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  • UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

    CHARLES WILLIANS SILVEIRA

    A CRIAÇÃO DE ADÃO COMO IMAGEM SOBREVIVENTE:

    UMA PERSPECTIVA NIETZSCHIANA

    São Paulo

    2017

  • CHARLES WILLIANS SILVEIRA

    A CRIAÇÃO DE ADÃO COMO IMAGEM SOBREVIVENTE:

    UMA PERSPECTIVA NIETZSCHIANA

    Dissertação de mestrado apresentada ao programa de Pós-Graduação em Educação Arte e História da Cultura da Universidade Presbiteriana Mackenzie, como requisito parcial para a obtenção do título de mestre em Educação, Arte e História da Cultura.

    Orientador: Prof. Dr. Marcelo Martins Bueno

    São Paulo

    2017

  • S587c Silveira, Charles Willians.

    A criação de Adão como imagem sobrevivente: uma perspectiva

    Nietzschiana / Charles Willians Silveira.

    138 f.: il. ; 30 cm

    Dissertação (Mestrado em Educação, Arte e História da Cultura) –

    Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2017.

    Orientadora: Marcelo Martins Bueno.

    Bibliografia: f. 136-138.

    1. Criação. 2. Imagem. 3. Niilismo. I. Bueno, Marcelo Martins.

    I. Título.

    CDD 261.57

  • À minha amada mãe. E aos fantasmas...

  • “Deus criou o homem à sua imagem e semelhança...” (Gênesis 1:27)

    “Mas então, o que se tornará o homem sem Deus e sem imortalidade? ” (Dostoievsky, 2001, p. 578)

  • RESUMO

    O estudo da história da arte é um importante caminho nas ciências humanas. A pesquisa hermenêutica das obras de arte possibilita-nos uma compreensão mais amalgamada da própria existência humana. Um dos historiadores da arte que veio ter grande destaque na virada do século XIX para o século XX foi o alemão Aby Warburg. Segundo o historiador, profundamente inspirado pela perspectiva nietzschiana, a obra de arte carrega Imagens-fantasmas; imagens-sobreviventes que insistem em nos assombrar. Dentro desta nova perspectiva, o trabalho objetiva demonstrar, por meio da iconologia de Warburg e da genealogia nietzschiana, como a obra de arte sobrevive no decorrer do tempo, por meio de seus fantasmas, e o que ela pode dizer sobre o contemporâneo. A obra Criação de Adão, de Michelangelo, será a ferida aberta no tempo, para que possamos compreender como deter o avanço do niilismo, após a morte de Deus. O que poderia nos dizer, ainda, essa obra de arte sobre a criação, em um mundo marcado pela “morte de todas as mortes?”. Portanto, a arte surge como um caminho alternativo para o sagrado. A ferida causada pela morte de Deus é fonte de dor para contemporâneo, mas também possibilidade de salvação. A “imagem que cura”, poderia ser o título deste trabalho. Usando a dor como fonte de significação, na ausência de um criador a priori, precisamos assumir a postura artística. Tacitamente, o ato de criar é a real imagem e semelhança entre o divino e o “além-do-homem”; a conclusão e o antídoto contra o niilismo.

    Palavras–chave: Criação; Imagem; Niilismo.

  • RESUMEN

    El estudio de la historia del arte es un importante camino en las ciencias humanas. La investigación hermenéutica de las obras de arte nos posibilita una comprensión más amalgamada de la propia existencia humana. Uno de los historiadores del arte que ha venido a destacar en el cambio del siglo XIX al siglo XX fue el alemán Aby Warburg. Según el historiador, profundamente inspirado por la perspectiva nietzscheana, la obra de arte lleva imágenes fantasmas; Imágenes-sobrevivientes que insisten en asombrar. Dentro de esta nueva perspectiva, el trabajo objetivo demostrar, por medio de la iconología de Warburg y de la genealogía nietzscheana, como la obra de arte sobrevive en el transcurso del tiempo, por medio de sus fantasmas, y lo que ella puede decir sobre lo contemporáneo. La obra Creación de Adán, de Miguel Ángel, será la herida abierta en el tiempo, para que podamos comprender cómo detener el avance del nihilismo, después de la muerte de Dios. ¿Qué podría decirnos todavía esta obra de arte sobre la creación, en un mundo marcado por la muerte de todas las muertes? Por lo tanto, el arte surge como un camino alternativo a lo sagrado. La herida causada por la muerte de Dios es fuente de dolor para contemporáneo, pero también posibilidad de salvación. La "imagen que cura", podría ser el título de este trabajo. Usando el dolor como fuente de significación, en ausencia de un creador a priori, necesitamos asumir la postura artística. Tacitamente, el acto de crear es la real imagen y semejanza entre lo divino y el "más allá del hombre"; La conclusión y el antídoto contra el nihilismo.

    Palabras clave: Creación; Imagen; Niilismo.

  • LISTA DE IMAGENS

    1. IMAGEM:............................................................... A CRIAÇÃO DE ADÃO.

  • Sumário

    1. INTRODUÇÃO..................................................................................................................11

    2. UMA PINTURA SEM DEUS: O Luto Pelo Divino.........................................................19

    2.1 O RETRATO DO CÉU ESVAZIADO: O Trono Vazio e os Vice-Reis.......................32

    2.2 OS FANTASMAS DA OBRA: A Ferida no Tempo de Warburg................................42

    3. LUZES DO AFRESCO: O Renascimento como Supernova (Último Sopro Divino)...51

    3.1 SOMBRAS DO AFRESCO: O Coração do Buraco Negro (Um Poema Primordial)60

    3.2 ADÃO NA TERRA DEVASTADA: O Último Homem e Tipos de Niilismo..............73

    4 A MENSAGEM DE “MIGUEL- ÂNGELO”: Em Agonia e Êxtase...............................89

    4.1 A CRIAÇÃO DE ADÃO À BEIRA DO ABISMO: Como Fazer Nascer uma Estrela?.97

    4.2. À IMAGEM E SEMELHANÇA: O Niilismo Criativo é Brincadeira de Criança...109

    5. CONSIDERAÇÕES FINAIS: A Mão de Adão............................................................. 128

    REFERÊNCIAS................................................................................................................... 136

  • 11

    1. INTRODUÇÃO

    “Uma História de Fantasmas para Gente Grande”

    Michelangelo Buonarroti, escultor, pintor, arquiteto e poeta italiano; formou

    junto com Rafael e Da Vinci, a Santíssima Trindade do Renascimento. Sua obra é

    marcada pelo sentimento intenso causado pelas contradições entre o espírito e a

    matéria, a condição humana e o mundo divino, sofrimentos e prazeres, enfim, sua

    figura tornou-se a própria encarnação do gênio. Entre suas obras, selecionamos

    para a realização deste trabalho “A Criação de Adão”, um afresco pintado por

    Michelangelo próximo do ano de 1511. A obra está localizada na Capela Sistina, em

    Roma, e faz referência a uma passagem do livro de Gênesis 1.27: “Deus criou o

    homem à sua imagem e semelhança”. Mas por que uma obra do Renascimento

    apareceria em uma tese de mestrado voltada para a pesquisa do contemporâneo?

    No início de fevereiro de 2003, funcionários das nações unidas decidiram

    cobrir com um pano azul e uma fila de bandeiras a enorme tapeçaria que reproduz o

    famoso quadro de Picasso, a Guernica, que, dentro da proposta do artista cubista,

    descreve os horrores da guerra. A reprodução da obra estava exposta na ONU

    (Organização das Nações Unidas), onde o secretário dos Estados Unidos, Colin

    Powell, apresentava dados obtidos pelo EUA de que o Iraque estaria escondendo

    armas de destruição em massa e que uma guerra talvez fosse necessária para

    garantir a “segurança do mundo”.

    Centenas de jornalistas compareceram para ouvir o relatório do inspetor chefe

    da UNMOVIC (comissão de controle, verificação e inspeção da ONU). As fontes da

    Organização negaram que a decisão de ocultar a reprodução da obra estivesse

    ligada ao fato de ser um constrangimento diplomático ter embaixadores falando

    sobre uma possível guerra em frente a uma obra que teve por finalidade denunciar

    os horrores bélicos.

    A “Guernica”, de Picasso, retrata um pequeno vilarejo basco ao norte da

    Espanha que foi bombardeado pela Alemanha como exercício preparatório para a

    guerra por mais de três horas em 27 de abril de 1937. O ataque matou mais de

    1.600 civis e deixou o vilarejo em chamas por três dias. Mas por que “ocultar” uma

    obra de arte? O que poderia fazer uma imagem comparada ao poderio bélico das

  • 12

    nações? O que a “Guernica” carrega de tão ameaçador? Após essas questões

    retóricas, as respostas são quase evidentes: pode-se inferir c