conhecer pessoa / CID SEIXAS O ECO DA .editora universitÁria do livro digital e-book.br cid seixas

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EDITORA UNIVERSITRIADO LIVRO DIGITAL

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OU O SIGNO

CID SEIXAS

DAINTERDIO

ARISCOOU O SIGNO

Formando uma constelaodifusa de sentidos, o discursoda arte se inscreve no univer-so simblico com uma duplaidentidade. Atravs de umadelas, compartilha o conheci-mento impreciso dos objetoscom uma hipottica linguagemprimitiva, descrita por Vico eRousseau. Atravs da outra,transpe os limites cognitivosda lngua, plena de sentidos,para captar e enformar as di-menses do real que constitu-em o reino flutuante de umaoutra lgica: o espao de trans-gresso. Ou a terceira margemdo sentido.

A srie intitulada ConhecerPessoa trata de questes da te-oria do conhecimento e da arte,a partir das ideias estticas eda criao potica de FernandoPessoa.

Aqui esto, divididos em novepequenos livros, os textos es-critos por Cid Seixas a partirde uma pesquisa sobre a obradesse importante poeta danossa lngua e das suas diver-sas incurses pela filosofia epelas cincias da cultura.

Observe o leitor que os au-tores antigos dividiam seusescritos em livros, cujas di-menses correspondem sgrandes partes ou grandescaptulos das obras atuais.

Para atender dinmica detextos breves na internet, ado-tou-se aqui a partio do ma-terial em livros, forjando um elono tempo.

O ECO DA INTERDIO

Disponibilizao deste e-book:https://issuu.com/ebook.br/docs/6.ecohttps://issuu.com/cidseixas/docs/6.eco

http://www.e-book.uefs.brhttp://www.linguagens.ufba.br

Copyright 2017 Cid SeixasTipologia Original Garamond, corpo 12

Formato 120 x 180 mm126 pginas

EDITORA UNIVERSITRIADO LIVRO DIGITAL

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Cid Seixas

O ECO DAINTERDIOOU O SIGNO ARISCO

Conselho Editorial:Adriano Eysen (UNEB)

Cid Seixas (UFBA/UEFS)Alana El Fahl (UEFS)

Francisco Ferreira de Lima (UEFS)Massaud Moiss (USP)

Livro I:ESPAO DE TRANSGRESSO E ESPAO DE CONVENO

Livro II:A CONSTRUO DO REAL COMO PAPEL DA CULTURA

Livro III:A POESIA COMO METFORA DO CONHECIMENTO

Livro IV:O SIGNO POTICO, FICO E REALIDADE

Livro V:DO SENTIDO LINEAR CONSTELAO DE SENTIDOS

Livro VI:O ECO DA INTERDIO OU O SIGNO ARISCO

Livro VII:A POTICA PESSOANA, UMA PRTICA SEM TEORIA

Livro VIII:O DESATINO E A LUCIDEZ DA CRIAO EM PESSOA

Livro IX:UMA UTOPIA EM PESSOA:

CAEIRO E O LUGAR DE FORA DA CULTURA

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SUMRIO

A lngua e os sentidos ............................... 9Por que no? Ah!Um signo esttico ..................................... 39Fernando, rei de Romaou O surdo caos das coisas ...................... 47De falso signoa superfuno sgnica ................................. 63Referncias e bibliografia ....................... 77

Obras do autor ...................................... 119

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o risco do coriscoque cai no cho e vira cisco.

Adgio popular

Meu pensamento um rio subterrneo.Fernando Pessoa

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A LNGUAE OS SENTIDOS

Formando uma constelao difusa de sen-tidos, o discurso da arte se inscreve no univer-so simblico com uma dupla identidade. Atra-vs de uma delas, compartilha o conhecimen-to impreciso dos objetos com uma hipotticalinguagem primitiva, descrita por Vico e Rous-seau. Atravs da outra, transpe os limitescognitivos da lngua, plena de sentidos, paracaptar e enformar as dimenses do real queconstituem o reino flutuante de uma outralgica: o espao de transgresso. Ou a terceiramargem do sentido.

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O elenco de possibilidades do discurso daarte se evidencia no dialogismo da poesiapessoana, desde a neurose cosmopolita doengenheiro lvaro de Campos, passando pelatradio neoclssica de Ricardo Reis e pelosimbolismo impregnado de cultura na vozortnima.

Selvagem e metropolitana, a linguagem po-tica promove o retorno do olhar humano,vestido de histria e de cultura, ao cenrioinaugural dos smbolos: a natureza. Atravsda arte, a cultura rev seus fundamentos e re-comea seu trajeto espiral, como se o homemroubasse dos deuses o dom de caminhar decostas e nascer de novo, conservando a expe-rincia vivida.

Desvendar o enigma proposto pelos demi-urgos do ato e do destino seria o papel da arte,cuja linguagem corre como um rio subterr-neo, misturando, por vezes, suas guas aoscaudais da superfcie.

Com as duas mos o Ato e o Destino Desvendamos. No mesmo gesto, ao cuUma ergue o facho trmulo e divino

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o eco da interdio

E a outra afasta o vu.(Pessoa, 1972, p. 127)

Apesar desses caminhos, Umberto Eco de-senvolve formulaes que terminam negandoa especificidade semitica do discurso da arte:E isto porque no h um signo esttico em sinem um uso esttico dos signos isolados e nemmesmo, seno de forma elementar, um usoesttico de reduzidos complexos de signos.(Eco, 1977, p. 23)

Negligenciando a especificidade das formasdo contedo do discurso da arte, j apontadapelo seu livro da fase inicial, Obra aberta, Ecofilia-se vertente proposta pelo segundoJakobson, sustentando a identidade entre osigno lingustico e a funo sgnica instaura-dora do sentido potico. evidente a oposioentre esta doutrina e a teoria do texto apontadapela obra potica pessoana e, por extenso, pelalrica moderna, na qual se insere.

Tudo que vemos outra coisa.A mar vasta, a mar ansiosa, o eco de outra mar que est

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Onde real o mundo que h.(Pessoa, 1972, p. 127)

Visto como contraveno do real, o signopotico prope uma configurao alternativada realidade, paralela e distinta daquela que construda pelo signo lingustico. A lgica dalngua abandonada em favor de uma outralgica, que pretende chegar a um universoonde os caminhos usuais no foram capazesde conduzir a razo do homem. Ah, tudo smbolo e analogia! por isto que no temainicial do Primeiro Fausto, onde o conheci-mento passa pela construo dos signos, ousmbolos, Pessoa prope:

Nos vastos cus estreladosQue esto alm da razo,Sob a regncia de fadosQue ningum sabe o que so,H sistemas infinitos,Sis centros de mundos seus,

E cada sol um deus.Eternamente excludos

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Uns dos outros, cada um universo.

(Pessoa, 1972, p. 455)

Um dos divisores de gua entre o signopotico e o signo lingustico o plano do con-tedo de um e do outro: se o primeiro man-tm o espanto do olhar inaugural, conservan-do difuso o contorno do objeto conhecido, osegundo encontra na natureza utilitria dodiscurso cotidiano uma poderosa amarra dosseus limites. Como toda descoberta pertenceao difuso reino do desconhecido, o objeto re-velado pelo signo potico permanece aindavelado, desafiando a inteligncia e a sensibili-dade a novas aventuras de descoberta.

Para a cincia dos signos professada porUmberto Eco, a preciso do farol a delinear aluz e a sombra que permite caracterizar oobjeto signo e reconhecer a sua existncia. Asunidades que ele chama de signos vagos ou sm-bolos (em sentido potico) no lhe parecemsignos. Seriam apenas estmulos capazes deprovocar uma colaborao inventiva dofruidor, ou signos sem cdigo e por isso fal-

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sos signos, aos quais o emissor atribui um sen-tido e o destinatrio outro. (Eco, 1977, p.61)

O receptor do texto esttico colabora como criador na construo do sentido, transfor-mando a obra de arte numa espcie de espe-lho vivo que reflete, na limpidez da superf-cie, no s o trabalho do seu artfice, mas tam-bm a face que nele se mira. O papel ativodesse receptor tomado pela teoria dos sig-nos de Eco como um impasse para o reco-nhecimento dos smbolos poticos como sig-nos de uma linguagem autnoma e com ca-ractersticas especficas.

evidente que o seu modelo de signo olingustico. Como animal simblico, prisio-neiro da lngua, meu casulo meu modelo.Por isto, Eco se limita s formas do eco pro-duzidas pela lngua. Ou ainda: o que ele bus-ca na lngua, para servir de lente capaz de focaros outros sistemas, a sua denotao quaseinequvoca, como se o terico da obra abertados anos sessenta buscasse a preciso lgico-matemtica que caracteriza o tratado desemitica dos anos setenta.

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H uma corrente de tericos da informa-o, de filsofos e de cientistas, que elege ossistemas formais altamente unvocos comopadro exemplar. No de agora que se apon-ta a ambiguidade da linguagem verbal comouma espcie de calcanhar de Aquiles do siste-ma de comunicao humana. A ambiguidadee a conotao seriam responsvis pelos equ-vocos impostos filosofia e cincia.

Uma lgebra lingustica tentaria quebrar atradio do impasse, cortando as asas do ver-bo. Atado ao peso dos objetos, ele seria umfiel espelho reprodutor de imagens conheci-das.

Do outro lado do muro, Bernardo Soares,quando fala da civilizao e da arte, plasma osefeitos do signo potico sobre os objetos domundo dos homens:

E realmente o nome falso e o sonho ver-dadeiro criam uma nova realidade. O objetotorna-se realmente outro, porque o tornamosoutro. Manufaturamos realidades. A matriaprima continua sendo a mesma, mas a forma,que a arte lhe deu, afasta-a efetivamente de con-tinuar sendo a mesma. (Pessoa, 1972, p. 39)

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Barthes (1977, p. 14) espanta o monstroque dorme em cada signo o esteretipo ,acusando a lngua de ser fascista; pois o fas-cismo no impedir de dizer, obr