Contratação de Consultorias

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    07-Jan-2017

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  • Contratao de Consultorias

    Volume I

    Controladoria-Geral da UnioSecretaria Federal de Controle Interno

    Perguntas e Respostas relativas a gesto de Projetos de Cooperao Tcnica Internacional

  • CONTROLADORIA-GERAL DA UNIO CGUSAS, Quadra 01, Bloco A, Edifcio Darcy Ribeiro

    70070-905 Braslia-DFcgu@cgu.gov.br

    Jorge Hage SobrinhoMinistro de Estado Chefe da Controladoria Geral da Unio

    Carlos Higino Ribeiro de AlencarSecretrio-Executivo

    Valdir Agapito TeixeiraSecretrio Federal de Controle Interno

    Waldir Joo Ferreira da Silva JniorCorregedor-Geral da Unio

    Jos Eduardo RomoOuvidor-Geral da Unio

    Srgio Nogueira SeabraSecretrio de Preveno da Corrupo e Informaes Estratgicas

    Coordenao:Eduardo BessaRonald Balbe

    Equipe tcnica responsvel:Liana Silva

    Sergio FilgueirasJosemir Gadelha

    Braslia, maio/2013.

  • ApresentaoOs Projetos de Cooperao Tcnica Internacional se constituem em importantes iniciativas para a viabilizao do desenvolvimento de capacidades e conhecimentos e a gesto da inovao no mbito da Administrao Pblica, a partir da atuao conjunta de rgos e entidades nacionais com organismos internacionais cooperantes. Os projetos, no entanto, tm se deparado com a dificuldade de garantir a conformidade de suas atividades com as premissas e os princpios da cooperao, em funo de dilemas e dvidas que no encontram plena resposta no arcabouo normativo existente. Em decorrncia dos trabalhos de auditoria realizados, a Controladoria Geral da Unio, por meio da Secretaria Federal de Controle Interno-SFC, vislumbrou a importncia de consolidar entendimentos e propor boas prticas em favor do aprimoramento da gesto dos projetos.

    Para tanto, foram realizadas em Maro de 2011 reunies tcnicas en-volvendo gestores e tcnicos dos projetos, servidores da prpria SFC, representantes da Agncia Brasileira de Cooperao Tcnica-ABC e dos Organismos Internacionais (PNUD e UNODC), nas quais foram tratados temas selecionados em funo de sua criticidade e recorrn-cia nos achados constantes de relatrios de auditoria da CGU, em relao aos seguintes temas:

    i. Contratao de Consultoriasii. Dirias e Passagensiii. Cartas de Acordo

    Este primeiro volume consolida, no formato de Perguntas e Respos-

  • tas, o contedo construdo conjuntamente nas mencionadas reunies tcnicas, sobre o tema Contratao de Consultorias, e busca refletir a experincia, conhecimento e percepo de todos os atores envolvi-dos com a questo da Cooperao Tcnica Internacional.

    Cabe destacar que o teor dos entendimentos formulados s questes apresentadas no pretende substituir o arcabouo normativo existen-te, mas fornecer orientaes e prticas aderentes ao referido arca-bouo, que possibilitem a melhoria gradual da gesto nos projetos.

    Cumpre registrar o agradecimento a todos que participaram das reu-nies tcnicas promovidas pela CGU e colaboraram com suas idias e propostas para a presente composio. Como se trata de um texto vivo, orientado para a prtica, novas idias e sugestes sero sem-pre bem-vindas, podendo ser encaminhadas para o email sfcdcrex@cgu.gov.br.

    Boa leitura.

    Secretaria Federal de Controle Interno Diretoria de Planejamento e Coordenao das Aes de Controle

    Coordenao-Geral de Recursos Externos

  • Sumrio1. Como mobilizar fora de trabalho em favor do projeto e garantir sua exe-cuo sem o vis de utilizao de consultores por produto para atividades ro-tineiras (ainda que sejam necessrias), que a rigor no se caracterizam como produto? 7

    2. Como identificar quando uma atividade do projeto pode ser suprida com a consultoria por produto? 11

    3. Como atrair profissionais de reas de conhecimento altamente especiali-zadas para um processo de seleo de consultores para atuao em Projetos de CTI? 13

    4. Como definir se o servio de consultoria dever ser realizado por Pessoa Fsica (PF) ou Pessoa Jurdica (PJ)? 15

    5. Como garantir a objetividade dos critrios de seleo a serem adotados para a contratao de consultores? 16

    6. Dada a importncia de se conhecer melhor as habilidades pessoais do candidato em um processo seletivo de consultoria Pessoa Fsica, adequa-do que seja utilizada a entrevista em processos seletivos para consultores, a despeito de sua inerente subjetividade? Se sim, como tornar esse mecanismo mais objetivo? 21

    7. Como gerenciar a execuo das consultorias de forma a minimizar o risco de no aceitao do produto ou de suas partes? Que parmetros devem ser utilizados para considerar aceitvel um determinado produto? 25

  • 8. Como garantir a entrega de todos os produtos, conforme contratado, evitando o nus pela descontinuidade do contrato e o no atingimento dos objetivos do projeto implicados? 29

    9. Em quais condies e circunstncias admissvel a contratao de servi-dores pblicos como consultores em projetos de CTI? 29

    10. Pode ser realizada a contratao de bolsista de instituio federal de aperfeioamento e desenvolvimento cientfico e tecnolgico CAPES ou CNPq como consultor na modalidade produto no mbito de projetos de cooperao tcnica internacional? 36

    11. Na ausncia de conhecimento do rgo ou Entidade nas atividades de desenvolvimento de logomarca, criao e manuteno de banco de dados, desenvolvimento de projetos de arquitetura de rede em TI, desenvolvimen-to de sistemas, traduo de obras referenciais, publicao de material pro-duzido por consultoria ou desenvolvimento de portal para a internet, pode ser contratado um consultor no mbito dos Projetos de Cooperao Tcnica Internacional? 38

    12. adequado que numa contratao de consultoria um dos produtos a ser apresentado seja o prprio Plano de Trabalho que o Consultor dever cumprir? 40

    13. Como garantir o cumprimento do artigo 4, 6 do Decreto n5.151, que dispe sobre a necessidade de a contratao de consultores deve ser antecedida de comprovao que os servios desejados no podem ser de-sempenhados pelos prprios servidores do rgo executor do projeto? 42

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    Contratao de ConsultoriaPerguntas e Respostas

    1. Como mobilizar fora de trabalho em favor do projeto e garantir sua execuo sem o vis de utilizao de consultores por produto para atividades rotineiras (ainda que sejam necessrias), que a rigor no se caracterizam como produto?

    O Decreto n 5.151/2004 trata a questo da contratao de consul-torias, em seu artigo 4, da seguinte forma:

    Art. 4o O rgo ou a entidade executora nacional poder pro-por ao organismo internacional cooperante a contratao de servios tcnicos de consultoria de pessoa fsica ou jurdica para a implementao dos projetos de cooperao tcnica in-ternacional, observado o contexto e a vigncia do projeto ao qual estejam vinculados.

    1o Os servios de que trata o caput sero realizados exclusi-vamente na modalidade produto.

    [...]

    6o O rgo ou a entidade executora nacional somente propo-

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    r a contratao de servios tcnicos de consultoria mediante comprovao prvia de que esses servios no podem ser de-sempenhados por seus prprios servidores.

    7o As atividades do profissional a ser contratado para servios tcnicos de consultoria devero estar exclusiva e obrigatoria-mente vinculadas aos objetivos constantes dos atos comple-mentares de cooperao tcnica internacional.

    [...]

    9o Os consultores desempenharo suas atividades de forma temporria e sem subordinao jurdica.

    De maneira complementar, a Portaria MRE n 717/2006, em seu arti-go 22, detalha e disciplina os procedimentos a serem adotados pelas agncias executoras nacionais quanto contratao dos servios de consultoria previstos no artigo 4 do Decreto n 5.151/04. Por sua vez, os artigos 20 e 22 da Portaria tratam sobre a gesto de recursos humanos no mbito dos projetos de cooperao tcnica internacio-nal, nos seguintes termos:

    Art. 20. As atividades de execuo do projeto sero atribudas a:

    I - servidores pblicos;

    II - contratados por tempo determinado, nos termos do art. 2, VI, h, da Lei n 8.745, de 9.12.93;

    III - ocupantes de cargo em comisso.

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    [...]

    Art. 22. Admite-se a execuo de pequenas tarefas, desde que observados os seguintes critrios:

    I - baixa complexidade tcnica;

    II - carter no recorrente;

    III - valor global da tarefa at o limite de R$ 500,00;

    IV - curto prazo, no devendo exceder trinta dias;

    V - contrato prvio.

    Pargrafo nico. No sero contratadas como pequenas tarefas as atividades previstas no Decreto n 2.271, de 07 de julho de 1997, na Lei n 8.745, de 09 de dezembro de 1993, no De-creto n 4.748, de 16 de junho de 2003, nos arts. 4 e 5 do Decreto n 5.151/04, e com outras que exijam a realizao de processo licitatrio.

    Desses normativos pode-se extrair que a legislao buscou definir, de forma clara a diferena entre a alocao de recursos humanos para a gesto e execuo dos projetos de cooperao tcnica e as atividades de consultoria. Para a gesto/execuo do projeto o rgo executor nacional deve alocar servidores pblicos (efetivos, em comisso ou temporrios) que tenham competncia para contribuir com os ob-jetivos do projeto de forma continuada. J as atividades de natureza especializada, pontual e especfica em relao aos objetivos do pro-jeto, que resultem em um produto claramente definido, requerem

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    sua realizao por consultores externos, especialistas em sua rea de atuao e sem vnculo empregatcio com o projeto.

    Dessa forma, entende-se que a contratao de pessoal por interm-dio de contratos de prestao de servios de consultoria para o de-senvolvimento de atividades rotineiras do projeto ou tpicas do rgo ou entidade executora, com a existncia de subordinao jurdica a este, consiste em falha grave, na medida em que se constitui em ato no permitido pela legislao vigente, o que, inclusive, j foi objeto de apreciao judicial, que deu origem ao Termo de Ajustamento de Conduta entre

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