CURSO SOBRASA DE SALVAMENTO AQUÁTICO EM .2015-02-20 · Propiciar as bases teóricas e práticas

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  • (*) Mdico, especialista em afogamento e terapia intensiva; mdico da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Municipal Miguel Couto; Mdico da Reserva

    do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro onde foi chefe do centro de recuperao de afogados por 12 anos; Membro do Conselho Mdico da

    Federao Internacional de Salvamento Aqutico; Scio Fundador, Ex-Presidente e atual Diretor Mdico da Sociedade Brasileira de Salvamento Aqutico

    SOBRASA; Membro da Cmara Tcnica de Medicina Desportiva do CREMERJ. Revisor da revista Resuscitation. Guarda-vidas formado pelo servio de

    San Diego, Califrnia; Autor de 3 livros, 74 captulos de livros e 164 artigos mdicos nacionais e internacionais sobre afogamento. Palestrante convidado, a

    390 palestras no Brasil, e 24 no exterior. Endereo correspondncia: Av. das Amricas 3555, Bloco 2, sala 302. Barra da Tijuca - RJ - Brazil 22631-004, 055

    21 99983951 Phone/Fax 055 21 33262378 or 24307168 david@szpilman.com www.szpilman.com

    Referencia sugerida: David Szpilman Manual dinmico de Afogamento - Ano 2013. Publicado on-line em www.sobrasa.org, Dezembro

    de 2013.

    Manual

    EMERGNCIAS AQUATICAS

    Sociedade Brasileira de Salvamento Aqutico SOBRASA

    APOIO

    Federao Internacional de Salvamento Aqutico ILS.

    Autor; Dr David Szpilman (*) Verso Dezembro de 2013

    Atualmente, o nmero de bitos por afogamento em nosso pas supera os 6.500 casos

    por ano, isto sem falar nos acidentes no fatais que chegam a mais de 100.000. Nossas

    crianas, infelizmente, so as maiores vtimas dessa situao, pois tem entre 1 e 9 anos de

    idade, o afogamento como segunda causa de morte. Esses dados demonstram a ocorrncia de

    uma catstrofe anual que necessita ser interrompida.

    Com o crescimento do nmero de pessoas que desfrutam do meio lquido, seja para o

    banho, a natao, a prtica de esportes aquticos, o transporte, ou mesmo para trabalho; em

    piscinas ou praias, tornou-se fundamental orientao preventiva no sentido de evitar o

    acidente mais grave que pode ocorrer na gua o Afogamento!

    Infelizmente o afogamento muito comum em nosso pas, e ocorre em sua maioria na

    frente de amigos e familiares que poderiam evitar ou ajudar, mas desconhecem inteiramente

    como poderiam reagir. O desconhecimento ou a imprudncia so muitas vezes, as causas

    principais destes acidentes na gua. Sabemos que mais de 70% das pessoas que se afogam

    em nossas praias vivem fora da orla, e, portanto no esto habituadas aos seus perigos e

    peculiaridades.

    Preocupada com esta situao, a

    Sociedade Brasileira de Salvamento Aqutico -

    SOBRASA vem difundindo, as diversas formas

    de preveno ao acidente afogamento em praias

    e piscinas. Poucas dicas de fcil aprendizado,

    mas que fazem uma grande diferena entre a

    vida e a morte de todos que gostam de se divertir

    na gua.

  • Manual do Curso de Emergncias Aquticas

    Sociedade Brasileira de Salvamento Aqutico Autor David Szpilman 2

    Sensvel a toda esta situao e conhecedor das possibilidades a Sobrasa elaborou este

    curso de emergncias aqutica que se propem a educao em preveno de afogamento para

    crianas, adolescentes e adultos, especialmente aqueles com afinidade com a gua, utilizando

    para tal instrutores com grande conhecimento.

    OBJETIVO DO CURSO

    Propiciar as bases tericas e prticas de salvamento aqutico e primeiro socorros a

    atletas e profissionais do meio aqutico, tornando mais seguro o lazer e o esporte, reduzindo o

    nmero de mortes por afogamento.

    PROGRAMA ESPECFICO

    1. Abertura introduo ao salvamento aqutico

    Embora as praias sejam um grande atrativo para turistas, e o local onde ocorre o maior

    nmero de salvamentos, no na orla e sim em guas doces onde ocorre o maior nmero de

    afogamentos com morte. importante conhecermos o perfil das vtimas e as razes que

    facilitam o afogamento, pois nestes dados sero baseados o planejamento mais adequado e as

    medidas de preveno necessrias para cada rea em particular.

    As maiorias dos afogados so pessoas jovens, saudveis, com expectativa de vida de

    muitos anos, o que torna imperativo um atendimento imediato, adequado e eficaz, que deve ser

    prestado pelo socorrista imediatamente aps ou mesmo quando possvel durante o acidente,

    ainda dentro da gua. fato, portanto que o atendimento pr-hospitalar a casos de afogamento

    diferenciado de muitos outros, pois necessita que se inicie pelo socorro dentro da gua. Este

    atendimento exige do socorrista algum conhecimento do meio aqutico para que no se torne

    mais uma vtima.

    DEFINIO DE AFOGAMENTO:

    a aspirao de lquido causada por submerso ou imerso. O termo aspirao

    refere-se entrada de lquido nas vias areas (traquia, brnquios ou pulmes), e no deve ser

    confundido com engolir gua.

    MECANISMOS DA LESO NO AFOGAMENTO

    No afogamento, a funo respiratria fica prejudicada pela entrada de lquido nas vias

    areas, interferindo na troca de oxignio (O2) - gs carbnico (CO2) de duas formas principais:

    1. Obstruo parcial ou completa das vias areas superiores por uma coluna de lquido,

    nos casos de submerso sbita (crianas e casos de afogamento secundrio) e/ou;

    2. Pela aspirao gradativa de lquido at os alvolos (a vtima luta para no aspirar).

  • Manual do Curso de Emergncias Aquticas

    Sociedade Brasileira de Salvamento Aqutico Autor David Szpilman 3

    Estes dois mecanismos de leso provocam a diminuio ou abolio da passagem do O2

    para a circulao e do CO2 para o meio externo, e sero maiores ou menores de acordo com a

    quantidade e a velocidade em que o lquido foi aspirado. Se o quadro de afogamento no for

    interrompido, esta reduo de oxignio levar a parada respiratria que conseqentemente em

    segundos ou poucos minutos provocar a parada cardaca.

    H alguns anos, pensava-se que os diferentes tipos de gua produziam quadros de

    afogamento diferentes. Hoje, sabemos que os afogamentos de gua doce, mar ou salobra

    no necessitam de qualquer tratamento diferenciado entre si.

    TIPOS DE ACIDENTES NA GUA

    Sndrome de Imerso - A Hidrocusso ou Sndrome de Imerso (vulgarmente conhecida como

    "choque trmico") um acidente desencadeado por uma sbita exposio gua mais fria que

    o corpo, levando a uma arritmia cardaca que poder levar a sncope ou a parada crdio-

    respiratria (PCR). Parece que esta situao pode ser evitada se molharmos a face e a

    nuca antes de mergulhar.

    2. Hipotermia - A exposio da vtima gua fria reduz a temperatura normal do corpo

    humano, podendo levar a perda da conscincia com afogamento secundrio ou at uma

    arritmia cardaca com parada cardaca e conseqente morte. Sabemos que todas as vtimas

    afogadas tm hipotermia, mesmo aquelas afogadas em nosso litoral tropical.

    3. AFOGAMENTO descrito adiante.

    CLASSIFICAO DO AFOGAMENTO

    Quanto ao Tipo de gua (importante para campanhas de preveno):

    1 - Afogamento em gua Doce: piscinas, rios, lagos ou tanques.

    2 - Afogamento em gua Salgada: mar.

    3- Afogamento em gua salobra: encontro de gua doce com o mar.

    4 Afogamento em outros lquidos no corporais: tanque de leo ou outro material e outros.

    Quanto Causa do Afogamento (identifica a doena associada ao afogamento):

    1 - Afogamento Primrio: quando no existem indcios de uma causa do afogamento.

    2 - Afogamento Secundrio: quando existe alguma causa que tenha impedido a vtima de se

    manter na superfcie da gua e, em conseqncia precipitou o afogamento: Drogas (36,2%)

    (mais freqente o lcool), convulso, traumatismos, doenas cardacas e/ou pulmonares,

    acidentes de mergulho e outras.

    Quanto Gravidade do Afogamento (permite saber a gravidade e o tratamento):

  • Manual do Curso de Emergncias Aquticas

    Sociedade Brasileira de Salvamento Aqutico Autor David Szpilman 4

    A Classificao de afogamento permite ao socorrista estabelecer a gravidade de cada caso,

    indicando a conduta a ser seguida. Foi estabelecida com o estudo de casos de afogamento no

    Centro de Recuperao de Afogados (CRA) de Copacabana e seu acompanhamento no

    Hospital Municipal Miguel Couto durante 20 anos. A classificao no tem carter evolutivo,

    devendo ser estabelecida no local do afogamento ou no 1o

    atendimento, com o relato de

    melhora ou piora do quadro. O primeiro passo no entendimento do processo de afogamento

    diferenciarmos entre um caso de Resgate e Afogamento.

    RESUMO DA CLASSIFICAO E TRATAMENTO (ver tambm algoritmo 2)

    GRAU SINAIS E SINTOMAS PRIMEIROS PROCEDIMENTOS

    Resgate Sem tosse, espuma na boca/nariz, dificuldade na respirao ou parada respiratria ou PCR

    1. Avalie e libere do prprio local do afogamento

    1 Tosse sem espuma na boca ou nariz

    1. repouso, aquecimento e medidas que visem o conforto e tranqilidade do banhista.

    2. No h necessidade de oxignio ou hospitalizao

    2 Pouca espuma na boca e/ou nariz

    1. oxignio nasal a 5 litros/min 2. aquecimento corporal, repouso, tranqilizao.

    3. observao hospitalar por 6 a 24 h.

    3 Muita espuma na boca e/ou nariz

    com pulso radial palpvel.

    1. oxignio por mscara facial a 15 litros/min no local do acidente. 2. Posio Lateral de Segurana sob o lado direito.

    3 - Internao hospitalar para tratamento em CTI.

    4 Muita espuma na boca e/ou nariz

    sem pulso radial palpvel

    1. oxignio por mscara a 15 litros/min no local do acidente 2. Observe a respirao com ateno - pode haver parada da respirao. 3. Posio Lateral de Segur