Conselho Nacional de Justiça - ?· os juízes de Direito integrantes das Câmaras Extraordinárias…

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Poder Judicirio

Conselho Nacional de JustiaConselho Nacional de JustiaConselho Nacional de JustiaConselho Nacional de Justia Secretaria Processual

CERTIDO DE JULGAMENTO

177 SESSO ORDINRIA

PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO 0003941-31.2013.2.00.0000 Relatora: CONSELHEIRA GISELA GONDIN RAMOS Requerente: INSTITUTO DE DEFESA DO DIREITO DE DEFESA-IDDD Requerido: TRIBUNAL DE JUSTIA DO ESTADO DE SO PAULO Advogados: FERNANDO GARDINALI CAETANO DIAS - SP287488 RENATO STANZIOLA VIEIRA - SP189066

CERTIFICO que o PLENRIO , ao apreciar o processo em epgrafe, em sesso realizada nesta data, proferiu a seguinte deciso:

O Conselho, por unanimidade, julgou parcialmente procedente o pedido para desconstituir to somente o pargrafo nico do art. 7 da Resoluo n 590/2013 do Tribunal de Justia do Estado de So Paulo, nos termos do voto da Relatora. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Flavio Sirangelo. Presidiu o julgamento o Conselheiro Joaquim Barbosa. Plenrio, 22 de outubro de 2013.

Presentes sesso os Excelentssimos Senhores Conselheiros Joaquim Barbosa, Francisco Falco, Maria Cristina Peduzzi, Ana Maria Duarte Amarante Brito, Guilherme Calmon, Deborah Ciocci, Saulo Casali Bahia, Rubens Curado Silveira, Gilberto Martins, Paulo Teixeira, Gisela Gondin Ramos, Emmanoel Campelo e Fabiano Silveira.

Presentes a Subprocuradora-Geral da Repblica Ela Wiecko

Volkmer de Castilho e, representando o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Cludio Pereira de Souza Neto, Secretrio-Geral.

Braslia, 22 de outubro de 2013.

Mariana Silva Campos Dutra Secretria Processual

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PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO 0003941-31.2013.2.00.0000

Requerente: Instituto de Defesa do Direito de Defesa-idddRequerido: Tribunal de Justia do Estado de So Paulo

Advogado(s): SP287488 - Fernando Gardinali Caetano Dias (REQUERENTE) SP189066 - Renato Stanziola Vieira (REQUERENTE)

EMENTA: PROCEDIMENTO DE CONTROLE

ADMINISTRATIVO. RESOLUO N 590, DE 2013, DO TJSP.

CMARAS CRIMINAIS EXTRAORDINRIAS. CRIAO.

ORGANIZAO JUDICIRIA. JUIZ NATURAL. DUPLO

GRAU DE JURISDIO. VIOLAO. INOCORRNCIA.RESOLUO N 72, DE 2009, DO CNJ. STF. SUPERAO.

TEMPORARIEDADE E EXTRAORDINARIEDADE. JUIZ

SUBSTITUTO DE SEGUNDO GRAU. INAPLICABILIDADE.

ART. 7, P. NICO DA RESOLUO N 590, DE 2013, DO TJSP.

EMBARGOS INFRINGENTES. RGO COMPETENTE.CRITRIO FIXO. PROCEDNCIA PARCIAL.

1. A criao de novos rgos fracionrios para julgamento de

recursos matria de reorganizao judiciria, de natureza

interna corporis, no implicando em ofensa ao princpio do juiznatural. Precedentes do STF, STJ e CNJ.

2. A participao de juzes substitutos de segundo grau nojulgamento de recursos no viola as garantias do duplo grau de

jurisdio e do juiz natural. Precedente do STF com

reconhecimento de repercusso geral (RE 597133) posterior

Resoluo n 72, de 2009, do CNJ, que superou o disposto em

seu art. 10, caput.

3. Os requisitos de temporariedade e excepcionalidade para

convocao de juzes de primeiro grau para auxlio aos tribunais

no se aplica aos ocupantes de cargo de juiz substituto de

segundo grau, conforme disposto no Pargrafo 4 do art. 5 da

Resoluo n 72, de 2009, do CNJ, com a redao que lhe foi

dada pela Resoluo n 144, de 2012.

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4. O critrio para composio do rgo colegiado competentepara julgamento dos Embargos Infringentes interpostos contra

as decises das turmas julgadoras das Cmaras Criminais

Extraordinrias deve ser unvoco, claro, objetivo e exauriente,

sob pena de vulnerao clusula do juiz natural.

Desconstituio do Pargrafo nico do art. 7 da Resoluo n

590, de 2013, do TJSP.

5. Procedncia parcial.

Trata-se de Procedimento de Controle Administrativo proposto pelo Instituto de Defesa do Direito

de Defesa em face do Tribunal de Justia do Estado de So Paulo.

A entidade requerente alega, em apertadssima sntese, que a Resoluo n 590, de 6 de fevereiro

de 2013, editada pelo rgo Especial do Tribunal de Justia do Estado de So Paulo, para criar e

disciplinar o funcionamento das chamadas Cmaras Criminais Extraordinrias, viola o princpio constitucional

do juiz natural e as disposies da Resoluo n 72, deste Conselho Nacional de Justia.

Em primeiro lugar, a requerente afirma que o ato normativo do Tribunal de Justia do Estado de

So Paulo acabou implicando no deslocamento da competncia para apreciao de recursos criminais por

critrio que nada tem a ver com a matria ou com as pessoas envolvidas, o que representa grave violao

garantia do juiz natural que concede, aos indivduos, o direito de conhecerem, previamente, a autoridade

competente para julgar determinado crime antes da ocorrncia do fato, ou, no caso do segundo grau de

jurisdio, da publicao da deciso judicial recorrida.

Sustenta, ainda, que h violao ao princpio do juiz natural, pois as chamadas Cmaras

Extraordinrias so compostas majoritariamente por juzes de primeira instncia, ao passo que, o direito

fundamental ao duplo grau de jurisdio garante aos acusados o julgamento de seus recursos por

magistrados de segunda instncia, ou seja, a maioria dos integrantes do rgo colegiado deve ser de

desembargadores.

Impugnam, ainda, especificamente, a disposio da Resoluo n 590, de 2013, que determina que

os juzes de Direito integrantes das Cmaras Extraordinrias tem atuao fixa como relatores de todos os

feitos, ao passo que a Resoluo n 72, do CNJ, diz, expressamente, e que o juiz de primeiro grau

convocado para auxlio na segunda instncia pode exercer quaisquer das funes de um rgo colegiado.

Argumenta, ademais, que as disposies acerca da formao do rgo colegiado competente para

julgamento de Embargos Infringentes incerta na medida em que no determina, dentre os integrantes das

Cmaras Extraordinrias, aqueles que efetivamente integrariam o novo colegiado para julgamento do

recurso.

Alm disso, indica que a Resoluo n 590, de 2013, determina a convocao permanente de

juzes de primeiro grau de jurisdio para atuarem como se magistrados de segunda instncia fossem sem

que estivessem devidamente comprovados os ndices objetivamente indicados pela Resoluo n 72, de

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2009, deste Conselho, para aferio do acmulo extraordinrio de servio.

Requer, liminarmente, a suspenso dos efeitos do ato administrativo atacado e, ao final, a

desconstituio da precitada Resoluo.

Apresentou os documentos constantes dos documentos identificados eletronicamente como DOC2

a DOC9.

O pedido liminar foi indeferido pelo Conselheiro Jorge Hlio Chaves de Oliveira por entender que,

estando a norma impugnada em vigor desde fevereiro, no estava presente o periculum in mora a ensejar o

deferimento da medida de urgncia. (DEC11)

Intimado a se manifestar, o Tribunal de Justia do Estado de So Paulo informa que a Resoluo n

590, de 2013, que criou 4 (quatro) Cmaras Criminais Extraordinrias, foi editada em fevereiro deste ano

para acelerar o julgamento de recursos criminais de modo a cumprir as metas de nivelamento estabelecidas

pelo Conselho Nacional de Justia.

Segundo o Tribunal requerido, as referidas Cmaras so compostas por dois desembargadores e

trs juzes substitutos em segundo grau, de modo que cada turma julgadora sempre funcione com os dois

desembargadores e um dos juzes, atendendo ao disposto no art. 10, da Resoluo n 72, de 2009, do

Conselho Nacional de Justia.

Destaca que no h ofensa Resoluo n 72, de 2009, na medida em que as turmas julgadoras

contam, mesmo no caso dos Embargos Infringentes, com a participao de um juiz substituto na condio de

Relator, atuando um dos desembargadores como Revisor e o outro como vogal.

Esclarece que pretende adotar trs critrios para convocao do julgador dos Embargos

Infringentes, a saber: a) convocao do desembargador da Cmara imediatamente subsequente; b)

disponibilidade do desembargador para comparecimento, e; c) antiguidade dentro da Cmara subsequente.

Afirma que, nos termos da Lei Complementar Estadual n 646, de 1990, os juzes que atuam

perante s Cmaras Extraordinrias no so convocados para auxlio ao segundo grau de jurisdio, mas sim

ocupantes do cargo de juiz de direito substituto de segundo grau, provido mediante remoo, no havendo

que se falar nos requisitos da Resoluo n 72, do CNJ.

O Tribunal de Justia do Estado de So Paulo apresentou a ordem adotada para redistribuio de

feitos s Cmaras Criminais Extraordinrias, partindo dos feitos inicialmente distribudos aos juzes substitutos

de segundo grau, passando pelos processos mais antigos, de forma a permitir o cumprimento das Metas 2 e

18 do Conselho Nacional de Justia.

Explica que, dado o nmero de desembargadores em cada Cmara Criminal Extraordinria, o

exerccio da funo de Relator por eles acabaria por frustrar o prprio objetivo da criao dos referidos

rgos, na medida em que no se afastam de suas