CONTROLE DO CÂNCER, ACESSO E DESIGUALDADE NA AMÉRICA ...· 2 CONTROLE DO CNCER, ACESSO E DESIGUALDADE

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  • CONTROLE DO CNCER, ACESSO E DESIGUALDADE NA AMRICA LATINAUma histria de luz e sombra

    Encomendado por:

  • 1 The Economist Intelligence Unit Limited 2017

    CONTROLE DO CNCER, ACESSO E DESIGUALDADE NA AMRICA LATINAU M A H I S T R I A D E L U Z E S O M B R A

    2 Sobre este relatrio4 Sumrio executivo9 Introduo: o desafio do cncer na Amrica Latina23 CAPTULO 1

    Escore Latino-Americano do Controle do Cncer (Latin America Cancer Control Scorecard, LACCS): o que caracteriza um controle do cncer de qualidade?

    27 CAPTULO 2 Planos nacionais de controle do cncer: uma ferramenta no usada plenamente

    32 CAPTULO 3 Dados do cncer: algum progresso, mas um percurso muito longo frente

    38 CAPTULO 4 Preveno, triagem e deteco precoce: progresso e estase

    46 CAPTULO 5 Oramentos e recursos para o controle do cncer: insuficientes para o que nos aguarda

    57 CAPTULO 6 A superao de ineficincias e desigualdades: ainda h muito a fazer apesar do progresso

    67 Concluso: centralizao e descentralizao70 ANEXO: metodologia

    NDICE

  • 2

    CONTROLE DO CNCER, ACESSO E DESIGUALDADE NA AMRICA LATINAU M A H I S T R I A D E L U Z E S O M B R A

    The Economist Intelligence Unit Limited 2017

    SOBRE ESTE RELATRIOO controle do cncer, acesso e desigualdade na Amrica Latina: uma histria de luz e sombra um

    relatrio da Economist Intelligence Unit, encomendado pela Roche, que examina as medidas de

    controle do cncer na Amrica Latina. Ele examina detalhadamente tanto os aspectos positivos

    quanto os problemas atuais encarados pelos governos latino-americanos em sua luta contra o cncer

    e para oferecer preveno e tratamento acessveis s suas populaes. Seu foco particular em 12

    pases das Amricas Central e do Sul selecionados por diversos fatores, incluindo tamanho e nvel de

    desenvolvimento econmico: Argentina, Bolvia, Brasil, Chile, Colmbia, Costa Rica, Equador, Mxico,

    Panam, Paraguai, Peru e Uruguai.

    Este estudo tambm introduz uma importante ferramenta para a compreenso desta rea pelas partes

    interessadas: o Escore Latino-Americano do Controle do Cncer (Latin America Cancer Control Scorecard,

    LACCS). O LACCS conta com uma importante pesquisa de documentos para classificar os 12 pases

    estudados no que se refere ao seu desempenho em diferentes reas de relevncia direta para o acesso ao

    controle do cncer. Alm do escore, este relatrio tambm se baseia na sua prpria pesquisa separada e

    substancial e tambm em 20 entrevistas com especialistas regionais e internacionais em cncer.

    Agradecemos s pessoas a seguir (listadas em ordem alfabtica) pela sua dedicao e pelas suas

    opinies:

    Juan Pablo Bars, presidente da FUNDACANCER, Panam

    Eduardo Cazap, fundador e primeiro presidente da Sociedade de Oncologia Mdica Latino-

    Americana e do Caribe, Argentina

    Gonzalo Vargas Chacn, coordenador do Consenso Nacional de Especialistas en Cncer, Costa Rica

    Alessandra Durstine, diretora do Catalyst Consulting Group, e ex-chefe de advocacia da American

    Cancer Society, EUA

    Jorge Jimenez de la Jara, professor de sade pblica da Universidade Catlica do Chile e ex-ministro

    da sade, Chile

    Felicia Knaul, professor do Department of Public Health Sciences da Miller School of Medicine;

    diretor do Institute for Advanced Study of the Americas, University of Miami; presidente e fundador

    da Tmatelo a Pecho, Mxico e presidente da Union Latinoamericana Contra el Cncer de la Mujer

    Gilberto de Lima Lopes, diretor mdico para programas internacionais e diretor associado de

    oncologia global do Sylvester Comprehensive Cancer Centre, Miller School of Medicine, University

    of Miami

    Andre Cezar Medici, economista de sade snior do Banco Mundial, Brasil

    Alejandro Mohar, ex-diretor do Instituto Nacional de Cancerologa (INCan), Mxico

    Raul Murillo, diretor do Centro de Oncologia da Universidade Javeriana, Bogot, Colmbia

    Roberto Pradier, diretor do Instituto Nacional do Cncer, Argentina

  • 3 The Economist Intelligence Unit Limited 2017

    CONTROLE DO CNCER, ACESSO E DESIGUALDADE NA AMRICA LATINAU M A H I S T R I A D E L U Z E S O M B R A

    Wilson Merino Rivadeneira, coordenador da Red Nacional de Organizaciones de Pacientes

    Oncolgicos, Equador

    Arturo Rebollon, diretor do Registro Nacional do Cncer, Panam

    Julio Roln, diretor do Instituto Nacional del Cncer (INCAN), Paraguai

    Milton Soria, chefe da unidade de patologia do Instituto Nacional de Laboratorios en Salud, Bolvia

    Ted Trimble, diretor do Centre for Global Health do National Cancer Institute, EUA

    Alejandro Gaviria Uribe, ministro da sade e proteo social, Colmbia

    Carlos Vallejos, diretor da Oncosalud, Peru

    Nilda Villacres, diretora executiva, conselho de sade nacional, Equador

    Walter Paulo Zoss, diretor executivo da RINC/UNASUR -Rede dos Institutos e Instituies Nacionais

    de Cncer, Brasil

    O relatrio foi escrito por Paul Kielstra e editado por Martin Koehring, da Economist Intelligence

    Unit. O desenvolvimento do escore foi liderado por Elly O'Brien, da equipe de sade da Economist

    Intelligence Unit.

    Julho de 2017

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    CONTROLE DO CNCER, ACESSO E DESIGUALDADE NA AMRICA LATINAU M A H I S T R I A D E L U Z E S O M B R A

    The Economist Intelligence Unit Limited 2017

    SUMRIO EXECUTIVONa Amrica Latina, o cncer e o seu controle apresentam contrastes com frequncia intensos ou,

    nas palavras de um especialista entrevistado neste estudo, luz e sombra. Mudanas rpidas ocorrem

    junto a estases obstinadas, e progresso substancial em algumas reas se mistura com necessidades ainda

    no atendidas e urgentes em outras. Trata-se tambm de uma questo com maior relevncia poltica

    na regio: sucessos passados no controle de doenas transmissveis aumentaram o perfil relativo das

    doenas no transmissveis.

    Este estudo examina detalhadamente tanto os aspectos positivos quanto as lacunas ainda existentes

    encaradas pelos governos latino-americanos em sua luta contra o cncer e para oferecer preveno e

    tratamento acessveis s suas populaes. Seu foco particular em 12 pases das Amricas Central e do

    Sul selecionados por diversos fatores, incluindo seu tamanho e nvel de desenvolvimento econmico.

    Esses pases, denominados pases estudados, so Argentina, Bolvia, Brasil, Chile, Colmbia, Costa

    Rica, Equador, Mxico, Panam, Paraguai, Peru e Uruguai. Juntos, eles foram responsveis por 92% da

    incidncia de cncer e por 91% da mortalidade nas Amricas Central e do Sul em 2012.

    Este estudo tambm introduz uma importante ferramenta para a compreenso desta rea pelas

    partes interessadas: o Escore Latino-Americano do Controle do Cncer (Latin America Cancer Control

    Scorecard, LACCS). O LACCS conta com uma importante pesquisa de documentos para classificar os 12

    pases estudados no que se refere ao seu desempenho em diferentes reas de relevncia direta para o

    acesso ao controle do cncer. Alm do escore, este relatrio tambm se baseia na sua prpria pesquisa

    separada e substancial e tambm em 20 entrevistas com especialistas regionais e internacionais em

    cncer. Seus principais achados incluem o que segue.

    O cncer j a segunda maior causa de mortes da Amrica Latina, e o fardo imposto por ele crescer

    substancialmente nos prximos anos. Nos 12 pases estudados, o cncer causa em mdia 19% de todos

    os bitos, e em dois pases ele responsvel por um quarto ou mais da mortalidade. Em grande parte em

    decorrncia do envelhecimento e do crescimento da populao, a incidncia e caso nada seja feito a

    mortalidade em decorrncia do cncer parecem fadadas a crescer de maneira substancial nas Amricas

    Central e do Sul entre 2012 e 2035. Estima-se que o nmero de casos cresa 91% durante esse perodo, e

    que o nmero de mortes cresa 106%. E embora haja carncia de bons dados, os custos econmicos para

    a regio tambm esto fadados a aumentar de maneira significativa isso vale tanto para custos diretos

    com a sade (tais como medicamentos, hospitalizao e diagnstico) quanto para custos indiretos (por

    exemplo, perda de produtividade por mortalidade precoce e dias de trabalho perdidos).

    Os contornos do desafio do cncer variam amplamente, e est evoluindo de maneira desigual tanto

    entre os pases estudados quanto em cada um deles. A incidncia padronizada pela idade difere de

    maneira marcante entre os pases estudados, ela varia de 132 casos no Mxico e 251 no Uruguai para

    cada 100.000 pessoas. Igualmente marcantes so as diferenas nos tipos de cncer que afetam cada

    populao. A transio epidemiolgica que normalmente acompanha o desenvolvimento econmico

    inclui um aumento do risco de certos tipos de cncer, tais como cnceres de mama e de prstata, e um

    declnio de outros tipos, incluindo os de fgado e estmago. Tais mudanas esto ocorrendo na Amrica

    Latina, mas no de maneira consistente em toda a regio. No Uruguai, por exemplo, o perfil do cncer

    agora muito similar ao de pases desenvolvidos, enquanto o da Bolvia muito mais consistente com

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    o de pases em desenvolvimento. Alm disso, nesses pases, esta mudana nos tipos de cncer est

    com frequncia muito mais avanada em reas urbanas e ricas do que em reas rurais e mais pobres:

    Na Colmbia, por exemplo, a crescente incidncia do cncer de mama normalmente um problema

    muito maior nas cid