Ciencia Uma Visao Geral Apolinario 1

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  • 5/16/2018 Ciencia Uma Visao Geral Apolinario 1

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    M E T O D O L O G I A D AF i l o s o f i ae P ra t i c a

    d a P e s q u i s ad i a o r c v i s ta

    a t u a l i z a d a

    F i l o s o f i ae P ra tic a

    d a P es q u is a

    .A. c iencra2~ edi~ao rev ista

    a t lJ a t i z a d a

    E m M e to d a /a g io d o a e nc t o: l i/ as a Ji a e p r6 ti ca d a p es qu is a a l ei te r e n ro n tr ar a l im aa bo rd ag em d a m e to do lo gi a c ie nt if ic a q ue p riv lle gi a ta nt o o s a s pe cto s t e o r i c o s ef il os o fi co s d a c ie n ci a q u an to s eu s a sp e ct os p ra tl to s . E s ta s eg u nd a e d i, ao t ra z r en o va ro e se m r e la , ao a e d i, ao a n te ri or , c o m o atual i zatces d as n or ma s d a A B N T e a lnt lusao da sn o rm a s d e V a n co u ve r p a ra a B i bl io g ra fi a.E sc ri to d ef or m a c la ra e c om u m a s eq ue nc ia log ica, e sta o br a e urn g u i a "p asse a p a s so "p ar a a produtao d e t ra b al ho s c ie n tf fi co s, d e sd e 0 p la ne ja me nt o e a e l abo r acao dein st r um e nt as d e c ol eta d e d ad os a te a a na li se d os r es ul ta do s e c o n c lu s d es ,T ra ta -s e d e u m te xt o d id at ic o s im p le s e c on ci so , f ru to d e a no s d e e xp er ie nc ia e m s al a d ea ul a n o e ns in o d e m e to do lo gi a c ie nt ff ic a p ar a a lu no s d os m a is d iv er so s r ur so s e a re asd o c o n he c im e n t o.

    A P l l ( A ~ i i E So br a de dk ao a a a lu no s d e g ra du ac ao e p os -g ra du ac ao e m E co no m i a , D ir e ito ,A d rn in is tr at an , M e d ic in a , E n fe rm a g em , E n ge n ha ri a, P e da g og ia , F fs ic a e d e m ai s c u rs esu nl vc rs it ar lo s q ue c on te m pl em a e la bo ra ca o d e u m tr ab al ho c ie nt l fi co q ue e xi ja aa p re se nt ar ao d a s p a rt es e ss en c ia is d e u rn r el at or io d e p e sq u is a.

    ~. # CENGAGE... Learning-Para s ue s s ot uc ce s d e c ur se e a prendi za do ,visite www.cengage.com.br

    ISBN: 978-85-221-1177-0ISBN 10:85-221-1177-4

    1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 19 788522 111770

    http://www.cengage.com.br/http://www.cengage.com.br/
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    Dados lnternacionais de Cataloga~ao na publica~ao (ClP)(Camara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

    Appollnario, FabioMe to dal og ia d a cl .en ci a f ilo so fi a e pratica da

    pesquisa / Fabio A pp ol in ar io . - - 2. ed. -- Sa o PauloC en ga ge L ea rn in g, 2 01 2.

    Bibliografia.ISBN 978-85-221-1177-0

    1. Cie nc ia - F ilo so fi a 2 . ci en ci a - Metodologia3 ~ Pe aqu is a - Metodologia I. Titulo.

    11-06288 CDD-OOL 42indices para catalogo sistematico:

    1. Cie nc ia : Metodologia 001.422 . Pes qu is a : Me to do la gia 0 01. 42

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    Ciencio:Umo Visco Geral

    Assim como casas sao Feitos de pedras, a ciencia e leita de latos. Mosuma pi/ha de pedras noo e umo coso e umo colecco de fotos noo e ,

    necessatiomente, ciencia.Jules Henri Poincare

    A ciencia talvez seja 0mais novo dos ernpreendimentos intelectuais huma-nos, se considerarmos que, em sell formate atual, surgiu apenas no seculoXVII.Todavia, encontrarno-nos hoje totalmente imersos em suas referenciase subprodutos (os artefatos tecnologicos), Compreender a ciencia significacompreender urn pouco do nosso mundo conternporaneo ~ inc1uindo ai suasubjetividade inerente.

    Muito embora a maioria de nos nao pretenda se transformar em urn cien-tista propriamente dito, consideramos fundamental compreender minimamentecomo essa forma de conhecimento funciona e como influencia nossa vida coti-diana. 0 objetivo deste capitulo e buscar uma primeira aproximacao com0con-ceito e 0 universo da ciencia, em suas diversas acepcoes.

    A Melhor Calc;a Jeans do BrasilImagine a seguinte situacao: voce deseja cornprar uma calca jeans nova. Masvoce decide utilizar urn procedimento cientifico, ja que pretende alcancar

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    4 METODOLOGlA DA CIENClA

    o resultado rnais preciso e correto possivel. Bern, para que isso se concreti-ze, primeiro precisarernos de dinheiro - algo em torno de R$ 350 mil s6 paracomecar (toda pesquisa cientiflca deve ter urn orcarnento).o primeiro passo sera descobrirmos, por meio de urn levantarnento demercado, os rnodelos e fabricantes disponiveis, para que possarnos efetuarcornparacoes. Assim que soubermos quantos modelos vamos testar, podemosplanejar as fases seguintes da nossa pesquisa. Digamos que concluirnos, ap6surn levantarnento que durou 30 elias, que ha 600 modelos diferentes de ca1-cas, inc1uindo ai todas as variacoes de lavagens, tecidos, modelagens e fabri-cantes. 0 pr6ximo passo sera adquirirrnos, preferencialmente pelo menorpreco possivel, urn exemplar de cada modelo - nao nos esquecendo de ano-tar 0preco e os dados basicos dos fornecedores em uma planilha, para ana-lise futura.

    Teremos, entao, de submeter essas 600 calcas a uma serie de testes. Porexernplo: 0teste do "caimento". Vamos convidar cinco especialistas ern moda-tres estilistase dois jornalistas especializados - para que possam avaliar esse que-sito, atribuindo-lhe uma nota de zero a dez, enquanto voce desfila elegantemen-te em uma passarela, corn cada um dos 600 modelos, e claro. Com uma mediade 40 modelos por dia, essa etapa levara cerca de 15 dias para ser completaela.

    Depois, pass amos ao segundo teste: montamos um laborat6rio com 60maquinas de lavar e 60 secaeloras de roupa. Lavamos e secamos continuamen-te cada peca pelo menos 20 vezes. Analisarnos dois itens nessa etapa: a taxade desbotarnento da tintura (a cada lavagem) e a taxa de desagregacao pro-gressiva do tecido, quando analisado por meio de microscopies. Considerandoum tempo (estimado) de uma nora para lavar, 40 minutes para secar e umahora e 20 minutos para analisar cada pe

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    CIENOA: UMA v rsxo GERAL 5

    final de aproximadarnente dez meses, chegamos a conclusao perfeitamentecientifica de que a melhor calca jeans do Brasil e a. .. Bern, nao vamos revelaressa mforrnacao confidencial de altissimo valor comercial.

    Muito bern. A essa altura, voce deve estar pensando: e inviavel tentar resol-ver todos os problemas por meio de procedimentos "cientificos". No caso danossa calca, talvez 0melhor mesmo seja consultar aquela nossa amiga que jatern opiniao formada sobre 0 assunto e, entao, baseando-nos em sua experien-cia, podemos concluir alguma coisa sobre 0, tema - s6 que de forma rapida egratuita. A esse segundo procedimento damos 0 nome de sensa comum.

    o senso comum talvez seja a primeira forma de conhecimento a ter surgi-do sobre a face da Terra, juntamente com 0Homo sapiens, hi cerca de 40 milanos. E essa forma de conhecer 0mundo e extrema mente importante: sem ela,nao poderiarnos resolver os problemas mais banais do nosso dia a dia - comoo problema de descobrir a melhor calca jeans entre todas as que existem nomercado brasileiro. A todo instante precisamos tomar decisoes: a melhor marcade creme dental, a melhor combinacao de cores para a roupa que vamos usafem uma entrevista de emprego, 0aparelho celular que devemos comprar (etambern qual operadora de telefonia celular e plano de assinatura sao osmelhores para n6s) etc.

    Baseando-se no exemplo da calca, voce ja imaginou se f6ssemos nos me-ter a utilizar procedimentos cientificos para cada decisao dessas? E 6bvio quenao podemos fazer isso, pois nao teriamos nem 0tempo nem os recursos neces-sarios para tanto. E e precisamente por isso que 0 sensa comum e muito valio-so: ele nos permite tomar centenas de decisoes diariamente, sem que tenha-mos de mover "ceus e tetras".

    POl' outro lado, acreclitamos ter se tornado perfeitamente 6bvio tarnbem queo conhecimento adquirido por meio de um "rnetodo cientifico" parece ser bemmais preciso que 0 obtido por meio do senso comum. No caso do nosso exern-plo, pode ate ser que os dois processos conduzissem as mesmas conclusoes(ernbora isso seja improvavel), porem 0 processo cientffico e rnuito rnais dignode confianca.

    Assim, podemos estabelecer as bases para uma primeira cornparacao en-tre os dois processos:

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    6 METODOLOGIA DA CIENClA

    Quadro 1.1 Conhecimento cientffico e senso comumConhecimento obtldo a partir

    do senso eemum

    Objetivo e impessoal: e simples, direto e factual.Tende a ser rnais isenro, dependendo menosdos nossos [uizos e disposicoes pessoais

    Conhecimento obtido ,apartirde processos cientificos

    Asslstematico e desorganizado Sistematico e organizadoAmet6dico: frequentemente depende do acaso Met6dico: e produzido a partir de uma serlede procedimentos especificos e bem-definidosSubjetivo: depende de nossos [ulzos edlsposlcoes pessoais

    E muito importante compreender que uma forma de conhecimento nao esuperior a outra. De fato, sao complementares muitas vezes, 0 conhecimen-to cientifico depende e se origina de indagacoes oriundas do senso comum, 0que pode acabar resultando em alguma descoberta cientiflca importante. Porexernplo: a estrutura para a camera de bolhas utilizada para a deteccao de par-ticulas subatornicas ocorreu ao cientista Donald Glaser (Premio Nobel de Pisicaem 1960) quando ele olhava distraidamente para urn copo de cerveja, e a estru-tura quimica do benzene surgiu na mente de Friedrich Kekule enquanto ele dor-mitava em frente a lareira.

    Mas, afinal, 0que e exatamente 0 conhecimento cientifico? Podemos pen-sar assim: e 0 conhecimento produzido pelos cientistas (isso e uma tautologia'muito.interessante). E 0 que seria um cientista? Se perguntarmos a uma crianca,provavelmente ela nos did que se trata de uma pessoa de oculos, vestida comu

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