of 149 /149
5/28/2018 ConteudoExercicioLinguaportuguesaParaWeb-slidepdf.com http://slidepdf.com/reader/full/conteudo-exercicio-linguaportuguesa-para-web 1/149 Língua Portuguesa Língua Portuguesa Telma Ardoim     2    ª    e     d     i    ç     ã    o  

Conteudo Exercicio Linguaportuguesa Para Web

Embed Size (px)

Text of Conteudo Exercicio Linguaportuguesa Para Web

  • Lngua Portuguesa

    Lngua Portuguesa

    Telma Ardoim

    2 e

    di

    o

  • Lngua Portuguesa

    DIREO SUPERIOR Chanceler Joaquim de Oliveira

    Reitora Marlene Salgado de Oliveira

    Presidente da Mantenedora Jefferson Salgado de Oliveira

    Pr-Reitor de Planejamento e Finanas Wellington Salgado de Oliveira

    Pr-Reitor de Organizao e Desenvolvimento Jefferson Salgado de Oliveira

    Pr-Reitor Administrativo Wallace Salgado de Oliveira

    Pr-Reitora Acadmica Jaina dos Santos Mello Ferreira

    Pr-Reitor de Extenso Manuel de Souza Esteves

    Pr-Reitor de Ps-Graduao e Pesquisa Marcio Barros Dutra DEPARTAMENTO DE ENSINO A DISTNCIA Diretora Claudia Antunes Ruas Guimares

    Assessora Andrea Jardim

    FICHA TCNICA Texto: Telma Ardoim

    Reviso: Livia Antunes Faria Maria e Walter P. Valverde Jnior

    Projeto Grfico e Editorao: Andreza Nacif, An tonia Machado, Edu ardo Bordoni e Fabrcio Ramos

    Superviso de Materiais Instrucionais: Janaina Gonalves de Jesus

    Ilustrao: Leonardo Siebra, Tatiana Galliac e Eduardo Bordoni

    Capa: Eduardo Bordoni e Fabrcio Ramos

    COORDENA O GERAL: Departamento de Ensino a Distncia

    Rua Marechal Deodoro 217, Centro, Niteri, RJ, CEP 24020-420 www.universo.edu.br

    Ficha catalogrfica elaborada pela Biblioteca Universo Campus Niteri

    Bibliotecria: An a Marta Toledo Piza Viana CRB 7/2224

    Departamento de Ensino a D istncia - Universid ade Salgado de Oliveira

    Todos os d ireitos reservados. Nenhuma p arte desta publ icao pode ser reproduzi da, arqu ivada ou tran smitida de nenhuma forma

    ou por nenhum meio sem permisso expressa e por escrito da Associao Sa lgado de O liveira de Educao e Cultura , mantenedora

    da Universidade Salga do de Ol iveira (UNIVERSO).

    A6771m Ardoim, Telma.

    Lngua Portuguesa / Telma Ardoim. 2.ed Niteri, RJ: Universo. 2010. 149. p .

    1. Lngua Portuguesa Estudo ensino. 2. Lingstica. 3. Linguagem e lnguas. Comunicao no- verbal. 5. Semntica. I . Ttulo. CDD 469

    marcos.silvaStamp

  • Lngua Portuguesa

    Informaes sobre a disciplina

    Ementa

    A disciplina trata dos princpios bsicos da lngua escrita e falada e das

    estruturas das diversas modalidades textuais com a inteno de desenvolver a

    compreenso dos mecanismos da comunicao e de sua utilizao como forma de expresso.

  • Lngua Portuguesa

    Palavra da Reit ora

    Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez mais complexo,

    exigente e necessitado de aprendizagem contnua, a Universidade Salgado de

    Oliveira (UNIVERSO) apresenta a UNIVERSO Virtual, que rene os diferentes

    segmentos do ensino a distncia na universidade. Nosso programa foi

    desenvolvido segundo as diretrizes do MEC e baseado em experincias do gnero

    bem-sucedidas mundialmente.

    So inmeras as vantagens de se estudar a distncia e somente por meio

    dessa modalidade de ensino so sanadas as dificuldades de tempo e espao

    presentes nos dias de hoje. O aluno tem a possibilidade de administrar seu prprio

    tempo e gerenciar seu estudo de acordo com sua disponibilidade, tornando-se

    responsvel pela prpria aprendizagem.

    O ensino a distncia complementa os estudos presenciais medida que

    permite que alunos e professores, fisicamente distanciados, possam estar a todo

    momento ligados por ferramentas de interao presentes na Internet atravs de

    nossa plataforma.

    Alm disso, nosso material didtico foi desenvolvido por professores

    especializados nessa modalidade de ensino, em que a clareza e objetividade so

    fundamentais para a perfeita compreenso dos contedos.

    A UNIVERSO tem uma histria de sucesso no que diz respeito educao a

    distncia. Nossa experincia nos remete ao final da dcada de 80, com o bem-

    sucedido projeto Novo Saber. Hoje, oferece uma estrutura em constante processo

    de atualizao, ampliando as possibilidades de acesso a cursos de atualizao,

    graduao ou ps-graduao.

    Reafirmando seu compromisso com a excelncia no ensino e compartilhando

    as novas tendncias em educao, a UNIV ERSO convida seu alunado a conhecer o

    programa e usufruir das vantagens que o estudar a distncia proporciona.

    Seja bem-vindo UNIVERSO Virtual!

    Professora Marlene Salgado de Oliveira

    Reitora

  • Lngua Portuguesa

    Sumrio

    1. Apresentao da disciplina................................ ................................ .......................... 06

    2. Plano da disciplina................................ ................................ ................................ ....... 08

    3. Unidade 1 A linguagem verbal e a linguagem no verbal................................ ...... 11

    4 Unidade 2 Os signos lingusticos ................................ ................................ ............. 21

    5. Unidade 3 Os elementos da comunicao humana................................ ................ 29

    6. Unidade 4 As funes da linguagem ................................ ................................ ....... 44

    7. Unidade 5 As diversidades do uso da lngua Os nveis da linguagem................. 60

    8. Unidade 6 Os mecanismos de combinao e seleo................................ ............. 80

    9. Unidade 7 Elementos coesivos O controle de ns lingusticos atravs

    dos mecanismos coesivos ................................ ................................ ...... 98

    10. Unidade 8 A semntica: o sentidos das palavras................................ ..................... 109

    11. Unidade 9 A construo do texto Os gneros textuais - Reconhecimento......... 120

    9. Consideraes finais ................................ ................................ ................................ .... 141

    10. Conhecendo o autor ................................ ................................ ................................ .... 142

    11. Referncias ................................ ................................ ................................ ................... 143

    12. Anexos ................................ ................................ ................................ .......................... 144

  • Lngua Portuguesa

    Apr esenta o da Di sci plina

    Encontramos em Bechara (1991:15-6)1, a seguinte explicao: Cada

    falante um poliglota na sua prpria lngua, medida que dispe da sua modalidade

    lingustica e est altura de decodificar algumas outras modalidades lingusticas com

    as quais entra em contato (....).

    Em termos estruturais, uma lngua pode ser concebida como um sistema

    que, associando os dois planos falado e escrito transforma o seu usurio em um

    falante / ouvinte e/ou um leitor / escritor, capaz de integrar-se no meio em que vive,

    como um cidado que, alm de ter o domnio de seu idioma, consegue interagir

    com a lngua, cujo cdigo lingustico se insere em algo muito maior A

    LINGUAGEM sistema de signos que permite a comunicao.

    Para melhor entendermos essa noo, citamos o linguista dinamarqus

    Louis Hjelmslev2 ( In. Terra, 2002:12 ) que reitera;

    A linguagem inseparvel do homem,

    segue-o em todos os seus atos. A

    linguagem o instrumento graas ao

    qual o homem modela seu

    pensamento, seus sentimentos, suas

    emoes, seus esforos, sua vontade,

    seus atos, o instrumento graas ao qual

    ele influencia e influenciado, a base

    mais profunda da sociedade humana.

    Em funo daquilo que foi dito acima, o nosso objetivo lev-lo a

    compreender os mecanismos lingusticos que garantem a coeso e a coerncia do

    texto oral e escrito, no nos desviando nunca de que o contato com a lngua um

    processo natural, isto , deriva do que chamamos de processo internalizado,

    prprio da natureza humana.

    1 Gramtica Escolar da Lngua Portuguesa. Rio de Janeiro: Lucerna, 2001. 2 Linguagem, lngua e fala. So Paulo: Scipione, 1997.

    6

  • Lngua Portuguesa

    Ao optar por fazer a disciplina Lngua Portuguesa no mtodo de Ensino

    a Distncia, voc ter uma grande flexibilidade em efetuar o seu trabalho. O tempo,

    por exemplo, ser definido por voc. Prevemos um prazo para que voc termine as

    atividades propostas, portanto, no deixe para o ltimo momento a realizao

    delas. Siga sempre as instrues de como proceder.

    No mais... Bom trabalho.

    Esperamos que voc tenha um timo desempenho e um excelente

    aproveitamento.

    7

  • Lngua Portuguesa

    Plan o Da Di sci plina

    Dividimos a disciplina em nove unidades, sendo que algumas se subdividem,

    por sua vez, em alguns tpicos para melhor compreenso.

    Todas as unidades tm como base objetivos claros, baseados nas

    competncias e habilidades necessrias para o seu enriquecimento enquanto usurio da lngua materna. So eles:

    Aplicar correta e fluentemente a lngua, tanto escrita como falada, produzindo textos claros e coerentes;

    Construir meios de expresso oral e escrita atravs das vrias

    modalidades do uso da lngua materna atendendo, sempre que necessrio, norma culta da lngua;

    Inferir as diversas representaes das palavras e das imagens no discurso do cotidiano;

    Aplicar a lngua em sua relao com o contexto real da fala, propiciando a inter-relao idiomtica da sociedade;

    Consolidar uma reflexo analtica e crtica sobre a linguagem como fenmeno psicolgico, social, educacional, histrico, cultural, poltico e ideolgico.

    Faremos, ento, um pequeno resumo acerca de cada unidade para que voc possa ter uma viso global daquilo que ir estudar.

    UNIDADE 1 A LINGUAGEM VERBAL E A LINGUAGEM NO-VERBAL

    Sendo a linguagem um sistema de signos utilizados para a sua produ o,

    podemos fazer uso da palavra (escrita ou falada) ou de outras formas de

    comunicao (sons, gestos, desenhos, cores, etc.). Quando utilizamos a palavra,

    estamos diante da LINGUAGEM VERBAL. No outro caso, temos a LINGUAGEM NO-VERBAL.

    8

  • Lngua Portuguesa

    UNIDADE 2 OS SIGNOS LINGUSTICOS

    A Lingustica cincia que estuda as mtuas relaes e princpios da

    lngua nos apresenta o signo ling stico como o cdigo verbal necessrio para a comunicao. a lngua a mais concreta manifestao de identidade de um povo.

    UNIDADE 3 OS ELEMENTOS DA COMUNICAO HUMANA

    Para que, realmente, a comunicao acontea se fazem necessrios

    alguns elementos que estabeleam vnculos fundamentais, visando o envio e a recepo da mensagem.

    UNIDADE 4 AS FUNES DA LINGUAGEM

    Sempre que nos comunicamos, temos uma razo para faz-lo. Assim, para

    cada tipo de mensagem que enviamos (ou recebemos) h uma funo especfica

    que est intrinsecamente ligada aos elementos da comunicao (contedo da Unidade III).

    UNIDADE 5 - AS DIVERSIDADES DO USO DA LNGUA OS NVEIS DA LINGUAGEM

    Do mesmo modo que temos funes diferentes para cada de tipo de

    comunicao, tambm temos o uso diversificado da lngua em diferentes

    situaes, ambientes, faixa etria, culturas, etc. sob esses aspectos que podemos caracterizar o dinamismo da lngua.

    UNIDADE VI - OS MECANISMOS DE COMBINAO E SELEO: A COERNCIA A ARTICULAO DE SENTIDOS

    A Coerncia a articulao de sentido. Todo texto independente do seu

    tamanho necessita de uma estruturao lgica que faz com que palavr as e frases

    componham um todo significativo para seus interlocutores. No s o texto em si deve ser coerente, mas tambm as idias tero que estar articuladas entre si.

    UNIDADE VII ELEMENTOS COESIVOS O CONTROLE DO NS LINGUSTICOS ATRAVS DOS MECANISMOS COESIVOS

    Se em um texto deve haver coerncia de idias; h de haver tambm uma

    conexo gramatical capaz de fazer as articulaes entre as palavras, oraes, perodos e pargrafos.

    9

  • Lngua Portuguesa

    UNIDADE VIII A SEMNTICA: O SENTIDO DAS PALAVRAS

    Parte da gramtica que se dedica ao estudo dos aspectos relacionados

    aos sentidos de palavras e enunciados. A Semntica se detm ao contexto em que essas palavras esto empregadas.

    UNIDADE IX A CONSTRU O DO TEXTO OS GNEROS TEXTUAIS RECONHE CIMENTO

    Ao construirmos um texto, teremos que atentar para o tipo de texto que

    queremos redigir. Sendo assim, reconhecer os gneros textuais e suas caractersticas especficas fundamental para a sua elaborao.

    10

  • Lngua Portuguesa

    A linguagem verbal e a linguagem no verbal

    Linguagem e Sociedade.

    A Linguagem e o Processo de Comunicao.

    Conceitos de Linguagem, lngua, Fala e Discurso.

    1

  • Lngua Portuguesa

    12

    O presente material faz parte da Unidade I do contedo da disciplina Lngua Portuguesa I.

    importante que voc atente para o fato de que, como ser social que , usa e abusa da linguagem para se comunicar.

    Imagine-se num mundo sem as diversas formas de comunicao encontradas. Seria possvel algo assim?

    J dizia o comunicador Chacrinh a que quem no se comunica, se trumbica.

    Portanto, vamos comear a nossa primeira comunicao, digo, a nossa primeira aula.

    TEXTO 1:

    Lngua e Sociedade

    O carter social de uma lngua j parece ter sido fartamente demonstrado.

    Entendida como um sistema de signos convencionais que faculta aos membros de

    uma comunidade a possibilidade de comunicao, acredita-se, hoje, que seu papel

    seja cada vez mais importante nas relaes humanas, razo pela qual seu estudo j

    envolve modernos processos cientficos de pesquisa, interligados s mais novas cincias e tcnicas, como, por exemplo, a prpria Ciberntica.

    Entre sociedade e lngua, de fato, no h uma relao de mera casualidade.

    Desde que nascemos, um mundo de signos lingusticos nos cerca e suas inmeras

    possibilidades comunicativas comeam a tornar-se reais a partir do momento em que, pela imitao e associao , comeamos a formular nossas mensagens. E toda

  • Lngua Portuguesa

    13

    a nossa vida em sociedade supe um problema de intercmbio e comunicao que

    se realiza fundamentalmente pela lngua, o meio mais comum de que dispomos para tal.

    Sons, gestos, imagens, diversos e imprevistos, cercam a vida do homem

    moderno, compondo mensagens de toda ordem (Henri Lefbvre diria

    poeticamente que nigaras de mensagens caem sobre pessoas mais ou menos

    interessadas e contagiadas), transmitidas pelos mais diferentes canais, como a

    televiso, o cinema, a imprensa, o rdio, o telefone, o telgrafo, os cartazes de

    propaganda, os desenhos, a msica e tantos outros. Em todos, a lngua

    desempenha um papel preponderante, seja em sua forma oral, seja atravs de seu

    cdigo substitutivo escrito. E, atravs dela, o contato com um mundo que nos cerca permanentemente atualizado.

    Nas grandes civilizaes, a lngua o suporte de uma dinmica social, que

    compromete no s as relaes dirias entre os membros da comunidade, como

    tambm uma atividade intelectual, que vai desde o fluxo informativo dos meios de comunicao de massa at a vida cultural, cientfica ou literria.

    PRETI, Dino. Sociolingstica: os nveis da fala. So Paulo, Editora Nacional, 1974. P. 7

    ATIVIDADE 1

    PARA VOC PENSAR

    Depois da leitura do texto que abre essa unidade, procure pensar nas seguintes questes:

    Como podemos definir Lngua, baseado na leitura do 1 pargrafo do texto?

  • Lngua Portuguesa

    14

    O 2 pargrafo nos mostra que a relao entre sociedade e lngua no mera casualidade. Por qu?

    O que Henri Lefbre quis dizer ao enunciar que nigaras de mensagens caem sobre pessoas mais ou menos interessadas e contagiadas, no 3 pargrafo?

    A lngua, sendo suporte de uma dinmica social (4 pargrafo) tem uma abrangncia que vai alm de nossas expectativas. Em que nveis isso acontece?

    A linguagem e o processo de comunicao:

    Muitas vezes no observamos algo que to normal para ns que no damos

    a devida ateno: a nossa volt a, a lingu agem est presente em todas as suas manifestaes o tempo todo, fazendo parte do nosso cotidiano.

    Para isso, faz-se necessrio conceituarmos o que LINGUAGEM, LNGUA, FALA e DISCURSO vocbulos que iremos usar com bastante constncia em nossas aulas:

    LINGUAGEM: a representao do pensamento humano atravs de sina is que garantem a comunicao e a interao entre as pessoas.

    LNGUA: um cdigo formado por palavras e combinaes de leis por meio do qual as pessoas se comunicam entre si.

    FALA: a ao ou a faculdade de utilizao da lngua. A opos io lngua X fala separa o social do indiv idual.

    DISCURSO: a utilizao individual da lngua. Ass im sendo, como a cada um

    dado um modo prprio de se expressar, essa marca prpria, recebe o nome de estilo.

  • Lngua Portuguesa

    15

    Inmeras linguagens aparecem nos atos de comunicao. Entre elas fazemos

    uso da linguagem verbal (que utiliza a lngua oral ou escrita) e a linguagem no-

    verbal (faz uso de qualquer cdigo que no seja a palavr a sinais, smbolos, cores, gestos, expresses fisionmicas, sons, etc.).

    Podemos citar como exemplo do uso da linguagem verbal uma carta, um out-

    door anunciando grandes promoes de uma loja, um pedido de socorro, um grupo de alunos cantando o Hino Nacional.

    J, o semforo, o apito de um guarda, o som da sirena de uma ambulncia

    pedindo passagem e um cartaz com a foto de uma mulher vestida de enfermeira

    pedindo silncio apenas com gesto, ao colocar o dedo indicador sobre a boc a, so exemplos da linguagem no-verbal.

    Comece a perceber o ambiente que o cerca e a ouvir os mltiplos sons que

    existem a sua volta e voc ter numerosos exemplos dessa fantstica mquina de sinais convencionais que se chama LINGUAGEM.

  • Lngua Portuguesa

    16

    EXERCCIOS UNIDADE 1

    1- O conceito de lngua pode ser apresentado como:

    a) um conjunto de signos convencionais que faculta aos membros de uma comunidade a possibilidade de uma comunicao;

    b) uma unio de smbolos verbais ou no usados para a comunicao;

    c) signos unidos no-convencionais que facilitam a comunicao entre os membros de uma comunidade;

    d) um conjunto de significantes convencionais que faculta aos membros de uma comunidade a possibilidade de uma comunicao;

    e) uma unio de signos convencionais ou no que possibilita a comunicao entre os membros de uma comunidade.

    2 - Pode-se definir a linguagem como:

    a) a utilizao individual da l ngua;

    b) a ao ou a faculdade de utilizao da l ngua;

    c) a marca prpria, individu al, que recebe o nome de estilo;

    d) a representao do pensamento humano atravs de sinais que garantem a comunicao e a interao entre as pessoas;

    e) um cdigo formado por palavras e combinaes de leis por meio do qual as pessoas se comunicam entre si.

  • Lngua Portuguesa

    17

    3-A fala tem por definio:

    a) a comunicao coletiva por meio de palavras e combinaes de leis;

    b) a ao ou a faculdade de utilizao da l ngua;

    c) o estilo de cada um;

    d) a representao do pensamento humano;

    e) um conjunto de sinais que permitem a comunicao.

    4 - correto afirmar que discurso :

    a) a combinao das palavras por meio de leis;

    b) a representao do pensamento humano atravs de sinais utilizados na comunicao;

    c) a utilizao individual da l ngua;

    d) a ao ou a faculdade de utilizao da l ngua;

    e) a utilizao coletiva da lngua.

    5-As palavras nunca esto sozinhas. E qualquer discusso sobre a linguagem, seu sentido e sua natureza dever, obrigatoriamente, discutir tambm as condies reais em que ela existe.

    (Faraco & Cristvo Tezza) Baseado no trecho acima, podemos afirmar que:

    a) Os conceitos de erro e acerto no so relativos.

    b) A diversidade lingustica da oralidade est inegavelmente associada ignorncia do falante.

    c) A linguagem uma realidade exclusivamente escrita.

  • Lngua Portuguesa

    18

    d) Toda lngua um conjunto de variedades que devem ser consideradas.

    e) No h diferena entre a lngua falada e a lngua escrita.

    6 -So exemplos de linguagem verbal:

    a) gestos e cores das bandeiras;

    b) discursos polticos;

    c) desenhos que distinguem os banheiros femininos dos masculinos;

    d) cartes apresentados pelo juiz durante uma partida de futebol a um jogador que tenha cometido uma infrao;

    e) discursos polticos e cores das bandeiras.

    7 - So exemplos de linguagem no-verbal:

    a) sinais de trnsito e uma conversa informal entre alunos e professores;

    b) cores das bandeiras e sinais de trnsito;

    c) cantigas infantis;

    d) discursos polticos;

    e) apitos e discursos polticos.

  • Lngua Portuguesa

    19

    8 - Pode-se dizer que:

    a) h dicotomia entre lngua e fala;

    b) no h dicotomia entre lngua e fala;

    c) tanto a lngua quanto a fala so bens pblicos e individuais;

    d) todas as afirmativas anteriores so corretas;

    e) todas as afirmativas anteriores so incorretas.

    TEXTO PARA AS QUESTES 9 e 10:

    Tanto que tenho falado, t anto que tenho escrito como no imaginar

    que, sem querer, feri algum? s vezes sinto, numa pessoa que acabo de conhecer,

    uma hostilidade surda, ou uma reticncia de mgoas. Imprudente ofcio este, de viver em voz alta.

    s vezes, tambm a gente tem o consolo de saber que alguma coisa que

    se disse por acaso ajudou algum a se reconciliar consigo mesmo ou com a sua

    vida de cada dia; a sonhar um pouco, a sentir uma vontade de fazer alguma coisa boa.

    Agora sei que outro dia eu disse uma palavra que fez bem a algum.

    Nunca saberei que palavra foi; deve ter sido alguma frase espontnea e distrada que eu disse com naturalidade porque senti no momento e depois esqueci.

    Alguma coisa que eu disse distrado talvez palavras de algum poeta

    antigo foi despertar melodias: esquecidas dentro da alma de algum. Foi como se

    a gente soubesse que de repente, num reino muito distante, uma princesa muito

  • Lngua Portuguesa

    20

    triste tivesse sorrido. E isso fizesse bem ao corao do povo; iluminasse um pouco as suas pobres choupanas e as suas remotas esperanas.

    (Rubem Braga)

    9 - A linguagem possui um papel de grande importncia como forma de

    transmitir informaes do emissor ao receptor. O texto nos fala ainda de um outro poder que tem a palavra. Que pode r esse?

    ____________________________________________________________________

    ________________________________________________________________________________________________________________________________________

    10 - Na frase deve ter sido alguma frase espontnea e distrada que eu disse com naturalidade porque senti no momento, que caractersticas da fala foram destacadas? Explique.

    ____________________________________________________________________

    ________________________________________________________________________________________________________________________________________

  • Lngua Portuguesa

    21

    Os signos Lingusticos 2 Conceito de signo.

    O significante e o significado conceituao.

    A relao significante X significado.

  • Lngua Portuguesa

    22

    Como vimos na aula anterior, a comunicao se d pela linguagem verbal e pela linguagem no-verbal.

    Agora, vamos tratar da linguagem verbal e de todos os mecanismos que a envolvem.

    Voc ter contato com o s igno lingustico, isto , com todo o processo que envolve a lngua.

    Vamos l, ento?

    Ao introduzirmos essa aula com a definio de signo, queremos ressaltar

    que signo , antes de mais nada, sinal, smbolo e, portanto, refere-se a alguma coisa.

    Sempre que tentamos representar a realidade por meio da palavra, estamos falando de signo lingustico.

    Conceituamos signo, linguisticamente falando, como a menor unidade

    dotada de sentido. Compe-se de um elemento material, de carter linear,

    denominado significante e do conceito, da idia, a imagem psquica que temos, - estamos falando do significado.

    Veja o verbete tirado do dicionrio Eletrnico Michaelis UOL, 2002:

    signo

    s. m. 1. Astr. Cada uma das doze partes em que se divide o zodaco e cada uma

    das constelaes respectivas. 2. Lingust. T udo aquilo que, sob ce rtos aspectos e

    em alguma medida, substitui alguma coisa, representando-a para algum.

    S. lingus tico: o que designa a combinao de conceito c om a imagem acstica, ou seja, a combinao de um significado com um signif icante. Em

  • Lngua Portuguesa

    23

    bola, por exemplo, a sequnc ia de sons b-o-l-a o signif icante, e a id ia do

    objeto o signif icado. S.-de-salomo: emblema mstico, smbolo da unio do

    corpo e da alma, que consiste em dois tringulos entrelaados formando uma

    estrela de seis pontas; signo salomo. Era usado, outrora, como amuleto contra a febre e outras doenas. S.-salomo: signo-de-salomo.

    A relao significante X significado convencional, ou seja, h um acordo

    implcito e explcito entre os usurios da lngua. Convencionou-se chamar de gato

    o animal mamfero, domstico, da classe dos feldeos, por exemplo.. essa relao

    presente no signo lingustico tambm arbitrria, visto que no h qualquer

    propsito entre a representao grfica g a t o e a idia que temos representada em nossas mentes desse animal.

    Tambm temos o significante g a t o com outros significados, como:

    Ladro, gatuno, larpio ou em expresses do tipo gato-pingado: cada um dos

    poucos assistentes de uma reunio ou espetculo, ou de algum agrupamento e ainda gato e sapato: coisa desprezvel.

    Sendo assim, signo a associao de um significante (sons da fala, imagens grficas, desenhos, etc.) e um significado (conceito, idia ou imagem mental).

    O signo LIVRO se compe, portanto de:

  • Lngua Portuguesa

    24

    Devemos ressaltar, ainda, que quando falamos em signo lingustico, referimo-

    nos a uma representao da realidade atravs da palavra. Acentuamos que palavra

    criao humana, usada para representar algo que temos em mente. A palavra

    ma no a ma (voc no come a palavra ma); mas ao dizermos ou lermos

    essa palavra, claro que nos vem mente a idia da ma (fruto da macieira).

    Mesmo que o objeto mencionado no esteja na nossa frente, ao evoc-lo, usamos

    a palavr a que o nomeia, a sua imagem surge em nossa mente de maneira instantnea.

  • Lngua Portuguesa

    25

    EXERCCIOS UNIDADE 2

    1 Com relao ao conceito de signo lingustico, NO correto afirmar que:

    a) um conceito binrio j que se compe de dois elementos: o significante e o significado.

    b) A imagem acstica o significado da palavr a.

    c) A imagem psquica corresponde ao significado da palavra.

    d) /m/e/z/a/ corresponde ao significante fnico da palavra mesa.

    e) A palavra mesa corresponde ao significado da palavra.

    2 Com relao ao conceito de signo lingustico, correto afirmar que:

    a) A imagem acstica corresponde ao significado da palavra.

    b) A forma grfica corresponde ao significado da palavra.

    c) O conceito de signo se constitui de uma relao arbitrria ou convencionalizada entre significante e significado.

    d) A imagem psquica corresponde ao significante da palavra.

    e) O elemento material corresponde ao significado da palavra.

    3 Escreva V (Verdadeiro) ou F (Falso) para as afirmativas abaixo. Depois, marque a alternativa correta: I ( ) O significado o conceito, a ideia, a imagem psquica que temos dos elementos verbalizados. II ( ) O signo lingustico a fuso do elemento material e da imagem psquica. III ( ) O signo lingustico tem duas faces: o significante e o significado. a) F V F b) V V F

  • Lngua Portuguesa

    26

    c) F F V d) V F F e) V V V 4 O elemento composto pelos sons da fala e pelas representaes grficas desses sons : a) o signo lingustico. b) o significado. c) a fala. d) o significante. e) a arbitrariedade. 5 Com relao ao conceito de signo lingustico, identifique a sequncia correta:

    I O signo lingustico corresponde a uma relao simblica e arbitrria entre dois elementos: o significante e o significado.

    II O significante corresponde representao material da palavra, seja por recursos grficos ou sonoros.

    III O significante corresponde representao conceitual da palavra.

    IV O signo lingustico se constitui em uma relao binria entre elementos de natureza concreta e abstrata, respectivamente.

    a) V V F F

    b) F V F V

    c) V F V F

    d) F F V V

    e) V V F V

  • Lngua Portuguesa

    27

    6 Complete os espaos abaixo.

    Um _____________ compe-se de um elemento material de carter linear,

    denominado __________ e do conceito, da ideia, a imagem psquica que temos, ou

    seja: ___________.

    A alternativa que preenche adequadamente o enunciado :

    a) signo significante significado. b) signo significado significante. c) signo significante signo. d) significante signo significado. e) significado significante signo.

    7 Um signo lingustico a combinao de um elemento concreto com um elemento inteligvel. Qual a denominao dada, respectivamente, a cada um desses elementos?

    a) Lngua e Linguagem. b) Linguagem e Lngua. c) Significante e Significado. d) Fala e Discurso. e) Lngua e Fala. 8 Signo = representao material (Significante) + conceito mental (Significado). claro que um mesmo significante pode nos remeter a vrios significados. Esse fato lingustico chama-se: a) sinnimo. b) antnimo. c) semntica. d) denotao. e) polissemia.

  • Lngua Portuguesa

    28

    TEXTO PARA A QUESTO 9: Marina, linda e loira, tinha quatro aninhos, as melenas j estavam nos ombros, quando a me resolveu dar um trato na cabea da criana. Pegou uma tesoura grande e disse: Mame s vai cortar dois dedinhos. Marina aos prantos, mostrando a mo para a mezinha, pergunta: Qual deles, mame? (ILARI, Rodolfo. Introduo Semntica brincando com a gramtica) 9 - O humor desta piada surge da confuso entre os signos e significados de algumas palavras. Qual a palavr a que gera confuso no texto lido? Quais os significados que esta palavra pode ter? ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 10 Observe o anncio publicitrio e explique as relaes de significado exploradas pelo contexto no que diz respeito s palavras destacadas:

    SE SEU AMIGO USA DROGAS

    E VOC NO FALA NADA, QUE DROGA DE AMIGO VOC?

    ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  • Lngua Portuguesa

    29

    Os elementos da comunicao humana

    3 Esquematizando o Processo Comunicativo.

    Conceituando emissor, receptor, mensagem, canal, cdigo e referente.

    O referente situacional e o referente textual.

    A comunicao unilateral e a comunicao bilateral.

    O rudo.

    A Intencionalidade Discursiva.

  • Lngua Portuguesa

    30

    Nessa aula, ainda falaremos dos processos da comunicao humana. Desta

    vez, vamos tratar dos componentes que formam todo esse processo. So, o que chamamos de ELEMENTOS DA COMUNICAO.

    Falaremos, tambm, da intencionalidade discursiva, ou seja, dos mecanismos utilizados por quem fala/escreve

    Mos a obra!

    Para Francis Vanoye1

    toda comunicao tem por objetivo a transmisso de

    uma mensagem.

    Assim para que a comunica o acontea temos que ter algum

    construindo um texto (verbal ou no-verbal) e enviando-o a algum. Esse material

    enviado se utilizar de um sistema de sinais e de um meio ou contato para fazer chegar quilo que se pretenda comunicar.

    O ato comunicativo, portanto, sendo um ato social, concretiza vrias

    manifestaes, tanto do ponto de vista cultural como no nosso cotidiano. Vale dizer: sempre estamos nos comunicando com algum atravs de uma mensagem.

    Assim, podemos esquematizar esse processo comunicativo do seguinte modo:

    1 Usos da Linguagem problemas e tcnicas na produo oral e escrita. 11 ed. So Paulo: Martins Fontes, 1998.

  • Lngua Portuguesa

    31

    O emissor ou destinador ou ainda remetente o que emite (envia) a

    mensagem. Essa mensagem pode ser transmitida de forma individual ou em grupo.

    O receptor ou destinatrio o que recebe a mensagem.

    A mensagem o que se denomina, ainda segundo Vanoye objeto da comunicao. Constitui-se no contedo daquilo que transmitido.

    O canal comunicativo definido como os meios utilizados pelo emissor a fim de enviar a mensagem ao receptor.

    Uma mensagem, por exemplo, que transmitida por um rgo de controle de

    trfego uma placa do tipo PERMITIDO ESTACIONAR se d atravs dos meios visuais de que o receptor portador.

  • Lngua Portuguesa

    32

    O som do apito de um guarda, sinalizando algo, acontece atravs do meio sonoro (ondas sonoras, ouvido ...)

    atravs do canal de comunicao que utilizamos que podemos empreender a classificao das mensagens. Assim, teremos:

    As mensagens visuais, cuja base so as imagens (desenhos, fotos) e os smbolos (a escrita ortogrfica).

    As mensagens tcteis um aperto de mo, uma carcia..

    As mensagens sonoras: os diversos sons significativos, as palavras faladas, as msicas, etc.

    As mensagens gustativas: uma comida, por exemplo, apimentada ou salgada demais.

    As mensagens olfativas: um perfume, um escapamento de gs de cozinha, etc.

    O cdigo um conjunto de signos combinados entre si, do qual o emissor se

    utiliza para elaborar a mensagem. Ao mont-la, o remetente estar operando a

    codificao; ao receb-la, o destinatrio identificando o cdigo utiliz ado estar procedendo a decodificao.

    Os processos de codificao / decodificao se realizam de algumas maneiras, tais como:

  • Lngua Portuguesa

    33

    a) O emissor envia uma mensagem. O destinatrio a recebe, mas no a compreende, porque no possuem signo em comum.

    Como exemplo

    poderamos apontar

    uma tentativa de

    dilogo entre um brasileiro e um japons.

    b) O emissor tenta manter um dilogo com um receptor que domina pouco

    o cdigo utilizado. Neste caso, a comunicao retrita, pois so poucos os signos em comum.

    Um americano recm-

    chegado ao Brasil, tentado

    se comunicar com um

    estudante que est

    estudando ingls h apenas um ano.

  • Lngua Portuguesa

    34

    c) A comunicao mais abrangente; embora ainda no total quando, por

    exemplo, um professor explica um determinado contedo, mas alguns alunos no dominaram ainda o anterior, que, por sua vez, seria pr-requisito do atual.

    d) Finalmente, temos a comunicao total. Todos os signos emitidos pelo emissor so do conhecimento do receptor e a figura assim representar esse caso:

  • Lngua Portuguesa

    35

    O referente constitudo pelo contedo ao qual a mensagem nos

    remete. Temos o referente situacional e o referente textual. O 1 diz respeito aos

    elementos da situao e das circunstncias da transmisso da mensagem. Assim,

    quando uma professora pede aos alunos que abram o livro na pgina 80, supe-se

    que ela esteja dentro de uma sala de aula e os alunos, alm de possurem o referido livro, saibam sobre o que ela est falando.

    J, o referente textual constitudo pelos elementos do contexto

    lingustico. Num conto ou em um romance, por exemplo, todos os referentes so textuais, ou seja, tm como base o texto.

    Temos, ainda, dois tipos de comunicao: a comunicao unilateral e a

    comunicao bilateral. Quando se estabelece de um emissor para o receptor, sem

    qualquer reciprocidade, chama-se comunicao unilateral. Uma palestra, um

    anncio em out-door ou uma placa de sinalizao de trnsito transmitem mensagens sem precisar receber resposta, so bons exemplos.

  • Lngua Portuguesa

    36

    J, em uma conversa, em um debate em sala de aula temos a comunicao bilateral, pois o emissor e o receptor trocam de papis.

    Muitas vezes, a transmisso da mensagem prejudicada por algo que

    denominamos rudo. No podemos entend-lo apenas como um problema de

    ordem sonora. Na verdade, para o processo de comunicao, rudo tudo aquilo

    que pode atrapalh ar o receptor em receber a mensagem enviada pelo emissor.

    Podemos estabelecer, por exemplo, que rudo pode ser, entre outros: uma voz

    muito baixa, o barulho de uma britadeira funcionando perto de um orelho, um

    defeito no sistema eletrnico de uma televiso; uma linha cruzada durante uma

    ligao telefnica, uma notcia cujo jornal apresenta uma das pontas rasgadas, no permitindo a leitura em seu todo; uma mancha borrada no papel de uma carta, etc.

    Como vimos, a comunicao humana est muito alm de um simples ato

    mecnico de estmulo e resposta. No haver comunicao de fato se no houver

    interao entre emissor e receptor; isto , sempre estamos nos relacionando com o

    outro ou outros, atravs da linguagem (verbal ou no-verbal) num processo contnuo.

    A intencionalidade discursiva

    A piadinha que se segue constitui uma situao comunicativa entre duas pessoas:

    Um amigo encontra o outro na rua:

    Onde voc est morando, rapaz?

    Em Copacaban a.

    Em que altura ?

    No 7 andar.

  • Lngua Portuguesa

    37

    Nesse caso, a comunicao entre o emissor e o receptor no tem muito

    sucesso e a que o humor se faz presente; exatamente pelo fato de que os

    interlocutores no atenderem a um princpio bsico da comunicao: a

    intencionalidade discursiva intenes (explcitas ou implcitas ) existentes na

    linguagem dos membros que participam de uma determinada situao comunicativa.

    Ao interagir com outra pessoa atravs da linguagem, temos a inteno de modificar o pensamento ou o comportamento de nosso(s) interlocutor(es).

    O sucesso da comunicao est, portanto, em saber lidar com a

    intencionalidade. atravs dela que o emissor impressiona, persuade, informa, pede, solicita, etc. o receptor.

  • Lngua Portuguesa

    38

    EXERCCIOS UNIDADE 3

    1) Para se obter uma comunicao efetiva, que elemento( s) da comunicao humana no pode(m) falhar:

    a) o cdigo.

    b) o emissor e o receptor.

    c) o canal.

    d) o assunto.

    e) nenhum dos seis elementos.

    2) Na frase (... ) se eu no compusesse este captulo, padeceria o leitor um forte abalo, assaz danoso ao efeito do livro de Machado de Assis, os elementos sublinhados denotam referncia, respectivamente, ao: a) canal, emissor, receptor.

    b) emissor, contato, canal.

    c) cdigo, receptor, mensagem.

    d) cdigo, receptor, canal.

    e) emissor, receptor, mensagem.

  • Lngua Portuguesa

    39

    Estudo de Texto

    Nem a Rosa, Nem o Cravo As frases perdem seu sentido, as palavras perdem sua significao costumeira, como dizer das rvores e das flores, dos teus olhos e do mar, das canoas e do cais, das borboletas nas rvores, quando as crianas so assassinadas friamente pelos nazistas? Como falar da gratuita beleza dos campos e das cidades, quando as bestas soltas no mundo ainda destroem os campos e as cidades? J viste um loiro trigal balan ando ao vento? das coisas mais belas do mundo, mas os hitleristas e seus ces danados destruram os trigais e os povos morrem de fome. Como falar, ento, da beleza, dessa beleza simples e pura da farinha e do po, da gua da fonte, do cu azul, do teu rosto na tarde? No posso falar dessas coisas de todos os dias, dessas alegrias de todos os instantes. Porque elas esto perigando, todas elas, os trigais e o po, a farinha e a gua, o cu, o mar e teu rosto. (...) Sobre toda a beleza paira a sombra da escravido. como uma nuvem inesperada num cu azul e lmpido. Como ento encontrar palavras inocentes, doces palavras cariciosas, versos suaves e tristes? Perdi o sentido destas palavras, destas frases, elas me soam como uma traio neste momento. (...) Mas eu sei todas as palavras de dio e essas, sim, tm um significado neste momento. Houve um dia em que eu falei do amor e encontrei para ele os mais doces vocbulos, as frases mais trabalhadas. Hoje s o dio pode fazer com que o amor perdure sobre o mundo. S o dio ao fascismo, mas um dio mortal, um dio sem perdo, um dio que venha do corao e que nos tome todo, que se faa dono de todas as nossas palavras, que nos impea de ver qualquer espetculo desde o crepsculo aos olhos da amada sem que junto a ele vejamos o perigo que os cerca. Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de esperana. Sobre toda beleza do mundo, sobre a farinha e o po, sobre a pura gua da fonte e sobre o mar, sobre teus olhos tambm, se debruaria a desonra que o nazifascismo, se eles tivessem conseguido dominar o mundo. No restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mnima. Amanh saberei de novo palavras doces e frases cariciosas. Hoje s sei palavras de dio, palavras de morte. No encontrars um cravo ou uma rosa, uma flor na minha literatura. Mas encontrars um punhal ou um fuzil, encontrars uma arma contra os inimigos da beleza, contra

  • Lngua Portuguesa

    40

    aqueles que amam as trevas e a desgraa, a lama e os esgotos, contra esses restos de podrido que sonharam esmagar a poesia, o amor e a liberdade! AMADO, Jorge. Folha da Manh . 22/04/1945) 3) O uso das palavras rosa e cravo recusado pelo enunciador do texto de Jorge Amado. Essa recusa ocorre, pois essas palavras assumem, no texto, o sentido de: a) ameaa. b) alienao. c) infelicidade. d) cumplicidade. e) medo. 4) Para expressar um ponto de vista definido, o enunc iador de Nem a rosa, Nem o cravo emprega determinados recursos discurs ivos. Um desses recursos e a justificativa para seu uso esto presentes em: a) emprego da 1 pessoa discusso de um tema polmico.

    b) resgate de prticas pessoais passadas conservao de uma viso de mundo.

    c) interlocuo direta com os possveis leitores fortalecimento de um pacto de omisso.

    d) presena de um interlocutor em 2 pessoa - desenvolvimento de uma estratgia de confisso.

    e) presena de um narrador em 3 pessoa demonstrao de pleno conhecimento dos fatos.

    5) O enunciador do texto Nem a Rosa, nem o Cravo defende como modo de reao s crueldades referidas, a utilizao das mesmas armas dos agressores. O trecho em que essa ideia se apresenta mais claramente : a) Sobre toda a beleza paira a sombra da escravido.

  • Lngua Portuguesa

    41

    b) Houve um dia em que eu falei do amor encontrei para ele os mais doces vocbulos.

    c) Hoje s o dio pode fazer com que o amor perdure sobre o mundo. d) Jamais as tardes seriam doces e jamais as madrugadas seriam de

    esperana. e) No restaria nenhuma parcela de beleza, a mais mnima. Leia o texto. Meu corao estrala... Que imagem sem verdade. Porm no tive ideia de mentir... Foram os nervos, a alma?... Que quer dizer estralo! Nem ao menos sou Padre Vieira... Oh dicionrio pequitito! (Mrio de Andrade) 6) Este poema salienta um problema relacionado ao emissor, pois fala: a) da incomunicabilidade entre as pessoas.

    b) da ineficcia das palavras em transmitir sensaes e estados dalma.

    c) da falta de conhecimento de vocabulrio.

    d) da solido.

    e) da ausncia de equilbrio interior.

    Leia o trecho com ateno. Minhas mos ainda esto molhadas do azul das ondas entreabertas e a cor que escorre dos meus dedos colore as areias desertas. ( Ceclia Meireles)

  • Lngua Portuguesa

    42

    7) A estrofe acima revela que o eu-potico ( a voz que fala no texto) desenvolve a percepo ................. do mundo. a) sentimental

    b) racional

    c) emotiva

    d) sensorial

    e) onrica

    Leia . O matuto foi fazer uma consulta mdica. O mdico pede: - Tire a cala. E comea em seguida a examin-lo. - Mas o senhor est totalmente descalcificado! - Claro! Foi o senhor que mandou. ( Ziraldo ) 8) Segundo Saussure, a lngua no existe seno em virtude duma espcie de contrato estabe lecido entre os membros da comunidade. No texto, o contexto contraria esse conceito porque houve: a) identificao da mensagem.

    b) decodificao da mensagem.

    c) diversificao no emprego do cdigo.

    d) sistematizao do emprego do cdigo.

    e) identificao e decodificao entre emissor e receptor.

  • Lngua Portuguesa

    43

    Leia o texto abaixo e responda s questes 1 e 2. TRS APITOS Quando o apito Da fbrica de tecidos Vem ferir os meus ouvidos, Eu me lembro de voc. Mas voc anda, Sem dvida bem zangada E est mesmo interessada Em fingir que no me v. Voc que atende ao apito De uma chamin de barro Por que no atende ao grito, To aflito, Da buzina do meu carro? Voc no inverno Sem meias vai para o trabalho, No faz f com agasalho, Nem no firo voc cr. Mas voc mesmo Artigo que no se imita, Quando a fbrica apita Faz reclame de voc. Nos meus olhos voc l Que eu sofro cruelmente Com cimes do gerente Impertinente Que d ordens a voc. Sou do sereno, Poeta muito soturno Vou virar guarda-noturno E voc sabe por qu. Mas voc no sabe

  • Lngua Portuguesa

    44

    Que, enquanto voc faz pano, Fao junto do piano Estes versos pra voc.

    Noel Rosa. 9) Em que pessoa est escrito o texto? Qual o elemento da comunicao em evidncia? Justifique com palavras retiradas do prprio texto. ____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________________________________________________________________ 10) Caracterize a segunda pessoa do discurso. A que elemento da comunicao se refere? Podemos afirmar que o texto est centrado exclusivamente na segunda pessoa do discurso? _________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

  • Lngua Portuguesa

    45

    As funes da linguagem 4 A funo referencial.

    A funo expressiva ou emotiva.

    A funo conativa ou apelativa: a inteno do emissor e a organizao da

    mensagem.

    A funo potica.

    A funo ftica.

    A funo metalingstica.

  • Lngua Portuguesa

    46

    Hoje estaremos falando de como toda mensagem tem uma finalidade

    predominante, quer seja transmitir uma informao, uma emoo, quer seja um pedido.

    Voc perceber, no decorrer da leitura, que nenhuma mensagem existe sem que haja uma inteno do emissor.

    A nossa, hoje, lhe ensinar mais um contedo necessrio para a sua formao acadmica. Boa aula!!!

    Quando realizamos um ato de comunicao verbal, procuramos

    selecionar as palavras e depois de organiz-las, combin-las entre si, temos que

    adequ-las de acordo com a inteno, com o sentido que queremos dar mensagem que enviaremos ao receptor.

    Por ser o ato de falar algo bastante automtico, raramente percebemos

    que essa organizao e adequao das palavr as usadas esto ligadas a uma ou

    mais funes. Sendo assim, ao darmos nfase a um dos elementos de

    comunicao, j estudados na aula anterior, estaremos priorizando uma das seis funes que a linguagem possui.

    Foi o linguista russo Roman Jakobson quem elaborou, em 1969, estudos

    acerca das fun es das linguagem. Para cada um dos elementos da comunicao

    humana existe uma funo estritamente ligada a c ada elemento, como veremos a seguir:

  • Lngua Portuguesa

    47

    Estudaremos uma a uma dessas funes:

    1. Funo referencial:

    Tambm chamada de funo informativa centrada no referente, isto ,

    naquilo que se fala. Cabe ao emissor a inteno de transmitir ao seu interlocutor,

    de modo direto e objetivo, dados estruturados, geralmente, na ordem direta. Essa

    funo est presente em grande parte dos textos dissertativos, tcnicos,

    jornalsticos, em receitas mdicas, bulas de remdio, manuais de instruo, avisos institucionais, mapas, grficos, etc.

    A funo referencial tratada por alguns autores como funo denotativa, visto que no texto no h ambigidades ou duplo sentido.

  • Lngua Portuguesa

    48

    2. Funo expressiva ou emotiva:

    Centrada no emissor da mensagem, exprime a sua atitude em relao ao

    contedo da mensagem e da situao. Nesse caso, o emissor expressa seus

    sentimentos e emoes, resultando num texto subjetivo (diferente da objetividade da funo referencial).

    A mensagem estruturada com algumas marcas gramaticais que merecem

    registro: verbos e pronomes em 1 pessoa, interjeies, adjetivos de valores, sinais de pontuao como as reticncias, ponto de exclamao.

    O exemplo que lhe daremos o famoso Soneto da Fidelidade, escrito por

    Vincius de Moraes. Repare como o uso da 1 pessoa uma marca significativa para acentuar a subjetividade do eu-potico.

    SONETO DA FIDELIDADE

    De tudo ao meu amor serei atento

    Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

    Que mesmo em face do maior encanto

    Dele se encante mais meu pensamento.

    Quero viv-lo em cada vo momento

    E em seu louvor hei de espalhar meu canto

    E rir meu riso e derramar meu pranto

    Ao seu pesar ou seu contentamento.

  • Lngua Portuguesa

    49

    E assim, quando mais tarde me procure

    Quem sabe a morte, angstia de que vive

    Quem sabe a solido, fim de quem ama

    Eu possa me dizer do amor ( que tive ):

    Que no seja imortal, posto que chama

    Mas que seja infinito enquanto dure.

    MORAES, Vinicius de. Obra Completa e prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1998.

    3. Funo conativa ou apelativa:

    O destaque est no receptor que, por sua vez, estimulado pela mensagem.

    Os textos em que essa funo predomina so marcados por verbos no

    imperativo, por vocativos, por pronomes de tratamento. Outro recurso utilizado

    pela imprensa para prender o receptor e que caracteriza muito bem a funo

    CONATIVA a argumentao, em que o emissor procura a adeso do receptor ao seu ponto de vista.

    Podemos traar um paralelo entre a inteno do emissor da mensagem e a organizao da mesma na funo conativa. Perceba:

  • Lngua Portuguesa

    50

    INTENO DO EMISSOR influenciar, envolver, persuadir

    ORGANIZAO DA MENSAGEM apelo, splica, ordem, chamamento, argumento.

    Numa mensagem publicitria, por exemplo, de um produto para limpeza,

    o texto parece falar com a mulher dona-de-casa a quem interessa vender o produto.

    J, quando o objetivo influenciar um jovem a comprar uma mochila, por

    exemplo, a inteno discursiva outra e, consequentemente, o texto vai privilegiar

    palavr as do universo dos adolescentes, usando grias do momento, termos centrados em seu linguajar.

    Assim, a funo conativa ou apelativa da linguagem

    predominantemente encontrada nos anncios publicitrios, nos discursos polticos, nos horscopos, nos livros de auto-ajuda, nas preces religiosas, etc.

    4. Funo potica

    Acontece quando a comunicao d nfase prpria mensagem.

    Uma das caractersticas dessa funo o uso de recursos literrios na

    construo da linguagem. Ao selecionar as palavras para compor um texto, o poeta

    escolhe as que realam o sentido que ele quer dar ao seu texto e tambm a sua

    sonoridade e o ritmo; privilegiar as figuras de linguagem, os recursos fonolgicos, a falta ou o excesso de sinais de pontuao.

  • Lngua Portuguesa

    51

    Nos textos em que predomina a funo potica da linguagem, podemos

    encontrar, com muita frequncia, o sentido conotativo das palavras.

    Tem tudo a ver

    A poesia tem tudo a ver com o sorriso da criana, o dilogo dos namorados, as lgrimas diante da morte, os olhos pedindo po.

    A poesia s abrir os olhos e ver tem tudo a ver com tudo. Elias Jos. Segredinhos de amor. So Paulo, Moderna, 1991

    5. funo ftica

    Esta funo se manifesta quando se percebe a preocupao do emissor em manter contato com o receptor, sem deixar com que a comunicao se perca.

    Centrada no can al, ou c ontato como alguns autores preferem, a funo ftica

    acontece tanto na comunicao oral, atravs de sons do tipo Hum ... hum ...,

    Hein? ..., T... t ..., Sim ... sei ...; de frases como Est me ouvindo?, Esto me

    entendendo? e de marcas sonoras como o famoso plim ! plim! da Rede Globo que chama o telespectador distrado para a retomada de comunicao.

  • Lngua Portuguesa

    52

    Como na comunicao escrita, encontramos a funo ftica da linguagem ao

    empregarmos marcadores lingusticos que se repetem, como os bales que voc v e l no incio e no fim de cada aula desse curso.

    6. funo metalingustica

    Acontece quando a nfase est no cdigo, isto , quando o cdigo o tema da mensagem ou usado para explicar o prprio cdigo.

    Sabemos que, na linguagem verbal, o cdigo a lngua; portanto,

    quando utilizamos a lngua para explicar a prpria l ngua, temos a metalinguagem ou seja, a funo metalingustica.

  • Lngua Portuguesa

    53

    Um exemplo bem claro so os dicion rios e as gramtic as, pois utilizam palavr as para explicar as prprias palavras.

    fren.te

    s. f. 1. Parte superior do ros to, desde

    os cabelos at as sobrancelhas.

    2. Parte anterior de qua lquer coisa.

    3. Fachada de edifcio. 4. Mil. Vanguarda.

    5. Meteor. Superf cie que marca o contato

    de duas massas de ar convergentes

    e de temperaturas diferentes.

  • Lngua Portuguesa

    54

    EXERCCIOS UNIDADE 4

    TEXTO PARA AS QUESTES 1 e 2:

    O ltimo poema

    Assim eu quereria o meu ltimo poema

    Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais

    Que fosse ardente como um soluo sem lgrimas

    Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume

    A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais lmpidos

    A paixo dos suicidas que se matam sem explicao."

    (Manuel Bandeira, Libertinagens)

    1. Qual a funo predominante nessa poesia? a) funo referencial ou informativa.

    b) funo potica.

    c) funo emotiva ou expressiva.

    d) funo metalingustica.

    e) funo conativa ou apelativa.

  • Lngua Portuguesa

    55

    2. Podemos detectar outra funo, no predominante, mas presente ainda no poema. Marque o item em que ele se encontra.

    a) funo referencial ou informativa.

    b) funo potica.

    c) funo emotiva ou expressiva.

    d) funo metalingustica.

    e) funo conativa ou apelativa.

    3. Veja o texto abaixo adaptado de um anncio publicitrio e escolha o item correto quanto funo predominante:

    CETIVA: Vitamina C sem cama. Adquira o hbito de tomar CETIVA regularmente e voc ter mais sade, dinamismo e resistncia s infeces. Tome CETIVA todos os dias e v para a cama s quando voc bem entender.

    a) funo referencial ou informativa.

    b) funo potica.

    c) funo emotiva ou expressiva.

    d) funo metalingustica.

    e) funo conativa ou apelativa.

  • Lngua Portuguesa

    56

    4. Diga qual a funo da lingu agem predominante em:

    Promover a recuperao de trabalhadores acidentados ou incapacitados fsica ou mentalmente para o trabalho, a nobre tarefa que o SESI realiza atravs da Subdiviso de Reabilitao.

    a) funo referencial ou informativa.

    b) funo potica.

    c) funo emotiva ou expressiva.

    d) funo metalingustica.

    e) funo conativa ou apelativa.

    5. A partir do texto abaixo, marque o item correto em relao funo predominante:

  • Lngua Portuguesa

    57

    a) funo referencial ou informativa.

    b) funo potica.

    c) funo emotiva ou expressiva.

    d) funo ftica.

    e) funo conativa ou apelativa.

    6. Leia o texto abaixo e marque a funo da linguagem que nele predomina:

    CNBB aceita explicaes de Arcoverde depois de um telefonema do Ministro Waldir Arcoverde que, segundo o secretrio-geral da CNBB, D. Luciano Mendes, fez reparos ao Programa de Planejamento familiar, a Conferncia Nacional dos Bispos do Brasil divulgou nota atribuindo a um equvoco da imprensa a notcia de que o Governo est disposto a adotar a esterilizao como mtodo anticoncepcional. (JB, 30/12/80)

    a) funo referencial ou informativa.

    b) funo potica.

    c) funo emotiva ou expressiva.

    d) funo metalingustica.

    e) funo conativa ou apelativa.

  • Lngua Portuguesa

    58

    7. Numere os parnteses de acordo com a coluna da esquerda e depois escolha o item correto:

    1. funo conativa. 2. funo ftica. 3. funo potica. 4. funo emotiva. 5. funo referencial. 6. funo metalingustica.

    ( ) centrada no emissor. ( ) centrada no receptor. ( ) centrada no canal. ( ) centrada no referente. ( ) centrada no cdigo. ( ) centrada na mensagem

    a) 2 5 6 4 1 3

    b) 4 2 3 5 3 6

    c) 6 2 4 1 2 5

    d) 4 1 2 5 6 3

    e) 1 2 3 4 5 6

    8. Leia o texto de Millr Fernandes e marque a alternativa que contm a funo da linguagem predominante:

    A boite um local em que o excesso de escurido faz com

    que cada um dance com a mulher do outro. Desse engano constante nasce o infinito nmero de maridos enganados. to escura a boite que nunca se sabe o que a orquestra est tocando. Nem o que se est comendo. Nem o que se est pagando. A boite o louvor da incgnita.

    a) funo referencial ou informativa.

    b) funo potica.

    c) funo emotiva ou expressiva.

    d) funo metalingustica.

    e) funo conativa ou apelativa.

  • Lngua Portuguesa

    59

    9. D a funo da linguagem do seguinte anncio vinculado nas tevs, revistas e jornais e depois, justificando a sua resposta.

    _____________________________________________________________________

    _____________________________________________________________________

    __________________________________________________________________________________________________________________________________________

    10. Leia a poesia que se segue e diga quais as du as funes da linguagem que podem caracterizar o texto. Qual das duas a predominante? Por qu?

    Que Poesia? uma ilha cercada de palavras

    por todos os lados. (Cassiano Ricardo)

    _____________________________________________________________________

    __________________________________________________________________________________________________________________________________________

  • Lngua Portuguesa

    60

    5 As diversidades do uso da lngua os nveis da linguagem

    A modalidade escrita e falada.

    As variantes socioculturais a norma culta e a norma coloquial; a gria; a

    linguagem da Internet.

    As variantes regionais.

    As variantes de poca.

    As variantes de estilo.

  • Lngua Portuguesa

    61

    Hoje, trataremos dos nveis da linguagem, ou seja, da diversidade lingstica,

    fato que ocorre, muitas vezes com bastante evidncia; em outras, de forma pouco

    perceptvel. Mas, de qualquer maneira, o estudo dessas variedades de uma lngua implica em fatores de vital importncia para o bom uso dela.

    Boa aula!!!

    TEXTO 1:

    Uma das caractersticas mais evidentes das lnguas sua variedade. Entende-se

    por isso, fundamentalmente, que as lnguas apresentam formas variveis em

    determinada poca, o que significa que no so faladas uniformemente por todos os

    falantes de uma sociedade. (....) Esta caracterstica no exclusiva das lngua

    modernas. O latim e o grego antigo tambm tinham formas variveis. O portugus,

    por exemplo, descende do chamado latim vulgar (popular), diferente em vrios

    aspectos do latim dos escritores que chegou at ns.(...).

    Uma outra caracterstica das lnguas que as diferenas que apresentam

    decorrem do fato de que os falantes de uma comunidade lingustica no so

    considerados iguais pela prpria sociedade. As diferenas de linguagem so uma

    espcie de distintivo ou emblema dos grupos, e, nesse sentido, colaboram para

    construir sua identidade. (...) As variedades (ou os dialetos) correspondem em grande

    parte a grupos sociais relativamente definidos: os que residem numa regio ou em

    outra; os que pertencem a uma classe social ou a outra; os que so mais jovens ou mais

    velhos; os que so homens ou so mulheres; os que tm uma profisso ou outra etc.

    M.B.M. Abaurre e S. Possenti. Vestibular Unicamp: Lngua Portuguesa.

  • Lngua Portuguesa

    62

    Apenas prestando ateno, percebemos intuitivamente que uma lngua

    no falada do mesmo modo por todos os seus falantes. Em particular, veremos o

    caso da Lngua Portuguesa, falada em Portugal, no Brasil, em Angola, Moambique,

    Guin-Bissau, Cabo Verde, So Tom e Prncipe; em regies asiticas como Macau, Goa, Damo e Dio e em Timor Leste, na Oceania.

    Alm do fator geogrfico, temos tambm a variao de ordem social do falante, a situao em que ele deve falar ou escrever, etc.

    Sendo assim, podemos dizer que uma lngua sofre variaes de acordo com cinco eixos, criados pelo linguista romeno Eugenio Coseriu, que so:

    1 EIXO: a modalidade escrita e falada.

    2 EIXO: as variantes socioculturais a norma culta e a norma coloquial.

    3 EIXO: as variantes regionais.

    4 EIXO: as variantes de poca.

    5 EIXO: as variantes de estilo.

    No podemos esquecer de que, enquanto a linguagem em si mesma

    um fenmeno universalmente igual para todos, a lngua se manifesta de maneira

    diferente entre os falantes de uma mesma comunidade lingustica, quer por fatores de ordem interna como externa.

    As lnguas, portanto, manifestam a mesma capacidade humana de

    expresso, mas h, por exemplo, maneiras tpicas de falar relacionadas s regies

    de um pas principalmente o nosso, com essa dimenso continental, s faixas

    etrias, aos grupos e classes sociais, s situaes em que nos encontramos, ao estilo

  • Lngua Portuguesa

    63

    individual e at mesmo ao sexo, visto que, em algumas situaes, h palavras que contemplam mais o sexo masculino que o feminino.

    Para tanto, existem as normas lingusticas. Algumas so mais livres e

    espontneas; outras mais rgidas, com sanses formais queles que infringem a norma culta ou formal.

    O gramtico Adriano da Gama Kury (In. Novas lies de anlise sinttica. 2

    ed. So Paulo: tica, 1985.) tem uma frase que sintetiza todas essas variaes de

    uma lngua dinmica e potencialmente rica: O bom falante um poliglota em sua prpria lngua.

    Vamos, ento, analisar um a um os cinco eixos dessas variantes lingusticas:

    1 eixo: a modalidade escrita e falada:

    As diferenas entre o cdigo escrito e o falado no podem ser ignoradas,

    visto que, ao contrrio da modalidade escrita, a falada tem uma caracterstica

    marcante que se fundamenta na profunda vinculao s situaes em que usada.

    Normalmente, o contato entre os interlocutores direto e, ao conversarem sobre

    um determinado assunto, esses interlocutores elaboram mensagens marcadas por

    fatos da lngua falada. O vocabulrio utilizado fortemente alusivo, pois usamos pronomes como eu, voc, isso e advrbios como aqui, agora, c, l, etc.

    O cdigo oral tambm conta com elementos expressivos que o cdigo

    escrito no contempla. Nesse caso, aparece a entonao, capaz de modificar totalmente o significado de certas frases.

    Sabemos que nem todas as sociedades do mundo tem domnio sobre a modalidade escrita, mas todas as sociedades humanas fazem uso da modalidade

  • Lngua Portuguesa

    64

    oral. A essas sociedades como muitas das comunidades indgenas do Brasil damos o nome de sociedades grafas.

    J, nas sociedades ditas letradas podemos classificar a linguagem em

    trs categorias, que veremos mais adiante: temos a linguagem coloquial, a norma culta ou padro e a linguagem literria.

    Mas, antes da classificao cit ada, vamos analisar, no quadro que se

    segue tirado de MESQUITA, Melo Roberto. Gramtica da Lngua Portuguesa. 8 ed.

    ref. atual. So Paulo: Editor a Sar aiva, 1999 as diferenas entre a lngua falada e a lngua escrita:

    LINGUA FALADA

    LNGUA ESCRITA

    Numa situao de comunicao,

    a mensagem transmitida de forma imediata.

    Numa situao de comunicao, a

    mensagem transmitida de forma imediata.

    Em geral, o emissor e o receptor

    devem conhecer bem a situao e as

    circunstncias que os rodeiam. Se,

    por qualquer motivo, isso no

    acontecer, pode haver problemas de

    comunicao ou, simplesmente, no haver mensagem.

    O receptor no precisa conhecer de

    forma direta e situao do emissor nem o contexto da mensagem.

  • Lngua Portuguesa

    65

    A mensagem costuma ser

    transmitida de forma mais breve,

    notando-se ntida tentativa de economizar palavras.

    Com a presena de um

    interlocutor, que pode, a qualquer

    momento, interromper a conversa,

    comum o emprego de construes

    mais simples, frases incompletas,

    com nfase nas oraes

    coordenadas, mais espontneas e mais livres, menos reflexivas2

    So empregadas construes mais

    complexas, mais planejadas, pois

    subtende-se que o emissor teve mais

    tempo para elaborar a mensagem,

    repensando-a, modificando-a. , por

    isso, mais comum o uso de oraes mais

    complexas, subordinadas, que exigem

    mais esforo de memria ou de raciocnio.

    H elementos prosdicos, como

    entonao, pausa, ritmo e gestos,

    que enfatizam o significado dos vocbulos e das frases.

    Como no possvel, na lngua

    escrita, a utilizao dos elementos

    prosdicos da lngua falada, o emprego

    dos sinais de pontuao tenta reconstruir alguns desses elementos.

    2 eixo: as variantes socioculturais a norma

    culta e a norma coloquial.

    Quanto varia o da linguagem (quer falada, quer escrita), deparamo-nos com alguns registros que merecem a nossa ateno:

    2 BORBA, Francisco da Silva. Introduo aos estudos lingusticos. So Paulo: Companhia Editora Nacional, 1975. p. 262.

  • Lngua Portuguesa

    66

    LINGUAGEM COLOQUIAL ou norma popular: a linguagem que empregamos

    em nosso cotidiano, em determinadas situaes que no exigem formalidade, com

    interlocutores que consideramos iguais a ns no que diz respeito ao domnio da lngua.

    Nesse tipo de linguagem, no temos preocupao em falar certo ou errado,

    j que no somos obrigados a usar regras e o nosso objetivo a transmisso da

    informao, dando prioridade expressividade.

    1. Norma culta ou norma padro:

    Leia o que nos fala Magda Soares, em Linguagem e escola: uma perspectiva social. 3 ed. So Paulo: tica, 1986.

    Dialeto padro: tambm chamado norma padro culta, ou simplesmente norma

    culta, o dialeto a que se atribui, em determinado contexto social, maior prestgio;

    considerado o modelo da a designao de padro, de norma segundo o qual se

    avaliam os demais dialetos. o dialeto falado pelas classes sociais privilegiadas,

    particularmente em situaes de maior formalidade, usado nos meios de comunicao

    de massa (jornais, revistas, noticirios de televiso etc.), ensinado na escola, e

    codificado nas gramticas escolares (por isso, corrente a falsa idia de que s o

    dialeto padro pode ter uma gramtica, quando qualquer variedade lingustica pode

    ter a sua). ainda, fundamentalmente, o dialeto usado quando se escreve (h,

    naturalmente, diferenas formais,. Que decorrem das condies especficas de

    produo da lngua escrita, por exemplo, de sua descontextualizao). Efetuadas

  • Lngua Portuguesa

    67

    diferenas de pronncia e pequenas diferenas de vocabulrio, o dialeto padro

    sobrepe-se aos dialetos regionais, e o mesmo, em toda a extenso do pas.

    A) A gria: Segundo William Cereja (In. Gramtica Reflexiva: texto, semntica e

    interao. So Paulo: Editor a Atual, 1999. p. 11) a gria um dos dialetos de uma

    lngua. Quase sempre criada por um grupo social, como o dos fs de rap, de heavy

    metal, o dos que praticam certas lutas, como capoeira, jiu-jtsu, etc. quando ligada a

    profisses, a gria chamada de jargo. o caso do jargo dos jornalistas, dos

    mdicos, dos dentistas e de outras profisses.

    Temos a gria como uma contribuio da definio da identidade de um grupo

    que a utiliza, s vezes de carter contestador, como a dos jovens de uma

    determinada gerao, funcionando como uma espcie de meio de excluso dos

    indivduos externos ao grupo. Algumas,funcionam como transgressoras dos padres sociais vigentes e, por conseqncia da prpria lngua.

    Para ilustrar, leia o texto que se segue:

    TRUS MOSTRAM VITALIDADE DA GRIA EM SP

    Termo derivado de truta (amigo, companheiro), usual nas rodinhas de estudantes.

    Ficar na port a de uma escola paulistana na hora da sada de aula pode ser uma

    experincia nica. Para quem no faz parte da turma, compreender o que se diz

    tarefa pra l de difcil. Meninos e meninas, com idade entre 13 e 17 anos, no economizam em grias das mais variadas e engraadas, num cdigo indecifrvel:

  • Lngua Portuguesa

    68

    E a, tru?! Bel?

    Sussu

    V na minha goma. Ta na fita?

    Se p eu vou l.

    Cola l. Falou?

    Trata-se do dilogo entre amigos. Um convida o outro para ir sua casa. O que

    foi convidado diz que talvez v, mas no tem certeza. O outro reafirma o convite e despede-se.

    As grias paulistanas, que nem sempre pegam ou viram mania nacion al como

    as do Rio, onde recentemente nasceram sangue bom, sarado e o ah1 Eu t maluco!,

    originam-se, segundo os jovens da capital, nos bailes funk e escolas e entre praticantes de skate e de surfe.

    Depois de criadas, elas podem ser ouvidas nas conversas de jovens de todas as

    regies da cidade. Alm das j imortalizadas mina e , meu, so incontveis as

    expresses inventadas pela moada. No sei explicar, mas minha goma o

    mesmo que minha casa, diz Jonas Spindell, de 16 anos, estudante do Colgio Equipe, em Pinheiros, zona oeste.

    S para falar Escrever o que se diz uma dificuldade. Acho que sussu se

    escreve assim, com dois esses, arrisca Pedro Fiorino Barros, de 15 anos. A gria para ser dita e no escrita, define Spindell.

    Muitas vezes, elas tm dois ou mais significados ou so criadas a partir de

    outras. Tru, por exemplo, vem de truta, que significa companheiro, amigo. Nos

    ltimos meses, os garotos tm pontuado suas frases com o t ligado?. Usam a

    expresso no fim das frases para reafirmar uma idia. Tipo assim outra coisa que a gente fala muito, diz Gabriela Gehrke, de 15 anos.

  • Lngua Portuguesa

    69

    Colega de classe de Gabriela, Soraia Barbosa Cardoso, de 15 anos, nova na

    escola, mas j ganhou um novo repertrio de palavras. No outro colgio no se falava tant a gria, diz. uma coisa que, quando a gente v, j est falando.

    H divergncias na hor a de empregar as palavras. Os meninos no saem mais para azarar, mas para c atar umas minas.

    Acho muito feio dizer isso, diz Lusa Werneck, de 17 anos, Sua colega Renata

    Lins Alves, de 15 anos, no se intimida em adaptar a expresso: As meninas podem dizer que vo catar uns manos.

    Proced Na escola Estadual Padre Manuel da Nbrega, na Casa Verde, zona

    norte, so as meninas que mais usam termos esquisitos, Quando um cara est

    interessado, mas no quero nada, digo: Ih! Parei com as drogas, diz Gabriela Novaes do Amaral, de 15 anos.

    Surfar o mesmo que transar, trocar um proced quando o cara quer ficar

    com uma menina, ensina Jaqueline de Oliveira Santos, de 14 anos. P e tal,

    derrepentemente tambm serve para dizer que a pessoa est a fim de ficar, completa Diana Chaves da Silva de 15.

    ( Cludia Fontoura. O Estado de S. Paulo, 5 out. 1997.)

    Lendo e respondendo sobre o texto

    1) O uso de gria por parte dos jovens estudantes tem algum propsito

    definido? Comente.

    2) Qual a funo do itlico no texto? H coerncia no seu emprego?

    3) Explique por que difcil escrever os termos de grias.

  • Lngua Portuguesa

    70

    4) O texto est dividido em trs partes. Essa diviso corresponde ao esquema de idias adotado pelo redator para desenvolver seu texto? Explique.

    5) Voc usa gria? Os textos que l ou escreve apresentam termos de gria?Comente.

    B) A linguagem da Internet: a natureza interativa da Internet, ao contrrio

    da televiso, tenta estimular o intercmbio entre as pessoas, como interlocutores

    das famosas salas de bate-papos. bom ressaltar, entretanto, que a lngua escrita,

    na rede, assume uma forma peculiar, em que foi criado um cdigo misto, que faz uso de sinais capazes de expresso alegria, tristeza, choro, dvida, decepo, etc.

    Tambm lanam mo de abreviaturas, de incio de palavras, de apenas uma

    letra para significar muitas palavras e at frases. bom lembrar, porm, que essa

    linguagem serve apenas para incrementar a agilidade da conversao, mas nunca

    para responder a questionrio, enviar curriculum, mandar mensagens de carter formal, etc.

    3 Eixo: variantes regionais

    Tambm chamadas de variao geogrfica ou dialetos, esse tipo de

    variante, no Brasil, bastante grande e facilmente notada. Caracteriza-se pela

    diferenciao do acento lingustico conjunto das qualidades fisiolgicas do som

    no que tange altura, ao timbre, intensidade e por isso um tipo de variante cujas marcas se notam basicamente na pronncia.

  • Lngua Portuguesa

    71

    Tambm percebemos essa varia o geogrfica no vocabulr io, em certas

    frases estruturadas de modo diferente e no sentido que algumas palavras

    assumem em diversas regies do pas. Tambm chamadas de dialetos, essas

    variantes regionais podem ser bem distintas, quer no falar nordestino, pela

    abertura das vogais pr-tnicas; quer na pronncia dos gachos, que se caracteriza

    por uma entonao particular; quer na maneira peculiar de se pronunciar o fonema s final das palavras (normalmente, de modo chiado).

    Ainda, chamamos ateno para as variaes geogrficas encontradas no

    vocabulrio. Basta percebermos o uso de expresses encontradas nas diferentes regies geogrficas brasileiras, com toda a sua peculariedade e distino.

    Da mesma maneira, as regies urbanas e rurais possuem vocabulrio e

    pronncias diferentes, alm das expresses tpicas que encontramos em cada uma dessas localidades.

    4 eixo: as variantes de poca:

    Sabemos que as lnguas no so fixas, estticas. Esse carter dinmico,

    mutvel que nos apresenta palavras cujo uso est defasado, perderam o seu

    sentido original, deram lugar a outras palavras; enfim, houve uma mudana

    significativa que registrada pelos livros escritos no incio do sculo XVIII, em contrapartida com os de hoje, por exemplo.

    Para ilustrar esse tipo de variante, leia os trechos de dois textos de Carlos Drummond de Andrade, que mostram como a lngua vai mudando com o tempo:

  • Lngua Portuguesa

    72

    TEXTO 1: ANTIGAMENTE

    Antigamente, as moas chamam-se mademoiselles e eram todas mimosas

    e prendadas. No faziam anos: completavam primaveras, em geram dezoito. Os

    janotas, mesmo no sendo rapages, faziam-lhes p-de-alferes, arrastando a asa,

    mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levavam tbua, o remdio era

    tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. (..) Os mais idosos, depois da

    janta, faziam o quilo, saindo para tomar a fresca; e tambm tomavam cautela de

    no apanhar sereno. Os mais jovens, esses iam ao animatgrafo, e mais tarde ao

    cinematgrafo, chupando balas de altia. Ou sonhavam em andar de aeroplano; os

    quais, de pouco siso, se metiam em camisas de onze varas, e at em calas pardas; no admira que dessem com os burros ngua.

    ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988.

    TEXTO 2: ENTRE-PALAVRAS

    Entre coisas e palavras principalmente entre palavras circulamos. A

    maioria delas no figura nos dicionrios de h trinta anos, ou figura com outras

    acepes. A todo momento impe-se tomar conhecimento de novas palavras e

    combinaes de.

    ....................................................................................................................................

    O malote, o cassete, o spray, o fusco, o copio, a Vemaguet, a chacrete, o

    linleo, o nylon, o nycron, o dit afone, a informtica, a dublagem, o sinteco, o telex

    ..... existiam em 1940?

    ....................................................................................................................................

  • Lngua Portuguesa

    73

    Esto reclamando, porque no citei a conota o, o conglomerado, a

    diagramao, o ideograma, o idioleto, o ICM, a IBM, o falou, as operaes

    triangulares, o zoom e a guitarra eltrica.

    .................................................................................................................................... No havia nada

    disso no jornal do tempo de Venceslau Brs, ou mesmo, de Washington Lus.

    Algumas dessas coisas comeam a aparecer sob Getlio Vargas. Hoje esto ali na

    esquina, para consumo geral. A enumerao catica no uma inveno crtica de

    Leo Spitzer. Est a, na vida de todos os dias. Entre palavras circulamos, vivemos,

    morremos, e palavras somos, finalmente, mas com que significado?

    ANDRADE, Carlos Drummond de. Poesia e prosa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1988.

    5 Eixo: as variantes de estilo:

    Entendemos, aqui, as variaes nos enunciados lingusticos que se relacionam

    aos diferentes graus de formalidade do contexto de interlocuo. Podemos

    explic-las, partindo do princpio de maior ou menor conhecimento e proximidade

    entre os falantes. Em um dos plos, tomando-o como eixo contnuo de

    formalidade, temos as situaes informais em que se manifesta a linguagem. No

    outro extremo desse mesmo eixo temtico, encontramos as situaes formais de

    uso da linguagem (por exemplo, as escolhas lingusticas caracterizando um discurso feito em um Congresso).

    Tambm podemos lembrar que as variaes de estilo podem ocorrer em

    relao aos escritores e poetas da nossa literatura. Mesmo sendo representantes de

    um mesmo momento literrio, encontramos autores com estilos bastante diferentes. Como exemplo, podemos citar Manuel Bandeira e Mrio de Andrade.

  • Lngua Portuguesa

    74

    EXERCCIOS UNIDADE 5

    As diversidades do uso da lngua: os nveis de linguagem Leia os itens abaixo e responda questo 1:

    I) Positivo! O elemento acaba de ser preso

    II) Que mandioca o qu, mineiro, aqui, isso se chama macaxeira

    III) meu docinho, a mame te ama

    1) Sobre os enunciados acima, s no correto afirmar que:

    (a) em I, II e III, h variedades lingusticas

    (b) em I e II, h, respectivamente, jargo profissional e variedade regional

    (c) em III, h predominncia do uso familiar da linguagem

    (d) em I, II e III, h exemplificao de homogeneidade lingustica

    (e) em III, h afetividade por parte do falante.

    2) Em vou cumprimentar a mademoiselle que completa 18 primaveras hoje;

    ol, que tal um passeio pela cidade e o propsito da presente palestra

    tornar claros os seguintes pontos: assiduidade profissional e credibilidade,

    registram-se, respectivamente, as seguintes modalidades lingusticas:

    (a) de poca, coloquial e formal

  • Lngua Portuguesa

    75

    (b) coloquial, de poca e formal

    (c) formal, de poca e padro

    (d) formal, de poca e coloquial

    (e) coloquial, de poca e coloquial.

    3) Um professor, em uma turma de 8a srie, ao solicitar que cada grupo de alunos

    redija um texto, opinando sobre a reduo da maioridade penal, e o envie para

    destinatrios diferentes: ao presidente da Repblica do Brasil; a um jornal de

    grande circula o de sua cidade; autoridade mxima de sua denominao

    religiosa; ao colega de outro turno escolar, objetiva, especialmente, que:

    (a) os alunos respeitem a variao regional de cada falante

    (b) os alunos conheam apenas a modalidade culta da lngua

    (c) os alunos aprendam a usar diferentes registros lingusticos no meio

    social

    (d) os alunos preconizem apenas a modalidade coloquial da lngua

    (e) os alunos deem preferncia a modalidade oral da lngua

    Leia o relato a seguir e responda ao que se pede:

    Nis fico sem liz. Tem uns inquilinu l n, ento, Tudo barracu qui meu padastru tinha alugadu. Ento um cume num pag, atras c u alugue, Dipois num pagava liz nem nada. A us otru falaru: S nis qui vai pag, tudu mundu usanu! A cumearu a num pag tamm, Um pag, u otru num pag, A meu padastru pego i corto. Num pag tamm na laiti,

  • Lngua Portuguesa

    76

    A cortaru n.

    A ficamu sem liz dipois, n. (narrativa de um adolescente nascido em So Paulo, carregador de pacotes em

    um grande supermercado e morador de uma das favelas da cidade, in:

    TARALLO, Fernando. A Pesquisa Sociolingustica. tica, So Paulo, 1994).

    4) Atravs do texto, nota-se um pensamento de grande parte dos brasileiros: no justo somente uma pessoa trabalhar e as outras apenas usufrurem desse trabalho. A alternativa abaixo que contm uma frase demonstradora desse pensamento :

    (a) nis fico sem luiz a, seis mis sem luiz

    (b) tem us inquilinu l n, ento

    (c) a us otru falaru: S nis qui vai pag, tudu mundu usanu

    (d) a cortaru n

    (e) a ficaru sem luiz depois, n

    5) Sobre o texto correto afirmar que:

    (a) h predominncia de termos regionais

    (b) o texto altamente formal, embora faa parte de um relato

    (c) h, no texto, pormenores sociais de uma comunidade grafa

    (d) a escrita do texto representa particularidades da oralidades lingustica

    (e) o texto deixa transparecer particularidades lingusticas de uma modalidade de poca

  • Lngua Portuguesa

    77

    6) Marque a opo abaixo que registra aspectos predominantes na modalidade oral da lngua:

    (a) h usos de elementos como: entonao, gestos, ritmos, etc.

    (b) h amplo uso de orao subordinada

    (c) h necessidade de explicar o contexto situacional (lugar onde se fala, momento da fala, etc.)

    (d) h emprego marcante de sinais de pontuao, tais como: dois pontos, ponto e vrgula

    (e) h preferncia pelo uso de frases longas

    7) O uso coloquial da lngua s adequado na situao descrita na seguinte alternativa:

    (a) pronunciamentos de altas autoridades em cerimnias de posses

    (b) palestras para graduandos em congressos sobre Educao

    (c) relatos de jogos de futebol aos amigos

    (d) cumprimentos a autoridades como juzes, governadores e prefeitos

    (e) editoriais feitos por telejornais como Jornal Nacional, Jornal Band e

    Reprter Record.

    Leia o texto abaixo e responda ao que se pede:

    (...)- Ento l [Portugal] h moas bem arreadas?- perguntou Emlia.

    Sim - respondeu a velha. Uma dama bem arreada no espanta ningum l no outro lado. Aqui [Brasil], MOO significa jovem; l, significa servial, criado.

  • Lngua Portuguesa

    78

    Tambm no modo de pronunciar as palavras existem variaes. Aqui, todos

    dizem PEITO; l, todos dizem PAITO, embora escrevam a palavra da mesma maneira. Aqui se diz TENHO e l se diz TANHO. Aqui se diz VERO e l se diz VRO.

    - Tambm eles dizem por l VATATA, VACALHAU, BAVA, VESOURO- lembrou Pedrinho.

    - Sim, o povo de l troca muito o V pelo B e vice-versa.

    Nesse caso, aqui nesta cidade [Brasil] se fala mais direito do que

    na cidade velha [Portugal] - concluiu Narizinho. (...)

    O que sucede que uma lngua, sempre que muda de terra, comea a variar

    muito mais depressa do que se no tivesse mudado. Os costumes so outros, a

    natureza outra - as necessidades de expresso tornam-se outras. Tudo junto fora uma lngua que emigra a adaptar-se sua nova ptria (...).

    (MONTEIRO LOBATO in Emlia no Pas da Gramtica)

    8) A respeito do texto de Monteiro Lobato, acima, correto afirmar que:

    (a) uma lngua sofre variao apenas no mbito da escrita

    (b) uma lngua no sofre variao na modalidade oral

    (c) a lngua que emigra perde totalmente as caractersticas de sua terra de origem

    (d) a mudana lingustica ocorre em razo da falta de apego ptria

    (e) a variao lingustica ocorre em funo de fatores particulares: costumes, histrias, etc.

  • Lngua Portuguesa

    79

    9 - Explique o que se pode entender por variao lingustica e identifique a principal var iedade lingustica ilustrada no texto de Monteiro Lobato exemplificado na questo 8:

    _____________________________________________________________________

    _____________________________________________________________________

    _____________________________________________________________________

    __________________________________________________________________________________________________________________________________________

    Observe o texto seguinte para responder questo 10:

    Cara, esse trambolho a j era: pineu furado, para brisa ferrado. Ah! Troque ele por outro carro mais cho.

    10- Leia texto acima e responda ao que se pede nos itens I e II:

    I) Diferencie modalidades formal e coloquial da lngua