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890 COMUNICAÇÃO SUPLEMENTAR E OU ALTERNATIVA NO CONTEXTO DA MÚSICA: RECURSOS E PROCEDIMENTOS PARA FAVORECER O PROCESSO DE INCLUSÃO DE ALUNOS COM DEFICÊNCIA Débora DELIBERATO* 1 Andréa Carla PAURA** 2 Munique MASSARO*** 3 Vanessa RODRIGUES*** INTRODUÇÃO Uma escola inclusiva é aquela em que todos os alunos recebem oportunidades adequadas às suas habilidades e necessidades. O princípio orientador da declaração de Salamanca de 1994 é de que todas as escolas devam receber todas as crianças independentemente das suas condições físicas, sociais, emocionais ou intelectuais (CARVALHO, 1997). Neste contexto, a escola inclusiva deve prever ações conjuntas de diferentes profissionais para propor não só as adaptações físicas, mas as adequações curriculares necessárias às necessidades de cada aluno (DELIBERATO, 2005b, 2007). É importante discutir e ressaltar que em função da diversidade dos alunos com deficiência matriculados no ensino regular, o professor necessita de apoio técnico de diferentes profissionais da área da saúde, como no caso do fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional entre outros. Além destes profissionais, a escola também necessita do apoio do professor habilitado e/ou especializado em educação especial para que em conjunto com a escola seja possível elaborar um projeto pedagógico com as adaptações necessárias, para que o processo de inclusão no ensino regular seja viabilizado. A literatura tem discutido que grande parte dos alunos da Educação Especial pode apresentar comprometimento na linguagem oral e, por isso, o professor, muitas vezes, não consegue efetuar o processo de ensino e aprendizagem quer na classe especial, em Instituições e, principalmente, nas escolas regulares (DELIBERATO; MANZINI, 1997, 2006). Deliberato (2005a) discutiu a importância do momento da escuta ao professor, ou seja, os profissionais da saúde deveriam estar atentos a perceber as dúvidas identificadas ou relatadas pelo professor a respeito do aluno com deficiência sem oralidade (aluno com deficiência que não tem possibilidade de utilizar a fala como recurso de expressão). Neste contexto, a autora elencou exemplos de relatos obtidos durante entrevista com professores do ensino regular: 1 Docente do Departamento de Educação Especial e do Programa de Pós-Graduação em Educação da FFC/Unesp de Marília. 2 Aluna do programa de Pós-Graduação em Educação da FFC/Unesp de Marília. 3 Alunas do curso de Pedagogia da FFC/Unesp de Marília, bolsistas do Projeto Núcleo de Ensino.

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COMUNICAO SUPLEMENTAR E OU ALTERNATIVA NO CONTEXTO DA MSICA: RECURSOS E PROCEDIMENTOS PARA FAVORECER O PROCESSO DE

INCLUSO DE ALUNOS COM DEFICNCIA

Dbora DELIBERATO*1 Andra Carla PAURA**2 Munique MASSARO***3

Vanessa RODRIGUES***

INTRODUO

Uma escola inclusiva aquela em que todos os alunos recebem oportunidades

adequadas s suas habilidades e necessidades. O princpio orientador da declarao de

Salamanca de 1994 de que todas as escolas devam receber todas as crianas

independentemente das suas condies fsicas, sociais, emocionais ou intelectuais

(CARVALHO, 1997).

Neste contexto, a escola inclusiva deve prever aes conjuntas de diferentes

profissionais para propor no s as adaptaes fsicas, mas as adequaes curriculares

necessrias s necessidades de cada aluno (DELIBERATO, 2005b, 2007).

importante discutir e ressaltar que em funo da diversidade dos alunos com

deficincia matriculados no ensino regular, o professor necessita de apoio tcnico de diferentes

profissionais da rea da sade, como no caso do fonoaudilogo, fisioterapeuta, terapeuta

ocupacional entre outros. Alm destes profissionais, a escola tambm necessita do apoio do

professor habilitado e/ou especializado em educao especial para que em conjunto com a

escola seja possvel elaborar um projeto pedaggico com as adaptaes necessrias, para que

o processo de incluso no ensino regular seja viabilizado.

A literatura tem discutido que grande parte dos alunos da Educao Especial

pode apresentar comprometimento na linguagem oral e, por isso, o professor, muitas vezes,

no consegue efetuar o processo de ensino e aprendizagem quer na classe especial, em

Instituies e, principalmente, nas escolas regulares (DELIBERATO; MANZINI, 1997, 2006).

Deliberato (2005a) discutiu a importncia do momento da escuta ao professor,

ou seja, os profissionais da sade deveriam estar atentos a perceber as dvidas identificadas

ou relatadas pelo professor a respeito do aluno com deficincia sem oralidade (aluno com

deficincia que no tem possibilidade de utilizar a fala como recurso de expresso). Neste

contexto, a autora elencou exemplos de relatos obtidos durante entrevista com professores do

ensino regular:

1 Docente do Departamento de Educao Especial e do Programa de Ps-Graduao em Educao da FFC/Unesp de Marlia. 2 Aluna do programa de Ps-Graduao em Educao da FFC/Unesp de Marlia. 3 Alunas do curso de Pedagogia da FFC/Unesp de Marlia, bolsistas do Projeto Ncleo de Ensino.

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Como ensinar um aluno no-falante?

Quais os contedos que devem ser selecionados para os alunos no-falantes?

Quais so as estruturas curriculares?

Quais so os recursos e estratgias de comunicao suplementar e alternativa

que devem ser utilizados?

Quais as formas de avaliar a aprendizagem dos alunos no-falantes?

Como inserir a famlia no processo educacional?

As questes relatadas pelos professores esto relacionadas necessidade de

capacitao no s do ponto de vista terico, mas, tambm, informaes a respeito dos

recursos e procedimentos prticos que poderiam possibilitar a aprendizagem dos alunos com

deficincia sem oralidade.

Capovilla (2001) discutiu e salientou que no s o aluno com deficincia sem

oralidade deve ser instrumentalizado, mas os professores devem tambm ser capacitados e

receber os recursos adequados para ensinar e avaliar os alunos com severos distrbios

motores e da fala. Isto significa dar oportunidades aos alunos com deficincia a possibilidade

de demonstrar suas reais capacidades.

Comunicao Suplementar e Alternativa uma rea de atuao clnica que

objetiva compensar, temporria ou permanentemente, dificuldades de indivduos com

distrbios severos de expresso, isto , prejuzos severos de fala, linguagem e escrita,

segundo a American Speech-Language-Hearing Association - ASHA (1989). A Comunicao

Suplementar e Alternativa tambm vem sendo utilizada para designar um conjunto de

procedimentos tcnicos e metodolgicos direcionados a pessoas com perda ou retardo no

desenvolvimento da linguagem falada ou escrita fazer-se entender pelos seus interlocutores

(DELIBERATO; MANZINI; SAMESHIMA, 2003).

Esta rea de conhecimento enfatiza o uso de formas alternativas de

comunicao baseada no uso de gestos, lngua de sinais, expresses faciais, o uso de

pranchas de alfabeto ou smbolos pictogrficos, at o uso de sistemas sofisticados de

computador com voz sintetizada e visa basicamente dois objetivos: promover e suplementar a

fala para garantir uma forma alternativa de comunicao de um indivduo que no comeou a

falar (GLENNEN, 1997).

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Tambm possvel encontrar na literatura os termos comunicao ampliada ou

aumentativa em substituio ao termo suplementar. Neste trabalho o termo utilizado foi

comunicao suplementar e alternativa.

A comunicao suplementar quando a pessoa deficiente j tem habilidades

comunicativas, mas estas no so suficientes para serem compreendidas por distintos

interlocutores em diferentes meios ambientes. Neste contexto, a busca por recursos de

comunicao seria para suplementar uma fala e demais expresses que no so efetivas nas

trocas comunicativas. Enquanto que a comunicao alternativa na medida em que a pessoa

deficiente utiliza de recursos outros que no a fala nas diferentes intenes e proposies

(VON TETZCHNER; MARTINSEN, 2000; CAPOVILLA, 2001; MANZINI, DELIBERATO, 2004;

DELIBERATO, 2005a).

Segundo Alencar (2002), a Comunicao Suplementar e Alternativa pode ainda

ser classificada como assistida e no assistida. A Comunicao assistida requer instrumentos,

equipamentos alm do corpo do comunicador para produzir e emitir as mensagens, ou seja,

palavras escritas em papis, pranchas de comunicao com fotografias, desenhos, sistemas

de sinais pictogrficos, ideogrficos ou mesmo arbitrrios, enquanto a comunicao no

assistida refere-se ao uso de smbolos que no exigem equipamentos para sua produo. O

corpo do indivduo comunicador (face, mos, cabea, laringe, etc.), constitui o nico

instrumento necessrio para a emisso de mensagens, o qual se expressa por meio da fala, da

linguagem de sinais, de sinais manuais, de gestos e de expresses faciais.

Desta forma, a Comunicao Suplementar e Alternativa poderia abranger tanto

s formas de comunicao que complementa, suplementa e/ou substitui ou a fala com vistas a

suprir as necessidades lingsticas e a favorecer a interao (VON TETZCHNER;

MARTINSEN, 2000).

Nos ltimos anos a Comunicao Suplementar e Alternativa vem conquistando

mais espao tanto na rea clnica quanto educacional, possibilitando aos indivduos com

severos comprometimentos de fala e/ou linguagem a acessibilidade comunicativa

(DELIBERATO; MANZINI, 2006; DELIBERATO, 2007)

Assim, o uso de recursos de comunicao alternativa fundamental para

modificar as interpretaes errneas das pessoas do meio e possibilitar sua adaptao e sua

funcionalidade no contexto de um modo geral, ou seja, contribuir em muito para a dinmica no

contexto educacional (VON TETZCHNER, 2005; VON TETZCHNER; MARTINSEN, 2000).

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Usurios dos recursos de comunicao suplementar e alternativa

Qual ou quais alunos com deficincia poderiam ser beneficiados com os

recursos de comunicao suplementar e alternativa? Seriam os alunos com determinadas

deficincias definidas?

Von Tetzchner e Martisen (1996, 2000) discutiram que uma parcela da

populao de crianas, jovens e adultos que so incapazes de comunicar-se com outras

pessoas por meio da fala. Os mesmos autores incluem nesta populao crianas e adultos

com comprometimentos motores, pessoas com deficincias mentais, crianas e adultos com

autismo, crianas com atrasos no desenvolvimento da linguagem e pessoas com transtornos

do sistema nervoso central congnito ou adquirido.

importante ressaltar que o nvel de compreenso da linguagem e o prprio

prognstico para a aquisio e desenvolvimento da linguagem oral podem ser os indicadores

para o planejamento e organizao dos recursos de comunicao suplementar e alternativa

(VON TETZCHNER; MARTISEN, 1996; VON TETZCHNER; MARTINSEN, 2000; VON

TETZCHNER, 2005).

Neste contexto, poder-se-ia identificar trs grupos de pessoas com

necessidades diferenciadas: o primeiro grupo est relacionado com as pessoas com boa

compreenso da linguagem oral e que necessitam de um meio alternativo de expresso. O

segundo grupo est relacionado com pessoas que necessitam de auxlio de comunicao

durante um perodo de tempo, uma vez que a fala pode ser adquirida e desenvolvida de forma

funcional. Por fim, o terceiro grupo de pessoas necessitam dos recursos de comunicao

suplementar e/ou alternativa para a compreenso e para a expresso da linguagem (VON

TEZTCHNER; MARTISEN, 1993; VON TETZCHNER; MARTINSEN, 2000).

Sem o diagnstico no seria possvel pensar no incio de um trabalho?

Poder-se-ia argumentar e discutir que os usurios dos sistemas de comunicao

suplementar e alternativa seriam avaliados pelas suas reais possibilidades expressivas, ou

seja, crianas, jovens e adultos que no conseguem falar ou ainda, indivduos que falam, mas

no so compreendidos por diferentes interlocutores (MANZINI, 2001; DELIBERATO, 2005a).

Neste contexto de discusso, importante ressaltar e lembrar que os sistemas de

comunicao suplementar e alternativos so recursos e procedimentos utilizados para

melhorar a recepo, a compreenso e a expresso da linguagem (ROTHSCHILD; NORRIS,

2001).

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Estratgias selecionadas para o uso de comunicao alternativa

Os profissionais da educao e da sade devem estar atentos quanto ao

planejamento de implementao dos recursos da rea de comunicao suplementar e

alternativa. Pelo fato de ainda ser uma rea de pouco conhecimento entre diferentes

interlocutores na sociedade nacional, a literatura discutiu a falta de acesso aos diferentes

instrumentos j elaborados e divulgados pela comunidade cientfica (DELIBERATO; MANZINI,

2006; SAMESHIMA; DELIBERATO, 2007; DELIBERATO, 2007).

Manzini e Deliberato (2007) demonstraram que o ambiente em que os materiais

podem ser utilizados deve ser o mais natural possvel, ou seja, as estratgias programadas

pelo professor ou profissional da sade devem estar vinculadas a uma rotina de interesse e

funcionalidade para o aluno com deficincia. Neste sentido, procedimentos em situaes

naturais so fundamentais para o aluno ser envolvido nos recursos selecionados, como por

exemplo: preparar um bolo, pipoca, ir padaria, jogos, etc (SAMESHIMA, 2006; SAMESHIMA;

DELIBERATO, 2007).

O sistema de comunicao selecionado vai ser mais eficiente no momento em

que os profissionais estiverem atentos nas diferentes possibilidades expressivas j utilizadas

pelos sujeitos sem oralidade: gestos, linguagem de sinais, vocalizaes, expresses faciais.

Desta forma, poder-se-ia valorizar o potencial j existente para ampliar e inserir outros recursos

que possibilitem maior participao do aluno com deficincia sem oralidade nas diferentes

situaes.

Os smbolos selecionados e as pranchas confeccionadas podem ser elaborados

para uma atividade especfica ou mesmo para um jogo. Nestas situaes, possvel colocar

rtulos nos objetos, seqncia de cartes para uma determinada atividade durante a rotina,

receitas e livros adaptados etc.

O conto e reconto de histrias pode ser um procedimento importante para o

professor inserir o aluno com deficincia sem oralidade no contedo pedaggico e nas

situaes em grupo. O livro deve ser adaptado segundo a necessidade do aluno, ou seja, as

adequaes podem ser de contedo e de formatao do material (MUNIZ, 2004; SILVA;

DELIBERATO, 2007).

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Msica como instrumento de comunicao e recurso pedaggico

Autores discutiram que alunos com deficincia tm demonstrado interesse no

uso das histrias e da msica nas atividades acadmicas (DELIBERATO et al, 2007). Costa e

Del Valle (1969) discutiram que a msica um elemento incentivador, pois atende

necessidades de aceitao do grupo; pode oferecer segurana e satisfao; dar e receber

afeto alm de propiciar a auto-expresso e criatividade. Os autores discutiram a importncia da

msica no despertar do interesse nos alunos em temas como cincia, matemtica entre outros.

A msica uma forma de linguagem, capaz de comunicar e expressar

sensaes, sentimentos, e pensamentos. Contribui para a promoo da interao,

comunicao social e da aprendizagem escolar.

Deliberato et al (2007) discutiram que a msica tambm tem sido uma atividade

de interesse para os alunos e para o professor para ser utilizada como recurso em

determinados procedimentos pedaggicos. Neste caso, os autores identificaram e discutiram a

possibilidade de ampliar os conhecimentos da lngua portuguesa, no que se refere aquisio

de vocabulrio, organizao sinttica e a prpria construo de texto oral e escrito. Os mesmos

autores, tambm alertaram a contribuio da msica no contedo de cincias e matemtica

(DELIBERATO; PAURA; NETA, 2007 ).

Projeto da msica na classe especial

O projeto da msica foi um projeto do Ncleo de Ensino vinculado ao Projeto de

Pesquisa e Extenso de Comunicao Suplementar e Alternativa da Faculdade de Filosofia e

Cincias do campus de Marlia. Proporcionou a atuao conjunta dos alunos dos cursos de

Pedagogia, Programa de Aprimoramento Profissional e do Programa de Ps-Graduao em

Educao.

Os objetivos do trabalho foram: ampliar as situaes sociais dos alunos com

deficincia sem oralidade por meio da msica adaptada com recursos de comunicao

suplementar e alternativa e favorecer a aprendizagem acadmica dos alunos com deficincia

sem oralidade por meio da msica.

Participaram do trabalho envolvendo a msica alunos com deficincia fsica e

mltipla de duas classes especiais de uma escola estadual de uma cidade de So Paulo, com

idade entre 8 e 23 anos; sendo 18 aluno com deficincia e 14 alunos com deficincia sem

oralidade.

Durante as atividades realizadas foram utilizados: Filmadora para filmagem das

situaes de coleta de dados; mobilirio adequado ao posicionamento dos alunos; computador,

impressora; vdeo Cassete e fitas VHS; cmera Digital e instrumentos musicais.

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Para a realizao das atividades foram utilizados: tabuleiros de comunicao

com fotos e figuras do programa Boardmaker (MAYER-JONHSON, 2004); pranchas com velcro

para apresentao das figuras e/ou objetos de diversos tamanhos; instrumentos musicais,

como pode ser visualizado a seguir:

Figura 1: Recursos utilizados para a comunicao e para produo de textos (MANZINI; DELIBERATO; 2004, 2007).

Procedimentos iniciais das atividades

Foram realizados quatro encontros com os dois professores das classes

especiais para discusso, identificao e adaptao dos objetivos estabelecidos no

planejamento acadmico para viabilizar as atividades envolvendo a msica. Aps os encontros

com os professores foram estabelecidas as seguintes etapas:

1. Observao semanal dos alunos com deficincia nas atividades acadmicas

durante quatro semanas.

2. As msicas trabalhadas foram selecionadas de acordo com o interesse dos

alunos e professores, com a preocupao de que a letra da msica estivesse contemplando

temas relacionados aos objetivos pedaggicos.

Aps a seleo das msicas foi possvel estabelecer uma proposta de

procedimento em conjunto com os professores.

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Procedimento das atividades envolvendo a msica

No incio do trabalho, os instrumentos musicais e seus nomes foram

demonstrados a todos os alunos de forma que todos pudessem conhecer e vivenciar cada um

deles.

Quanto s atividades propostas durante os encontros destacaram:

A reproduo de jogos rtmicos e sonoros com os instrumentos e palmas;

Confeco de instrumentos com sucata;

Pinturas de acordo com o ritmo da msica;

Identificao do ritmo e estilo da msica como, por exemplo, se lenta, ou

acelerada, rock, sertaneja, ou valsa.

Interpretao do tema das msicas como, por exemplo, sobre o que fala a

msica e em que ambiente.

Identificao na letra escrita da msica de: grafemas, fonemas, palavras,

frases.

A adaptao das letras das msicas aos smbolos do Picture Communication

Symbols, e impresso destas em tamanho mdio e grande para que os

alunos possam acompanhar.

Produo de texto na rea da cincia, geografia e histria.

Confeco e pintura de peas de gesso relacionadas ao tema proposto, com

contexto para o desenvolvimento de contedos de matemtica: operaes de

adio, subtrao.

A seguir possvel verificar recursos confeccionados e trabalhados com os

alunos durante os procedimentos da atividade envolvendo a msica:

Figura 2: Objetos, fotos, figuras utilizadas durante as atividades.

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Por meio das adaptaes dos textos envolvendo as msicas foi possvel elaborar e

produzir textos respeitando as diversidades dos alunos, como possvel observar a seguir:

Figura 3: Textos adaptados por meio de figuras do programa Boardmaker (MAYER-JOHNSON, 2004).

Os textos adaptados para cada aluno permitiram participao nas diferentes

atividades pedaggicas previstas pelo professor. A figura a seguir ilustra um aluno participando

da atividade de texto.

Figura 4: Texto da msica adaptado para a atividade pedaggica

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Procedimentos de anlise das atividades

As atividades foram descritas semanalmente por meio de registros de filmagens

e fotografias das atividades; dirio de campo a respeito dos aspectos comunicativos e

comportamentais dos alunos no contexto escolar.

Os resultados indicaram aumento de possibilidades expressivas dos alunos com

deficincia sem oralidade, como no caso das vocalizaes; melhora da motivao e

socializao com aumento da participao dos alunos durante as atividades pedaggicas;

participao dos alunos com deficincia sem oralidade na elaborao de textos por meio do

uso de fotos das seqncias das atividades realizadas com as msicas; participao dos

alunos com deficincia na elaborao e interpretao de textos por meio de figuras do

programa Boardmaker; participao dos alunos nas atividades elaborao de palavras, frases

e textos por meio da escrita a respeito do tema das msicas selecionadas; uso dos recursos de

comunicao por meio de figuras em outros contextos.

Figura 5: Texto da msica adaptado para a atividade pedaggica.

CONCLUSES

Aps a anlise dos resultados foi possvel verificar:

1. Aumento das trocas comunicativas entre os alunos e professores.

2. Criao de contextos favorveis ao processo de ensino e aprendizagem.

3. Aumento das possibilidades de interao social no ambiente escolar.

4. Participao dos alunos com deficincia sem oralidade nas atividades de

produo de texto: elaborao e expresso.

Para que o aluno com deficincia, sem a

oralidade, possa participar das atividades

pedaggicas e sociais, os professores em

conjunto com os demais profissionais da sade

devem propor recursos e atividades que

possibilitem a real aprendizagem destes

alunos para que eles possam participar

efetivamente do processo de incluso escolar

e social.

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