Conteudos nº2

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O nº 2 do e-boletim conteúdos divulga as actividades da Unidade de Saúde Pública do ACES Pinhal Litoral. Inclui uma reflexão sobre o processo de reestruturação dos Laboratórios de Saúde Pública, um estudo sobre o consumo de antibiótico, três artigos sobre ruído e um dedicado às doenças de declaração obrigatórias Apresenta ainda um pequeno espaço de leituras sobre atividades extraprofissionais, sendo uma dedicada ao BTT.

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  • nhecido, o mundo redondo, por isso aquilo que nos pode parecer o fim afinal o princ-pio!. Estamos perante a maior reestruturao dos LSP, coorde-nada pelo INSA e baseada nas concluses do grupo de traba-lho nacional e multidisciplinar, traduzida no encerramento (de alguns), reorganizao (de ou-tros) e transferncia (de algu-mas competncias) para Unida-

    Perante a mudana anunciada e a concretizar de imediato nos Laboratrios de Sade Pblica (LSP), agitam-se servios, profis-sionais e outros, porque esto em causa, dizem, estruturas fundamentais, investimentos tcnicos e humanos, receios (legtimos) e alguma apreenso face perda de respostas de proximidade. Sim, mudar pos-svel e, citando autor desco-

    S U M R I O

    Construir o caminho... 1

    A propsito dos LSP Uma reflexo (mais do que.) pessoal

    1

    Consumo de quinolo-nas e cefalosporinas no ACeS Pinhal Lito-ral em 2013 e 2014

    2

    Integrao do estu-dante com diabetes tipo 1 em contexto escolar: uma proposta de abordagem

    3

    Projeto Escolas sem Rudo 4 Efeitos nocivos da exposio ao rudo

    5

    Exposio ao rudo ocupacional e sua repercusso na sade dos trabalhadores numa cimenteira

    6

    DDO no ACeS Pinhal Litoral e SINAVE

    8

    Os nossos filhos 9

    BTT ao domingo 9

    Os Homens... 9

    Estrias da Histria da Sade Pblica: O incio

    10

    U N I D A D E D E S A D E

    P B L I C A

    A C E S P I N H A L L I T O R A L

    e-Boletim da Unidade de Sade Pblica

    S E T E M B R O D E 2 0 1 5

    Ana Silva

    Ftima Soares

    Fernanda Santos

    Helena Sofia Costa

    Isabel Craveiro

    Jorge Costa

    Lourdes Costa

    Odete Mendes

    Olinda Nogueira

    Paula Fernandes

    Ruben Rodrigues

    Rui Passadouro

    A U T O R E S N M E R O I I

    Q U A D R I M E S T R A L

    ACES PINHAL LITORAL

    Contedos

    Diz o provrbio que Longas via-gens comeam com um passo e, de facto, o percurso vai-se cons-truindo, com aprendizagem e

    amadurecimento, desde que se saiba para onde se quer ir.

    O desafio que se colocou, depois de lanado o primeiro nmero deste eBoletim, foi precisamente fazer caminho, tornando-o um projecto mais rico e mais partici-pado. Planificou-se melhor a sua estrutura, aprofundaram-se os contedos, alargou-se o corpo editorial e reflectiu-se muito.

    Construir o caminho , alis, um desiderato universal, quer se fale da perspectiva pessoal (familiar ou profissional), quer se trate da

    perspectiva colectiva, relativa s instituies e sociedade.

    A Sade Pblica do sculo XXI depara-se com novos problemas, mas tambm com novos recur-sos e novas oportunidades. E neste contexto, ten-do em conta o passa-do, que se deve cons-truir o presente, com vista a atingir no fu-turo os objectivos de Sade pretendidos.

    A herana das antigas Delegaes de Sade, com uma presena muito prxima da comunidade, ainda hoje um factor im-portante que se deve valorizar e prestigiar. Assim como o Delegado de Sa-de, em muitos locais, continua a ser a imagem de referncia, no apenas como defensor da Sade Pblica, mas at como Provedor

    Construir o caminho... Jorge Costa Coordenador da Unida de Sade Pblica

    A propsito dos Laboratrios de Sade Pblica Uma reflexo (mais do que) pessoal Odete Mendes Mdica de Sade Pblica

    da Sade.

    As Unidades de Sade Pblica constituem-se hoje, na promo-o da sade e na salvaguarda da sade pblica, como a rede de contacto entre o Estado e os

    Cidados. Mas a sua capacidade de res-posta encontra difi-culdades a vrios nveis, tais como, a escassez de recursos humanos e materi-ais, o modelo de funcionamento e de organizao e at o seu contexto institu-cional.

    Um editorial neces-sariamente um espa-o mnimo para o

    debate, mas suficiente para lembrar a necessidade de se reflectir. Assim, seja esta refle-xo a chama que permita cons-truir o futuro.

    o percurso

    vai-se

    construindo,

    com

    aprendizagem e

    amadurecimento,

    desde que se

    saiba para onde

    se quer ir

    des Hospitalares, mantendo a aposta, dizem, na resposta s necessidades em Sade Pblica baseada na uniformidade tcnica (INSA) e complementaridade de aco, definida estrategicamente desde 1971.

    Mudanas com as quais os LSP tm convivido, considerando as inmeras turbulncias ao longo dos anos, nas orientaes (por vezes falta delas), >>> p. 7

  • P G I N A 2

    C O N T E D O S : E - B O L E T I M D A U N I D A D E D E S A D E P B L I C A

    A C E S P I N H A L L I T O R A L

    incio do sculo XX, contudo o seu uso em gran-de escala levou ao aparecimento de estirpes bac-terianas resisten-tes, de tratamen-to difcil. Perante a situao dete-tada, imperati-vo monitorizar a prescrio, de acordo com as recomendaes da DGS, com a criao de um Programa de Assistncia Prescrio

    de Antibiticos (PAPA)(7) de forma a reduzir substan-cialmente a pres-so antibitica, utilizando-os ape-nas quando existe infeo bacteriana e durante o mni-mo tempo indis-pensvel (8).

    Referncias Bibliogrficas 1. ECDC. Antimicrobial resistance surveillance in Europe. Sweden2012. Available from: http://ecdc.europa.eu/en/publications/Publications/antimicrobial-resistance-surveillance-europe-2012.pdf. 2. WHO. World Health Organization global strategy for containment of antimicrobial re-sistance: World Health Organization; 2001.

    3. Goossens H, Ferech M, Vander Stichele R, Elseviers M. Outpatient antibiotic use in Europe and association with resistance: a cross-national database study. The Lancet. 2005;365(9459):579-87.

    4. WHO Collaborating Centre for Drug Statistics Methodology. Guidelines for ATC classification and DDD assignment 2014. Oslo2013. Available from: http://www.whocc.no/atc_ddd_publications/guidelines/.

    5. Ramalhinho I, Ribeirinho M, Vieira I, Cabrita J. A evoluo do consumo de antibiticos em ambulatrio em Portugal continental 2000-2009. 2012. 2012;25(1):20-8.

    6. Ramalhinho I, Cabrita J, Ribeirinho M, Vieira I. Evoluo do consumo de antibiticos em Portugal Continental (2000-2007) 2010. Availa-ble from: www.infarmed.pt/portal/page/portal/INFARMED/MONITORIZACAO_DO_MERCADO/OBSERVATORIO/ESTUDOS_REALIZADOS_PROTOCOLOS/Evolu%E7%E3o_Consumo_Ab_Portugal.pdf 7. DGS. Programa de preveno e controlo de infees e de resistncia aos antimicro-bianos2014. Available from: Retrived from: https://www.dgs.pt/estatisticas-de-saude/estatisticas-de-saude/publicacoes/portugal-controlo-da-infecao-e-resistencia-aos-antimicrobianos-em-numeros-2014.aspx. 8. DGS. NOC 6/2014: Durao de teraputica antibitica. 2014.

    A descoberta dos antibiticos na dcada de 40 do sculo XX, revolucionou o tra-tamento das infees e contribuiu signi-ficativamente para a reduo da mor-bimortalidade. No entanto, o apareci-mento de resistncias, problema com-plexo resultante de mltiplos fatores, entre os quais se encontra o uso indis-criminado dos antibiticos, constitui uma ameaa sade pblica, levando ao aumento dos custos com os cuidados de sade, ao insucesso teraputico e, por vezes, morte (1). Afeta tanto os pases desenvolvidos como os em de-senvolvimento e potencia o apareci-mento de infees multirresistentes de tratamento difcil e oneroso (2).

    A Organizao Mundial de Sade (OMS)

    considerou a resistncia aos antibiticos um problema prioritrio. Desde 2001 instituiu medidas globais para o seu controlo, salientando-se a vigilncia da resistncia, a educao dos prescritores, dos profissionais de sade e do grande pblico e a regulamentao da promo-o de antibiticos pela indstria farma-cutica (2).

    O consumo de antibiticos, em doentes da comunidade europeia, apresenta um gradiente norte-sul, com menor consu-mo no norte e alto no sul (3). O seu con-sumo avaliado em dose diria definida por 1000 habitantes por dia (DHD)(4).

    Em 2002, Frana tinha o maior consumo (32,2 DHD) e a Holanda o menor (10,0 DHD). Portugal ocupava a 3 posio com cerca de 27 DHD (3). No distrito de Leiria, em 2007, o consumo de quinolo-nas em ambulatrio foi de 3,01 e no Continente 2,87 DHD. Relativamente s

    cefalosporinas foi de 3,18 DHD no dis-trito de Leiria e 2,11 no continente (5, 6), revelando um maior consumo no distrito em relao ao continente.

    Uma das competncias do Programa de Preveno e Controlo de Infees e de Resistncia aos Antimicrobianos (PPCIRA) coordenar e apoiar as ativi-dades que promovam o uso adequado de antimicrobianos e a preveno de resistncias. No ACeS Pinhal Litoral deu-se prioridade monitorizao do consumo de quinolonas e cefalospori-nas nas vrias unidades funcionais (UF) nos anos de 2013 e 2014.

    Em relao ao consumo de quinolonas (figura 1) e de cefalosporinas (figura 2)

    verificou-se um ligeiro decrscimo de consumo mdio no ACES de 2013 para 2014. O consumo de quinolonas pas-sou de 0,57 DHD para 0,52 DHD e o de cefalosporinas de 0,56 DHD para 0,47 DHD.

    Da anlise global das 15 UF do ACES PL verifica-se uma grande assimetria de consumos, que varia em 0,08 DHD para a UF com menor consumo e 0,94DHD para a de maior consumo, no ano de 2013, sendo, no ano de 2014 de 0,13 DHD para a de menor consu-mo e 0,82 DHD para a de maior consu-mo (figura 1).

    A situao semelhante para as quino-lonas, com grande variabilidade entre as UF, variando entre 0,05 e 0,50 DHD em 2013 e 0,14 e 0,77 DHD em 2014.

    Os antibiticos revolucionaram o trata-mento dos doentes com infeo, no

    Consumo de quinolonas e cefalosporinas no ACeS Pinhal Litoral em 2013 e 2014

    Rui Passadouro Mdico de Sade Pblica

    Isabel Craveiro Tcnica Superior de Sade - Farmacutica

    Figura 1 - DHD Quinolonas 2013-14 nas UF e ACES PL

    Figura 2- DHD Cefalosporinas 2013-14 nas UF e ACES PL

    imperativo monitorizar a

    prescrio, de acordo com as

    recomen