Curso Biblico

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Curso Biblico

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ESCOLA MATER ECCLESIAE

PARQUIA SO PIO XDicono Aparecido Fernandes Neves

2012LXICO BBLICO

Na elaborao de nossos estudos, resolvemos adotar uma linguagem acessvel ao grande pblico, mas enriquecida por vocbulos tcnicos, especficos do linguajar exegtico bblico. Tais vocbulos so, por vezes, insubstituveis; da a necessidade de utiliz-los. Conhec-los exigir do estudioso um certo esforo, esforo, porm, bem compensado. Eis por que publicamos a seguir um pequeno Vocabulrio ou Lxico bblico, que poder valorizar a cultura bblica de nossos leitores e servir de instrumental para acompanhar nossos estudos.

Amanuense: a pessoa que escreve quanto lhe ditado por outrem, sem colocar algo de prprio.

Apcrifo: em grego, apkryphos quer dizer oculto. Tal era o livro no lido em assemblia pblica de culto, mas reservado leitura particular. Apcrifo ope-se a cannico, pois cannico era o livro lido no culto pblico, porque era considerado Palavra de Deus inspirada aos homens.

Apcrifo no tem nessesariamente sentido pejorativo. simplesmente o texto que, por um motivo qualquer, no era de uso pblico; pode conter verdades histricas, como a da Assuno corrporal de Maria SS. aos cus. Apocalipse: do grego apoklypsis, revelao, um gnero literrio ou um modo de redigir escritos que tem as seguintes caractersticas: imagina o fim da histria, por ocasio do qual o Senhor vir terra sensivelmente para julgar os homens e restaurar a ordem violada. Esse aparecimento de Deus assinalado por sinais no mundo, abalo da natureza; catstrofes... Tal gnero literrio recorre frequentemente a simbolos e imagens, que devem ser interpretados segundo critrios objetivos ou de acordo com a mentalidade dos escritores antigos. Determinado smbolo podia significar uma coisa para os antigos e pode significar outra para os modernos. Apocalipse de So Joo o nome de um apocalipse, que vem a ser o ltimo livro da Bblia. H, entre os apcrifos, o Apocalipse de Henoque, o de Elias... Aramaico: lngua dos filhos de Aram muito prximo do hebraico Tornou-se lngua diplomtica ou internacional no Oriente antigo a partir do sculo V a.C. Os judeus aps o exlio (587-538 a.C.) a adotaram como lngua corrente, reservando o hebraico, para o culto sagrado. Havia o dialeto aramaico de Jerusalm e o da Galilia Pouco depois, os que ali estavam aproximaram-se de Pedro e disseram: Sim, tu s daqueles; teu modo de falar te d a conhecer Mt 26,73. Jesus e seus discpulos falavam aramaico.

Cnon: do grego kann, canio. Significa medida, rgua; em sentido metafrico, designa regra ou norma de vida A todos que seguirem esta regra, a paz e a misericrdia, assim como ao Israel de Deus Gl 6,16. Os antigos falavam do cnon da f ou da verdade, para designar a doutrina revelada por Deus, que era critrio para julgar qualquer doutrina humana e para nortear a vida dos cristos. Derivadamente cnon significava tambm catlogo, tabela, registro; neste ltimo sentido os cristos passaram a falar do cnon bblico ou da Bblia (= catlogo dos livros bblicos).

Protocannico: o livro que sempre pertenceu ao cnon ou catlogo. Deuterocannico o escrito que primeiramente foi controvertido e s depois entrou definitivarnente no cnon sagrado. Prton = primeiro (da primeira hora), Duteron = segundo (em segunda instncia). Carisma: do grego chrisma, quer dizer dom em geral. J nas epstolas de So Paulo carisma dom para tal ou qual tipo de servio; A cada um dada a manifestao do Esprito para proveito comum 1Cor 12,7; Em suma, que dizer, irmos? Quando vos reunis, quem dentre vs tem um cntico, um ensinamento, uma revelao, um discurso em lnguas, uma interpretao a fazer - que isto se faa de modo a edificar. Se h quem fala em lnguas, no falem seno dois ou trs, quando muito, e cada um por sua vez, e haja algum que interprete Se no houver intrprete, fiquem calados na reunio, e falem consigo mesmos e com Deus. Quanto aos profetas, falem dois ou trs, e os outros julguem. Se for feita uma revelao a algum dos assistentes, cale-se o primeiro. Todos, um aps outro, podeis profetizar, para todos aprenderem e serem todos exortados. 1Cor 14,26-31. Existem os carismas da profecia, das curas, do governo, do apostolado... Mas o melhor carisma o da caridade (gape), que no produz espalhafato, mas tudo perdoa, tudo cr, tudo suporta Tudo desculpa, tudo cr, tudo espera, tudo suporta 1Cor 13, 7). Muitos carismas nada tm de portentoso: o de assistir aos enfermos, o de educar crianas, o de instruir os ignorantes, o de liderar um grupo.

Cheol: os judeus chamavam cheol um lugar subterrneo, por eles imaginado, onde estariam, inconscientes ou adormecidos, todos os indivduos humanos aps a morte. A terra era tida como mesa plana, debaixo da qual se encontraria a manso dos mortos; esta em grego era chamada Hades; em latim, inferni (da preposio infra, que significa abaixo; donde inferni = inferiores lugares).Em consequncia, os antigos judeus no podiam admitir retribuio pstuma nem para os homens bons nem para os infiis, pois todos se achavam inconscientes; ver, por exemplo: Com efeito, no a morada dos mortos que vos louvar, nem a morte que vos celebrar. O que desce sepultura no espera mais em vossa bondade Is 38,18; Porque no seio da morte no h quem de vs se lembre; quem vos glorificar na habitao dos mortos? SI 6,6. A justia divina, segundo tal concepo, devia exercer-se no decorrer mesmo da vida presente; os homens fiis seriam recompensados com sade, vida longa, dinheiro,... ao passo que os pecadores sofreriam doenas, morte prematura, misria...Com o tempo, as concepes antropolgicas dos judeus foram-se esclarecendo, de modo que j no sculo II a.C. admitiam a ressurreio dos mortos e a retribuio final para bons e maus depois da morte. Dn 12,2-3: Muitos daqueles que dormem no p da terra, despertaro uns para uma vida eterna, outros para o oprbrio, para o horror eterno. Os que tiverem sidos inteligentes fulgiro com o brilho do firmamento, e os que tiverem introduzidos muitos (nos caminhos) da justia luziro, como as estrlas, com um perptuo resplendor. 2Mac 7,9.11.14: Prestes a dar o ltimo suspiro, disse ele: Maldito, tu nos arrebatas a vida presente, mas o Rei do universo nos ressuscitar para a vida eterna, se morrermos por fidelidade s suas leis. Pronunciou em seguida estas nobres palavras: Do cu recebi estes membros, mas eu os desprezo por amor s suas leis, e dele espero receb-los um dia de novo. E este disse, quando estava a ponto de expirar: uma sorte desejvel perecer pela mo humana com a esperana de que Deus nos ressuscite; mas, para ti, certamente no haver ressurreio para a vida.

No tempo de Jesus, os judeus j admitiam sorte pstuma diferente para os bons e os maus; veja-se, por exemplo, a parbola do ricao e do pobre Lzaro, em Lc 16,19-31, onde aparece a separao de uns e outros. Na terminologia crist latina, a palavra infernos ficou reservada para designar a sorte pstuma dos condenados. Todavia a topografia do alm, supondo terra plana e compartimentos subterrneos para bons e maus, est superada. A f crist professa a realidade da vida pstuma ou a subsistncia da alma humana aps a morte, mas no pode indicar Iugar determinado para o cu e o inferno (o que no esvazia em absoluto os conceitos respectivos) Escatologia: a doutrina referente ao eschatn ou aos ltimos acontecimentos ou ainda consumao da histria. Esta pode ser coletiva (a consumao da histria da humanidade ou o fim do mundo), como pode ser individual (a consumao da histria terrestre ou da peregrinao de determinada pessoa).

Escatolgico o que se refere aos ltimos acontecimentos. Perspectiva escatolgica, por exemplo, a considerao dos fatos presentes luz da eternidade ou da consumao para a qual tendem. Bens escatolgicos so os bens definitivos j presentes em meio ao tempo.Exegese: do grego exgesis, explicao, explanao. a arte de expor ou explicar o sentido de determinado texto, especialmente da Bblia; para ser rigorosamente conduzida, requer o estudo de lnguas, histria, arqueologia... orientais. Segundo So Joo, Jesus o Grande Exegeta do Pai, pois Ele nos revelou o Pai. Ningum jamais viu Deus. O Filho nico, que est no seio do Pai, foi quem o revelou Jo 1,18. Exegeta a pessoa que cultiva a exegese.

Geena: vem de ge-hinnam, em aramaico. Nos arredores de Jerusalm havia um vale (ge, em hebraico) pertencente aos filhos de Hinnom (bon-hinnom). Donde ge-ben-hinnom ou gehinnom, em hebraico. Nesse vale se sacrificavam crianas ao deus Moloc da Babilnia;. Chegou at a passar seu filho pelo fogo, segundo o abominvel costume dos povos que o Senhor tinha expulsado de diante dos filhos de Israel 2Rs 16,3; Manasss derramou tambm tanto sangue inocente que inundou Jerusalm de uma extremidade outra, sem falar dos pecados com que tinha feito pecar Jud, levando-o a fazer o mal aos olhos do Senhor 2Rs 21,6; Ergueram altares a Baal no vale do Filho de Hinon, para a queimarem os filhos e as filhas em honra de Moloc, o que no lhes havia ordenado nem jamais me tinha passado pela mente: cometer tal infmia e tornar Jud culpado de semelhante crime! Jr 32,35. Depois do exlio (587-538 a.C.), os judeus l queimavam seu lixo. Por isto, o gehinnom ou a ge-hinnam era um lugar de fogo. Jesus se serviu do vocbulo para designar a sorte pstuma dos que renegam a Deus; Se a tua mo for para ti ocasio de queda, corta-a; melhor te entrares na vida aleijado do que, tendo duas mos, ires para a geena, para o fogo inextinguvel. [onde o seu verme no morre e o fogo no se apaga]. Se o teu p for para ti ocasio de queda, corta-o fora; melhor te entrares coxo na vida eterna do que, tendo dois ps, seres lanado geena do fogo inextinguvel. [onde o seu verme no morre e o fogo no se apaga]. Se o teu olho for para ti ocasio de queda, arranca-o; melhor te entrares com um olho de menos no Reino de Deus do que, tendo dois olhos, seres lanado geena do fogo Mc 9,43-47.Hermenutica: arte de interpretar (hermeneuen, em grego). Interpretar procurar compreender e explicar - o que tem de ser feito segu