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Constituições no Mundo 1 Christine Peter Rafael …repositorio.uniceub.br/bitstream/235/5596/1/EBOOK_CONSTITUICOES_… · Este artigo tem como objetivo investigar a trajetória

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  • 1Constituies no Mundo

    Christine PeterRafael Fernandes

    ISBN 978-85-61990-32-9

  • Braslia - 2014

    Christine PeterRafael Fernandes

  • Constituies no Mundo

    Braslia - 2014

    Christine PeterRafael Fernandes

  • REITORIAReitorGetlio Amrico Moreira Lopes

    Vice-ReitorEdevaldo Alves da Silva

    Pr-Reitora AcadmicaPresidente do Conselho EditorialElizabeth Lopes Manzur

    Pr-Reitor Administrativo-FinanceiroEdson Elias Alves da Silva

    Secretrio-GeralMaurcio de Sousa Neves Filho

    DIRETORIADiretor AcadmicoCarlos Alberto da Cruz

    Diretor Administrativo-FinanceiroGeraldo Rabelo

    OrganizaoBiblioteca Reitor Joo Herculino

    Centro Universitrio de Braslia UniCEUBSEPN 707/709 Campus do CEUBTel. 3966-1335 / 3966-1336

    Projeto GrficoUniCEUB/ACC

    DiagramaoAR Design

    Constituies no Mundo / coordenao de Christine Peter, Rafael Fernandes.

    Braslia : UniCEUB, 2014.

    233 p.

    ISBN 978-85-61990-32-9

    I. Peter, Christine. II. Fernandes, Rafael. III. Ttulo.

    CDU: 342.4

    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)

    Ficha catalogrfica elaborada pela Biblioteca Reitor Joo Herculino

  • SUMRIO

    ApresentAo .................................................................................................. 7

    ConstituCionAlismo do peru ............................................................................. 9Rafaella Silveira de Brito

    As CArtAs poltiCAs dA etipiA: FAtores de FormAo e ApliCAo dAs normAs ConstituCionAis etopes ................................................... 23Rafael Gonalves Fernandes

    A Constituio dA islndiA: de 1944 Aos diAs AtuAis ......................................... 43Carlos Antnio de Brito Filho

    A repbliCA teoCrtiCA do ir: suA Constituio e o respeito Aos direitos FundAmentAis de suA populAo ...................................... 57Lcia Cludia Lima Sousa Guerreiro

    Constituio irlAndesA: umA Anlise sobre suA historiA e os direitos FundAmentAis ................................................................................. 75Natlia Oliveira Marcolino Gomes

    Constituies dA ChinA ................................................................................... 91Thamires Yuan Pereira

    Constituio dA novA ZelndiA.....................................................................103Ntaly Bijos Gouveia

    noruegA: Anlise do proCesso histriCo de FormAo do ConstituCionAlismo e ConsolidAo dos direitos FundAmentAis..........................117Ncollas Diniz Frazo

    emirAdos rAbes: Anlise ConstituCionAl .......................................................137Carlos Alberto Timb Rodrigues

    hondurAs ....................................................................................................149Magda Cristina Silva de Lemos

    histriA ConstituCionAl dA AngolA ...............................................................167Daniela Brito Flores

    histriA ConstituCionAl dA AlemAnhA ............................................................179Rebecca Gomes Pacheco Mota

    As Constituies ColombiAnAs .......................................................................191Maria Clara Dvila Almeida

    A Constituio dos estAdos unidos dA AmriCA ..............................................205Henrique Henriques Moreno Moura

    Constituio do mxiCo................................................................................219Gabriela Castelo Branco de Albuquerque

  • 6 Constitucionalismo do Peru

  • 7Constituies no Mundo

    ApresentAo

    O projeto Constituies no Mundo surgiu da necessidade de colmatar lacuna evidente, nas disciplinas de direito constitucional da gradua-o em Direito, quanto aos estudos e investigaes do direito consti-tucional comparado. Desde 2011, venho exigindo de meus alunos de graduao a busca comparativa por informaes sobre direitos fundamentais em diversas constituies do mundo.

    O resultado dessa busca tem sido concretizado em um relatrio de pes-quisa, entregue sob a forma de monografia de final de disciplina, obrigatrio para a obteno de meno final na disciplina Direito Constitucional I, do Curso de Direito do Centro Universitrio de Braslia UniCEUB.

    Passados dois anos do incio do projeto, resolvi fazer uma seleo, com a prestimosa colaborao dos meus queridos e competentes alunos pesquisadores do Ncleo de Estudos Constitucionais e Comparado NEC, dos melhores tra-balhos at ento produzidos. De um universo de mais de 300 trabalhos, foram selecionados 30 e todos os autores foram convidados a apresentar seus textos em um Seminrio que ganhou o ttulo de Constituies no Mundo, o qual aconte-ceu em outubro de 2013.

    As apresentaes do Seminrio foram muito ricas e interessantes. Os alu-nos de graduao, em etapas diferentes do curso (do 2 ao 9 semestres), par-ticiparam de forma comprometida e sria com os seus resultados de pesquisa. Foram quase duas dezenas de pases, numa discusso direcionada aos direitos fundamentais de cada um deles. Participaram tambm do seminrio professores que se dedicam, com incansvel energia, aos assuntos constitucionais e compa-rativos: nossos agradecimentos a Rodrigo Mello e Saul Tourinho.

  • Para no deixar a experincia encapsulada naquele dia, os graduandos atenderam ao chamado para transformarem suas monografias em artigos para a composio de um livro. Este o livro que ora apresento comunidade cientfica brasileira como fruto de um esforo pedaggico de aproximar os estudantes de graduao das metodologias de direito constitucional comparado.

    No posso deixar de registrar que todos os autores deste livro merecem o mais genuno respeito e inestimvel considerao pela atitude corajosa de expo-rem suas ideias e suas pesquisas, ainda em perodo de formao e consolidao. Posso assegurar que a qualidade tcnica dos artigos compilados neste livro ad-vm do esforo individual e coletivo desse grupo que se disps a colher dados, reunir informaes, compartilhar referncias e, finalmente, entregar suas pes-quisas ao olhar da comunidade acadmica.

    A elas e a eles meus efusivos cumprimentos e votos de uma bem-su-cedida trajetria acadmica, com muitas pesquisas em direito constitucional comparado.

    Christine Peter

    Braslia, maio de 2014.

  • 9Constituies no Mundo

    ConstituCionAlismo do peruRafaella Silveira de Brito1

    1 Introduo

    Este artigo tem como objetivo investigar a trajetria histrica e poltica do Peru, para que se possa conhecer o contexto histrico em que foram criadas as diversas constituies, porque como afirma Hesse, a constituio jurdica est condicionada pela realidade histrica. Ela no pode ser separada da realidade concreta de seu tempo. 2 Assim, aps essa investigao, poderemos entender a formao da atual constituio do Peru e analisar o direito constitucional vigente nesse pas, levando principalmente em considerao os direitos fundamentais.

    O Peru foi escolhido para o estudo, porque ele possui uma trajetria pol-tica conturbada, o que faz com que ocorra uma constante reestruturao poltica e, portanto, constitucional. Por causa dessa instabilidade, o direito constitucio-nal nesse pas est em constante transformao, o que despertou curiosidade e motivou as pesquisas reveladas neste estudo. Um exemplo concreto dessas mu-

    1 Acadmica de Direito da Faculdade de Cincias Jurdicas e Sociais do Centro Universitrio de Braslia UniCEUB E-mail: [email protected]

    2 HESSE, Konrad. A Fora Normativa da Constituio. Porto Alegre: S. A. Fabris, 1991. p. 24.

  • 10 Constitucionalismo do Peru

    danas que o Peru, uma Repblica relativamente recente, teve na sua histria 16 constituies.

    Portanto, ao longo do texto, sero abordados diversos aspectos referentes ao contexto histrico republicano, como, por exemplo, os detalhes polticos do pas, que serviro como fundamentao para a anlise da atual constituio.

    2 Histria poltica do Peru

    2.1 Independncia e formao do Congresso ConstituinteO Peru nasce como uma nao independente aps um longo processo

    emancipatrio, que comeou com rebelies de ndios e mestios, feitas contra o domnio espanhol. Os fundamentos doutrinrios desse processo estavam dire-tamente ligados ideologia democrtica, que procurou justificar a eficcia dos direitos de cidadania e dos deveres, defendendo a proteo aos direitos funda-mentais e o respeito Constituio e ao Estado de Direito.3

    O principal comandante da Guerra de Independncia do Peru foi Jos de San Martn, que desejava pr fim dominao espanhola. Esse processo teve um de seus momentos culminantes na declarao da Independncia Nacional no dia 28 de julho de 1821.

    Aps essa declarao de Independncia, Jos de San Martn, por meio do Decreto Supremo 146, de 27 de dezembro de 1821, fez a primeira convo-cao para a formao do Congresso Constituinte. Assim, nomeou um comit encarregado de preparar a regulamentao das eleies, que fixou o nmero de representantes 79 titulares e 38 suplentes que seriam eleitos em conformi-dade com a estimativa da populao de cada departamento. Ento, os primeiros representantes encontraram-se pela primeira vez em 20 de setembro de 1822 no palcio de governo. 4

    Nos seus primeiros dias de existncia, o trabalho no Congresso foi intenso. Exemplos disso foram a elaborao do Regulamento de Conselho de Sentena, a atribuio do ttulo de Generalsimo a Jos de San Martin, a aprovao do

    3 CONGRESO DE LA REPBLICA DEL PER. Resea Historica Del Congreso. Braslia, 2011. Disponvel em: . Acesso em: 2 out. 2011.

    4 CONGRESO DE LA REPBLICA DEL PER. Resea Historica Del Congreso. Braslia, 2011. Disponvel em: . Acesso em: 2 out. 2011.

  • 11Constituies no Mundo

    Regimento Interno do Congresso, a definio das Bases da Constituio Poltica do Peru, que foram promulgadas em 17 de dezembro de 1822 e a primeira Constituio Poltica do Peru, que foi aprovada em 12 de novembro de 1823.5

    2.2 Perodo Ps-IndependnciaAps a independncia, o Peru e alguns de seus vizinhos se engajaram em

    intermitentes disputas territoriais. O maior dos desentendimentos se deu com o Chile, resultando na Guerra do Pacfico (1879-1883). Aliado Bolvia, e com as foras armadas em patente desvantagem em relao s foras chilenas, o Peru acabou derrotado, perdendo vrios territrios. Com isso, a sociedade peruana sofreu srias dificuldades sociais e econmicas.6

    Nicols Pirola foi presidente do pas durante o conflito e, posteriormente, foi reeleito (1895-1899). Ento, esse seu segundo mandato distinguiu-se do primeiro, pela reconstruo do Peru devastado, dando-se incio a reformas fiscais, militares, religiosas e civis. Esse perodo, que se estendeu at os anos vinte do sculo XX, chamado de oligarquia econmica, dado que a maioria dos presidentes que governaram o pas pertenciam elite social.7

    2.3 Ditadura Civil de Leguia (1919 1930)Em 1919, implanta-se a ditadura civil de Leguia. Seu governo destacou-se

    por numerosas medidas em virtude das quais a oligarquia perde grande soma de seu poder poltico, mas conserva todo o poderio econmico. Leguia cai em 1930, em virtude da crise de 1929, que abalou o mundo inteiro. Assim, foram convo-cadas eleies e o conservador Sanchez Cerro, com o apoio das oligarquias, declarado vencedor sobre Haya de La Torre.8

    tambm a oportunidade em que surge a Apra (Aliana Popular Revolu-

    5 CONGRESO DE LA REPBLICA DEL PER. Resea Historica Del Congreso. Braslia, 2011. Disponvel em: . Acesso em: 2 out. 2011.

    6 BEPELI. Portal de Educao, Arte e Cultura. Pases da Amrica do Sul - Histria e Geografia. Braslia, 2011. Disponvel em: http://www.bepeli.com.br/educacional/paises_am_sul/bepe-li_paises_peru.html. Acesso em: 10 out. 2011.

    7 BEPELI. Portal de Educao, Arte e Cultura. Pases da Amrica do Sul - Histria e Geografia. Braslia, 2011. Disponvel em: http://www.bepeli.com.br/educacional/paises_am_sul/bepe-li_paises_peru.html. Acesso em: 10 out. 2011.

    8 DHORTA, Arnaldo Pedroso. Peru: Da Oligarquia Econmica Militar. So Paulo: Perspectiva, 1971. p. 23.

  • 12 Constitucionalismo do Peru

    cionria Americana), que inconformada com o resultado eleitoral, alegando que houve fraude, desencadeou uma revolta popular. Os civis assaltam com xito o quartel local, derrotam os militares e apoderam-se da prefeitura, onde Haya empossado. Porm, tropas governamentais so enviadas contra a cidade, que bombardeada pela aviao. Ento, os rebeldes fogem e as tropas governamentais vencem, mas Sanchez assassinado por um membro da APRA.

    Assim, segue-se o perodo da ditadura militar de Benevides (1933-1939). Depois, transcorre o primeiro governo de Prado (1939 1945), governo forte, bem pouco democrtico, e que, para agradar aos militares, mantm a Apra fora da lei. 9

    2.4 Governo de Manuel Odra (1948-1956)Os anos 1950 foram marcados por importantes transformaes na

    organizao social peruana, das quais movimentos camponeses desencadeados na zona rural andina e a chegada macia de migrantes a Lima foram a mais forte expresso.10

    Assim, pressionadas pelas camadas populares, as elites nacionais foram sendo levadas a pensar em formas de redefinir o lugar que esses setores ocupavam na vida poltica e econmica do pas da terem surgido, nesses anos, diferentes projetos polticos de cunho reformista no Peru, preocupados em promover a incorporao poltica e econmica das camadas populares, e ao mesmo tempo, a modernizao e integrao nacional.11

    Do ponto de vista poltico, quem pela primeira vez teve que enfrentar esses dilemas foi o general Manuel A. Odra, que tomou o poder em 1948 por meio de um golpe de Estado e governou o pas at 1956.12 Ele assumiu o Executivo, para nele manter-se, em regime discricionrio, eleito como candidato nico, pois os opositores so presos. um perodo de intensa perseguio ao aprismo.13

    9 DHORTA, Arnaldo Pedroso. Peru: Da Oligarquia Econmica Militar. So Paulo: Perspectiva, 1971. p. 23.

    10 SOARES, Gabriela Pellegrino. Projetos polticos de modernizao e reforma no Peru: 1950-1975. So Paulo: Annablume, 2000. p. 29.

    11 SOARES, Gabriela Pellegrino. Projetos polticos de modernizao e reforma no Peru: 1950-1975. So Paulo: Annablume, 2000. p. 30-31.

    12 SOARES, Gabriela Pellegrino. Projetos polticos de modernizao e reforma no Peru: 1950-1975. So Paulo: Annablume, 2000. p. 31.

    13 DHORTA, Arnaldo Pedroso. Peru: da oligarquia econmica militar. So Paulo: Perspectiva, 1971. p. 25.

  • 13Constituies no Mundo

    2.5 O segundo governo de Prado (1956 1962)Assim, entre 1956 e 1962, perodo do segundo governo de Prado,

    caracteristicamente conservador, a Apra d-lhe o seu apoio, o que serviu para mais descolorir seu antigo radicalismo.14 Nesse perodo, as reformas defendidas por diferentes grupos polticos ficaram em suspenso e assim, esse governo viu agudizarem-se as tenses sociais.15

    2.6 Golpe de 3 de outubro de 1968No h nenhuma dvida de que Haya obteve efetivamente o primeiro

    lugar das eleies verificadas em 1962. Entretanto, dez dias antes de terminado o perodo presidencial de Prado, as Fora Armadas, alegando que houvera fraude, do um golpe e empossam uma Junta Militar que fica incumbida de convocar novas eleies. Nas novas eleies de 1963, Belaunde Terry eleito como candidato da Ao Popular. Foi esse o governo que estava prestes a esgotar-se constitucionalmente, quando ocorreu o golpe de 3 de outubro de 1968, que instalou no poder o Governo Revolucionrio das Foras Armadas.16

    Na tarde de 3 de outubro, os generais e almirantes que integrariam o novo governo dirigiram-se ao Palcio do Governo, onde Velasco Alvarado foi empossado na Presidncia da Repblica pela Junta Militar, nomeando em seguida os demais ministros.17

    O pblico no mostrou maior reao em face da perspectiva e da realizao do golpe por causa do desencanto com o poder civil, consequncia do apontado desentendimento entre o Executivo e o Legislativo, que de um lado entravava a execuo das reformas cuja necessidade era proclamada, e, de outro, em uma competio suicida, conduzia a gastos pblicos que o oramento do pas no podia aguentar.18

    14 DHORTA, Arnaldo Pedroso. Peru: da oligarquia econmica militar. So Paulo: Perspectiva, 1971. p. 26.

    15 SOARES, Gabriela Pellegrino. Projetos polticos de modernizao e reforma no Peru: 1950-1975. So Paulo: Annablume, 2000. p. 55.

    16 DHORTA, Arnaldo Pedroso. Peru: da oligarquia econmica militar. So Paulo: Perspectiva, 1971. p. 26-27.

    17 DHORTA, Arnaldo Pedroso. Peru: da oligarquia econmica militar. So Paulo: Perspectiva, 1971. p. 99.

    18 DHORTA, Arnaldo Pedroso. Peru: da oligarquia econmica militar. So Paulo: Perspectiva, 1971. p. 29.

  • 14 Constitucionalismo do Peru

    Do ponto de vista poltico, os revolucionrios, efetivamente, no aceitam nenhuma restrio ao arbtrio que se atribuam de legislar, fazendo tbula rasa de todo o antigo corpo de leis. Ento, medida que avana a obra revolucionria, a constituio vai, pois, sendo estropiada e dela, em pouco, bem pouco restar.19

    O mais grave veneno instalado no corpo do Estado a eliminao da liberdade de discusso, j efetivada na imprensa (os jornais foram expropriados e entregues a propagandistas do governo)20, e que corre o risco de contagiar a vida dos partidos, dos sindicatos e das associaes civis, fechando o pas num regime totalitrio.

    Quando todas as principais autoridades pblicas so militares, que entendem toda crtica a seus atos como manifestao subversiva e ameaa segurana nacional institui-se, no processo de desmantelamento da antiga oligarquia econmica , uma nova e no menos nefasta oligarquia militar, monopolizadora de todo poder.21

    J em relao ao ponto de vista econmico, os militares sofreram com o endividamento externo e uma crise monetria fiscal e cambial.22 Alm disso, o nvel de vida da populao peruana bastante baixo, o desemprego grande e o subemprego extensssimo.23

    3 Constituies peruanasNa vida constitucional do Peru, houve a formao de 16 Constituies:n Constituio do Peru de 1823

    n Constituio do Peru de 1826

    n Constituio do Peru de 1828

    n Constituio do Peru de 1834

    n Constituio Nor-Peruana de 1836

    n Constituio Sul-Peruana de 1836

    19 DHORTA, Arnaldo Pedroso. Peru: da oligarquia econmica militar. So Paulo: Perspectiva, 1971. p. 261, 262.

    20 DHORTA, Arnaldo Pedroso. Peru: da oligarquia econmica militar. So Paulo: Perspectiva, 1971. p. 266.

    21 DHORTA, Arnaldo Pedroso. Peru: da oligarquia econmica militar. So Paulo: Perspectiva, 1971. p. 272.

    22 DHORTA, Arnaldo Pedroso. Peru: da oligarquia econmica militar. So Paulo: Perspectiva, 1971. p. 181.

    23 DHORTA, Arnaldo Pedroso. Peru: da oligarquia econmica militar. So Paulo: Perspectiva, 1971. p. 265.

  • 15Constituies no Mundo

    n Decreto da Confederao Peru-Bolvia 1836

    n Lei da Confederao Peru-Bolvia de 1837

    n Constituio do Peru de 1839

    n Constituio do Peru de 1856

    n Constituio do Peru de 1860

    n Constituio do Peru de 1867

    n Constituio do Peru de 1920

    n Constituio do Peru de 1933

    n Constituio do Peru de 1979 (Tribunal de Garantias Constitucionais).

    n Constituio do Peru de 1993 (Tribunal Constitucional).

    De acordo com a breve histria poltica apresentada neste texto, podemos perceber que, ao longo dessa histria, o Peru sofreu um longo perodo de turbulncias polticas e de instabilidade econmica, com a luta pela emancipao, as disputas territoriais, as ditaduras de civis e de militares e os golpes de Estado. Desse modo, esses fatores provocaram a fragilidade do sistema jurdico peruano. Por isso, essa falta de estabilidade fez com que no houvesse uma fora normativa e, consequentemente, no ocorresse uma eficcia da constituio, o que refletiu diretamente na formao de muitas constituies. Assim, as constituies foram constantemente substitudas por outras devido a sua ineficcia, visto que Hesse afirma que A estabilidade constitui condio fundamental da eficcia da constituio. 24

    4. Sistema Jurdico Peruano

    4.1 Organizao do Estado:De acordo com o artigo 43 da nova Constituio25, promulgada em 29 de

    dezembro de 1993, o Peru uma Repblica democrtica, social, independente e soberana.O Estado uno e indivisvel e seu governo unitrio, representativo e descentralizado e organizado de acordo com o princpio da separao de poderes. O sistema presidencialista com uma forma representativa de governo,

    24 HESSE, Konrad. A Fora Normativa da Constituio. Porto Alegre: S. A. Fabris, 1991. p. 22.25 PERU. Constituio (1993). Constituio Poltica do Peru. Lima: Congresso da Repblica, 2006.

    Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014.

  • 16 Constitucionalismo do Peru

    tanto o Poder Executivo quanto o Legislativo so eleitos por sufrgio popular.26

    Existem trs poderes autnomos e independentes: Executivo, Legislativo e Judicirio. O Poder Executivo est constitudo pelo Presidente, que desempenha as funes de Chefe de Estado. Igualmente, como Chefe de Governo, ele dirige a poltica governamental, com o respaldo da maioria poltico-eleitoral. O Poder Executivo conta com o Presidente e dois Vice-presidentes e o Poder Legislativo com um Parlamento unicameral de 120 membros.27

    J o poder Judicirio conta com a Corte Suprema de Justia da Repblica Peruana, Cortes Superiores de Justia, Juizados de primeiro grau e Juizados de Paz (pequenas causas), Juizados de Paz Letrados. Alm disso, h tambm o Tribunal Constitucional, que se constitui em um rgo autnomo e independente. Tem por principal funo o controle concentrado das leis e a tutela dos direitos fundamentais.

    5 Anlise da Constituio atual

    A promulgao da Constituio de 1993 foi um passo positivo no sentido do restabelecimento da democracia e do Estado de Direito no Peru, o que merece ser destacado. No entanto, ainda no se alcanou todo o progresso desejado na restaurao da separao de funes dos trs ramos do poder pblico. Alm disso, persistem ainda interferncias indevidas do Executivo e dos militares no Poder Judicirio.28

    Em relao a sua estrutura, a constituio atual peruana29 est dividida em 6 ttulos: Pessoa e sociedade, Estado e nao, Regime econmico, Estrutura do Estado, Protees constitucionais e Reforma Constitucional. Esses ttulos

    26 PORTAL Del Estado Peruano. Organizacin Del Estado. Braslia, 2011. Disponvel em: . Acesso em: 3 out. 2011. 14:50.

    27 EMBAIXADA DO PERU. Governo peruano. Braslia, 2011. Disponvel em: . Acesso em: 3.out. 2011. 15:11.

    28 COMISSO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. Desenvolvimento dos Di-reitos Humanos na regio: Peru. Braslia, 2011. Disponvel em: . Acesso em: 5 out. 2011. 15:50.

    29 PERU. Constituio (1993). Constituio Poltica do Peru. Lima: Congresso da Repblica, 2006. Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014.

  • 17Constituies no Mundo

    so subdivididos em captulos. Nessa pesquisa cientfica sero abordados, em especial, os captulos 1,2 e 3 do ttulo I, que abordam os direitos fundamentais; os direitos sociais, econmicos e culturais e os direitos polticos respectivamente.

    5.1 Direitos fundamentaisOs direitos fundamentais esto localizados no ttulo I, captulo 1 (Direitos

    fundamentais da pessoa) da atual constituio peruana.30 O primeiro artigo desse captulo apresenta a principal finalidade da sociedade e do Estado: A defesada pessoa humana e o respeito pela sua dignidade so a finalidade suprema da sociedade e do Estado.

    Depois, no artigo 2 esto concentrados os direitos fundamentais, que vm enumerados, mas, pelo fato de o artigo ser bastante extenso, sero apresentados apenas alguns desses direitos:

    Toda pessoa temo direito: 1. vida, identidade, integridademoral,psquica e fsicae aolivre desenvolvimento e bem-estar;2. igualdade perante alei;3. liberdade de conscincia e de religio; 4. liberdade de informao, opinio, expresso e difuso do pen-samento;7. honra e reputao, privacidade pessoal e familiar, bem comoa sua prpria voze imagem;8. liberdade decriao intelectual, artstica, tcnica e cientfica;16. propriedade e herana;17. a participar, individualmente ou em associao com ou-tros,nos domnios poltico, econmico, socialeculturalda Nao;19. identidade tnica e cultural;21. nacionalidade;24. liberdade e segurana pessoal;

    Alm disso, foi institudo, no marco da Constituio de 1993, o Escritrio Defensor do Povo, que vem expresso nos artigos 161 e 162 dessa Constituio e que estipulam que esse rgo responsvel por salvaguardar os direitos constitucionais e fundamentais do indivduo e da comunidade e supervisionar a forma pela qual o Estado cumpre seus deveres e presta os servios pblicos. A Comisso Interamericana de Direitos Humanos d valor criao desse

    30 PERU. Constituio (1993). Constituio Poltica do Peru. Lima: Congresso da Repblica, 2006. Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014.

  • 18 Constitucionalismo do Peru

    importante Escritrio e considera que ele tem um grande potencial de contribuir para a melhoria da situao dos direitos humanos no Peru. 31

    5.2 Direitos sociais, econmicos e culturaisOs direitos sociais, econmicos e culturais so abordados no Ttulo

    I, captulo 2 (Direitos sociais e econmicos) da atual constituio do Peru.32 O artigo 4 desse captulo mostra que a comunidade e o Estado do proteo especial para qualquer criana, me, adolescente ou idoso em situao de abandono. O artigo 7 apresenta a funo do Estado de proteo: Toda pessoa temdireito proteo desua sade,do seuambiente familiare de sua comunidade.

    Alm disso, h uma nfase em relao importncia da educao: Educao promove o aprendizado, o conhecimento e a prtica das cincias humanas, cincia, tecnologia,artes, educao fsicae esportes.Ela preparapara a vida epara o trabalho e promove asolidariedade (artigo 14) e ao papel do Estado de dar acesso a toda populao a uma educao de qualidade: o Estado garante programas adequadosde educao e informao, desdeque no prejudiquem avida ou a sade. (artigo 6)

    H tambm o incentivo ao trabalho, porque, como afirma o artigo 22, o trabalho um direito e um dever. a base para o bem-estar social e um meio para a realizao individual. Por isso, o dever do Estado promoveras condiespara o progresso sociale econmico, em especial por meio de polticas que visam promoo do empregoprodutivo eeducao para o trabalho, como mostra o artigo 23.

    O Pacto Internacional sobre os Direitos Econmicos, Sociais e Culturais contm algumas das disposies legais mais importantes no plano internacional relativas aos direitos econmicos, sociais e culturais, nomeadamente relativas ao direito a trabalhar em condies justas e favorveis, proteo social, a um nvel de vida adequado, ao alcance dos nveis mais elevados de sade fsica e

    31 COMISSO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS. Desenvolvimento dos Di-reitos Humanos na regio: Peru. Braslia, 2011. Disponvel em: . Acesso em: 5 out. 2011. 16:10.

    32 PERU. Constituio (1993). Constituio Poltica do Peru. Lima: Congresso da Repblica, 2006. Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014.

  • 19Constituies no Mundo

    mental, educao, moradia e ao gozo dos benefcios da liberdade cultural e do progresso cientfico.33 Ento, com a anlise do captulo 2, podemos perceber que a constituio peruana apresenta disposies legais semelhantes s disposies desse pacto, o que mostra que o Estado do Peru conferiu maior importncia aos direitos econmicos, sociais e culturais no seu texto constitucional.

    5.3 Direitos polticosOs direitos polticos so abordados no Ttulo I, captulo 3 (Direitos e

    deveres polticos) da atual constituio do Peru.34 O artigo 30 desse captulo mostra que todos os peruanos com idade acima de 18 anos so cidados. Logo em seguida, no artigo 31, h uma descrio em relao ao voto: o voto pessoal, igual, livre, secreto e obrigatrio at os setenta anos de idade. opcional aps essa idade. A lei estabelece os mecanismos para garantir a neutralidade do Estado durante as eleies e os processos de participao cidad. Com essa disposio, o legislador suprimiu todo o tipo de discriminao, fortalecendo a legitimidade das eleies como o resultado de decises livres e soberanas de todos os peruanos com a idade legal.35

    Alm disso, a atual Constituio, aprovada pelo Congresso Constituinte Democrtico em 1993,estendea participao dos cidados nos assuntos pblicos por meio de referendo, iniciativa legislativa etc. como mostra o artigo 2 (nmero 17). Esses direitos visam beneficiar os setores tradicionalmente excludos da populao, tornando possvel a participao dos cidados no processo de tomada de deciso, e integr-los na conduo do destino nacional. 36

    33 COMIT DOS DIREITOS ECONMICOS, SOCIAIS E CULTURAIS. Introduo. Braslia, 2011. Disponvel em: . Acesso em: 6 out. 2011. 16:09.

    34 PERU. Constituio (1993). Constituio Poltica do Peru. Lima: Congresso da Repblica, 2006. Disponvel em: Acesso em: 14 jun. 2014.

    35 CONGRESO DE LA REPBLICA DEL PER. Resea Historica Del Congreso. Braslia, 2011. Disponvel em: . Acesso em: 5 out. 2011. 18:26.

    36 CONGRESO DE LA REPBLICA DEL PER. Resea Historica Del Congreso. Braslia, 2011. Disponvel em: . Acesso em: 5 out. 2011. 18:26.

  • 20 Constitucionalismo do Peru

    6 ConclusoAo longo desse artigo, foi possvel perceber que a histria constitucional

    do Peru esteve sempre ligada ao contexto histrico do pas, ou seja, todas as constituies desse pas refletem diretamente as caractersticas polticas, econmicas e sociais da poca.

    Apesar das conturbaes e turbulncias presentes na maior parte da histria poltica do Peru, podemos perceber que a populao, ao longo desse contexto de inmeras reestruturaes polticas e constitucionais, foi solidificando seus direitos fundamentais, direitos sociais, econmicos e culturais e direitos polticos no texto constitucional. Portanto, a promulgao da atual constituio peruana proporcionou uma estabilidade ordem jurdica peruana e, tambm, consolidou os valores democrticos no pas.

    Dessa forma, o presente estudo proporcionou uma anlise do sistema jurdico peruano e da carta constitucional vigente nesse pas, o que provocou uma reflexo em termos comparativos, porque ao longo do desenvolvimento deste trabalho passamos a nos questionar e a comparar as trajetrias polticas e a formao das constituies do Peru com as do Brasil. Por isso, somos levados a despertar um maior interesse sobre a histria constitucional do nosso pas.

    Referncias

    BEPELI. Portal de Educao, Arte e Cultura. Pases da Amrica do Sul - Histria e Geografia. Braslia, 2011. Disponvel em:

  • 21Constituies no Mundo

    www.embperu.org.br/bkp/index.php?option=com_content&view=article&id= 65&Itemid=87>. Acesso em: 3 out. 2011.

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    SOARES, Gabriela Pellegrino. Projetos polticos de modernizao e reforma no Peru: 1950-1975. So Paulo: Annablume, 2000.

    SUAREZ, Christian Delgado. Aproximao Preliminar aos Precedentes Constitucionais no Peru. Paran, 2011. Disponvel em: . Acesso em: 4 out. 2011.

  • As CArtAs poltiCAs dA etipiA: fatores de formao e aplicao

    das normas constitucionais etopesRafael Gonalves Fernandes1

    1 Introduo

    O presente artigo tem por objeto a histria constitucional da Etipia, apresentada por meio dos fatores polticos, sociais e econmicos responsveis pela sua formao. Busca elucidar os detalhes importantes de cada constituio etope e os impactos delas decorrentes na sociedade, principalmente no que tan-ge aos direitos fundamentais.

    Desse modo, a pesquisa foi estruturada em tpicos que fornecero ao leitor informaes seguras e suficientes para a adequada compreenso da histria constitucional da Etipia. O primeiro tpico concentra-se nos dados geogrficos, demogrficos e sociais que revelam o quanto o territrio etope antigo (quando se trata de ocupaes humanas) e como existem diferentes crenas, lnguas e etnias espalhadas por todo o pas.

    No tpico seguinte, h uma preocupao com o incio da histria constitucional da Etipia; para isso, foi necessrio fazer um levantamento

    1 Acadmico de Direito da Faculdade de Cincias Jurdicas e Sociais do Centro Universitrio de Braslia UniCEUB E-mail: [email protected]

  • 24 As cartas polticas da Etipia: fatores de formao e aplicao das normas constitucionais etopes

    dos prncipes e reis que governaram o territrio mediante leis esparsas, sem a existncia de qualquer Lex Mater, at a ocorrncia de uma evoluo poltica promovida pelo monarca Haile Selassie que outorga a primeira Constituio da Etipia, no entanto, reserva todos os poderes dela derivados para si.

    Nos subtpicos que seguem, a histria constitucional vista e interpretada pela primeira vez (em uma pesquisa cientfica da primeira Constituio at a atual) no presente estudo, revelando as diversas mudanas provocadas por novos regimes polticos que alteraram radicalmente o cenrio social, econmico e jurdico da Etipia. J os tpicos posteriores buscam ressaltar a importncia do constitucionalismo e da supremacia da Constituio na tutela das liberdades pblicas.

    2 A Etipia: dados geogrficos, demogrficos e sociaisLocalizada no Chifre da frica, a Etipia a ponta de terra que penetra

    pelo golfo de den e na sada do Mar Vermelho. Faz fronteira com o Sudo, Djibuti, Eritreia, Sudo do Sul, Somlia e Qunia. considerada uma das regies mais antigas do mundo ocupadas por humanos, conforme pesquisas cientficas realizadas com fsseis encontrados em terras etopes.2

    Com uma superfcie aproximada de 1.127.127 km, um dos pases mais populosos da frica, perfazendo uma populao de aproximadamente setenta milhes, que cresce 2,1 a 2,5% ao ano. Alm disso, estima-se que atualmente cem mil pessoas estejam refugiadas.3

    A populao subsiste por meio da agricultura, concentrada principalmente na produo de caf, cana-de-acar, flores e feijo,4 que corresponde a aproximadamente 40% do produto interno bruto (PIB), 80% das exportaes e 80% da fora de trabalho, o restante fica a cargo das atividades dependentes de marketing, processamento e exportao de produtos agrcolas5.No entanto,

    2 O fssil mais famoso foi batizado de Lucy e possui o nome cientfico Australopithecus afa-rensis. NATIONAL GEOGRAPHIC. O que era "Lucy"? Fatos sobre um ancestral humano pre-coce. Disponvel em: . Acesso em: 6 out. 2013.

    3 THE LIBRARY OF CONGRESS. Sociedade. Um estudo do pas: Etipia. Traduo nossa. Esta-dos Unidos da Amrica. Disponvel em: . Acesso em: 14 jun 2014.

    4 TELES, Baltasar. Histria da Etipia. Lisboa: Publicaes Alfa. 1989. p. 3105 THE LIBRARY OF CONGRESS. Economia. Um estudo do pas: Etipia. Traduo nossa. Esta-

  • 25Constituies no Mundo

    devido a impossibilidades do sistema arcaico de plantao e somado a seca e desertificao, a Etipia utiliza minimamente o potencial de produo de alimentos, refletindo o atraso econmico e social do pas.

    Estima-se a existncia de oitenta grupos tnicos, dos quais os mais numerosos so: Oromo, galla, amhara, somali, tigrino e eritreu. A lngua utilizada pelo Governo Federal o amhrico; j os estados membros da federao devero adotar lngua oficial compatvel com a falada na regio. As lnguas mais utilizadas no pas so: rabe, hebraico, oromo, suale e haus.6

    As confisses religiosas feitas mediante pesquisa mostram que Cristos somam 56,6% (dentre esses, catlicos somam 0,7%, Ortodoxos, 37,5% e Protestantes, 18,4%), Muulmanos, 34,7%, Animistas, 8,4% e outras religies totalizam 0,3 %7. O grfico abaixo apresenta esses dados.Grfico 1 - Confisses religiosas na Etipia esquerda e localizao geogrfica do pas direita

    Fonte: KerkinNood

    A atual bandeira etope representa a igualdade de todos os grupos tnicos e religiosos8. Os raios representam um futuro promissor para a Etipia, a cor azul do crculo representa a paz e a democracia, as cores dispostas em faixas horizontais so verde, amarela e vermelha. A verde representa o perodo frtil da terra, a amarela a abundncia de minrios africanos e a vermelha marca

    dos Unidos da Amrica. Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014.

    6 THE LIBRARY OF CONGRESS. Economia. Um Estudo do Pas: Etipia. Traduo nossa. Esta-dos Unidos da Amrica. Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014. p. 310.

    7 Conforme a pesquisa sobre as religies na Fundao Papal denominada kerkinnood que de-fende interesses religiosos. ETIPIA Ker in Nood. Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014.

    8 A Constituio da Repblica Federal Democrtica da Etipia de 1995 em seu artigo 3, inciso 2 reza: O emblema nacional na bandeira deve refletir a igualdade das naes, nacionalidades, povos e religies na Etipia e as suas aspiraes de viver em unidade. 3. Cada estado membro da Federao pode ter sua prpria bandeira e emblema. Informaes devem ser determinadas pelos respectivos parlamentos.

  • 26 As cartas polticas da Etipia: fatores de formao e aplicao das normas constitucionais etopes

    historicamente as guerras e a Grande Fome9.Imagem 1 Atual bandeira da Etipia

    3 A histria e as Cartas Constitucionais EtopesSo vrios os prncipes e reis que governaram monarquicamente a Etipia,

    tais como: Amde Sion (1314 1344), Zera Yakob (14341468), Naod (14941508), Lebna Denguel (15081540), Cludio (15401559), Sarsa Denguel (15631597), Fazilidas (16321667), Yohannes (16671682), Yasu-o-Grande (16821706), Bakaffa (17211730), Johannes IV (18721889), Menelique II (18891913) e finalmente Haile Selassie (1916 974).

    Haile Selassie (do idioma Geez: Poder da Trindade) a primeira figura destacada na histria etope, pois outorgou10 a primeira Constituio moderna da Etipia. Substituindo as leis esparsas e medievais, principalmente da Lei fetha Negest, que serviu como o direito escrito desde o sculo XIII e possuiu como base as compilaes de Justiniano, at que no Sculo XVI Sarsa Denguel lhe deu status constitucional11.

    3.1 A primeira Constituio Moderna da EtipiaO Poder Constituinte Originrio de 1931 baseia-se na Constituio de

    9 A Grande Fome ser tratada no item 3.3 deste artigo.10 As Constituies outorgadas so aquelas que concentram na figura do imperador o poder de

    constituir uma constituio sem participao popular, mas admite (raramente) a participao de uma Assembleia Constituinte de sua escolha.

    11 Nesse caso podemos classific-la como norma recepcionada parcialmente pela constituio, mas ressalta-se que no existia Lex Mater anterior.

  • 27Constituies no Mundo

    Meiji do Japo e dispunha sobre a libertao dos escravos,12 alguns direitos fundamentais e a sucesso imperial, como demonstra a passagem:

    Em julho de 1931, o imperador concedeu uma Constituio que afirma seu prprio status, reservado sucesso imperial para a linha de Haile Selassie, e declarou que a pessoa do imperador sagrada, a sua dignidade inviolvel, e seu poder incontestvel. Todo o po-der sobre o governo central e local, o poder legislativo, o judicirio e os militares ficaram com o imperador. A Constituio foi, essen-cialmente, um esforo para fornecer uma base legal para a subs-tituio dos governantes provinciais tradicionais com nomeaes leais ao imperador. (The Library of Congress: A Country Study: Ethiopia, 1991, traduo nossa)

    Apesar das caractersticas autocratas, Selassie fez a Etipia evoluir, aumentando a disponibilidade de energia eltrica, de servios de telefonia e de sade pblica.13 Quanto aos direitos fundamentais, esto dispostos no Captulo III da Carta Maior, reservando ao imperador sua suspenso em caso de interesses da nao. No artigo 25 da Carta, o imperador garante a inviolabilidade de domiclio, salvo os casos em lei e, no artigo 28, o direito de peticionar ao Governo Etope.

    A aplicao de algumas das medidas propostas pelo Imperador foi falha, pois a aristocracia manteve-se contra as suas tendncias revolucionrias e ainda ocorria uma crise econmica que afetava todo o pas, diminuindo os recursos do Imprio.

    A Etipia conservou-se fora de dominaes estrangeiras por anos, mas em 1936 que os italianos comandados por Mussolini, num exrcito de quatrocentos mil homens, do incio a uma Guerra com ideologias fascistas que durar um ano (1935-36). O Imperador Selassie, vendo-se derrotado pelo fascismo, exila-se para pedir ajuda internacional.

    A Guerra talo-etope se deu por causa da derrota dos italianos na tentativa de ocupao de uma Regio da Etipia denominada Adua em 1896, pelo exrcito nativo de etopes14 organizado por Menelique II. Alguns historiados falam em

    12 KI-ZERBO, Joseph. Histria da frica Negra. Paris: Publicaes Europa-Amrica, 1972. v. 2. p. 302

    13 THE LIBRARY OF CONGRESS. Haile Selassie: o perodo anterior a Guerra, 1930-1936, um Estudo do Pas: Etipia. Traduo nossa. Estados Unidos da Amrica. Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014.

    14 THE LIBRARY OF CONGRESS. Haile Selassie: o perodo anterior a Guerra, 1930-1936, um Estudo do Pas: Etipia. Traduo nossa. Estados Unidos da Amrica. Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014.

  • 28 As cartas polticas da Etipia: fatores de formao e aplicao das normas constitucionais etopes

    vingana da Itlia por causa da derrota.A Etipia solicitou ajuda s Naes Unidas, mas as sanes impostas

    Itlia foram ineficazes para evitar a guerra e a morte de milhares de civis15. A Guerra se estendeu pelo pas e a sociedade foi prejudicada progressivamente, principalmente no que tange aos direitos constitucionais que foram suspensos.

    Em um pronunciamento, Mussolini advoga a ideia de que,De um problema diplomtico {o litgio entre a Itlia e Etipia], tornou-se um problema de fora, um problema histrico, que im-porta resolver pelo nico modo pelo qual os problemas sempre terminam resolvidos pelo emprego das armas. (Mussolini ao general Badoglio, 1934)16

    J Selassie tambm se pronuncia referindo-se a problemtica da violncia de um dos membros da Liga das Noes (Itlia), que constitui violncia no s Etipia, mas sim a todos os outros membros da Liga:

    Enquanto a filosofia que declara uma raa superior e outra infe-rior no for finalmente e permanentemente desacreditada e aban-donada; enquanto no deixarem de existir cidados de primeira e segunda categoria de qualquer nao; enquanto a cor da pele de uma pessoa for mais importante que a cor dos seus olhos; enquan-to no forem garantidos a todos por igual os direitos humanos bsicos, sem olhar a raas, at esse dia, os sonhos de paz dura-doura, cidadania mundial e governo de uma moral internacional iro continuar a ser uma iluso fugaz, a ser perseguida mas nunca alcanada. E igualmente, enquanto os regimes infelizes e ignbeis que suprimem os nossos irmos, em condies subumanas, em Angola, Moambique e na frica do Sul no forem superados e destrudos, enquanto o fanatismo, os preconceitos, a malcia e os interesses desumanos no forem substitudos pela compreenso, tolerncia e boa vontade, enquanto todos os Africanos no se le-vantarem e falarem como seres livres, iguais aos olhos de todos os homens como so no Cu, at esse dia, o continente Africano no conhecer a Paz. Ns, Africanos, iremos lutar, se necessrio, e sabemos que iremos vencer, pois somos confiantes na vitria do bem sobre o mal.(Haile Selassie, em discurso na Liga das Naes, 1936).17

    Selassie retoma o poder da Etipia em 1941, por causa da vitria dos

    15 Nesse momento o Imperador Selassi atravs de seu discurso internacionalista visando a se-gurana coletiva e o multilateralismo e a no utilizao de armas qumicas contra o seu povo, inaugura a ideia de refinamento tecnolgico na barbrie

    16 SCHILLING, Voltaire. Histria Sculo XX: a invaso da Etipia. Terra Educao. Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014.

    17 DISCURSO De Haile Selassie s Naes Unidas. (Traduo nossa). Disponvel em: Acesso em: 10 out. 2013.

  • 29Constituies no Mundo

    Aliados (Estados Unidos, o Reino Unido e a Unio Sovitica Trplice Entente) sobre as foras do Eixo (Alemanha Nazista, Itlia Fascista e Imprio Nipnico Japons), encerrando a Segunda Guerra Mundial e, consequentemente, a sada dos italianos da Etipia.18

    A volta do imperador foi seguida novamente por crises econmicas ps-guerra, exigindo esforos para promover o desenvolvimento da agricultura e de novas tecnologias, tambm foram inauguradas novas escolas na Capital e enviados alguns estudantes a outros pases para aperfeioamento.

    3.2 A reforma constitucional de 1955Em 1955, Selassie pactua19 uma emenda constitucional ao seu povo

    reformando20 a Constituio de 1931, tendo em vista o progresso do pas e a necessidade da reforma constitucional, pois a Etipia era considerada no cenrio nacional e internacional como uma sociedade arcaica. A reforma foi extensa, alterou diversos dispositivos e acrescentou outros novos.21

    Diante dessa reforma, que se baseou na Constituio Americana de 1787, instaurou-se a tripartio dos Poderes, mas manteve na figura do Imperador o poder absoluto como se observa no artigo 4 da lei: em virtude do sangue imperial [...] a pessoa do imperador sagrada, sua dignidade inviolvel e seu poder inatacvel22. Os partidos polticos continuaram a ser considerados ilegais.

    A nova Carta dispunha extensamente, em 28 artigos os Direitos e Deveres do Povo, no entanto quase sempre com a ressalva sujeito lei. Estabeleceu um poder judicirio nacional, garantiu a liberdade de reunio, movimento e expresso e o devido processo legal, mas essas e outras liberdades fundamentais

    18 KI-ZERBO, Joseph. Histria da frica Negra. Paris: Publicaes Europa-Amrica, 1972. v. 2. p. 302.

    19 As constituies pactuadas surgem mediante pacto entre o soberano e a organizao nacional (Nobreza), caracterstica das constituies das monarquias da Idade mdia, no entanto, neste trabalho observa-se o poder constituinte derivado reformador mediante Assembleia consti-tuinte escolhida pelo Imperador.

    20 Ki-Zerbo afirma que ocorreu uma emenda Constituio posio seguida por Joo Carlos Rodrigues.

    21 A Constituio anterior possua sete captulos e 55 artigos; a Constituio de 1955, oito captu-los e 131 artigos.

    22 KI-ZERBO, Joseph. Histria da frica Negra. Paris: Publicaes Europa-Amrica, 1972. v. 2. p. 237-238.

  • 30 As cartas polticas da Etipia: fatores de formao e aplicao das normas constitucionais etopes

    ficaram distantes da aplicabilidade.23

    Relatos do historiador KI-ZERBO revelam a sofisticao dos palcios imperiais envolto de paisagens medievais e de pobreza. Ressalta ainda, o exorbitante gasto pblico com essas construes imperiais, a corrupo, o conservantismo imobilista da nobreza feudal, a confuso entre res publica e res principis e a censura de livros e ideias do exterior que foram responsveis pelo atraso econmico do pas24.

    Consequncia do radicalismo e imperialismo foi a tentativa de um golpe de Estado em 196025, quando Selassie estava em visita ao Brasil. Os rebeldes pediram o apoio de estudantes, igrejas e do exrcito26, mas os fiis do imperador reagiram na mesma hora, guerrilhando com os rebeldes. Alguns dos revoltosos suicidaram-se e outros foram condenados morte.27

    Decorrncia dessas revoltas e da reforma constitucional de 1955 foi o reconhecimento da incorporao de um territrio denominado Eritreia como estado federado da Etipia, j considerado federado pela Organizao das Naes Unidas ONU em 1950, pela reivindicao da terra por Selassie aps a Segunda Guerra Mundial e seu retorno ao poder.

    Nesse passo, havia um problema a ser solucionado: como anexar um territrio regido pela democracia e legalidade dos partidos polticos a um Imprio absolutista?

    O imperador etope desprendeu uma fora poltica forte para anexao da Eritreia, que, por sua vez, contava com um povo quase em sua totalidade contra a anexao. Por fim, o imperador conseguiu estabelecer-se na Eritreia, mesmo com revoltas populares, fazendo com que a Assembleia da Eritreia decidisse banir sua prpria bandeira e aderisse a bandeira etope, mudando de governo

    23 THE LIBRARY OF CONGRESS. O perodo ps-guerra, 1945-1960: Reforma e Oposio. Tra-duo nossa. Estados Unidos da Amrica. Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014.

    24 KI-ZERBO, Joseph. Histria da frica Negra. Paris: Publicaes Europa-Amrica, 1972. v. 2. p. 303-304.

    25 RODRIGUES, Joo Carlos. Pequena Histria da frica Negra. So Paulo: Globo. 1990, p. 238.26 Ki-zerbo afirma que o movimento foi organizado pelo General Neway e pelo seu irmo Giman

    que foram alguns dos que estudaram em outro pas (principalmente Colmbia) para depor o Imperador e nomear seu herdeiro, diferentemente do historiador Rodrigues que afirma que o filho de Selassi tomou frente do golpe.

    27 RODRIGUES, Joo Carlos. Pequena Histria da frica Negra. So Paulo: Globo. 1990. p. 304.

  • 31Constituies no Mundo

    eritreu para administrao eritreia28.Com esses conflitos que geravam gastos pblicos e a inaplicabilidade da

    Constituio, principalmente no que tange aos direitos fundamentais, a fome atingiu devastadoramente o pas, resultando em aproximadamente 40.000 mil mortes.

    O imperador, vendo seu pas rapidamente morrer de fome, nomeou o primeiro-ministro para constituir o seu governo, mas nada adiantou, como se visava ao interesse das minorias e a nova reforma legislativa tentada entre 1966-1967 pelo primeiro-ministro no surtiu efeitos prticos. A inflao dos preos subiu a uma mdia anual de 80%. Diante da ingerncia do governo, ocorreram greves, sublevaes de soldados e manifestaes, at a demisso do primeiro-ministro e nomeao de um substituto.29

    A efetivao das reformas tambm no ocorreu pelo substituto, que, por sua vez, desviou uma grande quantidade de recursos. nesse momento que a Comisso Coordenadora Militar prende membros do governo, inclusive o imperador.

    3.3 O Comit de Coordenao das Foras Armadas, Poltica e Exr-cito TerritorialSelassie foi deposto em 1974 e, com isso, ocorreu a abolio da

    monarquia e o afastamento da Constituio etope30. O Governo Provisrio Militar permaneceu alguns meses no pas at a instalao do regime socialista denominado DERG Comit de Coordenao das Foras Armadas, Polcia e Exrcito Territorial com a lgica de organizao monoltica31 e poltica socialista por meio do Membro principal do Comit, Mengistu. Foram instalados tribunais anticorrupo e desprendida uma fora agrria radical.32

    Nos anos seguintes ocorreram diversos conflitos, resultando na Guerra Civil da Etipia (1974-1991), a qual foi formada por grupos de estudantes, sindicalistas

    28 RODRIGUES, Joo Carlos. Pequena Histria da frica Negra. So Paulo: Globo. 1990. p. 304.29 RODRIGUES, Joo Carlos. Pequena Histria da frica Negra. So Paulo: Globo. 1990. p. 30530 Nessa ocasio se utilizou a lei marcial, afastando a aplicao das leis do pas e instaurando-se

    um sistema de leis militares que normalmente retiram as liberdades pblicas do cidado.31 Sistema caracterizado pela predominncia de um grupo.32 RODRIGUES, Joo Carlos. Pequena Histria da frica Negra. So Paulo: Globo. 1990. p. 238-

    239.

  • 32 As cartas polticas da Etipia: fatores de formao e aplicao das normas constitucionais etopes

    e alguns oficiais, que ficaram conhecidos como Partido Revolucionrio do Povo Etope. Eles reivindicam o restabelecimento dos direitos suspensos pelo DERG.

    J os eritreus se organizam pela FLE (Frente pela Libertao da Eritreia) para retomar a Independncia Eritreia, no entanto, outro movimento, o FLPE (Frente de Libertao do Povo Eritreu), ganhou espao pela proposta de conquistar a Independncia e formar uma sociedade sem descriminao e sem preferncias. Os objetivos foram alcanados mediante a cooperao entre o Partido Revolucionrio Etope e a FLPE, que conseguiram derrubar o DERG em 1991 e conquistar a independncia da Eritreia e o fim do regime comunista na Etipia.

    Com as reformas promovidas por Mengistu, membro principal do DERG, a Etipia foi dominada pela Grande Fome (1984-1985) que ficou marcada pela morte de milhes de pessoas. Isso decorreu da mudana econmica radical feita pelos socialistas e a falta de assistncia ao povo etope que, sem alimentos e sem terra frtil, foi atingido pela fome. Tal descaso chamou a ateno de ONGs e instituies internacionais, que agiram nas regies mais afetadas pelos conflitos.

    3.4 A Constituio da Repblica Democrtica Popular da Etipia de 1987Com a Poltica de Transio em 1987, o DERG foi extinto e Mengistu

    continuou no poder, tornando-se Chefe de Estado. Nesse passo, foi mediante referendo nacional que promulgou a nova Constituio etope, inaugurando a Repblica Democrtica Popular da Etipia (96,3% das 14 milhes de pessoas elegveis votaram, sendo que 81% concordaram com o texto da nova Constituio, aprovando-a).33 Na nova Constituio a assembleia constituinte foi formada pelo Partido dos Trabalhadores da Etipia, que, por sua vez, foi o nico partido autorizado a participar do Governo.

    A Carta de 1987 possua dezessete captulos e cento e dezenove artigos, inaugura o Estado unitrio multitnico, baseado nas constituies da Unio Sovitica com princpios do socialismo cientfico. A participao do povo (mediante propostas de reforma ao projeto constitucional) se concentrou nas

    33 THE LIBRARY OF CONGRESS. Etipia em Crise: A fome e suas consequncias 1984-88. Traduo nossa. Estados Unidos da Amrica. Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014.

  • 33Constituies no Mundo

    questes religiosas, eleitorais e de garantias fundamentais, das quais algumas foram consideradas pelo poder constituinte.34 No entanto a aplicabilidade foi falha porque a Guerra Civil e os conflitos internos ainda estavam ocorrendo e s acabariam em 1991.

    3.5 A Constituio da Repblica Federal Democrtica da Etipia (atual)O Regime Socialista perdurou at 199135, perodo marcado pela

    coalizo de grupos rebeldes, especialmente da Frente Popular Revolucionria Democrtica da Etipia (formada por vrios grupos populares) reivindicando o direito de autodeterminao para os grupos tnicos da Etipia. Resultando na entrada do Governo de Transio da Etipia36, que mediante assembleia constituinte elaborou a Constituio da Repblica Federal Democrtica da Etipia, apresentada ao povo em 1995. Nesse passo, a atual carta etope garante o pluripartidarismo e, alm disso, apresenta melhor os direitos fundamentais e divide o pas em regies de acordo com a etnia dos povos e no mais em territrios federados.

    O texto constitucional possui 105 artigos e 11 captulos. No prembulo faz meno da construo de uma sociedade baseada no direito autodeterminao dos povos, a criao de uma nica comunidade poltica baseada no consentimento comum e do Estado de Direito37, garantindo a paz, a democracia e o desenvolvimento econmico e social do pas.

    A Imagem abaixo apresenta um ritual denominado Ukuli, revelando a liberdade de crena, de reunio e expresso em pblico de rituais, conforme o artigo 17, inciso 1.38

    34 O THE LIBRARY OF CONGRESS no estudo da Etipia afirma que embora o governo central tenha alegado que foram aprovados 81% votaram em aprovar a Constituio, a populao ques-tionou a veracidade da reviso e aprovao das propostas colocadas em pauta.

    35 THE LIBRARY OF CONGRESS. Etipia em Crise: A fome e suas consequncias 1984-88. Traduo nossa. Estados Unidos da Amrica. Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014.

    36 THE LIBRARY OF CONGRESS. Etipia em Crise: A fome e suas consequncias 1984-88. Traduo nossa. Estados Unidos da Amrica. Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014.

    37 Constituio da Repblica Federal Democrtica da Etipia, Prembulo. 38 Art. 17, 1: Toda pessoa tem direito liberdade de pensamento, conscincia e religio. Esse

    direito inclui a liberdade de ter ou adotar uma religio ou crena de sua escolha, e liberdade,

  • 34 As cartas polticas da Etipia: fatores de formao e aplicao das normas constitucionais etopes

    Imagem 2 - Ritual ukuli na Etipia em novembro de 2011

    Fonte: Pascal Mannaerts/Divulgao

    Alm disso, a Constituio ressalta a necessidade de garantir o respeito dos direitos fundamentais dos indivduos e das naes, religies e etnias, sempre visando o bem comum e o desenvolvimento do pas e das diversas culturas. Ao final proclama a constituio para a manuteno da democracia e da paz alcanadas com sacrifcio. 39

    A Constituio pode ser classificada como dirigente, pois conduz a ao governamental do Estado, visando ao futuro da sociedade e a uma direo poltica permanente40. Quanto forma, a Carta Maior foi dividida em Captulos sobre os temas, a saber: dos princpios constitucionais fundamentais; dos direitos fundamentais; da estrutura do Estado; estrutura e organizao da Repblica; das Cmaras do Parlamento Federal (Poder Legislativo); do Presidente da Repblica; do Poder Executivo; do Poder Judicirio; e dos princpios da poltica nacional.

    Aps as disposies gerais que se concentram na bandeira, hino e idioma, j tratados no item dois desse artigo, o captulo dois dispe sobre os princpios constitucionais fundamentais, revelando aquelas diretrizes indispensveis na configurao do Estado, mostrando o modo e a forma de ser.41 Nesse sentido, a Carta adota o Estado sem preferncias ou interferncias de qualquer religio ou

    individualmente ou em comunidade com outros e em pblico ou em privado, de manifestar essa religio ou crena em culto, observncia, prtica e ensino.

    39 Constituio da Repblica Federal Democrtica da Etipia, Prembulo.40 BULOS, Uadi Lammgo. Curso de Direito Constitucional. So Paulo: Saraiva: 2011. p. 109. 41 BULOS, Uadi Lammgo. Curso de Direito Constitucional. So Paulo: Saraiva: 2011. p. 496

    497.

  • 35Constituies no Mundo

    crena, o dever de observncia do texto constitucional pelos rgos pblicos42, a inalienabilidade e inviolabilidade dos direitos e liberdades inerentes pessoa, os direitos democrticos e a transparncia do poder pblico em suas aes.

    O quarto captulo trata da estrutura do Estado. A forma de Governo a parlamentar, os Governos Federal e Estadual gozam da Tripartio dos Poderes, alm disso, a Federao composta de estados que foram fixados conforme os padres de assentamento, lngua, identidade e consentimento do povo. Atualmente existem nove regies (estados-membros): Tigrai, Afar, Amara, Oromia, Somlia, Benshangul/Gumaz, Povos do Sul, Povos Gmbia, e Povos Harari.43

    O Parlamento federal composto por duas cmaras: Conselho de Representantes dos Povos e Conselho da Federao.44 O Conselho de Representantes do Povo formado por representantes do povo eleitos a cada cinco anos, em eleio direta e por sufrgio universal. Alm de representar o povo etope na esfera Federal, perfaz o prprio Governo Federal e tem como competncias: a de salvaguardar e defender a constituio45, elaborar polticas, econmicas gerais de desenvolvimento social, estratgias e planos do pas; preparar as polticas fiscal e monetria, bem como de investimento estrangeiro e estratgias; preparar padro nacional e as medidas de poltica no que diz respeito sade, educao, cultura, patrimnio histrico e cincia e tecnologia; administrar o Banco Central etope, dentre outras.

    O Conselho da Federao composto por representantes das naes, nacionalidades e povos dos Estados membros da Federao46 com mandato

    42 O artigo 9, inciso 1 da Constituio etope disserta que a Constituio a lei suprema do pas e que todas as leis, as prticas habituais, e as decises tomadas por rgos do Estado ou funcionrios pblicos inconsistentes com ela, ser nula e sem efeito. (Traduo nossa) Esse trecho revela a teoria da Supremacia da Constituio na Etipia.

    43 Artigo 47, inciso 1. ETIPIA. Constituio (1994). Constituio da Repblica Federal Demo-crtica da Etipia, de 18 de junho de 1994. Institui a Repblica Federal Democrtica da Etipia. Universidade da Pensilvnia - Centro de Estudos De Africanos. Disponvel em: < http://www.africa.upenn.edu/Hornet/Ethiopian_Constitution.html>. Acesso em: 5 maio 2013

    44 Artigo 53. ETIPIA. Constituio (1994). Constituio da Repblica Federal Democrtica da Etipia, de 18 de junho de 1994. Institui a Repblica Federal Democrtica da Etipia. Univer-sidade da Pensilvnia - Centro de Estudos De Africanos. Disponvel em: < http://www.africa.upenn.edu/Hornet/Ethiopian_Constitution.html>. Acesso em: 5 maio 2013.

    45 Artigo 51, inciso 19. ETIPIA. Constituio (1994). Constituio da Repblica Federal Demo-crtica da Etipia, de 18 de junho de 1994. Institui a Repblica Federal Democrtica da Etipia. Universidade da Pensilvnia - Centro de Estudos De Africanos. Disponvel em: < http://www.africa.upenn.edu/Hornet/Ethiopian_Constitution.html>. Acesso em: 5 maio 2013.

    46 Artigo 61. ETIPIA. Constituio (1994). Constituio da Repblica Federal Democrtica da

  • 36 As cartas polticas da Etipia: fatores de formao e aplicao das normas constitucionais etopes

    de cinco anos e como principal funo o poder de interpretar a Constituio e instaurar o Tribunal Constitucional47 que se difere dos tribunais judiciais, mas produz efeitos judiciais, desde que aprovados pelo Conselho da Federao. Interessante salientar que a Constituio etope salvaguardada e protegida pelo Governo Federal Legislativo (Conselho de Representantes dos povos), mas a legitimidade de interpretar e fiscalizar a constitucionalidade das leis e ainda decidir sobre os litgios envolvendo questes constitucionais fica a cargo do (Conselho da Federao) por meio do Tribunal Constitucional.

    O Governo Federal tambm possui seu poder poltico, realizado por um partido poltico ou uma coligao de partidos polticos que obtiverem o maior nmero de assentos no Conselho [de Representantes dos Povos] ter o poder de formar e conduzir o Poder Executivo do Governo Federal.

    O Chefe de Estado na pessoa do Presidente nomeado pelo Conselho de Representantes dos Povos em reunio conjunta com o Conselho da Federao. O Poder Executivo tem como autoridade maior o Primeiro-Ministro e ocupa o cargo de Chefe de Governo juntamente com o Conselho de Ministros.

    O Poder Judicirio do Governo Federal independente e possui como Corte Maior o Supremo Tribunal Federal e os Estados possuem Suprema Corte do Estado, Tribunais Estaduais e tribunais de primeira instncia do Estado.48 Adota o duplo grau de jurisdio conforme o artigo 80, inciso 6 da Constituio.

    As liberdades fundamentais49 foram mais visadas nessa Constituio,

    Etipia, de 18 de junho de 1994. Institui a Repblica Federal Democrtica da Etipia. Univer-sidade da Pensilvnia - Centro de Estudos De Africanos. Disponvel em: < http://www.africa.upenn.edu/Hornet/Ethiopian_Constitution.html>. Acesso em: 5 maio 2013.

    47 Os Tribunais Constitucionais agregam elementos do modelo poltico e do modelo judicia-lista, apresentando caracterstica de rgo jurisdicional, embora no sejam uma corte como as outras. BULOS, Uadi Lammgo. Curso de Direito Constitucional. So Paulo: Saraiva: 2011. p.1291. Na Carta etope o Tribunal Constitucional est disposto no Captulo do Poder judici-rio, mas no esclarece se o Tribunal faz parte desse Poder, mas institudo pelo Poder Legisla-tivo e a maioria de membros.

    48 Artigo 78, inciso 3. ETIPIA. Constituio (1994). Constituio da Repblica Federal Demo-crtica da Etipia, de 18 de junho de 1994. Institui a Repblica Federal Democrtica da Etipia. Universidade da Pensilvnia - Centro de Estudos De Africanos. Disponvel em: < http://www.africa.upenn.edu/Hornet/Ethiopian_Constitution.html>. Acesso em: 5 maio 2013.

    49 As liberdades fundamentais ou direito fundamentais so o conjunto de normas, princpios, prerrogativas, deveres e institutos, inerentes soberania popular, que garantem a convivncia pacfica, digna, livre e igualitria, independentemente de credo, raa, origem, cor, condio econmica ou status social BULOS, Uadi Lammgo. Curso de Direito Constitucional. So Pau-lo: Saraiva: 2011p. 515.

  • 37Constituies no Mundo

    pois so dedicados trinta e seis artigos a matria. Conforme o art. 13, inciso 2, As liberdades fundamentais [...] devem ser interpretadas de forma coerente com a Declarao Universal dos Direitos Humanos, os pactos internacionais de direitos humanos e convenes ratificados pela Etipia.

    No Captulo que trata dos direitos humanos, o enunciado traz o direito vida, liberdade, segurana pessoal. O direito a vida assegurado pelo Estado, mas o indivduo pode ser privado dele se condenado a crime grave (pena de morte). O Direito liberdade poder ser afastado caso ocorra a condenao por algum crime, mas no poder ser preso sem a observncia dos procedimentos legais. No admitido o tratamento desumano, cruel ou degradante, ou de trabalhos forados.50

    Prev ainda os direitos e garantias do preso, que consistem no direito de ficar calado, direito de habeas corpus, fiana e o direito de ser informado detalhadamente dos motivos da priso em lngua que entenda. J o acusado tem direito a audincia pblica, assistncia jurdica gratuita e ao duplo grau de jurisdio.

    O artigo 25 da Carta fala sobre a igualdade afirmando que todas as pessoas so iguais perante a lei e tm direito a igual proteo da lei, sem qualquer tipo de discriminao [...]51, no havendo diferenas de raa, nao, nacionalidade, cor, sexo, lngua, religio, poltica ou social, riqueza, nascimento ou qualquer outra condio.52

    Alm disso, so previstos outros direitos como: direito privacidade; liberdade de religio, conscincia e pensamento; opinies, pensamentos e expresses livres; reunio e manifestao pblica; Associao para fins lcitos; direito locomoo; propriedade privada; e, direitos do trabalhador. Enfim, a Carta traz um rol extenso e avanado de direitos e garantias fundamentais de

    50 Artigos 14 a 18. ETIPIA. Constituio (1994). Constituio da Repblica Federal Democrtica da Etipia, de 18 de junho de 1994. Institui a Repblica Federal Democrtica da Etipia. Univer-sidade da Pensilvnia - Centro de Estudos De Africanos. Disponvel em: < http://www.africa.upenn.edu/Hornet/Ethiopian_Constitution.html>. Acesso em: 5 maio 2013.

    51 Artigo 25. ETIPIA. Constituio (1994). Constituio da Repblica Federal Democrtica da Etipia, de 18 de junho de 1994. Institui a Repblica Federal Democrtica da Etipia. Univer-sidade da Pensilvnia - Centro de Estudos De Africanos. Disponvel em: < http://www.africa.upenn.edu/Hornet/Ethiopian_Constitution.html>. Acesso em: 5 maio 2013.

    52 Artigo 25. ETIPIA. Constituio (1994). Constituio da Repblica Federal Democrtica da Etipia, de 18 de junho de 1994. Institui a Repblica Federal Democrtica da Etipia. Univer-sidade da Pensilvnia - Centro de Estudos De Africanos. Disponvel em: < http://www.africa.upenn.edu/Hornet/Ethiopian_Constitution.html>. Acesso em: 5 maio 2013.

  • 38 As cartas polticas da Etipia: fatores de formao e aplicao das normas constitucionais etopes

    todas as Geraes de Direitos Fundamentais.53

    O Texto Constitucional estabelece ainda direitos especficos criana reforando os direitos fundamentais j citados pela carta e veda trabalhos forados e tratamentos cruis de castigo ou prtica religiosa. Os direitos da mulher tambm so reforados devido a sua condio inferior na cultura etope, conforme reza o artigo 35, inciso 3:

    Considerando-se que as mulheres tm sido tradicionalmente vistas com inferioridade e so discriminadas, elas tm o direito ao benefcio de aes afirmativas desenvolvidas com o propsito de introduzir mudanas corretivas para tal herana. O objetivo dessas medidas garantir que a ateno especial dada a permitir que as mulheres venham a participar e competir em igualdade com os homens nos campos poltico, econmico e social, tanto no mbito das organizaes pblicas e privadas. (ETIPIA, Constituio da Repblica Federal Democrtica da Etipia - Traduo Nossa)

    Alm desses, a Constituio ao final do Captulo dos Direitos Fundamentais traz os direitos econmicos, sociais e culturais. A Economia etope uma economia mista (informao verbal)54, visto que adota uma economia liberal que defende a livre concorrncia e a livre iniciativa. O papel do Estado na Economia de proteger a concorrncia, incentivar e subsidiar a economia, fomentar as inovaes tecnolgicas e controlar os fatores de produo (recursos naturais finitos) em favor do povo etope.

    No entanto, a economia etope ficou prejudicada pela adoo da economia planificada (socialista) investida na Carta de 1987, poca marcada pela centralizao do sistema produtivo e dos poderes polticos. Desde a promulgao da Carta de 1995, a Etipia procura descentralizar a economia, privatizando gradualmente o comrcio industrial, tecnolgico e rural.

    Os Direitos sociais se resumem na acessibilidade a todo o povo etope dos recursos bsicos como a comida, gua potvel, abrigo, sade, educao e segurana de penso, mas a Constituio faz uma ressalva de limit-los de

    53 As Geraes dos direitos fundamentais demarcam os perodos de sua evoluo. Na classifica-o de BULOS: 1 Gerao: Direitos individuais; 2 Gerao: Direitos sociais, econmicos e culturais; 3 Gerao: Direitos de fraternidade ou solidariedade; 4 Gerao: Direito dos povos; 5 Gerao: Direito paz; 6 Gerao: Direito democracia, informao e ao pluralismo pol-tico. BULOS, Uadi Lammgo. Curso de Direito Constitucional. So Paulo: Saraiva: 2011. p. 517.

    54 Economias mistas so caracterizadas pela adoo parcial do regime capitalista devido a im-possibilidade de aplicao total do sistema na prtica, seguido de caractersticas da economia planificada. Ela permeia entre os dois tipos de economia. Informao fornecida por Joo Paulo Arajo sobre Economia poltica: os sistemas econmicos, em setembro de 2013. Notas de Aula.

  • 39Constituies no Mundo

    acordo com os recursos disponveis, pois as polticas pblicas no alcanam a todos. No artigo dos direitos culturais, h ressalva de que o Estado responsvel pelo fomento das artes e da proteo do patrimnio histrico e cultural.

    3.5.1 A Constituio e a realidade social da EtipiaConforme exposto no item dois e trs deste artigo, a histria da Etipia

    revela que as guerras, conflitos internos e a desertificao afetaram profundamente o pas econmica e socialmente. Nesse sentido, a herana deixada ao Governo atual no das melhores, impossibilitando o alcance das polticas pblicas a todos os etopes, por causa das crises econmicas e polticas.

    Por esse motivo as organizaes e instituies internacionais auxiliam as regies mais miserveis, na diminuio da fome e no auxlio a sade dos etopes. Os grupos de risco so as mulheres e as crianas, tanto pela posio inferior que carregam culturalmente e quanto pela falta de recursos bsicos como servios de sade, alimentao, educao e saneamento.

    Estudos do Centro Internacional para as Migraes, Sade e Desenvolvimento ICMHD (International Centre for Migration, Health and Development) mostram que 50% das mulheres etopes vivem abaixo do nvel da pobreza55 e apenas 35% so alfabetizadas. Culturalmente a mulher casa-se ainda jovem, em torno dos dezessete anos, e deve ter uma famlia grande (nascem em mdia 7,07 filhos por famlia). Por causa das crenas e do difcil acesso sade nas reas rurais, os partos no so assistidos por profissionais, colocando em risco a mulher e a criana, que ficam subnutridas por causa da baixa ingesto de alimentos e da falta de cuidados mdicos.56 O resultado alarmante, estima-se que ocorrem 350 mortes maternas a cada 100.000 nascidos vivos, alm daquelas crianas que morrem antes de completar dois anos, pela falta de vitaminas essenciais ao crescimento.

    A soluo estaria na descentralizao das polticas pblicas para as regies mais pobres por parte do Governo visando garantir aquelas liberdades pblicas e o crescimento do pas, pois apenas com a alimentao, sade, educao, trabalho

    55 Cerca de 40% da populao etope subnutrida.56 ICMHD. Etipia: Resolvendo problemas atuais na Morte Materna. Ttulo Original: Ethiopia:

    Resolving Current Issues in Maternal Death and Women`s Health. Traduo Nossa. Dispon-vel em: . Acesso em: 14 jun.2014.

  • 40 As cartas polticas da Etipia: fatores de formao e aplicao das normas constitucionais etopes

    e outros direitos essenciais como o direito propriedade que o povo etope conseguir contribuir para a evoluo do pas e a descontinuidade da situao apavorante que assola o pas atualmente.

    4 ConclusoAps a anlise dos fatores que constituram a histria Constitucional

    da Etipia, tem-se que o territrio foi marcado por vrios conflitos e guerras, prejudicando fortemente a efetividade dos direitos fundamentais e o desenvolvimento social, econmico e tecnolgico do pas, pois os governantes etopes sempre visaram s minorias em detrimento de uma sociedade que necessitava e necessita de recursos bsicos a sua subsistncia.

    Nesse sentido, as Constituies foram importantes para frear o poder estatal. As primeiras, de 1931 e 1935, no visaram necessariamente s liberdades fundamentais, apenas organizao da monarquia e sucesso do trono. A Constituio de 1987 se concentrou na instaurao de um ideal socialista, sendo que os direitos fundamentais foram previstos em vrios artigos, mas mal foram aplicados, por causa da Guerra Civil e da caracterstica autoritria do Governo.

    Com a derrubada do regime socialista, sobreveio a democracia e a diviso em Governos Federal e Estadual por meio da nova e atual Constituio de 1955. Com ela, o Estado foi organizado conforme as etnias espalhadas pelo territrio e positivado um rol extenso de direitos e garantias constitucionais.

    Dessa forma, com a nova Carta Poltica, a Etipia tenta recuperar os prejuzos causados por dcadas de ingerncia dos governos anteriores e das guerras, que abalizaram gravemente o povo etope e a economia do pas. Nesse sentido, vale ressaltar a importncia das organizaes no governamentais no auxlio da efetividade das liberdades constitucionais, pois o Estado no consegue [ou no quer] alcanar a todos.

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  • 41Constituies no Mundo

    ETIPIA. Constituio (1994). Constituio da Repblica Federal Democrtica da Etipia, de 18 de junho de 1994. Institui a Repblica Federal Democrtica da Etipia. Universidade da Pensilvnia - Centro de Estudos De Africanos. Disponvel em: < http://www.africa.upenn.edu/Hornet/Ethiopian_Constitution.html>. Acesso em: 5 maio 2013

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  • 42 Constitucionalismo do Peru

  • 43Constituies no Mundo

    A Constituio dA islndiA: de 1944 aos dias atuais

    Carlos Antnio de Brito Filho1

    1 Introduo

    O estudo das publicaes do casal Armand e Michlle Mattelart, na rea do processo comunicacional, exemplo da importncia que os europeus desti-nam compreenso dos fenmenos que intermedeiam e suprem eventuais ca-rncias que se instalam entre a vontade de constituio de um povo, a atuao dos fatores reais de poder como agentes polticos, a cultura constitucional como embasamento ao alcance de expectativas e gerenciamento de contingncias e as emisses deliberativas, por meio de um cdigo que transmita as mensagens de maneira atemporal e menos ideologicamente possvel ao emissor.

    A ideia ps-moderna de cidadania corrobora a compreenso vanguardista de soberanias passiva e ativas rousseaunianas e posteriormente traduzidas linguagem constitucional por Peter Hberle, quando da idealizao de um mtodo interpretativo comparativo e a transnacionalidade permitida por construes como o direito constitucional cooperativo. A amplitude desse

    1 Acadmico de Direito da Faculdade de Cincias Jurdicas e Sociais do Centro Universitrio de Braslia UniCEUB. E-mail:

  • 44 A constituio da Islndia: de 1944 aos dias atuais

    instituto, que hoje defendido em pases como o Brasil, mostrou-se fruto de reflexo e desencadeou eventos que colocaram os islandeses nas ruas, ou, talvez pela diminuta espacialidade territorial, os motivou a protestar em frente tradicional casa legislativa do pas. Placas que reivindicavam o direito pesca, por exemplo, foram acessrios comuns nessas reivindicaes. Nesse ambiente insular, o direito pesca recebe status de direito humano.

    Os efeitos do ps-guerra alcanam ainda hoje impacto no desenvolvimento das sociedades europeias. A evaso e os fluxos migratrios podem ser percebidos por meio de uma configurao em que se faz oportuna uma governana global em detrimento de nacionalidades que evidenciem identidades e diferenas acentuadas. A ordem deve incluir cada vez mais, ainda que aspectos financeiros sejam plenamente evidenciados. Evadidos alemes ocupam lugar de destaque nas economias dos estados brasileiros; por exemplo, italianos atualmente se valem de contatos alm-fronteira para continuar uma explorao do territrio, mas dessa vez com um carter mais ideolgico que antes. Em termos de nacionais islandeses, viu-se um fluxo principalmente na Amrica do Norte e mais precisamente nos Estados Unidos e no Canad.

    Finalmente, assunto que ainda explorado no que diz respeito aos efeitos de eventos histricos a crise de 2008, que iniciou um processo constituinte digital e aflorou a imanncia de um poder exercido pelos islandeses como meio de comunicao, ou, se preferir, meio de comunicao como poder. A ideia de influncia do meio de comunicao quente ou frio ressurge, os estudos das audincias, a compreenso de esfera pblica deve receber uma nova reflexo; enfim, faz-se oportuno repensar conceitos participativos/representativos/deliberativos de processo constituinte digital. O estudo do caso islands subsidia esse sintagma.

    2 Ambientalizao, contextualizao e histricoA costa islandesa caracterizada por uma praia rasa e descolorida com um

    fundo de montanhas nevoentas; sendo uma macia e alta, o vulco Hekla.2 Repleta de peculiaridades em termos geolgicos, o pas viveu a erupo do vulco Askja em 1875, evento que coincide com a poca em que a ilha adquire autonomia legislativa diante da Dinamarca. Uma forte recesso ocasionada por essa intemprie deixou

    2 BLOND, Georges. A guerra no rtico. So Paulo: Flamboyant, 2008. p. 46.

  • 45Constituies no Mundo

    a economia da regio em crise e ocasionou um longo perodo de fome e uma emigrao de 20% da populao, principalmente aos EUA e Canad. Entretanto, durante o sculo XX percebe-se uma recuperao na economia, principalmente devido ao crescimento da indstria pesqueira. A partir de 1994, quando o pas aderiu ao Espao Econmico Europeu, percebe-se uma evoluo clara em sua alfabetizao, longevidade e coeso social, considerados de primeira linha em relao aos padres mundiais. Historicamente, a regio foi povoada por povos celtas e nrdicos e possui a casa legislativa mais antiga de que se tem notcia, a Althingi.

    A Islndia localiza-se no norte da Europa, prxima ao rtico, entre o Mar da Groenlndia e do Oceano Atlntico Norte, a noroeste do Reino Unido. Possui clima temperado, invernos suaves, vento, umidade e veres frescos. Dentre os assuntos ambientais de maior relevncia esto a poluio da gua por escoamento de fertilizantes e o tratamento de esgoto inadequado. Percebe-se, assim, que em relao aos aspectos relacionados aos principais estudos do IPCC sobre mudanas climticas, a ilha aparentemente no possui relevante contribuio quanto emisso de gases poluentes e sua amostragem emprica pode servir como base de estudos como uma regio de ecossistema mnimo, devido ao reduzido espao territorial e diminuta quantidade populacional. Possui localizao estratgica entre duas plataformas continentais.

    O pas signatrio de alguns tratados internacionais, tendo alguns sido ratificados, outros no3. Entre os pendentes de ratificao encontram-se o Tratado de Conservao da Vida Marinha e o de Modificao Ambiental. Um exemplo de tratado em que a ilha parte seria o Tratado de Caa Baleia, de 1946. Na opinio de especialistas, a caa s baleias, uma das alegadas principais atividades econmicas do pas europeu, regulada por um cadver jurdico de 1946, escrito pelos baleeiros gananciosos daquele tempo e seus aliados polticos, j deveria ter sido abandonado h muito tempo em favor de uma viso mais moderna de gesto4. Demais acordos internacionais ratificados pela Islndia so o Protocolo de Kyoto, Law of the sea5 e a Conveno de preveno de poluio

    3 Artigo 21 da Constituio islandesa de 1944.4 CONSERVAO marinha, um grande quebra cabea. Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014.5 INTERNATIONAL TRIBUNAL FOR LAW OF THE SEA. Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014.

  • 46 A constituio da Islndia: de 1944 aos dias atuais

    marinha e despejo de lixo e outros assuntos, de 19726.A capital da ilha Reykjavik, localizada ao sudeste do territrio.

    a capital mais setentrional do mundo, que sedia o governo7 de uma nao de aproximadamente 300.000 islandeses, divididos de maneira equilibrada em relao a gnero, uma maioria de adultos entre 25 e 54 anos de idade e composta por uma mistura homognea de descendentes dos celtas e nrdicos que representa uma proporo de 94% de sua populao. Os idiomas falados so o islands, o ingls, o alemo e lnguas nrdicas. A religio oficial do pas a Igreja Luterana Evanglica8, com 80,7% de adeptos. Os habitantes parecem noruegueses. Os moos, especialmente, falam ingls. No que a temperatura seja excessivamente baixa no inverno, mas, por vezes, sopra um vento terrvel que nos trespassa. As casas so confortveis e tudo muito moderno, mas em geral recebem-nos friamente. Os homens no nos apreciam.

    A economia social de mercado da Islndia combina uma estrutura capitalista e os princpios de livre mercado com um sistema de bem-estar. Antes da crise de 2008, a Islndia tinha alcanado alto crescimento, baixo desemprego e uma distribuio de renda extremamente igualitria. A economia depende pesadamente na indstria pesqueira, que fornece 40% das receitas de exportao, mais de 12% do PIB, e emprega cerca de 5% da fora de trabalho. Resta sensvel ao declnio dos estoques de peixes, bem como s flutuaes dos preos mundiais para os seus principais produtos de exportao: peixe e de produtos de alumnio, ferro e silcio. A economia da Islndia tem diversificao em indstrias de manufatura e servios e, na ltima dcada, especialmente nas reas de produo de software, biotecnologia e turismo. Os potenciais energticos, geotrmico e hidreltrico abundantes tm atrado substancial investimento estrangeiro no setor do alumnio, impulsionou o crescimento econmico e provocou algum interesse de empresas de alta tecnologia que procuram os centros de estabelecimento de dados usando energia verde de baixo custo, embora a crise

    6 LONDON Convention on the Prevention of Marine Pollution by Dumping of Wastes and Other Matter Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014.

    7 Artigo 13 da Constituio islandesa de 1944. Disponvel em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Independ%C3%AAncia_da_Isl%C3%A2ndia> Acesso em: 14 jun. 2014.

    8 Artigo 62 da Constituio islandesa de 1944. Disponvel em: < http://pt.wikipedia.org/wiki/Independ%C3%AAncia_da_Isl%C3%A2ndia> Acesso em: 14 jun. 2014.

  • 47Constituies no Mundo

    financeira tenha colocado vrios projetos de investimento em espera.Grande parte do crescimento econmico da Islndia nos ltimos

    anos veio como resultado de um crescimento na demanda domstica aps a rpida expanso do setor financeiro do pas. Bancos islandeses expandiram agressivamente em mercados estrangeiros e consumidores e empresas buscaram emprstimos pesados em moedas estrangeiras, aps a privatizao do setor bancrio no incio de 2000 9. A piora das condies financeiras globais ao longo de 2008 resultou em uma forte desvalorizao da coroa islandesa frente outras moedas importantes10.

    A exposio externa dos bancos islandeses, emprstimos e outros ativos totalizaram mais de 10 vezes o PIB do pas, o que se tornou insustentvel. Trs bancos da Islndia entraram em colapso no final de 2008. O pas garantiu mais de US $10 bilhes em emprstimos do FMI e outros pases para estabilizar a sua moeda, o setor financeiro e a volta de garantias governamentais para os depsitos no exterior em bancos islandeses. O PIB caiu 6,8 % em 2009, e a taxa de desemprego atingiu um pico de 9,4% em fevereiro de 2009. O PIB cresceu 2,7% em 2012 e a taxa de desemprego caiu para 5,6%. Desde o colapso do setor financeiro da Islndia, as prioridades econmicas do governo incluem: a implementao de controles de capital; a reduo do elevado dficit oramentrio da Islndia; a conteno da inflao, abordando elevado endividamento das famlias; a reestruturao do setor financeiro; e diversificar a economia. Trs novos bancos foram estabelecidos para assumir os ativos domsticos dos bancos que desabaram. Dois deles tm participao majoritria estrangeira, enquanto o Estado detm a maioria das aes do terceiro.

    9 Introduo: IceSave foi o nome comercial do Landsbanki Islands, o segundo maior banco da Islndia. Sob este nome, o banco foi ativo no mercado dos Pases Baixos e Reino Unido. Em ou-tubro de 2008, a Holanda tinha cerca de 108 mil depositantes em conta do Icesave. O banco foi nacionalizado pela Islndia e todas as atividades foram interrompidas. Disponvel em:

    10 Problemas: Em outubro de 2008 os clientes do IceSave foram informados de que o banco no poderia cumprir suas obrigaes. O Landsbanki slands, gestor do Icesave, teve problemas de solvncia. Os investidores que foram enganados na Holanda, tiveram que apelar para os siste-mas de garantia holands e islands. O Ministrio das Finanas holands e o banco holands se reuniram com o governo islands para garantir que honraria suas obrigaes, uma vez que, alm de poupadores regulares, muitas provncias holandesas e municpios eram correntistas no Icesave, o que resultou em uma crescente perda de 1,6 bilhes de dlares. ICESAVE. Disponvel em: . Acesso em: 14 jun. 2014.

  • 48 A constituio da Islndia: de 1944 aos dias atuais

    A Islndia comeou a fazer pagamentos11 para o Reino Unido, Holanda e outros demandantes no final de 2011, aps deciso do Supremo Tribunal da Islndia12. Em 2008, confirmou-se a legislao de emergncia que d prioridade aos depositantes para a compensao de bancos islandeses que falharam. A Islndia deve a autoridades britnicas e holandesas cerca de US $5,5 bilhes de dlares americanos a ttulo de compensar os cidados britnicos e holandeses que perderam depsitos no Icesave, quando o Landsbanki falhou em 2008.

    As negociaes de adeso Unio Europeia iniciaram-se em julho de 2010, no entanto, o apoio pblico caiu substancialmente devido preocupao com a perda de controle sobre os recursos de pesca e em resposta a preocupaes sobre a crise da zona do euro em curso.

    A Repblica da Islndia tem a sede de seu governo em Reykjavik13 e composta por 8 divises administrativas (Austurland, Hofudhborgarsvaedhi, Nordhurland Eystra, Nordhurland Vaestra, Sudhurland, Sudhurnes, Vestfirdhir, Vesturland). Em 01 de dezembro de 1918, tornou-se um Estado soberano sob a coroa dinamarquesa e formalizou sua independncia com o movimento constitucionalista de 17 de junho de 1944, data do nascimento de Jn Sigurdsson, fillogo, historiador, terico poltico, economista pela Universidade de Copenhagen e lder do movimento islands de independncia da Dinamarca. Desde ento, a Islndia um estado unitrio republicano democrtico representativo parlamentar.

    3 O poder como meio de comunicaoH perspectivas que an