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Tera-feira, 16 de Outubro de 2007

I SrieNmero 37

BOLETIM OFICIALSUPLEMENTOSUMRIO

CONSELHO DE MINISTROS: Decreto-Legislativo n 5/2007: Aprova o Cdigo Laboral Cabo-verdiano.

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I SRIE NO 37 SUP. B. O. DA REPBLICA DE CABO VERDE 16 DE OUTUBRO DE 2007

CONSELHO DE MINISTROS Decreto-Legislativo n 5/2007de 16 de Outubro

Artigo 1 Aprovao

aprovado o Cdigo Laboral Cabo-Verdiano que faz parte integrante do presente diploma.Artigo 2 Ambito de aplicao

PREMBULO So j passados vinte anos sobre a aprovao do Regime Jurdico Geral das Relaes de Trabalho, aprovado pelo Decreto-Lei n 62/87, de 30 de Junho que substituiu o vetusto Diploma-Legislativo 1330, de 9 de Fevereiro de 1957. Neste interregno foram introduzidas duas alteraes de fundo nesse diploma, uma desencadeada pelo Decreto-Lei n 51-A/89, de 26 de Junho e outra pela Lei n 101/IV/93, de 31 de Dezembro. Estas alteraes, apesar da sua bondade, contriburam, todavia, para a fragmentao da legislao laboral. Os principais valores que dominam a legislao do trabalho so a dignidade da pessoa, que se qualica pelo esforo do seu trabalho; o dever de trabalhar no apenas para prover os meios necessrios subsistncia individual, mas tambm como contribuio para a valorizao e sobrevivncia colectiva da comunidade a que a pessoa pertence; a igualdade de oportunidades e a justia nos rendimentos. A nossa Constituio apreende as relaes de trabalho nesta perspectiva dinmica de valorizao do homem pelo esforo do seu trabalho, perspectiva que tem que encontrar um eco profundo na legislao do trabalho. Alm disso, a problemtica das relaes jurdico-laborais equaciona-se hoje com o objectivo da internacionalizao da economia. Se a reforma de 1993 j tinha em vista este objectivo, hoje esta preocupao coloca-se com maior acuidade: a economia cabo-verdiana cresceu, tornou-se mais exigente, os investidores buscam o nosso pas para nele revitalizarem o seu capital, mais do que acontecia em 1993. Quem investe o seu capital deve ter garantias seguras de que no ser defraudado por normas laborais que estropiam a produtividade. A par disso, o prprio Direito do Trabalho revitalizouse, aperfeioando-se aqui e ali. Se a legislao deve, por um lado, colocar o acento tnico no direito ao trabalho e reforar cada vez mais a proteco do trabalhador na sua sade fsica e mental, em suma, criar condies mais exigentes de prestao do trabalho, por outro, no pode deixar de realar o dever de trabalhar, e trabalhar com qualidade, como factor de valorizao do homem, de crescimento da economia nacional e de obteno de bem-estar para o trabalhador, a sua famlia e a sua comunidade. O tempo de hoje , pois, de celebrao do trabalho no apenas no sentido banal de que pelo trabalho adquirimos os bens necessrios nossa sobrevivncia individual e colectiva, mas no sentido mais nobre e profundo de que pelo trabalho o homem se liberta, se valoriza e se torna cada vez mais homem. Foram ouvidas as entidades representativas dos empregadores e dos trabalhadores. Ao abrigo da autorizao legislativa concedida pela Lei n 10/VII/2007, de 23 de Abril; No uso da faculdade conferida pela alnea b), do nmero 2, do artigo 203, da Constituio da Repblica, o Governo decreta o seguinte:

1. O Cdigo Laboral aplicvel a todas as relaes de trabalho subordinado estabelecidas no quadro de empresas privadas, cooperativas e mistas. 2. O Cdigo Laboral igualmente aplicvel a todas as situaes em que uma pessoa se obriga, mediante contrato de trabalho, a prestar a sua actividade prossional a uma pessoa colectiva de direito pblico ou equiparada, sob as ordens e direco dos respectivos rgos, mas sem submisso ao estatuto legal da funo pblica. 3. O Cdigo Laboral ainda aplicvel ao contrato de trabalho celebrado entre as Misses Diplomticas e Consulares cabo-verdianas e bem assim s Misses Diplomticas e Consulares estrangeiras, residentes em Cabo Verde, observando-se o que nele se estabelece quanto aplicao da lei no espao. 4. O trabalho rural e o trabalho nas Frentes de Alta Intensidade de Mo-de-Obra regem-se por legislao especial, sem prejuzo da aplicao subsidiria dos preceitos deste Cdigo em tudo o que no estiver regulado nessa legislao.Artigo 3 Tratamento mais favorvel

Os Instrumentos de Regulamentao Colectiva, os Regulamentos Internos e os contratos de trabalho podem estabelecer tratamento mais favorvel para o trabalhador do que o previsto no Cdigo Laboral.Artigo 4 Comunicaes obrigatrias

1. As comunicaes obrigatrias a que se reporta o Cdigo Laboral podem ser feitas por telefone, fax, carta, carta registada com aviso de recepo, email ou outro meio de comunicao, quer recaiam sobre o trabalhador, empregador, organismos representativos destes ou entidades administrativas encarregadas de scalizao das relaes de trabalho. 2. As comunicaes obrigatrias feitas por telefone ou email podem ser repetidas por outra via quando a entidade ou pessoa destinatria apresentar solicitao nesse sentido.Artigo 5 Contratao de portadores de decincia

1. As entidades empregadoras que contratarem por tempo indeterminado pessoas portadoras de decincia que reduza a sua capacidade de trabalho podem beneciar de uma majorao nos encargos do imposto sobre o rendimento xada anualmente no Oramento Geral de Estado. 2. O disposto no nmero anterior aplicvel aos contratos de trabalho ao domcilio celebrados com trabalhadores portadores de decincias.

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I SRIE NO 37 SUP. B. O. DA REPBLICA DE CABO VERDE 16 DE OUTUBRO DE 2007Artigo 6 Extenso dos incentivos Artigo 13 Legislao subsidiria

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O disposto no artigo anterior igualmente aplicvel ao contrato de prestao de servio celebrado com pessoas portadoras de decincia.Artigo 7 Trabalhos proibidos a menores

Em tudo quanto no estiver regulado no Cdigo Laboral aplica-se, subsidiariamente, o direito privado cabo-verdiano.Artigo 14 Revogao

O Membro do Governo responsvel pela rea de trabalho poder proibir, por portaria, a prestao do trabalho de menores assim como elevar os limites etrios xados no Cdigo Laboral para determinadas modalidades de trabalho, prosses ou sectores de actividade.Artigo 8 Fixao e mobilidade prossional

So revogados os seguintes diplomas: a) O Decreto-Lei n 62/87, de 30 de Junho, alterado pelo Decreto-Lei n 51-A/89, de 26 de Junho, ratificado com alteraes pela Resoluo da Assembleia Nacional Popular n 32/III/89, de 30 de Dezembro e alterado pela Lei n 101/IV/93, de 31 de Dezembro, que aprovou o Regime Jurdico Geral das Relaes de Trabalho, com excepo do nmero 5 do artigo nico da Lei 101/IV/93, de 31 de Dezembro, que permanece em vigor; b) O Decreto-Lei n 33/76, de 10 de Abril, na redaco dada pelo Decreto-Lei n 133/82, de 31 de Dezembro e derrogao efectuada pelo DecretoLei n 62/87, de 30 de Junho, que aprovou o regime das Faltas e Obrigatoriedade do Livro de Ponto nas Empresas; c) O Decreto-Lei n 76/90, de 10 de Setembro, que regulou o Direito Greve; d) O Decreto-Lei n 154/91, de 31 de Outubro que aprovou Estatuto da Inspeco do Trabalho; e) O Decreto-Lei n 170/91, de 27 de Novembro que regulou o exerccio do Direito de Associao Sindical; f) O Decreto-Regulamentar n 2/93 de 25 de Janeiro, que regulou os efeitos da iseno de horrio de trabalho; g) O Decreto-Lei n 36/93, de 21 de Junho que aprovou o Regime de Trabalho, Remuneraes e Frias dos Martimos.Artigo 15 Disposio transitria

O Governo pode xar um sistema de incentivos de xao ou mobilidade para as empresas que contratem trabalhadores em determinadas reas geogrcas.Artigo 9 Modicao dos contratos existentes

1. Sem prejuzo da observncia das regras de aplicao da lei no tempo, todos os contratos de trabalho vigentes data da entrada em vigor do Cdigo Laboral, qualquer que seja a forma, natureza e contedo, devem ser alterados nos 30 dias posteriores quela data, por forma a observarem o que nele est estabelecido. 2. A alterao prevista no nmero anterior em caso algum, pode ter como consequncia privar o trabalhador de direitos adquiridos luz da legislao anterior nem reduzir as expectativas legitimamente criadas no quadro dessa legislao.Artigo 10 Trabalhadores porturios actualmente inscritos

1. Aos actuais trabalhadores inscritos nos servios porturios competentes, data da entrada em vigor do presente Cdigo, reconhecido o direito carteira prossional correspondente categoria prossional em que se encontrem inscritos, independentemente da observncia de outros procedimentos. 2. A emisso da carteira prossional a que se reporta o nmero anterior tem lugar no prazo de 30 dias a contar da data da publicao do presente Cdigo e no poder, em caso algum, obstar ao exerccio da actividade prossional do trabalhador porturio, a no ser que o atraso na emisso seja, comprovadamente, devido a culpa do trabalhador.Artigo 11 Regulamentao

O regime estabelecido no Cdigo laboral no se aplica ao contedo das situaes constitudas ou iniciadas, por contrato de trabalho, antes da sua entrada em vigor, relativamente aos prazos de prescrio e de caducidade.Artigo 16 Entrada em vigor

O presente diploma e o Cdigo Laboral por ele aprovado entram em vigor no prazo de 180 dias a contar da sua publicao. Visto e aprovado em Conselho de Ministros. Jos Maria Pereira Neves - Sidnio Fontes Lima Monteiro Promulgado em 16 de Outubro de 2007. Publique-se. O Presidente da Repblica, PEDRO VERONA RODRIGUES PIRES Referendado em 16 de Outubro de 2007. O Primeiro-Ministro, Jos Maria Pereira Neves.

O Governo adoptar os regulamentos necessrios boa execuo do Cdigo Laboral, mas a aplicao deste diploma no depende da aprovao e aplicao dos referidos regulamentos.Artigo 12 Remisses

As remisses de normas contidas em diplomas legislativos ou regulamentares para a legislao revogada por efeito do artigo 14 consideram-se referidas s dispos