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1 COSMOVISÃO E DESENVOLVIMENTO O PODER DA VERDADE PARA TRANSFORMAR NAÇÕES

COSMOVISÃO E DESENVOLVIMENTO - Atuação Voluntária · C - Escolhe as cinco palavras do item A que você mais usa para descrever seus próprios alvos. 1. ... D - Complete esta declaração:

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COSMOVISÃO E

DESENVOLVIMENTO

O PODER DA VERDADE PARA TRANSFORMAR NAÇÕES

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Índice:

01 – A mudança de Modelo (Paradigma) 03 02 – A História que Transforma 06 03 – O ABC da Cultura 14 04 – Blocos Construtores do Engano 17 05 – O Reino de Deus e o Discipulado das Nações 18 06 – Romanos 01 - As Idéias tem Conseqüências 35 07 – Revivendo a Reforma 45 08 – O Poder da História 54

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A MUDANÇA DE MODELO (PARADIGMA)

Introdução:

Mesmo após três anos com Cristo, os discípulos tinham uma perspectiva bem diferente do que o verdadeiro a respeito de quem Ele era e o que Ele veio para fazer. Os discípulos tinham um modelo (paradigma) faltoso. Jesus se esforçou para mudar a paradigma deles para que eles pudessem conhecer a realidade.

O significado das palavras

O vocábulo dum povo tanto estabelece quanto demonstra os valores daquela sociedade. Por exemplo, aquilo que uma mulher carrega durante a gravidez é um “bebê” ou um “feto”? A palavra utilizada afeta a atitude e o comportamento em relação à criança. Falamos da natureza sagrada da vida “ou da” qualidade de vida?”Nós” matamos “ou” terminamos uma gravidez?”A ausência de pala-vras tais como ”castidade“, “verdade”, “justiça” e “culpa” no uso comum da nossa cultura reflete uma mudança de cosmovisão, sistema de valores e estilo de vida.

Para começar nosso estudo sobre “Ser Servo”, vamos examinar as palavras utilizadas em nossa cultura e descobrir a maneira em que estes termos afetam nossas ambições.

A - Na lista que se segue, faça um círculo ao redor das palavras que melhor descrevem os valores da

nossa cultura – as metas e alvos para as quais nossa sociedade luta:

Ajudante último rico servo para sempre líder regente chefe senhor secundário servo vencedor gerente auto-suficiente diretor mestre servil escravo empregado menor pequeno empregador dono subordinado primeiro pobre sucesso ajudante prestigioso superior inferior primário auxiliador influente principal insignificante proprietário progredindo grande respeitado B - O que isso mostra a respeito da ambição da nossa cultura?

C - Escolhe as cinco palavras do item A que você mais usa para descrever seus próprios alvos.

1. Seus alvos pessoais são diferentes do que os da nossa sociedade?

2. Se forem deferentes, em que maneira?

3. Se forem os mesmos, o que isso te diz ao teu próprio respeito?

D - Definição de sucesso

Pensando nessas palavras percebe-se que a nossa sociedade define o sucesso em termos de autoridade, poder e ganhando. Nossa sociedade descreve fracasso em termos de trabalhando, servindo os outros e sendo subordinado.

Mas os dois conceitos nem sempre estão em choque. Jesus, o Deus-Homem, era Senhor e também Servo. De fato, a liderança boa lidera através de servir.

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II - Os valores “direito” do Reino

A - Leia Lc. 3:4-6.

Nessa passagem, João Batista prega a mensagem de Isaías sobre a vinda do Reino de Cristo. Neste reino as coisas estão invertidas (ou melhor, restauradas à ordem certa).

B - Estude Mt. 10:39.

Neste reino “invertido” (direito) como se acha a vida?

C - Valores e ambições

O sistema de valores no Reino está em contraste com os valores do mundo. Por isso, a ambição do Cristão deve ser diferente da ambição do mundo. A ambição do Cristão é: Ser Servo.

D - Há três palavras gregas principais no NT para “servo:”

a. DOULOS – escravo, sujeito, servo para sempre.

b. DIAKONOS (do diako = atender um serviço) – ajudante, garçom, servo.

c. THERAPON – um servo que faz os serviços menores; servo comum.

E - O termo “servo” no NT:

O termo “servo” no NT tem um significado semelhante ao uso atual da palavra. Ela se refere à pessoa que cuida dos serviços menores.

III - Cristo Ensina sobre Ambição

A - Leia Mc. 10:32-45

1 - Onde e quando aconteceu essa discussão? O que ia acontecer em breve (vs. 32-34)?

2 - O que Tiago e João queriam que Jesus fizesse por eles (vs. 35-37)?

3 - Por que Jesus não podia atender este pedido (vs. 38-40)?

4 - Em que maneira os outros discípulos reagiram (vs. 41)?

5 - O que é a base de grandeza no mundo (vs. 42)?

6 - O que é o significado da palavra “Mas...” (vs. 43-44)?

7 - O que é a base de grandeza no conceito de Jesus (vs. 43-44)?

8 - O que é que Jesus não veio para fazer (vs. 45)?

9 - Quais são as duas das coisas que Jesus veio para fazer (vs. 45)?

B - O mundo em contraste com Jesus:

O mundo descreve o grande homem em termos de ter servos ou empregados, enquanto Jesus descreve o grande homem como aquele que serve os outros. No Reino, servir não é um pré-requisito da grandeza, é o padrão de grandeza. Devemos nos “curvar” para alcançar a glória! Cristo restaurou o conceito verdadeiro de grandeza.

C - O sistema de valores no Reino:

No sistema de valores no Reino, o Pai recebe a glória para o serviço feito pelos homens. Quando o “grande homem” serve, ele chama atenção para Deus, e não para ele mesmo.

1. Conforme Mt. 5:16, o que acontece quando as pessoas vêem as nossas boas obras?

2. Em que maneira isso surte beneficio para o Reino?

D - Complete esta declaração: Jesus mudou minha compreensão de servo

5

1- de:____________________________________________________________

2- para: ___________________________________________________________

IV - A Mudança de Modelo (Paradigma)

A - Mc. 10:32-45:

Esta passagem revela duas maneiras ou modelos (paradigmas) totalmente diferentes para compreender as coisas. Os discípulos entenderam a realidade de uma perspectiva, e Jesus a entendeu de uma maneira bem diferente.

B - Tabela:

Na tabela abaixo, identifique as perspectivas de cada modelo (paradigma). O que os discípulos estavam esperando? O que Jesus sabia? Você precisará meditar sobre estas questões, examinar o texto profundamente e deduzir as respostas da sua compreensão desta passagem e outras.

Os Discípulos O Real (de Cristo)

Quem é Cristo

O que/Quando é o Reino?

Quem são os discípulos?

Como nós devemos viver?

C - Para Refletir

1 - De onde vem nossa história “ou expectativa?”.

2 - O que estas “histórias” ou expectativas produzem?

3 - O que acontece quando nossa maneira de compreender a realidade é diferente do que a maneira (certa) em que Deus a compreende?

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A História que Transforma

Gênesis 1:1 diz: “No princípio Deus . . .” Este é o começo da nossa história. Esta declaração estabelece toda

a trama da nossa história. Que é o homem? O animismo, o teísmo e o secularismo têm respostas diferentes

para esta pergunta. Que é a natureza? Para onde está indo a história? Também para estas perguntas, o

animismo, o teísmo e o secularismo dão respostas diferentes. São histórias muito poderosas que formam o

perfil de nações inteiras. Nós temos uma história incrivelmente poderosa. Uma história capaz de

transformar indivíduos, comunidades e nações.

Pense em nossa história como um livro. A história começa num jardim e termina numa cidade. O primeiro

capítulo do livro é sobre a criação. “No princípio, Deus criou os céus e a terra.” Neste primeiro capítulo, Ele

cria o homem. Põe o homem no meio do jardim e dá ao homem uma tarefa: seja o Meu representante no

jardim; desenvolva a terra.

O capítulo dois da nossa história registra a Queda. O homem se rebela contra o Rei dos Céus. É o começo

da morte. É o começo da fome. Você já parou para pensar que a fome não é natural? A morte não é

natural. São produtos da rebelião do homem contra o Deus vivo.

Os capítulos dois a nove da nossa história narram Deus desdobrando a história. Ele trabalha na história

para levantar Abraão, Moisés e os profetas. Tudo isto faz parte da nossa história.

O décimo capítulo da nossa história é o Evangelho—a vida, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Este é

o ponto focal da nossa história e de toda a história humana. É o capítulo principal, mas não é o único

capítulo.

No capítulo onze, Deus estabelece a Igreja. A Grande Comissão é a reformulação de Jesus da aliança de

Deus com Abraão. O que é a Grande Comissão? Fazer discípulos. Fazer discípulos de que? Nações!

O capítulo doze descreve a volta do Rei. Ele está voltando com o Seu Reino e esse é o “Fim” da nossa

história! O Rei está voltando. E quando Ele voltar vai querer alguma coisa pronta para a Sua volta. Ele quer

a Sua noiva pronta (Apocalipse 19:7), e Ele também quer a glória das nações pronta (Apocalipse 21:24-26)

para ser levada pelos reis das nações para dentro da cidade celestial.

Como a glória da Coréia vai estar pronta para a volta de Cristo? Como a glória do Brasil vai estar pronta

para a volta de Cristo? Somente se forem discipuladas. Esta é a nossa história.

Mas, o que nós fizemos? Tiramos o capítulo dez do livro e dissemos que ele é a história toda. Isto é tudo

o que temos para contar. E esquecemos o resto da história. Tiramos o Evangelho do contexto e dizemos:

“Muito bem. Aqui está a história secular; aqui está a história animista. Vamos colocar o Evangelho aqui.”

Usando uma outra analogia, nos esquecemos de estabelecer um alicerce para a vida do povo de Deus. O

Evangelho é a pedra angular do alicerce, mas não é o alicerce todo. O alicerce não pode ficar sem a pedra

angular, mas a pedra angular sozinha não pode suportar o edifício todo.

Qual é o alicerce da destruição de uma comunidade? Qual é o alicerce da destruição de uma nação? Qual é

o alicerce da nossa própria destruição pessoal? Mentiras! Satanás é o pai da mentira. Ele destrói não

somente a pessoa, mas também comunidades e nações, levando-as a acreditar em mentiras.

Qual é o alicerce do desenvolvimento de uma comunidade? A verdade. O conhecimento de Deus. Nós,

cristãos, temos uma história poderosa. Mas, na verdade, a nossa história compete com outras histórias. O

animismo tem uma maneira de ver a realidade, muito diferente do secularismo. Estas duas cosmovisões

possuem uma compreensão da realidade muito diferente do teísmo bíblico.

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Que é o homem?

Homem, a Imagem de Deus

Precisamos retornar à história que transforma

nações. Vamos ver alguns dos elementos dessa

história. Histórias culturais diferentes vêem o

homem de maneiras diferentes. O secularismo diz

que não há Deus. Tudo o que existe é a natureza.

De alguma forma, a evolução trouxe o homem à

existência. Se você perguntar ao secularismo o

que é o homem, qual será a resposta? O homem é

um animal. Ele é boca e estômago, um

consumidor de recursos. O animismo tem uma compreensão bastante diferente do homem. O animismo

diz que tudo é habitado por espíritos. As pedras têm espírito, o rio tem um espírito, o homem tem um

espírito. Que é o homem? É um espírito.

O que a Bíblia diz? O que é o homem? Volte a Gênesis 1:27, onde começamos a ser confrontados com a

grandiosidade de Deus. “Criou, pois, Deus, o homem à Sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e

mulher os criou.” Todas as religiões do mundo fizeram os seus deuses à imagem do homem ou das coisas

inferiores ao homem, como cobras, bois, ou montanhas. Visualize isto: Deus estava trabalhando e havia

acabado de criar todo o universo, inclusive os animais, e agora está pensando: “Vou fazer o homem. Onde

vou achar o modelo? Onde vou achar o modelo para o homem? Deixe-me pensar a respeito. Ah, já sei! Vou

fazê-lo semelhante a Mim!” O homem é feito à imagem de Deus que possui uma mente e um coração. O

homem não é simplesmente um consumidor de recursos; ele é a imagem de Deus! Que Deus é este que me

fez para ser como Ele? Como vamos contar às pessoas que este é o Deus que adoramos e que elas foram

feitas semelhantes a Ele?

Homem, Co-criador com Deus

Gênesis 1:26 diz: “Também disse Deus: ‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança;

tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus . . .” Deus é um Deus criador. Ele fez o

homem à Sua imagem. O que isto significa? Que nós somos “co-criadores”! As histórias do hinduísmo e do

budismo não têm muito de história de criação porque o que aconteceu no passado foi mais uma “des-

criação”. No passado, tudo era uma coisa só, mas aconteceu alguma coisa que fragmentou essa coisa única.

Mas Deus é um Deus criador e nós somos semelhantes a Ele. Ele é o Criador Principal. Nós somos os

criadores secundários. Gênesis 1:26 mostra o propósito de Deus de que o homem desenvolvesse a terra,

não somente cuidasse dela. Ele pôs o homem no jardim e lhe falou para ser criativo. Que compusesse

sinfonias, escrevesse poemas, pintasse obras primas, dançasse. Por que? Porque somos feitos à

semelhança de Deus.

Quando trabalhamos entre crianças pobres como as vemos? Estive no Brasil há alguns meses e estive

dando esta mensagem em algumas igrejas para alguns membros que estão trabalhando entre os pobres.

Disse a eles: “Quando vocês estão trabalhando no meio das crianças pobres, como vocês as vêem? Vêem-

nas como bocas que precisam ser alimentadas? Elas estão com fome e precisam ser alimentadas. Mas, se

isto é tudo o que vocês vêem, vocês não vêem com os olhos de Deus. Você vê a criança como uma canção

esperando para ser cantada? Você pode ver a criança como um poema que está apenas esperando para ser

escrito? Você pode ver a criança com uma dança nos pés esperando ser dançada, mas não tem ninguém

que a encoraje? Talvez aquele jovem líder diante de você seja o próximo presidente do país. Você pode ver

isso? Talvez a criança pobre da favela venha a ser o médico que vai descobrir a cura do câncer.” Você pode

ver com os olhos de Deus?

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Homem e Mulher

Mas, tem uma coisa extraordinária a respeito da nossa história. Veja novamente Gênesis 1:27: “Criou, pois,

Deus o homem à Sua imagem . . . homem e mulher os criou.” Você percebe o significado desta declaração.

São somente palavras religiosas? O que dizem estas palavras? Que Deus nos fez como Ele. Quem é como

Ele? Homens e mulheres! Não só os homens. Homens e mulheres! Na história bíblica, homens e mulheres

são iguais diante de Deus em dignidade e valor.

Muitas vezes, nas minhas viagens pelo mundo, eu fico muito aborrecido. Eu vejo a pobreza. Uma das

maiores responsáveis pela pobreza no mundo é uma mentira! A mentira de que os homens são melhores

do que as mulheres. Viajo pelo mundo e ouço as histórias culturais que dizem que os homens são melhores

do que as mulheres. Na América do Sul chamam a isto de machismo: “Os homens são melhores do que as

mulheres!” E as mulheres são tratadas como empregadas. Em algumas culturas elas são tratadas como

escravas. Em outras, são tratadas como brinquedos, como objetos sexuais. Os homens abandonam as suas

mulheres quando elas ficam grávidas. Então, elas são obrigadas a cuidar dos filhos sozinhas e sem nenhum

recurso. Algumas culturas acreditam que as mulheres não têm mentes, portanto não vale a pena dar-lhes

educação escolar. A pobreza que vem desta mentira é impressionante. É óbvio que homens e mulheres são

diferentes. Mas é mentira dizer que, porque são diferentes, um é melhor do que o outro.

Veja o que mais a Bíblia diz: “Homem e mulher os criou.” O que isto quer dizer? Ao criar o homem, Deus

quis expressar a Si mesmo plenamente. Ele não conseguiria expressar tudo o que Ele é fazendo dois

homens. Ele não conseguiria expressar o Seu coração de mãe criando dois homens. Para criar uma imagem

que expressasse plenamente quem Deus é, Ele tinha de criá-los homem e mulher. Além das diferenças

físicas visíveis, eles também diferem em papel e função. Estas diferenças são para ser celebradas e gozadas.

Há uma reação ao machismo acontecendo no mundo—o feminismo radical. O feminismo diz que homens e

mulheres são iguais e, portanto, são o mesmo. As pessoas falam em liberar as mulheres. Liberar as

mulheres para serem o que? Como os homens. A o agir desta forma, elas mantiveram o mesmo e velho

paradigma. O que precisamos orar e advogar é que os homens sejam homens, não somente “animais

machos”. Cristo mostrou o que significa ser um homem no Seu relacionamento com a Sua noiva—mulher—

a Igreja. Ele é a cabeça da Igreja. Como Ele lidera a Igreja? Da cruz. Cristo é a cabeça da Igreja a partir da

cruz! O que Ele fez? Ele morreu por Sua noiva. Cristo foi um líder-servo. Esta é a nossa história. É uma

história radical.

Dando Nomes aos Animais

Vejamos o último exemplo de como o homem foi feito à imagem de Deus. Gênesis 2:19 diz: “Havendo,

pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais do campo e todas as aves do céu, trouxe-os ao

homem, para ver como este lhes chamaria; e o nome que homem desse a todos os seres viventes, esse

seria o nome deles.” O homem está no jardim e Deus lhe traz os animais. Por que Ele traz os animais para o

homem? Para dar nomes a eles. É o que a Bíblia diz. Mas, você sabe o que Deus poderia ter feito? Ele

poderia ter dito: “Adão, Eu sou Deus. Eu fiz os animais. Eu dei nomes a eles. Eu quero que você memorize

os nomes deles. Eu quero que você os chame pelos nomes que Eu dei a eles.” Ele poderia ter feito isto?

Sim! Porque Ele é Deus! Foi o que Ele fez? Não! Ele trouxe os animais para Adão e disse: “Adão, eu fiz você

semelhante a Mim. Eu poderia dar os nomes aos animais. Você também pode. Eu quero que você dê nomes

aos animais e Eu vou chamá-los pelos nomes que você der a eles.” Que Deus é este? Que Deus diria a Adão:

“Eu criei os animais, mas você pode dar os nomes deles, e Eu vou chamá-los pelos nomes que você der a

eles.”? Que homem é este? Esta é uma história incrível!

Antes do nascimento do meu filho mais velho na Suíça, minha esposa e eu conversamos sobre que nome

dar ao bebê. De repente, senti um calafrio na espinha, e estou sentindo-o novamente, só de pensar nisto.

Nós íamos dar um nome a esta criança e o Deus do universo ia chamar a criança pelo nome que nós íamos

dar a ela. Por toda a eternidade este ia ser o nome da criança. O nome do meu filho é Nathan e é assim que

Deus o chama! E onde ele ganhou esse nome? Nós lhe demos. Que Deus é esse? Que espécie de homem

Ele criou? Esta é a nossa história.

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Para Onde Vai a História?

Histórias diferentes têm diferentes percepções da

história. O animismo diz que a história está numa

roda. Que simplesmente vai girando em ciclos

intermináveis. O secularismo diz que o tempo

está-se escoando. O tempo está-se escoando,

portanto, coma, beba e seja feliz. O tempo está-se

escoando, portanto, consuma. Mas, a mensagem

bíblica é bem diferente. Ela diz que a história está

indo para algum lugar porque Deus é um Deus de

propósito.

Há alguns anos, li um livro muito profundo de um africano chamado John Mbiti. Era sobre as religiões e

filosofias da África. O livro tem um capítulo inteiro sobre tempo. Mbiti afirma ter estudado 240 dos 1.000

dialetos africanos. Em nenhum dos dialetos existe o conceito de futuro. A vida é vivida no passado. Como

você acha que uma parte da história vai afetar o continente? A África não é pobre em recursos, ao

contrário, ela é rica. É rica em pessoas. Mas parte da sua história diz que não existe futuro. Precisamos lhes

contar a história completa.

O presidente da missão Food for the Hungry [Alimentando os Famintos], Dr. Yamamori, esteve na Etiópia há

muitos anos, durante uma crise de fome. Ele estava num campo de refugiados com 50.000 a 60.000

pessoas. Ele ouviu um bebê chorando, mas era mais do que choro, era uma luta por ar. Ele foi à cabana de

onde vinha o som. Não havia ninguém a não ser o bebê que lutava pela vida. Ele pegou a criança no colo,

embalou-a um pouco, e saiu à procura da mãe. Depois de alguns minutos, ele encontrou a mãe. A mulher

reclamou: “Ponha o bebê de volta. Ele devia morrer.” O Dr. Yamamori olhou para ela e disse: “Não. Este

bebê nasceu para viver.” Naquele breve diálogo, de apenas duas frases, estavam refletidas duas

cosmovisões diferentes, duas histórias diferentes que poderiam produzir dois resultados diferentes para

aquele bebê. Idéias têm conseqüências. “Este bebê devia morrer.” “Não. Este bebê nasceu para viver.”

Agora, vamos ver as Escrituras, começando em Gênesis 1:28. “E Deus os abençoou”—note que é assim que

o versículo começa. Ele os abençoou e lhes deu uma tarefa. Parte era a tarefa social deles de serem

fecundos e crescerem em número. Mas, lembre-se que Ele não está falando de aumentar o número de

“bocas”. Não vamos ler isto através de óculos seculares. Devemos aumentar o número de portadores da

imagem de Deus. Perceba que a bênção é dada para a tarefa. “...tenha ele domínio sobre os peixes do mar

e as aves do céu, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que rastejam

pela terra”(Gn 1:26). Os seres humanos têm de desenvolver a terra; o mundo não deve ser deixado no

estado em que estava quando Deus o completou depois de seis dias. Depois do sétimo dia, o dia do

descanso, os seres humanos deviam começar o seu trabalho.

Nossa história continua. Em Gênesis 12:1-4 Deus chama Abraão e diz: “Eu te abençoarei.” Por que Ele vai

abençoar Abraão? Para uma tarefa. Ele vai abençoar Abraão para ele poder ser uma bênção para todas as

nações. O que Deus quer fazer? Abençoar as nações. A plenitude do propósito de Deus é que todas as

nações sejam discipuladas e abençoadas.

Você já ouviu falar da “Janela 10/40”? Ela se estende desde a costa oeste da África até a costa do Japão e

do paralelo 10 até o paralelo 40 ao norte do equador. É aí que o Evangelho tem encontrado maior

resistência; é o lar do islamismo, do budismo e do hinduísmo. Mas, é também o lugar onde vivem as

pessoas mais pobres do mundo. Existe uma relacionamento entre o mundo da pobreza e a Janela 10/40.

Como observou Bryan Myers da Visão Mundial: “Os perdidos são os pobres e os pobres são os perdidos.”

Aonde a bênção de Abraão não se estendeu, a pobreza é mais forte. Aonde a bênção é estendida, há uma

diminuição da pobreza.

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Na Grande Comissão (Mateus 28.19-20), o Cristo ressurreto dá a Sua ordem à Igreja: “Vocês devem fazer

discípulos de todas as nações.” Na verdade, ela não era novidade. Foi simplesmente a reformulação de

Cristo à ordem dada a Abraão. Como ele devia ser uma bênção a todas as nações (Hebraico MISHPACHAH:

tribo/família), nós temos de discipular as nações (Grego ETHNE: grupo de pessoas).

Nos países e nas culturas fatalistas a história é uma coisa que acontece com você. Na história bíblica, a

história é uma coisa que você faz. Por que? Porque somos portadores da imagem de Deus. Veja dois

exemplos. Milhões de pessoas foram salvas da fome porque Larry Ward, o fundador da missão Food for the

Hungry [Alimentando os Famintos], posicionou-se contra o holocausto da fome. Através da JOCUM - Jovens

Com Uma Missão, centenas de milhares de pessoas têm a oportunidade de ser treinadas e participar de

missões por causa da visão de Darlene e Loren Cunningham. De que forma Deus quer mudar o curso da

história da sua comunidade, da sua nação? Através da sua vida! O hinduísmo diz que a pessoa é como uma

pedra. Quando ela entra na água não faz ondulações. E se você pensasse de si mesmo desta forma? A

história bíblica é radicalmente diferente. Quando um homem ou uma mulher entram na água, eles

produzem ondulações que continuam pela eternidade.

Quando minha esposa, Marilyn, e eu estávamos estudando na Terra Santa no final dos anos sessenta, a

cada dois fins de semana saíamos para uma viagem de estudos pelo campo. Num determinado fim de

semana, subimos uma colina na região norte de Israel. Eu estava parado no topo da colina, quando avistei

uma floresta. Eu ainda não havia visto uma floresta no deserto, por isso ela chamou a minha atenção. O

nosso professor discursava, mas eu não ouvia nada do que ele dizia. Eu estava olhando a floresta. Continuei

olhando, quando notei que todas as árvores tinham a mesma altura. Que espécie de floresta era aquela?

Normalmente, as árvores de uma floresta não são da mesma altura; algumas são pequenas, outras são

grandes. Continuei olhando, e percebi que as árvores estavam dispostas em fileiras. Virei-me para o

professor e perguntei: “Dr. “Rainey, o senhor poderia me explicar que floresta é esta?” Ele respondeu:

“Sim. Esta floresta foi plantada pelos judeus.” E em seguida, ele me falou algo que jamais vou esquecer,

mas que eu não sabia o quanto era importante, até vir trabalhar com a missão Alimentando os Famintos.

Ele disse: “Darrow, havia duas visões diferentes para esta terra. Os árabes, que tinham vivido aqui

acreditavam que Alá tinha lançado uma maldição sobre a terra. A terra estava amaldiçoada e eles tinham

de viver debaixo da maldição da terra. Não havia nada que pudessem fazer. Mas, os judeus sabiam que esta

havia sido uma terra onde manava leite e mel.” Dois povos olhando para os mesmos recursos naturais—

quase nenhum. Qual era a diferença? A diferença estava na visão. A diferença está na história. Como

podemos começar a ajudar as comunidades e as nações a verem com os olhos de Deus? Quais são os

propósitos de Deus para a comunidade, para a nação?

Quando William Carey foi para a Índia, ele viu montanhas que tinham sido despojadas das suas árvores. Ele

poderia ter ficado deprimido com aquilo, mas ele entendia a história bíblica. O bom propósito de Deus era

que aquelas montanhas voltassem a ficar cobertas de árvores. Porque ele entendia a história, podia prever

o que ela significava para a Índia. Ao espalhar a história, ele pôde ajudar os indianos a verem os propósitos

de Deus para o seu país. Onde havia uma terra devastada, ele enxergava jardins; onde havia mentes vazias,

ele via aquelas mentes sendo cheias do conhecimento. Ele entendia que a terra tinha de ser cheia do

conhecimento de Deus.

Como é que nós, que estamos envolvidos com desenvolvimento, vamos trabalhar com as pessoas das

comunidades para ajudá-las a começar a enxergar a visão de Deus para a terra? Não a nossa visão, não a

visão das pessoas. A visão delas é o que pode estar segurando-as na pobreza. Como vamos ajudá-las a ver

com os olhos de Deus? Quais são os Seus bons propósitos para a comunidade, para a terra? E como vamos

incentivá-los a buscar os propósitos de Deus? É aqui que o desenvolvimento se inicia: com a Visão de Deus

de uma Comunidade. É mais do que elaborar projetos—é apresentar as pessoas ao Deus do universo, não

somente para que as suas almas sejam salvas, mas para que também possam começar a ouvir a História de

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Deus e ter os corações, mentes e vidas transformadas. Desenvolvimento começa com conhecer Deus,

entender e aplicar as Suas leis e princípios, ouvir a Sua História e ter as vidas ligadas ao desdobrar da

História de Deus. Desenvolvimento começa com uma visão, e “sem visão o povo perece”.

É imperativo que leiamos Apocalipse 21, porque é o fim da nossa história. Quando Cristo voltar, Ele vai

voltar com a Sua cidade, a cidade de Deus. E os reis da terra vão trazer o esplendor das nações para dentro

dela. Como o esplendor das nações vai ser preparado para a segunda vinda de Cristo? Somente se as

nações forem discipuladas. E é por isso que Ele nos fala, que Ele nos ordena, a discipular as nações. Jesus

tem uma tarefa—voltar com o Reino. E Ele nos encarregou de uma tarefa—discipular as nações. Temos que

preparar as nações para a volta do Rei, para que a glória das nações esteja pronta para Ele. Daí porque a

Grande Comissão é não somente possível, mas vai acontecer antes da Sua volta, porque esse é o Seu

propósito. Precisamos discipular as nações!

Qual é a Natureza do Universo?

O universo é um sistema aberto. O secularismo diz

que a natureza é um sistema fechado. Deus não

existe e os recursos existentes são limitados. O

animismo diz que o sistema, este mundo, não é

importante; que ele está morrendo. O mundo está

morrendo; só precisamos esperar para ficarmos livres

dele. O teísmo, por outro lado, diz que o sistema é

aberto. Aberto para Deus que o criou. Aberto para os

anjos. E para quem mais ele está aberto? Para o

homem, porque fomos feitos à imagem de Deus.

Como Deus criou? Falando. Ele falou, e a criação veio a existir. Segundo Hebreus 11:3, “Pela fé entendemos

que o universo foi formado pela palavra de Deus . . .” De onde veio o mundo físico? Foi criado do invisível.

O não-material produziu o material. O que isto significa? Significa que a fonte dos recursos não está no

solo. O secularismo diz que a fonte dos recursos está no solo, porque a única coisa que existe é a realidade

física. A nossa história diz que não, que há um Deus no universo, e que nós fomos feitos semelhantes a Ele.

Os recursos são limitados somente pela imaginação humana e pela mordomia da moral. Os recursos não

são limitados pelo que existe no solo. São limitados pelo que existe no coração e na mente do homem. Os

pobres não precisam que se lhes dêem coisas; precisam que se lhes conte a história bíblica que os ajuda a

ver que eles são feitos à imagem de Deus e que têm a capacidade de desenvolver-se e de criar recursos em

suas próprias comunidades.

Vou contar-lhes algumas histórias que ilustram este fato. A primeira história é sobre petróleo. O que é

petróleo? Petróleo é uma coisa desagradável, suja e pegajosa. Uma lama preta que às vezes sai do solo.

Não é um recurso. Há duzentos anos não era um recurso. Há duzentos anos era uma lama preta. Num fim

de tarde qualquer, alguém podia estar sentado em casa, lendo um livro. E, de repente, pensou consigo

mesmo: “O sol está se pondo e daqui a pouco vai estar escuro. E eu quero ler depois que o sol se for. Será

que eu não consigo fazer alguma coisa com esta lama preta?” E de repente, aquela lama, que não servia

para nada, foi transformada numa coisa que agora chamamos de recurso. O que fez dela um recurso?

Aquele homem é um ser criativo feito à imagem de Deus!

Quanto você me daria por um grão de areia? Você me pagaria alguma coisa por ele? Por que você não quer

me pagar nada por um grão de areia? Porque ele não tem nenhum valor. Por que ele não tem valor?

Porque se encontra em qualquer lugar. Hum, deixe-me pensar. O que eu poderia fazer com um grão de

areia? Ah, tive uma idéia! Vou fazer um chip de computador. Quanto você me dá por um chip de

computador? Você me pagaria alguma coisa por um chip Pentium? Em vários lugares do mundo há pessoas

pagando um bom dinheiro por “areia”. O que transformou areia sem valor em algo de valor? A mente de

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um homem! Somos feitos à imagem de Deus. Como vamos ajudar as pessoas a ouvirem esta história? Isto é

uma parte do que significa discipular nações.

A última história, a minha preferida. Eu não sei se você já teve a oportunidade de ver uma foto ou mesmo a

própria estátua Davi de Michelangelo. É a estátua do Rei Davi no exato momento em que ele tinha acabado

de matar Golias. Ele era um jovem, em toda a glória da sua juventude, e tinha acabado de defender o nome

do Deus vivo. Ele estava disposto a morrer pelo nome do Deus vivo. Foi nesse momento que o artista

Michelangelo conseguiu capturar Davi. É uma obra de arte. Quanto ela vale? Não tem preço. Não é

somente um tesouro nacional, é um tesouro do mundo. O que ela foi um dia? Um pedaço de pedra numa

montanha. Não tinha nenhum valor. Então, um dia, um homem saiu e trabalhou duro para arrancar aquele

bloco de mármore da montanha. Provavelmente, ele trabalhou meses para tirar aquele bloco da

montanha. E o bloco passou a valer um pouco mais; valeu o trabalho de um homem. Depois, um outro

homem veio com um cavalo cansado e pôs o bloco de mármore numa carroça. O cavalo cansado puxou o

bloco até Florença, na Itália, deixando-o no estúdio de Michelangelo. O bloco de pedra foi colocado sobre

um pedestal, onde Michelangelo o estudou por alguns instantes. Certo dia, ele estava num canto do seu

estúdio trabalhando numa outra escultura e olhou para o bloco. Em seguida, mudou para um quadro que

estava pintando e deu algumas pinceladas. E, aí, olhou de novo para o mármore. O que ele estava

procurando? Ele procurava o que estava dentro do mármore. E um dia ele o viu; ele viu Davi. Tomou o

cinzel e o martelo e começou a revelar o que ele viu dentro da pedra. Não sei quanto tempo levou, mas um

dia a obra estava acabada. E agora, quanto ela valia? Não tinha preço. O que a fazia ser tão valiosa? O que

fez que algo que não tinha valor se transformasse num tesouro de valor incalculável? Um artista que foi

feito à imagem de Deus.

Mas, esse não é o fim da história. Quando ouvi esta história, fiquei sabendo que aquele bloco tinha uma

grande falha. Era uma trinca que ia até à base da pedra e Michelangelo tinha que trabalhar em torno dessa

falha. Ele sabia com o que estava lidando e trabalhou contornando aquele defeito para dar forma à glória

de Davi. Ele pegou uma pedra que tinha uma falha e a transformou numa obra de arte. Ele pôde fazer isto

porque era feito à imagem de Deus.

Você tem consciência de que é isto que está acontecendo nas nossas vidas? Você tem consciência de que é

isto que Deus está fazendo na sua vida? Somos como aquela pedra fria e defeituosa. E o Deus do universo

vem até à pedra fria e com falhas, e olha para ela. O que Ele procura? A glória que está “lá dentro”! Deus vê

toda a maravilha e beleza que há dentro de nós e quer revelá-la ao mundo. E Ele toma o Seu cinzel e o Seu

martelo e começa a revelar a glória.

Sabe aqueles dias da sua vida? Os dias difíceis? Os dias de dor e talvez até dias em que você desejou

morrer? Você vê o golpe se aproximando e pede: ‘Deus, não! Segure o golpe. De novo não! Não agüento

mais!’ Você está nas mãos do Escultor do universo. Se Ele retivesse o golpe, a glória não poderia ser

revelada. Temos um Deus maravilhoso e Ele nos fez à Sua imagem. Esta é a nossa história. Esta história vai

transformar nações.

A História que Transforma

Guia de Estudo

1. Qual o significado do fato de que somos feitos à imagem de Deus (Gênesis 1:27)?

2. Qual é uma das causas gerais da pobreza no mundo?

3. Quais os dois princípios sobre os homens e as mulheres que são derivados do homem ser criado à

imagem de Deus (Gênesis 1:27)?

4. Qual o significado desses dois princípios para a sociedade?

5. O que você sente ao saber que Deus fez o homem para dar nomes aos animais?

6. Descreva os três diferentes conceitos da história e seu significado para a humanidade.

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7. De acordo com cada um dos seguintes, qual é a fonte dos recursos?

Secularismo:

Teísmo Bíblico:

8. Como o conceito bíblico de recursos impactou o seu pensamento?

9. Qual a moral da História que Transforma?

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O Poder da História Ao nos aproximarmos do século 21, como devemos entender a missão da Igreja? Grande parte da Igreja do final do século 20 vê a Grande Comissão de Cristo como um chamado para o evangelismo – a salvação dos perdidos e a implantação de igrejas. Outros cristãos dizem que devemos nos preocupar não somente com evangelizar, mas também com discipular: “A Grande Comissão tem a ver com discipulado. Precisamos discipular as pessoas para serem espirituais, se dedicarem à leitura da Bíblia, à oração, à comunhão, irem à igreja.” Mas é isto o que diz Mateus 28:18-20? Não!

A Grande Comissão é um chamado a discipular as nações (ethnos), “ensinando-os a obedecer a tudo o que lhes ordenei.” Deus quer redimir todas as tribos e nações para Si mesmo. Isto começa, mas não se encerra, com o evangelismo das pessoas. A partir das pessoas, precisamos discipular as nações. Este discipulado, porém, não pode ser somente espiritual ou religioso. As pessoas precisam ser discipuladas para viverem a vida em toda a sua plenitude coram Deo – “diante da face de Deus.”

Por que a Igreja se esqueceu que

a Grande Comissão envolve o

discipulado de nações? Porque

ela esqueceu a cosmovisão

bíblica. Se queremos ser fiéis à

missão que Cristo deu à Igreja do

século 21, precisamos voltar à

nossa preciosa herança de uma

cosmovisão bíblica.

Neste pequeno documento, examinaremos duas questões fundamentais de cosmovisão: primeiro, por que perdemos a cosmovisão bíblica? Segundo, quais são alguns dos fundamentos da cosmovisão – “A História Transformadora” – que são críticos para o discipulado de nações.

A história que vamos narrar estabelece a estrutura das nossas vidas, e deveria também estabelecer a estrutura das nossas vidas profissionais, como agentes de desenvolvimento. Temos uma história dramática. É uma história que pode transformar indivíduos, comunidades e até nações. Nossa História começa num jardim e termina numa cidade. Ela começa em Gênesis 1 e termina no livro de Apocalipse. Ela começa com Deus. “No princípio, criou Deus o céu e a terra …” Ela começa num jardim, com uma ordem para a humanidade desenvolver a terra. Esta é uma história sobre Deus, a Sua criação e o lugar do homem na Sua criação. A nossa História nos mostra como o homem se rebelou contra o Rei dos céus, e como o Rei enviou o Seu Príncipe à terra para morrer pela raça rebelde. Em seguida, vemos o Príncipe dar uma ordem à Igreja.

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Ele está convocando a Igreja para ir e fazer discípulos de todas as nações – não somente evangelizar, não somente discipular pessoas para serem religiosas. O objetivo da Comissão é discipular nações, construir nações, não somente ouvir tudo o que Cristo ensinou, mas considerar como precioso tudo que Ele ensinou.

E então, a nossa História termina com a volta do Príncipe. Jesus vai voltar e, quando Ele voltar, não vai mais existir fome. Nem pobreza. E quando Ele voltar, a glória das nações será entregue ao Reino de Deus. Esta é a nossa história. Precisamos olhar para as nossas vidas dentro do contexto desta história. E temos que ver o nosso trabalho de desenvolvimento, as nossas vidas profissionais, no contexto dessa história. Mas a nossa geração se esqueceu desta História. O que eu gostaria de fazer em primeiro lugar, é ver porque perdemos a História, e ver o impacto dessa perda sobre a nossa área de trabalho – o desenvolvimento. Em seguida, gostaria de examinar alguns dos aspetos chaves desta História, e começar a estabelecer a estrutura mental do nosso trabalho.

Cada cultura tem a sua história. O que eu procurei fazer, foi olhar de maneira abrangente, extensa, as histórias culturais do animismo, do secularismo e do teísmo bíblico. Cada uma destas cosmovisões tem um ponto de partida diferente – e um entendimento bem diferente da natureza do ser humano, da natureza e da história. Cada uma destas cosmovisões cria uma história diferente. A história do secularismo estabelece a trama do desenvolvimento moderno; ela cria a estrutura na qual a indústria de desenvolvimento funciona atualmente. Mas como cristãos, temos uma cosmovisão diferente. Se tivéssemos consciência disto, teríamos desenvolvido um conceito bastante diferente de desenvolvimento.

A cosmovisão pode ser comparada a um par de óculos. Ela define o que vemos, não o que há para ser visto. Entre nós há muitos que usam óculos. O que aconteça quando você tira os seus óculos? O mundo pareça diferente. Cosmovisão é como os óculos da mente. Todo mundo tem esses óculos em suas mentes, e as lentes desses óculos foram fabricadas pela cultura de cada um. Eu fui criado nos Estados Unidos e os óculos culturais com os quais cresci são seculares. Tornei-me cristão quando era adolescente, mas continuei a olhar o mundo com óculos seculares. Tinha o “coração circunciso”, mas a “mente não circuncisa” Como profissional, continuei olhando o mundo através daquela mente não circuncisa.

Em contraste com o secularismo, o animismo tem uma perspectiva bem diferente da realidade. O animismo também tem uma história sobre a natureza do ser humano, da natureza e da história, porém estabelece um sistema de valores e um estilo de vida muito diferentes. Muitos dos pobres do mundo usam os óculos do animismo, e esta maneira de enxergar pode contribuir para as circunstâncias da sua pobreza. O secularismo, o animismo e o teísmo bíblico enxergam o mundo de uma perspetiva radicalmente diferente. Cada um deles estabelece valores diferentes na cultura e, assim, formam sociedades e instituições diferentes.

Vamos ilustrar como funcionam estes óculos da mente. O que você vê nesta ilustração?

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Algumas pessoas vêem uma velha, e outras vêem uma jovem bonita. Estamos todos olhando a mesma coisa, mas vemos coisas diferentes. Depende da sua percepção. Isto é um exemplo de como funciona a cosmovisão. A cosmovisão determina o que você vai ver, e não o que há para ser visto.

A nossa História começa com estas palavras: “No princípio, criou Deus os céus e a terra.” A Bíblia diz que antes do universo existir, Deus já existia. Deus está fora da Sua criação e cria um mundo verdadeiro. E em cada estágio do início da nossa História, Deus diz: “É bom.” Ao encerrar o processo da criação, Ele diz: “É muito bom!” Imagine um artista pintando um quadro. Ele trabalha um pouco e diz “Ah, isto é bom.” E trabalha mais um pouco. “Ah, está bom” E quando termina a obra-prima, ele exclama: “Isto é muito bom!” Deus existe e

criou um mundo real, que é bom.

O desenho que você vê representa o fato de que Deus tem um relacionamento com a Sua criação. Ele está presente na Sua criação de quatro maneiras. Ele está presente como pessoa; Ele está aqui, nesta sala, neste momento. Ele está presente na história. Ele levantou Moisés para libertar o povo de Israel. Ele levantou Abraão e disse, “Quero que você seja uma benção para todas as nações da terra.” Ele levantou os profetas, levantou organizações. Ele trabalha na história. Deus trabalhou também na encarnação. O Deus do universo assumiu a forma humana e habitou entre nós. Ele viveria nas favelas. Ele viveria nas comunidades do interior. Deus

habitou entre nós. Finalmente, Ele está presente na pessoa do Espírito Santo, o qual habita na vida dos crentes. Esta é a cosmovisão da Bíblia, e era a cosmovisão do mundo ocidental até 200 anos atrás.

Naquele tempo, aconteceu uma mudança na cosmovisão de teísmo para deísmo.

Esta era a cosmovisão na Europa na época da revolução francesa. Esta era a cosmovisão nos Estados Unidos quando o país estava sendo formado. Alguns dos fundadores dos Estados Unidos eram teístas, outros eram deístas. Os deístas crêem que Deus existe e que o mundo existe, e Ele é como um relojoeiro. Deus fez um relógio, deu corda nele e o deixou trabalhando por conta própria.

O que falta nesta cosmovisão? Os relacionamentos pessoais de Deus, as linhas do nosso desenho. A interação pessoal, “as linhas”, sumiram. Nesta cosmovisão, Deus é um Deus distante. Ele não se revelou na Sua Palavra, em Cristo. Você pode orar, mas Ele não está aí para ouvir. Esta visão não durou muito tempo, por que era muito instável. A pergunta lógica é, se nos não podemos ter comunhão com Deus, e se oramos e Ele não responde, por que precisamos Dele? Por isso, esta cosmovisão durou somente cem anos.

A cosmovisão predominante transferiu-se imediatamente para o humanismo moderno. Este ponto de vista começou a influenciar a

Deísmo

Deus

Cosmos

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Europa e a América do Norte há uns 130 anos e é a cosmovisão do homem moderno. É a cosmovisão de Charles Darwin, da educação moderna, e da sociedade consumista moderna. Você nota, Deus não existe. Mas não é só Deus que não existe, não há nada transcendental. Não há espiritualidade; a única realidade é a matéria. Tudo é definido em termos materiais. Tanto os problemas quanto as soluções são definidos em termos materiais. Na verdade, nada mais pode haver, porque por definição, matéria é tudo o que existe. A industria moderna de desenvolvimento nasceu desta cosmovisão. A educação moderna ocidental nos ensina a pensar desta maneira. E não é diferente para os Cristãos. A menos que nos conscientizemos de que as cosmovisões existem, e comecemos a analisar a nossa cosmovisão, a nossa tendência será cair nesta cosmovisão secular moderna.

Este foi o momento em que a Igreja deveria ter-se agarrado com firmeza à cosmovisão bíblica. Mas em vez de defender esta cosmovisão contra o secularismo, a Igreja da virada do século cometeu um erro muito grave. Em vez de serem pró-ativos com a cosmovisão bíblica, os cristãos reagiram à cosmovisão secular. Eles disseram, “Deixaremos o mundo para os secularistas. A nós interessam somente as coisas espirituais.” Ou seja, a Igreja aceitou uma cosmovisão “grega” ou dividida. No pensamento grego, o mundo estava dividido entre o mundo espiritual e o mundo material. “O espiritual é bom e o material é mau. O espiritual é sagrado e o material é secular.” Então a Igreja da virada do século estava interessada em teologia, ética e missões, mas não em razão, negócios e política. Estas eram coisas do mundo.

Infelizmente, como esta cosmovisão dividida era ensinada nas escolas bíblicas e nos seminários, ela estabeleceu a natureza de grande parte da Igreja, e reformulou o conceito da Grande Comissão. Então, os formados pelas escolas bíblicas e pelos seminários entravam nas igrejas como pastores, ou iam para Ásia, África ou América Latina como missionários e plantavam Igrejas de mentes gregas. O propósito da Igreja e da Grande Comissão era pregar o evangelho, salvar almas para a eternidade – o foco era somente o espiritual. E ponto final. A isto chamo de “paradigma de primeira ordem” da Grande Comissão.

Alguns cristãos dizem que precisamos ir além do evangelismo; temos que discipular. Então, quando uma pessoa vem a Cristo, ela precisa ser discipulada. Mas esses cristãos, vêem a tarefa somente no sentido espiritual ou religioso. Eles querem ensinar os novos crentes a orar e a ler a Bíblia e nada mais. Este é o “paradigma de segunda ordem.” Neste caso, a Grande Comissão foi reduzida a uma atividade espiritual.

Mas, a Grande Comissão diz que devemos fazer discípulos de que? Nações! Não somente indivíduos. “Ensinando-os (nações) a obedecer tudo o que lhes tenho ordenado”. Deus quer redimir as nações para Si mesmo. O discipulado das nações começa com indivíduos conhecendo Cristo. Portanto, tem que haver evangelismo. E também, tem que haver discipulado, mas este tem que ir além de ajudar as pessoas a se tornarem espirituais. As pessoas precisam ser discipuladas em todas as áreas da vida. Normalmente o que acontece é irmos à Igreja aos domingos, onde o “espiritual” acontece. E depois, o que acontece de segunda a sábado? Trabalhamos no mundo e vivemos de acordo com as regras do mundo. E muitas vezes como agentes de desenvolvimento, fazemos as coisas da igreja no domingo e nos envolvemos com a indústria do desenvolvimento no restante da semana. Às vezes temos vontade de trazer algo “espiritual” para a nossa semana, então vamos à igreja ou temos um estudo bíblico durante a semana. Mas, como profissionais, continuamos a funcionar com uma cosmovisão secular.

A cosmovisão secular não é muito forte. Não é muito atraente. Mas, uma nova cosmovisão esta vindo, por que vivemos num mundo não somente pós cristão, mas também um mundo pós moderno. O secularismo está morrendo. Se você olhar para o mundo comunista, você percebe que ele está desmoronando. Por que é que as estruturas e as instituições do comunismo estão desmoronando? Porque foram edificadas sobre os fundamentos do secularismo, e estes não são fundamentos fortes. Se você olhar cuidadosamente Europa e América do Norte, vai observar que eles estão vivendo de lembranças. Do lado de fora, as suas sociedades parecem boas e saudáveis, mas, se você olhar para o seu núcleo, vai ver que estão apodrecendo. Existe uma falência moral e espiritual no coração da cultura ocidental de hoje.

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Uma nova cosmovisão está surgindo, a cosmovisão pós-moderna – o que muitos estão chamando de Nova Era. Mas na verdade não é uma era “nova”, mas uma era velha. É o hinduísmo vestido com uma linguagem ocidental e está invadindo o que foi o mundo moderno. Veja, por exemplo, o filme Guerra nas Estrelas. Um grande filme, tecnicamente brilhante e avançado para o seu tempo. Guerra nas Estrelas é um folhetim do Hinduismo. Muito daquilo que está saindo dos estúdios Disney tem uma forte influência da Nova Era. Esta é a cosmovisão que está vindo. Merece mais atenção do que está recebendo, por que estará influenciando a formação dos nossos filhos e, quem sabe, também, a dos filhos deles.

A cosmovisão afeta todas as áreas da vida. O que está no núcleo é a nossa cosmovisão. A cosmovisão de um povo estabelece os princípios fundamentais da sua cultura.

Esta, por sua vez, afeta todas as áreas e instituições da vida. Portanto, a cosmovisão afeta os princípios fundamentais da cultura, e estes afetam educação, política, desenvolvimento e economia.

Vamos tomar como exemplo a área do desenvolvimento. Alguns anos atrás, um amigo meu foi à uma conferência da USAID (U.S. Agency for International Development – Agência Norte Americana para o Desenvolvimento Internacional) em Washington, D.C., EUA. A maioria dos participantes esteve envolvida com desenvolvimento durante 20 ou 25 anos. A pergunta em todos os lábios era: “O que é desenvolvimento?” Muitas pessoas estavam investindo as suas vidas em algo, sem nunca ter descoberto o que realmente estavam fazendo. Nós, envolvidos em desenvolvimento, somos na grande maioria ativistas. Queremos ajudar os pobres a sair da pobreza. Queremos ver as coisas

mudarem. Então, nos envolvemos com agências de desenvolvimento. E queremos fazer projetos. Os projetos tratam de estratégias e métodos, com pessoal e orçamentos.

A maioria de nós participa de organizações cristãs porque é motivada por Cristo no seu trabalho. Dizemos que queremos fazer aquilo que fazemos bem. Então, a cada ano, reavaliamos os projetos que estamos fazendo. Queremos ser profissionais, então avaliamos o nosso trabalho e o comparamos com o que os outros estão fazendo. Contratamos consultores externos para examinar e avaliar o nosso trabalho, porque queremos fazer o nosso trabalho profissionalmente. Mas a pergunta é, que tipo de projeto? O tipo de projeto que fazemos será determinado pela nossa política e o nosso conceito de desenvolvimento. O que é desenvolvimento? Será que realmente já consideramos esta questão?

Durante as minhas viagens, observei que a maioria das pessoas envolvidas em desenvolvimento são ativistas. Estamos sempre ocupados cumprindo prazos, concluindo projetos, apresentando relatórios e elaborando novos projetos. Estamos muito ocupados e quando você pergunta “O que você está fazendo?” estamos ocupados demais com os projetos para refletir sobre a pergunta, “O que é desenvolvimento?” A pergunta diz respeito às teorias de desenvolvimento. É aqui que estabelecemos os nossos alvos e objetivos para o projeto. Mas a maioria, se formos honestos, diremos que temos pouco tempo para isto porque estamos ocupados demais fazendo projetos.

É razoável, mas a pergunta é: “De onde veio o nosso conceito de desenvolvimento?” Poucos de nós voltam ao começo. E então começamos a perguntar: “Por que?” Aqui está o seu conceito de desenvolvimento. Por

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que? Bom, queremos que você pergunte por que, e volte e comece a expor os valores pessoais e culturais. Comece a expor os valores da indústria da qual você faz parte – a ética da indústria. Não me refiro à moral; refiro-me ao ethos da indústria, à cultura. De onde vem a cultura da indústria? Do seu sagrado sistema de crenças, a cosmovisão. Mas a maioria de nós está tão ocupada que nunca tem tempo para refletir sobre o que é desenvolvimento, ou mais profundamente, refletir sobre os princípios e paradigmas que estão por trás das nossas políticas. A sabedoria exige o nosso envolvimento em ação e reflexão. Portanto, temos que nos envolver com o nosso mundo, mas também precisamos refletir sobre por que estamos fazendo o que estamos fazendo. E se de fato somos cristãos, com corações circuncisos mas mentes não circuncisas, e se fazemos parte de uma indústria que foi definida por uma cosmovisão secular, poderemos estar envolvidos em muitos projetos seculares.

Quando estive na Bolívia há um ano e meio, fiz este apresentação. Depois da apresentação, alguns obreiros

me procuraram e me ajudaram com este diagrama. Eles disseram: “Darrow, entendemos o que queremos

fazer. Queremos fazer o certo porque somos cristãos. E é por esta razão que avaliamos os nossos projetos

todos os anos, porque buscamos a excelência nas coisas que estamos fazendo.” Então, disseram isto: “O

que você está nos dizendo é ‘Não é suficiente fazer as coisas da maneira certa. Precisamos, além disso,

fazer as coisas certas.” O que eles entenderam é que podemos fazer as coisas erradas da maneira mais

profissional. Se tudo o que fazemos é analisar os nossos projetos desta maneira, poderemos fazer todas as

coisas erradas com excelência. Então, não basta ser um ativista. Precisamos parar para refletir. E temos que

refletir ao nível da cosmovisão. Precisamos começar a levar a sério a cosmovisão da Palavra de Deus no

contexto do nosso trabalho, porque não queremos simplesmente fazer as coisas da maneira certa –

queremos fazer as coisas certas. E fazer as coisas certas com excelência. São dois processos diferentes.

O PODER DA HISTÓRIA

GUIA DE ESTUDO

1. Quais são os grandes temas da História Bíblica?

2. Como funciona a cosmovisão?

3. Quais são as quatro maneiras como Deus está presente?

4. Como a igreja reagiu ao florescimento do secularismo na virada do século?

5. Quais foram algumas das conseqüências desta decisão fatal?

6. O que está acontecendo no Ocidente e o Oriente “comunista” enquanto o secularismo agoniza?

7. Descreva, com as suas próprias palavras, a relação entre projetos, políticas, princípios e paradigmas no

diagrama “Impacto da Cosmovisão Sobre o Desenvolvimento.”

8. Qual a diferença entre “fazer as coisas da maneira certa” e fazer as coisas certas”?

9. Para um trabalhador compassivo, por que não é suficiente fazer as coisas da maneira certa?

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O Reino de Deus...

O cristianismo perdeu o Ocidente. O Ocidente vive um estado de decadência moral e cansaço espiritual. A

decadência começou com o abandono da cosmovisão bíblica e continuou com a influência bárbara do

secularismo chegando à sociedade ocidental. A ascensão da cultura pós moderna (neo-animista) dominou a

última década do século 20.

A Igreja da nossa geração abandonou a cultura muito depressa. Está esperando o céu, esquecida de sua

missão. Por que? O que aconteceu? Nos esquecemos do Reino de Deus e de que a nossa tarefa é discipular

nações.

E. Stanley Jones, estadista missionário na Índia declarou: “O Reino é a resposta total de Deus para a

necessidade total do homem.” Muito interessante. Gálatas 3:8 diz que as Escrituras previam que Deus iria

justificar os gentios pela fé e anunciou o Evangelho primeiro a Abraão. Qual foi o Evangelho que Ele

anunciou primeiro a Abraão? Todas as nações serão abençoadas através de você. Esta é a boa notícia. A

boa notícia do Reino de Deus. Jesus ensinou e pregou a boa notícia do Reino de Deus e modelou o Reino de

Deus com a própria vida.

Antes de examinarmos alguns dos elementos críticos do Reino, vamos definir o Reino de Deus. A definição

mais simples é: o Reino de Deus é todo o ambiente onde Cristo, o Rei, reina. Portanto, o Reino de Deus é

qualquer lugar onde Cristo está reinando. Cristo está reinando em sua vida? Então o Reino de Deus está aí.

Cristo está reinando em sua igreja? Então o Reino de Deus está lá. O Reino de Deus pode estar numa igreja

local, numa comunidade, ou numa nação onde Cristo está reinando. Outra maneira de dizer isto é que o

Reino de Deus é o lugar onde é feita a vontade de Deus. O que oramos na Oração do Pai Nosso? “Venha o

Teu Reino, seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu.” Primeiro, oramos pela volta de Cristo com

o Seu Reino. Depois, oramos por nós mesmos, para que o Reino possa ser manifestado hoje em nossas

vidas.

Se você está plantando uma igreja, que tipo de igreja vai ser? Mateus 25:31-46 descreve a volta de Cristo

como Rei. Quando Ele voltar, Ele vai separar as ovelhas dos bodes. O fator diferencial entre os dois é o

ministério da compaixão. As ovelhas manifestaram compaixão; os bodes não. Precisamos edificar igrejas do

Reino que sejam sal e luz para as suas comunidades, dispostas a criticar a cultura desses lugares e a se

posicionar ao lado da justiça e da verdade em meio à corrupção. Precisamos criar igrejas que entendam

que precisam santificar todas as áreas da vida. Precisamos construir igrejas que entendam que o caráter de

Deus é compassivo, e que Ele quer manifestar a Sua compaixão através da Igreja. Precisamos discipular

cristãos do Reino e edificar igrejas do Reino se queremos que o Reino venha.

Agora vamos ver os sete elementos que descrevem a natureza do Reino de Deus. Primeiro, o Reino é

revelado na pessoa de Jesus Cristo, o Rei. Colossenses 1:19 diz que em Jesus Cristo habita toda a plenitude

de Deus. O que Jesus revelou na carne? Ele revelou como Deus é. Ele pôde dizer: “Quem me vê, vê o Pai.”

Mas, Ele também revelou na carne como é o Reino de Deus. Alguém afirmou que nós construímos nações

de acordo com o deus que cultuamos. Edificamos instituições baseados no deus que cultuamos. Que tipo

de deus cultuamos? Ao olhar para qualquer instituição ou examinar uma nação, você poderá ter uma idéia.

Não devemos simplesmente viver a vida cristã dentro do contexto da nossa cultura; temos de vivê-la diante

da face de Deus de formas que ajudam a redimir a nossa cultura e edificar a nossa nação. O Reino é

revelado na pessoa de Cristo.

Segundo, o Reino é abrangente. É inteiramente inclusivo. O que Colossenses 1:20, “... e por meio dele

reconciliasse consigo todas as coisas...”, diz que Cristo veio redimir? Todas as coisas. Por que Cristo morreu

na cruz? Para salvar almas? Sim. Mas, isso é tudo? Não! Por que Cristo morreu na cruz? Para salvar o

homem. Sim. Mas, isso é tudo? Não. Por que Ele morreu na cruz? O que diz a Palavra de Deus?

Reconciliasse consigo todas as coisas, não só a alma do homem, não só o homem. Ele quer reconciliar com

Ele todas as coisas. Talvez ainda não acreditemos nisto, por isso Paulo escreve: “... tanto as coisas que

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estão na terra quanto as que estão no céu.” Por que Cristo morreu? Para restaurar algumas coisas? Poucas

coisas? Não, para restaurar todas as coisas para Ele mesmo.

Vamos verificar Romanos 8:18-23. Na leitura desta passagem, procure ver o que Paulo diz que está

esperando a redenção.

Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós

será revelada. A natureza criada aguarda, com grande expectativa, que os filhos de Deus sejam

revelados. Pois ela foi submetida à futilidade, não pela sua própria escolha, mas por causa da

vontade daquele que a sujeitou, na esperança de que a própria natureza criada será libertada da

escravidão da decadência em que se encontra para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus.

Sabemos que toda a natureza criada geme até agora, como em dores de parto. E não só isso, mas

nós mesmos, que temos os primeiros frutos do Espírito, gememos interiormente, esperando

ansiosamente nossa adoção como filhos, a redenção do nosso corpo.

A criação foi sujeitada à queda. O que Paulo está dizendo que está aguardando a redenção? Toda a criação!

Quatro vezes Paulo diz que toda a criação está aguardando a redenção. Depois disso, ele fala dos filhos de

Deus. Quem são os filhos de Deus? Eu sou. Se você é cristão, você é. O que Paulo diz que a criação está

aguardando? Ele diz que a criação está aguardando a revelação dos filhos de Deus. O que isto quer dizer?

Que fomos declarados santos e justos; agora devemos viver vidas santas e justas para os nossos

semelhantes e para a criação. Por meio da justificação fomos declarados filhos de Deus. Quando

recebemos a Cristo como nosso Senhor e Salvador, fomos adotados na família de Deus. Na medida em que

crescemos em Cristo, vamos ficando cada vez mais parecidos com o nosso Pai, revelando o nosso ser como

filhos e filhas de Deus. Expressamos mais a Sua natureza. Expressamos mais o que significa ser um ser

humano pleno. Expressamos mais o que Deus nos criou para sermos.

Leia novamente o versículo 21. O que a criação toda está esperando? “A própria natureza criada será

libertada da escravidão da decadência em que se encontra para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus.” Do

que a natureza vai ser redimida? Da escravidão da decadência. Para que ela vai ser redimida? Para a

gloriosa liberdade dos filhos de Deus. A natureza está ansiosamente esperando que estejamos maduros em

Cristo para podermos ser mordomos de tudo o que Deus criou. Ao amadurecermos como cristãos, veremos

a necessidade de nos posicionarmos contra o mal natural no mundo, lutarmos contra a fome e a pobreza,

sermos bons mordomos da natureza. Os cristãos deveriam estar liderando, não seguindo, o movimento

ecológico. Por que deveríamos estar liderando esse movimento? Porque somos filhos de Deus e Deus está

redimindo todas as coisas para Si mesmo. Deus está em ação libertando toda a criação.

A abrangência da Sua ação é a humanidade toda e todos os nossos relacionamentos. Não é só libertar as

almas para o céu. Isto é o que o pietismo diz: “Só precisamos salvar almas para o céu.” O liberalismo diz

que nós não precisamos nos preocupar com a alma; precisamos nos preocupar com o corpo. O que diz o

Reino de Deus? Que tudo precisa ser redimido. O todo precisa ser redimido.

Cosmovisão é a maneira completa de ver, e o Reino é a maneira completa de viver. Se grandes áreas da

nossa vida são “incircuncisas”, então grandes áreas da nossa cultura serão “não-redimidas”. Vamos redimir

a cultura somente até ao nível em que as nossas próprias vidas forem circuncisas. Se somente os nossos

corações forem circuncisos, se somente a nossa parte espiritual for circuncisa, jamais conseguiremos

redimir as nossas culturas.

Terceiro, o Reino de Deus santifica o comum. Isto significa que o Reino de Deus dá dignidade às coisas que o

mundo chama de servis. De acordo com 1 Coríntios 10:31, “Assim, quer vocês comam, quer bebam, ou

façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus”, o que é que temos de santificar? O nosso

comer e o nosso beber. As coisas comuns. Zacarias 14:20-21 ilustra isto muito bem.

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Naquele dia será gravado nas campainhas dos cavalos: SANTO AO SENHOR; e as panelas na casa

do Senhor serão como as bacias diante do altar. Sim todas as panelas em Jerusalém e Judá serão

santas ao Senhor dos Exércitos; todos os que oferecerem sacrifícios virão, lançarão mão delas e

nelas cozerão a carne do sacrifício. Naquele dia já não haverá mercador na casa do Senhor dos

Exércitos.

Viu o que diz? Nas panelas vai estar gravado SANTO AO SENHOR. As campainhas dos cavalos vão ter a

inscrição SANTO AO SENHOR. Quando o Reino de Deus chega numa casa, as coisas pequenas e

insignificantes tornam-se santas. Quando tratamos bem as pequenas coisas, estamos gravando nelas “Isto

é santo ao Senhor”.

Outra maneira de dizer isto é que nós

temos de viver todas as áreas das

nossas vidas diante da face de Deus. Os

reformadores usavam a frase em latim

coram Deo. Eles saudavam uns aos

outros com “Viva hoje coram Deo”—

viva hoje diante da face de Deus. Não é

só quando estamos na igreja que

devemos viver diante da face de Deus.

Quando e onde devemos viver diante da

face de Deus? A toda hora e em todo o

lugar.

Antigamente, quando as pessoas

entendiam este conceito, algumas

mulheres tinham na cozinha uma placa

na qual estava escrito: Cultos de

adoração três vezes ao dia neste lugar.

O que esta mulher tinha entendido? Ela

estava vivendo diante da face de Deus.

Ela não era cristã só quando estava na

igreja. Ela não era cristã só quando

estava fazendo o seu devocional ou

quando estava fazendo um estudo

bíblico. Quando ela era cristã? Em todos

os momentos da sua vida. Assim, quando estava em casa preparando a refeição para a família e para os

convidados, ela entendia que aquilo era um ato de culto ao Deus vivo.

Vou dar outra ilustração. Eu estava participando de um culto numa igreja muito pobre que a missão Food

for the Hungry [Alimentando os Famintos] ajudou a começar em Huarina, Bolívia. A maior parte dos

membros dessa igreja eram lavradores pobres. Qual é a posição dos lavradores na maioria das sociedades?

Muito baixa. São olhados de cima. As histórias culturais da maioria dos países dizem que se você trabalha

com a terra, você não é nada. Os líderes da igreja me perguntaram se eu gostaria de saudar as pessoas da

igreja. Fiquei em pé, abri as Escrituras e li Gênesis 2:8: “E plantou o Senhor um jardim no Éden, da banda do

Oriente...” O que? O Senhor tinha plantado um jardim. Deus é jardineiro. Ele plantou um jardim. Pude ver

os semblantes daqueles lavradores se iluminarem. Eles eram lavradores. Mas, quem mais era lavrador?

Deus. A dignidade pode ser restaurada. Você está na agricultura. O Deus do universo é um jardineiro! Você

já tinha pensado nisto? Ele quer que tragamos todo o pensamento cativo a Cristo.

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Não pensamos mais assim. Pensamos que Deus é somente o Deus do espiritual. Mas, Ele é Deus de tudo,

ou não é Deus de nada. Ele é Deus da vida inteira. Você vive diante da face de Deus em todas as áreas da

sua vida? Você é cristão só quando está na igreja? E no trabalho? Você já pensou o que significa ser um

cristão que é engenheiro? O que significa ser um cristão que é educador, médico, comerciante ou

construtor? Se pensarmos como os gregos, estaremos preocupados em ser cristãos só no reino espiritual.

Deus quer que sejamos cristãos em todas as áreas das nossas vidas. Se este pensamento é novo para você,

eu gostaria de incentivá-lo a começar a desenvolver uma teologia bíblica para o seu chamado. Comece a ler

a Bíblia para ver o que ela diz sobre a sua vocação. Você sabia que a Bíblia tem mais a dizer sobre economia

e negócios do que sobre salvação das almas? É isto mesmo. Mas nunca lemos com olhos que vêem isto.

Mas, muitas vezes, uma pessoa de negócios cristã é cristã na igreja e pessoa de negócios nos negócios.

Talvez seja hora de começar a desenvolver um par de óculos bíblico para o seu chamado vocacional.

Quarto, o Reino está aberto a todos. João 3:16 é o famoso convite para o Reino. Deus estende a Sua oferta

do Reino não só para os judeus, mas também para os gentios. É para escravos e livres, para homens e

mulheres. Gálatas 3:28 diz: “Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos

são um em Cristo Jesus.” Você não precisa pertencer a uma raça em particular ou a um grupo étnico ou a

um determinado sexo para poder ser convidado a entrar no Reino de Deus. O Reino transcende culturas.

Deus estende o convite para o Seu Reino a todas as pessoas: “Venha e submeta-se ao Rei e entre no Seu

Reino.”

Quinto, o Reino é “agora e ainda por vir”. A oração em Mateus 6:10 diz: “Venha o Teu Reino...” O que

estamos pedindo ao orarmos assim? “Jesus, venha com o Teu Reino. Ele ainda não está aqui. Por favor,

Senhor, traga-o.” Isto é o futuro; o Reino está para vir. E depois o que ela diz? “Seja feita a Tua vontade...”

Quando? Agora. Este é o aspecto presente do Reino. Nós devemos estabelecer as regras do Reino em

nossas vidas, em nossas comunidades e nações hoje. É um misto misterioso de estar aqui agora, e ainda

estar por vir. O Reino de Deus está dentro de você. O Reino de Deus está fora do universo, mas dentro de

mim. É agora e ainda por vir.

Sexto, o Reino de Deus é inabalável. Vamos ver Hebreus 11:10. “Pois ele [Abraão] esperava a cidade que

tem alicerces, cujo arquiteto e edificador é Deus.” Abraão esperava alguma coisa. Deus disse: “Abraão, saia

da sua nação, deixe o seu povo, e vá para o deserto.” O que Abraão procurava no deserto? Uma cidade.

Que cidade? A Cidade de Deus. Preste atenção a estas palavras: “a cidade que tem alicerces, cujo arquiteto

e edificador é Deus” (Este é um “pensamento bônus”). Deus um arquiteto? O que está escrito? Que Ele é

um arquiteto. O que mais? Ele é um edificador [um construtor]. O Deus do universo é construtor e

arquiteto. Os engenheiros que existem no meio de vocês não querem deixar de fazer engenharia. Deus é

um engenheiro. O que significa ser arquiteto para um cristão? Deus é um arquiteto. Ele quer falar em todas

as áreas.

Em Hebreus 11:13-16, encontramos outra referência ao Reino inabalável.

Todos estes ainda viviam pela fé quando morreram. Eles não receberam as promessas; viram-nas

de longe e de longe as saudaram, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra. Os

que assim falam mostram que estão buscando uma pátria. Se estivessem pensando naquela de

onde saíram, teriam oportunidade de voltar. Em vez disso, esperavam eles uma pátria melhor, isto

é, uma pátria celestial. Por isso, Deus não se envergonhava de ser chamado o Deus deles, pois

preparou-lhes uma cidade.

Nós pertencemos à “geração microondas” da Igreja—queremos tudo instantaneamente. Deus não trabalha

com microondas, mas com macroondas. Deus trabalha na história, em multi-gerações. As pessoas

mencionadas em Hebreus 11 ainda estavam vivendo pela fé quando morreram! Se Deus faz uma promessa

e nós não a recebemos no mesmo instante, qual é nossa reação? Pensamos que há alguma coisa errada

conosco ou com Deus. Mas, Hebreus 11 fala de pessoas que viram a cidade de Deus diante delas,

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procuraram-na e morreram sem receber a promessa. Eles foram firmes e inabaláveis. Você está disposto a

viver a sua vida deste modo? Isto é andar na fé. E o versículo 16 diz: “Por isso, Deus não se envergonhava

de ser chamado o Deus deles.” Você não gostaria de ter isto como o seu epitáfio? Não seria maravilhoso

saber que Ele não se envergonhava de nós? Como conseguimos isso? Mantendo a promessa diante de nós,

sendo inabaláveis, confiando Nele até à morte.

Hebreus 12:28-29 afirma: “Portanto, já que estamos recebendo um reino inabalável, sejamos agradecidos

e, assim,. adoremos a Deus de modo aceitável, com reverência e temor, pois o nosso Deus é um fogo

consumidor.” Note a frase em itálico e tente imaginar isto. O Reino das Trevas e o Reino da Luz estão sendo

construídos lado a lado. Deus está construindo o Seu Reino em todo o mundo hoje. Ao mesmo tempo,

Satanás está trabalhando freneticamente na construção de um reino de mentira. Olhando para o mundo

podemos ver todo o tipo de atividade acontecendo. Grande parte do que Satanás está construindo chega a

impressionar. É muito atraente; resplandecente. Me atrai.

Grande parte do que Deus está construindo as pessoas não vêem. São pessoas agindo em silêncio,

despretensiosamente. São pessoas que visitam os presos, alimentam os que têm fome, vestem os nus,

abrem as suas casas para estranhos, cuidam de viúvas, e cuidam de órfãos com AIDS. Esse é o Reino de

Deus, e você pode não percebê-lo. Mas, um dia, vai acontecer um abalo. O mundo todo vai ser sacudido. E

o que vai desabar? Tudo o que Satanás construiu. Vamos olhar e ficar admirados de ver que Deus esteve

construindo o Seu Reino em nosso meio. O reino abalável vai ser um monte de entulhos. O Reino inabalável

será revelado em toda a sua glória.

Durante a primavera de 1997, estive em Belo Horizonte, visitando a base da JOCUM. Lá, um grupo de 15

Jocumeiros cuida de mais de dez bebês infectados com o vírus HIV. O mundo nem sequer sabe que lá existe

uma base. Aquelas crianças são crianças “jogadas fora”. Mas o Reino de Deus está naquela base. Diversas

agências na China trabalham com órfãos. “Crianças jogadas fora”. Sem nomes, sem história, sem registro

de nascimento. Quando os orfanatos ficam lotados, algumas crianças são colocadas em “quartos da

morte”, onde são deixadas sem comida até morrerem. Há uma equipe da Alimentando os Famintos

trabalhando lá. O mundo não sabe que estas coisas estão acontecendo. Deus está construindo o Seu Reino

e Satanás está construindo o seu reino.

Um dia vai acontecer um abalo e, quando esse abalo acontecer, o Reino das Trevas vai desmoronar e virar

um monte de entulhos. Mas, o Reino inabalável vai permanecer e a glória de Deus vai ser revelada. Outro

dia, Gary Stephens me contou que quando a JOCUM iniciou o seu trabalho em Hong Kong há muitos anos,

eles fizeram o trabalho que ninguém queria fazer, e sem o dinheiro necessário para realizá-lo. Esse trabalho

não chamou a atenção do mundo. Portanto, se você está trabalhando num lugar quieto e você está vendo

o reino de Satanás avançando à sua volta, não desanime, porque quando vier o abalo, a obra do Reino de

Deus será revelado.

Sétimo, o Reino de Deus é ofensivo. Leia Mateus 16:18 “E eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra

edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” O reino de Satanás não vai

vencer a igreja. Até cerca de seis meses atrás, eu pensava que a posição da Igreja era defensiva, a Igreja

estava na defensiva. Quem estava na ofensiva? Satanás. Mas, o que diz a Bíblia? “Eu vou edificar a minha

igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.” Para que servem as portas de uma cidade? Para

impedir a entrada do exército atacante. As portas são defensivas. Jesus disse que as portas do inferno não

vão prevalecer contra as investidas do Reino de Deus. Quem está na defensiva? Satanás. Quem está na

ofensiva? Os cristãos têm que estar na ofensiva. A igreja não pode só ficar reagindo aos ataques de

Satanás. Precisamos estar na ofensiva desafiando o seu reino. As portas do inferno não vão agüentar os

ataques do Rei! Jesus derrotou Satanás na cruz! A morte de Cristo foi um ato ofensivo contra Satanás.

Colossenses 1:15 diz que Cristo triunfou sobre os principados e potestades na cruz. Lá Ele foi um

conquistador vitorioso. As portas do inferno não vão prevalecer contra o avanço do Reino de Deus!

Devemos estar na ofensiva.

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Jesus Cristo derrotou Satanás! Na batalha decisiva da guerra, a guerra espiritual nos lugares celestiais, Jesus

venceu. Jesus é vitorioso! E Ele não foi vitorioso só na ressurreição. Ele foi vitorioso na cruz! A cruz foi a

vitória de Cristo sobre Satanás. A arma mais poderosa de Satanás contra nós era o medo da morte. Jesus

enfrentou a morte de frente. Na cruz, Jesus encarou Satanás e não piscou. Foi uma luta. Ele segurou as

lágrimas. Clamou ao Pai. Mas, foi soberano na cruz. Ele escolheu a cruz e a Sua vitória veio na cruz.

O Reino de Deus está na ofensiva. Temos uma mentalidade defensiva? “Não podemos discipular nações, é impossível.” Não, não somente é possível, mas vai acontecer (se não no nosso turno, vai ser numa futura geração de cristãos), porque o propósito de Deus na história é que a glória das nações seja revelada quando Jesus voltar com o Reino. Ele venceu a morte para que você não precise mais temer a morte. Ele morreu não para nos livrar do sofrimento, mas para nos livrar para o sofrimento. Há uma batalha acontecendo e nós somos do exército do Rei. Sangue vai ser derramado, mas as portas do inferno não prevalecerão. Celebremos a vitória que é nossa!

O Reino de Deus...

Guia de Estudo

1. Antes de ler a monografia, ore e tome um tempo para refletir sobre as perguntas que provocam o

pensamento a seguir (1.a e b somente).

a. Leia Mateus 16:16-18. O que significa “as portas do inferno não prevalecerão contra ela”?

b. Quando a Reforma chegou à Holanda, as igrejas da Holanda decidiram fechar as portas todos os

dias, menos aos domingos. Essas igrejas só ficavam abertas aos domingos em vez de todos os dias

da semana. Essa prática era mais ou menos espiritual? Por que?

2. De acordo com E. Stanley Jones, o que é o Reino de Deus?

3. Como esta monografia descreve a Grande Comissão?

a. Quanto este entendimento difere daquilo que você pensava antes sobre a Grande Comissão?

b. De que forma o conhecimento de que a Grande Comissão significa o discipulado das nações

influencia a sua vida e o seu ministério?

4. Em Romanos 8:18-32 aprendemos que a criação está aguardando que os filhos de Deus ajam em

relação à criação como filhos de Deus. Cite uma coisa prática que você pode fazer para tratar a

natureza mais gentilmente.

5. O que significa dizer que o Reino de Deus santifica o comum?

Identifique uma maneira prática de demonstrar isto em sua vida.

6. O que significa dizer que o Reino de Deus é ofensivo?

De que maneira prática a sua igreja ou missão ataca o reino de Satanás e a cultura da morte?

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O ABC da Cultura

A Teia de Mentiras

I. Introdução

No altiplano boliviano, muitos dos índios Aymaras converteram-se a Cristo, mas ainda vivem na

pobreza. Eles ainda reverenciam a divindade local, o Pacha Mama.

Ruanda foi o berço do reavivamento da África oriental. Oitenta por cento dos ruandenses entregaram as vidas a Cristo. O país foi evangelizado e igrejas foram plantadas. Porém do dia 6 de abril a meados de julho de 1994, aconteceu um genocídio. De uma nação de 7 milhões de pessoas, um milhão foram mortos e dois milhões refugiados. O que aconteceu? Não existe uma resposta simples.

A tese deste escritor é que nestes dois exemplos o animismo está no coração das duas culturas. Mesmo que o Evangelho tenha chegado e que igrejas tenham sido plantadas, houve uma falha no discipulado das “nações” sobre as “verdades profundas” do pleno conselho de Deus. Não houve uma transformação das mentes dos indivíduos e dos princípios fundamentais da cultura. Muitas vezes, as práticas cristãs religiosas cobriram a mente animista.

II. O Homem Natural é Escravizado

A. Leia Efésios 6:10-17

1. Contra o que a nossa luta não é? 2. Contra o que é a nossa luta? 3. Com suas próprias palavras, descreva quem é o inimigo.

B. Satanás, o Pai da Mentira

1. Leia João 8:44 a) Quem é Satanás? b) O que ele faz?

2. Leia Apocalipse 20:3,7-8 Qual é a grande estratégia de Satanás?

3. Leia 2 Coríntios 4:4 O que o deus deste século tem feito?

C.Leia Gálatas 4:3-10 e Colossenses 2:6-8,15,20

1. Como Paulo caracteriza o passado do crente? 2. Por quem? Obs.: Estamos procurando alguém, e não algo. 3. O que Cristo fez? 4. Como Ele fez isto? 5. Quais são as conseqüências no presente para o crente? 6. Qual é a escolha futura para o crente? 7. O que os principados e potestades usam para nos escravizar?

Obs.: Estamos buscando descobrir os seus métodos.

a) Gálatas 4:3 b) Colossenses 2:8

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III. As Ferramentas da Escravidão

A. Paulo argumenta que Satanás usa duas grandes armas para nos escravizar.

1. A filosofia centrada no homem (Colossenses 2:8), que ele chama de vã, enganosa e baseada

em tradição humana. Com suas próprias palavras descreva:

a) Vã (kenos) : b) Enganosa (apate) – engano c) Tradição humana (paradosis) – da palavra “transmissão” d) Leia 1 Pedro 1:18-19. Como Pedro descreve as conseqüências de seguir a filosofia

centrada no homem, a qual é transmitida de geração a geração?

2. Princípios básicos do mundo (Gálatas 4:9, Colossenses 2:8)

a) Em Gálatas, ele chama estes princípios de fracos e pobres. Com suas próprias palavras

descreva:

(1) Fraco (asthenes) – sem força (2) Pobre (purgos) – uma torre ou castelo

b) O que está subentendido quando os princípios básicos do mundo são descritos como

fracos e pobres.

c) O que quer dizer os “princípios básicos do mundo”:

(1) Palavra grega stoicheion (s) (stoy-key-on) = primeiros princípios

(2) De stoicheo (v) = andar de modo ordenado, andar em fila, como soldados marchando

d) Conceito: Primeiros princípios, elementos, rudimentos; em todas as áreas da vida

existem os primeiros princípios. Identifique os princípios fundamentais de:

(1) Ler e escrever

(2) Música

(3) Ciências

(4) Matemática

(5) Pintura

(6) Nações

e) Gailyn Van Rheenen, missionário no Quênia de 1973 à 1976, escreveu em

Communicating Christ in Animistic Contexts (Comunicando Cristo nos Contextos

Animistas):

…a visão sistemática (de guerra espiritual) vê as potestades como seres espirituais

pessoais que estão ativamente influenciando as estruturas socioeconômicas e

políticas das sociedades. Estas potestades estabeleceram as próprias regras e normas

que arrastam as culturas para longe de Deus. Os princípios fundamentais (stoicheia)

mencionados nos escritos de Paulo (Gl 4:3; Cl 2:8,20) são um exemplo disto. Stoicheia

são ilustrados pela observância legalista da lei, o culto aos anjos e o retorno às antigas

práticas animistas do cristão. Stoicheia nestes contextos são as contorções demoníacas

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da sociedade humana. As potestades, embora seres espirituais pessoais, invadiram o

tecido da sociedade. Assim, até instituições cristãs refletem estas influências

demoníacas quando as potestades invadem as instituições humanas.

f) Exemplos das Mentiras de Satanás

(1) Hinduismo: a ignorância é uma virtude, aviaya

(2) Machismo: os homens são melhores que as mulheres

(3) Hedonismo: a morte reina

(4) Secularismo: a vida humana não tem valor

g) Mencione duas ou mais mentiras aceitas como verdade na sua cultura.

B. Liberdade da Escravidão

1. Qual o fundamento para a destruição da comunidade (nacional)? *5

2. Qual o fundamento para o desenvolvimento da comunidade (nacional)? *6

3. Se indivíduos e nações vão estar permanentemente (leia “desenvolvimento sustentável” )

libertas do impacto da pobreza, os projetos de desenvolvimento precisam estar situados

dentro de um contexto maior. A pregação de Cristo pode libertar as pessoas do poder de

Satanás. A troca de stoicheion falsos por stoicheion do Reino estabelecem um alicerce de

desenvolvimento permanente.

4. Obreiros compassivos são obreiros de sabedoria.

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Revivendo a Reforma

Vivemos um tempo dentro da história cheio de desafios e emoções.

O comunismo está desmoronando no mundo inteiro, seus fundamentos abalados e as

estruturas sobre eles edificadas se desfazendo. O Ocidente pós-cristão está comprometido

com uma guerra civil de idéias entre os defensores da antiga herança (valores judaico-cristãos)

e os defensores dos novos valores humanistas do materialismo. Pela primeira vez na história,

temos a capacidade técnica para acabar com a fome. O Leste Europeu e a antiga União Soviética vão assimilar o hedonismo moderno do Ocidente, ou a Igreja estará provendo uma alternativa judaico-cristã não materialista? O Ocidente vai retornar aos fundamentos assentados pelos valores judaico-cristãos e resistir ao deslizamento para uma cultura de morte? A Igreja vai responder ao grito angustiado das pessoas que passam fome física e espiritual?

O estudioso e autor católico romano Michael Novak escreveu amplamente sobre a influência das idéias e valores sobre o desenvolvimento econômico. Num dos seus livros mais recentes, The Spirit of Democratic Capitalism [O Espírito do Capitalismo Democrático], ele escreveu:

Não faz muito tempo, os Estados Unidos eram uma colônia da maior potência da Europa. Não faz muito tempo, estavam presos na mesma pobreza e subdesenvolvimento de outras nações. No início do seu desenvolvimento, eram pelo menos tão pobres quanto as colônias da Espanha e de Portugal na América Latina. As Américas, do Norte e do Sul, igualmente colônias e igualmente subdesenvolvidas, foram fundadas sobre duas idéias radicalmente diferentes da economia política. Uma tentou recriar a estrutura político-econômica da Ibéria feudal e mercantilista. A outra tentou estabelecer uma novus ordo seclorum, uma nova ordem, em torno de idéias nunca antes imaginadas na história humana. (grifo meu)

Os dois conjuntos de ideais apresentaram resultados totalmente diferentes.A América do Norte terminou muito mais rica e com mais liberdade do que a América do Sul! Por quê? A explicação de Novak é que os princípios da Reforma Protestante, manisfestados na vida político-econômica da Europa do Norte e América do Norte, produziu um resultado muito diferente que os dos valores e ideais da Igreja Católica Romana, manifestados na Europa Meridional e na América do Sul. Novak chama esta força motriz subjacente o “Espírito do Capitalismo Democrático”. De modo semelhante, o sociólogo e cientista político alemão do Século XIX Max Weber chama este princípio único: “A Ética Protestante”.

Nos Estados Unidos da América, o governo foi estabelecido “do povo, pelo povo, para o povo”. O povo é responsável pelas próprias vidas, ações e decisões. O princípio de um auto-governo pressupõe um povo auto-disciplinado, educado e moral .

A forma de governo resultante da compreensão dos reformadores contrastou com a hierarquia das igrejas Católica Romana e Ortodoxa, nas quais o Papa, ou o Patriarca, sentado no topo de uma estrutura piramidal de igreja, exerce a sua autoridade. O governo civil nestas sociedades imitou a igreja naquilo que era oligárquico, onde um grupo pequeno controla o governo. Na maioria das vezes, a igreja e os governos civis eram casados com uma estrutura econômica opressora na qual as pessoas eram pouco mais que escravos.

A Reforma do Século XVI reagiu ao Renascimento humanista dos séculos 14 e 15. Esta reforma e os movimentos reformistas subseqüentes lançaram a Europa do Norte e, mais tarde, a América do Norte numa era sem paralelos na história. Foi estabelecida uma cultura e valores articulados e incorporados que acabaram definitivamente com a fome e a pobreza do cidadão comum dos países da reforma. Essa era foi marcada por liberdade e oportunidade, o surgimento da ciência, uma geração incomparável de riqueza e o impacto correspondente na saúde, alfabetização, educação, produção agrícola e desenvolvimento geral.

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Que valores e ideais são estes? Quais são os princípios da Reforma? Eles não podem ser aplicados em nossa geração? Eles não podem ser adaptados às presentes necessidades do Leste Europeu, da União Soviética, da América Norte e do mundo faminto?

Eu não tenho dúvida de que podem e deveriam ser revividos. Uma revolução para mudar as estruturas não é o suficiente para promover liberdade e prosperidade. A simples mudança da proteção ou das estruturas que elas manipulam não resolve o problema. O problema é mais profundo, está nas mentes e nos corações das pessoas que constróem e controlam as estruturas. É necessária uma nova reforma. A transformação dos corações e das mentes das pessoas é fundamental para qualquer mudança duradoura nas áreas práticas da política e da economia.

Modelo Triádico da Reforma

Reformas protestantes do passado tiveram um impacto em três áreas: teologia, economia e política. Estas três esferas formam um modelo triádico dinâmico em sua interação.

A esfera teológica proporciona um alicerce sólido para o econômico e o político. Cada esfera interage com as outras e proporciona um efeito sidérico, o qual é maior que a soma das partes. As setas no diagrama abaixo indicam a interação que acontece entre as esferas.

Espírito (Teológico)

Democrático Capitalismo

(Político) (Econômico)

* Por capitalismo, eu quero dizer o sistema econômico fundamentado na ética, descrito neste artigo, e não o consumismo ocidental amoral, que hoje conhecemos.

Em contraste, a dinâmica é removida se os três elementos estiverem separados de modo puramente materialista ou espiritualista.

O mundo moderno é ateísta e materialista em suas suposições e rouba das esferas políticas e econômicas o seu fundamento teológico e moral. O resultado é uma tendência para definir problemas em condições unicamente físicas e soluções em condições meramente materiais.

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Democrático Capitalismo

(Político) (Econômico) De modo semelhante, a dinâmica está perdida se as coisas são vistas em termos puramente espirituais. Os gregos dividiram o mundo em elementos físicos e espirituais, considerando o físico profano e o espiritual sagrado. Muitas igrejas evangélicas e fundamentalistas do Ocidente hoje pensam como os gregos e separam o espiritual do físico. Concentrar-se somente nas “coisas espirituais” e desprezar a realidade física na qual vivemos torna a Igreja totalmente irrelevante no mundo de hoje.

Espírito (Teológico)

Como A. James Reichley mostrou em Religion ia American Public Life [Religião na Vida Pública Americana]:

A única força cultural mais influente atuante na nova nação foi a combinação de convicções religiosas e atitudes sociais conhecidas como Puritanismo. Na época da Revolução, pelo menos 75 por cento de cidadãos americanos tinham crescido em famílias que abraçavam alguma forma de Puritanismo. Entre os remanescentes, mais da metade tinham raízes em tradições relacionadas com o Calvinismo europeu.

O novo sistema político e econômico dos Estados Unidos teve sucesso por causa de uma cosmovisão e valores judaico-cristãos. A tese de Reichley é que a metafísica humano-ateísta não é suficiente para estabelecer ou manter o capitalismo democrático. John Adams, um dos fundadores e segundo presidente dos Estados Unidos, escreveu a respeito da Constituição dos Estados Unidos: “A nossa Constituição foi feita para um povo moral e religioso. Ela é inteiramente inadequada para o governo de qualquer outro povo.”

O Leste e o Oeste estão numa crise. As atuais metafísicas não são suficientes para apoiar instituições democráticas, um desenvolvimento econômico ou mesmo a própria vida. O Leste Europeu e a extinta União Soviética não deveriam olhar para o Oeste, mas para Cristo. Da mesma forma, um mundo faminto não deveria ficar desejando a opulência e o materialismo do Oeste mas a liberdade e a oportunidade proporcionadas pelo “espírito do capitalismo democrático”.

Os Três Lemas da Reforma

Os princípios da Reforma foram articulados em três lemas, ou “plataformas”, muito simples.

LEMA TEOLÓGICO

Solo Christo – Só Cristo Sola Fide – Só a Fé Sola Scriptura – Só a Palavra

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LEMA ECONÔMICO

“Trabalhe o mais duro que você puder” “Economize o máximo que você puder”

“Dê o máximo que você puder”

LEMA POLÍTICO

“Todos os homens são os pecadores” Examinemos um de cada vez.

Lema Teológico

Solo Christo – Só Cristo

Qual é a pedra fundamental da nossa salvação, a fonte da nossa reconciliação com Deus? Cristo somente. Em João 14:6, Jesus declara de maneira clara e absoluta: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” (NVI) [grifo meu].

Esta é uma reivindicação absoluta que corta contra todas as outras reivindicações religiosas e contra todas as formas de relativismo. Jesus não é um de muitos caminhos para Deus. Ele é o meio de salvação de Deus para o homem, em oposição às tentativas religiosas de outras filosofias, como o Hinduísmo, o Animismo ou o Budismo.

Isto também é diferente de qualquer mistura com Cristo (i.e. “Cristo mais alguma coisa”: Cristo e César, Cristo e o estado, Cristo e Mamom). César não queimou os cristãos nas estacas porque eles cultuavam a Cristo, mas porque eles se recusavam a cultuar César. Escolher Cristo é rejeitar tudo o mais. Os Reformadores entenderam – só Cristo.

Hoje, a tentação (e muitas vezes a realidade) na igreja ocidental é cultuar a Cristo e o materialismo. Queremos ser cristãos só enquanto o nosso estilo de vida materialista é melhorado e não desafiado.

Sola Fide = Só a Fé Os Reformadores entenderam a mensagem de Efésios 2:8-9: “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie" (NVI) [grifo meu].

Quando nos aproximamos do trono da graça, chegamos com as “mãos vazias”. Não há nada que podemos trazer. Nossa salvação está em Cristo e em Sua obra completa e não em nossas obras.

Isto contrasta com os sistemas de crença que dizem que os sacramentos salvam, penitências salvam, boas intenções salvam, boas obras salvam ou até mesmo aquela “correção teológica” salva.

Da mesma forma, só a fé contrasta com a noção humanista moderna de que “o homem é bom”. A fé otimista do humanismo é que o saber, a vontade e a tecnologia humanos podem garantir a evolução de um novo homem e uma sociedade perfeita.

Sola Scriptura = Só a Palavra A Escritura, a palavra escrita de Deus, é a autoridade final para todos os assuntos de fé e prática. A revelação de Deus provê o fundamento para o conhecimento e a razão humanos. Sem uma revelação transcendente, o conhecimento, história e moral não teriam nenhum significado.

O apóstolo Paulo entendeu isto quando disse: “Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a repreensão e para a instrução na justiça” (2 Timóteo 3:16 NVI). Igualmente, os de Beréia “examinando todos os dias as Escrituras, para ver se tudo [o que Paulo dizia] era assim mesmo” (Atos 17:11 NIV) [grifo do autor].

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Isto contrasta com a autoridade do Papa na Igreja Católica Romana ou do Patriarca na Igreja Ortodoxa Oriental ou do pastor na Igreja Batista. Quando nos assaltam perguntas sobre a fé e a vida, temos nas Escrituras a resposta autorizada.

Contrasta também com o relativismo do homem moderno: “o homem é a medida de todas as coisas”. Nas sociedades comunistas, o estado é a medida de todas as coisas. No Ocidente, os “especialistas” são a autoridade final para todas as práticas, inclusive na formação das famílias.

A plataforma teológica estabelece um forte fundamento moral, metafísico e espiritual para a vida e as disciplinas humanas de política e economia.

Lema Econômico

O lema econômico, “trabalhe o mais duro que você puder, economize o quanto você puder, dê o quanto você puder”, foi articulada por Charles Wesley durante a reforma da Igreja da Inglaterra.

Trabalhe o Mais Duro que Você Puder

Uma das características de Deus é que Ele é um Deus criativo. A Bíblia começa com as palavras: “No princípio Deus criou...” Este padrão foi transmitido ao homem quando Ele nos fez à Sua imagem. Em Gênesis 1:28, encontramos estas palavras: “E Deus os abençoou e disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, e sobre todo o animal que rasteja pela terra” [grifo do autor].

Trabalho é chamado, dá dignidade ao homem. É parte crucial da nossa imitação e adoração do nosso Criador. Os Reformadores entenderam que cada pessoa recebeu um “chamado”. O fazendeiro deveria ordenhar o seu gado e plantar o seu campo, “como ao Senhor”.

Certa mulher expressou isto muito bem, quando fez uma placa para a sua cozinha, onde se lia: “Cultos de adoração aqui três vezes ao dia”. Ela entendeu que preparar a comida para a família e receber as pessoas em casa era um ato de adoração ao seu Criador.

É exatamente o oposto da idéia de que só o clero ou o missionário é que tem um chamado sagrado. Fora o chamado religioso profissional, todos os demais trabalhos são seculares e mundanos. Como visto anteriormente, esta divisão entre secular e sagrado é um pensamento mais grego que hebraico.

Isto contrasta também com a mentalidade que considera o trabalho como parte da “maldição” ou que trabalhamos para sobreviver uma mera existência.

Na sociedade materialista ocidental, o lema é trabalhar o mínimo que você puder para ganhar o máximo que você puder. Isto é hedonismo ou, no mínimo, consumismo.

Economize o Máximo que Você Puder

Trabalhar duro produz o lucro do nosso trabalho. Mas o que se deve fazer um com o “excedente”? Os Reformadores disseram “Economize”. Esta é uma idéia tão velha quanto o Israel antigo.

Deus revelou a José que revelou ao faraó o significado do sonho do faraó em Gênesis 41. Haveria sete anos de fartura e sete anos de escassez. Para enfrentar os sete anos de escassez era preciso economizar durante os anos de fartura. Este plano de preparação para a escassez estava séculos à frente do seu tempo. Na verdade, foi somente no Século 19, quando uma fome assolou a Índia, que teve lugar um plano de alívio a escassez.

A Bíblia também esposou uma filosofia não-materialista, nem idolatrando nem desdenhando a riqueza . Em Provérbios 30:8-9, lemos: “Afasta de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a

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riqueza; dá-me o pão que me for necessário, para não suceder que, estando eu farto, te negue e diga: ‘Quem é o Senhor?’ ou que, empobrecido, não venha a furtar, e profane o nome de Deus” [grifo do autor].

Os Reformadores entenderam, articularam e viveram um “ascetismo exterior”, um estilo de vida simples. Isto contrasta com a extravagância da Igreja Católica Romana e o lema do hedonismo: “Comamos, bebamos e nos alegremos, porque amanhã morreremos”. A contrapartida moderna é expressada no ditado de pára-choque: “No fim, ganha aquele que tem mais brinquedos”.

É trabalhar duro e viver um estilo de vida simples que leva à geração de capital. Mas, o que deve a pessoa fazer com este capital?

Dê o Máximo que Você Puder

A geração de riqueza combinada com um estilo de vida simples, não-aquisitivo e não-consumista proporciona capital para outros. A idéia bíblica de caridade e edificação (leia “desenvolvimento”) permite que o capital acumulado esteja disponível para suprir as necessidades de outros.

O apóstolo João escreveu: “Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos. Se alguém tiver recursos materiais e, vendo seu irmão em necessidade não se compadecer dele, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra nem de boca, mas em ação e em verdade” (1 João 3:16-18 NVI). Os recursos que para mim são generosos ou sobram, são para servir em mordomia para suprir as necessidades de outros. Isto se aplica obviamente a recursos materiais, mas também pode incluir o capital de conhecimento, tempo, talentos, dons espirituais, discernimentos e amigos.

Mesmo sendo financeiramente pobres, não estamos isentos de testemunhar no espírito macedônio. O apóstolo Paulo escreveu: “Agora, irmãos, queremos que vocês tomem conhecimento da graça que Deus concedeu às igrejas da Macedônia. No meio da mais severa tribulação, a grande alegria e a extrema pobreza deles transbordou em rica generosidade” (2 Coríntios 8:1-2 NVI).

Capital conquistado através de trabalho duro e poupança deve ser usado para suprir as necessidades de outros. Isto acontece através de dois meios primários. O primeiro é através da caridade para o pobre merecedor ou a “viúva de fato”. O povo de Deus têm a responsabilidade de cuidar dos que não podem cuidar de si mesmos. Porém, a caridade não é para o pobre indigno, o que tem capacidade para trabalhar mas que recusa-se a assumir a responsabilidade por si mesmo ou pela própria família. Dar a estas pessoas é continuar a despojá-los da sua dignidade e criar paternalismo e dependência.

A segunda utilidade do capital é prover dinheiro-semente para a criação de negócios novos ou para investimento em coisas como educação, cuidado com a saúde, as artes, pesquisa científica que beneficiará a sociedade maior e em atividades de ministério. Em outras palavras, capital é usado com a finalidade de desenvolvimento, edificar as pessoas, instituições e a comunidade.

Economizar tanto quanto você puder contrasta com o acúmulo sovina e o crescente consumismo hedonista.

Estas três virtudes (trabalho, economia e doação) estabelecem os fundamentos morais do capitalismo da Reforma. São necessários todos os três para prover os fatores econômicos dinâmicos que geram a riqueza e dirigem as economias de mercado. Se qualquer um destes fatores for removido, a equação muda e a dinâmico estará perdida. Precisamos ter cuidado para não confundir o capitalismo da Reforma com o mercantilismo das sociedades feudais e oligárquicas, ou com o atual consumismo do Ocidente.

Lema Político

O lema político está fundamentada no entendimento de que todos os homens são pecadores.

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O apóstolo Paulo afirmou isto claramente quando disse: “Pois todos pecaram [no passado] e [continua momento a momento no presente a] estão destituídos da glória de Deus” (Romanos 3:23 NVI). Semelhantemente, em Gênesis 6:5-6 está registrado: “Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra, e que era continuamente mau todo o desígnio do seu coração; então se arrependeu o Senhor de ter feito o homem na terra, e isso lhe pesou no coração” [grifo meu].

A profundidade e a extensão da rebelião do homem contra Deus foram entendidas pelos Reformadores como “depravação total”. O pecado toca todas as áreas de todas as vidas. Isto não implica porém que homem não é nada ou que ele é sem valor ou insignificante. Pelo contrário, homem ainda é o “príncipe” de toda a criação, ele ainda leva consigo a imagem de Deus.

Por causa do entendimento da depravação de homem, os Reformadores viram que era imperativo impedir que qualquer pessoa pudesse ter a oportunidade de ter poder ilimitado na igreja ou na sociedade. Como o filósofo e historiador inglês, Lord Acton (1834-1902), resumiu na declaração: “O poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente” (Citado em Push, Pull and the Body Politic [Empurre, Puxe e a Política Corporativa] de Page Smith, L.A. Times Opinion, 24 de dezembro de 1989].

Para se opor a esta tendência, os Reformadores enfatizaram o “sacerdócio dos crentes” na Igreja e desenvolveram um sistema de “cheques e extratos” na vida política.

Na Igreja, todo membro é um ministro. Duas passagens chaves ilustram a importância da variedade de indivíduos dentro da unidade maior da Igreja. Pedro fala do templo do qual nós somos individualmente “pedras vivas”, enquanto que Paulo fala de nós como partes distintas do corpo do qual Cristo é a cabeça.

1 Pedro 2:4-5, 9-10:

À medida que se aproximam dele, a Pedra viva—rejeitada pelos homens, mas escolhida por Deus e preciosa para ele—vocês também, como pedras vivas, vão sendo edificados como casa espiritual para serem sacerdócio santo, oferecendo sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus, por meio de Jesus Cristo... Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a Sua maravilhosa luz. (NVI)

Efésios 1:22; 4:11-13:

Deus colocou todas as coisas debaixo dos seus pés e o designou como cabeça de todas as coisas para a igreja... e ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo podem ser edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e nos cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. (NIV)

Com ênfase neste ensino, os Reformadores acentuaram a importância dos “leigos” na Igreja serem um corpo que ministra. Deveria haver uma liderança plural sob o senhorio ou liderança de Cristo. Os pastores-mestres são “capacitadores” dos membros para serem uma congregação de ministros.

Na sociedade maior, os reformadores quiseram impedir que um homem pudesse conquistar muito poder político e, assim, criaram um sistema de cheques e extratos, ou pluralismo democrático. Tipicamente três braços do governo (o executivo, o legislativo e o judiciário) foram formados: Cada um tinha o seu próprio papel e cada um deveria agir como uma âncora contra os abusos do outro.

Os suíços estavam tão preocupados com a propensão de homens pecadores para corrupção que colocaram cada um dos braços do governo em uma cidade diferente, de forma que estes homens não apenas não pudessem trabalhar juntos, mas também não pudessem confraternizar.

O modelo da Reforma está em oposição ao do humanismo otimista moderno. No humanismo, o homem é bom e as estruturas são corruptas. O problema do homem está “fora dele”. A utopia se torna possível na

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medida em que o homem evolui e cria mais e melhores estruturas humanas. Este é o sonho fracassado do sistema comunista. Falhou porque era baseado em premissas defeituosas.

Assim, o lema político “todos os homens são pecadores” reconhece a necessidade de proteger o homem dele mesmo, de maneiras práticas, no governo da igreja e no governo nacional.

Conclusão

O mundo e a Igreja estão em uma encruzilhada.

O mundo está no meio de uma mudança sem precedentes. O Leste Europeu pós-comunista e a União Soviética dissolvida estão à procura de novos começos e, eu espero, novos fundamentos. A Europa Ocidental pós-cristã e os Estados Unidos abandonaram a herança judaico-cristã que os fez grandes e está deslizando para uma cultura de morte, um abismo que as pessoas do Leste Europeu e da antiga União Soviética conhecem muito bem. O mundo faminto está à beira da morte, mas com a promessa dos recursos e metodologias agrícolas que devem pôr fim à fome persistente.

A Igreja tem uma mensagem vital para levar a esse mundo doente. Começa com “Cristo e Ele crucificado”. Mas não termina aí. Precisamos articular um mundo bíblico e visão de vida para desafiar o animismo antigo e o ateísmo moderno. Precisamos proclamar os princípios bíblicos vitais que criarão um fundamento sólido sobre o qual devemos construir sociedades de liberdade e oportunidade sem precedentes.

A Igreja vai desafiar os modelos existentes e pedir a reforma de mentes e corações? Ou vamos sucumbir aos modelos humanistas que só enxergam os problemas do nosso mundo em termos materiais? Ou ainda pior, a Igreja vai abandonar o mundo, enfiar a cabeça na areia e viver no mundo grego de uma dicotomia espiritualizada?

A esperança jorra da transformação do coração e da mente e da correspondente revolução da vida e da cultura.

O fundamento sobre o qual o novo reformador das Américas, Europa ou o Terceiro Mundo precisa construir é o modelo triádico do Espírito do Capitalismo Democrático.

A Igreja vai liderar ou acompanhar? A escolha é nossa!

Revivendo a Reforma

PERGUNTAS PARA DEBATE

1. O ensino/modelação da sua igreja é um modelo triádico, um modelo de “terra plana”, ou um modelo

grego da realidade?

Qual o seu papel neste processo? 2. O que significa a frase “a metafísica atual não é suficiente para apoiar as instituições democráticas”? 3. Como o capitalismo reformado difere do que é hoje chamado de Capitalismo? 4. O Humanismo ensina que o homem é basicamente “bom”. Como esta suposição afeta os conceitos

humanistas de governo? Como afeta a definição de problemas da sociedade? 5. Grande parte do mundo deseja a liberdade das instituições democráticas e a riqueza gerada pelos

mercados livres. Isto é possível sem uma base judaico-cristã? Defenda sua posição.