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Cataia (Drymis brasiliensis Miers) · PDF fileEmpresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Embrapa Florestas Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Maria Izabel Radomski

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Text of Cataia (Drymis brasiliensis Miers) · PDF fileEmpresa Brasileira de Pesquisa...

  • ISSN 1980-3958Outubro, 2013 246

    Cataia (Drymis brasiliensis Miers)

  • Documentos 246

    Embrapa Florestas

    Colombo, PR

    2013

    ISSN 1980-3958

    Outubro, 2013

    Empresa Brasileira de Pesquisa AgropecuriaEmbrapa FlorestasMinistrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento

    Maria Izabel RadomskiArthur Hermann WeiserKatia Christina Zuffellato-RibasKleber Ribeiro FonsecaAntonio Aparecido Carpanezzi

    Cataia (Drimys brasiliensis Miers)

  • Embrapa 2013

    Embrapa FlorestasEstrada da Ribeira, Km 111, Guaraituba, 83411-000, Colombo, PR - BrasilCaixa Postal: 319Fone/Fax: (41) [email protected]

    Comit Local de PublicaesPresidente: Patrcia Pvoa de MattosSecretria-Executiva: Elisabete Marques Oaida Membros: Alvaro Figueredo dos Santos, Claudia Maria Branco de Freitas Maia, Elenice Fritzsons, Guilherme Schnell e Schuhli, Jorge Ribaski, Luis Claudio Maranho Froufe, Maria Izabel Radomski, Susete do Rocio Chiarello Penteado

    Superviso editorial: Patrcia Pvoa de MattosReviso de texto: Patrcia Pvoa de MattosNormalizao bibliogrfica: Francisca RascheEditorao eletrnica: Rafaele Crisostomo PereiraFoto da capa: Maria Izabel Radomski 1a edioVerso digital (2013)

    Todos os direitos reservadosA reproduo no-autorizada desta publicao, no todo ou em parte, constitui violao dos direitos autorais (Lei no 9.610).

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)Embrapa Florestas

    Cataia (Drimys brasiliensis Miers) [recurso eletrnico] / Maria Izabel Radomski... [et al.]. Dados eletrnicos - Colombo : Embrapa Florestas, 2013. (Documentos / Embrapa Florestas, ISSN 1980-3958 ; 246)

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    1. Drimys brasiliensis. 2. Silvicultura. 3. Propagao vegetativa. 4. Essncia florestal. I. Radomski, Maria Izabel. II. Weiser, Arthur H. III. Zuffellato-Ribas, Katia Christina. IV. Fonseca, Kleber Ribeiro. V. Carpanezzi, Antonio Aparecido. VI. Srie.

    CDD 583.22 (21. ed.)

  • Autores

    Maria Izabel RadomskiEngenheira-agrnoma, Doutora,Pesquisadora da Embrapa [email protected]

    Arthur Hermann WeiserGraduando em Engenharia Florestal,Universidade Federal do [email protected]

    Katia Christina Zuffellato-RibasBiloga, Doutora,Bolsista e pesquisadora do [email protected]

    Kleber Ribeiro FonsecaEngenheiro florestal,[email protected]

    Antonio Aparecido CarpanezziEngenheiro florestal, Doutor,Pesquisador da Embrapa [email protected]

  • Apresentao

    Drimys brasiliensis, conhecida popularmente como cataia ou casca danta, uma espcie nativa do Brasil, e sua distribuio est associada s regies de ocorrncia da Floresta Ombrfila Mista e da Floresta Ombrfila Densa. Sua importncia relaciona-se principalmente ao uso medicinal. Levantamentos etnobotnicos e etnofarmacolgicos realizados com populaes tradicionais relatam seu uso no tratamento do escorbuto e da anemia, de clicas intestinais e estomacais, de vmito e disenteria, alm de ser estimulante, adstringente e febrfuga. Um dos usos medicinais mais citados para o tratamento de afeces respiratrias em humanos e animais, e mais especificamente no tratamento de garrotilho em cavalos. Tambm frequente o uso da casca como condimentar em substituio pimenta-do-reino. Pesquisas recentes identificaram, em extratos da casca, substncias analgsicas e com baixos efeitos colaterais. Como no existem plantios comerciais da cataia, e muito menos a recomendao de boas prticas de manejo, a extrao de casca de rvores nativas ocorre de forma indiscriminada, comprometendo sua regenerao e a prpria sobrevivncia dos indivduos explorados.

  • O objetivo deste trabalho foi relatar observaes de campo e pesquisas em andamento com D. brasiliensis realizadas na Embrapa Florestas, estimulando novos trabalhos que viabilizem na prtica o potencial econmico, social e ambiental de uma das espcies mais primitivas da flora nativa brasileira.

    Sergio Gaiad Chefe de Pesquisa e Desenvolvimento

    Embrapa Florestas

  • Sumrio

    Breve reviso sobre Drimys brasiliensis ...........................9Pesquisas em andamento ............................................15

    Ensaios silviculturais ...............................................15Ensaios sobre propagao vegetativa ........................18

    Resultados ...............................................................22 Ensaios silviculturais ..........................................22

    1.1 Sobrevivncia ..................................................221.2 Forma das rvores ...........................................221.3 Avaliao do crescimento ..................................25

    Consideraes finais ...................................................36Referncias ...............................................................37

  • Cataia (Drimys brasiliensis Miers)Maria Izabel RadomskiArthur Hermann WeiserKatia Christina Zuffellato-RibasKleber Ribeiro FonsecaAntonio Aparecido Carpanezzi

    Breve reviso sobre Drimys brasiliensis

    O gnero Drimys pertence famlia Winteraceae, que compreende cerca de 8 gneros e 70 espcies, ocorrendo predominantemente no hemisfrio sul, desde a Australsia at Madagascar e Amricas, sendo Drimys o nico remanescente do Novo Mundo. As espcies desta famlia so consideradas fsseis vivos, ocorrendo em formaes vegetais com outras espcies primitivas, como Araucaria angustifolia, Ginkgo biloba e espcies do gnero Cyathea (VON POSER; MENTZ, 1999).

    No Brasil, ocorrem duas espcies do gnero Drimys: D. brasiliensis e D. angustifolia. A diferena entre estas espcies est no tamanho de folhas e pednculos: a primeira apresenta folhas maiores, obovadas e pednculos longos; a segunda, caracteriza-se por folhas estreitas, angustas, e pednculos curtos (TRINTA; SANTOS, 1997).

    D. brasiliensis possui trs subespcies: sylvatica, subalpina e brasiliensis, sendo esta ltima subdividida em trs raas N, C e S (EHRENDORFER et al., 1979). No territrio brasileiro,

    H um grande tesouro de bnos escondidos nas plantas e oculto nas pedras. Oh! Doce e excelsa natureza, deixa-me seguir as tuas pegadas !... (Conde de Stolberg, An die Natur)

  • 10 Cataia (Drimys brasiliensis Miers)

    a espcie pode ser encontrada nos Estados da Bahia, Minas Gerais, Esprito Santo, Rio de Janeiro, So Paulo, Paran, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com maior predomnio na formao Floresta Ombrfila Mista, apresentando-se como relicto na Floresta Ombrfila Densa (MARIOT et al., 2011). conhecida popularmente como casca danta, cataia, capororoca-picante, carne-de-anta, melambo, paratudo, pau-para-tudo, canela-amarga, pau casca-de-anta, cataeira e, em tupi-guarani, ca-tuya, que significa rvore-para-velho (SCHULTZ, 1975; BARROSO, 1978; LORENZI, 1992; LONGHI, 1995).

    D. brasiliensis pode ser reconhecida pelo hbito arbreo, com indivduos apresentando at 27 m de altura e 50 cm de dimetro a 1,30 m do solo (DAP) (CARVALHO, 2008). Observaes de campo mostram que em populaes naturais os indivduos apresentam, em mdia, 8 m de altura e 10 cm de DAP, podendo atingir at 17 m de altura e 38 cm de DAP1. As folhas apresentam limbo obovado ou elptico, em geral com mais de 2 cm de largura, face superior verde-escura, bem lustrosa e brilhante (Figura 1), folhas acentuadamente discolores, com face inferior cinza clara, at prateada (TRINTA; SANTOS, 1997). Suas inflorescncias so terminais, raramente axilares, com trs a cinco flores, algumas vezes at seis, brancas, pediceladas, com duas spalas, ptalas elpticas ou oblongas, e gineceu com cinco a oito carpelos (Figura 2), apresentando protoginia, porm sendo autocompatvel (TRINTA; SANTOS, 1997; GOTTSBERGER et al., 1980). Os frutos so classificados como sendo mltiplos, livres, constitudos por cinco frutolos, sendo cada frutolo denominado de baga, indeiscente, carnceo polisprmico, sendo que cada baga contm duas a nove sementes. As sementes apresentam dormncia devido imaturidade embrionria, o que implica em um perodo adicional para completar o desenvolvimento dos embries para que se tornem aptos para germinar (ABREU et al., 2005). Apesar da imaturidade embrionria, as sementes ainda so consideradas a melhor forma de propagao da espcie (MARIOT et al., 2011).1Dados de campo no publicados.

  • 11Cataia (Drimys brasiliensis Miers)

    Figura 1. Aspecto da rvore e folhas de D. brasiliensis.

    Foto

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    Figura 2. Inflorescncia de D. brasiliensis.

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  • 12 Cataia (Drimys brasiliensis Miers)

    De acordo com as observaes de Klein, citado em Trinta e Santos (1997,p.14), a espcie

    escifita ou de luz difusa e menos expressivamente helifita e levemente seletiva higrfita, tornando-se no raro, localmente muito frequente, at abundante, dominando em vastas reas na matinha nebular da borda oriental do Planalto Meridional e dos aparados da serra, sobretudo desde So Francisco de Paula no Rio Grande do Sul at o morro do Marumbi, ao leste do Paran.

    O mesmo autor ainda comenta que:

    (...) D. brasiliensis mais frequente que D. angustifolia nos capes mais desenvolvidos, nos sub-bosques dos pinhais mais densos, sendo esporadicamente at encontrada como espcie rara e estranha, nos sub-bosques dos pinhais formados por espcies caractersticas e exclusivas das Florestas Estacionais Deciduais das bacias Paran-Uruguai (...).Como espcie rara e estranha foi encontrada no interior da Floresta Ombrfila Densa de terras baixas, nas plancies prximas ao litoral, onde suas folhas so em geral bem maiores e, sobretudo mais largas. (TRINTA; SANTOS, 1997, p.15).