Contabilidade Gerencial - aula 04

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Contabilidade Gerencial - aula 04

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  • 1AULA 04 - CUSTEIO COM BASE EM ATIVIDADES

    AULA 04CUSTEIO COM BASE EM ATIVIDADES

    CONTABILIDADE GERENCIAL

  • 2 CONTABILIDADE GERENCIAL

    CUSTEIO COM BASE EM ATIVIDADES (ACTIVITY-BASEAD-COSTING ABC) SURGIMENTO DO CRITRIO

    No h um consenso claro quanto ao surgimento deste critrio, duas so as verses: uma afirma que um critrio totalmente novo, e outra, que o critrio antigo e semelhante a outros que vm sendo adotados. Dizem Johnson e Kaplan (1991) que os sistemas de custos baseados em atividades (Activity-Basead Costing, com abreviatura ABC) nada mais so do que a volta s origens da Contabilidade de Custos. Esta afirmao fundamentada cientificamente pela revoluo industrial, quando a produo comeou a se desenvolver em um mesmo recinto, sob a superviso direta do empresrio (TORRECILLA E FERNANDEZ, 2000 p. 185). A contabilidade de custos surgiu para que se pudesse conhecer o desempenho e as tarefas necessrias para a confeco do produto, voltada inicialmente para conhecer as atividades na organizao.

    Foi com o advento da informatizao que o sistema ABC passou a despertar o interesse do mundo cientfico e empresarial, alm de aparecer claramente a atividade como referncia consumidora de custos, e no os produtos, visto que o conceito de atividade no est associado a nenhum processo em particular, mas parte integrante de todos.

    Os mtodos e estilos de gerncia tiveram que ser reexaminados para serem adaptados aos novos cenrios. A Contabilidade de Custos como instrumento de Administrao teve que rever seus conceitos, seus sistemas e seus critrios para comear a produzir informaes mais precisas, que dessem suporte s muitas decises gerenciais sobre novas alternativas de produo e de controle que deviam fazer face concorrncia. Surgiu, ento, o critrio ABC, que veio atender essas novas necessidades.

    H os que no aceitam o critrio ABC como um instrumento novo, afirmando que ele se fundamenta, na verdade, em critrios j postos em prtica h algum tempo.

    H. Thomas Johnson um dos mais famosos professores de Contabilidade de Custos cujos trabalhos, realizados em conjunto com o professor Robert S. Kaplan (1993) da Harvard University, divulgaram no o critrio ABC, mas a ideia de que os critrios e mtodos atuais de clculo de custos precisam ser reformulados diante das alteraes tecnolgicas crescentes na produo e na administrao das empresas. Num artigo de grande repercusso no meio acadmico, ao tratar do critrio ABC, Johnson nos ensina que um critrio semelhante ao do ABC foi implantado, a partir de 1963, na General Eletric (JOHNSON, 1992, p. 26). O estudo na General Eletric foi recomendado para controlar e administrar o crescimento preocupante dos custos indiretos na indstria, por causa de sua repercusso na determinao dos custos de produo. Para atender a uma melhor administrao dos custos indiretos, a GE props uma nova tcnica, baseada em Cost Drivers (direcionadores ou indutores de custos), mesma base do critrio ABC, atualmente. Alm disso, os custos indiretos eram identificados direta ou indiretamente s atividades.

  • 3AULA 04 - CUSTEIO COM BASE EM ATIVIDADES

    O QUE O CRITRIO ABC?

    O sistema ABC corresponde ao custeio baseado em atividades. Esse sistema parte da premissa de que as diversas atividades desenvolvidas pela empresa geram custos, e que os diversos produtos consomem/utilizam essas atividades. Na operacionalizao do sistema, procura-se estabelecer a relao entre atividades e produtos, utilizando-se o conceito de Cost Drivers, ou direcionadores de custos. Apuram-se os custos das diversas atividades, sendo esses custos alocados aos produtos via direcionadores (Catelli e Guerreiro, 1994).

    O ABC um sistema de custeio baseado na anlise das atividades significativas desenvolvidas na empresa. O centro de interesse do sistema concentra-se nos gastos indiretos, o objetivo imediato do sistema a atribuio mais rigorosa desses gastos indiretos ao bem ou ao servio produzido, permitindo um controle mais efetivo desses gastos e oferecendo melhor suporte s decises gerenciais (Boletim IOB 1/1995).

    No ABC, consideramos atividade como uma unidade administrativa menor que um setor ou departamento, ou seja, um setor pode reunir mais de uma atividade, e um departamento pode desempenhar vrias atividades.

    Vejamos no exemplo:

    Departamentos AtividadesIndustrial Usinagem - Montagem - Manuteno

    Administrativos Recursos Humanos - Contabilidade - TesourariaComerciais Vendas - Marketing - Expedio

    Os departamentos de servios ou no produtivos, chamados de Auxiliares, prestam servios que apoiam os departamentos produtivos e geralmente no tm seus custos apropriados diretamente aos produtos, pois estes no passam por eles. Como prestam servios a outros departamentos, tm seus custos transferidos para os que deles se beneficiam.

    Os departamentos produtivos trabalham com a estrutura do produto, que um conceito de engenharia de desenvolvimento representado por uma lista de todos os componentes e materiais diretos necessrios para a obteno de uma quantidade determinada do produto ou servio final.

    A apurao do custo da estrutura do produto se d pela atribuio, a cada item ou componente de sua estrutura, dos preos de custo desses componentes ou materiais, considerando as quantidades utilizadas, que so abastecidas pelas informaes do sistema de recebimento de materiais e controle de estoques, mediante as entradas pelas compras e sadas pelas requisies para a linha de produo.

  • 4 CONTABILIDADE GERENCIAL

    Essas informaes so dadas pelo custo mdio ponderado considerando que, para fins fiscais, o custo mdio tem sido o mais utilizado, j para fins gerenciais, recomenda-se a utilizao do custo da ltima entrada. Integrando as informaes de custos unitrios constantes do sistema de controle de estoques ou do sistema de compras, cabe ao setor de custos aplicar o custo unitrio em cada item ou componente de material direto, obtendo assim o custo do material e, consequentemente, o custo unitrio de todos os materiais diretos ou componentes do produto final.

    Com o desenvolvimento do conceito de custeamento baseado em atividades, surgiu o conceito ABM gesto baseada em atividades (Activity Based Management). A ABM procura transformar o conceito de atividades no foco da gesto econmica da empresa, avaliando a eficincia, a produtividade e o desempenho das atividades. Os conceitos ABM e ABC, em termos prticos, restringem-se na avaliao do custo das atividades que adicionam valor ou no aos produtos e aos clientes. A proposta da ABM tambm no utiliza critrios objetivos de mensurao da receita das atividades, dificultando a viso do resultado dessas atividades.

    DIRECIONADORES DE CUSTOS COST DRIVERS

    Cada atividade dentro da empresa nasce em funo das atividades que podem representar, contabilmente, como eventos econmicos, pois para o desenvolvimento das atividades consomem-se recursos como mo de obra, equipamentos, despesas, ficando caracterizado que as atividades so as causadoras dos custos da empresa. Na concepo desse sistema de custeio, o modelo de administrar adequadamente os custos pela gesto das atividades, por meio de sua identificao, mensurao, registro e acumulao contbil, da resulta a denominao do modelo ABM/ABC de contabilidade por atividades.

    Como as atividades so as causadoras dos custos da empresa, torna-se necessrio identificar os trabalhos ou tarefas principais que cada atividade executa, pois entende-se que, quanto maior a necessidade do desenvolvimento dessas atividades, maior a necessidade de consumo de recursos, portanto, gerando custos. Foi a partir desse entendimento que surgiram os direcionadores de custos ou custos por atividades cost drivers.

    A principal tarefa desenvolvida em uma atividade, que possa ser identificada, quantificada, claramente mensurada e monitorada, ser qualificada como direcionador de custo dessa atividade. A quantidade desenvolvida na atividade dever ser medida e acumulada segundo os critrios contbeis, ou seja, a multiplicao da quantidade consumida pelo preo incorrido.

    Temos:

    Custo da Atividade = custo unitrio da atividade x quantidade realizada da atividade.

    De acordo com essa frmula, podemos, por exemplo, determinar o direcionador

  • 5AULA 04 - CUSTEIO COM BASE EM ATIVIDADES

    de custos do setor fiscal, como a quantidade de notas fiscais de entradas e a quantidade de itens constantes das notas; o setor de faturamento e expedio poder ter como seu direcionador de custos a quantidade de notas fiscais emitidas, a quantidade de pedidos atendidos; o setor de contabilidade, a quantidade de lanamentos contbeis, a quantidade de relatrios; o setor de manuteno industrial poder ter como direcionador de custos as chamadas de manuteno atendidas, a quantidade de manutenes efetuadas preventivamente, podendo at detalhar por tipo de manuteno.

    O processo de fabricao pode ser, tambm, denominado de roteiro de fabricao, de responsabilidade da engenharia de fbrica. Para a avaliao de cada um dos roteiros de fabricao temos como base o tempo despendido para a fabricao de cada produto, o qual fornece os dados fsicos e quantidades de materiais ou componentes utilizados no processo de fabricao. O sistema de processo de fabricao deve ser totalmente integrado com o sistema de estrutura do produto, ou seja, cada produto final, conjunto, subconjunto, parte ou pea constante da estrutura do produto tem um roteiro de fabricao associado a ele, no qual so apresentados os tempos necessrios para cada uma das atividades produtivas, seja o tempo necessrio de mo de obra direta ou de equipamentos utilizados nos processos.

    Algumas empresas organizam seus processos de fabricao em pequenos setores com diversos equipamentos, formando equipes de produo denominadas clulas de produo. Esse conceito considerado como um dos componentes da filosofia de produo de jus