamentao. Tambm no trabalha com elementos da melhoria da go-vernana local, como educao empreendedora e polticas de crdito, que independem de lei especfica e podem ser realizados por outros instrumen-tos normativos.

    As normas sugeridas nesta cartilha trazem novos elementos ao marco le-gal para tratamento diferenciado a microempresas e empresas de pequeno porte, entre os quais:

    Simplificao das exigncias legais, com o uso do identificador ca-dastral nico, correspondente ao CNPJ.

    Simplificao das exigncias para participao de MPEs em licitaes. Obrigao de contratao de at 25% de MPE em certames para aquisio de bens de natureza divisvel.

    Obrigao de licitao exclusiva para MPE nos itens de contratao at R$ 80.000,00.

    Possibilidade de subcontratao de MPE em licitaes de obras e servios sem limite mximo.

    Obrigao de contratao de MPE nas dispensas de licitao de menor valor. Criao de sistema simplificado e unificado de licenciamento de empresas. Integrao dos processos municipais Redesim, que j est implan-tada parcialmente em um nmero importante de entes federativos, mas que precisa avanar.

    Convidamos os formuladores de polticas estaduais e municipais a revisa-rem suas normas, de modo que as experincias de sucesso possam ser multiplicadas. Os que ainda no tm normas podem tomar a iniciativa de se juntarem a este movimento nacional favorvel ao desenvolvimento das micro e pequenas empresas.

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    13

    Poltica Pblica de Tratamento Especial e Diferenciado s Microempresas e Empresas de Pequeno Porte no Nvel Estadual e MunicipalAs microempresas, empresas de pequeno porte e os microempreendedores individuais contribuem com parcela considervel da gerao de emprego e renda em todo o pas. No mbito local, esse setor desempenha papel ainda mais relevante, pois movimenta a economia das cidades e colabora para a arrecadao de tributos a serem revertidos em servios e investimentos de interesse da populao. Por esse motivo, os governos devem trabalhar para implementao de polticas pblicas necessrias para suporte e incentivo ao seu desenvolvimento.

    A poltica nacional criada por meio da publicao do Estatuto Nacional da Mi-croempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Lei Complementar n 123, de 14 de dezembro de 2006 (LC n 123), tambm conhecida como Lei Geral da MPE, instituiu o regime jurdico de tratamento diferenciado para esse segmento, tal como previsto na Constituio Federal. Aos Estados e Municpios cabe a regulamentao de diversos dispositivos da legislao nacional, tais como o uso do poder de compras pblicas para a promoo do desenvolvimento, o licenciamento de atividades econmicas e a promoo dos microempreende-dores individuais.

    Com a LC n 123 so empreendidos esforos nas esferas federal, estadual e municipal para incentivar os micro e pequenos empreendedores, sobretudo no sentido de simplificar e racionalizar os procedimentos de abertura e fecha-mento de empresas, unificao de tributos (Simples Nacional), obrigaes tra-balhistas, acesso ao crdito e participao em compras pblicas, entre outros.

    No mbito do regime de tributao, a LC n 123 complementada pelas re-solues emanadas pelo Comit Gestor do Simples Nacional, vinculado ao Ministrio da Fazenda, que trata dos aspectos tributrios do regime aplicado s MPE, e pelo Comit para Gesto da Rede Nacional para a Simplificao do Registro e Legalizao de Empresas e Negcios (CGSIM), vinculado Secre-

    1

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    14

    taria da Micro e Pequena Empresa da Presidncia da Repblica, dedicado a regulamentar o processo de registro e de legalizao de empresrios e de pessoas jurdicas. Em conjunto, essas normas orientam a aplicao prtica do tratamento diferenciado para microempreendedores individuais, micro e pequenos empresrios.

    H espao para avanarmos ainda mais. Os municpios podem, e devem im-plementar polticas pblicas que beneficiem seus micro e pequenos empre-srios. Diversos dispositivos da legislao nacional s podem ser implementa-dos com a participao de estados e municpios. Com esta cartilha, buscamos orientar e esclarecer alguns dos pontos que precisam de regulamentao estadual ou municipal para se tornarem efetivos, sobretudo no que se refere unificao e simplificao do processo de abertura e fechamento de em-presas, que envolve rgos das trs esferas de governo, e compras pblicas.

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    15

    O que so Microempresas e Empresas de Pequeno Porte? No h um critrio nico para definir microempresas e empresas de pequeno porte. Existem, a depender do objetivo, conceitos que podem ser utilizados para a classificao dessas empresas nas categorias micro, pequena, mdia e grande. Porm, tais critrios no devem ser considerados em absoluto. De-pendendo do contexto, precisam ser adaptados para que possam cumprir com o objetivo da poltica pblica. Assim sendo, cumpre esclarecer que a de-finio do conceito de microempresa e empresas de pequeno porte diversi-ficada, o que permite uma gama de possibilidades para aplicao de normas benficas ao segmento.

    Na legislao nacional, as Micro e Pequenas Empresas (MPE) so definidas conforme o faturamento (artigo 3 da LC n 123). Microempresa toda a so-ciedade empresria, sociedade simples, empresa individual de responsabili-dade limitada e o empresrio individual que aufira, em cada ano-calendrio, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais). Empresa de Pequeno Porte aquela que, em cada ano-calendrio, tenha re-ceita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (trs milhes e seiscentos mil reais).

    A partir de 2012, foi determinado um limite extra para exportao de mer-cadorias no valor de R$ 3.600.000,00 (trs milhes e seiscentos mil reais). Dessa forma, o Empresrio de Pequeno Porte pode auferir receita bruta at R$ 7.200.000,00 (sete milhes e duzentos mil reais), desde que no extra-pole, no mercado interno ou em exportao de mercadorias, o limite de R$ 3.600.000,00 (trs milhes e seiscentos mil reais)1.

    Alm das duas classificaes empresarias mais conhecidas, a Lei Complemen-tar n 128, de 19 de dezembro de 2008, modificou a Lei Geral para criar a figu-ra do Microempreendedor Individual (MEI). O MEI um microempresrio que fatura, no mximo, at R$ 60.000,00 por ano. Ele no pode ser scio ou titular de outra empresa. Atualmente, o MEI pode ter apenas um nico empregado contratado e ele deve receber no mais que um salrio mnimo, ou o piso da sua categoria profissional.

    1 Art. 3, 4 da Lei Complementar n 123.

    2

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    16

    A classificao de microempresa e empresa de pequeno porte utilizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE) e pelo Servio Brasileiro de Apoio s Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) combina dados do fatu-ramento com a quantidade de empregados, havendo diferenciao entre os segmentos de indstria e comrcio.

    Somente para fins de tributao a classificao de MPE utilizada pelos estados pode considerar limites de faturamento menores que os descritos na LC n 123 ao se tratar de recolhimento do ICMS e, consequentemente, do ISS.

    Estados com participao menor que 5% do PIB do pas podem adotar para as empresas de pequeno porte, a cada ano, faixa de receita brutal anual mxima de R$ 1.260.000,00, R$ 1.800.000,00 ou R$ 2.520.000,00 no ano-calendrio. o Comit Gestor do Simples Nacional que informa quais estados podem ado-tar qual faixa. Cabe a cada um decidir se seguir ou no o sublimite permitido, devendo, para isso, publicar legislao orientadora. Utilizando-se da faculda-de estabelecida nos artigos 19 e 20 da LC n 123, os estados abaixo relaciona-dos optaram, para efeito de recolhimento do ICMS dos estabelecimentos ali localizados optantes pelo Simples Nacional, para o ano-calendrio 2014, pela adoo das seguintes faixas de receita bruta anual:

    R$ 1.260.000,00: Amap e Roraima R$ 1.800.000,00: Acre, Alagoas, Mato Grosso do Sul, Piau, Rondnia, Sergipe e Tocantins

    R$ 2.520.000,00: Maranho, Par (em 2015) e Mato Grosso.Aplicam-se os sublimites para o recolhimento do ISS dos estabelecimentos localiza-dos nos municpios daqueles estados.

    Entre as modificaes, destacam-se:

    Paraba: deixou de adotar sublimite. Acre e de Alagoas: aumentaram para R$ 1,8 milhes. Tocantins e Par: aumentaram o sublimite para R$2,250 milhes

    Nos Estados que no adotaram sublimites e no Distrito Federal utilizado o limite mximo do Simples Nacional R$ 3.600.000,002.

    Por fim, o parmetro para classificao de uma empresa como MPE pelas normas do Mercosul, adota, ao mesmo tempo, os critrios de faturamento e nmero de empregados. A Resoluo Mercosul GMC n 90/93, institui a polti-ca de apoio s MPE e as diferencia por setor: indstria, e comrcio e servios.

    2 Dados disponveis em: http://www8.receita.fazenda.gov.br/simplesnacional/Noticias/No-ticiaCompleta.aspx?id=4a08d069-dbd3-477f-aaa6-573d9a1c78c9. Acesso em 20 de junho de 2014

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    17

    A Resoluo Mercosul GMC n 59/983, dispe sobre uma segunda etapa da poltica de apoio a MPE, mantendo os mesmos parmetros de enquadramen-to, conforme pode se verificar pela tabela abaixo4:

    Microempresa Pequena Empresa Mdia Empresa

    Indstria Comrcio e Servios IndstriaComrcio e Servios Indstria

    Comrcio e Servios

    Nmero de empregados 1-10 1-5 11-40 6-30 41-200 31-800

    Faturamento Anual

    US$400 mil

    US$200 mil

    US$3,5 milhes

    US$1,5 milho

    US$20 milhes

    US$7 milhes

    Fonte: MDIC, Micro, Pequenas e Mdias Empresas: definies e estatsticas internacionais5.

    As definies apresentadas so referenciais importantes para se pensar es-tratgias de estmulo a esse segmento. A depender do benefcio a ser con-cedido, verifica-se uma farta possibilidade de enquadramento das empresas como MPE, o que torna mais acessveis as diversas polticas pblicas de aces-so a tratamento favorvel e diferenciado.

    Desde que no haja conflito de competncias com o definido no mbito nacional,

    estados e municpios podem ampliar o conceito baseado no faturamento para favorecer as empresas em licitaes, acesso ao crdito ou licena e autorizao de funcionamento.

    2.1. Apoio aos Microempreendedores Individuais

    Um grande avano da legislao federal foi criar a figura do Microempreende-dor Individual (MEI). Milhes de brasileiros, com baixo faturamento, puderam se formalizar, passando a ser considerados como empresrios individuais, e usufruindo das vantagens concedidas pela formalizao de sua atividade.

    No entanto, em alguns casos, a inexistncia de previso normativa explci-ta no mbito municipal ou estadual acaba punindo os microempreendedo-res. Embora a LC n 123 isente o MEI dos custos para abertura, alterao e baixa em mbito nacional, a experincia prtica demonstrou divergncias de interpretao no caso de alvars, licenciamento, fiscalizao e vistorias.

    3 Polticas de Apoio s Micro, Pequenas e Mdias Empresas do MERCOSUL Etapa II.4 MDIC, Micro, Pequenas e Mdias Empresas: definies e estatsticas internacionais.5 MDIC, Micro, Pequenas e Mdias Empresas: definies e estatsticas internacionais.

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    18

    Por exemplo, h registros de aumento de impostos sobre a residncia do MEI aps a sua formalizao, pois o imvel passa a ser considerado o local de exerccio de uma atividade de pessoa jurdica. Prticas dessa natureza con-tribuem muito pouco para a arrecadao local, mas so um obstculo impor-tante para a consolidao da poltica de incluso produtiva do MEI.

    Para dirimir dvidas e assegurar o tratamento mais favorecido, a alterao pela Lei Complementar n 147 sancionada em 2014 na LC n 123 deixa claro que o imposto sobre imveis prediais urbanos no pode ser majorado em decorrncia de o empresrio ter se formalizado como MEI e que ele est to-talmente isento de custos para registro e legalizao. Assim, assegurado ao MEI tratamento favorecido na tributao municipal do IPTU para realizao de suas atividades no mesmo local em que residir, mediante aplicao da me-nor alquota vigente para aquela localidade, seja residencial ou comercial, nos termos da lei, sem prejuzo de eventual iseno ou imunidade existente. Isso se aplica, igualmente, ao MEI que exerce a sua atividade fora da residncia, caso da venda porta-a-porta, atendimento na casa de clientes, etc.

    Alm do IPTU, no caso das atividades do MEI serem exercidas na residncia ou fora dela, as tarifas de gua, luz e outros servios pblicos no podem ser aumentadas aps a sua formalizao, isto , em decorrncia da alterao de sua condio de pessoa fsica para pessoa jurdica.

    Os municpios no devem aumentar os tributos incidentes sobre os

    microempreendedores individuais, conforme definido na Lei Complementar N 123 e suas alteraes.

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    19

    3. A importncia econmica das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte A importncia econmica e social do segmento das microempresas e empre-sas de pequeno porte (MPE) torna-se ainda mais relevante quando se analisa os dados referentes gerao de renda e postos de trabalho no nvel munici-pal, estadual, regional e nacional.

    Em 2011, as micro e pequenas empresas representaram 99% dos estabele-cimentos e foram responsveis por 51,6% dos empregos privados no agr-colas formais no pas e quase 40% da massa de salrios. Entre 2000 e 2011, de cada R$ 100 pagos aos trabalhadores no setor privado no agrcola, cerca de R$ 40, em mdia, foram pagos por micro e pequenas empresas. No que se refere sua contribuio para a formao do Produto Interno Bruto (PIB), estima-se que sua participao gire em torno de 20% a 27%. Entre os anos de 2000 a 2011, o nmero de MPE cresceu 50%, passando de 4,2 milhes para 6,3 milhes. Entre 2000 e 2005, foram gerados 2,4 milhes de postos de trabalho nas MPE, isso equivale a um crescimento mdio anual de 5,1% a.a.. Esse movimento se intensificou entre os anos de 2005 a 2011, resultando na gerao de 4,6 milhes de novos postos de trabalho, o que representa cresci-mento mdio anual de 5,9% a.a.6.

    Em abril de 2014, os pequenos negcios computaram saldo lquido de 97.890 novos empregos celetistas, correspondendo a aproximadamente 93% dos empregos formais gerados no pas naquele ms, sendo que as mdias e gran-des empresas (MGE) e a Administrao Pblica registraram, respectivamente, a criao lquida de 4.007 e de 3.487 postos de trabalho (Grfico 1 a seguir)7. Esses dados deixam claro que so as micro e pequenas empresas que mais gera empregos no Brasil.

    Desse modo, podemos perceber que a participao das MPE no total de em-preendimentos produtivos vem crescendo ao longo dos anos. Como conse-quncia, h aumento de sua contribuio para a gerao de emprego e renda do trabalhador brasileiro. Observa-se que enquanto a taxa de crescimento anual foi de 4% para o total de empresas, independentemente do porte, para

    6 SEBRAE. Boletim Estudos & Pesquisas. Nmero 17. Maro, 2013. 7 SEBRAE. Anlise do Emprego Brasil. Abril, 2014.

    3

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    20

    120.000

    100.000

    80.000

    60.000

    40.000

    40.000

    0MPE

    Fonte: MTE/Caged. Abril, 2014.Elaborao: Sebrae/UGE.

    97.890

    Grco 1 - Saldo lquido de empregos gerados pelas MPE em Abril/2014

    105.384

    4.007 3.487

    MPE Adm. Pblica Total

    as pequenas empresas foi de 6,2%, e, para as micro, de 3,8% entre 2000 e 2008. Nesse mesmo perodo, as MPE foram responsveis por aproximada-mente metade dos postos de trabalho formais criados, ou seja, 4,5 milhes de empregos8.

    O setor internacional um exemplo de como a complexidade de procedi-mentos torna-se um obstculo participao de MPE. Mesmo assim, o ritmo de crescimento das MPE exportadoras significativo. Foram 11.525 MPE ex-portadoras brasileiras em 2011, responsveis por exportaes no valor de US$ 2,2 bilhes, com valor mdio exportado por empresa de US$ 192,8 mil. Durante o perodo 1998-2011, as exportaes das MPE cresceram a uma taxa mdia anual de 5,6%, com um ritmo mais elevado entre as pequenas empre-sas. Um total de 3.022 MPE realizaram exportaes de US$ 65,6 milhes por meio do Despacho Simplificado de Exportao (DSE)9 em 2011, com um valor mdio de US$ 21,0 mil por empresa. O despacho simplificado foi utilizado por cerca de das MPE exportadoras10. Com o processo de ampliao dos portos e estmulo por parte dos estados e municpios, esse ritmo de crescimento pode ser ainda maior.

    8 SAE. Vozes da Nova Classe Mdia. Caderno 3. Braslia, 2013.9 As empresas brasileiras que efetuam exportaes de baixo valor passaram a contar, des-de 1999, com o DSE, mecanismo de despacho aduaneiro de exportao de lotes de baixo valor e de pequenas dimenses, feito de forma bem mais rpida e desburocratizada do que o despacho aduaneiro comum. Desde 2008, o limite de operao para a utilizao do DSE de US$ 50 mil.

    10 Relatrio Brasil. As micro e pequenas empresas na exportao brasileira. Brasil: 1998-2011. Rafael Moreira, Heitor Gama, Marcio Scherma, Marco Bede, Paulo Fonseca, Almiro Moura. Braslia: SEBRAE, 2012.

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    21

    Para estimular o crescimento contnuo do setor e, consequentemente, o de-senvolvimento econmico, so empreendidos esforos conjuntos nos trs nveis de governo para a reformulao dos instrumentos de apoio ao seg-mento e a implementao de novas polticas pblicas. As aes so pautadas principalmente na desconstituio de antigos entraves ligados a tributao, burocracia e informalidade.

    As micro e pequenas empresas ocupam uma posio nuclear no desenvolvimento brasileiro e precisam do apoio legislativo

    dos estados e municpios para se consolidarem.

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    23

    Lei Complementar n 123: avanos e o que ainda precisa ser feito no nvel estadual e municipalUm dos principais resultados almejados pelo regime jurdico do Estatuto Na-cional das MPE o crescimento da economia formal. Para tanto, a implemen-tao dos instrumentos previstos na legislao essencial para a formaliza-o das atividades exercidas de modo informal. Nasce assim, uma srie de medidas que permitem e incentivam a formalizao de empresas.

    4.1. Simples NacionalA institucionalizao do Regime Especial Unificado de Arrecadao de Tribu-tos e Contribuies devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, conhecido como Simples Nacional, um dos principais instrumentos criados pelo Estatuto das MPE.

    No mbito do Simples Nacional, a regra geral utilizar a receita bruta total acumulada nos 12 (doze) meses anteriores ao do perodo de apurao, iden-tificando nos anexos da Lei Complementar n 123, de 2006, qual a alquota aplicvel segundo a faixa de receita. Ou seja, h enquadramento na tabela de faixas de alquotas do Simples Nacional, descrita na prpria legislao, e tal enquadramento feito com base na receita bruta auferida no ano-calendrio.

    Em 2014, com a reviso da Lei Complementar n 123, houve a universalizao do Simples, com a incluso de mais de 450 mil de empresas no sistema, en-volvendo 142 atividades, inclusive de natureza intelectual, tcnica e cientfica, entre outras.

    O regime especial implica o recolhimento mensal, mediante documento nico de arrecadao, de impostos e contribuies especficas no nvel federal, esta-dual e municipal, conforme se verifica a seguir:

    Tributos da Competncia Federal

    Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurdica IRPJ; Imposto sobre Produtos Industrializados IPI; Contribuio Social sobre o Lucro Lquido CSLL; Contribuio para o Financiamento da Seguridade Social COFINS;

    4

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    24

    Contribuio para o PIS; Contribuio para a Seguridade Social - INSS, a cargo da pessoa jurdica

    (dependendo da atividade exercida, algumas empresas devem recolher a contribuio em separado).

    Tributo da Competncia Estadual

    Imposto sobre Operaes Relativas Circulao de Mercadorias e Sobre Prestaes de Servios de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicao ICMS

    Tributo da Competncia Municipal

    Imposto sobre Servios de Qualquer Natureza - ISS. A desonerao da carga tributria, acompanhada da facilitao dos proce-dimentos para recolhimento de impostos e contribuies sociais, uma das principais aes do Estado para minimizar a desigualdade de condies exis-tente entre as MPE e as grandes e mdias empresas.

    O Simples Nacional procura criar uma condio mais favorvel

    e simplificada s Micro e Pequenas Empresas.

    4.2.A Rede Nacional para a Simplificao do Registro e da Legali-zao de Empresas e Negcios Redesim

    Outro avano importante decorrente da LC n 123 foi a ampliao do alcance da Rede Nacional para a Simplificao do Registro e da Legalizao de Empre-sas e Negcios Redesim, criada e regulamentada pela Lei Federal n 11.598, de 3 de dezembro de 2007. A Redesim passou a abranger todos os procedi-mentos ligados ao registro e legalizao de empresas e negcios dando poder normativo nacional ao CGSIM. A Redesim torna-se ainda mais vinculante aos entes federativos com as alteraes trazida pela aprovao da Lei Comple-mentar n 147 de 7 de agosto de 2014.

    A Redesim uma poltica pblica que estabelece diretrizes e procedimentos para simplificar e integrar o procedimento de registro e legalizao de todos os tipos de empresrios e pessoas jurdicas. A sua implantao pressupe a utilizao de sistemas informatizados que permitiro a integrao de todos os processos dos rgos e entidades responsveis pelo registro, inscrio, al-

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    25

    terao e baixa, por meio de uma entrada nica de dados e de documentos, acessada via Internet.

    Os sistemas integraro os seguintes procedimentos:

    Pesquisa Prvia, com pesquisa e reserva de nome empresarial e resultado de viabilidade de exerccio da atividade desejada no local escolhido, com regras mantidas pelos municpios, tanto para os pro-cedimentos de abertura de novas empresas quanto para os de alte-rao de empresas existentes.

    Registro e Inscries Tributrias, no nvel federal, estadual e muni-cipal, com validao cadastral em cada um dos rgos e gerao de documentos de registro, aps validao dos dados.

    Licenciamento das Atividades, com informaes prvias sobre os requisitos de licenciamento, conforme o grau de risco, mantidas pe-los rgos competentes.

    Alterao e Baixa, com pesquisa prvia quando necessrio e repercus-so de alteraes da matriz para as filiais processadas automaticamente.

    No Portal que suportar os sistemas, os usurios tambm podero obter in-formaes e orientaes como, por exemplo, o acesso aos dados de registro ou inscrio, alterao e baixa de empresas e esclarecimento de dvidas em relao possibilidade do registro ou inscrio do negcio pesquisado, alm da documentao exigida em cada localidade.

    A Redesim administrada por um Comit Gestor (CGSIM)11, cujos membros so representantes de rgos e entidades do mbito federal, estadual e municipal, sendo presidido pela Secretaria da Micro e Pequena Empresa da Presidncia da Repblica. O Comit estabelece as regras para o processo de registro e legalizao de empresrios e pessoas jurdicas de qualquer porte, atividade econmica ou composio societria (art. 2, 7 da LC n123).

    A primeira etapa de implantao da Redesim foi a implementao do pro-cesso de registro, alterao e baixa do microempreendedor individual (MEI), por meio do Portal do Empreendedor (www.portaldoempreendedor.gov.br). Nesse sentido, o artigo 1 da Resoluo CGSIM n16/2009 determina a obser-vncia obrigatria de suas regras por todos os rgos e entidades federais, estaduais e municipais responsveis pelo registro, inscries tributrias, al-vars e licenas de funcionamento. Assim, prevalecem as normas do Comit para Gesto da Redesim sobre os rgos pblicos e entidades envolvidos.

    Com as alteraes trazidas pela Lei Complementar n 147/2014, o CGSIM pas-sa a determinar nacionalmente as atividades de baixo e alto risco para efeito

    11 Institudo pelo pargrafo 7 do artigo 2 da LC n.123. A composio, estrutura e atuao do CGSIM foram regulamentadas pelo Decreto Federal 6.884, de 25 de junho de 2009.

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    26

    de necessidade de vistoria prvia nos seus vrios mbitos (meio ambiente, segurana contra incndios e pnico e vigilncia sanitria), ), em caso de omis-so de Estados e municpios. Por Lei, os Estados e municpios podem fixar os padres a serem observados, adaptando-os para as realidades locais. Se no o fizerem, valem os nveis de risco definidos nacionalmente.

    O cumprimento das diretrizes de racionalizao da REDESIM, constantes do Captulo III, artigos 4 a 11, da LC n 123, fator essencial para universalizar procedimentos de simplificao da abertura e baixa.

    Aps implantada em sua plenitude a Redesim permitir o funcionamento imediato das empresas que atuem em atividades consideradas de baixo ris-co. Estima-se que essas empresas correspondam a mais de 90% do total de negcios em funcionamento no Brasil.

    O CGSIM, por meio de suas resolues definiu, as regras a serem seguidas quanto s pesquisas prvias e a regulamentao da classificao de risco da atividade econmica para o efeito de licenciamento de atividades12, bem como as diretrizes para integrao do processo de licenciamento pelos Cor-pos de Bombeiros13.

    Diversos estados constituram subcomits do CGSIM com base na Resoluo CGSIM n 22, de 17 de dezembro de 2009, e vrias Juntas Comerciais desen-volvem papel fundamental nesse processo, que implica na reviso prvia dos processos para a necessria simplificao e racionalizao, notadamente por meio da classificao de risco das atividades econmicas, para o efeito de integrao oportuna aos sistemas da Redesim.

    H diversas iniciativas de integrao parcial entre rgos e entidades em v-rios estados e municpios, mas importante que exista avano gradual e evo-lutivo para, de fato, ser possvel implantar o processo unificado de abertura, alterao e baixa de empresas de todo e qualquer porte, tal como foi possvel efetivar com o MEI.

    O Departamento de Registro Empresarial e Integrao da SMPE desenvolve, atualmente, em conjunto com outras instituies, a implantao gradual das etapas do processo nico, por meio de mdulos informatizados, em parceria com Juntas Comerciais em diversos estados. Essa iniciativa representa etapa prvia essencial, pois:

    Melhora a especificao tcnica do desenvolvimento e integrao dos sistemas da Redesim.

    Prepara as equipes para a execuo dos novos processos de trabalho que resultaro dos sistemas da Redesim.

    12 Resoluo CGSIM n 22, de 22 de junho de 2010. 13 Resoluo CGSIM n 29, de 29 de novembro de 2012.

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    27

    Antecipa o prazo de implantao dos sistemas da Redesim aps o seu desenvolvimento, a partir dos rgos, entidades e Municpios j participantes do projeto do DREI.

    Todo estado deve, todavia, internalizar as normas e diretrizes da Redesim para garantir efetividade aos objetivos de desburocratizar todo o sistema referente prestao de informaes e registro e legalizao de empresas. Trata-se de investimento reduzido, face aos benefcios que a simplificao e agilizao de procedimentos podem trazer ao desenvolvimento local.

    Com a alterao na Lei Complementar n 123, criou-se o Identificador Cadastral nico. Os estados e municpios mantero suas bases de dados, sendo o CNPJ

    o nico nmero que identifica a empresa, que substituir os nmeros de inscrio estadual e municipal.

    4.2.1. Emisso do Licenciamento: preciso simplificar

    Licenciamento o conjunto de atos e procedimentos administrativos por meio dos quais a Administrao Pblica permite empresa ou empreendedor, que houver demonstrado preencher os requisitos previstos na legislao, o exerccio de determinada atividade, o qual vedado antes do licenciamento. Em outras palavras, sem o licenciamento a empresa no poder iniciar suas atividades.

    O licenciamento iniciado com a respectiva solicitao feita por representante da empresa, com a pretenso de obter a licena. A emisso da licena , portanto, o ato administrativo que finaliza o conjunto de atos e procedimentos, cuja fina-lidade a formalizao da permisso da Administrao Pblica para o exerccio de determinada atividade pela empresa ou empreendedor, ou para o modo de exerccio dessa atividade. A emisso da licena significa que a empresa ou em-preendedor teve sua solicitao recebida, analisada e verificada, qualquer que seja a forma, e que a Administrao Pblica reconhece o cumprimento dos requi-sitos previstos na legislao ou indica as restries que devero ser observadas para o exerccio das atividades.

    A licena , portanto, um documento da Administrao Pblica expedido para permitir o incio do exerccio das atividades. Esse documento pode ter vrias de-nominaes. A prpria LC n 123 se refere a ela de diversos modos. O inciso II do pargrafo nico do artigo 5 fala em licenas de autorizao de funcionamento. O pargrafo 1 do artigo 6 em emisso de licenas e autorizaes de funciona-mento. O artigo 9 da Resoluo CGSIM n 16/2009 grafa emisso do Alvar de Licena e Funcionamento.

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    28

    s diversas denominaes utilizadas, acrescente-se que h vrios rgos e en-tidades pblicas, estaduais e municipais, competentes para o licenciamento de atividades de empresas. A cada um desses rgos e entidades pblicas compete um tipo de licena. Cada tipo de licena, por sua vez, relativo aos diversos tipos de requisitos: segurana sanitria, controle ambiental, preveno contra incn-dios e requisitos peculiares a cada municpio (posturas municipais).

    Nesse sentido, cada tipo de licena recebe nomes diferentes. A denominao mais comum alvar. Um exemplo o alvar de funcionamento do estabele-cimento expedido pelas prefeituras. Em diversos estados existe tambm o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), a Licena de Funcionamento (Meio Ambiente) e o Alvar da Vigilncia Sanitria.

    Por esse motivo o pargrafo 7 do artigo 2 da Lei Complementar n 123, ao definir as competncias normativas do Comit Gestor para a Redesim, o faz abrangendo todas as denominaes possveis, tais como alvars, licenas, per-misso e demais itens relativos abertura, legalizao e funcionamento de empresrios e de pessoas jurdicas de qualquer porte, atividade econmica ou composio societria.

    Em uma comparao global, o Brasil um dos pases que mais tempo demora para licenciar o incio das atividades das novas empresas. O principal problema que quase todas as atividades exigem a vistoria prvia dos rgos pblicos e no h estrutura para fazer estas vistorias em tempo hbil. Por seguirem uma ordem cronolgica e no por nvel de risco, todo o licenciamento fica comprometido.

    Cabe ressaltar que, conforme a LC n 123, para fins de registro e legalizao de empresrios e pessoas jurdicas, os requisitos de segurana sanitria, controle ambiental e preveno contra incndios devero ser simplificados, racionaliza-dos e uniformizados pelos rgos e entidades, no mbito das respectivas compe-tncias. Enquanto no o fizerem, vale a regra nacional, estabelecida pelo CGSIM.

    As vistorias necessrias emisso de licenas e de autorizaes de funcionamen-to devero ser realizadas aps o incio de operao do estabelecimento quando a atividade, por sua natureza, comportar grau de risco compatvel com o proce-dimento simplificado.

    Uma forma de aprimorar o processo de abertura de empresas e simplificar o trmite de regularizao estabelecer que atividades que gerem baixo risco po-tencial de ocorrncia de danos integridade fsica e sade humana, ao meio ambiente ou ao patrimnio devem ser autorizadas a partir do fornecimento das informaes e termo de responsabilidade do empreendedor. Assim, toda ativi-dade de baixo risco deve ser dispensada da vistoria prvia como condio para a emisso da licena. Isso o que j ocorre em relao ao MEI e est contemplado em diversos estados e municpios.

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    29

    O procedimento simplificado visa otimizar a atuao dos rgos responsveis pela fiscalizao. Consequentemente, a anlise e vistorias prvias sero realiza-das em atividades empresariais que realmente ofeream riscos populao. O objetivo racionalizar o trabalho dos fiscais municipais, sanitrios, ambientais e bombeiros. A fiscalizao dos estabelecimentos permanece atuante a qualquer tempo e, caso sejam detectadas situaes prticas em desacordo com as nor-mas de funcionamento, sanes podem ser aplicadas. Ainda assim, como parte do tratamento diferenciado garantido a microempresas e empresas de pequeno porte pela nossa Constituio, multas apenas podem ser aplicadas aps uma pri-meira visita orientadora. As alteraes ocorridas na Lei Geral em 2014 determi-nam que a dupla visita orientadora obrigatria inclusive para questes de uso e ocupao do solo.

    Os municpios e Estados devem ter tratamento diferenciado para multas aplica-das ao MEI, ME e EPP, com redues previstas na Lei Complementar n 147, de 2014, sendo 90% para MEI e 50% para ME e EPPs.

    A atividade de fiscalizao preservada, podendo ser feita pelos agentes pblicos a qualquer tempo, mas deve-se cumprir com a dupla visita orientadora.

    Na Resoluo n 22, de 22 de junho de 2010, o CGSIM dispe sobre regras a serem seguidas quanto s pesquisas prvias e regulamentao da classifica-o de risco da atividade para a concesso do Alvar de Funcionamento Provi-srio ou Definitivo de empresrios e de sociedades empresrias de qualquer porte, atividade econmica ou composio societria.

    A classificao de risco determinada pela autoridade reguladora, que ir determinar quais so as atividades consideradas de baixo e alto risco. Essa classificao pode ser feita com base nos cdigos CNAE ou no preenchimento de declaraes baseadas em questes fechadas de respostas negativas ou afirmativas, a serem disponibilizadas pela autoridade. Caso a atividade seja de baixo risco, no necessria vistoria prvia.

    Apenas nas atividades com risco populao, que concentram pblico, lidam com determinados produtos nocivos, por exemplo, a vistoria prvia continua sendo obrigatria.

    Cita-se como exemplo a obteno do certificado eletrnico de licenciamento junto aos Corpos de Bombeiros Militares, no qual o interessado deve apre-sentar informaes e declaraes que certifiquem o cumprimento das exi-gncias de segurana contra incndio e pnico no empreendimento objeto

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    30

    do licenciamento. Os certificados eletrnicos de licenciamento tm eficcia imediata para fins de abertura do empreendimento e servem como compro-vao perante os demais rgos pblicos.

    4.3. Licitaes Pblicas: um passo importante para o desenvolvimentoUma das medidas de maior impacto dentro do arcabouo legal das MPE refe-re-se ao tratamento favorecido nas contrataes com o poder pblico, seja na esfera municipal, estadual ou federal. A LC n 123, em seu Captulo V (artigos 42 a 49), regulamentado no mbito federal atravs do Decreto n 6.204, de 05 de setembro de 2007, dispe sobre o tratamento diferenciado e favorecido para as micro e pequenas empresas nas licitaes pblicas.

    At o advento da LC n 123, no havia mecanismos legais para o favorecimen-to das MPE nos editais de licitao14. Com a possibilidade gerada pela referida legislao, as MPE passaram a representar, aproximadamente, 30% das com-pras governamentais do Governo Federal, alcanando um valor de R$ 20,5 bilhes do total de R$ 68,4 bilhes contratados em 2013, segundo a Secretaria de Logstica e Tecnologia da Informao do Ministrio do Planejamento, Ora-mento e Gesto (SLTI/MP). Trata-se de volume importante de recursos para o dinamismo da economia e o desenvolvimento e gerao de emprego e renda.

    Para que os estados e municpios possam aplicar adequadamente o trata-mento diferenciado s MPE em seus processos de compra necessria a edi-o de legislao local, que pode ser similar lei federal ou, ainda, avanar, priorizando ainda mais o tratamento a empresas desse porte.

    H vrias solues legislativas interessantes, que variam desde a exclusivida-de das compras de MPE e determinao de valores e condies especficos at critrios de desempate e limites para subcontratao.

    Ressalta-se que a Lei Complementar n 147/2014 obriga que os rgos e en-tidades contratantes de todos os nveis federativos estabeleam processo licitatrio exclusivo para microempresas e empresas de pequeno porte em contrataes cujo valor no exceda R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), para cada item de contratao. Em outras palavras, se uma licitao tiver itens isolados cujo valor inferior, independentemente do valor global da licitao, neces-srio dividir os lotes para adquirir de micro e pequenas empresas.

    14 Embora a Lei n 9.841, de 5 de outubro de 1999, que instituiu o primeiro Estatuto da Micro Empresa e Empresa de Pequeno Porte em mbito federal trouxesse em seu art. 24 determinao de que a poltica de compras governamentais dar prioridade microempresa e empresa de pequeno porte, individualmente ou de forma associada, com processo especial e simplificado nos termos da regulamentao (...), a referida regulamentao s ocorreu aps a aprovao da Lei Complementar n 123/2006.

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    31

    Outra possibilidade de tratamento diferenciado em compras pblicas o di-reito de preferncia das MPE em caso de empate. Conforme disposto no art. 44 da LC n 123, em caso de empate entre propostas apresentadas perante o poder pblico conferido direito de preferncia s MPE quando as propostas apresentadas sejam iguais ou at 10% superiores melhor proposta mais bem classificada. Na modalidade prego, o percentual referente ao empate de 5%.

    Na esfera federal tem-se empreendido esforos com o objetivo de viabilizar o incremento das compras pblicas como forma de incentivar o desenvolvi-mento das MPE. Em licitaes para fornecimento de servios e obras existe a possibilidade de, nos instrumentos convocatrios, se exigir a subcontratao de microempresas ou empresas de pequeno porte.

    Outro importante tratamento diferenciado a exigncia de documentos de re-gularidade fiscal apenas por ocasio da assinatura do contrato. Portanto, pos-svel que as MPE sem regularidade fiscal participem de licitaes e desfrutem de prazo especial para efetuar a regularizao, aps a declarao do vencedor do certame.

    Dentre os principais avanos, em relao Lei Federal, j adotados por diferen-tes entes, destacam-se:

    Determinao que o limite de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) apli-cado no ao valor total da licitao, mas a cada item de contratao;

    Estabelecimento de obrigatoriedade de subcontratao de micro e pequenas empresas nos processos licitatrios destinados aquisio de bens, obras e servios.

    Aumento do prazo para a comprovao da regularidade previdenci-ria, por ocasio da vitria no certame.

    Divulgao de Plano Anual de Compras e Contrataes Pblicas, con-templando estimativa de consumo e cronograma de fornecimento dos bens a serem adquiridos e prevendo o tratamento diferenciado para microempresas e empresas de pequeno porte.

    Previso da necessidade do desenvolvimento local e regional, de modo que a construo dos itens ou lotes da licitao seja, preferen-cialmente, estabelecida em funo dos locais em que os bens, servi-os e obras devero ser entregues ou executados.

    Possibilidade de oferta em quantidades menores do que a quanti-dade total a ser licitada, possibilitando a contratao de mais de um fornecedor quando o primeiro colocado no puder ofertar a quanti-dade total.

    Estabelecimento de prioridade de contratao para as microempre-sas e empresas de pequeno porte sediadas local ou regionalmente.

    Disponibilizao de instrues e informaes completas e didticas

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    32

    na rede mundial de computadores sobre o cadastro e procedimento necessrio para participao nas licitaes.

    Tratamento favorecido s MPE em todas as formas de contrataes pblicas, Regime Diferenciado de Contrataes Pblicas RDC, Parce-ria Pblico-Privada (PPP), transferncias unilaterais, dispensa e inexi-gibilidade de licitao.

    Ampla divulgao dos editais no mbito local ou regional, inclusive junto s entidades de apoio e representao das microempresas e empresas de pequeno porte para divulgao em seus veculos de co-municao.

    Priorizao na liquidao de empenhos de MPE vencedoras de proce-dimento licitatrio, atendendo aos critrios de tratamento favorecido e simplificado.

    Fracionamento de licitaes para fornecimento de alimentos para me-renda escolar e cesta bsica de forma a facilitar a participao de MPE.

    Estabelecimento de Comit Gestor das Micro e Pequenas Empresas, ob-jetivando o gerenciamento do tratamento diferenciado e favorecido MPE.

    Decretos estaduais tambm regulam o tema de compras pblicas no mbito do executivo, mas preciso ter uma lei estadual para autorizar os poderes legislativo

    e judicirio a participar do apoio s Micro e Pequenas Empresas.

    No mbito municipal, para as Cmaras de vereadores concederem tratamento

    diferenciado para Micro e Pequenas Empresas em suas licitaes preciso uma lei estadual.

    4.4. Consolidao anual de toda legislao

    A previsibilidade, transparncia e conhecimento da legislao so essenciais para que as empresas possam cumprir a lei. Assim, de modo a ampliar e fa-cilitar o acesso dos empresrios s normas incidentes sobre o segmento, a Lei Complementar n 147, de 2014, previu que, anualmente, at o ms de novembro, os rgos da Administrao Pblica estadual e municipal devero consolidar a legislao para microempresas e empresas de pequeno porte.

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    33

    EXPOSIO DE MOTIVOS

    Exmo. Sr. Presidente da Cmara de Vereadores do Municpio,

    com grande satisfao que submeto elevada apreciao dos mem-bros desta Casa Legislativa o presente Projeto de Lei, a fim de implementar o tratamento diferenciado para as Micro e Pequenas Empresas a que se refere o art. 179 da Constituio brasileira de 1988, no que toca aos temas da com-petncia municipal.

    essencial aprovar o Projeto porque este necessrio para tornar efetivas no mbito municipal as normas favorveis s Micro e Pequenas Em-presas, inclusive sobre compras pblicas, tratamento diferenciado para os Mi-croempreendedores Individuais, e simplificao dos trmites administrativos para abertura e baixa de empresas.

    preocupao central do Projeto promover o crescimento e o fortale-cimento das microempresas e empresas de pequeno porte, buscando a dimi-nuio da taxa de mortalidade dos negcios e a reduo da informalidade, o que traz benefcios para o processo produtivo, para a economia e para toda a sociedade, no apenas em nvel local.

    So essas as razes que me levam a encaminhar o anexo Projeto de Lei alta considerao da Cmara de Vereadores.

    [assinatura do prefeito]

    ANEXO I - Modelo de projeto de lei municipal sobre tratamento diferenciado, simplificado e favorecido ao microempreendedor individual, s microempresas e s empresas de pequeno porte

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    34

    PROJETO DE LEI MUNICIPAL

    Disciplina no mbito de competncia muni-cipal o tratamento diferenciado, simplifica-do e favorecido, assegurado ao Microem-preendedor Individual, s Microempresas e s Empresas de Pequeno Porte, conforme os arts. 146, inciso III, alnea d, 170 e 179, todos da Constituio de 1988, regulamen-tados pela Lei Complementar n 123, de 14 de dezembro de 2006.

    A Cmara de Vereadores decreta:

    CAPTULO I

    Disposio Preliminar

    Art. 1 Esta Lei disciplina, no mbito de competncia municipal, o tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, assegurado ao Microem-preendedor Individual, s Microempresas e s Empresas de Pequeno Porte, conforme os arts. 146, inciso III, alnea d, 170 e 179, todos da Constituio de 1988, regulamentados pela Lei Complementar n 123, de 14 de dezembro de 2006, e alteraes posteriores.

    1o Para os fins desta Lei, considera-se Microempreendedor Indivi-dual MEI, Microempresa ME e Empresa de Pequeno Porte EPP aqueles assim definidos pela Lei Complementar n 123, de 2006.

    2o O MEI modalidade de microempresa.

    3o Ressalvado o disposto na LC 123/2006, Captulo IV, toda nova obri-gao que atinja as microempresas e empresas de pequeno porte, no mbito do municpio, dever apresentar, no instrumento que a instituiu, especificao do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido para cumprimento.

    CAPTULO II

    Da Inscrio, Alterao e da Baixa

    Art. 2 Os rgos e entidades da Administrao Pblica Municipal en-volvidos na abertura, alterao e baixa observaro a unicidade do processo

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    35

    de registro e de legalizao de empresrios, empresas e sociedades, devendo:

    I articular as competncias prprias com aquelas dos demais rgos e entidades da Unio e dos Estados;

    II compatibilizar e integrar procedimentos, em conjunto, de modo a evitar a duplicidade de exigncias e garantir a linearidade do processo, da perspectiva do usurio;

    III assegurar a entrada nica de dados cadastrais e de documentos e o respectivo processamento, preferencialmente pela Internet;

    IV observar as diretrizes e adotar os procedimentos, processos e ins-trumentos previstos na Lei Complementar n 123, de 2006, na Lei n 11.598, de 2007 e nos atos normativos do Comit para Gesto da Rede Nacional para a Simplificao do Registro e da Legalizao de Empresas e Negcios (CGSIM).

    1 O registro, alterao e baixa do MEI de que trata o art. 18-A da Lei Complementar n 123, de 2006 obedecer ao trmite especial disciplinado pelo Comit para Gesto da Rede Nacional para a Simplificao do Registro e da Legalizao de Empresas e Negcios.

    2 Ficam reduzidos a 0 (zero) os valores referentes a taxas, emo-lumentos e demais custos relativos pesquisa prvia, abertura, alterao, inscrio, ao registro, ao alvar, licena, ao cadastro, correspondentes re-novaes ou atualizaes e aos demais atos relativos ao MEI, ao agricultor familiar, definido pela Lei n 11.326, de 24 de julho de 2006, e o arteso.

    Art. 3 Os rgos e entidades da Administrao Pblica Municipal en-volvidos na abertura, alterao e baixa de empresrios, empresas e socieda-des, no mbito de suas atribuies, mantero disposio dos usurios, de forma presencial e pela Internet, informaes, orientaes e instrumentos, de forma integrada e consolidada, que permitam pesquisas prvias s etapas de registro ou inscrio, alterao e baixa, de modo a prover ao usurio certeza quanto documentao exigvel e quanto viabilidade do ato pretendido.

    1 As pesquisas prvias referidas no caput devero bastar para que o usurio seja informado:

    I da descrio oficial do endereo de seu interesse e da possibilidade de exerccio da atividade desejada no local escolhido;

    II de todos os requisitos a serem cumpridos para obteno da aber-tura, alterao, inscrio, registro, alvar, licena, cadastro e demais exign-cias de formalizao, correspondentes renovaes ou atualizaes, segundo a atividade pretendida, o porte, o grau de risco e a localizao.

    Art. 4 Os requisitos, procedimentos, processos e instrumentos dos r-gos e entidades da Administrao Pblica Municipal envolvidos na abertura,

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    36

    alterao e baixa de empresrios, empresas e sociedades sero simplifica-dos, racionalizados e uniformizados, no mbito de suas competncias, assim como devero incorporar, gradualmente, automao intensiva, alta interati-vidade e integrao aos demais rgos e entidades da Unio e dos Estados.

    1 Administrao Pblica Municipal indicar todas as exigncias ne-cessrias para os atos administrativos, preferencialmente pela Internet, de modo a evitar sucessivas diligncias.

    2 O exame das solicitaes ser realizado de forma unificada, abor-dando a regularidade de todos os elementos do pedido.

    3 Os rgos e entidades da Administrao Pblica Municipal que sejam responsveis pela emisso de licenas e autorizaes de funcionamen-to somente realizaro vistorias aps o incio de operao do estabelecimento, exceto quando a atividade, por sua natureza, comportar grau de risco incom-patvel com esse procedimento;

    4o Na ausncia de classificao do risco, de que trata o Art 6 3 da LC 123/2006, aplica-se a classificao de risco prevista pelo CGSIM.

    Art. 5 As solicitaes de licenas e autorizaes de funcionamento para as atividades classificadas como de baixo risco sero apresentadas e processadas exclusividade por meio de stio na rede mundial dos computa-dores, mediante o simples fornecimento de dados e a substituio da com-provao prvia de exigncias por declaraes do titular ou responsvel, sem a necessidade de atendimento presencial e apresentao de documentos.

    Artigo 6 Para fins de licenas e autorizaes de funcionamento das atividades classificadas como de baixo risco, s podero ser exigidas do re-querente a prestao de informaes e declaraes relacionadas diretamen-te ao exerccio da sua atividade econmica, sendo vedado, especialmente e sem prejuzo de outras, a comprovao de:

    I titularidade ou posse do imvel no qual se exercer a atividade;

    II regularidade da edificao;

    III inexistncia de dbito com as fazendas municipal, estadual ou federal;

    IV licenas ou autorizaes de competncia de rgos estaduais ou federais, exceto quando forem expedidas em conjunto;

    Art. 7 Observadas as legislaes municipais urbanstica e ambiental, ser concedida licena ou autorizao de funcionamento para as microem-presas e empresas de pequeno porte:

    I instaladas em rea ou edificao desprovidas de regulao fundiria e imo-biliria, inclusive habite-se; ou;

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    37

    II em residncia do titular ou scio da microempresa ou empresa de peque-no porte, na hiptese em que a atividade:

    a) no gere grande circulao de pessoas;

    b) tenha a concordncia dos vizinhos lindeiros que sejam domiciliados nos imveis;

    c) tenha anuncia do condomnio, no caso de edifcio destinado habitao coletiva.

    Pargrafo nico. As atividades no residenciais desempenhadas por MEI so dispensadas da obrigatoriedade de obteno da licena de funciona-mento, observado o disposto em regulamento.

    Art. 8 No ser exigida licena ou autorizao de funcionamento das mi-croempresas e empresas de pequeno porte sediadas em residncia do titular ou scio, na hiptese de exerccio exclusivo da atividade fora da sede, em domiclio.

    Art. 9 A Administrao Pblica Municipal dever concluir as medidas necessrias para a utilizao dos sistemas de integrao do processo de re-gistro e legalizao de empresrios e pessoas jurdicas, a que se refere a Lei Nacional n 11.598, de 2007, em at de 90 (noventa) dias, contados da publi-cao desta Lei.

    Art. 10. No podero ser exigidos pelos rgos e entidades da Ad-ministrao Pblica Municipal envolvidos na abertura, alterao e baixa de empresrios, empresas e sociedades:

    I quaisquer documentos adicionais aos requeridos pelos rgos executores do Registro Pblico de Empresas Mercantis e Atividades Afins e do Registro Civil de Pessoas Jurdicas;

    II documento de propriedade ou contrato de locao do imvel onde ser instalada a sede, filial ou outro estabelecimento, salvo para comprovao do endereo indicado;

    III comprovao de regularidade de prepostos dos empresrios ou pessoas jurdicas com seus rgos de classe, sob qualquer forma, como requisito para deferimento de ato de abertura, alterao ou baixa.

    Pargrafo nico. vedado a todos os rgos e entidades da Adminis-trao Pblica Municipal exigir informaes e documentos que estejam em suas bases de dados ou disponveis na Internet.

    Art. 11. O cadastro e os registros administrativos municipais passam a utilizar a Classificao Nacional de Atividades Econmicas CNAE, de que trata a Resoluo IBGE/CONCLA n 1, de 25 de junho de 1998, e atualizaes posteriores.

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    38

    CAPTULO III

    Dos tributos

    Art. 12. A arrecadao de todos os tributos e preos pblicos existen-tes ou que venham a ser criados, ser realizado por meio de documento nico de arrecadao, de emisso eletrnica, passvel de pagamento pelos meios prprios do sistema bancrio, sem prejuzo da instituio de Nota Fiscal Ele-trnica de ISSQN e Guia de Recolhimento do ISSQN.

    1 A Administrao Pblica Municipal instituir o documento nico de arrecadao, de que trata o caput, no prazo de 180 dias, contados da pu-blicao desta Lei.

    2 Os rgos e entidades da Administrao Pblica Municipal dispo-nibilizaro requerimento eletrnico e emisso eletrnica de certides negati-vas de dbito, no prazo de um ano, contado da publicao desta Lei.

    Art. 13. No incidir nenhuma taxa de expediente no requerimento e expedio de:

    I - inscrio, alterao e encerramento de empresas;

    II - autorizao de impresso de nota fiscal e autorizao de emisso de nota fiscal eletrnica;

    III - certido de dbitos;

    IV - quaisquer certides, formulrios e documentos que estejam disponveis na Internet.

    CAPTULO IV

    Da fiscalizao orientadora

    Art. 14. A fiscalizao municipal nos aspectos de uso e ocupao do solo, obrigaes tributrias acessrias, sanitrio, ambiental e de segurana relativos s ME e EPP dever ter natureza prioritariamente orientadora.

    1 O auto de infrao apenas poder ser lavrado em segunda visita, aps a orientao do empresrio, exceto quando o ato importe em ao ou omisso dolosa, resistncia ou embarao a fiscalizao ou reincidncia.

    2 A orientao a que se refere este artigo dar-se- por meio de Ter-mo de Ajuste de Conduta, na forma do regulamento.

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    39

    CAPTULO V

    Das Compras Pblicas

    Art. 15. Todos os rgos e entidades da Administrao Pblica Munici-pal, direta e indireta, inclusive fundos especiais, autarquias, fundaes pblicas, empresas pblicas, as sociedades de economia mista e as demais entidades controladas direta ou indiretamente pelo Municpio, devero conceder trata-mento diferenciado em compras pblicas para ME e EPP, na forma desta Lei.

    1 Os rgos e entidades de que trata o caput devero elaborar e divulgar planos anuais de compras e contrataes pblicas.

    2 Os planos anuais de compras e contrataes pblicas devero conter, no mnimo, especificao bsica, estimativa de consumo e cronogra-ma de fornecimento dos bens a serem adquiridos em cada ano, prevendo o tratamento diferenciado para ME e EPP, na forma desta Lei.

    3 A divulgao do plano anual de compras e contrataes pblicas dever ocorrer at o dia 1 de maro de cada ano, prevendo as compras e contrataes at fevereiro do ano subsequente.

    Art. 16 Para a ampliao da participao das ME e EPP nas contra-taes pblicas, os rgos e entidades da Administrao Pblica Municipal adotaro regras com objetivo de:

    I - instituir cadastro, de acesso livre, ou adequar os eventuais ca-dastros existentes, para identificar as ME e EPP, classificadas por categorias conforme sua especializao, com as respectivas linhas de fornecimento, de modo a possibilitar a notificao das licitaes e facilitar a formao de parce-rias e subcontrataes;

    II - padronizar e divulgar as especificaes dos bens e servios contra-tados, de modo a orientar as ME e EPP; e

    III - evitar, na definio do objeto da contratao, a utilizao de espe-cificaes que restrinjam, injustificadamente, a participao das ME e EPP.

    Pargrafo nico. As atividades de que tratam os incisos do caput se-ro supervisionadas, controladas e mantidas pela Prefeitura Municipal com o auxlio dos rgos competentes para a disciplina e gesto dos cadastros de fornecedores de materiais e servios.

    Art. 17 As ME e EPP, por ocasio da participao em certames licita-trios, devero apresentar apenas o comprovante de inscrio e de situao cadastral de pessoa jurdica no Cadastro Nacional da Pessoa Jurdica CNPJ, vedada a sua excluso por motivos de dbitos tributrios em aberto, sem prejuzo do disposto no 3o do art. 195 da Constituio de 1988.

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    40

    Art. 18 A comprovao de regularidade previdenciria de ME e de EPP somente ser exigida para efeito de contratao, e no como condio para participao na licitao.

    1 Na fase de habilitao dever ser apresentada e conferida toda a documentao e, existindo alguma restrio, ser assegurado o prazo de 5 (cinco) dias teis, cujo termo inicial corresponder ao momento em que o proponente for declarado vencedor do certame, prorrogvel por igual pero-do, para a regularizao da documentao, pagamento ou parcelamento do dbito, e emisso de eventuais certides negativas ou positivas com efeito de certido negativa.

    2 A declarao do vencedor de que trata o 1o acontecer no momento imediatamente posterior fase de habilitao, no caso do prego, conforme estabelece o art. 4, inciso XV, da Lei Nacional n 10.520, de 17 de julho de 2002, e no caso das demais modalidades de licitao, no momento posterior ao julgamento das propostas, aguardando-se os prazos de regulari-zao previdenciria para a abertura da fase recursal, se for o caso.

    3 A prorrogao do prazo previsto no 1 dever sempre ser con-cedida pela Administrao Pblica Municipal quando requerida pelo licitante, a no ser que exista urgncia na contratao ou prazo insuficiente para o empenho, devidamente justificados.

    4 No havendo regularizao da documentao, no prazo previsto no 1 ocorrer a decadncia do direito contratao, sem prejuzo das san-es previstas na legislao vigente, facultado Administrao Pblica Muni-cipal convocar os licitantes remanescentes, na ordem de classificao, para assinatura do contrato, ou revogar, se for o caso, a licitao.

    5 A falta de regularidade fiscal ou trabalhista no ser impedimento para a participao em licitaes.

    Art. 19 Nas licitaes do tipo menor preo, ser assegurada, como critrio de desempate, a preferncia de contratao ME e EPP.

    1 Entende-se por empate aquelas situaes em que a oferta apre-sentada por ME ou EPP seja igual ou at 10% (dez por cento) superior pro-posta mais bem classificada.

    2 Na modalidade de prego, o percentual estabelecido no 1 ser de at 5% (cinco por cento) superior ao melhor preo.

    3 O disposto neste artigo somente se aplica quando a melhor ofer-ta vlida no tiver sido apresentada por ME ou EPP.

    4 A preferncia de que trata este artigo ser concedida da seguinte forma:

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    41

    I - ocorrendo o empate, a ME ou EPP melhor classificada ser convo-cada para, caso haja interesse, apresentar proposta de preo inferior quela considerada vencedora do certame, situao em que ser adjudicado em seu favor o objeto licitado;

    II - na hiptese de no contratao da ME ou EPP na forma do inciso I, sero convocadas as remanescentes que porventura se enquadrem em situa-o de empate, na ordem classificatria, para o exerccio do mesmo direito; e

    III - no caso de equivalncia dos valores apresentados por ME e EPP em situao de empate, ser realizado sorteio entre elas para que se identifi-que aquela que primeiro poder apresentar melhor oferta.

    5 No se aplica o sorteio a que se refere o inciso III do 4o quando, por sua natureza, o procedimento no admitir o empate real, como na fase de lances prpria ao prego em que os lances equivalentes no so conside-rados iguais, sendo classificados conforme a ordem de apresentao pelos licitantes.

    6 No caso do prego, aps o encerramento dos lances, a ME ou EPP melhor classificada ser convocada para apresentar nova proposta no prazo mximo de 5 (cinco) minutos, por item, em situao de empate, sob pena de precluso.

    7 Nas demais modalidades de licitao, o prazo para os licitantes apresentarem nova proposta dever ser estabelecido pelo rgo ou entidade contratante, conforme previsto no instrumento convocatrio.

    Art. 20 Os rgos e entidades abrangidos por esta Lei devero reali-zar processo licitatrio destinado exclusivamente participao de ME e EPP nos itens de contrataes com valores de at R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).

    Art. 21 Nas licitaes para fornecimento de bens, servios e obras, os rgos e entidades contratantes podero estabelecer, nos instrumentos convocatrios, a exigncia de subcontratao de ME ou EPP, sob pena de des-classificao, determinando que:

    I - o percentual de exigncia de subcontratao do objeto a ser licitado no exceder o limite de 30% (trinta por cento) do valor total da contratao;

    II - a ME ou a EPP a serem subcontratadas devero estar indicadas e qualificadas pelos licitantes com a descrio dos bens e servios a serem for-necidos e seus respectivos valores;

    III - no momento da contratao dever ser apresentada a documen-tao de regularidade previdenciria da ME e EPP subcontratadas, bem como ao longo da vigncia contratual, sob pena de resciso, aplicando-se o prazo para regularizao previsto no 1 do art. 18;

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    42

    IV - a empresa contratada compromete-se a substituir a subcontra-tada, no prazo mximo de 30 (trinta dias), na hiptese de extino da sub-contratao, mantendo o percentual originalmente subcontratado at a sua execuo total, notificando o rgo ou entidade contratante, sob pena de resciso, sem prejuzo das sanes cabveis, ou demonstrar a inviabilidade da substituio, em que ficar responsvel pela execuo da parcela original-mente subcontratada; e

    V - a empresa contratada responsabiliza-se pela padronizao, com-patibilidade, gerenciamento centralizado e qualidade da subcontratao.

    1 Dever constar ainda do instrumento convocatrio que a exign-cia de subcontratao no ser aplicvel quando o licitante for:

    I - ME ou EPP;

    II - consrcio composto em sua totalidade por ME e EPP, respeitado o disposto no art. 33 da Lei Nacional n 8.666, 21 de junho de 1993; e

    III - consrcio composto parcialmente por ME ou EPP com participa-o igual ou superior ao percentual exigido de subcontratao.

    2 O disposto nos incisos II e III do caput deste artigo dever ser comprovado no momento da aceitao, quando a modalidade de licitao for prego, ou no momento da habilitao nas demais modalidades.

    3 vedada a exigncia no instrumento convocatrio de subcon-tratao de itens ou parcelas determinadas ou de empresas especficas, bem como que a subcontratao recaia sobre parcela ou produto de maior rele-vncia tcnica ou valor significativo da contratao.

    4 As parcelas de maior relevncia tcnica e de valor significativo, mencionadas no 4, sero definidas no instrumento convocatrio.

    5 Os empenhos e pagamentos referentes s parcelas subcontrata-das sero destinados diretamente s ME e EPP subcontratadas.

    Art. 22 Nas licitaes para aquisio de bens, servios e obras de na-tureza divisvel, e desde que no haja prejuzo para o conjunto ou complexo do objeto, os rgos e entidades contratantes devero reservar cota de no mnimo 20% (vinte por cento) do objeto para a contratao de ME e EPP de-vendo-se, em cada caso:

    I - definir os respectivos lotes que correspondam utilizao ou distribuio em cada um dos municpios que compem as circunscries nas quais se subdivide o rgo responsvel pela licitao; e

    II - permitir aos proponentes a cotao de quantidade inferior demandada em cada item ou lote, podendo o edital fixar quantitativo mnimo para preser-var a economia de escala.

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    43

    1 O disposto neste artigo no impede a contratao das ME ou EPP na totalidade do objeto.

    2 O instrumento convocatrio dever prever que, no havendo vencedor para a cota reservada, esta poder ser adjudicada ao vencedor da cota principal, ou, diante de sua recusa, aos licitantes remanescentes, desde que pratiquem o preo do primeiro colocado.

    3 Se uma mesma empresa vencer a cota reservada e a cota princi-pal, a contratao das cotas dar-se- pelo menor preo obtido entre as cotas.

    Art. 23 No se aplica o disposto nos arts. 21 a 23, quando:

    I - os critrios de tratamento diferenciado ME e EPP no estiverem, expressamente, previstos no instrumento convocatrio;

    II - no houver um mnimo de 03 (trs) fornecedores competitivos en-quadrados como ME ou EPP sediados local ou regionalmente e capazes de cumprir as exigncias estabelecidas no instrumento convocatrio;

    III - o tratamento diferenciado e simplificado para as ME e EPP repre-sentar prejuzo ao conjunto ou complexo do objeto a ser contratado;

    IV - a licitao for dispensvel ou inexigvel, nos termos dos arts. 24 e 25 da Lei Nacional n 8.666, de 1993;

    Art. 24 Os rgos ou entidades contratantes podero, nas contrata-es diretas fundadas nos incisos I e II do art. 24 da Lei Nacional n 8.666, de 1993, realizar cotao eletrnica de preos exclusivamente em favor de ME e EPP, desde que vantajosa a contratao.

    Pargrafo nico. Para o fim do disposto no caput, considera-se no vantajosa a contratao quando resultar preo superior ao valor estabelecido como referncia.

    Art. 25 A identificao das ME ou EPP na sesso pblica do prego eletrnico s deve ocorrer aps o encerramento dos lances.

    Art. 26 O valor adquirido de micro e pequenas empresas no poder ser inferior a 20% (vinte por cento) do total licitado em cada ano civil.

    CAPTULO VI

    Dos critrios e prticas para as contrataes sustentveis

    Art. 27 A Administrao Pblica Municipal dever adquirir bens e con-tratar servios e obras considerando critrios e prticas de sustentabilidade objetivamente definidos no instrumento convocatrio, conforme disposto

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    44

    no art. 3 da Lei Nacional n 8.666, de 1993, regulamentado pelo Decreto n 7.746, de 05 de junho de 2012, e alteraes posteriores.

    Art. 28 Os critrios e prticas de sustentabilidade de que trata o art. 27 desta Lei sero veiculados como especificao tcnica do objeto ou como obrigao da contratada.

    Art. 29 So diretrizes de sustentabilidade, entre outras:

    I - menor impacto sobre os recursos naturais como flora, fauna, ar, solo e gua;

    II - preferncia para matrias, tecnologias e matrias-primas de ori-gem local;

    III - maior eficincia na utilizao de recursos naturais como gua e energia;

    IV - maior gerao de empregos;

    V - maior vida til e menor custo de manuteno do bem e da obra;

    VI - uso de inovaes que reduzam a presso sobre recursos naturais; e

    VII - origem ambientalmente regular dos recursos naturais utilizados nos bens, servios e obras.

    Art. 30 A Administrao Pblica Municipal poder exigir no instrumento convocatrio para a aquisio de bens que estes sejam constitudos por material reciclado, atxico ou biodegradvel, entre outros critrios de sustentabilidade.

    Art. 31 As especificaes e demais exigncias do projeto bsico ou executivo para contratao de obras e servios de engenharia devem ser ela-boradas, nos termos do art. 12 da Lei Nacional n 8.666, de 1993, para pro-porcionar economia de manuteno e operacionalizao da edificao, bem como a reduo do consumo de energia e gua, por meio de tecnologias, prticas e materiais que reduzam o impacto ambiental.

    Art. 32 O instrumento convocatrio poder prever que o contratado adote prticas de sustentabilidade na execuo dos servios contratados e critrios de sustentabilidade no fornecimento dos bens.

    CAPTULO VI

    Das disposies finais

    Art. 33 O exerccio da atividade do MEI em residncia no a descarac-teriza como imvel residencial para o fim de tributao ou eventuais benef-cios, tributrios ou no, inclusive no que se refere a tarifas e preos pblicos.

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    45

    Art. 34 A Administrao Pblica Municipal designar Agente de De-senvolvimento para a efetivao do disposto nesta Lei, conforme os requisi-tos previstos no art. 85-A, 2, da Lei Complementar n123, de 2006.

    Pargrafo nico. A funo de Agente de Desenvolvimento caracteri-za-se pelo exerccio de articulao das aes pblicas para a promoo do desenvolvimento local e territorial, mediante aes locais ou comunitrias, individuais ou coletivas.

    Art. 35 Fica o Poder Executivo municipal autorizado a celebrar con-vnios e demais instrumentos pblicos, na forma da legislao pertinente, com vistas participao e cooperao da parte de instituies pblicas ou privadas que possam contribuir para a consecuo dos resultados almejados pelas polticas pblicas estabelecidas nesta Lei.

    Art. 36 A legislao somente poder impor ao MEI, ME e EPP obrigaes administrativas, tributrias, previdencirias e creditcias quando expressamente a eles dispensar o tratamento jurdico diferenciado a que se refere o art. 179 da Constituio de 1988.

    Art. 37 Ser utilizado como identificador cadastral nico da ME e da EPP o respectivo registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurdicas CNPJ.

    Art. 38 As multas relativas falta de prestao ou incorreo no cum-primento de obrigaes acessrias junto aos rgos e entidades estaduais, e municipais, quando em valor fixo ou mnimo, e na ausncia de previso legal de valores especficos e mais favorveis para MEI, microempresa ou empresa de pequeno porte, tero reduo de:

    I - 90% (noventa por cento) para os MEI;

    II - 50% (cinquenta por cento) para as microempresas ou empresas de peque-no porte.

    Pargrafo nico. As redues de que tratam os incisos I e II do caput no se aplicam na:

    I - hiptese de fraude, resistncia ou embarao fiscalizao;

    II - ausncia de pagamento da multa no prazo de 30 (trinta) dias aps a noti-ficao.

    Art. 39 A Administrao Pbica Municipal dever expedir, anualmen-te, at o dia 30 de novembro, decreto de consolidao da regulamentao aplicvel relativamente s microempresas e empresas de pequeno porte.

    Art. 40 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicao.

    [nome do Municpio, data]

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    47

    ANEXO II - Modelo de projeto de lei estadual sobre tratamento diferenciado, simplificado e favorecido ao microempreendedor individual, s microempresas e s empresas de pequeno porte

    Disciplina no mbito de competncia esta-dual o tratamento diferenciado, simplifica-do e favorecido, assegurado ao Microem-preendedor Individual, s Microempresas e s Empresas de Pequeno Porte, confor-me os arts. 146, inciso III, alnea d, 170 e 179, todos da Constituio de 1988, re-gulamentados pela Lei Complementar n 123, de 14 de dezembro de 2006.

    A Assembleia Legislativa decreta:

    CAPTULO I

    Disposio Preliminar

    Art. 1 Esta Lei disciplina, no mbito de competncia estadual, o tra-tamento diferenciado, simplificado e favorecido, assegurado ao Microempre-endedor Individual MEI, s Microempresas ME e s Empresas de Pequeno Porte EPP, conforme os arts. 146, inciso III, alnea d, 170 e 179, todos da Constituio de 1988, regulamentados pela Lei Complementar n 123, de 14 de dezembro de 2006, e alteraes posteriores.

    1o Para os fins desta Lei, considera-se Microempreendedor Indivi-dual MEI, Microempresa ME e Empresa de Pequeno Porte EPP aqueles assim definidos pela Lei Complementar n 123, de 2006.

    2o O MEI modalidade de microempresa.

    3o Ressalvado o disposto na LC 123/2006, Captulo IV, toda nova obri-gao que atinja as microempresas e empresas de pequeno porte, no mbito

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    48

    do Estado, dever apresentar, no instrumento que a instituiu, especificao do tratamento diferenciado, simplificado e favorecido para cumprimento.

    CAPTULO II

    Do tratamento diferenciado nas compras pblicas

    Art. 2 Todos os rgos e entidades da Administrao Pblica Esta-dual direta e indireta, inclusive os fundos especiais, autarquias, fundaes pblicas, empresas pblicas, sociedades de economia mista e demais entida-des controladas direta ou indiretamente pelo Estado, devero conceder trata-mento diferenciado em compras pblicas para ME e EPP, na forma desta Lei.

    1 Os rgos e entidades de que trata o caput devero elaborar e divulgar planos anuais de compras e contrataes pblicas.

    2 Os planos anuais de compras e contrataes pblicas devero conter, no mnimo, especificao bsica, estimativa de consumo e cronogra-ma de fornecimento dos bens a serem adquiridos em cada ano, prevendo o tratamento diferenciado para ME e EPP, na forma desta Lei.

    3 A divulgao do plano anual de compras e contrataes pblicas dever ocorrer at o dia 1 de maro de cada ano, prevendo as compras e contrataes at fevereiro do ano subsequente.

    Art. 3 Para a ampliao da participao das ME e EPP nas contra-taes pblicas, os rgos ou entidades da Administrao Pblica Estadual adotaro regras com objetivo de:

    I - instituir cadastro, de acesso livre, ou adequar os eventuais cadastros exis-tentes, para identificar as ME e EPP, classificadas por categorias conforme sua especializao, com as respectivas linhas de fornecimento, de modo a possibilitar a notificao das licitaes e facilitar a formao de parcerias e subcontrataes;

    II - estabelecer e divulgar um planejamento anual das contrataes pblicas a serem realizadas, com a estimativa de quantitativo e de data das contrataes;

    III - padronizar e divulgar as especificaes dos bens e servios contratados, de modo a orientar as ME e EPP; e

    IV evitar, na definio do objeto da contratao, a utilizao de especifica-es que restrinjam, injustificadamente, a participao das ME e EPP.

    Pargrafo nico. As atividades de que tratam os incisos do caput se-ro supervisionadas, controladas e mantidas pela Administrao Pblica Es-tadual, com o auxlio dos rgos competentes para disciplina e gesto dos cadastros de fornecedores, de materiais e servios.

  • Atualizaes no Estatuto Nacional da Micro e Pequena Empresa

    49

    Art. 4 As ME e EPP, por ocasio da participao em certames licita-trios, devero apresentar, alm do comprovante de inscrio e de situao cadastral de pessoa jurdica no Cadastro Nacional da Pessoa Jurdica CNPJ, apenas documentao previdenciria.

    Art. 5 A Administrao Pblica Estadual no poder proibir a partici-pao das ME e EPP dos certames licitatrios por falta de regularidade fiscal, trabalhista ou previdenciria, sendo que somente a irregularidade previden-ciria acarretar a impossibilidade de contratao, nos termos do disposto no 3o do art. 195 da Constituio de 1988.

    1 Na fase de habilitao, dever ser apresentada e conferida toda a documentao e, existindo alguma restrio, ser assegurado o prazo de 5 (cinco dias) teis, cujo termo inicial corresponder ao momento em que o proponente for declarado vencedor do certame, prorrogvel por igual pero-do, para a regularizao da documentao, pagamento ou parcelamento do dbito, e emisso de eventuais certides negativas ou positivas com efeito de certido negativa.

    2 A declarao do vencedor de que trata o 1 acontecer no mo-mento imediatamente posterior fase de habilitao, no caso do prego, con-forme estabelece o art. 4, inciso XV, da Lei Federal n 10.520, de 17 de julho de 2002, e no caso das demais modalidades de licitao, no momento poste-rior ao julgamento das propostas, aguardando-se os prazos de regularizao previdenciria para a abertura da fase recursal, se for o caso.

    3 A prorrogao do prazo previsto no 1 dever sempre ser con-cedida pela Administrao Pblica Estadual quando requerida pelo licitante, a no ser que exista urgncia na contratao ou prazo insuficiente para o empenho, devidamente justificados.

    4 No havendo regularizao da documentao, no prazo previs-to no 1, ocorrer a decadncia do direito contratao, sem prejuzo das sanes previstas na legislao vigente, facultado Administrao Pblica Es-tadual convocar os licitantes remanescentes, na ordem de classificao, para assinatura do contrato, ou revogar, se for o caso, a licitao.

    Art. 6 Nas licitaes do tipo menor preo, ser assegurada, como cri-trio de desempate, a preferncia de contratao para as ME e EPP.

    1 Entende-se por empate aquelas situaes em que a oferta apre-sentada por ME e EPP seja igual ou at 10% (dez por cento) superior propos-ta mais bem classificada.

    2 Na modalidade de prego, o percentual estabelecido no 1 ser de at 5% (cinco por cento) superior ao melhor preo.

    3 O disposto neste artigo somente se aplica quando a melhor oferta

  • Tratamento Diferenciado s Micro e Pequenas Empresas: Legislao para Estados e Municpios

    50

    vlida no tiver sido apresentada por ME e EPP.

    4 A preferncia de que trata este artigo ser concedida da seguinte forma:

    I - ocorrendo o empate, a ME e EPP melhor classificada ser convocada para, caso haja interesse, apresentar proposta de preo inferior quela considera-da vencedora do certame, situao em que ser adjudicado em seu favor o objeto licitado;

    II - na hiptese de no contratao da ME e EPP, na forma do inciso I, sero convocadas as remanescentes que porventura se enquadrem em situao de empate, na ordem classificatria, para o exerccio do mesmo direito; e

    III - no caso de equivalncia dos valores apresentados pelas ME e EPP em situao de empate, ser realizado sorteio entre elas para que se identifique aquela que primeiro poder apresentar melhor oferta.

    5 No se aplica o sorteio a que se refere o inciso III do 4 quando, por sua natureza, o procedimento no admitir o empate real, como na fase de lances prpria ao prego em que os lances equivalentes no so conside-rados iguais, sendo classificados conforme a ordem de apresentao pelos licitantes.

    6 No caso do prego, aps o encerramento dos lances, a ME ou EPP melhor classificada ser convocada para apresentar nova proposta no prazo mximo de 5 (cinco) minutos, por item, em situao de empate, sob pena de precluso.

    7 Nas demais modalidades de licitao, o prazo para os licitantes apresentarem nova proposta dever ser estabelecido pelo rgo ou entidade contratante, conforme previsto no instrumento convocatrio.

    Art. 7 Os rgos e entidades abrangidos por esta Lei devero realizar processo licitatrio destinado exclusivamente participao de ME e EPP nos itens de contrataes com valores de at R$ 80.000,00 (oitenta