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  • Primal-Dual

    recital de formatura em contrabaixo popular

    Murilo Santos de LimaRA 137105

    MU999 Projeto Final de Graduao

    Departamento de Msica

    Instituto de Artes

    Universidade Estadual de Campinas

    Orientador: Prof. Dr. Jos Alexandre Leme Lopes Carvalho

    Campinas, novembro de 2015

  • Resumo

    Primal-Dual: recital de formatura em contrabaixo popular

    Este trabalho descreve o processo criativo do meu recital de formatura em Msica Popu-lar, com nfase em Contrabaixo. A apresentao aconteceu no dia 30 de outubro de 2015,s 20 horas, no Auditrio do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas.

    No meu recital eu exploro o conceito de dualidade atravs da contraposio de gnerosmusicais: a msica erudita do sculo XX, o jazz, a MPB instrumental e o rock alternativo. Oprograma contou com composies prprias e obras de Jean-Michel Defaye, Toninho Horta,Trio Corrente, Dave Holland, Miroslav Vitous, Radiohead, Loose Fur e Wilco.

    Palavras-chave: msica popular, contrabaixo, dualidade.

    ii

  • Sumrio

    1 Introduo 1

    2 Repertrio: Msica Erudita 42.1 Mother Mary Variao V: Let It Be (Murilo de Lima, 2013) . . . . . . . . 42.2 Pizzarco (Jean-Michel Defaye, 1978) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52.3 Variao sobre 8 cordas (Murilo de Lima, 2014) . . . . . . . . . . . . . . . . 62.4 piano forte (Murilo de Lima, 2014) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7

    3 Repertrio: MPB Instrumental / Jazz 93.1 Francisca (Toninho Horta, 1989) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93.2 Venezuelana no. 1 (Fabio Torres, 2010) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 103.3 Conference of the Birds (Dave Holland, 1973) . . . . . . . . . . . . . . . . . 103.4 You Make Me So Happy (Miroslav Vitou, 1980) . . . . . . . . . . . . . . . . 11

    4 Repertrio: Rock Alternativo 124.1 Pyramid Song (Radiohead, 2001) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 124.2 A Wolf at the Door (Radiohead, 2003) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134.3 Apostolic (Loose Fur, 2006) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 134.4 Side with the Seeds (Wilco, 2007) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14

    5 Concluso 16

    A Anexo: Cartaz 18

    B Anexo: Programa 20

    C Anexo: Partituras 25

    iii

  • 1 Introduo

    dualidade, s.f.. 1. qualidade do que dualou duplo em natureza, substncia ou princpio.

    Dualidade um conceito amplo, com definies diversas em diferentes disciplinas.Em Fsica, a dualidade onda-partcula, dualidade onda-corpsculo ou dualidade

    matria-energia, constitui uma propriedade bsica dos entes fsicos em dimenses atmicas e por tal descritos pela mecnica quntica que consiste na capacidade dos entes fsicossubatmicos de se comportarem ou terem propriedades tanto de partculas como de ondas.([RE79] apud [Liv15a])

    Em Filosofia e Teologia, dualismo uma concepo filosfica ou teolgica do mundobaseada na presena de dois princpios ou duas substncias ou duas realidades opostas,irredutveis entre si e incapazes de uma sntese final ou de recproca subordinao. Emparticular, o dualismo entende que a realidade se divide em dois tipos de substncias,matria e esprito ([Har96] apud [Liv15b]). O taosmo, em especial, professa que tudono universo contm duas foras fundamentais e complementares: [...] o yin o princpiofeminino, a gua, a passividade, escurido e absoro; o yang o princpio masculino, ofogo, a luz e atividade, e que nada existe no estado puro: nem na atividade absoluta, nemna passividade absoluta, mas sim em transformao contnua. Alm disso, qualquer ideiapode ser vista como seu oposto quando visualizada a partir de outro ponto de vista. ([98]apud [Liv15c])

    Em otimizao matemtica, os problemas de otimizao podem ser vistos por duas pers-pectivas: o problema primal e o problema dual. Se o problema primal um problema deminimizao, o dual ser de maximizao, e o valor da soluo do dual um limite inferiorpara o valor da soluo do primal. Para um problema de programao linear, por exemplo,se as restries do problema primal so vistas como as linhas de uma matriz, as restriesdo problema dual sero as colunas da mesma matriz. Em otimizao combinatria, emparticular, um algoritmo primal-dual encontra uma soluo primal tima (ou aproximada)construindo uma soluo dual vivel de mesmo valor. ([BV04] apud [Enc15])

    O conceito de dualidade comeou a despertar minha ateno quando muitas pessoascomearam a me definir como uma pessoa contraditria. Comecei, ento, a perceber quemuitos aspectos opostos coexistem em minha personalidade, e que muito disso pode serexplicado por meu mapa astral possuir Sol em Peixes e Ascendente em Gmeos.

    1

  • 2

    highly contradictoryPisces asc. Geminia romantic sluta gullible scientist / a rational musiciana conservative vanguardista spiritualized materialista social lonera peaceful neurotican optimistic nihilistan obedient anarchist

    altamente contraditrioPeixes asc. Gmeosuma vadia romnticaum cientista crdulo / um msico racionalum vanguardista conservadorum materialista espiritualizadoum solitrio socialum neurtico pacatoum niilista otimistaum anarquista obediente

    A letra da cano Theologians do Wilco (lbum A Ghost Is Born, Nonesuch Re-cords, 2004) vinha fazendo muito sentido para mim h algum tempo.

    TheologiansThey dont know nothingAbout my soul

    Im an oceanAn abyss in motionSlow motion

    Inlitterati lumen fideiGod is with us everydayThat illiterate lightIs with us every night

    TheologiansThat dont know nothingAbout my soulOh they dont know

    They thin my heart with little thingsAnd my life with changeOh in so many waysI find more missing every day

    Theologians

    [...]

    Hey Im a cherry ghostA cherry ghost

    (Jeff Tweedy / Mikael Jorgensen /Chris Girard)

    Os telogosEles no sabem nadaSobre minha alma

    Eu sou um oceanoUm abismo em movimentoCmera lenta

    A luz da f ignoranteDeus est conosco todos os diasAquela luz iletradaEst conosco todas as noites

    Os telogosQue no so bem nadaSobre minha almaOh eles no sabem

    Eles minguam meu corao com pequenas coisasE minha vida com mudanaOh de tantas formasQue me encontro mais perdido a cada dia

    Telogos

    [...]

    Oi eu sou um fantasma de cerejaUm fantasma de cereja

    (traduo livre)

  • 3

    Durante minha graduao em Msica Popular, tive muitos conflitos (internos, com co-legas e com professores) por no me encaixar no perfil de msico que o curso formata. Noincio do curso, meu interesse maior era focar em composio e produo musical; apesar deeu ter prestado a modalidade de Contrabaixo Popular, eu no tinha muita motivao paraestudar tcnica no instrumento. Nesse perodo, cheguei a prestar modalidade combinadade Composio, uma vez que sempre tive mais interesse por msica erudita que por jazz,mas por fim decidi cursar algumas disciplinas da Composio e continuar na Msica Po-pular; minha intuio me dizia que assim teria mais oportunidades de crescimento pessoal.Nesse perodo tambm tive a oportunidade de produzir um EP independente na disciplinade Msica e Tecnologia, compondo, tocando e realizando a produo.

    Essa realidade mudou bastante quando tive oportunidade de adquirir um contrabaixoacstico e comear a estudar esse instrumento. Apesar de tocar msica popular, estuda-setcnica erudita tradicional nesse instrumento, e despertou em mim uma disciplina para estu-dar tcnica que antes no havia. Houve um perodo em que, fora a disciplina obrigatria dePrtica Instrumental, eu s estudava msica erudita, e inclusive cheguei a cursar a disciplinade Prtica Orquestral como disciplina eletiva. No final desse perodo, voltei a me interes-sar por jazz, que no incio do curso era uma obrigao que no fazia muito sentido paramim dentro das minhas ambies com msica, cujo foco era o rock alternativo, a msicaindependente e experimental.

    Conclu, ento, que sou ummsico com vertentes diversas: gosto muito de msica erudita,de jazz e de MPB instrumental, apesar do meu foco ser o rock alternativo. Percebi tambmque essas diferentes vertentes auxiliam no desenvolvimento uma da outra, e acredito queum msico completo precisa conhecer Msica como um todo e dialogar com diversos gnerosmusicais, tendo estes aceitao acadmica e popular ou no. Procurei, ento, no meu recital,apresentar essas dualidades e contradies atravs de um repertrio plural e instigante, queapresento a seguir.

    Organizao do Texto

    No Captulo 2, apresento as peas de msica erudita apresentadas no recital. No Captulo 3apresento as peas de MPB instrumental e jazz e, no Captulo 4, as canes de rock al-ternativo. Por fim, no Captulo 5 so apresentadas algumas concluses. Nos anexos, estoincludos o cartaz e o programa do recital, alm das partituras e transcries das msicasapresentadas.

  • 2 Repertrio: Msica Erudita

    O repertrio de msica erudita consistiu basicamente em trs composies minhas, oriundasde trabalhos das disciplinas de composio, e uma pea de confronto erudita para contrabaixoacstico. O intuito deste bloco era apresentar o trabalho feito nas disciplinas de composioe no estudo tcnico do contrabaixo acstico.

    2.1 Mother Mary Variao V: Let It Be (Murilo de

    Lima, 2013)

    A pea Mother Mary consiste num tema com variaes, composto para a disciplina MU243 Iniciao Composio II, ministrada pela Profa. Denise Garcia e cursada no semes-tre 2013.2. A parte A do tema me veio num sonho, no qual uma me brincava com seu bebnuma piscina num dia de sol. Ao acordar, gravei a melodia rapidamente, e quando surgiua proposta do trabalho de tema com variaes, lembrei desse material e decidi compor esseconjunto de peas em dedicao minha me, que se chama Maria.

    Denominei o tema de Infncia, e as variaes versam sobre diferentes momentos daminha relao com minha me. A ltima variao, que foi apresentada no recital, se chamaLet It Be e trata de um m