CRISTOLOGIA - ?· APOSTILA DO CURSO DE INTRODUÇÃO À CRISTOLOGIA ... Testamento. Por isso, o Novo…

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  • CRISTOLOGIA

    Jorge Solano 1 14/02/2013

    APOSTILA DO CURSO

    DE INTRODUO

    CRISTOLOGIA

    Jorge Solano Garcia de Moraes

  • CRISTOLOGIA

    Jorge Solano 2 14/02/2013

    PROGRAMA DE ESTUDO 1 Cristologia que cincia essa? 2 A fonte da Cristologia: Novo Testamento orientaes sobre sua utilizao 3 Jesus de Nazar: seu mundo e seu tempo a Palestina no sculo 1 DC 4 Jesus anuncia e realiza o Reino dos Cus 5 Ttulos de Jesus: Filho do Homem, Servo de Deus, Cristo 6 Filho de Deus 7 Os conflitos de Jesus e sua morte 8 A Ressurreio e a Ascenso 9 O Mistrio de Jesus: A encarnao e revelao da Trindade 10 Jesus na Histria da Salvao: da Antiga Aliana para a Nova Aliana BIBLIOGRAFIA: ADAM, Karl. O Cristo da f. Editora Herder. BATAGLIA, Oscar e outros. Comentrio ao evangelho de So Marcos. Petrpolis : Vozes,

    1978. BOEW, Jacques. Jesus chamado o Cristo. So Paulo : Paulinas. BOFF, Leonardo. Jesus Cristo libertador. Petrpolis : Vozes, 1972. BOFF, Leonardo. A ressurreio de Cristo/ a nossa ressurreio. Petrpolis : Vozes. BOFF, Leonardo. Paixo de Cristo / paixo do mundo. Petrpolis : Vozes. CERFAUX, Lucien. Jesus nas origens da tradio. So Paulo : Paulinas, 1972. CHARPENTIER, Etienne. Cristo ressuscitou (Coleo Cadernos Bblicos, n. 17). So Paulo :

    Paulinas, 1983. COHN, Haim. O julgamento e a morte de Jesus. Rio de Janeiro : Imago. 1994. 2. COMBLIN. Jesus de Nazar. Petrpolis : Vozes. COMBLIN. Meditaes evanglicas. Petrpolis : Vozes. CROATTO, J. S. Histria da Salvao. Caxias do Sul : Paulinas, 1968. GALBIATI, Henrique (supervisor). O evangelho de Jesus. Caxias do Sul : Paulinas, 1971. GESCH, Adolphe. O Cristo. So Paulo: Paulinas. 2004. (Coleo: Deus para pensar - 6) JEREMIAS, J. O sermo da montanha. So Paulo : Paulinas, 1976. HAIGHT, Roger. Jesus smbolo de Deus. So Paulo: Paulinas, 2003. HOORNAERT, Eduardo. Origens do cristianismo. Braslia: Ser, 2006. KONINGS, Johan. Jesus nos evangelhos sinticos. Petrpolis : Vozes, 1977. LIBANIO, J. B. Sempre Jesus: a caminho do novo milnio. So Paulo : Paulinas, 1998. MESTERS, Carlos. A palavra de Deus na histria dos homens (1 vol.). 6. Petrpolis :

    Vozes, 1979. MESTERS, Carlos. A palavra de Deus na histria dos homens (2 vol.). 4. Petrpolis :

    Vozes, 1979. MOSCONI, Luis. Atos dos Apstolos. So Paulo: Paulinas. PAIVA, R. Jesus aqui e agora. So Paulo : Paulinas. QUEIRUGA, Andrs Torres. Repensar a Cristologia. So Paulo : Paulinas, 1999. ROBINSON, John A. A face humana de Deus. Petrpolis : Vozes, 1977 ROCHA, Fr Mateus. Quem este homem? Petrpolis : Vozes. RUBIO, Alfonso Garcia. O encontro com Jesus Cristo vivo. So Paulo : Paulinas, 1994, 4.

    (Coleo Teologia do Povo) SCHNAKENBURG, R. e SCHIERSE. Quem foi Jesus de Nazar? Petrpolis : Vozes. TROCM, Andr. Jesus Cristo e revoluo no violenta. Petrpolis : Vozes. VRIOS. Jesus, filho de Deus? (Revista Concilium/173 1982-3) Petrpolis. Vozes.

  • CRISTOLOGIA

    Jorge Solano 3 14/02/2013

    1 - CRISTOLOGIA QUE CINCIA ESSA?

    A palavra cristologia nos indica que se trata de um estudo de Cristo. Entretanto, preciso entender bem o que isso significa para ns.

    A Cristologia uma das disciplinas da Teologia. Deste modo, como a Teologia, um estudo diferente das outras formas de pesquisa cientficas ou filosficas. O ponto de partida da Teologia a f. Assim sendo, os dados, as informaes que a Teologia trabalha so fornecidos por este compromisso pessoal e gratuito que chamamos de f.

    Mas isto no impede que se possa pensar a f. Esse , de fato, o esforo da Teologia: analisar, luz da razo, os elementos de nossa f. Para isso, a Teologia utilizar todas as informaes e mtodos que nos so fornecidas pelas cincias, pelas modernas reflexes filosficas, pelos estudos lingsticos, etc.

    A Cristologia busca, ento, compreender o mistrio do Cristo a partir das fontes da f em Jesus Cristo.

    Portanto, a Cristologia no , apenas, o estudo de Jesus enquanto homem. A este estudo podemos chamar de Jesulogia. A Cristologia a reflexo sobre a f que professamos em Jesus como Cristo, como Servo de Deus, como Filho de Deus. Assim a Cristologia deve considerar e conhecer o Jesus histrico, pois nossa f se concentra num homem concreto, verdadeiro, que existiu historicamente. Mas sempre ser mais que isso: ser afirmar algo sobre Jesus.

    A cristologia tem por dever ser teo-logia e ntropo-logia antes de ser cristo-logia

    (Gesch, p. 18). Por qu? Como voc v essa afirmao? Conhecemos Jesus somente atravs de testemunhas testemunhas que afirmavam t-

    lo visto pessoalmente pregando o Reino, realizando sinais, morto e, enfim, ressuscitado. Essas testemunhas morreram por causa de seu testemunho: deram suas vidas como garantia da verdade de suas palavras. O testemunho dessas pessoas encontra-se hoje consolidado no Novo Testamento. Por isso, o Novo Testamento a fonte fundamental para o estudo da Cristologia.

    O primeiro dever de uma cristologia no , portanto, pensar Cristo, mas pensar o que

    Cristo pensou, disse e fez: no anunciar Jesus, mas anunciar quem ele anuncia (Gesch, p. 23).

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    Jorge Solano 4 14/02/2013

    2 - O NOVO TESTAMENTO Aps a experincia da ressurreio, os discpulos de Jesus comearam a levar aos

    outros a mensagem de que Jesus era, de fato, o Cristo esperado e prometido por Deus. Inicialmente, a evangelizao era transmitida oralmente e seu ncleo central era o anncio: JESUS RESSUSCITOU E FOI CONSTITUDO SENHOR E CRISTO.

    O Novo Testamento. Quanto aos Evangelhos, especificamente, sabemos que so o resultado de uma composio que reunia vrias fontes1 formando um texto final com a redao que conhecemos hoje. Por essa razo, s vezes, encontramos algumas diferenas nos relatos evanglicos. Por outro lado, preciso no esquecer que os evangelhos so, sobretudo, uma reflexo teolgica foi escrito em razo da necessidade pastoral e de acordo com o aprofundamento teolgico da Igreja primitiva sobre o Mistrio de Jesus. Deste modo, o que devemos buscar sempre a mensagem que o texto est trazendo. No tem sentido ler o evangelho como se fosse um livro moderno de histria. O autor sagrado no estava preocupado em retratar detalhes histricos mas em revelar a pessoa de Jesus. Evidentemente, os evangelhos se referem a um fato histrico fundamental: Jesus de Nazar que anunciou o Reino de Deus, foi morto e ressuscitou. Entretanto, eles so no um livro de histria mas uma reflexo de f sobre o acontecimento JESUS.

    Atualmente, os estudos bblicos j avanaram bastante a ponto de podermos identificar razoavelmente o sentido originrio de cada texto, sua possvel veracidade histrica e sua teologia bsica. Para se realizar um srio estudo de Cristologia devemos sempre levar em conta essas pesquisas bblicas.

    Apresentamos a seguir uma cronologia aproximada dos textos do NT. Observando as datas dos escritos, percebemos que quanto mais tardios, mais desenvolvida est a reflexo teolgica desses escritos. A data da destruio de Jerusalm um marco importante pois significa que os cristos no tm mais a comunidade me que era a principal referncia da Igreja at o ano 70 d. C..

    Acrescente-se, ainda, a seguinte observao. Das cartas paulinas (13 no NT), somente 7 cartas so hoje consideradas com certeza como escritas por Paulo. Essas cartas so: 1 Tessalonicenses, Glatas, 1 e 2 Corntios, Romanos, Filipenses e Filmon. As datas das cartas que se encontram aqui seguem a datao convencional. No caso das cartas deuteropaulinas essa data ser geralmente posterior morte de Paulo (em 64 ou 67).

    TEXTOS ANTERIORES DESTRUIO DE JERUSALM

    ANO 50/51:2 1 Epstola aos Tessalonicenses: escrita de Corinto Epstola aos Filipenses : preso em feso (entre 50-56); ou preso na Cesaria (entre 56-58;

    ou preso em Roma (58-60). ANO 57/58: 1 Epstola aos Corntios : escrita de feso (por volta da Pscoa) Epstola aos Glatas: escrita da Macednia 2 Epstola aos Corntios : escrita da Macednia (fim do ano) Epstola aos Romanos: escrita de Corinto.

    1 Fonte: pode ser uma histria contada oralmente, um texto escrito, rascunho de palavras ditas por Jesus que o redator do evangelho conhecia e que reuniu no seu texto final. 2 Segundo Crossan (apud Hoornaert, Eduardo. Origens do cristianismo, p. 151): 1 Ts, vero de 51; Gl, inverno 52-53; 1Cor inverno de 53-54; Rm, inverno 54-55.

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    Jorge Solano 5 14/02/2013

    ANO 61- 63: Paulo est em priso domiciliar em Roma. Epstola a Filmon (Filmon um colossense) ANO 65: Evangelho segundo Marcos

    TEXTOS POSTERIORES DESTRUIO DE JERUSALM

    (JERUSALM FOI DESTRUDA NO ANO 70) DEUTERO-PAULINAS: 2 Epstola aos Tessalonicenses Epstola aos Colossenses Epstola aos Efsios 1 Epstola a Timteo: escrita da Macednia Epstola a Tito: escrita da Macednia 2 Epstola a Timteo: Paulo estaria cativo em Roma ANO 70-80 Epstola de Judas ANO 80 1 Epstola de Pedro ANO 80 Evangelho segundo Mateus (alguns autores o colocam entre 85 a 90) ANO 80 85 Evangelho segundo Lucas (alguns autores o colocam entre 85 a 90) ANO 80 90 Atos dos Apstolos ANO 90 2 Epstola de Pedro ANO 90 Epstola aos Hebreus ANO 95 Apocalipse ANO 90 100 Evangelho segundo Joo ANO 100 Epstola de Tiago ANO 100 110 3 Epstola de Joo

    2 Epstola de Joo 1 Epstola de Joo

    Todos esses escritos, inspirados por Deus, so a nossa fonte de estudo da Cristologia.

    Mas importante no esquecer que todos eles escritos muitos anos aps a morte e ressurreio de Jesus so antes mais nada o anncio da f em Jesus. No so livros histricos no sentido moderno da palavra. So livros que, a partir da histria e da experincia de homens histricos, revelam o mistrio de Deus. Pois o que eles contam, contam luz da ressurreio de Jesus.

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    Jorge Solano 6 14/02/2013

    3 - O TEMPO EM QUE JESUS VIVEU

    3.1 O IMPRIO ROMANO

    Jesus viveu no perod