CONTABILIDADE APLICADA ÀS COOPERATIVAS AGRICOLAS

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INSTITUTO AVANADO DE ENSINO SUPERIOR DE BARREIRAS FACULDADE SO FRANCISCO DE BARREIRAS COLEGIADO DE CINCIAS CONTBEIS

CONTABILIDADE APLICADA S COOPERATIVAS AGRICOLAS: estudo de caso em uma sociedade cooperativa queatua no segmento agrcola na cidade de Barreiras-BA.

Joo Batista Ferreira Lima

BARREIRAS, BA 2010

INSTITUTO AVANADO DE ENSINO SUPERIOR DE BARREIRAS FACULDADE SO FRANCISCO DE BARREIRAS COLEGIADO DE CINCIAS CONTBEIS

CONTABILIDADE APLICADA S COOPERATIVAS AGRICOLAS: estudo de caso em uma sociedade cooperativa queatua no segmento agrcola na cidade de Barreiras-BA.

Monografia parcial para

apresentada a

como da

requisito disciplina

aprovao

Trabalho de Concluso de Curso TCC II do Curso de Cincias Contbeis da

Faculdade So Francisco de Barreiras.

Orientador: Prof. Esp.Paulo Moiss B.Santos Co-orientador: Prof. Msc. Luciana Moraes

BARREIRAS, BA 2010

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Lima, Joo Batista Ferreira CONTABILIDADE APLICADA S COOPERATIVAS AGRICOLAS: estudo de caso em uma sociedade cooperativa que atua no segmento agrcola na cidade de Barreiras-BA/Joo Batista Ferreira Lima. Barreiras. 2010.

Trabalho de Concluso de Curso (Cincias Contbeis) Faculdade So Francisco de Barreiras, Colegiado de Cincias Contbeis.

Orientador: Prof. Esp. Paulo Moiss Batista dos Santos

1. Avaliao Brasil, 2.Pesquisa, 3. Problemas de Pesquisa

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JOAO BATISTA FERREIRA LIMACONTABILIDADE APLICADA S COOPERATIVAS AGRICOLAS: um estudo de caso em uma sociedade cooperativa que atua no segmento agrcola no municpio de Barreiras-Ba.Comisso Julgadora Trabalho de Concluso de Curso

Presidente e Orientador:.............................................................................. PROF. ESP.PAULO MOISS BATISTA DOS SANTOS Examinador.............................................................................................. PROF MSC LUCIANA SILVA MORAES Examinador.............................................................................................. PROF.ESP. CARLOS ANTONIO SILVA Barreiras,.....de...................................de .........

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SUMRIO LISTA DE SIGLAS LISTA DE TABELAS LISTA DE GRAFICOS RESUMO 1. INTRODUO .................................................................................................... 12 2. OBJETIVOS..........................................................................................................13 2.1 Objetivo Geral..................................................................................................... 13 2.2 Objetivos especficos.......................................................................................... 13 3. METODOLOGIA.................................................................................................. 13 4. REFERENCIAL TERICO ................................................................................. 14 4.1 Aspectos comparativos entre sociedade cooperativa e sociedade empresria..19 4.2 Aspectos contbeis relativos s sociedades cooperativas ................................ 23 5. DADOS ESTATSTICOS SOBRE O COOPERATIVISMO NO BRASIL............. 29 6. ESTUDO DE CASO: ANLISE DE DADOS E RESULTADOS.......................... 35 6.1 Breve Histrico da Sociedade Cooperativa Pesquisada......................................36 6.2 Anlise dos Dados Coletados............................................ ................................ 37 6.3 Anlise dos Questionrios Aplicados.................................................................. 44 7. CONCLUSES E RECOMENDAES.............................................................. 51 8. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS................................................................... 56 ANEXOS: Anexo 01 .................................................................................................................. 59

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DEDICATRIA

Izabel, minha esposa, meu porto seguro em meio a tantas tempestades enfrentadas;

Amanda, minha filha amada, h 14 anos o motivo para a transformao da minha vida.

Anglica, meu beb, que tantas vezes eu disse no ao seu singelo pedido papai, joga bola comigo!, tudo em prol da realizao deste sonho.

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AGRADECIMENTOS

Ao Supremo Deus, em primeiro lugar, pelo flego de vida e equilbrio espiritual.

Ao Grupo Gorgen, principalmente Joo Antonio e sua esposa Marisa, pelo incentivo e pela construo da realizao deste sonho.

A Luciana Silva Moraes e Paulo Moiss Batista dos Santos, meus orientadores que deram direo a este trabalho.

A meu amigo Gilvan dos Santos Alcntara, com seu auxilio inestimvel que tanto ajudou a aliviar os percalos desta caminhada.

A todos os colegas acadmicos, colegas de trabalho e amigos que nos brindaram com suas valorosas presena, principalmente a Nairton Luis Michelsen, Profissional Contbil, a quem atribuo muitas das experincias aqui expostas.

Especialmente minha famlia: me, irmos, esposa e filhas, que souberam exercitar a pacincia e apoio incondicional neste momento de rduo labor.

A meu inesquecvel pai Anacleto Ferreira Lima (in memorian), por sua frase que marcou minha infncia e que nos incentivou a buscar o desenvolvimento intelectual.

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LISTA DE SIGLAS NBC Normas Brasileiras de Contabilidade OCB Organizao das Cooperativas do Brasil OCEB Sindicato e organizao das Cooperativas do Estado da Bahia SESCOOP Servio Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo CFC Conselho Federal de Contabilidade GEMERC Gerncia de Mercado PIB Produto Interno Bruto AIBA Associao de Agricultores e Irrigantes do Estado da Bahia IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica CONAB Companhia Nacional de Abastecimento FATES Fundo de Assistncia Tcnica Educacional e Social IRPJ Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurdicas CSLL Contribuio Social sobre o Lucro Lquido PIS Programa de Integrao Social COFINS Contribuio para Financiamento da Seguridade Social ICMS Imposto sobre a Circulao de Mercadorias e sobre Prestao de Servios de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicao. FUNRURAL Fundo de Assistncia ao Trabalhador Rural PRORURAL Programa de Assistncia ao Trabalhador Rural

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LISTA DE TABELAS Tabela 01 Cooperativas versus sociedade mercantil............................................. 20 Tabela 02 Nmeros do cooperativismo por ramo de atividade ............................. 29 Tabela 03 Movimentao econmico-financeira das cooperativas brasileiras ..... 34 Tabela 04 Evoluo do PIB brasileiro ................................................................... 34 Tabela 05 Faturamento das cooperativas versus PIB brasileiro............................ 35 Tabela 06 Quantidade de produtos comercializados no perodo........................... 36 Tabela 07 Ingressos de recursos pela comercializao dos produtos................... 37 Tabela 08 Rateio dos dispndios........................................................................... 39 Tabela 09 Confrontao entre ingressos e dispndios.......................................... 39 Tabela 10 Rateio das sobras do exerccio............................................................. 40 Tabela 11 Relao de tributos incidentes no perodo............................................ 42

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LISTA DE GRAFICOS

Grfico 01: Evoluo da quantidade total de cooperativas no Brasil........................ 30 Grfico 02: Evoluo da quantidade total de associados......................................... 30 Grfico 03: Evoluo da quantidade total de empregados....................................... 31 Grfico 04: Quantidade de cooperativas por ramo de atividade............................... 32 Grfico 05: Quantidade de associados por ramo de atividade................................ 33 Grfico 06: Empregados por ramo de atividade........................................................ 33 Grfico 07: Evoluo do faturamento das cooperativas brasileiras.......................... 34 Grfico 08: Ingresso de recursos por tipo de produto............................................... 38 Grfico 09: Perfil dos entrevistados Sexo.............................................................. 44 Grfico 10: Perfil dos entrevistados Faixa etria.................................................... 45 Grfico 11: Perfil dos entrevistados Escolaridade.................................................. 45 Grfico 12: Objetivos pretendidos pelos entrevistados............................................. 46 Grfico 13: Grau de esclarecimento dos entrevistados............................................. 46 Grfico 14: Grau de utilizao dos servios da cooperativa..................................... 47 Grfico 15: Percepo da diferena nos resultados.................................................. 47 Grfico 16: Maiores benefcios econmicos.............................................................. 48 Grfico 17: Programas sociais.................................................................................. 48 Grfico 18: Maior benefcio dos programas sociais.................................................. 49 Grfico 19: Programas de sustentabilidade ambiental.............................................. 49 Grfico 20: Maior programa de sustentabilidade ambiental...................................... 50 Grfico 21: Grau de satisfao dos cooperados....................................................... 50 Grfico 22: Perspectivas de continuidade dos negcios........................................... 51

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RESUMO

Os aspectos contbeis praticados em uma sociedade cooperativa agrcola ganham enfoque diferenciado em relao s sociedades empresrias regulares no que se refere ao conceito de lucros para fins tributveis. O Cdigo Civil Brasileiro classifica as sociedades cooperativas como entidades simples sem fins lucrativos, e de acordo com a Lei n 5764/71 os resultados obtidos como a diferena entre os ingressos e dispndios nas sociedades cooperativas no so considerados como lucros para fins tributveis, mas como sobras do exerccio resultantes de atos cooperativos, portanto, isentos de tributao pelo imposto de renda de acordo com a lei n 3.000/99. A anlise das operaes de uma sociedade cooperativa agrcola constatou que durante 4 anos pesquisados houve sobras do exerccio distribudas na Assemblia Geral Ordinria, aps formao das reservas estatutrias, sendo 5% para a Reserva Legal, e 5% para o Fundo de Assistncia Tcnica Educacional e Social FATES; Este estudo tambm evidenciou que as sociedades cooperativas esto sujeitas aos Princpios, Postulados, Normas Brasileiras de Contabilidade e todas as formalidades inerentes s sociedades empresrias no que tange aos livros fiscais obrigatrios, escriturao contbil e divulgao conforme a NBC T 10.8, diferenciando-se somente quanto questo tributria e objetivos sociais. Constataram-se tambm os benefcios sociais advindos da iseno total ou parcial da carga tributria, trazendo ganhos na qualidade de vida social e econmica dos seus cooperados.

Palavras-chave:

cooperativismo;

cooperativas

agrcolas;

benefcios

sociais;

tributao; sociedade cooperativa; sociedade simples; contabilidade.

1 12 1. INTRODUO

A motivao maior para a realizao deste estudo teve como ponto de partida a indagao se h diferenciao entre a Contabilidade praticada na Sociedade Empresria e a praticada na Sociedade Cooperativa, se o lucro auferido pra fins tributveis em uma cooperativa ganha enfoque diferenciado ou no, qual a legislao aplicada e quais as bases para o desenvolvimento do Cooperativismo no Brasil. Na busca pela elucidao de tais questionamentos, verificou-se uma vasta literatura, trabalhos de pesquisa acadmica, monografias, teses, manuais tcnicos, resolues, normas, princpios e postulados voltados essencialmente prtica da Contabilidade em empresas comerciais, pblicas e de servios, havendo limitada literatura acerca das entidades cooperativas. Este estudo concentrou-se nas tcnicas contbeis aplicadas s Sociedades Cooperativas, especificamente um estudo de caso a partir da anlise das Demonstraes Contbeis de uma sociedade cooperativa composta por 22 associados, localizada na cidade de Barreiras-BA, que atua no ramo agrcola intermediando a compra de insumos para a produo de seus associados, bem como a venda de seus produtos nos mercados nacional e internacional. O Cdigo Civil Brasileiro diferencia as sociedades cooperativas das demais sociedades empresrias, surgindo a partir da a necessidade de evidenciar tais diferenas entre esse dois tipos de entidade, quais os benefcios para os seus cooperados e a comunidade em geral. Diante de tal necessidade buscou-se trazer, luz da legislao, quais as tcnicas contbeis empregadas nas cooperativas agrcolas, quais os tributos que incidem sobre as operaes realizadas, bem como, quais os benefcios sociais e melhorias para a comunidade em geral e para os seus usurios internos, os scios cooperados, partindo-se da hiptese de que uma Sociedade Cooperativa agrega valor produo de seus associados, sem apoderar-se do lucro advindo de suas operaes, possibilitando um maior desenvolvimento sustentvel, estando total ou parcialmente isenta de impostos federais, estaduais e municipais.

1 13 2. OBJETIVOS 2.1 Objetivo Geral: Analisar as operaes de uma Sociedade Cooperativa Agrcola e comparar com os aspectos contbeis relacionados a uma Sociedade Empresria.

2.2 Objetivos Especficos: Diferenciar a Contabilidade praticada na Sociedade Cooperativa e a praticada na Sociedade Empresria; Identificar e exemplificar os benefcios sociais advindos das operaes efetuadas por uma Sociedade Cooperativa;

3. METODOLOGIA

Para o alcance da finalidade deste estudo utilizou-se o Mtodo Indutivo, a partir da observao de fenmenos particulares e da descoberta da relao entre si, para uma posterior generalizao. Para tanto recorreu-se pesquisa aplicada

atravs de um Estudo de Caso, objetivando gerar conhecimentos a partir da anlise de fatos reais, descrevendo as caractersticas dos fatos observados e estabelecendo as relaes entre as variveis. Buscou-se a interpretao dos dados obtidos utilizando-se elementos da pesquisa qualitativa e tambm instrumentos da pesquisa quantitativa, tais como recursos e tcnicas estatsticas. Os objetivos anteriormente citados foram alcanados a partir da seguinte esquematizao: para o objetivo geral foi realizado um Estudo de Caso, com pesquisa documental em relatrios gerenciais e as demonstraes contbeis dos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, com a disposio das informaes coletadas em planilhas, tabelas e grficos, com consulta aos gerentes de departamentos e diretoria visando ao esclarecimento dos fatos observados para fomentar a exposio analtica dos resultados. A partir da foi feito um levantamento terico comparativo com a carga tributria incidente em uma sociedade comercial, visando evidenciar os benefcios gerados pelas operaes efetuadas atravs das cooperativas agrcolas. O primeiro objetivo especfico foi atingido atravs de pesquisa bibliogrfica na

1 14 Constituio Federal do Brasil de 1988 e normativos tendo como base legal a Lei n. 5764/71 (Lei do Cooperativismo) e a Lei n. 10.406/2002 (Novo Cdigo Civil Brasileiro); livros, teses, artigos cientficos, manuais tcnicos, resolues, princpios e postulados contbeis, Normas Brasileiras de Contabilidade, publicaes eletrnicas, stios eletrnicos de rgos representativos da classe contbil, com o objetivo de fundamentar a presente pesquisa. Para a consecuo do segundo objetivo especfico, foram consultados os rgos representativos do cooperativismo em nvel nacional e estadual, como a Organizao das Cooperativas do Brasil (OCB) e o Sindicato e Organizao das Cooperativas do Estado da Bahia (OCEB), bem como aplicao de um questionrio aos diretores e associados da Cooperativa analisada para identificao dos benefcios sociais proporcionados. Salienta-se que o estudo ora apresentado no conclusivo, pois possui carter exploratrio, visando trazer comunidade acadmica, profissionais da classe contbil e comunidade em geral esclarecimentos acerca do tema proposto, com vistas a construir hipteses que podem ser testadas, confirmadas ou refutadas a partir de outros estudos posteriormente aprofundados.

4. REFERENCIAL TERICO

O termo cooperativa designa uma associao de pessoas autnomas que se unem para alcanar objetivos econmicos e satisfazer necessidades atravs da cooperao entre seus membros. Segundo De Plcido e Silva (2004, apud LIMA 2005 p. 13):Derivado do latim cooperativus, de cooperari (cooperar, colaborar, trabalhar com outros), segundo o prprio sentido etimolgico, aplicado na terminologia jurdica para designar a organizao ou sociedade, constituda por vrias pessoas, visando melhorar as e condies econmicas sujeitos de a seus rgos

associados,

controle

fiscalizao

governamentais.

Acredita-se que desde os primrdios da civilizao humana, esta necessidade do trabalho em cooperao do homem com seu grupo social tenha surgido do seu prprio instinto de sobrevivncia. Os povos antigos praticavam a caa, a pesca, a construo de habitaes, defesa da comunidade, manifestaes religiosas, tendo

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como princpios bsicos a ajuda mtua, a solidariedade e o trabalho comum em grupo, sendo registrados dentre todos os povos, mas no com uma idia de organizao jurdica. As razes do cooperativismo como uma organizao social, segundo Sabino e Momm (2008, p.5),[...] data do sculo II a.C. em Roma onde proliferavam escolas coletivas, nas quais eram formados carpinteiros, sapateiros, ferreiros, entre outros servios e os resultados eram divididos entre todos. Tambm no sculo IV a.C. j havia registro de atividades exploratrias em terras arrendadas pelos babilnios. Foram encontrados registros de trabalho cooperado tambm entre os Incas do Peru e na Frana no sculo XII.

A semente do Cooperativismo moderno foi lanada em 1844, em Rochdale na Inglaterra, durante a Revoluo Industrial, onde 28 teceles fundaram a Sociedade dos Eqitativos Pioneiros de Rochdale. Mas, j no ano de 1659 P.C.Plockboy incentivava a formao de grupos econmicos de agricultores, artesos, marinheiros e professores, para que se organizassem em associaes de cooperao integral. Em 1960 John Bellers j imaginava a formao de Colnias Cooperativas de Trabalho, congregando de 300 a 3.000 cooperados, que pudessem reduzir as suas prprias despesas, eliminando assim os lucros de intermedirios e interferncias de terceiros (COOPER A1, 2010). Robert Owen considerado o Pai do Cooperativismo Moderno. Nascido na Inglaterra em 1771, interessou-se pela tecelagem quando tinha apenas dez anos de idade, tornando-se, na fase adulta, empresrio deste ramo, chegando a administrar inmeras indstrias. Nota-se que nessa poca ele se preocupava com os problemas sociais, principalmente, com o baixo nvel da qualidade de vida dos trabalhadores ingleses, por isso, implantou melhorias em suas fbricas, tais como, a reduo da jornada de trabalho, a criao de regras para o trabalho feminino e para os menores; e a implantao de sistema de participao nos lucros (COOPER A1, 2010). No Brasil, o cooperativismo surgiu no final do sculo XIX, aps a Proclamao da Repblica quando o Pas era de uma economia rural e dependente de Portugal e Inglaterra, onde os escravos recm libertados detinham a mo-de-obra e os senhores de engenho detinham o capital, fazendo com que o governo da poca apostasse no cooperativismo para a soluo do impasse (COOPER A1, 2010).

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Apesar de a legislao brasileira ter sido criada somente no ano de 1971, a primeira cooperativa brasileira foi registrada em 1889, segundo Rech (2000 apud MACHADO, 2006 p.20) na cidade de Ouro Preto no estado de Minas Gerais, uma sociedade de consumo por nome de Cooperativa Econmica dos Funcionrios Pblicos de Ouro Preto. A mais antiga cooperativa do ramo agropecurio segundo Sabino e Momm (2008, p.1) foi a Cooper A1, ainda hoje em plena operao composta por 5.000 cooperados e mais de 700 funcionrios, nascida da viso empreendedora e o pioneirismo do alemo Erich Winkler que introduziu na regio de Palmitos, Estado de Santa Catarina, o sistema de cooperativas que conhecia na Europa, fundando em 1 de outubro de 1933. (COOPER A1, 2010). A trajetria do cooperativismo no Brasil, desde a implantao da primeira cooperativa percorreu longo caminho at o sistema cooperativista ganhar legislao especfica no de 1971 com a promulgao da Lei n. 5764/71. Com esta lei o ideal cooperativista ganhou fora e legalidade com a concepo de um sistema democrtico, onde um grupo de pessoas com esprito de unio e fraternidade, se associa para que, alm do benefcio econmico, haja um crescimento pessoal e social dos envolvidos, conforme a prpria lei define:Art.3 Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou servios para o exerccio de uma atividade econmica, de proveito comum, sem objetivo de lucro.

De acordo com o Servio Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Estado da Bahia - SESCOOP, as sociedades cooperativas, independentemente do ramo de atuao, devem obedecer a um conjunto de princpios e valores, baseados na doutrina maior do cooperativismo, a Lei n. 5764/71, os quais podem ser assim resumidos: 1. Princpios de cooperao e ajuda mtua: integrao consciente, superao de conflitos, dilogo construtivo, solidariedade e sinergia (art. 79, 80, 83 e 89); 2. Participao e convergncia de interesses: participao nos objetivos econmicos, gerenciamento e dinmica social (art. 38, 40, 47 e 56); 3. Autogesto e liberdade: direito de ingressar-se e desligar-se, aprovar e modificar estatutos, tomar decises coletivas, gerenciamento do prprio

1 17 negcio, autonomia e autodeterminao, cumprir direitos e deveres (art. 4, 29, 37, 46 e 56); 4. Democracia: deciso atravs de voto alcanado a todos, singularidade de voto, transparncia nas aes, ausncia de discriminao, assemblia geral com poder soberano (art. 38 e 42); 5. Identidade: definio de associados e usurios, igualdade de direitos e deveres, todos os associados so elegveis (art. 21, 24 e 27); 6. Equidade: retorno das sobras lquidas, distribuio justa e efetiva dos resultados, cobertura proporcional dos dispndios e perdas (art. 80 e 89); 7. Autopromoo: benefcios iguais para todos, segurana pessoal e social, educao cooperativista, prestao de servio social (art. 4, 5 e 7). A Constituio Federal de 1988 em seu artigo 5, incisos XVII e XVIII garante o direito de livre associao ao definir que a criao de associaes e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorizao, sendo vedada interferncia estatal em seu funcionamento. Ainda segundo a Carta Magna em seu artigo 174, pargrafos 2, 3 e 4 definem o apoio s atividades cooperativistas:Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econmica, o Estado exercer, na forma da lei, as funes de fiscalizao, incentivo e planejamento, sendo este

determinante para o setor pblico e indicativo para o setor privado. 1 - A lei estabelecer as diretrizes e bases do planejamento do desenvolvimento nacional equilibrado, o qual incorporar e compatibilizar desenvolvimento. 2 - A lei apoiar e estimular o cooperativismo e outras formas de associativismo. 3 - O Estado favorecer a organizao da atividade garimpeira em cooperativas, levando em conta a proteo do meio ambiente e a promoo econmico-social dos os planos nacionais e regionais de

garimpeiros. 4 - As cooperativas a que se refere o pargrafo anterior tero prioridade na autorizao ou concesso para pesquisa e lavra dos recursos e jazidas de minerais garimpveis, nas reas onde estejam atuando, e naquelas fixadas de acordo com o art. 21, XXV, na forma da lei.

1 18 A Lei n.10406/2002, o Novo Cdigo Civil Brasileiro, em seus artigos 1.093. 1.094, 1.095 e 1.096 definem as caractersticas das sociedades cooperativas ao determinar que:Art. 1.093. A sociedade cooperativa reger-se- pelo disposto no presente Captulo, ressalvada a legislao especial. Art. 1.094. So caractersticas da sociedade cooperativa: I - variabilidade, ou dispensa do capital social; II - concurso de scios em nmero mnimo necessrio a compor a administrao da sociedade, sem limitao de nmero mximo; III - limitao do valor da soma de quotas do capital social que cada scio poder tomar; IV - intransferibilidade das quotas do capital a terceiros estranhos sociedade, ainda que por herana; V - quorum, para a assemblia geral funcionar e deliberar, fundado no nmero de scios presentes reunio, e no no capital social representado; VI - direito de cada scio a um s voto nas deliberaes, tenha ou no capital a sociedade, e qualquer que seja o valor de sua participao; VII - distribuio dos resultados, proporcionalmente ao valor das operaes efetuadas pelo scio com a sociedade, podendo ser atribudo juro fixo ao capital realizado; VIII - indivisibilidade do fundo de reserva entre os scios, ainda que em caso de dissoluo da sociedade. Art. 1.095. Na sociedade cooperativa, a responsabilidade dos scios pode ser limitada ou ilimitada. 1o limitada a responsabilidade na cooperativa em que o scio responde somente pelo valor de suas quotas e pelo prejuzo verificado nas operaes sociais, guardada a

proporo de sua participao nas mesmas operaes. 2o ilimitada a responsabilidade na cooperativa em que o scio responde solidria e ilimitadamente pelas obrigaes sociais. Art. 1.096. No que a lei for omissa, aplicam-se as disposies referentes sociedade simples, resguardadas as

caractersticas estabelecidas no art. 1.094.

1 19 4.1 ASPECTOS COMPARATIVOS ENTRE SOCIEDADE COOPERATIVA

SOCIEDADE EMPRESRIA.

Na atualidade, mesmo entre os profissionais das diversas reas e a comunidade em geral muitos desconhecem as atividades desenvolvidas em um ambiente cooperativista, no compreendem suficientemente o que uma cooperativa e como esta falta de compreenso pode ser prejudicial, gerando conseqncias, dificultando o entendimento das razes de sua existncia, caractersticas e possibilidades do sistema cooperativista no Brasil. Este tpico tem por finalidade traar uma comparao entre uma sociedade cooperativa e uma sociedade empresria, visando evitar que leigas concepes possam provocar equvocos ao considerar que tais entidades so iguais jurdica e contabilmente, j que se diferenciam em alguns aspectos, dentre eles: objetivos, legislao e destinao de resultados. Sendo assim de fundamental importncia o conhecimento destas entidades. De acordo com o Cdigo Civil Brasileiro, alm das caractersticas anteriormente citadas, alguns aspectos jurdicos diferenciam os dois tipos de sociedade, tais como: 1. Enquanto a sociedade empresria pode ser constituda com a razo social acrescida da expresso limitada (art.1.158) ou sociedade annima (art.1.160), a sociedade cooperativa obrigatoriamente ser constituda com a expresso cooperativa (art.1.159); 2. A responsabilidade dos scios da sociedade empresria pode ser limitada ou solidria e ilimitada (art. 1.158 3) enquanto da sociedade cooperativa o responsabilidade dos cooperados limitada ao valor de suas cotas-partes e a diviso dos lucros e/ou prejuzos proporcional s operaes realizadas (art. 1.095); 3. A administrao da sociedade empresria exercida por um ou mais scios-proprietrios, enquanto que a gesto da sociedade cooperativa exercida por um Conselho de Administrao eleito por Assemblia Geral de Cooperados; e ainda os atos da administrao so fiscalizados por um Conselho Fiscal composto por no mnimo trs cooperados eleitos em assemblias, respeitadas as proibies legais.

1 20 4. A quantidade mnima necessria para a constituio de sociedade cooperativa de 20 associados, enquanto na sociedade empresria no exige numero mnimo para constituio. A Organizao das Cooperativas do Estado da Bahia (OCEB) traa um perfil das caractersticas das cooperativas em comparao com as sociedades mercantis como pode ser visualizado no quadro abaixo: Tabela 01 Cooperativa Versus Sociedade Mercantil COOPERATIVA O principal o homem O cooperado sempre o dono e usurio da sociedade O Controle democrtico Uma sociedade de pessoas que Funciona democraticamente As quotas no podem ser transferidas a terceiros Os resultados retornam aos scios de forma proporcional s operaes Aberta participao de novos cooperados Valoriza o cooperado e suas condies de trabalho e vida Defende preos justos Promove a integrao entre as cooperativas O compromisso educativo, social e econmico. O usurio o consumidor O controle financeiro Uma sociedade de capital que funciona de acordo com o controle acionrio As quotas podem ser transferidas a terceiros Os resultados retornam aos scios proporcionalmente ao nmero de aes Limita por vezes, a quantidade de acionistas. Contrata o trabalhador como meio de produo Defende o maior preo possvel Promove a concorrncia entre as sociedades O compromisso econmico SOCIEDADE MERCANTIL O principal o capital

Fonte: OCEB Organizao das Cooperativas do Estado da Bahia

1 21 O maior diferencial entre uma sociedade cooperativa e uma sociedade empresria mercantil quanto ao entendimento dos objetivos sociais de cada uma, com suas peculiaridades, principalmente a definio sobre a busca pela gerao de lucros. Uma sociedade empresria mercantil constituda com o objetivo essencialmente de aplicar recursos financeiros visando gerar e maximizar lucros, de forma a remunerar o capital investido. Por sua vez uma sociedade cooperativa diferenciada por ser considerada como entidade sem fins lucrativos. O Conselho Federal de Contabilidade (CFC), atravs da Norma Brasileira de Contabilidade NBC T 10.8.1.3, 2001, define que:Entidades Cooperativas so aquelas que exercem as atividades na forma da lei especifica, por meio de atos cooperativos, que se traduzem na prestao de servios diretos aos seus associados, sem objetivo de lucro, para obterem em comum melhores resultados para cada um deles em particular. Identificam-se de acordo com o objeto ou pela natureza das atividades desenvolvidas por elas, ou por seus associados.

Compreende-se ento que uma sociedade cooperativa no produz bens e servios para a comunidade em geral, nem realiza operaes mercantis prprias, mas representa seus associados, prestando-lhes um servio de intermediao de negcios, atuando na compra e venda, prestao de servios a terceiros, captao de recursos financeiros, dentre outras atividades, com a finalidade de atingir seus objetivos sociais de acordo com cada ramo do cooperativismo. De acordo com o entendimento do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) atravs da norma anteriormente citada, essa intermediao praticada pelas cooperativas denominada de ato cooperativo, que define a relao que ocorre entre a cooperativa e seus associados, ratificando a definio dada pela Lei n. 5764/71:Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas cooperativas entre si quando associadas, para a consecuo dos objetivos sociais. O ato cooperativo no implica operao de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria.

1 22 De acordo com a explicao dada por Polnio (1998, apud LIMA, 2005 p. 20), as operaes realizadas pela sociedade cooperativa com seus associados no se tratam de operaes mercantis, mas to somente de transferncias de mercadorias e recursos entre eles. Veremos mais adiante no tpico relacionado aos aspectos contbeis que o ato cooperativo o grande definidor do conceito de lucros para fins no tributveis. No entanto a sociedade cooperativa no est limitada pratica dos atos cooperativos. A legislao permite s cooperativas praticar atos diversos sua finalidade social, que neste caso denominado de ato no cooperativo, porm com tratamento contbil e tributrio diferenciado diante do ato cooperativo conforme demonstraremos posteriormente. A conceituao de ato no cooperativo segundo Young (2003 apud LIMA, 2005 p.20):Ato no cooperativo quando a cooperativa precisa contratar atividade de uma pessoa ou de um agente econmico qualquer que teria a condio de se associar, desde que a cooperativa preste servio para esta pessoa, para este ente econmico, e que, pelas suas caractersticas, poderia ingressar na

cooperativa e no ingressa.

Uma cooperativa passa a existir de fato a partir da realizao da Assemblia Geral de Constituio, com a presena mnima de 20 pessoas de ambos os sexos, maiores de idade, com plena capacidade civil e que no estejam impedidos por lei a se associarem, onde sero qualificados os scios e escolhidos aqueles que comporo o Conselho de administrao e o conselho Fiscal. Porm somente ganha personalidade jurdica a partir da data do seu registro no rgo regulador do comrcio, no caso a Junta Comercial do Estado. Ainda durante a Assemblia Geral de Constituio apresentado, discutido e aprovado Estatuto Social onde sero definidos os direitos e obrigaes de cada cooperado; as atribuies do Conselho de Administrao e do Conselho Fiscal, bem como so definidos os objetivos sociais, os atos cooperativos permitidos e possibilidade de efetuar ou no os atos no cooperativos.

1 23

4.2 ASPECTOS CONTBEIS RELATIVOS S SOCIEDADES COOPERATIVAS

Os aspectos contbeis relativos s entidades cooperativas esto contidos na resoluo CFC n 920 de 19 de dezembro de 2001 que aprovou a NBC T 10.08, transcrita abaixo na integra: NBC T 10 DOS ASPECTOS CONTBEIS ESPECFICOS EM ENTIDADES DIVERSAS NBC T 10.8 ENTIDADES COOPERATIVAS 10.8.1 DISPOSIES GERAIS 10.8.1.1 Esta norma estabelece critrios e procedimentos especficos de avaliao, de registro das variaes patrimoniais e de estrutura das demonstraes contbeis, e as informaes mnimas a serem includas em notas explicativas para as Entidades Cooperativas, exceto s que operam Plano Privado de Assistncia Sade conforme definido em Lei. 10.8.1.2 Entidades Cooperativas so aquelas que exercem as atividades na forma de lei especfica, por meio de atos cooperativos, que se traduzem na prestao de servios diretos aos seus associados, sem objetivo de lucro, para obterem em comum melhores resultados para cada um deles em particular. Identificam-se de acordo com o objeto ou pela natureza das atividades desenvolvidas por elas, ou por seus associados. 10.8.1.3 Aplicam-se s Entidades Cooperativas os Princpios Fundamentais de Contabilidade, as Normas Brasileiras de Contabilidade, especialmente a NBC T 2 e a NBC T 4, com as alteraes tratadas nos itens 10.8.5.1, 10.8.6.1 e 10.8.7.1, bem como todas as suas Interpretaes e os Comunicados Tcnicos editados pelo Conselho Federal de Contabilidade. 10.8.1.4 A movimentao econmico-financeira decorrente do ato cooperativo, na forma disposta no estatuto social, definida contabilmente como ingressos e

1 24 dispndios (conforme definido em lei). Aquela originada do ato no-cooperativo definida como receitas, custos e despesas. 10.8.1.4.1 As receitas e os ganhos, assim definidos no item 3.3.2.1, a, da NBC T 3.3, bem como as demais rendas e rendimentos, nesta norma ficam denominados de ingressos. 10.8.1.4.2 Os custos dos produtos ou mercadorias fornecidos (vendidos) e dos servios prestados, as despesas, os encargos e as perdas, pagos ou incorridos, assim definidos no item 3.3.2.1, b, da NBC T 3.3, ficam denominados dispndios. 10.8.1.5 O exerccio social das Entidades Cooperativas fixado em seus estatutos sociais. 10.8.1.6 O capital social das Entidades Cooperativas formado por quotas-partes, que devem ser registradas de forma individualizada por se tratar de sociedade de pessoas, segregando o capital subscrito e o capital a integralizar, podendo, para tanto, ser utilizados registros auxiliares. 10.8.1.7 Nas Entidades Cooperativas, a conta Capital Social movimentada por: a) livre adeso do associado, quando de sua admisso, pelo valor das quotas-partes fixado no estatuto social; b) pela subscrio de novas quotas-partes, pela reteno estatutria sobre a produo ou servio, pela capitalizao de sobras e pela incorporao de reservas, exceto as indivisveis previstas em lei e aquelas do item 10.8.2.12 desta norma; c) retirada do associado, por demisso, eliminao ou excluso. 10.8.1.8 As sobras do exerccio, aps as destinaes legais e estatutrias, devem ser postas disposio da Assemblia Geral para deliberao e, da mesma forma, as perdas lquidas, quando a reserva legal insuficiente para sua cobertura, sero rateadas entre os associados da forma estabelecida no estatuto social, no devendo haver saldo pendente ou acumulado de exerccio anterior.

1 25 10.8.1.9 As Entidades Cooperativas devem distribuir as sobras lquidas aos seus associados de acordo com a produo de bens ou servios por eles entregues, em funo do volume de fornecimento de bens de consumo e insumos, dentro do exerccio social, salvo deliberao em contrrio da Assemblia Geral. 10.8.1.10 A responsabilidade do associado, para fins de rateio dos dispndios, perdura para os demitidos, eliminados ou excludos, at quando aprovadas as contas do exerccio social em que se deu o desligamento. Em caso de sobras ou perdas, aplicam-se as mesmas condies. 10.8.1.11 Os elementos do patrimnio das Entidades Cooperativas sero atualizados monetariamente na forma prevista na Resoluo CFC n. 900, de 22 de maro de 2001, e legislaes posteriores. 10.8.1.12 Os fundos previstos na legislao ou nos estatutos sociais, nesta norma, so denominados Reservas. 10.8.2 DO REGISTRO CONTBIL 10.8.2.1 A escriturao contbil obrigatria. 10.8.2.2 Os investimentos em Entidades Cooperativas de qualquer grau devem ser avaliados pelo custo de aquisio. 10.8.2.3 Os investimentos em Entidades no-Cooperativas devem ser avaliados na forma estabelecida pela NBC T 4. 10.8.2.4 O resultado decorrente de investimento relevante em Entidades no Cooperativas deve ser demonstrado em conta especfica. 10.8.2.5 O resultado decorrente de recursos aplicados para complementar as atividades da Entidade Cooperativa deve ser apropriado contabilmente por atividade ou negcio a que estiver relacionado. 10.8.2.6 O resultado lquido decorrente do ato no-cooperativo, quando positivo, deve ser destinado para a Reserva de Assistncia Tcnica, Educacional e Social, no podendo ser objeto de rateio entre os associados. Quando negativo, deve ser

1 26 levado Reserva Legal e, se insuficiente sua cobertura, ser rateado entre os associados. 10.8.2.7 As perdas apuradas no exerccio no-cobertas pela Reserva Legal sero rateadas entre os associados, conforme disposies estatutrias e legais, e registradas individualmente em contas do Ativo, aps deliberao da Assemblia Geral. 10.8.2.7.1 No havendo deliberao da Assemblia Geral pela reposio das perdas apuradas, estas devem ser debitadas no Patrimnio Lquido na conta de Perdas No Cobertas pelos Cooperados. 10.8.2.8 As despesas de Assistncia Tcnica Educacional e Social sero registradas em contas de resultados e podero ser absorvidas pela Reserva de Assistncia Tcnica, Educacional e Social em cada perodo de apurao. 10.8.2.9 Os ajustes de exerccios anteriores devem ser apresentados como conta destacada no Patrimnio Lquido, que ser submetida deliberao da Assemblia Geral. 10.8.2.10 As provises e as contingncias sero registradas em conta de resultado e, em contrapartida, no Passivo. 10.8.2.11 As provises constitudas por Entidades Cooperativas especficas, destinadas a garantir ativos ou riscos de operaes, devero ser registradas em conta de Passivo. 10.8.2.12 As Reservas de Incentivos Fiscais e Reavaliao so consideradas indivisveis. 10.8.3 DO BALANO PATRIMONIAL 10.8.3.1 O Balano Patrimonial das Entidades Cooperativas deve evidenciar os componentes patrimoniais, de modo a possibilitar aos seus usurios a adequada interpretao das suas posies patrimonial e financeira, comparativamente com o exerccio anterior.

1 27 10.8.3.2 A conta Capital, item 3.2.2.12, I, da NBC T 3.2, ser denominada Capital Social. 10.8.3.3 A conta Lucros ou Prejuzos Acumulados, item 3.2.2.12, III, da NBC T 3.2, ser denominada Sobras ou Perdas Disposio da Assemblia Geral. 10.8.4 DA DEMONSTRAO DE SOBRAS OU PERDAS 10.8.4.1 A denominao da Demonstrao do Resultado da NBC T 3.3 alterada para Demonstrao de Sobras ou Perdas, a qual deve evidenciar, separadamente, a composio do resultado de determinado perodo, considerando os ingressos diminudos dos dispndios do ato cooperativo, e das receitas, custos e despesas do ato no-cooperativo, demonstrados segregadamente por produtos, servios e atividades desenvolvidas pela Entidade Cooperativa. 10.8.5 DA DEMONSTRAO DAS MUTAES DO PATRIMNIO LQUIDO 10.8.5.1 Na elaborao desta demonstrao, sero observadas as disposies da NBC T 3.5 e a terminologia prpria aplicvel s Entidades Cooperativas, dispensada a elaborao da Demonstrao de Lucros ou Prejuzos Acumulados NBC T 3.4. 10.8.6 DA DEMONSTRAO DAS ORIGENS E APLICAES DE RECURSOS 10.8.6.1 Na elaborao desta demonstrao sero observadas as disposies da NBC T 3.6 e a terminologia prpria aplicvel s Entidades Cooperativas. 10.8.7 DA DIVULGAO DAS DEMONSTRAES CONTBEIS 10.8.7.1 A divulgao das demonstraes contbeis deve obedecer NBC T 6 Da Divulgao das Demonstraes Contbeis. 10.8.7.2 As demonstraes contbeis devem ser complementadas por notas explicativas que contenham, pelo menos, as seguintes informaes: a) contexto operacional da Entidade Cooperativa; b) as principais atividades desenvolvidas pela Entidades Cooperativa;

1 28 c) forma de apresentao das demonstraes contbeis; d) principais prticas contbeis adotadas; e) apresentao analtica dos principais grupos de contas, quando no apresentados no balano patrimonial; f) investimentos relevantes, contendo o nome da entidade investida, nmero e tipo de aes/quotas, percentual de participao no capital, valor do Patrimnio Lquido, data-base da avaliao, resultado apurado por ela no exerccio, proviso para perdas sobre os investimentos e, quando da existncia de gio e/ou desgio, valor envolvido, fundamento e critrio de amortizao; g) saldos (ativos e passivos) e transaes (receitas e despesas) com partes relacionadas que no sejam associados, com desdobramento conforme a natureza das operaes; h) composio do imobilizado e diferido, valores respectivos das depreciaes, amortizaes e exaustes acumuladas, taxas adotadas e montantes do perodo; i) composio dos tipos de emprstimos, financiamentos, montantes a vencer a longo prazo, taxas, garantias e principais clusulas contratuais restritivas; j) contingncias existentes, com especificao de sua natureza, estimativa de valores e situao quanto ao seu possvel desfecho; k) composio da conta Capital Social, com nmero de associados existentes na data do encerramento do exerccio e valor da quota-parte; l) discriminao das reservas, detalhamento suas natureza e finalidade; m) mudanas de critrios e prticas contbeis que interfiram na avaliao do patrimnio da Entidade Cooperativa, destacando seus efeitos; n) composio, forma e prazo de realizao das perdas registradas no Ativo (item 10.8.2.7); e o) eventos subseqentes.

1 29 5. DADOS ESTATSTICOS SOBRE O COOPERATIVISMO NO BRASIL

A Organizao das Cooperativas do Brasil (OCB), atravs da sua Gerncia de Mercados, em conjunto com as Organizaes das Cooperativas Estaduais (OCEs) elabora e divulga anualmente os dados estatsticos sobre as atividades cooperativistas no Brasil, conforme podem ser visualizadas na tabela abaixo. Tabela 02 Nmeros do cooperativismo por ramo de atividade 3 anosRAMO COOPERATIVAS 2007Agropecurio

ASSOCIADOS 2007 879.649 2008 968.767 2009 942.147 2.304.830 3.497.735 55.838 469 108.695 715.800 20.031 11.396 225.980 250.891 107.109 1.489

EMPREGADOS 2007 2008 2009

2008 1.611 138 1.113 327 15 340 148 53 215 894 1746 1.060 22

2009 1.615 128

1.544 141 1.148 337 12 381 147 40 208 919 1.826 945 24

139.608 134.579 138.829 8.984 37.266 2.913 13 1.258 5.867 77 1.427 41.464 6.682 5.363 39 8.813 38.796 2.980 10 1.354 5.664 105 2.442 47.132 4.997 7.640 44 9.702 42.802 3.716 9 1.406 6.045 103 2.936 55.709 4.243 8.660 30

Consumo Crdito Educacional Especial Habitacional Infra estrutura Mineral Produo Sade Trabalho Transporte Turismo e Lazer

2.468.293 2.316.036

1.100 2.851.426 3.215.866 304 15 253 154 58 226 871 1.408 1.100 29 62.152 385 98.599 627.523 17.402 11.553 245.820 335.286 88.386 1.094 57.331 531 78.983 623.431 19.975 11.931 215.755 287.241 90.744 1.116

Totais

7.672

7.682

7.251 7.687.568 7.887.707 8.252.410 250.961 254.556

274.190

Fonte: OCEs e OCB; elaborao: GEMERC/OCB; adaptao prpria

Dispomos em grficos os dados referentes aos anos de 2007, 2008 e 2009 de forma a traarmos a evoluo dos nmeros do cooperativismo de todos os ramos de atividade. Para fins comparativos determinamos o ano de 2007 como o ano-base.

1 30 De acordo com os dados expostos no Grfico 01, o nmero de cooperativas registradas no Brasil em 2009 era de 7.251 sociedades, uma reduo de 5,49% em relao ao ano-base 2007. Registrou-se abertura de 10 novas cooperativas em 2008, porm houve o fechamento de 437 cooperativas em todo o pas em 2009. Grfico 01: Evoluo da quantidade total de cooperativas no Brasil - 3 anos7.672 7.682

7.700 7.600 7.500 7.400 7.300 7.200 7.100 7.000 2007 2008 20097.251

Cooperativas registradas

A anlise do Grfico 02 abaixo, evidencia a evoluo da quantidade de associados, onde se percebe que em 2009 houve um crescimento de 7,35% em relao ao ano-base de 2007, ou seja, um aumento de 564.842 novas filiaes, o que evidencia que cada vez mais as pessoas esto tomando conhecimento das possibilidades de atuarem em sociedades cooperativas.

Grfico 02: Evoluo da quantidade total de associados - 3 anos8.252.410

8.300.000 8.200.000 8.100.000 8.000.000 7.900.000 7.800.000 7.700.000 7.600.000 7.500.000 7.400.000

7.887.707 7.687.568

Nmero de associados

2007

2008

2009

1 31 O Grfico n. 03 mostra a evoluo da quantidade de empregados, donde se nota que em 2009 houve um crescimento de 9.26% em relao ao ano-base de 2007, criando-se 23.229 novas oportunidades de empregos diretos no perodo analisado. Grfico 03: Evoluo da quantidade de empregados - 3 anos274.190

274.500 269.500 264.500 259.500 254.500 249.500 244.500 239.500 234.500

254.556 250.961

Nmero de empregados

2007

2008

2009

De acordo com a tabela 02, anteriormente descrita, constatamos que as modalidades agropecurias, de trabalho e de crdito, representaram 58,9% do total de cooperativas existentes em 2007. Em 2008 os trs ramos de atividades do cooperativismo representaram 58,19% do total. J em 2009 as trs representavam juntas 56,86% do total das cooperativas existentes. De acordo com o Grfico 04 descrito a seguir que mostra o desempenho individual destas trs modalidades de cooperativismo, constatamos: a) Cooperativas Agropecurias: manteve o histrico de crescimento na criao de novas cooperativas. Em 2009 o crescimento foi de 4,60% em relao ao ano-base de 2007, b) Cooperativas de Trabalho: houve o fechamento de 418 cooperativas de Trabalho no perodo de 2007 a 2009, representando uma queda de 22,89% em relao ao ano-base. c) Cooperativas de Crdito: ocupou o terceiro lugar no numero de cooperativas existentes, porm houve o fechamento de 48 unidades entre 2007 e 2009. Isto representa um decrscimo de 4,18% do total das cooperativas de crdito.

1 32

Grfico 04: Quantidade de Cooperativas por ramo de atividade - 3 anos

2.500 2.0001.615

1.544

1.746

1.611

1.500 1.000 500 0

1.826

1.148

1.113

2007

2008

2009

Com relao quantidade de associados, selecionamos as trs modalidades de cooperativas que mais possuem filiaes, a saber: cooperativas de crdito, consumo e agropecurio, que juntas agregaram 80,64% do total de cooperados em 2007. No ano de 2008 juntas representaram 82,41% do total e em 2009 representaram 81,73% do numero de cooperativas existentes. Analisando-se o Grfico 05 abaixo, constatamos: a) Cooperativas de Crdito: o nmero de filiados nesta modalidade em 2007 representou 37,09% do total. Em 2009 esta modalidade j representava 42,38% do total de filiaes s cooperativas. Isto mostra a fora que o setor de crdito tem na economia nacional com tendncias a aumentar a procurar por esta modalidade. b) Cooperativas de Consumo: alcanou o segundo lugar em numero de associados, representando 32,10% do total em 2007. Em 2009 a quantidade representava 27,92%. c) Cooperativas Agropecurias: representou em mdia 12% do total de associados no perodo analisado.

1.100

Agropecurio Trabalho Crdito

1.408

33 1 Grfico 05: Quantidade de associados por ramo de atividade - 3 anos

3.500.000 3.000.000 2.500.000 2.000.000 1.500.000 1.000.000 500.000 0 20072.851.426 3.215.866 3.497.735

2.468.293

2.316.036

2.304.830

Crdito Consumo Agropecurio942.147

879.649

2008

968.767

2009

Citamos

na

pagina

anterior

que

as

cooperativas

agropecurias

classificaram-se em terceiro lugar no nmero de cooperados, mas em comparao ao nmero de empregos gerados, tomaram a vanguarda em nmeros de contrataes de empregados. Na anlise do Grfico 06 abaixo, constata-se que o nmero de empregados das cooperativas agropecurias brasileiras se aproxima dos 140.000 trabalhadores contratados, superando em aproximadamente 150% os nmeros registrados pelas cooperativas de sade que ocupam a segunda colocao. Conclui-se que as cooperativas agropecurias absorvem cerca 50% da mo-de-obra contratada no sistema cooperativista em geral tornando-se as maiores geradoras de emprego e renda. Grfico 06: Empregados contratados por ramo de atividade - 3 anos

140.000134.579

120.000 100.000 80.000 60.000

139.608

138.829

41.464

47.132

37.266

20.000 0

2007

2008

38.796

2009

55.709

42.802

40.000

Agropecurio Sade Crdito

1 34 O faturamento das cooperativas brasileiras alcanou no trinio 2007/2009 uma marca acumulada de R$ 249,43 bilhes, conforme visualizado na tabela 03 abaixo: Tabela 03 Movimentao econmico-financeira das cooperativas brasileiras 2007(R$ bilhes) 72,20 % 6,15

2008(R$ bilhes) 88,73 % 22,9

2009(R$ bilhes) 88,50 % -0,26

VALOR TOTAL249,43

Fonte: OCEs e OCB; elaborao: GEMERC/OCB; adaptao prpria

Analisando-se individualmente o desempenho de cada ano em comparao ao ano anterior, temos um crescimento mdio de valores de faturamento em 2008/2009 de 22 % em relao a 2007. Grfico 07: Evoluo do faturamento das cooperativas brasileiras

100% 80% 60% 40% 20% 0% 2008/2007 2009/2007Nesse mesmo perodo o PIB total brasileiro acumulado foi de R$ 8,601 trilhes conforme pode ser visualizado na tabela abaixo:22,90%

crescimento faturamento22,57%

Tabela 04 - Evoluo do PIB total brasileiro 2007(R$ trilhes) 2,558

2008(R$ trilhes) 2,9

2009(R$ trilhes) 3,143

VALOR TOTAL8,601

Fonte: IBGE; elaborao/adaptao prpria.

1 35 Diante desses dados apresentados, elaboramos a tabela abaixo de forma a exemplificar o quanto representa o faturamento das cooperativas brasileiras em relao ao PIB total do Brasil, de forma percentual. Tabela 05 Faturamento das cooperativas versus PIB brasileiro 2007PIB Brasil Faturamento das Cooperativas ndice comparativo

2008R$ 2,9 tri R$ 88,73 bi

2009R$ 3,143 tri R$ 88,50 bi

acumuladoR$ 8,601 tri R$ 249,3 bi

R$ 2,558 tri R$ 72,20 bi

2,82%

3,06%

2,81%

8,69%

Fonte: elaborao prpria

Conclui-se ento que o faturamento total das cooperativas brasileiras representa em mdia 2,90% de toda a riqueza anual produzida pelo Brasil.

6. ESTUDO DE CASO: ANALISE DE DADOS E RESULTADOS

Diante do contexto anteriormente descrito referente aos dados estatsticos do cooperativismo em geral, notamos que cinco ramos de atividades se destacaram dentre os mais diversos fatores, sendo elas: Cooperativas de Crdito, de Consumo, Agropecurias, de Trabalho e de Sade. Porm, voltou-se a ateno deste estudo para as Cooperativas

Agropecurias devido ao seu nmero crescente de abertura de novas unidades e tambm devido ao fato de ser a maior geradora de emprego e renda, considerandose que o setor do agronegcio tem peso importantssimo na gerao de riquezas para o Brasil. Este estudo de caso concentra-se na anlise das operaes, relatrios e demonstraes contbeis dos anos de 2006, 2007, 2008 e 2009 da sociedade doravante denominada Cooperativa Agrcola.

1 36 6.1 BREVE HISTORICO DA SOCIEDADE COOPERATIVA PESQUISADA

Segundo informaes coletadas junto Associao de Agricultores e irrigantes do Estado da Bahia (AIBA), e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE), a regio oeste da Bahia tem ocupado posio de destaque no agronegcio nacional e estadual, com crescimento econmico em funo da explorao agropecuria, em especial, o segmento de produo de gros. A regio oeste da Bahia, a partir da dcada de 80, com a implantao e expanso da sojicultura, mecanizao das lavouras, modernos sistemas de irrigao, novos recursos tecnolgicos, desenvolvimento de sementes apropriadas s condies climticas da regio, ganhou nova direo econmica com o desenvolvimento da agricultura comercial, trazendo regio uma nova

caracterizao em relao agricultura de subsistncia que predominava at o final da dcada de 70. Nesse contexto regional est inserida a Cooperativa Agrcola ora estudada, uma sociedade composta por 22 associados, tendo sido lavrada a sua constituio e Estatuto Social em 05 de outubro de 2005, tem sua sede social localizada na cidade de Barreiras-Ba, localizada a 853 km de Salvador, iniciando efetivamente suas atividades em 2006. Sua estrutura operacional est localizada no municpio de Riacho das Neves - BA, contando atualmente com uma usina para beneficiamento e armazenagem de algodo, silos para armazenagem de soja e milho, e depsito fechado para armazenagem de produtos agrotxicos para fomentar a produo de seus associados. A tabela abaixo mostra as quantidades e percentuais de produtos comercializados pela Cooperativa Agrcola no perodo em anlise: Tabela 06 Quantidade total de produtos comercializados versus percentualPRODUTO 2006 PESO (kg) Soja Milho Algodo Insumos 480.358 1.025.990 267.891 % 27,1% 0% 57,8% 15,1% 2007 PESO (kg) 6.234.420 4.623.822 59.493 % 0% 57,1% 42,45% 0,45% 2008 PESO (kg) 147.900 5.290.193 15.845 % 0% 2,7% 97% 0,3% 2009 PESO (kg) 9.147.720 3.880 % 0% 0% 99,96% 0,04%

TOTAIS

1.774.239 100% 10.917.735

100%

5.453.938 100% 9.151.600

100%

Fonte: Elaborao prpria

1 371

6. 2 ANLISE DOS DADOS COLETADOS

De posse das Demonstraes Contbeis disponibilizadas pela Entidade pesquisada, elaboramos a tabela abaixo, onde so evidenciadas as origens dos Ingressos de recursos pela venda de produo dos associados no perodo compreendido entre os exerccios sociais dos anos de 2006 a 2009: Tabela 07 Ingressos de recursos pela comercializao de produtos em reais. PRODUTOS SOJA MILHO ALGODAO INSUMOS SUBSIDIOS1 TOTAIS 2006 1.460.293,88 6.196.985,35 952.492,58 824.541,30 9.434.313,11 2007 5.702.895,45 16.361.432,91 3.684.518,45 3.317.818,10 29.066.664.91 2008 49.300,00 17.108.073,06 1.945.926,07 687.870,87 19.791.170,00 2009 15.310.142,13 2.266.512,00 2.819.554,41 17.112.418,96

Fonte: Elaborao prpria

O faturamento bruto total dos quatro anos pesquisados totalizou em R$ 75.404.566,98, resultando numa mdia simples de R$ 18.851.141,74 por ano. Observa-se que a maior concentrao de ingressos foi verificada na comercializao da produo de algodo, representando 72,9% do total bruto faturado, totalizando R$ 54.976.633,45 no perodo pesquisado, cuja mdia anual ficou em R$ 13.744.158,36. Os demais ingressos foram originados da comercializao de soja e milho, representando 9,56% do total faturado; recebimento de subsdios do Governo Federal representando 5,81% do total faturado nos ltimos 4 anos; venda de insumos representando 11,73% do total; Com relao venda de insumos a1

Programa de subveno econmica concedido pelo Governo Federal, de acordo com a Poltica de

Garantia de Preos Mnimos para fomentar a produo e escoamento de produtos agrcolas gerenciado pela Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB). Disponvel em

http://www.conab.gov.br/conteudos.php?a=519&t=2 acesso em 29/10/2010.

1 38 Cooperativa Agrcola ora analisada adquire da indstria produtos agrcolas e os repassa para seus cooperados, mediante pagamento de uma taxa administrativa de 10% sobre o valor da nota fiscal de compra. Veja abaixo a anlise grfica dos percentuais de ingressos de recursos classificados por tipos de produtos e benefcios. Grfico 08: Ingressos de recursos por tipo de produto e outros100% algodo 72,90%

insumos soja e milho 11,73% 9,56% 0%

Anlise percentual

subsdios 5,81%

As Demonstraes Contbeis registram os dispndios em contas sintticas, tais como, Custo das Mercadorias Vendidas e Despesas Administrativas e Financeiras. A composio dos custos das mercadorias vendidas representada pelo pagamento aos cooperados pela transferncia de sua produo agrcola para a cooperativa; pelo pagamento para as indstrias pelo fornecimento de defensivos, corretivos e adubos para repasse aos associados para fomentar a produo, bem como impostos estaduais, tais como o ICMS sobre as vendas interestaduais. O Rateio dos dispndios proporcional aos custos dos produtos vendidos conforme a tabela abaixo:

1 39 Tabela 08 Rateio dos dispndiosRATEIO PRODUTO 2006 VALOR R$ % 2007 VALOR R$ 2008 VALOR R$ % 15,3 73 11,7 48.990,80 % 0,3 87,1 12,9 100% 2009 VALOR R$ %

Soja Milho Algodo Insumos TOTAIS

1.324.360,45 -

16,96 -

3.452.734,66

5.619.942,34 11,07 16.376.340,70 864.426,32 7.808.729,11 71,97 2.635.040,83

16.248.614,58 89,6 12.845.209,24 1.847.134,52 10,1 1.901.603,56

100% 22.464.116,19 100% 18.144.739,90 100% 14.746.812,80

Fonte: Elaborao prpria

A tabela abaixo evidencia de forma comparativa o confronto entre os ingressos e os dispndios pelos seus totais e a verificao de sobras que foram provisionadas para formao das reservas legais e distribuio para os associados conforme a legislao cooperativista brasileira. Tabela 09 Confrontao entre Ingressos e DispndiosDENOMINAO (a) INGRESSOS (b) DISPENDIOS SOBRAS (a-b) PERCENTUAL (sobras) Fonte: Elaborao prpria 2006 9.434.313,11 7.808.729,11 1.625.584,00 17,23% 2007 29.066.664.91 22.464.116,19 6.602.548,72 22,72% 2008 19.791.170,00 18.144.739,90 1.646.430,10 8,32% 2009 17.112.418,96 14.746.812,80 2.365.606,16 13,83%

Aps a compensao entre os ingressos e os dispndios verificou-se a formao de sobras em todos os anos pesquisados, cujos valores foram utilizados para compor as reservas, tais como: Reserva Legal Estatutria representada pelo provisionamento de 5% das sobras verificadas, conforme determina o Estatuto Social; e a proviso de 5% das sobras verificadas para o Fundo de Assistncia

1 40 Tcnica Educacional e Social (FATES), que de acordo com a legislao cooperativista, o FATES destina-se exclusivamente para a rea educacional e social, destinando-se aos funcionrios, scios e seus dependentes desde que seja comprovada a deficincia financeira temporria, cujos recursos podem ser utilizados nos casos de despesas com cirurgias no contempladas em planos mdicos, cirurgias odontolgicas, implantes dentrios, despesas com aparelhos especficos de ortodontia e surdez, despesas com medicamentos prescritos a pacientes portadores de doenas graves ou crnicas e despesas com funeral. O restante das sobras foi destinado ao rateio entre os cooperados conforme decises em assemblias. A tabela abaixo mostra os valores distribudos entre as reservas legais e a distribuio das sobras dos exerccios: Tabela 10 Rateio das Sobras dos Exerccios DENOMINAOSOBRAS TOTAIS

2006 1.625.584,00 81.279,20 81.279,20 1.463.025,60

2007 6.602.548,72 330.127,43 330.127.43 5.942.293,86

2008 1.646.430,10 82.321,50 82.321,50 1.481.787,10

2009 2.365.606,16 118.280,30 118.280,30 2.129.045,56

(-) ReservaEstatutria 5%

(-) Reserva FATES 5%(=) Sobras a Distribuir

Fonte: Elaborao prpria

Nota-se que as sobras verificadas na tabela a acima no so consideradas lucro como acontece nas sociedades empresrias convencionais, j que estas sobras so os resultados lquidos dos atos cooperativos, no sendo objetos de tributao e conforme a legislao e o Estatuto Social da Cooperativa e ainda conforme o art. 146 Inciso III aline C, da Constituio Federal de 1988, determina:Art. 146. Cabe lei complementar: I - dispor sobre conflitos de competncia, em matria tributria, entre a Unio, os Estados, o Distrito Federal e os Municpios; II - regular as limitaes constitucionais ao poder de tributar;

que

1 41III - estabelecer normas gerais em matria de legislao tributria, especialmente sobre: a) definio de tributos e de suas espcies, bem como, em relao aos impostos discriminados nesta Constituio, a dos respectivos fatos geradores, bases de clculo e contribuintes; b) obrigao, lanamento, crdito, prescrio e decadncia tributrios; c) adequado tratamento tributrio ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. d) definio de tratamento diferenciado e favorecido para as microempresas e para as empresas de pequeno porte, inclusive regimes especiais ou simplificados no caso do imposto previsto no art. 155, II, das contribuies previstas no art. 195, I e 12 e 13, e da contribuio a que se refere o art. 239. (Includo pela Emenda Constitucional n 42, de 19.12.2003) Pargrafo nico. A lei complementar de que trata o inciso III, d, tambm poder instituir um regime nico de arrecadao dos impostos e contribuies da Unio, dos Estados, do Distrito Federal e dos municpios.

Desta forma, h o entendimento que a cooperativa no gera lucros prprios, ou seja, as diferenas entre os ingressos e dispndios so lanados como sobras do exerccio e na Assemblia Geral Ordinria realizada no 3 ms de cada ano para aprovao das contas do exerccio os cooperados decidem em votao a destinao das sobras, tendo a autonomia para decidir sobre a distribuio ou investimentos na prpria cooperativa. A carga tributria, composto atualmente por 85 tipos de impostos, taxas e contribuies de melhoria, conforme lista atualizada divulgada no sitio eletrnico do Portal Tributrio, verificamos que neste caso especfico da Cooperativa ora pesquisada, classificada no ramo agropecurio, no foram registrados pagamentos de impostos federais, visto que pela prpria concepo de lucro, que no caso da cooperativa agropecuria transferida para seus scios, no havendo a incidncia direta pela cooperativa do Imposto de Renda Pessoa Jurdica (IRPJ), Contribuio Social do Lucro Lquido (CSLL), Programa de Integrao Social (PIS) e Contribuio para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). A tabela abaixo evidencia que os tributos que incidiram sobre as operaes da Cooperativa Agrcola nos quatro anos em anlise:

1 42 Tabela n 11TRIBUTOS ICMS FUNRURAL PIS COFINS C.S.L.L. I.R.P.J. I.S.S.Q.N

Relao de tributos2006 24.247,10 90.440,10 2007 167.755,87 287.260,27 2008 631.716,01 281.422,68 2009 839.477,56 373.512,93

Constatou-se que os impostos e contribuies que incidiram sobre as operaes de venda da cooperativa, foram o ICMS e o Funrural. Com relao ao ICMS os valores constantes da tabela referem-se incidncia do imposto sobre as operaes interestaduais, pois, para as operaes internas, de acordo com o artigo 20 do Regulamento do ICMS do Estado da Bahia, Decreto n 6284 de 14 de maro de 1997, esto isentas da cobrana do ICMS sobre as operaes de venda de insumos agropecurios dentro dos limites do Estado da Bahia. Houve registro de recolhimento do ICMS no perodo pesquisado, cujo imposto incidiu sobre as operaes interestaduais. Para as operaes interestaduais o Governo do Estado da Bahia concede benefcio de reduo em 50% do valor do ICMS para os produtores rurais cadastrados no Programa de Incentivo Cultura do Algodo do Estado da Bahia (PROALBA), atravs da Lei Estadual n 7932/2001 regulamentada pela Lei n 8064 de 21 de novembro de 2001. H o registro de recolhimento de Contribuies Previdencirias (INSS) Receita Federal do Brasil, correspondente ao Fundo de Assistncia ao Trabalhador Rural, o antigo FUNRURAL, atualmente designado PRORURAL, mas no se trata de uma contribuio exigida das cooperativas agropecurias, mas sim cobradas sobre a produo dos seus cooperados, ou seja, a cooperativa apenas um substituto tributrio, que desconta dos seus cooperados o percentual de 2,3% sobre valor da nota fiscal de transferncia da produo e o recolhe aos cofres pblicos em nome do produtor rural. Em relao aos impostos e contribuies federais no foram verificados recolhimento de IRPJ, PIS, COFINS e C.S.S.L. sendo que o Livro de Apurao do Lucro Real (LALUR) existente no se encontra preenchido, j que a Cooperativa Agrcola no realiza atos no cooperativos que a obrigaria a preench-lo, conforme MARTINS (2007 p.289).

1 43Esto obrigados a escriturao o Livro de Apurao do Lucro Real todas as pessoas jurdicas contribuintes do Imposto de Renda tributados com base no lucro real, tais como: a) as de direito privado, sediadas no pas, inclusive as filiais,

sucursais ou representantes no pas, de pessoas jurdicas domiciliadas no exterior; b) c) as firmas individuais; as pessoas fsicas equiparadas a empresas individuais

que promovem a incorporao de prdios em condomnio ou em loteamento de terrenos, e d) as sociedades cooperativas que realizarem atos no

cooperativos.

De acordo com o artigo 183 do Decreto n 3.000/99 que regulamenta a tributao, fiscalizao, arrecadao e administrao do Imposto sobre a Renda de Qualquer Natureza, refora que s incidir o imposto sobre os resultados lquidos positivos obtidos pelas atividades estranhas aos seus objetivos sociais, os atos no cooperativos.Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislao especfica pagaro o imposto calculado sobre os resultados positivos das operaes e atividades estranhas sua finalidade, tais como (Lei n 5.764, de 1971, arts. 85, 86, 88 e 111, e Lei n 9.430, de 1996, arts. 1 e 2): I - de comercializao ou industrializao, pelas cooperativas agropecurias ou de pesca, de produtos adquiridos de no associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalaes industriais; II - de fornecimento de bens ou servios a no associados, para atender aos objetivos sociais; III - de participao em sociedades no cooperativas, pblicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessrios ou complementares.

1 44 De acordo com o levantamento da carga tributria incidente nas operaes da cooperativa na esfera municipal no foram registrados recolhimentos de impostos, havendo o registro apenas de taxas por emisso de Certides Negativas de Dbitos. A Cooperativa no est obrigada ao recolhimento do Imposto Sobre Servios de Qualquer Natureza (ISSQN), uma vez que h o repasse para os municpios dos valores proporcionais pelos Estados relativamente ao recolhimento do ICMS.

6.3 ANLISE DOS QUESTIONARIOS APLICADOS

Para aplicao do questionrio foi escolhida uma populao de 13 cooperados, representando um percentual de 59,09% do universo total que so os 22 associados da Cooperativa Agrcola ora em estudo, cujos resultados so apresentados a seguir: O item 01 do questionrio aplicado refere-se s informaes pessoais dos cooperados entrevistados, que de acordo com as respostas, traamos o seguinte perfil. A. SEXO: do total de 13 cooperados escolhidos para a amostragem, 23% so do sexo feminino e 77% so do sexo masculino. Grfico 09: Perfil dos entrevistados - sexo

23%homens mulheres

77%

B. IDADE: do total questionado, 69% situam-se na faixa etria entre 20 e 40 anos e outros 31% esto com idade entre 40 e 60 anos.

1 45 Grfico 10: Perfil dos entrevistados Faixa etria

acima de 60 anos; 0% 40 a 60 anos 31%

20 a 40 anos 69%

C. ESCOLARIDADE: do total dos entrevistados, 30% tem nvel superior completo e 16% possui nvel superior incompleto. Outros 30% tem 2 grau completo e 16% 2 grau incompleto. Apenas 8% do total questionado tm escolaridade de 1 grau completo. Grfico 11: Perfil dos entrevistados Escolaridade8% 16% 30%superior completo superior incompleto 2 grau completo 2 grau incompleto 1 grau completo 1 grau incompleto

30%

16%

Item 02 do questionrio: respondendo pergunta formulada sobre quais os objetivos o cooperado pretende atingir ao se organizar em forma de sociedade cooperativa agrcola, 53% responderam que pretendiam atingir objetivos fiscais como os benefcios da reduo da carga tributria; outros 23% responderam que buscam atingir resultados econmicos, tais como, maior lucro por comercializar em quantidade maior junto a outros cooperados. Os demais 24% buscam atingir objetivos sociais.

1 46

Grfico 12: Objetivos pretendidos pelos entrevistados

24% fiscais econmicos sociais 23% 53%

No item 03 do questionrio perguntou-se qual o grau de esclarecimento do cooperado quanto aos aspectos jurdicos, fiscais e econmicos da cooperativa agrcola. Do total de respostas catalogadas 38% dos entrevistados disseram esto esclarecidos sobre seus direitos e obrigaes, outros 62% responderam que esto plenamente esclarecidos sobre os temas levantados na questo.

Grfico 13: Grau de esclarecimento dos entrevistados

100% 80% 60% 40% 20% 0% 0% 62% 38% plenamente esclarecido esclarecido pouco esclarecido

Em resposta ao item 04 onde foi questionado qual o percentual de utilizao para comercializao da produo pela cooperativa agrcola,

aproximadamente 15% dos cooperados comercializam entre 10% e 30%. Outros 38% utilizam a cooperativa para negociar entre 30% e 60% da produo total. Os demais 47% comercializam entre 60 e 100% de sua produo.

1 47

Grfico 14: Grau de utilizao dos servios da cooperativa

50% 40%entre 10% e 30%

38%

47%

30% 20% 10% 0%

de 30% a 60% de 60% a 100%

Item 05: respondendo pergunta formulada sobre a percepo da diferena nos resultados quando comercializam sua produo atravs da cooperativa agrcola, 84% dos cooperados disseram que perceptvel a diferena nos resultados, sobretudo pelo volume negociado, j para outros 16% responderam que as diferenas so plenamente perceptveis. Grfico 15: Percepo da diferena nos resultados

100% 80% 60% 40%

15%

84%

plenamente perceptvel perceptvel 16% pouco perceptvel 0%

20% 0%

Questionou-se no item 06 quais os maiores benefcios econmicos para os associados que operam em cooperativas agrcolas? A grande maioria dos entrevistados em torno de 92% respondeu que os maiores benefcios para os associados a reduo da carga tributria. Os demais 8% responderam que os atingiram melhores preos seus produtos.

1 48

Grfico 16: Maiores benefcios econmicos

24% fiscais econmicos sociais 23% 53%

No item 07 perguntou se a Cooperativa oferece programas sociais para os associados, familiares e comunidade em geral. A resposta para 100% dos entrevistados foi sim, que existem programas sociais.

Grfico 17: Programas sociais

100% 80% 60% 40% 20% 0%sim

100%

no no soube responder

0%

As respostas dadas ao item 08 que questionou sobre qual o maior benefcio proporcionado pelos programas sociais gerados pela cooperativa, esto dispostas no grfico abaixo, onde 15,38% dos cooperados responderam que o maior benefcio a formao tcnico-profissional. Outros 84,62% responderam apoio educacional. Nenhum dos entrevistados optou por cultura e lazer.

0%

1 49

Grfico 18: Programas sociais Maior benefcio

0,00%

15,38%

apoio educacional formao tecnicoprofissional84,62%

cultura e lazer

Foi questionado no item 09 se existem programas de sustentabilidade ambiental onde 100% do entrevistados responderam que sim.

Grfico 19: Programas de sustentabilidade ambiental

100% 80% 60% 40% 20% 0%

sim

100%

no no soube responder

Item 10: as respostas dadas ao questionamento sobre qual o maior programa ambiental em que a cooperativa est inserida 100% das respostas afirmaram que o maior programa ambiental o que garante a proteo das reservas legais definidas por lei especfica.

1 50 Grfico 20: Maior programa de sustentabilidade ambiental

100%

Educao ambiental Reserva legal outros

Item 11: Ao serem questionados sobre seu grau de satisfao com a atuao em forma de cooperativismos, 38,46% dos entrevistados responderam que esto plenamente satisfeitos, outros 61,54% responderam que esto satisfeitos com as atividades desenvolvidas em conjunto. Nenhum dos entrevistados disse estar insatisfeito com a cooperativa.

Grfico 21: Grau de satisfao dos cooperados

100% 80% 60% 40% 20% 0% 61,54% 38,46% plenamente satisfeito satisfeito insatisfeito

Item 12: pergunta se existem perspectivas de continuidade de seus negcios junto cooperativa, mais uma vez tivemos unanimidade de respostas, onde 100% dos entrevistados disseram que sim, que tem planos de continuar operando junto cooperativa.

1 51

Grfico 22: Perspectivas de continuidade de negcios

8% 16% 30%superior completo superior incompleto 2 grau completo 2 grau incompleto 1 grau completo 1 grau incompleto

30%

16%

7. CONCLUSES E RECOMENDAES

De acordo com os objetivos propostos para a realizao desta pesquisa, buscando generalizaes atravs da anlise dos resultados obtidos pela observao de uma realidade particular, atravs deste estudo de caso verificou-se a diferenciao entre alguns aspectos contbeis aplicadas s Sociedades

Cooperativas dos aspectos relacionados s Sociedades Empresarias. Assim como as sociedades empresrias as cooperativas esto submetidas a todos os princpios, normas e postulados contbeis, sendo obrigadas a escriturar todos os fatos contbeis, elaborar e manter todos os livros contbeis obrigatrios e facultativos, inclusive o Livro de Apurao do Lucro Real, com exceo da Demonstrao de Lucros e Prejuzos Acumulados que dispensada conforme a NBC T 3.4. As nomenclaturas das Demonstraes Contbeis que so as mesmas exigidas pela lei 6.404/76 para as Empresas, atentando-se apenas para a designao das contas. Enquanto que nas sociedades empresrias denominamos receitas no caso das cooperativas denominamos de ingressos; e as despesas nas empresas regulares, na cooperativa so os denominados dispndios isto se aplica quando a cooperativa realizar apenas atos cooperativos. Quando a

1 52

cooperativa realizar atos no cooperativos, as nomenclaturas permanecem receitas e despesas. Nas cooperativas agrcolas e demais ramos do cooperativismo, os resultados lquidos do exerccio so denominados de Sobras do Exerccio, diferenciando-se da denominao de Lucro Liquido das empresas regulares. Estas sobras decorrentes dos atos cooperativos so destinadas s Assemblias Gerais para distribuio aos scios cooperados. As cooperativas agrcolas e demais ramos de atividade esto obrigadas a dar publicidade s suas demonstraes contbeis, de acordo com a NBC T 6, acompanhadas das respectivas notas explicativas, contendo o contexto do ambiente econmico e social da cooperativa, principais prticas contbeis, investimentos relevantes, saldos dos ativos e passivos, composio de imobilizado, dentre outros fatos relevantes que no puderam ser includos no Balano Patrimonial, para bem esclarecer aos seus associados e demais usurios externos que possam ter qualquer tipo de interesse em relao sociedade cooperativa. Em relao carga tributria, verificamos que no caso especfico da Cooperativa ora pesquisada, classificada no ramo agropecurio, no foram registrados pagamentos de impostos federais diretos, visto que pela prpria concepo de lucro, que no caso da cooperativa agropecuria transferida para seus scios, na forma de sobras do exerccio, no havendo a incidncia direta pela cooperativa do Imposto de Renda Pessoa Jurdica (IRPJ), Contribuio Social do Lucro Lquido (CSLL), Programa de Integrao Social (PIS) e Contribuio para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Quanto s Contribuies Previdencirias (INSS) foram recolhidos Receita Federal do Brasil, percentuais correspondentes ao Fundo de Assistncia ao Trabalhador Rural, o antigo FUNRURAL, atualmente designado PRORURAL, cobradas sobre a produo dos seus cooperados. No uma contribuio exigida diretamente da cooperativa agrcola, uma vez que ela apenas um substituto tributrio, que desconta dos seus cooperados o percentual de 2,3% sobre valor da nota fiscal de transferncia da produo e o recolhe aos cofres pblicos em nome do produtor rural. Observou-se que a Cooperativa Agrcola em estudo praticou nos 4 anos analisados apenas atos cooperativo. Porm, se tivesse realizado algum ato no cooperativo, cada operao deveria ter sido escriturada separadamente dos atos

1 53 cooperativos. Pois os atos no-cooperativos por no fazerem parte da legislao cooperativista, no podem ser distribudos, e obrigatoriamente integram o Fundo de Assistncia Tcnica Educacional e Social (FATES), e so tributados pelo Imposto de Renda Pessoa Jurdica (IRPJ), Contribuio Social do Lucro Lquido (CSLL), Programa de Integrao Social (PIS) e Contribuio para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Houve registro de recolhimento do ICMS no perodo pesquisado, cujo imposto incidiu sobre as operaes interestaduais, porm com benefcio concedido pelo Governo do Estado da Bahia com reduo em 50% do valor do ICMS para os produtores rurais cadastrados no Programa de Incentivo Cultura do Algodo do Estado da Bahia (PROALBA), atravs da Lei Estadual n. 7932/2001 regulamentada pela Lei n. 8064 de 21 de novembro de 2001. De acordo com esta lei do Proalba, a cooperativa obrigada a depositar no ultimo dia til do ms o valor correspondente a 50% do valor do ICMS devido e recolher ao errio pblico os demais 50% do imposto. De acordo com o artigo 20 do Regulamento do ICMS do Estado da Bahia, Decreto n. 6284 de 14 de maro de 1997, as operaes internas esto isentas da cobrana do ICMS sobre as operaes de venda de insumos agropecurios dentro dos limites do Estado da Bahia. Este incentivo para a produo do Algodo, faz com que o produtor reduza seus custos pela compensao do imposto, reinvestindo na prpria produo, gerando mais emprego e renda, contratando mais mo-de-obra, trazendo tambm benefcios indiretos para toda a sociedade. Na esfera municipal no foram registrados recolhimentos de impostos, havendo o registro apenas de taxas por emisso de Certides Negativas de Dbitos. A Cooperativa no est obrigada ao recolhimento do Imposto Sobre Servios de Qualquer Natureza (ISSQN), uma vez que o servio prestado aos seus cooperados no se caracteriza prestao de servios propriamente ditos. Os benefcios sociais advindos das operaes efetuadas por uma Sociedade Cooperativa so inmeros, conforme anlise do resultado dos questionrios aplicados e podem ser visualizados do ponto de vista legal. Por exemplo, com a obrigao de destinar 5% das sobras para a reserva FATES faz com que as cooperativas sejam obrigadas a desenvolver programas educacionais e culturais e divulgar esses programas, sob coordenao do Servio Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop), trazendo palestras, cursos,

1 54 treinamentos, seminrios e encontros de capacitao profissional para os cooperados e seus dependentes. Observou-se que o cooperado tem vrios benefcios em comercializar sua produo via cooperativa. Nota-se que o cooperado recebe o pagamento do valor dos produtos transferidos para a cooperativa, livre da pesada carga tributaria, descontando-se apenas o percentual de 2,3% correspondente ao PRORURAL. Alm do mais cada cooperado participa da distribuio das sobras do exerccio. Legalmente o cooperado deve informar essa participao na distribuio das sobras na sua Declarao de Imposto de Renda de Pessoa Fsica, mas por tratar-se de produtor rural, as normas da Contabilidade Rural e a Legislao do Imposto de Renda permitem a compensao desses valores pelos custos de produo, s pagando imposto de renda caso seja apurado lucro em suas atividades agrcolas. Durante a fase de coleta de dados para fomentar esta pesquisa, foram muitas as dificuldades em localizar informaes em nvel local para fomentar este estudo com maior profundidade. A escolha da tcnica de Estudo de Caso da Cooperativa Agrcola baseou-se nesta dificuldade de informaes para permitir uma confrontao com outras sociedades cooperativas em nvel regional. No entanto, verificamos a disposio de rgos representativos do cooperativismo em nvel estadual na busca por maior incentivo s atividades desenvolvidas nas mais diversas reas. Este apoio foi fundamental para que o Governo do Estado da Bahia aprovasse e sancionasse a Lei n. Lei 11.362/2009, que instituiu a Poltica de Apoio ao Cooperativismo e criou o Conselho Estadual do Cooperativismo (Cecoop), objetivando consolidar e estimular o crescimento das cooperativas na Bahia, possibilitando o acesso ao crdito e o apoio tcnico para milhares de pessoas que integram essas organizaes no estado. Recentemente, em 11 de setembro de 2010 durante o XIII Congresso Brasileiro do Cooperativismo, foram divulgadas as diretrizes aprovadas pela sesso plenria do Congresso Nacional que visam a) fortalecer a representao poltica institucional do sistema cooperativista; b) criar e consolidar as FRENCOOPS Federal, Estaduais e Municipais; c) Aprimorar a lei Geral do Cooperativismo; d) consolidar o tratamento tributrio do ato cooperativo; e) desenvolver mecanismos de acesso a financiamentos e capitalizao das cooperativas; f) promover a divulgao

1 55 do cooperativismo e fortalecimento de sua imagem g) fortalecer a legitimidade do sistema OCB; dentre outras propostas. Fica como sugesto para que novas pesquisas sejam realizadas a cerca deste novo momento do cooperativismo baiano, acompanhando o desempenho do recm criado Conselho Estadual de Cooperativismo, congregando dados mais profundos sobre a realidade das Cooperativas instaladas na Regio Oeste da Bahia, de forma a confrontar com dados fornecidos pelas cooperativas em nvel Estadual e Federal, bem como analisar os reflexos da nova lei estadual para o apoio do cooperativismo na Bahia. E ainda, que novos estudos sejam realizados para acompanhar os resultados das diretrizes discutidas e aprovadas no sentido de consolidar o cooperativismo brasileiro. Espera-se que atravs dos resultados obtidos por este estudo a partir da observao de uma realidade particular possa trazer uma viso generalizada do sistema cooperativista no Brasil, contribuindo para a comunidade acadmica, profissionais da rea contbil e administrativa e para a sociedade em geral.

1 56 8. REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

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1 57

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OCB.

Cooperativismo brasileiro

em 2008

na

comparao com 2007. em

Dezembro/2008.

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http://www.ocb.org.br/GERENCIADOR/ba/arquivos/cooperativismo_brasileiro_em_2 008_na_comparacao_com_2007.JPG acesso em 27/10/2010.

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BRASIL.

Poltica

de

Garantia

de

Preos

Mnimos.

Disponvel

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http://www.conab.gov.br/conteudos.php?a=519&t=2 acesso em 29/10/2010.

1 58 BARREIRAS-BA. Produo Agrcola Municipal - Cereais, Leguminosas e Oleaginosas 2007. Disponvel em

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Bahia.

O

OESTE

DA

BAHIA.

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1

ANEXO I QUESTIONRIO1) Qual o seu perfil como associado da sociedade cooperativa? Sexo: ( ) masculino ( ) feminino

59

Faixa etria: ( ) entre 20 e 40 anos ( ) entre 40 e 60 anos ( ) acima de 60 anos Escolaridade: Primeiro grau ( ) incompleto ( ) completo. ) incompleto ) incompleto ( ) completo ( ) completo

Segundo Grau ( Nvel Superior (

2) Ao se organizar em forma de sociedade cooperativa agrcola, qual o objetivo pretende atingir? ( ) objetivos econmicos ( ) objetivos sociais ( ) objetivos fiscais

3) Quanto aos aspectos jurdicos, fiscais e econmicos da cooperativa agrcola, qual o seu grau de esclarecimento? ( ) plenamente esclarecido ( ) esclarecido ( ) pouco esclarecido

4) Qual o percentual de utilizao da cooperativa agrcola para efetuar as transaes comerciais de sua produo? ( ) entre 10% e 30% ( ) entre 30% e 60% ( ) entre 60% e 100%

5) perceptvel a diferena nos resultados quando as transaes so efetuadas atravs da cooperativa agrcola, em comparao com a comercializao direta da produo? ( ) plenamente perceptvel ( ) perceptvel ( ) imperceptvel

6) Quais os maiores benefcios econmicos para os associados que operam em cooperativas agrcolas? ( ) menor carga tributria ( ) melhores preos ( ) maior volume de negcio.

60 1

7) A Cooperativa oferece programas sociais para os associados, familiares e comunidade em geral? ( ) Sim ( ) No ( ) No soube responder

8) Qual o maior benefcio gerado pelos programas sociais gerados pela cooperativa? ( ) apoio educacional ( ) formao tcnico-profisional ( ) Cultura e lazer

9) Existem programas de sustentabilidade ambiental? ( ) Sim ( ) No ( ) no soube responder

10) Qual o maior projeto ambiental em que a cooperativa est inserida? ( ) Educao ambiental ( ) Proteo de reservas legais ( ) Outros. Cite-os

__________________________________________________________________

11) Qual seu grau de satisfao com a atuao em forma de cooperativismo? ( ) Plenamente satisfeito ( ) Satisfeito ( ) Insatisfeito

12) Existem perspectivas de continuidade de seus negcios junto cooperativa agrcola? ( ) Sim ( ) No ( ) No soube responder