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CDIGO DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO

Ficha Tcnica rea Vida Cvica Produtor Secretariado para a Modernizao Administrativa Autor Lus Lingnau Silveira (Produrador-Geral Adjunto) Composio e Impresso Grfica Jesus, Lda. ISBN 972-9400-87-3 Depsito Legal: 125455/98 Tiragem: 5000 exemplares Lisboa, Novembro de 1998 Impresso em papel 100% reciclado

O INFOCID um sistema de informao cujo rgo gestor e executivo o Secretariado para a Modernizao Administrativa e alimentado por mais de 50 produtores correspondentes a outros tantos servios da Administrao Pblica. Trata-se, pois, de um sistema cooperativo de informao, assente na responsabilidade do Servio quanto correco e actualizao da informao que lhe respeita. O contedo do INFOCID no fica apenas pela Informao de Cidadania, que abrange as 15 reas temticas que constam da contracapa desta publicao. Integra, tambm, o Programa de Gesto de Endereos, o Sistema de Informao de Apoio ao Empresrio, a Base de Dados de Licenciamentos da Administrao Pblica, a ResPblica e o InfoMuncipe. Pode aceder-se informao INFOCID atravs da rede de terminais multibanco (SIBS Sociedade Interbancria de Servios) que contar com 200 terminais at final de 1998 e cerca de 1.000 at ao ano 2002 dos 111 quiosques multimdia instalados em todo o Pas, das disquetes, dos cd-roms, das brochuras facultadas gratuitamente, e, sempre, atravs da Internet ( http : // www.infocid.pt ) e do correio electrnico (correio@infocid.pt). Est disponvel 24 horas por dia e, como se disse, gratuito.

Para mais esclarecimentos, contacte:

Produtor identificado na Ficha Tcnica. Presidncia do Conselho de Ministros Gabinete do Secretrio de Estado da Administrao Pblica e da Modernizao Administrativa Secretariado para a Modernizao Administrativa Rua Almeida Brando, 7 1200 LISBOA Telefone: 0351-1-392 15 00 Fax. 0351-1- 392 15 99 Email: correio@infocid.pt

CDIGO DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO

I INTRODUO A. O Que o Cdigo do Procedimento Administrativo? O Cdigo do Procedimento Administrativo a lei geral que regula a actuao dos rgos da Administrao Pblica, quando esta, exercendo poderes de autoridade, entra em relao com os particulares. Este Cdigo foi aprovado pelo Decreto-Lei n 442/91, de 15 de Novembro, e alterado pelo Decreto-Lei n 6/96, de 31 de Janeiro. B. O que so rgos da Administrao Pblica? rgos da Adminsitrao Pblica so as entidades que tomam decises em nome desta. Para efeitos do Cdigo do Procedimento Administrativo, so rgos da Administrao Pblica (art 2): a) Os rgos do Estado e das Regies Autnomas que exeram funes administrativas; b) Os rgos dos Institutos Pblicos (p.e. o Instituto Nacional de Estatstica ou o Instituto do Emprego e Formao Profissional), e das Associaes Pblicas (p.e. as Ordens profissionais, como a dos Mdicos e a dos Advogados); c) Os rgos das Autarquias Locais (regies administrativas, municpios, freguesias) e suas associaes e federaes.

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O Cdigo tambm aplicvel s entidades concessionrias, quando exeram poderes de autoridade. C. Cdigo do Procedimento Administrativo aplica-se aos processos especiais? Embora o Cdigo seja uma lei geral, as suas regras aplicam-se igualmente aos processos administrativos especiais (como os de concurso, de loteamento, etc.), na medida em que a regulamentao prpria destes no disponha de modo diverso, e desde que essa aplicao no cause diminuio das garantias dos particulares (art 2).

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II PRINCPIOS GERAIS A. A Administrao Pblica deve obedecer a princpios gerais de actuao? A Administrao Pblica deve sempre respeitar diversos princpios gerais de actuao. Tem de respeit-los, assim, no s quando exerce poderes de autoridade (ao conceder uma licena ou nomear um funcionrio), mas tambm quando age como se fosse uma entidade privada (ao comprar um automvel ou alugar uma mquina) ou quando pratica simples actos tcnicos ou materiais (ao construir uma estrada ou tratar um doente num hospital pblico). B. Quais so os mais importantes desses princpios gerais? Os mais importantes desses princpios gerais so os seguintes: 1) Princpio da Legalidade A Administrao Pblica deve obedecer Lei e ao Direito (art 3). Nesta expresso Lei e Direito incluem-se, em especial: - a Constituio; - as regras de Direito Internacional, resultantes de tratados ou do costume internacional; - as regras de Direito Comunitrio; - as leis da Assembleia da Repblica, os decretos-leis do Governo e os decretos legislativos regionais (das Regies Autnomas dos Aores e da Madeira);

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os regulamentos administrativos (decretos regulamentares do Governo; decretos regulamentares regionais; portarias; despachos normativos; regulamentos dos governos civis; posturas municipais); os chamados princpios gerais de Direito (como o do no enriquecimento sem causa).

2) Princpio da Igualdade Nas suas relaes com os particulares, a Administrao Pblica deve reger-se pelo princpio da igualdade (art 5, n 1). Assim, -lhe vedado favorecer ou desfavorecer algum por razes de ascendncia, sexo, raa, lngua, territrio de origem, religio, convices polticas ou ideolgicas, instruo, situao econmica ou condio social. de notar, porm, que este princpio no impe um igualdade de tratamento absoluta. A igualdade justifica-se em relao a situaes equiparveis; se esto em causa situaes objectivamente diferentes, elas devem ser tratadas por forma adequadamente diversa.

3) Princpio da Proporcionalidade As decises administrativas que atinjam direitos ou interesses legtimos dos particulares tm de ser adequadas e proporcionadas aos seus objectivos, no causando mais prejuzos queles do que os necessrios para alcanar estas finalidades e respeitando um equilbrio na justa medida entre os meios utilizados e os fins a alcanar atravs deles (art 5, n 2).16

4) Princpio da Justia A Administrao Pblica deve actuar por forma ajustada natureza e circunstncias de cada caso ou situao (art 6).

5) Princpio da Imparcialidade Na sua aco, os rgos da Administrao Pblica devem ser isentos, no se deixando influenciar por razes subjectivas ou pessoais, que os levem a favorecer ou desfavorecer indevidamente certos particulares (art 6).

6) Princpio da Boa-f A Administrao Pblica e os particulares devem, nas suas relaes, agir com boa-f, respeitando, em especial, a confiana que possa ter sido criada pela sua actuao anterior (art 6-A).

7) Princpio da Colaborao da Administrao com os Particulares A Administrao Pblica deve colaborar estreitamente com os particulares, prestando-lhes, em especial, as informaes e esclarecimentos de que necessitem (art 7). Desenvolvendo este princpio, o Decreto-Lei n 129/91, de 2 de Abril (art 2), dispe que, nas situaes em que sejam possveis procedimentos diferentes para conseguir um mesmo resultado, a Administrao Pblica deve adoptar o que seja mais favorvel ao particular, em especial para a obteno de documentos, comunicao de decises ou transmisso de informaes.

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8) Princpio da Participao Cabe Administrao Pblica fazer com que os particulares, e as associaes que defendam os seus interesses, intervenham na preparao das suas decises. Este princpio concretiza-se, especialmente, atravs da chamada audincia dos particulares, no decurso do procedimento administrativo (art 8).

9) Princpio da Deciso No legtimo, aos rgos da Administrao Pblica, manterem-se pura e simplesmente silenciosos perante as questes que lhes sejam postas pelos particulares. Eles tm, pelo contrrio, o dever de decidir sobre quaisquer assuntos que lhes sejam apresentados, quer se trate de matrias que digam directamente respeito aos que se lhes dirigem, quer de peties, queixas ou reclamaes em defesa da Constituio, das leis ou do interesse geral (art 9). Este dever s deixa de existir se a entidade competente j se tiver pronunciado h menos de dois anos sobre igual pedido, apresentado pelo mesmo particular com idnticos fundamentos.

10) Princpio da Desburocratizao e da Eficincia A Administrao Pblica deve aproximar os seus servios da populao, agindo por forma desburocratizada, para facilitar a rapidez, economia e eficincia da sua aco (art 10).

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Uma das consequncias deste princpio a de que a Administrao Pblica no pode exigir formulrios ou formalidades que no sejam expressamente referidos em lei ou regulamento (Decreto-Lei n 129/91, art 3).

11) Princpio da Gratuitidade Salvo lei especial em contrrio, o procedimento administrativo gratuito (art 11). Se alguma lei especial impuser o pagamento de qualquer taxa ou despesa efectuada pela Administrao, o particular que comprove falta de meios econmicos ser destas isento, total ou parcialmente, conforme os casos.

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III SUJEITOS DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO So sujeitos do procedimento administrativo, por um lado, a Administrao Pblica, actuando atravs dos seus rgos, e, por outro, os particulares. A. A Administrao Pblica 1. Como funcionam os rgos colegiais? J que a tomada de decises pelos rgos singulares (compostos por uma pessoa s) no apresenta especiais particularidades, interessa, sobretudo, ter em conta as principais regras relativas formao das deliberaes dos rgos colegiais (constitudos por vrias pessoas). a) Que tipos de reunies tm os rgos colegiais? Os rgos colegiais tm reunies ordinrias ou extraordinrias (arts 16 a 18). As primeiras so previstas por lei ou regulamento. As segundas so, salvo disposio especial, convocadas pelo presidente do rgo, o qual est obrigado a faz-lo sempre que pelo menos um tero dos outros membros do rgo colegial (chamados vogais) o solicitarem por escrito, indicando o assunto a tratar. b) As reunies dos rgos colegiais so ou no pblicas? As reunies das assembleias municipaise de freguesia so, regra geral, pblicas (art 20, e art 116, n 1, da Constituio).

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As demais reunies dos rgos administrativos colegiais no so pblicas, salvo disposio da lei em contrrio. As cmaras municipais e as juntas de freguesia, p.e., devem reali