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Tatiana Carla Santos de Faria CONTRIBUIÇÃO DA MUSCULAÇÃO PARA O PROCESSO DE EMAGRECIMENTO EM MULHERES Belo Horizonte Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG 2011

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  • Tatiana Carla Santos de Faria

    CONTRIBUIO DA MUSCULAO PARA O PROCESSO DE EMAGRECIMENTO EM MULHERES

    Belo Horizonte

    Escola de Educao Fsica, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG

    2011

  • Tatiana Carla Santos de Faria

    CONTRIBUIO DA MUSCULAO PARA O PROCESSO DE EMAGRECIMENTO EM MULHERES

    Monografia apresentada ao Curso de Graduao em Educao Fsica da Escola de Educao Fsica, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial obteno do ttulo de Bacharel em Educao Fsica.

    Orientador: Prof. Dr. Luciano Sales Prado

    Belo Horizonte

    Escola de Educao Fsica, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG

    2011

  • RESUMO

    A obesidade j considerada como uma epidemia mundial e pode ser definida como o acmulo excessivo de gordura no tecido adiposo. As principais causas dessa doena crnica so o sedentarismo e os maus hbitos alimentares. As conseqncias da obesidade so diabetes tipo 2, doenas cardacas, hipertenso, dentre outras. H dois fatores determinantes principais que resultam em um balano energtico positivo: aumento na ingesto de energia ou diminuio no gasto energtico. O gasto energtico do ser humano depende basicamente de trs componentes: a taxa metablica basal, a atividade fsica e o efeito trmico dos alimentos. A obesidade pode ser classificada como exgena, causada pela ingesto calrica excessiva, ou como endgena, causada por distrbios hormonais ou metablicos. Outra classificao existente a obesidade ginide, caracterizada pelo acmulo de gordura na regio inferior do corpo, e a obesidade andride, marcada pelo excesso de gordura na regio central do corpo. No Brasil, a obesidade apresenta uma maior prevalncia na populao mais pobre, fator que est diretamente ligado com o nvel de escolaridade, e na populao feminina. O exerccio fsico constitui o fator mais varivel no balano energtico dirio, alm de produzir adaptaes orgnicas. A prtica regular de atividade fsica traz vrios benefcios para a perda e manuteno do peso. Um conjunto de exerccios aerbicos e exerccios com peso tm sido sugeridos por estudos recentes para o emagrecimento em indivduos obesos. Essa combinao resulta em melhorias no consumo de oxignio, fora mxima, resistncia muscular localizada e manuteno da massa magra. Palavras-chave: Obesidade. Atividade fsica. Emagrecimento. Musculao.

  • SUMRIO

    1 INTRODUO........................................................................................... 5

    1.1 Justificativa................................................................................................... 10

    1.3 Objetivos.......................................................................................................... 10

    1.4 Metodologia.................................................................................................... 11

    2 REVISO DE LITERATURA..................................................................... 12

    2.1 Excesso de peso e obesidade: conceitos, tipos de acmulo de gordura,

    classificao e fatores determinantes............................................................. 12

    2.1.1 Conceitos..................................................................................................... 12

    2.1.2 Fatores determinantes................................................................................ 13

    2.1.3 Tipos de acmulo......................................................................................... 15

    2.1.4 Classificao............................................................................................... 17

    2.2 Epidemiologia do excesso de peso no Brasil................................................. 19

    2.3 Fatores de risco para o excesso de peso e implicaes na sade.................... 21

    2.4 Fisiopatologia do excesso de peso e obesidade.............................................. 24

    2.5 Benefcios gerais do treinamento fsico para a sade..................................... 26

    2.6 Benefcios do treinamento de fora................................................................ 28

    2.7 Benefcios do treinamento fsico no emagrecimento................................... 30

    2.7.1 Treinamento fsico e gasto energtico......................................................... 30

    2.7.2 Treinamento fsico e consumo de energia ps-exerccio......................... 31

    2.7.3 Treinamento fsico e taxa metablica de repouso.................................. 34

    2.7.4 Prescrio do exerccio de peso e recomendaes para o emagrecimento.. 35

    2.8 Musculao.................................................................................................... 39

    3 CONCLUSO........................................................................................... 41

    REFERNCIAS............................................................................................ 42

  • 5

    1 INTRODUO

    Desde os textos clssicos gregos, romanos e orientais, a atividade fsica tem sido

    mencionada como instrumento de recuperao, manuteno e promoo da sade. No

    entanto, s recentemente estudos epidemiolgicos com melhor delineamento

    conseguiram demonstrar com maior clareza essa associao.

    A partir da dcada de 80 o corpo passa a ser tema da moda. A identidade feminina busca

    cada vez mais uma melhor qualidade de vida para se adequar s novas exigncias do

    cotidiano moderno. Alm disso, a mulher tem aumentado a preocupao com a

    aparncia, os valores estticos e a sade. De acordo com Russo (2005) durante longo

    tempo, mulher bonita tinha forma arredondada sendo fonte de inspirao para muitos

    pintores renascentistas. Um choque muito grande para os padres do final do sculo XX

    e incio do sculo XXI.

    A busca pelo corpo perfeito est gerando excessos e preocupando profissionais da rea

    de sade e do desporto, mas por outro lado relatos vm sendo apresentados em que

    profissionais de Educao Fsica no esto estabelecendo limites a seus alunos, nem

    mesmo distinguindo uma prtica saudvel de um exerccio obsessivo (RUSSO, 2005).

    O emagrecimento apesar de ser visto ainda como uma necessidade esttica pela maioria

    das pessoas algo muito mais preocupante nos tempos atuais. O ganho do peso est

    relacionado com o desenvolvimento de doenas, o que j uma preocupao mundial

    nos anos que se seguem.

  • 6

    Porm, a atividade fsica tem se reduzido muito nas sociedades modernas,

    principalmente nos grupos de menor nvel scio-econmico. Nos pases desenvolvidos,

    a maioria das ocupaes de baixo gasto energtico e as atividades fsicas associadas ao

    lazer diferenciam os grupos mais ativos dos menos ativos. Diferentes estudos tambm

    mostram que o sedentarismo mais freqente entre as mulheres, os idosos e nos

    indivduos com menor nvel de escolaridade (CRESPO et al., 2000; MISIGOJ-

    DURAKOVIC et al., 2000 ; MMWR, 2000).

    Evidncias sugerem que grande parte da obesidade mais devida ao baixo gasto

    energtico que ao alto consumo de comida, enquanto a inatividade fsica da vida

    moderna parece ser o maior fator etiolgico do crescimento dessa doena nas

    sociedades industrializadas.

    O sculo XX marcou nitidamente um sedentarismo progressivo, que levou a

    prevalncias extremamente elevadas em todo o mundo, mesmo em pases mais

    avanados, onde alcanaria 40-60% da populao, como tambm em nosso meio, em

    que estimativas de Rego e Col (1990) apontam para ndices de aproximadamente 70%

    (69,3), sendo maior entre mulheres que em homens.

    Alm disso, uma reduo natural no gasto energtico observada com a modernizao,

    ocasionando estilo de vida mais sedentrio com transporte motorizado, equipamentos

    mecanizados que diminuem o esforo fsico de homens e mulheres tanto no trabalho

    como em casa. Atualmente poucas atividades so classificadas como muito ativas,

    enquanto h algumas dcadas atrs, vrias atividades tinham esta caracterstica.

    Alguns levantamentos mais informais realizados por algumas empresas de pesquisa de

    opinio pblica como DATA FOLHA e IBOPE tm includo o perfil de atividade fsica

    no Brasil. Em 1997, o DATA FOLHA realizou um levantamento em 98 municpios do

  • 7

    Brasil, envolvendo 2504 indivduos, encontrando uma prevalncia no Brasil de 60% de

    sedentarismo; considerado quando o interrogado no reportava qualquer prtica de

    atividade fsica.

    Tendncias contnuas de aumento da obesidade vm sendo observadas em todos os

    estratos socioeconmicos e geogrficos da populao adulta brasileira, com a exceo

    da populao feminina adulta de maior renda da Regio Sudeste do pas, onde,

    recentemente, parece ter havido declnio do problema. De fato, as tendncias de

    aumento da obesidade tm-se mostrado mais acentuadas nos estratos populacionais de

    menor renda; por outro lado, observa-se a diminuio do excesso de obesidade dos

    estratos de maior renda. No caso especfico da populao adulta feminina da Regio

    Sudeste, a prevalncia da obesidade no estrato correspondente aos 25% de menor renda

    familiar (14%) j duas vezes superior prevalncia no estrato dos 25% de maior renda

    (7%).

    Estamos em um mundo atacado por duas epidemias: a de sedentarismo e a de

    obesidade, chamado de Globesidade. Ambas correspondem conseqncias de

    mltiplos fatores. Um dos fatores responsveis pela maior prevalncia de excesso de

    peso e obesidade sem dvida o sedentarismo ou a insuficiente prtica de atividade

    fsica regular. Enquanto a obesidade, h longo tempo aceita como fator de risco

    cardiovascular, s recentemente, mais precisamente em 1992, a Organizao Mundial

    de Sade, baseada em posio da American Heart Association, passou a considerar a

    inatividade fsica como fator de risco independente (MATSUDO, S.; MATSUDO, V.,

    2007).

    O sedentarismo constitui a caracterstica primria da maioria dos indivduos com peso

    corpreo acima do normal (SALLIS et al., 1995). Este comportamento sedentrio

    parece ser um dos principais agentes causadores do excesso de gordura, como tambm,

    em contrapartida, a obesidade parece conduzir o indivduo a uma diminuio dos nveis

    de atividade fsica.

  • 8

    O crescente aumento da prevalncia de sobrepeso e obesidade observados em diferentes

    regies do mundo e em diversos segmentos sociais, no s nos pases ricos, mas

    tambm nos pases em desenvolvimento, tem causado grande preocupao entre

    autoridades sanitrias e na populao em geral (WHO, 1998).

    Estes agravos nutricionais so fatores de risco para diversas doenas ao longo da vida

    dos indivduos. Relacionam-se hipertenso arterial, hiperlipoproteinemias, doenas

    coronarianas, steoarticulares,diabetes mellitus e a alguns tipos de cncer (WHO, 1998).

    Segundo Silva (2004):

    O segredo da reduo de peso responsvel a combinao de uma dieta sensata e um programa de exerccios bem planejado. Dieta resulta apenas em uma reduo tanto da gordura quanto da massa corporal magra (MCM); adicionando exerccios seria registrado at um ganho de massa corporal magra. O efeito do exerccio sobre o tecido magro pode depender do protocolo de treinamento e grau de obesidade.

    Atravs da pesquisa recente de Rosrio e Lberali (2008), constatou-se que em relao

    ao objetivo dos indivduos que ingressam na academia, a principal busca pelas mulheres

    pelo emagrecimento (62,38 %). Ao lado da ginstica aerbica, a musculao a

    atividade que mais ganhou adeptos na ltima dcada, beneficiando-se com o avano

    tecnolgico, incorporando dezenas de equipamentos para sua prtica, a partir da dcada

    de 1970, disseminando programas com vrios objetivos para vrias faixas etrias

    (SABA, 2001).

    De acordo com Gentil (2003):

    Comprovadamente a musculao um excelente meio de reduzir o percentual de gordura, mas os benefcios no se resumem a mera diminuio no tecido adiposo. O treinamento com pesos estimular a sntese de

  • 9

    protenas musculares melhorando sua esttica e as funes do aparelho locomotor. Alm disso, os 11370469 benefcios obtidos com o uso de exerccios resistidos sero mais duradouros devido manuteno e at mesmo elevao do metabolismo de repouso, que

    parece ser relacionado com a massa muscular.

    Segundo Simo (2002) a musculao uma das melhores opes em todos os aspectos,

    desde a preveno de patologias, ganho de massa muscular, tratamento de enfermidade,

    correes e desvios posturais e reduo de gordura corporal.

    1. 1 Justificativa

    Como justificativa para a realizao desse tema, pode-se dizer que se faz de grande

    importncia que os profissionais de Educao Fsica tenham como conhecimento

    necessrio sobre como atuar em situaes que necessitam de cuidados especficos, como

    o caso dos que envolvem o emagrecimento, para assim evitar que a cliente realize um

    treinamento que no esteja de acordo com a sua estrutura corporal e seu objetivo.

    1.2 Objetivos

    O objetivo do presente estudo foi descrever a contribuio da musculao para o

    processo de emagrecimento em mulheres.

    - Discutir sobre o emagrecimento;

    - Analisar o assunto musculao;

    - Esclarecer o tipo de treinamento de musculao para o emagrecimento em mulheres.

  • 10

    1.3 Metodologia

    A reviso bibliogrfica est baseada nos livros de textos, revistas peridicas e artigos

    catalogados nas fontes secundrias: MedLine, LILACS, PubMed, Scielo e Bireme

    entre o ano de 2000 a 2010, utilizando as palavras chaves: Obesidade, Comportamento,

    Manuteno de Peso, Musculao, Atividade Fsica. A pesquisa se constitui de um

    estudo bibliogrfico sobre treinamento de musculao para o emagrecimento para

    mulheres.

  • 11

    2 REVISO DE LITERATURA

    2.1 Excesso de peso e obesidade: conceitos, tipos de acmulo de gordura, classificao e fatores determinantes

    2.1.1 Conceitos

    Existe uma confuso sobre o real significado dos termos sobrepeso e obesidade. No

    entanto as pesquisas e a discusso entre as diversas reas da sade apontam uma

    necessidade em diferenciar os termos. MCArdle et al. citado por Monteiro (2007) define

    obesidade como o acmulo excessivo de gordura corporal, sendo um distrbio

    heterogneo com uma vida comum final na qual a ingesto energtica ultrapassa

    cronicamente o gasto de energia. Para Guedes e Guedes (citado por MONTEIRO,

    2007), a obesidade considerada um acmulo excessivo de gordura no tecido adiposo,

    regionalizado ou em todo corpo, desencadeado por uma srie de fatores associados aos

    aspectos ambientais e/ou endcrino-metablicos.

    J o sobrepeso, a massa corporal que ultrapassa a mdia para estatura e talvez para

    uma determinada idade (MCARDLE et al. apud MONTEIRO, 2007, p.21). O sobrepeso

    acompanha com freqncia um aumento da gordura corporal, com exceo em atletas.

    Porm pode ou no coincidir com algumas patologias como intolerncia a glicose,

    resistncia a insulina e hipertenso. Outra definio para o sobrepeso o aumento

    excessivo da massa corporal total, o que pode ocorrer em conseqncia das

    modificaes em apenas um de seus constituintes (gordura, msculo, osso e gua) ou

    em seu conjunto (GUEDES; GUEDES apud MONTEIRO, 2007).

    Como j citado, existe uma diferena bsica entre excesso de peso e obesidade. Pode-se

    definir que na obesidade o peso corporal como um todo excede a determinados limites e

    no segundo caso a condio na qual apenas a quantidade de gordura corporal

  • 12

    ultrapassa os limites desejados. H casos em que os indivduos podem ser considerados

    pesados e no gordos pelo desenvolvimento muscular e sseo (massa magra) e no pelo

    excesso de gorduras, logo no comprometem seu estado de sade e h outros casos de

    indivduos com menor peso corporal possuir certa quantidade de gordura que

    comprometem o estado de sade devido deficincia muscular e ssea. (GUEDES;

    GUEDES apud SALVE, 2006, p.32).

    A obesidade uma doena crnica caracterizada pelo acmulo excessivo de tecido

    adiposo no organismo. Sua prevalncia vem crescendo acentuadamente nas ltimas

    dcadas e os custos com suas complicaes atingem cifras de bilhes de dlares.

    Considera-se obesidade quando, em homens, h mais do que 20% de gordura na

    composio corporal e, em mulheres, mais do que 30%. (SEGAL; FANDIO, 2002).

    Na prtica clnica, na maior parte dos estudos e na classificao da Organizao

    Mundial de Sade (OMS) utiliza-se o ndice de Massa Corporal (IMC), calculado

    dividindo-se o peso corporal, em quilogramas, pelo quadrado da altura, em metros

    quadrados (peso/ altura).

    Para o servio de sade publica dos Estados Unidos, U. S. Public Health Service, a

    obesidade se tornou uma epidemia. Sendo que aproximadamente 20% da populao

    adulta apresentam um grau de obesidade que interfere diretamente na sade e na

    expectativa de vida.

    Atualmente, 1/3 da populao possui excesso de peso, sendo que essa tendncia

    crescente nas ltimas dcadas, principalmente em idosos (WHO; MONTEIRO; GOFIN;

    ABRAMSON; EPSTEIN, citados por CABRERA; JACOBI FILHO, 2001).

  • 13

    2.1.2 Fatores determinantes

    A obesidade determinada por diversos fatores, a exemplo dos genticos, que

    determinam que a obesidade dos filhos herdada do gentipo dos pais, o estilo de vida

    inadequado, como m alimentao, problemas emocionais que alteram o funcionamento

    orgnico, baixo nvel de exerccios fsicos, fatores scio-culturais, tnicos e endgenos

    como problemas hormonais ou orgnicos. (SOUZA, 2005; MELO; TIRAPEGUI;

    RIBEIRO, 2008).

    De acordo com McArdle (2003), ainda podem ser citados uma srie de co-morbidades,

    denominada sndrome dos obesos, que esta relacionada com a obesidade: intolerncia a

    glicose, resistncia insulina, diabetes tipo 2, hipertenso, concentraes plasmticas

    elevadas de leptina, tecido adiposo visceral aumentado, maior risco de doenas

    cardiovasculares e cncer. Fatores genticos, como hereditariedade, poderiam aumentar

    o ganho de peso em indivduos obesos.

    A massa corporal pode ser visto como o resultado final da interao complexa entre os

    genes da pessoa e influncias ambientais, em vez de ser simplesmente a conseqncia

    de fatores psicolgicos que afetam os comportamentos alimentares. O arcabouo

    gentico no causa necessariamente ganho excessivo de gordura, mas na presena de

    poderosas influncias ambientais, abaixa o limite para que se desenvolva esta condio

    e contribui para variabilidade no ganho de peso entre indivduos alimentados excessos

    calricos dirios (MONTEIRO, 2007).

    Salve (2006) explica que os componentes causadores de variaes na determinao do

    peso corporal so: msculos, ossos e gorduras. As alteraes que ocorrem nesses

    componentes so devidas aos fatores de crescimento e de envelhecimento, alimentao,

    exerccio fsico e as doenas.

  • 14

    Nos fatores determinantes da obesidade, dois deles esto claramente definidos na

    explicao de um balano energtico positivo: um aumento na ingesto de energia ou

    diminuio no gasto energtico (MATSUDO, S.; MATSUDO,V., 2007).

    A inatividade fsica e a alimentao inadequada resultam balano energtico positivo, o

    que significa em ltima instncia aumento do peso corporal. A complexidade da

    regulao do peso corporal representa um dos maiores desafios para o entendimento da

    etiologia, tratamento e preveno da obesidade. (MELO; TIRAPEGUI; RIBEIRO,

    2008).

    Hill et al. (citado por MATSUDO, S.; MATSUDO,V., 2007, p. 15), explica em sua

    proposta que o incremento na gordura corporal e no IMC pode ser explicado pela

    mudana no balano energtico por diminuio no gasto, como conseqncia da

    diminuio das atividades fsicas da vida diria e aumento de comportamento

    sedentrios, assim como aumento do consumo, por conta do aumento no tamanho e na

    quantidade de gordura consumida na alimentao.

    Segundo a Associao Internacional para Estudos da Obesidade, o homem no perodo

    pr-industrial mantinha uma razo de subsistncia de 3:1 quanto ingesto calrica e

    gasto energtico. Entretanto, nos dias atuais, essa razo de subsistncia teria sido

    aumentada para 7:1, em grande parte pela reduo dramtica de atividade fsica

    (MATSUDO, S.; MATSUDO,V., 2007).

  • 15

    Matsudo, S. e Matsudo, V. (2007) ainda ressaltam que:

    [...] importante notar que essa dramtica diminuio de atividade fsica foi mais feita pela reduo da atividade moderada do que da vigorosa, sendo que das atividades moderadas di a caminhada, que mais sofrei reduo. No andamos mais para visitar amigos, para o trabalho, nem mesmo para mudar o canal de televiso. Tornamo-nos sedentrios, principalmente porque paramos de andar!

    2.1.3 Tipos de acmulos

    Segundo Monteiro (2007):

    O tecido adiposo uma forma de tecido conjuntivo composta por clulas (adipcitos) separadas umas das outras por uma matriz de fibras colgenas e de fibras elsticas. A gordura se acumula pelo preenchimento dos adipcitos existentes (hipertrofia) e por meio da formao de novas clulas adiposas (hiperplasia). O individuo normal, no obeso, aumenta suas reservas de gordura do nascimento at a maturidade mediante uma combinao entre hiperplasia e hipertrofia.

    Ribeiro (2005) explica a dinmica do tecido adiposo, afirmando que a gordura corporal

    um reservatrio de energia formado pelas clulas denominadas adipcitos,

    encontradas nos msculos, rgos e, principalmente no tecido cutneo. As clulas

    adiposas armazenam triglicerdeos quase puros (80-95% do seu volume). Estas so

    mobilizadas e, conseqentemente, renovadas, em perodos de duas e trs semanas. Os

    cidos graxos so absorvidos no intestino para a linfa (exceto os cidos graxos de cadeia

    curta), devido ao fato de suas formas qumicas estveis no permitirem a adeso s

    paredes do sistema linftico. Aps sua passagem para o sistema linftico, desguam no

    sangue venoso pelas veias jugular e subclvia e, uma hora aps uma refeio rica em

    gordura, as concentraes plasmticas dos cidos graxos podem atingir 1-2%. Sua meia-

    vida menos que 1h, sendo rapidamente hidrolisados e armazenados.

  • 16

    Ainda de acordo com Ribeiro (2005), confirmando o que j foi dito anteriormente:

    Os adipcitos podem aumentar a capacidade de estocagem de gordura (hipertrofia), como aumentar o nmero de clulas (hiperplasia). A partir de 30 kg de gordura corporal, os aumentos da adiposidade tornam-se maiores em funo do nmero de adipcitos, e no o seu tamanho.

    De acordo com Hermsdorff e Monteiro (2002) o tecido adiposo um rgo dinmico

    que secreta vrios fatores denominados adipocinas. Estas adipocinas, em sua grande

    maioria, esto relacionadas, direta ou indiretamente, a processos que contribuem na

    aterosclerose, hipertenso arterial, resistncia insulnica (RI) e diabetes tipo 2 (DM2),

    dislipidemias, ou seja, representam o elo entre adiposidade, sndrome metablica e

    doenas cardiovasculares. Dentre elas, destacam-se o fator de necrose tumoral-alfa

    (TNF-), a interleucina-6 (IL-6), o inibidor de plasminognio ativado-1 (PAI-1), a

    protena C reativa (PCR), a resistina, a protena estimulante de acilao (ASP) e os

    fatores envolvidos no sistema renina angiotensina. Na obesidade, os depsitos de

    gordura corporal esto aumentados, apresentando elevada expresso das adipocinas,

    proporcional ao maior volume das clulas adiposas.

    Hermsdorff e Monteiro (2002) explicam tambm, que alm da diferente expresso,

    conseqncia do aumento do tecido adiposo, os compartimentos deste tecido

    apresentam diferentes valores de expresso e secreo das adipocinas. De modo geral, o

    tecido adiposo visceral (TAV), o mais ativo, ou seja, mais sensvel liplise, via

    catecolaminas e - adrenorreceptores, e mais resistente ao da insulina, liberando

    maior concentrao de AGL, diretamente na veia porta. Alm disso, o TAV secreta

    maiores concentraes de adipocinas ligadas a processos pr-inflamatrios como

    resistina, angiotensina I, resistina, PAI-1, PCR, IL-6, seguido do tecido adiposo

    subcutneo abdominal (TASA) e do tecido adiposo subcutneo glteo-femural (TASG).

    Outras adipocinas como leptina e ASP so expressas em maior quantidade no TAS tanto

  • 17

    abdominal como glteo-femural, provavelmente por diferenas fisiolgicas entre os

    adipcitos do TAS e tecido adiposo abdominal (TAA).

    2.1.4 Classificao

    De acordo com Melo e Mancini (2009) a avaliao de um indivduo obeso consiste na

    verificao do grau de obesidade, na investigao etiolgica e das doenas mais

    comumente associadas obesidade. Hoje bem conhecido que no apenas o excesso

    quantitativo de gordura, mas tambm o qualitativo de gordura, na forma de gordura

    visceral ou central, ir implicar em comprometimento da sade e qualidade de vida do

    indivduo. Assim, podem-se instituir dois tipos de diagnsticos diante de um paciente

    obeso, um diagnstico quantitativo, que se refere massa corprea ou quantidade de

    tecido adiposo, e um diagnstico qualitativo, que se refere distribuio de gordura

    corporal ou presena de adiposidade visceral.

    Salve (2006) explica que a quantidade de gordura corporal dividida em gordura

    essencial e gordura de reserva, que so componentes essenciais para que o organismo

    mantenha as suas funes de equilbrio. A gordura essencial aquela encontrada na

    medula ssea, no corao, no pulmo, no bao, nos rins, nos tecidos lipdios espalhados

    por todo o sistema nervoso central. A de reserva a gordura acumulada no tecido

    adiposo. A obesidade pode ser classificada em exgena, aquela causada pela ingesto

    calrica excessiva, sendo responsvel por mais de 95% dos casos, ou endgena que tem

    como causa os distrbios hormonais e metablicos.

    Outra classificao citada por Salve (2006) seria em quatro tipos: I (tem como

    caracterstica o excesso de massa corporal total); II (excesso de gordura nas regies

    abdominal e tronco-andride) e III (excesso de gordura vscero-abdominal) e o tipo IV

    (excesso de gordura glteo femural).

  • 18

    Dessa forma Powers e Howley (2005) afirmam que alm da distribuio do tecido

    adiposo, h necessidade de determinar se a obesidade decorre de um aumento da

    quantidade de gordura em cada clula adiposa (obesidade hipertrfica), do aumento do

    nmero de clulas adiposas (obesidade hiperplsica) ou de ambos. Na obesidade

    moderada, em que a massa de tecido adiposo inferior a 30kg, parece que o aumento do

    tamanho da clula adiposa o principal meio de armazenamento de gordura adicional.

    Alm desse nvel, o nmero de clulas a varivel mais fortemente relacionada massa

    de tecido adiposo.

    Para Souza (2005) a obesidade resultado do consumo de uma quantidade de calorias

    maior que aquela que o corpo utiliza, podendo ser classificada em dois tipos:

    O tipo I a obesidade ginide que pode ser chamada de perifrica caracterizada com o acmulo de gordura na regio inferior do corpo, no quadril e nas pernas, sendo mais comum entre as mulheres e o tipo II a obesidade andride, que tambm pode ser chamada de obesidade central, pois apresenta maior acmulo de gordura na regio central do corpo, como, abdmen e tronco, tendo maior predominncia nos homens.

    Existem classificaes quanto distribuio de gordura: andride, conhecida como

    obesidade central ou em forma de ma, que o acmulo de gordura na regio do

    tronco, ou ginide, conhecida como obesidade perifrica ou em forma de pra, que o

    acmulo de gordura abaixo da cintura, na regio glteo-femural (CYRINO; NARDO,

    1996).

    A obesidade andride, central ou abdominal observada com mais freqncia em

    homens e a obesidade ginecide ou femural so comuns em mulheres o que indica o

    perfil estrognico (KIRSCHENER et al., 1990).

  • 19

    Para avaliao necessrio caracterizar o padro de obesidade: central (andride ou

    ma) ou perifrica (ginecide ou pra). O risco de doenas maior para as pessoas que

    acumulam gorduras na regio abdominal (central), ao redor das vsceras. Principalmente

    quando IMC est acima de 27 e a circunferncia da cintura for maior que 100 cm para

    homens e maior que 90 cm em mulheres, caracterizando obesidade central e aumento do

    risco de doenas cardiovasculares, diabetes e vrios tipos de cncer (NAHS, 2001).

    2.2 Epidemiologia do excesso de peso no Brasil

    De acordo com Monteiro (2007), nos pases de renda alta, a obesidade atinge

    principalmente a populao menos privilegiada; j em pases em desenvolvimento, a

    prevalncia da obesidade maior na populao de maior renda. No entanto, na

    populao brasileira, mais recentemente vem sendo observada maior ocorrncia de

    obesidade entre os mais pobres.

    Estudos transversais sobre a relao entre nvel scio-econmico dos indivduos e

    presena de obesidade so bastante freqentes nos pases desenvolvidos. A reviso

    sistemtica desses estudos indica que, nesses pases, a obesidade tende a ser mais

    freqente nos estratos da populao com menor renda, menor escolaridade e com

    ocupaes de menor prestgio social, sendo essa tendncia particularmente evidente

    entre mulheres adultas (SOBAL; STUNKARD, 1989).

    Em estudos prvios ao presente, com base em dados coletados por inquritos nacionais

    realizados no Brasil entre 1975 e 1997, evidenciamos tendncia de atenuao da relao

    positiva entre nvel de renda familiar e risco de obesidade na populao masculina e

    reverso da referida relao na populao feminina (MONTEIRO; CONDE, 1999;

    MONTEIRO et al., 2000a).

  • 20

    Aplicando tcnicas de anlise multivariada aos dados colhidos pelo inqurito realizado

    em 1997, demonstramos que o nvel de escolaridade a varivel chave que responde

    pela associao inversa atualmente encontrada no Brasil entre nvel scio-econmico e

    obesidade em mulheres (MONTEIRO et al., 2001).

    Enquanto no primeiro perodo (1975-1989), o risco de obesidade foi ascendente em

    todos os nveis de escolaridade, tendendo a ascenso a ser mxima para homens e

    mulheres com maior escolaridade, no segundo perodo (1989-1997), o aumento da

    obesidade foi mximo para indivduos sem escolaridade, registrando-se estabilidade ou

    mesmo diminuio da enfermidade nos estratos femininos de mdia ou alta

    escolaridade.

    Como resultado da tendncia recente, diminui a relao positiva entre escolaridade e

    risco de obesidade em homens e acentua-se a relao inversa que j vinha se observando

    na populao feminina.

    No Brasil, pesquisas de abrangncia nacional mostram que as prevalncias de excesso

    de peso e obesidade aumentaram na populao adulta de forma diferenciada entre os

    sexos. No perodo entre 1974-75, a obesidade entre os homens triplicou e na populao

    feminina com prevalncia mais elevada no incio do perodo, houve aumento de 50%

    em 2002-2003. Esse aumento na prevalncia de obesidade nas mulheres concentrou-se

    no perodo de 1974-75 a 1989, quando foram realizadas as duas primeiras pesquisas de

    abrangncia nacional (Estudo Nacional da Despesa Familiar e Pesquisa Nacional de

    Sade e Nutrio). Em relao ao excesso de peso, as mulheres tambm iniciaram o

    perodo com prevalncia mais elevada, mas em 2002-03 a freqncia de excesso de

    peso foi semelhante em homens e mulheres.

  • 21

    Ao analisar a evoluo dessas prevalncias em relao ao nvel socioeconmico, houve

    aumento na ocorrncia de obesidade para todas as categorias de renda entre os homens e

    somente entre as mulheres mais pobres. Por outro lado, entre indivduos de maior renda,

    houve um declnio nas prevalncias de obesidade e excesso de peso. A associao entre

    esses desfechos e menor escolaridade tambm tem sido observada em outras populaes

    de diversos pases.

    Segundo os dados do Sistema de Vigilncia de Fatores de Risco e Proteo para

    Doenas Crnicas por Inqurito Telefnico (VIGITEL, 2006), o excesso de peso mais

    prevalente entre homens e a prevalncia de obesidade foi semelhante entre homens e

    mulheres. No entanto, excesso de peso e obesidade foi mais prevalente entre mulheres

    mais velhas (55 anos ou mais). Prevalncias de excesso de peso e obesidade

    aumentaram com a idade at os 54 anos entre homens, e 64 anos entre mulheres.

    De acordo com as informaes presentes no (VIGITEL, 2006) foi possvel fazer

    associaes entre algumas variveis sociodemogrficas com excesso de peso, observou-

    se a prevalncia de excesso de peso foi 12% mais elevada entre mulheres no brancas,

    quando comparadas s brancas. Entre as mulheres, os efeitos da menor escolaridade e

    da cor da pele no branca foram maiores para obesidade do que para excesso de peso.

    Quanto varivel unio estvel, notou-se que homens e mulheres que viviam em unio

    estvel tiveram maior chance de apresentar excesso de peso.

    2.3 Fatores de risco para o excesso de peso e implicaes na sade

    De acordo com Ades e Kerbauy (2002):

    A obesidade atualmente assunto de interesse universal. considerada uma doena crnica, multifatorial, caracterizada pelo acmulo excessivo de tecido adiposo no organismo. fator de risco para patologias graves, como a diabetes, doenas cardiovasculares, hipertenso, distrbios reprodutivos em mulheres, alguns tipos de cncer e problemas respiratrios. A obesidade pode ser causa de

  • 22

    sofrimento, depresso e de comportamentos de esquiva social, que prejudicam a qualidade de vida.

    Terres et al. (2006) afirmam que as conseqncias da obesidade tm sido relatadas em

    diversos trabalhos. O excesso de gordura sade de adultos tem-se associado maior

    ocorrncia de Diabetes Mellitus, hipertenso, ao aumento do triglicerdeo e do

    colesterol. Em crianas e adolescentes, essa patologia se associa ao aparecimento

    precoce de doenas cardiovasculares, Diabetes Mellitus tipo 2, problemas psicolgicos,

    alm de comprometer a postura e causar alteraes no aparelho locomotor, e trazer

    desvantagens socioeconmicas na vida adulta.

    Melo e Mancini (2009) explicam que a obesidade est implicada como fator

    desencadeante ou agravante de doenas em praticamente todos os sistemas orgnicos,

    sendo j bem conhecida sua associao com diabetes mellitus tipo 2 (como citado

    anteriormente, dislipidemia, doenas cardio e cerebrovascular, alteraes da coagulao,

    doenas articulares degenerativas, neoplasias, esteatose heptica, apneia do sono etc).

    Em pacientes com obesidade mrbida tais doenas tm maior risco, com aumento

    significativo da mortalidade (250% em relao a pacientes no obesos). Esses dados,

    evidenciados em vrios estudos ao longo dos ltimos anos, levaram a uma modificao

    na atitude mdica em relao ao indivduo obeso, sendo os cuidados com a preveno e

    o tratamento da obesidade mandatrios na boa prtica mdica moderna.

    Ainda de acordo com Melo e Mancini (2009) a obesidade aumenta o risco de

    neoplasias, particularmente neoplasia de mama, de endomtrio, de vescula biliar e de

    prstata. O excesso de peso desencadeia e agrava leses articulares degenerativas.

    Mulheres obesas tm maior chance de apresentar infertilidade, doena hipertensiva

    especfica da gravidez e diabetes gestacional. Alteraes psicolgicas podem ser

    encontradas em obesos com maior frequncia que na populao em geral. Alm dessas,

    os transtornos alimentares, como bulimia nervosa e distrbio do comer compulsivo

    (binge eating disorder), podem ser identificados em alguns casos.

  • 23

    A obesidade apontada como um dos principais fatores de risco para a hipertenso

    arterial (HA), em adultos e crianas. Estudos em animais e humanos demonstraram o

    potencial do ganho de peso de elevar a presso arterial. Estudos epidemiolgicos

    relatam aumentos de trs a oito vezes na freqncia de HA entre indivduos obesos.

    Considerando a populao hipertensa,a prevalncia de obesidade consideravelmente

    maior quando comparada aos normotensos. No estudo de Framingham, 70% dos casos

    de HA em homens e 61% nas mulheres puderam ser atribudos diretamente ao excesso

    de adiposidade.

    A co-morbidade da hipertenso arterial associada obesidade, que, com o diabetes

    mellitus, a dislipidemia e a doena vascular aterosclertica, integram a denominada

    sndrome metablica, tendo como ela a resistncia insulina. Essa condio tem sido

    definida como o estado no qual existe uma menor captao tecidual de glicose em

    resposta ao estmulo insulnico, freqentemente acompanhado de uma elevao

    compensatria dos nveis circulantes da insulina. Particularmente, a distribuio

    abdominal da gordura tem sido implicada na deteriorao da sensibilidade tecidual

    insulina e da tolerncia glicose e na elevao da presso arterial. H informaes

    sobre a associao de HA, a intolerncia glicose e a dislipidemia obesidade, assim

    como seu impacto sobre a morbidade e mortalidade cardiovascular.

    Matsudo, S. e Matsudo, V. (2007) consideram que o mundo de hoje atacado por duas

    epidemias: a de sedentarismo e a da obesidade, chamada de Globesidade e, explicam

    que ambas correspondem a conseqncia de mltiplos fatores:

    Enquanto a obesidade, h longo tempo, aceita como fator de risco cardiovascular, s recentemente, mais precisamente em 1992, a Organizao Mundial de Sade, baseada em posio da American Heart Association, passou a considerar a inatividade fsica como fator de risco independente. Essa inexplicvel demora para que as autoridades de sade reconhecessem o impacto do sedentarismo sobre a sade pode explicar em boa parte o porqu dessa epidemia de sedentarismo. importante notar que alm do sedentarismo ser umas das causas das enfermidades crnicas, como diabetes, hipertenso, hipercolesterolemia, osteoporose, depresso e evidentemente obesidade, tambm uma causa independente de morte. Relatrio

  • 24

    recente da OMS apontou que a inatividade fsica seria responsvel por 2 milhes de mortes por ano no mundo.

    2.4 Fisiopatologia do excesso de peso e obesidade

    A compreenso dos fatores que influenciam o balano energtico de fundamental

    importncia para o entendimento da regulao da massa corporal. O balano energtico

    determinado de um lado pelo consumo e de outro pelo dispndio de energia. Quando

    em desequilbrio, tais fatores podem levar a um acmulo ou reduo excessivos de

    energia armazenada endogenamente como gordura corporal. Mais freqentemente,

    entretanto, a obesidade o resultado mais comum do desequilbrio entre ingesto e

    gasto energtico (MEIRELLES; GOMES, 2004).

    As pesquisas sobre a fisiopatologia da obesidade geralmente seguem duas linhas de

    abordagem: a linha fisiolgico-bioquimica, em que so estudadas as variaes no

    balano energtico; e a linha de biologia molecular, em que so isolados genes

    especficos que controlam os diferentes fatores determinantes deste balano energtico.

    Todavia, casos de obesidade humana caracterizados por esta herana monognica so

    raros. A determinao polignica da obesidade decorrente de alteraes que

    influenciam diversos fatores, como taxa metablica, apetite, taxa de crescimento, que,

    por fim, desencadeiam o quadro de obesidade. Estas predisposies genticas para o

    desenvolvimento da obesidade atravs de dietas com alta densidade energtica so um

    modelo mais realista e apropriado para o estudo da obesidade humana do que a

    alterao de um nico gene.

    As causas da obesidade esto ligadas excessiva ingesto de energia, ao reduzido gasto

    ou a alteraes na regulao deste balano energtico. O que resulta em um distrbio do

  • 25

    metabolismo energtico em que ocorre um armazenamento excessivo de energia, sob a

    forma de triglicrides, no tecido adiposo.

    De acordo com Jebb (1999), a obesidade no uma doena singular, e sim um grupo

    heterogneo de condies com mltiplas causas que, em ltima anlise, refletem no

    fentipo obeso. O balano energtico positivo, que ocorre quando o valor calrico

    ingerido superior ao gasto, um importante contribuidor para o desenvolvimento da

    obesidade, promovendo aumento nos estoques de energia e peso corporal. O incio da

    manuteno de um balano calrico positivo relativo s necessidades do organismo

    pode ser conseqncia tanto de aumento na ingesto calrica, como na reduo no total

    calrico gasto, ou os dois fatores combinados.

    A literatura indica que no s os totais de energia ingerida e gasta regulam a quantidade

    dos estoques corporais, como proposto por Flatt (44,45) e aceito por muitos autores. O

    balano de cada macronutriente parece possuir um rigoroso controle para ajustar seu

    consumo com sua oxidao (e vice-versa) e manter um estado de equilbrio. Flatt (44)

    afirma que o balano de nitrognio e de carboidratos facilitado pela capacidade do

    organismo em ajustar as taxas de oxidao de aminocidos e de glicose,

    respectivamente, em relao aos seus consumos alimentares.

    No caso das gorduras, esse ajuste bem menos preciso e o aumento no seu consumo

    no estimula proporcionalmente a sua oxidao. Alm disso, a eficincia com que o

    lipdio da dieta estocado como gordura corporal alta, cerca de 96%. O aumento na

    ingesto lipdica induzir ao balano lipdico positivo e, conseqentemente, ao acmulo

    na massa adiposa corporal.

  • 26

    2.5 Benefcios gerais do treinamento fsico para a sade

    A atividade fsica pode ser definida como os movimentos corpreos produzidos pelos

    msculos esquelticos que resultam em gasto energtico. Segundo Bouchard et al. (

    1993), 15 % a 40 % do gasto energtico total e mais de 50 % da variao de gasto

    energtico entre populaes Willett (1998 ), associa-se atividade fsica.

    J Segundo Powers e Howley (2000), a atividade fsica constitui a parte mais varivel

    do lado do gasto energtico, representando de 5% a 40% do gasto calrico total dirio.

    A combinao de exerccio fsico com restrio calrica representa um meio flexvel e

    efetivo de conseguir uma reduo ponderal. O exerccio melhora a mobilizao e o

    catabolismo de gorduras, acelerando a perda de gordura corporal.

    O exerccio fsico requer um grande ajuste metablico para aumentar o suprimento de

    oxignio e combustvel na realizao do trabalho muscular, causando, dessa forma,

    aumentos significativos de energia acima dos valores de repouso. Assim, o exerccio

    fsico pode ser considerado o mais poderoso desafio fisiolgico para a sade do corpo

    humano.

    Outro motivo que incentiva a incluso da atividade fsica em programas de reduo de

    peso est em que a atividade fsica o efeito mais varivel do gasto energtico dirio,

    pelo que a maioria das pessoas consegue gerar taxas metablicas que so 10 vezes

    maiores que os seus valores em repouso durante exerccios com participao de grandes

    grupos musculares, como caminhadas rpidas, corridas e natao. Atletas que treinam

    de trs a quatro horas dirias podem aumentar o gasto energtico dirio em quase 100%.

    Em circunstncias normais, a atividade fsica responsvel por entre 15 e 30% do gasto

    energtico dirio.

  • 27

    A atividade fsica qualquer atividade que proporcione gasto calrico maiores que os

    de repouso, e um dos fatores para aumentar o gasto calrico mais modificvel, j que

    podemos manipular a intensidade, volume, freqncia e durao, alm de se verificar

    que as diversas modalidades de atividade fsica possuem um gasto calrico um tanto

    quanto diferenciado entre elas. Levando em considerao a taxa de consumo de

    oxignio, atravs da medida de taxa metablica de repouso (MET), verificada a

    variao de dispndio energtico em algumas atividades, ou seja, quanto mais intensa

    for a atividade mais oxignio ser consumido e maior ser o gasto energtico. Deve-se

    tambm levar em considerao que a freqncia e a continuidade da prtica da atividade

    fsica so fatores importantes para promover adaptaes orgnicas. (ELIAS et al.,

    2007).

    So vrias as contribuies da atividade fsica para o obeso como, por exemplo, um

    possvel aumento da taxa metablica de repouso por um aumento da massa muscular

    isenta de gordura, aumento do colesterol HDL e diminuio do LDL, aumento do

    consumo de oxignio, aumento da capilarizao dos tecidos ativos, aumento da

    utilizao de cidos graxo pelo tecido muscular, aumento da sensibilidade insulina

    tendo efeitos maiores quando realizada de forma crnica (ELIAS et al., 2007).

    Ainda podem ser citados como provveis benefcios para a perda e manuteno do peso:

    o aumento do gasto dirio de energia, a reduo do apetite, o aumento da massa

    muscular, alm dos positivos efeitos psicolgicos.

    2.6 Benefcios do treinamento de fora

    De acordo com Weineck (1999), sob o termo fora geral entende-se a fora de todos os

    grupos musculares independente de um esporte. Sob o termo fora especifica entende-se

    a fora empregada em uma determinada modalidade esportiva, isto , a fora

  • 28

    desenvolvida por um determinado grupo de msculos para desenvolver um determinado

    movimento em uma modalidade esportiva.

    Ainda segundo Weineck (1999), a fora no faz parte de uma modalidade esportiva de

    uma forma abstrata, mas sempre em combinao com outros fatores determinantes do

    desempenho.

    O treinamento de fora consiste em um mtodo de treinamento que envolve a ao

    voluntria do msculo esqueltico contra alguma forma externa de resistncia, que pode

    ser provida pelo corpo, pesos livres ou mquinas (WINETT; CARPINELLI, 2001). Este

    vem sendo bastante estudado por pesquisadores e apontado como um excelente

    treinamento no aprimoramento da qualidade de vida de seus praticantes, podendo

    contribuir em melhora nas mais diversas patologias. (FLECK; KRAEMER, 2006;

    ACSM, 2002; WINETT; CARPPINELLI, 2001).

    Os exerccios de fora podem produzir mudanas na composio corporal, no

    desempenho motor, na fora muscular e na esttica corporal (FLECK; KRAEMER,

    2006), sendo um componente atual importante nos programas de treinamento para a

    sade pblica (WINNET; CARPINELLI, 2001), onde a principal capacidade fsica

    treinada a fora muscular (GUEDES JR., 2003).

    Segundo Fleck (2006), o treinamento de fora, tambm conhecido como treinamento

    contra resistncia ou treinamento com pesos, tornou-se uma das formas mais populares

    de exerccio para melhorar a aptido fsica de um individuo e para o condicionamento

    de atletas. Este tipo de treinamento tem sido utilizado para descrever um tipo de

    exerccio que exige a musculatura do corpo promova movimentos contra a oposio de

    uma fora geralmente exercida por algum tipo de equipamento.

  • 29

    De acordo com este autor um programa de treinamento de fora bem elaborado e

    consistentemente desenvolvido pode produzir vrios benefcios: aumento da fora,

    aumento da massa magra, diminuio da gordura corpora e melhoria do desempenho

    fsico em atividades esportivas e da vida diria.

    De acordo com Bean (1999), o treinamento de fora traz benefcios sade e

    condicionamento fsicos dos indivduos, melhorando a aparncia fsica, a simetria, a

    fora e o bem-estar. Podem ser citados como benefcios: o aumento da massa muscular

    e da fora, o fortalecimento de ligamentos e tendes, aumento da densidade ssea, o

    aumento da taxa metablica, a reduo da gordura corporal, reduo da presso

    sangunea, a melhora da aparncia e do bem-estar psicolgico.

    O treinamento de fora tem demonstrado ser efetivo na melhoria de vrias capacidades

    funcionais, bem como o aumento da massa muscular (ACSM, 1998, 2002; POLLOCK

    et al., 2000; FLETCHER et al., 2001). Assim, o ACSM (2002) preconiza que o

    treinamento de fora, desenvolve respostas benficas tanto para esttica, sade e

    reabilitao. Durante o treinamento de fora, para que ocorra resposta aos estmulos, os

    msculos respondem atravs da ao neural. A adaptao neural torna-se predominante

    durante as fases iniciais do treinamento de fora (MORITANI; DEVRIES, 1979). Em

    que as fases intermedirias e avanadas do treinamento de fora, passam a ser

    prioridade as adaptaes musculares, ou seja, fatores hipertrficos (MORITANI;

    DEVRIES, 1979), reduzindo a ao neural, em relao ao incio do treinamento.

    O treinamento da fora conduz s adaptaes neurais e estruturais no sistema

    neuromuscular (HAKKINEN, 1994; ENOKA, 1997; FLECK et al, 1996; MCCOMAS,

    1994). A fora caracterizada pela habilidade do sistema nervoso de ativar os msculos

    envolvidos em movimentos especficos. O controle neural destes msculos, durante

    exerccios de treinamento de fora, pode ser muito intrnsica. Em conseqncia, os

    ganhos de fora, originam-se dentro do sistema nervoso pelo fato da ocorrncia das

  • 30

    adaptaes neurais (MORITANI; DEVRIES, 1979; ENOKA, 1997; MCCOMAS, 1994;

    CARROLL et al, 2001). A adaptao neural um conceito que, freqentemente, pode

    ser mal entendido e negligenciado ao projetar programas de treinamento. Quando um

    indivduo comea primeiramente a treinar, a adaptao preliminar que experimentar

    ser a neurolgica. Enoka (1988) discute que os ganhos da fora podem ser conseguidos

    sem mudanas estruturais no tamanho do msculo, mas no sem a ocorrncia das

    adaptaes neurais. O aumento inicial na fora muscular ocorre mais rapidamente do

    que hipertrofia muscular, relacionando-se ao aprendizado motor (MORITANI, 1992;

    CARROLL et al, 2001).

    2.7 Benefcios do treinamento fsico no emagrecimento

    2.7.1 Treinamento fsico e gasto energtico

    O gasto energtico dirio do ser humano depende basicamente de trs fatores: da taxa

    metablica basal (60- 75%), da atividade fsica (15-30%) e do efeito trmico dos

    alimentos (7-13%). A taxa metablica basal depende principalmente da idade; do

    gnero e da composio corporal (gordura corporal e massa magra). J o dispndio

    energtico com a atividade fsica responde pelo maior efeito sobre o gasto energtico

    dirio, dependendo fundamentalmente da durao e intensidade. A atividade fsica

    aumenta o gasto energtico diretamente, mas tambm afeta uma srie de hormnios que

    controlam a taxa metablica e a fome. Assim o exerccio tem o potencial de influenciar

    os dois lados da equao do balano energtico: a ingesto e o gasto de energia.

    (MATSUDO, S.; MATSUDO,V., 2007).

    O gasto energtico total (GET) composto de trs componentes: metabolismo de

    repouso, termognese induzida pela dieta e atividade fsica. O metabolismo de repouso

    afetado pelo sexo, idade, estado nutricional e endcrino, e pela composio corporal.

    A atividade fsica o componente mais varivel do GET, podendo ser aumentada em

    dez vezes em relao taxa metablica de repouso10.

  • 31

    O TF capaz de promover modificaes agudas e crnicas no GET. As modificaes

    agudas so aquelas do prprio custo energtico para a realizao de atividade e na fase

    de recuperao. Os efeitos crnicos so proporcionados por alteraes na taxa

    metablica de repouso. O fator altamente responsvel pela modificao da taxa

    metablica de repouso o ganho de massa magra.

    O componente mais varivel do gasto energtico total o efeito termognico da

    atividade fsica. Voluntariamente ele pode ser aumentado atravs da prtica de

    exerccios fsicos, o que auxilia na produo de um balano energtico negativo quando

    a ingesto alimentar tambm controlada (BALLOR et al. apud MEIRELLES;

    GOMES, 2004, p.123)

    De acordo com Souza (2005) os exerccios fsicos tero a funo de aumentar o gasto

    energtico levando ao desequilbrio calrico negativo ou a manuteno do metabolismo

    basal o que contribui para a perda de peso corporal. Durante o exerccio fsico, as fontes

    de energia so mobilizadas e tendem a liberar glucagon, cortisol, testosterona e

    hormnio de crescimento. Aps o exerccio intenso, a secreo de hormnio continua

    aumentando o que benfico para manuteno e construo da massa muscular. Tal

    efeito anablico possibilita a diminuio da ao da insulina e faz dificultar o

    armazenamento de lipdeos nas clulas adiposas.

    2.7.2 Treinamento fsico e consumo de energia ps-exerccio

    Os principais fatores que os levariam a contribuir com a reduo do peso seriam a

    manuteno da taxa metablica de repouso, atravs da manuteno da massa muscular e

    o aumento no consumo de energia ps-exerccio (EPOC, excess postexercise

    consumption). Aps o exerccio, o consumo de oxignio permanece acima dos nveis de

    repouso por um determinado perodo de tempo, denotando maior gasto energtico

  • 32

    durante este perodo (MEIRELLES; GOMES, 2004), acarretando em um aumento no

    gasto calrico dirio, porm, as pesquisas sobre o assunto so muito contraditrias

    (GUEDES JR., 2003).

    Segundo Melby et al. (1998, p.14), a atividade contra-resistncia pode causar maior

    impacto sobre o EPOC durante o perodo de recuperao devido a um componente curto

    relacionado com a restaurao dos estoques de ATP e fosfocreatina muscular, ao

    restabelecimento do estoque de oxignio sangneo e muscular, aos danos teciduais, ao

    aumento da FC e temperatura, remoo de lactato e alta atividade do sistema

    nervoso simptico. O componente longo est relacionado magnitude de ativao do

    metabolismo anaerbico durante o exerccio e liberao de hormnio do crescimento e

    cortisona.

    Ainda, ao falar de dispndio energtico da atividade fsica, deve-se considerar o custo

    envolvido no retorno homeostase, que pode ser observado pelo consumo de oxignio

    em excesso ps-exerccio (EPOC - excess postexercise oxygen consumption). Nos dias

    de hoje, passou-se a dar mais importncia intensidade do exerccio, por aumentar o

    gasto energtico durante a recuperao do organismo, totalizando um maior gasto

    calrico durante as 24 horas do dia para o indivduo, facilitando a perda de peso

    (DIONNE; TREMBLAY, 2003), alm de ser mais eficiente na melhora do

    condicionamento fsico (FERNANDEZ, et al., 2004). Neste caso, a prtica da

    musculao, parece ser um mtodo de treinamento eficiente, tendo o intuito de

    fortalecer os msculos esquelticos e assim diminuir o risco de leses por impacto, bem

    como aumentar o gasto calrico (GUEDES; GUEDES, 1998).

    No que diz respeito ao efeito agudo, est bem estabelecido que, aps o trmino do

    exerccio, o consumo de oxignio no retorna aos valores de repouso imediatamente.

    Essa demanda energtica durante o perodo de recuperao aps o exerccio conhecida

    como consumo excessivo de oxignio aps o exerccio, ou ainda, excess posterxercise

    oxygen consumption EPOC (GAESSER apud FOREAUX et al., 2006, p. 394)

  • 33

    O excesso de consumo de oxignio aps o exerccio consiste em um componente rpido

    e um componente prolongado. O componente rpido do EPOC ocorre dentro de 1h.

    Embora a causa precisa dessas respostas no esteja bem esclarecida, provvel que

    esses fatores contribuam para: a ressntese de ATP/CP, redistribuio comportamental

    dos ons (aumento na atividade da bomba de sdio e potssio), remoo do lactato,

    restaurao do dano tecidual, assim como restaurao do aumento da FC e do aumento

    da temperatura corporal. Durante o componente prolongado, processos para o retorno da

    homeostase fisiolgica ocorrem continuamente, porm em um nvel mais baixo. Esses

    processos podem incluir o ciclo de Krebs com maior utilizao de cidos graxos livres;

    efeitos de vrios hormnios, como o cortisol, insulina, ACTH, hormnios da tireide e

    GH; ressntese de hemoglobina e mioglobina; aumento da atividade simptica; aumento

    da respirao mitocondrial pelo aumento da concentrao de norepinefrina; ressntese

    de glicognio, aumento da temperatura. (FOUREAUX et al., 2006).

    Aps o exerccio, o consumo de oxignio permanece acima dos nveis de repouso por

    um determinado perodo de tempo, denotando maior gasto energtico durante este

    perodo Meirelles e Gomes (2004) acarretando em um aumento no gasto calrico dirio.

    Alguns estudos demonstram que em mdia o tempo em que o EPOC se mantm alto

    pode ser em torno de 60 a 90 minutos aps o trmino do treinamento e que basicamente

    depender da intensidade e de curtos intervalos de recuperao (BINZEN et al., 2001).

    Dois fatores tm sido atribudos ao fato de o exerccio de fora contnua produzir maior

    EPOC conforme alguns pesquisadores Kraemer (1990, 1992). O primeiro fator refere-se

    s respostas hormonais que podem alterar o metabolismo, relacionando especificamente

    as catecolaminas cortisol e GH. O segundo refere-se ao dano tecidual acompanhado do

    estmulo para a hipertrofia tecidual, pois a sntese de protena diminuda durante o

    exerccio em si, mas aps o exerccio existe um fenmeno compensatrio, em que se

    denomina turnover protico (renovao das protenas).

  • 34

    Poehlman et al. (citado por FOUREAUX et al., 2006) analisaram o efeito do

    treinamento aerbio e resistido em mulheres obesas; entretanto, no observaram o

    consumo de oxignio aps o exerccio. Esse fato deixa evidente a importncia de novos

    estudos que analisem o EPOC nessa populao especfica. Esses autores, ainda

    mencionam outro aspecto relevante ao contexto dos obesos: a TMR foi mensurada 10

    dias aps os seis meses de treinamento e no houve mudanas crnicas significativas

    em nenhum dos grupos.

    2.7.3 Treinamento fsico e taxa metablica de repouso

    A taxa metablica de repouso (TMR) corresponde quantidade de energia necessria

    para manter a funcionalidade dos rgos e sistemas do organismo, e a temperatura

    corporal constante. Normalmente, 60-75% das calorias gastas diariamente so

    decorrentes desta funo (PHOEHLMAN; MELBY apud MONTEIRO, 2007, p.41). A

    TMR est relacionada ao tamanho do indivduo, portanto, a massa magra tem grande

    importncia nesse componente do gasto dirio. Este conceito pode justificar as

    tentativas em explicar a reduo da gordura corporal por meio do aumento da massa

    magra.

    A TMR influenciada tambm pela superfcie de rea corprea, pela massa de gordura,

    pela idade, pelo sexo e pelos fatores genticos. Uma TMR baixa um grande indicativo

    como fator de risco para ganho de peso. (RODRIGUES et al., 2008).

    Para Campos (2004) cada tipo de tecido possui um gasto energtico diferente, o que

    influencia diretamente no metabolismo de repouso. O crebro, por exemplo,

    corresponde cerca de 16% da produo de calor basal, j a pele e os msculos gastam

    em mdia 25%, os rgos abdominais e torcicos contribuem com 56% e, a gordura, o

    tecido menos metabolicamente ativo, dessa forma, podemos entender que gordura em

  • 35

    grande quantidade, tende a diminuir o metabolismo de repouso, fazendo com que o

    individuo acumule ainda mais, entrando ento, em um crculo vicioso.

    A atividade fsica compreende todo o gasto calrico acima da TMR relacionado

    movimentao voluntria dos msculos. Este o componente do gasto calrico dirio

    que mais varia entre os indivduos (MONTEIRO, 2007).

    O gasto energtico dirio composto de trs grandes componentes: taxa metablica de

    repouso (TMR), efeito trmico da atividade fsica e efeito trmico da comida (ETC). A

    TMR, que o custo energtico para manter os sistemas funcionando no repouso, o

    maior componente do gasto energtico dirio (60 a 80% do total). O tratamento da

    obesidade apenas atravs de restrio calrica pela dieta leva a uma diminuio da TMR

    (atravs de diminuio de massa muscular) e do ETC, o que leva reduo ou

    manuteno na perda de peso e tendncia de retorno ao peso inicial, apesar da restrio

    calrica contnua, contribuindo para uma pobre eficcia de longo perodo dessa

    interveno. No entanto, a combinao de restrio calrica com exerccio fsico ajuda a

    manter a TMR, melhorando os resultados de programas de reduo de peso de longo

    perodo. Isso ocorre porque o exerccio fsico eleva a TMR aps a sua realizao, pelo

    aumento da oxidao de substratos, nveis de catecolaminas e estimulao de sntese

    protica. Esse efeito do exerccio na TMR pode durar de trs horas a trs dias,

    dependendo do tipo, intensidade e durao do exerccio.

    2.7.4 Prescrio do exerccio de peso e recomendaes para o emagrecimento

    Como em qualquer outro grupo de indivduos ao qual se vai recomendar atividade fsica

    regular, a prescrio de exerccios para mulheres deve considerar condicionamento

    cardiorrespiratrio, endurance e fora musculares, composio corporal e flexibilidade.

  • 36

    Uma adequada prescrio de exerccios para mulheres deve ser capaz de reduzir os

    efeitos deletrios do sedentarismo. Para assegurar a melhor relao risco/benefcio a

    prtica regular de exerccios deve obedecer a determinados fundamentos. Modalidade,

    durao, freqncia, intensidade e modo de progresso so os principais parmetros a

    serem observados.

    A escolha da modalidade de exerccio fsico pode acarretar em resultados diferentes em

    relao ao impacto sobre o balano de energia. O gasto calrico depende do tipo de

    atividade fsica escolhida. Outras variveis que podem modificar o gasto de energia so

    a intensidade do exerccio, o grupo muscular utilizado e a variao da motivao

    envolvida.

    Tambm ocorrem diferenas na predisposio dos indivduos, dependendo do tipo de

    fibra muscular e caractersticas metablicas. As pessoas obesas geralmente possuem

    uma capacidade oxidativa menor, por terem uma proporo maior de fibras tipo IIb (

    fibras rpidas). Essa diferena na capacidade muscular oxidativa pode influenciar nos

    nveis de percepo de fadiga, pois a troca de oxignio pode tornar-se mais lenta

    durante o exerccio e este custo excessivo de oxignio pode predispor o individuo a ser

    fisicamente menos ativo.

    Muitos estudos tm sugerido um trabalho conjunto de exerccios aerbios e exerccios

    com peso como o ideal para o emagrecimento em indivduos obesos. Alm de melhorar

    significativamente o consumo de oxignio, fora mxima, resistncia muscular

    localizada e manuteno da massa magra.

    Em adultos, o ACSM (2001) recomenda que o treinamento de fora acompanhe o

    treinamento aerbio em indivduos acima do peso e obesos, pois, alm de todos os

    benefcios para a composio corporal, a TMB e a sade em geral, ele aumenta a fora e

  • 37

    a resistncia muscular. A fora e a resistncia muscular so importantes para indivduos

    obesos, pois possibilitam um estilo de vida mais ativo, j que viabilizam a realizao

    das tarefas funcionais dirias, como, por exemplo, levantar da cadeira, carregar compras

    e sustentar seu prprio peso corporal.

    As recomendaes atuais segundo ACSM (2001) incluem a realizao, inicialmente, de

    30 minutos de atividade fsica, preferencialmente todos os dias, ou um gasto energtico

    semanal de 1000 kcal, progredindo para um gasto energtico superior a 2000 kcal

    semanais.

    O ACSM (2001) ainda no posicionamento sobre emagrecimento incluiu a musculao

    entre as recomendaes propostas com o objetivo de melhorar a capacidade funcional

    pelo aumento da fora e potncia muscular, alm de aumentar o gasto energtico dirio.

    O ACSM (1998) preconiza o treinamento de fora (TF) ou contra-resistncia, ou

    treinamento resistivo com certas restries, para pessoas com hipertenso arterial,

    doena vascular perifrica, diabetes mellitus, obesidade ou outras condies

    comrbidas. No caso da obesidade, defende que o TF um coadjuvante valioso no

    treinamento aerbico. O TF promove aumento da fora e resistncia muscular

    localizada, podendo, com isso, melhorar a execuo das tarefas da vida diria.

    Para efetivar o programa de emagrecimento dentro do treinamento de fora, pode-se

    aplicar o mtodo de treinamento em circuito, alterando o volume do treinamento,

    aumentando a durao da sesso e ativando mais o sistema aerbio, acarretando em um

    maior gasto energtico durante o exerccio, porm ainda dentro das caractersticas dos

    exerccios de fora (FLECK; KRAEMER, 2006).

  • 38

    O mtodo de treinamento em circuito por ser um programa de condicionamento fsico

    mais generalizado, pode ser bastante til para os indivduos com sobrepeso e obesidade,

    que geralmente so pessoas sedentrias e no necessitam de uma aptido fsica

    especifica (ACSM, 2000b). Como indivduos sedentrios, normalmente, no gostam de

    atividade fsica, por isso no a praticam, o circuito mostra uma grande motivao aos

    seus praticantes, melhorando a aderncia ao seu programa. Motivao dada grande

    variedade na montagem e pelo ambiente social em que praticado (DANTAS;

    GUEDES JR.; TUBINO; MOREIRA, 2003).

    De acordo com Souza (2005) estudos evidenciam que a prescrio de exerccio deve

    basear-se numa baixa intensidade e em durao mais longa, at que o indivduo possa

    adaptar-se e passar ao estgio das atividades mais intensas. Tais procedimentos

    possibilitam uma menor durao das sesses e um gasto energtico desejado em menor

    nmero de sesses semanais.

    O excesso de peso corporal ou mesmo a velhice faz com que a prescrio de exerccios

    fsicos seja direcionada para atividades leves a moderadas, no sentido de minimizar

    certos riscos sade em conseqncia das debilidades steo-musculares comuns em tais

    pessoas. Neste sentido, os exerccios aerbicos a exemplo das caminhadas e corridas

    leves so as mais utilizadas em programas para o controle de peso corporal, j que tais

    exerccios proporcionam resultados eficientes e com baixo risco sade (SOUZA,

    2005).

    Embora a maioria dos estudos tenha examinado o efeito do exerccio aerbio sobre a

    perda de peso, a incluso do exerccio resistido (musculao) mostra vantagens. O

    exerccio resistido um potente estmulo para aumentar a massa, fora e potncia

    muscular, podendo ajudar a preservar a musculatura, que tende a diminuir devido

    dieta, maximizando a reduo de gordura corporal. Alm disso, seu potencial em

    melhorar a fora e resistncia muscular pode ser especialmente benfico para as tarefas

  • 39

    do cotidiano, podendo facilitar a adoo de um estilo de vida mais ativo em indivduos

    obesos sedentrios. A ACSM (2001) stand position on the appropriate intervention

    strategies for weight loss and prevention of weight regain for adults.

    Para se efetivar um programa de emagrecimento dentro do treinamento de resistncia

    muscular localizada, pode-se aplicar o mtodo de treinamento em circuito, alterando o

    volume do treinamento, aumentando a durao da sesso e ativando com maior

    significncia o sistema aerbico, acarretando em um maior gasto energtico durante o

    exerccio, porm ainda dentro das caractersticas dos exerccios de fora (FLECK;

    KRAEMER, 2006).

    Hoje em dia h muitas discusses acerca de qual seria o tipo de treinamento que mais

    auxiliaria no processo de emagrecimento. Entre as possibilidades, est o treinamento

    circuitado que caracterizado por ser uma seqncia de exerccios, tambm chamado de

    estaes, executados um aps o outro, com o mnimo de intervalo entre os mesmos

    (FLECK; KRAEMER, citados por GUILHERME; SOUZA, 2006), que por ser um

    programa de treinamento mais generalizado, pode ser bastante til para pessoas com

    sobrepeso e obesidade (ACSM, citado por GUILHERME; SOUZA, 2006).

    2.8 Musculao

    Segundo Chagas e Lima (2008), a musculao um tipo de treinamento que se

    caracteriza pela utilizao de pesos e cargas, que tm como objetivo oferecer alguma

    carga mecnica em oposio ao movimento dos segmentos corporais. O objetivo

    predominante da musculao o treinamento da fora muscular, a partir de um

    treinamento sistematizado.

  • 40

    O exerccio contra-resistncia tambm pode ser realizado utilizando diversos modos de

    sobrecarga, como pesos, mquinas especficas, elsticos, massa corporal ou outra forma

    de equipamento que contribua para o desenvolvimento da fora, potncia ou resistncia

    muscular (CONLEY; ROZENEK, 2001).

    De acordo com Chagas e Lima (2008), para a prescrio de um programa de

    treinamento necessrio determinar as adaptaes fisiolgicas esperadas em funo da

    configurao desse programa. Segundo Zakharov (1992), a carga de treinamento

    estimulo capaz de provocar adaptaes no organismo, sendo definida atravs dos

    componentes de volume, intensidade, freqncia (WERNBOM; AUGUSTSSON;

    THOME, 2007), densidade e durao (EHLENZ; GROSSER; ZOMMERMANN,

    1998; WEINECK, 1999).

    Segundo Grosser; Bruggemann e Zintl (1989), a elaborao de um programa de

    treinamento na musculao se d atravs de algumas fases. A seqncia sugerida

    primeiramente a determinao de objetivos e normas, seguida da programao, da

    realizao, dos resultados e, por fim, do controle da anlise. Segundo este modelo

    necessrio identificar as caractersticas e necessidades individuais, como tambm

    determinar as variveis estruturais.

  • 41

    3 CONCLUSO

    O execcio fsico considerado um grande aliado para tratamento da doena crnica

    obesidade, j que esta caracterizada pelo acmulo excessivo de gordura corporal e

    causada principalmente pelo sedentarismo e maus hbitos alimentares.

    A atividade fsica faz com que o gasto energtico do indivduo aumente em at grandes

    propores e tambm resulta em uma no diminuio considervel da taxa de

    metabolismo basal em um processo de emagrecimento.

    As propostas de um programa de treinamento fsico para pessoas obesas mais utilizadas

    e mais recomendadas pela literatura a combinao de exerccios aerbicos com

    exerccios com pesos. Sendo citado o mtodo de treinamento em circuito bastante

    eficiente para pessoas com sobrepeso ou obesidade.

  • 42

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