CENTRO BRASILEIRO DE ESTUDOS DE SADE (CEBES)cebes.org.br/.../02/1A-Reforma-Sanitria-Brasileira-e-o-CEBES.pdftiva” e de “uma mudana real das condies de sade do povo ... um texto

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  • CENTRO BRASILEIRO DE ESTUDOS DE SADE (CEBES)

    DIREO NACIONAL (GESTO 2011-2013)

    NATIONAL BOARD OF DIRECTORS (YEARS 2011-2013)

    Presidente: Ana Maria Costa

    Primeiro Vice-Presidente: Alcides Silva de Miranda

    Diretora Administrativa: Aparecida Isabel Bressan

    Diretor de Poltica Editorial: Paulo Duarte de Carvalho Amarante

    Diretores Executivos: Lizaldo Andrade Maia

    Luiz Bernardo Delgado Bieber

    Maria Frizzon Rizzotto

    Paulo Navarro de Moraes

    Pedro Silveira Carneiro

    Diretor Ad-hoc: Felipe de Oliveira Lopes Cavalcanti

    Jos Carvalho de Noronha

    CONSELHO FISCAL / FISCAL COUNCIL

    Armando Raggio

    Fernando Henrique de Albuquerque Maia

    Jlio Strubing Muller Neto

    CONSELHO CONSULTIVO / ADVISORY COUNCIL

    Ana Ester Maria Melo Moreira

    Ary Carvalho de Miranda

    Cornelis Van Stralen

    Eleonor Minho Conill

    Eli Iola Gurgel Andrade

    Felipe Assan Remondi

    Gustavo Machado Felinto

    Jairnilson Silva Paim

    Ligia Bahia

    Luiz Antnio Silva Neves

    Maria Ftima de Souza

    Mario Cesar Scheffer

    Nelson Rodrigues dos Santos

    Rosana Tereza Onocko Campos

    Silvio Fernandes da Silva

    EDITOR CIENTFICO / CIENTIFIC EDITOR

    Paulo Duarte de Carvalho Amarante (RJ)

    EDITORA EXECUTIVA / EXECUTIVE EDITOR

    Marlia Fernanda de Souza Correia

    SECRETRIO EDITORIAL / EDITORIAL SECRETARY

    Frederico Toms Azevedo

    SECRETARIA / SECRETARIES

    Secretaria Geral: Gabriela Rangel de Moura

    Pesquisador: Jos Maurcio Octaviano

    de Oliveira Junior

    Assistente de Projeto: Ana Amlia Penido Oliveira

    JORNALISTA / JOURNALIST

    Priscilla Faria Lima Leonel

    EXPEDIENTE

    Organizao: Ana Maria Costa

    Jos Carvalho de Noronha

    Paulo Duarte de Carvalho Amarante

    Edio: Marlia Correia

    Diagramao e Capa: Paulo Vermelho

    P144r Paim, Jairnilson Silva. A Reforma Sanitria e o CEBES / Jairnilson Silva Paim. Rio de Janeiro: CEBES, 2012. 27p.; 14 X 21cm. ISBN

    1.Sade Pblica Histria. 2. Poltica de Sade SUS. I. Ttulo.

    CDD - 362.10981

  • A REFORMA SANITRIA BRASILEIRA E O CEBES

  • Jairnilson Silva Paim

    projetoFORMAO EM CIDADANIA PARA SUDE:

    TEMAS FUNDAMENTAIS DA REFORMA SANITRIA

    A REFORMASANITRIA BRASILEIRA

    E O CEBES

    Rio de Janeiro

    2012

  • Sumrio

    Introduo | 7

    Alguns antecedentes | 9

    O que se entendia como Reforma Sanitria? | 12

    O que ocorreu com a RSB? | 16

    Concluses provisrias | 23

    Referncias | 27

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    A REFORMA SANITRIA BRASILEIRAE O CEBES1

    Jairnilson Silva Paim*

    INTRODUO

    A expresso reforma sanitria vem sendo utilizada por movimentos sociais, dirigentes e tcnicos da sade, alm de estar presente na produo cientfica da Sade Coletiva e em documentos oficiais no Brasil. Muitas vezes associado proposta do Sistema nico de Sade (SUS), o projeto da Reforma Sanitria Brasileira (RSB), na realida-de, era mais amplo que o SUS.

    1 Texto elaborado como material didtico do curso Reforma Sanitria: trajetria e rumos do SUS para o Projeto de Formao em Cidadania para a Sade do Cebes.* Professor Titular em Poltica de Sade do Instituto de Sade Coletiva da Universidade Federal da Bahia. Membro do Conselho Consultivo do Centro Brasileiro de Estudos de Sade (CEBES).

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    Alguns artigos, livros e teses tm procurado exami-nar mais profundamente o seu significado e suas conse-quncias. No entanto, possvel que a maioria dos traba-lhadores de sade, da populao e dos polticos ignore essa discusso. Trata-se, portanto, de ampliar essa reflexo entre as cidads e os cidados.

    Verifica-se nos ltimos anos um renovado interesse pelo tema, especialmente entre os mais jovens, que no tiveram a oportunidade de vivenciar os acontecimentos da Histria do Brasil nas dcadas de setenta e oitenta do sculo XX. No deve ser por acaso que, entre tantos assuntos de interesse atual nas polticas de sade do pas, a Reforma Sanitria tenha sido um dos mais referidos em consulta recente feita pelo CEBES.

    A histria do CEBES, fundado em 1976, confun-de-se com a prpria histria da RSB. Portanto, as pessoas interessadas em compreender a natureza, as lutas e as pos-sibilidades dessa reforma social podero consultar, entre as diversas fontes, a coleo da revista Sade em Debate, publi-cada desde aquela data at o presente, assim como boletins, livros, documentos, panfletos e blogs do CEBES (www.ce-bes.org.br e www.saudeemdebate.org.br).

    No presente texto, busca-se apresentar de forma introdutria parte do conhecimento sobre o tema, men-cionando referncias bibliogrficas para o seu estudo e fundamento para a ao. Alm disso, procura-se sistema-tizar argumentos e fatos, considerando a RSB como um processo e no apenas como um projeto que fez parte da histria das polticas de sade no Brasil e que desembocou

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    na famosa 8 Conferncia Nacional de Sade (8 CNS), sendo formalizado na Constituio da Repblica de 1988.

    Esta perspectiva de anlise pode ajudar a identificar na atualidade certas iniciativas e sujeitos capazes de avan-ar tal processo, bem como obstculos, limitaes, contra-dies e oposies que tendem a impedir o seu desenvol-vimento, inclusive como ameaas de retrocessos. A idia subjacente a tal anlise que a RSB algo vivo e como tal, faz parte das lutas sociais para a melhoria das condies de vida e sade de todos os brasileiros.

    ALGUNS ANTECEDENTES

    A reforma agrria e a reforma universitria integraram lutas sociais no Brasil desde as dcadas de cinquenta e sessen-ta do sculo passado. Naquela poca e em alguns crculos restritos chegava-se a falar em socializao da medicina ou medicina socializada. A expresso reforma sanitria apa-rece no Brasil em 1973 num artigo sobre as origens da Me-dicina Preventiva no ensino mdico (SILVA, 1973). Nesse trabalho, o autor discutia o sanitarismo que se desenvolveu na Inglaterra em meados do sculo XIX, comparando-o com o movimento da Medicina Social surgido, concomi-tantemente, na Frana e na Alemanha. Sugeria que a Medi-cina Social propunha mudanas mais amplas na sociedade para alcanar a sade, enquanto que na Inglaterra vingou apenas uma reforma sanitria mais limitada.

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    Em 1977, um editorial da Sade em Debate retomava essa ideia, defendendo a sade como direito de cada um e de todos os brasileiros e indicando a necessidade de or-ganizar a prestao de servios de sade em nova perspec-tiva e de uma mudana real das condies de sade do povo (EDITORIAL, 1977b, p.3-4). No nmero seguin-te, ao delinear as tarefas do CEBES, recomendava definir mais concretamente o contedo de uma Reforma Sanit-ria (EDITORIAL, 1977a, p.4). Reconhecia a unificao dos servios de sade, a participao social e a ampliao do acesso a servios de qualidade como alguns marcos da Reforma Sanitria.

    Na passagem da dcada de setenta para a de oitenta, os movimentos sociais ampliaram-se, propondo a demo-cratizao da sade, do Estado e da sociedade, sob o lema da democratizao da sade. Com a redemocratizao, es-pecialmente a partir da 8 Conferncia Nacional de Sade (8 CNS), reforma sanitria foi a denominao que subs-tituiu aquela do movimento da democratizao da sade.

    Durante a preparao da 8 CNS os textos produzi-dos contemplaram conceitos como determinao social da sade-doena e organizao social das prticas de sade, alm de noes como conscincia sanitria, promoo da sade e intersetorialidade. Assim, a elaborao do pro-jeto da RSB contou com a participao de professores e pesquisadores da Sade Coletiva, especialmente atravs do CEBES e da Associao Brasileira de Ps-Graduao em Sade Coletiva (ABRASCO). Nessa perspectiva, o docu-mento Pelo Direito Universal Sade (ABRASCO, 1985)

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    tem sido considerado a bibliazinha da 8 CNS (FLEURY, BAHIA; AMARANTE, 2007).

    O presidente da Conferncia, Srgio Arouca, naque-la oportunidade, convocou a todos para uma verdadeira reforma sanitria, relacionada com a reforma econmica e a reforma agrria, bem como com profundas reformas ur-bana e financeira (AROUCA, 1987). Esta ampla reforma social encontra-se explicitada no relatrio final da 8 CNS ao definir Reforma Sanitria:

    As modificaes necessrias ao setor sade transcendem aos limites de uma reforma administrativa e finan-ceira, exigindo-se uma reformulao mais profunda, ampliando-se o pr-prio conceito de sade e sua corres-pondente ao institucional, reven-do-se a legislao no que diz respeito promoo, proteo e recuperao da sade, constituindo-se no que est se convencionando chamar de Reforma Sanitria (BRASIL, 1987a, p.381).

    Portanto, ao assumir um conceito amplo de sade a 8 CNS entendia a RSB para alm de uma reforma admi-nistrativa e financeira. Assim, aps o evento a Fiocruz criou o Jornal da Reforma Sanitria para difundir e debater as teses e proposies do projeto da RSB. Simultaneamente, o governo federal instituiu a Comisso Nacional da Reforma Sanitria (CNRS) que, entre vrios documentos, produziu

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    um texto encaminhado Assembleia Constituinte como subsdio para o captulo sade da Constituio. A sua con-cepo sobre a RSB, no entanto, reduzia-se a uma reforma do setor sade, ou seja, uma mudana apenas no sistema de servios de sade (BRASIL, 1987b).

    O QUE SE ENTENDIA COMO REFORMA SANITRIA?

    Como contraponto a essa concepo restrita da RSB, j presente nos documentos da CNRS, Arouca (1988) ressal-tava uma totalidade

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