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Custos de Produção Agrícola: A metodologia da Conab Brasília 2010

Custos de Produção Agrícola: A metodologia da Conab

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  • Custos de Produo Agrcola:

    A metodologia da Conab

    Braslia2010

  • 2Custos de Produo Agrcola: A Metodologia da Conab

    Ministrio da Agricultura, Pecuria e Abastecimento

    Companhia Nacional de Abastecimento Conab

    Diretoria de Poltica Agrcola e Informaes Dipai

    Superintendncia de Informaes do Agrongocio Suinf

    Superintendente: Airton Camargo Pacheco da Silva

    Coordenador do Projeto Reviso Metodolgica: Aroldo Antnio de Oliveira Neto

    Gerncia de Custos de Produo - Gecup

    Gerente: Asdrbal de Carvalho Jacobina

    Equipe: Bevenildo Fernandes Sousa, Delmo de Paula Schlottfeldt, Hilma Norberto de Paula Fonseca, Jales Viana Falco, Stelito Assis dos Reis Neto

    Colaboradores: Antnio Srgio Ribeiro Camelo, Carlos Roberto Bestetti, Superintendncias Regionais da Conab e instituies consultadas (ver Anexo I).

    Editorao: Marlia Malheiro Yamashita

    Fotos: Adriana Bressan, Adriana Severo, Andr Carvalho, Clauduardo Dias Abade, Dbora de Moura, Editora Gazeta Santa Cruz, Eduardo Rocha, Gleydiane Schaeffer, Jean Carlos, Maurcio Pinheiro, Samyra Mesquita e Valria de Paula

  • Custos de Produo Agrcola:

    A metodologia da Conab

    Braslia2010

  • 4Custos de Produo Agrcola: A Metodologia da Conab

    Distribuio GratuitaReproduo autorizada desde que contenha a assinatura Conab.

    338.512C737c Companhia Nacional de Abastecimento.

    Custos de produo agrcola: a metodologia da Conab. -- Braslia : Conab, 2010.

    60 p. : il.

    ISBN : 978-85-62223-02-0

    1. Agricultura. 2. Custo de Produo. 3. Produo Agrcola. 4. Prtica Cultural. I. Ttulo.

    Catalogao da publicao: Equipe da Biblioteca da Conab

  • 5Companhia Nacional de Abastecimento

    Sumrio

    INTRODUO ............................................................................................................................................................... 9

    PARTE I SISTEMAS DE CULTIVO E MODELOS AGRCOLAS ........................................................................... 111 Os sistemas de cultivo ......................................................................................................................................... 112 Os modelos agrcolas no Brasil ......................................................................................................................... 12

    PARTE II CONCEITOS BSICOS ............................................................................................................................ 131 A administrao e a produo ....................................................................................................................... 132 A funo produo ............................................................................................................................................. 143 O custo de produo .......................................................................................................................................... 15

    PARTE III ASPECTOS METODOLGICOS .......................................................................................................... 171 Os antecedentes histricos ................................................................................................................................. 172 O mtodo de construo da metodologia em 2009 ................................................................................. 213 Os atributos metodolgicos ............................................................................................................................ 22 3.1 Da unidade produtiva modal ...................................................................................................................... 22 3.2 Do painel .......................................................................................................................................................... 22 3.3 Da caracterizao e informaes da unidade produtiva ................................................................... 23 3.4 Do pacote tecnolgico e dos coeficientes tcnicos da produo ................................................. 25 3.5 Do sistema de coleta de preos ................................................................................................................. 25 3.6 Da adequao dos custos no tempo ....................................................................................................... 25 3.7 Da reviso do pacote tecnolgico ............................................................................................................. 26 3.8 Da mensurao dos componentes de custos ....................................................................................... 27 3.9 Da representatividade dos custos ............................................................................................................ 27

    PARTE IV DETALHAMENTO DAS CONTAS ....................................................................................................... 28 1 A descrio dos itens que compem o custo de produo ................................................................... 29 1.1 As mquinas e implementos agrcolas .................................................................................................... 29 1.1.1 A hora/mquina .............................................................................................................................30 1.1.2 A manuteno ................................................................................................................................ 30 1.1.3 A depreciao ...................................................................................................................................31 1.1.4 O seguro ........................................................................................................................................... 31 1.1.5 A remunerao do capital ............................................................................................................31 1.1.6 Outras informaes ...................................................................................................................... 32 1.2 As benfeitorias ................................................................................................................................................. 32 1.2.1 A depreciao ..................................................................................................................................32 1.2.2 A manuteno ...............................................................................................................................33 1.2.3 O seguro ............................................................................................................................................33 1.2.4 A Remunerao de capital .......................................................................................................... 33 1.3 Os agrotxicos ................................................................................................................................................ 33 1.4 Os fertilizantes ................................................................................................................................................ 34

  • 6Custos de Produo Agrcola: A Metodologia da Conab

    1.5 As mudas e sementes .................................................................................................................................... 35 1.5.1 A exausto ...................................................................................................................................... 35 1.5.2 A remunerao do capital .......................................................................................................... 35 1.5.3 Outras informaes ..................................................................................................................... 36 1.6 A irrigao ......................................................................................................................................................... 36 1.6.1 A hora/mquina ........................................................................................................................... 37 1.6.2 A depreciao ................................................................................................................................ 37 1.6.3 A manuteno ............................................................................................................................... 37 1.6.4 O seguro .......................................................................................................................................... 38 1.6.5 A remunerao do capital ......................................................................................................... 38 1.6.6 Outras informaes .................................................................................................................... 38 1.7 O seguro rural .................................................................................................................................................. 39 1.8 A mo de obra (MOB) e os encargos sociais e trabalhistas .............................................................. 39 1.8.1 A coleta de informaes ..............................................................................................................41 1.8.2 O rateio na agricultura empresarial ....................................................................................... 41 1.8.3 - O rateio na agricultura familiar ............................................................................................... 42 1.8.4 Os encargos sociais e trabalhistas ........................................................................................... 42 1.8.5 O registro da MOB no custo de produo ............................................................................ 42 1.8.6 O equipamento de proteo individual (EPI) ..................................................................... 43 1.8.7 A retirada pr-labore ................................................................................................................... 43 1.9 Os juros .............................................................................................................................................................. 43 1.10 A assistncia tcnica e a extenso rural ............................................................................................... 43 1.11 As despesas de armazenamento .............................................................................................................. 43 1.12 Os gastos com o transporte ...................................................................................................................... 44 1.13 As despesas administrativas ..................................................................................................................... 44 1.14 As outras despesas ....................................................................................................................................... 44 1.15 A remunerao do fator terra ................................................................................................................... 44 PARTE V ANLISE DOS CUSTOS DE PRODUO ......................................................................................... 45 1 A anlise econmica e financeira .................................................................................................................. 45 2 A anlise administrativa e operacional ...................................................................................................... 46 CONCLUSO ............................................................................................................................................................... 47 REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS .......................................................................................................................... 48

    ANEXOS ....................................................................................................................................................................... 49Anexo I Relao das instituies consultadas ........................................................................................... 49Anexo II Mquinas agrcolas - vida til e valor residual ......................................................................... 52Anexo III Implementos agrcolas - vida til e valor residual .................................................................. 53Anexo IV Benfeitorias - vida til e valor residual ....................................................................................... 57Anexo V Conjunto de irrigao - vida til e valor residual .................................................................... 58Anexo VI Encargos sociais e trabalhistas ...................................................................................................... 58

  • 7Companhia Nacional de Abastecimento

    Apresentao

    O desenvolvimento da agricultura e do abastecimento nacional tem relao direta com a infor-mao e o conhecimento. O acesso a essas variveis condio essencial para a criao de oportunidades de investimentos produtivos, para a formulao, execuo e avaliao de polticas pblicas, a ampliao do escopo de estudo de pesquisadores e o fortalecimento da democracia.

    A Companhia Nacional de Abastecimento uma empresa pblica que gera e dissemina a infor-mao e o conhecimento especialmente para o setor agrcola e de abastecimento, proporcionando fcil acesso aos agentes econmicos nacionais e internacionais com credibilidade, confiabilidade, presteza, agili-dade, tempestividade, acessibilidade, continuidade, consistncia e transparncia.

    Dos vrios produtos da Conab, destaca-se a elaborao, a anlise e a divulgao de custos de pro-duo agrcola relacionados com as culturas temporrias, semiperenes e permanentes, alm de produtos ligados avicultura, suinocultura, caprinocultura, atividade leiteira, extrativismo e sociobiodiversidade.

    A Conab tem conhecimento e experincia acumulada (desde 1976) na elaborao de custo de pro-duo agrcola e a sua metodologia tem sido observada por entidades estatais e no-estatais para estudos e fonte de informao para tomada de decises polticas, administrativas, econmicas, financeiras e operacionais.

    O presente trabalho apresenta a nova metodologia de elaborao de custos de produo da Conab. Todo o processo de construo teve como estratgia o envolvimento ativo de produtores, das entidades representativas de vrios segmentos da agricultura, das fbricas de mquinas e implementos agrcolas, das universidades, dos centros de pesquisa e da administrao pblica na busca de consenso a respeito da sua proposta de reviso metodolgica.

    O resultado desses encontros tcnicos se encontra neste documento, onde se percebe a preocupao em registrar o momento da construo da metodologia, oferecer a base conceitual de sua sustentao, demonstrar a cultura participativa, destacar a transparncia dos procedimentos que podero ser adotados pela Companhia na elaborao e anlise critica dos custos de produo.

    A Conab tem a certeza de que a apresentao deste trabalho em muito contribuir com a melhoria da difuso da informao e conhecimento, das politicas pblicas, dos programas governamentais e da gesto das unidade produtivas da agricultura nacional.

    Diretoria de Poltica Agrcola e Informaes

    Superintendncia de Informaes do Agronegcio

  • 8Custos de Produo Agrcola: A Metodologia da Conab

    Prefcio

    O custo de produo agrcola uma excepcional ferramenta de controle e gerenciamento das ati-vidades produtivas e de gerao de importantes informaes para subsidiar as tomadas de decises pelos produtores rurais e, tambm, de formulao de estratgias pelo setor pblico.

    Para administrar com eficincia e eficcia uma unidade produtiva agrcola, imprescindvel, dentre outras variveis, o domnio da tecnologia e do conhecimento dos resultados dos gastos com os insumos e servios em cada fase produtiva da lavoura, que tem no custo um indicador importante das escolhas do produtor.

    O papel do Estado na agricultura tem nas informaes do pacote tecnolgico e no custo de produo excelentes indicativos para a elaborao de polticas pblicas em prol do produtor rural.

    A ideia para a elaborao deste trabalho teve origem na necessidade de atualizar a metodologia da Conab, que j estava vigorando h mais de dezesseis anos.

    Mesmo com adaptaes na metodologia, notrio que nesse intervalo de tempo ocorreram avanos tecnolgicos importantes, dentre outros, na fabricao de mquinas e implementos agrcolas, na elaborao de sementes melhor qualificadas, no desenvolvimento de novas tcnicas nos sistemas de plantio sustent-veis ambientalmente, resultando na crescente produtividade brasileira observada no perodo em questo.

    Havia necessidade, portanto, de se revisar o mtodo de elaborao de custos de produo, para torn-lo atual e condizente com esses progressos. Foram dois anos de pesquisa e anlise da literatura, de contatos com o segmento acadmico e produtivo at se chegar publicao deste documento.

    O trabalho busca delinear e disponibilizar ao setor agrcola, ao governo e, principalmente, socie-dade a metodologia de elaborao de custos de produo da Conab, onde se destaca o processo participa-tivo e a transparncia dos procedimentos que podero ser adotados pela Companhia.

    Gerncia de Custos de Produo

  • 9Companhia Nacional de Abastecimento

    Introduo

    A produo na atividade agrcola, pelas suas particularidades, exige escolhas racionais e utilizao eficiente dos fatores produtivos. Esse processo de tomada de deciso reflete no seu custo total, que, por sua vez, impacta os resultados timos da atividade. O custo da produo agrcola parte essencial para a gesto do empreendimento rural e o seu acompanhamento pelo Estado importante para a formulao, implementao e avaliao de polticas pblicas.

    No mbito do governo federal, em se tratando de agricultura, a Companhia Nacional de Abasteci-mento (Conab) tem conhecimento e experincia acumulada, desde 1976, na elaborao de custos de pro-duo agrcola e a sua metodologia tem sido observada por entidades estatais e no-estatais para estudos e fonte de informao para tomada de decises administrativas, econmicas, financeiras e operacionais.

    A Companhia tem em seus arquivos custos relacionados com culturas temporrias, semiperenes e permanentes, alm de produtos ligados avicultura, suinocultura, caprinocultura, atividade leiteira, extra-tivismo e sociobiodiversidade.

    Os custos elaborados tm resultados prticos para a sociedade e oferecem informaes substan-ciais para a elaborao de polticas pblicas para os segmentos que esto direta ou indiretamente ligados ao processo produtivo. Os trabalhos so cercados, principalmente, de respeitabilidade, credibilidade, confia-bilidade, consistncia e transparncia.

    A experincia, a responsabilidade e a conscincia da importncia dos custos de produo para o segmento agrcola so variveis que exigem acompanhamento e atualizao constante da metodologia aplicada. Nesse contexto, percebe-se que a agricultura faz parte de um sistema complexo, dinmico e em constante mudana, principalmente no que se refere a seus fatores de produo.

    O desenvolvimento tecnolgico das mquinas e implementos agrcolas, as alteraes nas relaes trabalhistas no meio rural, a intensidade e os resultados de pesquisas no ramo agropecurio e as modifi-caes nos marcos regulatrios de mudas e sementes, do uso de recursos hdricos, do seguro rural e dos fertilizantes e agrotxicos so fatos que impactam nos custos de produo agrcola.

    Analisando os cenrios e os fatos e consciente de suas responsabilidades, a Conab tomou a deciso de rever a sua metodologia de elaborao de custos de produo agrcola. A estrategia foi de envolver ativa-mente os produtores, as entidades representativas de vrios segmentos da agricultura, as universidades, os

  • 10Custos de Produo Agrcola: A Metodologia da Conab

    centros de pesquisa e a administrao pblica na busca de consenso a respeito da sua proposta de reviso metodolgica.

    O resultado desses encontros tcnicos se encontra neste documento. Para melhor compreenso do assunto, o presente trabalho composto dessa introduo, que contextualiza o assunto, de cinco partes e a concluso. Na primeira parte, apresentado o resumo histrico dos sistemas de cultivo e dos modelos agr-colas no Brasil, com o objetivo principal de registrar o momento da elaborao desta metodologia.

    Na segunda parte so especificados os conceitos que cercam os custos de produo como parte do processo de difuso do conhecimento e como orientao bsica para sustentar a metodologia de elabo-rao dos custos de produo da Conab.

    A preocupao da Companhia com os custos de produo datam da dcada de 1970 e o seu mtodo de clculo sempre buscou a participao de agentes econmicos ligados produo, principalmente na construo da metodologia e no levantamento dos pacotes tecnolgicos. Esse procedimento pode ser observado nos antecedentes histricos, no mtodo de elaborao desta metodologia e nos atributos meto-dolgicos descritos na terceira parte deste documento.

    No momento seguinte, o documento detalha todos os procedimentos que sero adotados pela Companhia em cada conta do custeio e dos custos variveis e fixos. Por se tratar da parte mais importante

    da metodologia, a transparncia o foco nesta parte do trabalho.

    A parte seguinte refere-se preocupao da Conab com a uti-lizao das informaes do custo de produo e do contato com os agente locais e regionais para tornar esse fato a oportunidade de fazer as anlises crticas sob o aspecto financeiro, econmico, operacional e administrativo.

    Na concluso, a Companhia ratifica seus compromissos com a participao, a transparncia, a continuidade da reviso metodolgica, a difuso da informao e conhecimento e o uso das informaes e dos resultados do custo de produo como meio de melhorar as pol-ticas pblicas, os programas governamentais e a gesto da unidade produtiva em prol do desenvolvimento da agricultura nacional.

  • 11Companhia Nacional de Abastecimento

    Parte I - Sistemas de Cultivo e Modelos Agrcolas

    Os resultados dos custos de produo esto diretamente relacionados com os sistemas de cultivo e o modelo agrcola adotado pelo produtor rural.

    A metodologia de elaborao de custos de produo da Conab abrange as culturas temporrias, semiperenes e permanentes, podendo ser utilizada nos produtos ligados avicultura, suinocultura, capri-nocultura, atividade leiteira, extrativismo e sociobiodiversidade. Atende, portanto, a sistemas de cultivo e modelos agrcolas diversos.

    O resumo histrico dos sistemas de cultivo e dos modelos agrcolas descritos abaixo tem por obje-tivo principal registrar o momento da elaborao desta metodologia.

    1 - Os sistemas de cultivo

    O desenvolvimento agrcola envolve diversas variveis (ecolgicas, socioeconmicas, poltico-insti-tucionais, culturais e tecnolgicas), sendo que a importncia relativa de cada uma delas se modifica com o tempo (ROMEIRO, 1998).

    Na antiguidade, predominava o sistema de associao das culturas de cereais e criao de gado, com baixa produtividade. Na idade mdia permanece o sistema de consrcio, mas o uso de novas tecnologias gerou aumento de produo e de excedentes. Na modernidade criou-se sistemas de culturas de cereais e forrageiras sem pousio, com aumento considervel da produo e de excedentes comercializveis, bem como houve o fortalecimento da integrao cultura com criao de gado (SANTILLI, 2009).

    Esse novo sistema de cultivo demonstrou ser altamente equilibrado sob o ponto de vista ecolgico, muito produtivo e seguidor de regras agronmicas para estabelecer a posio de cada cultura no esquema de rotao, levando em conta tambm circunstncias econmicas. Com o advento de novos meios de pro-duo e do uso de produtos qumicos houve a introduo da prtica da monocultura (ROMEIRO, 1998).

    No final da dcada de 1950 e incio da de 1960, o modelo agrcola passou a se caracterizar pela asso-

  • 12Custos de Produo Agrcola: A Metodologia da Conab

    ciao de insumos qumicos, mecnicos e biolgicos, promovendo uma intensa padronizao das prticas agrcolas e artificializao do ambiente natural. Esse sistema ficou conhecido como revoluo verde. Nos anos de 1990, houve a introduo da biotecnologia no sistema de cultivo e as mudanas tecnolgicas ope-radas ocorreram pela evoluo do conhecimento cientfico e pela estratgia de valorizao de ativos (SAN-TILLI, 2009).

    Esse modelo de agricultura cientificada globalizada exige demanda de bens cientficos e de assis-tncia tcnica, onde os produtos so escolhidos segundo uma base mercantil, o que implica uma estrita obedincia aos mandamentos tcnicos e cientficos e so essas condies que regem os processos de plan-tao, colheita, armazenamento, empacotamento, transporte e comercializao (SANTOS, 2006).

    A agropecuria um dos principais setores emissores de CO2(23%) e cujas aes voluntrias de miti-gao de emisses brasileiras, apresentadas pelo pas na 15 Conferncia das Naes Unidas sobre Mudana do Clima (COP 15) prescrevem a recuperao de pastos, o plantio direto, a integrao lavoura-pecuria e a fixao biolgica de nitrognio (ROUSSEFF, 2009).

    De fato, o consrcio entre agricultura e pecuria pode converter reas degradadas em espaos pro-dutivos, sem necessidade de desmatar e sem prejuzo da criao de gado. O plantio direto tem contribudo para a melhoria do solo e dos lenis freticos e a fixao biolgica de nitrognio tem possibilitado a reduo da aplicao de fertilizantes qumicos.

    No entanto, h de se registrar que a presso que a agricultura tem sobre o meio ambiente indica a necessidade de se buscar um novo patamar de conhecimento onde o sistema produtivo utilize a agricultura

    como produtora de alimentos e matrias primas essenciais e observe o pro-gresso em outras dimenses e valores (LOPES, NASS e MELO, 2008).

    Os autores citados indicam que trs dimenses da agrobiodiversidade podem ser utilizadas na estruturao de programas e planos, quais sejam: a sustentabilidade dos sistemas produtivos em todos os nveis com foco na diversidade; a nfase na conservao e melhoria de recursos biolgicos que suportam os sistemas de produo e o reconhecimento, a recuperao e incorporao dos servios ecolgicos e sociais dos agrossistemas (2008).

    As polticas pblicas, em particular os instrumentos aplicados na agricultura, necessitam ser repensadas de maneira a contribuir para a con-servao e o uso sustentvel da agrobiodiversidade. Instrumentos de crdito, seguro agrcola e acesso ao mercado, pesquisa e assessoria tcnica tm que incorporar e reconhecer a diversidade socioambiental do pas (CORDEIRO, 2007).

    2 - Os modelos agrcolas no Brasil

    No Brasil, foram desenvolvidos dois modelos de produo agr-cola bastante distintos: a agricultura camponesa e familiar e a agricultura patronal convertida no que se convencionou chamar de agronegcio (SAN-TILLI, 2009).

    De acordo com a autora, o agronegcio se caracteriza pela produo baseada na monocultura, especialmente de produtos cujos valores so ditados pelas regras do mercado internacional, pela utilizao intensiva de insumos qumicos e de mquinas agrcolas, pela adoo de pacotes tecnolgicos, pela padronizao e uniformizao dos sistemas produtivos, pela artificializao do ambiente e pela consolidao de grandes empresas agroindustriais.

    Ainda de acordo com Santilli (2009), a agricultura camponesa e fami-liar, sempre teve como caracterstica bsica a policultura (milho, feijo, arroz, mandioca, hortalias, frutferas, etc) e nesse modelo, a famlia proprietria dos meios de produo e assume o trabalho no estabelecimento produtivo. Na sua diversidade social, difcil estabelecer um nico modelo agrcola, mas sua atuao fundamental para a segurana alimentar, a gerao de emprego e renda e desenvolvimento local em bases sustentveis e equitativas.

  • 13Companhia Nacional de Abastecimento

    Parte II - Conceitos Bsicos

    Os conceitos que cercam os custos de produo so, resumidamente, explicitados abaixo. Devem ser observados como parte do processo de difuso do conhecimento e como orientao bsica para sustentar a metodologia de elaborao dos custos de produo da Conab, que se apresenta neste trabalho tcnico.

    1 - A administrao e a produo

    A administrao um conjunto de atividades dirigidas utilizao eficiente e eficaz dos recursos, no sentido de alcanar um ou mais objetivos ou metas organizacionais (SILVA, 2005). O processo administra-tivo constitudo de:

    a) planejamento: estabelecer objetivos e misso, examinar as alternativas, determinar as necessi-dades de recursos, criar estratgias para o alcance daqueles objetivos;

    b) organizao: desenhar cargos e tarefas especficas, criar estrutura organizacional, definir posies de staff, coordenar as atividades de trabalho, estabelecer polticas e procedimentos e definir a alocao de recursos;

    c) direo: conduzir e motivar os empregados nas realizao das metas organizacionais, estabelecer comunicao com os trabalhadores, apresentar soluo dos conflitos e gerenciar mudanas;

    d) controle: medir o desempenho, estabelecer comparao do desempenho com os padres, tomar aes necessrias para melhoria do desempenho (SILVA, 2005).

    Na agricultura, a administrao do empreendimento rural exige tecnologia e conhecimentos para lidar com os riscos e incertezas prprias do setor (clima, poltica, economia, legislao, etc), a instabilidade da renda em razo da produtividade e preos internos e externos, as caractersticas de oligoplio e oligop-snio no comrcio e indstria que se relacionam com a agricultura, as variaes de preos e as dificuldades de comercializao na safra, o crdito muitas vezes problemticos, a perecibilidade dos produtos agrcolas, alm da prpria complexidade da produo agrcola (local, tempo, espao, clima, meio ambiente, solo, etc).

  • 14Custos de Produo Agrcola: A Metodologia da Conab

    Todas as organizaes possuem uma funo produo que para ser eficaz deve usar eficientemente seus recursos e produzir bens e servios de maneira que satisfaa os seus consumidores, alm de fornecer os meios para atender a seus objetivos estratgicos a longo prazo (desenvolvendo objetivos e polticas apro-priados dos recursos que administra; transformando decises em realidade operacional e fornecendo os meios para obteno da vantagem competitiva), conforme SLACK et al (1999).

    Para serem bem sucedidas no longo prazo, as organizaes devem estabelecer objetivos de desem-penho para fazer certo as coisas (vantagem da qualidade), fazer as coisas com rapidez (vantagem em rapidez), fazer as coisas em tempo (vantagem da confiabilidade), mudar ou adaptar as atividades de pro-duo (vantagem da flexibilidade) e fazer as coisas o mais barato possvel (vantagem de custo), na forma exposta por SLACK et al (1999).

    2 - A funo produo

    Os desejos das pessoas so ilimitados e os recursos necessrios para sua satisfao so escassos ou limitados. Essa situao exige tomadas de deciso que devem levar em conta alternativas racionais processo de escolher a melhor opo considerando ordem estvel de preferncias com vista a maximizar algumas variveis como o bem estar ou a satisfao. Essa racionalidade permite ao agente econmico um critrio estvel, a partir do qual decide sua atuao diante de cada situao (CASTRO, 1988).

    Nesse processo de escolhas podem ser identificados os produtores (empresas) e os consumidores (famlias). Os primeiros utilizam recursos (terra, capital e trabalho, capacidade tecnolgica e empresarial) para a produo de bens e servios que podem atender s necessidades, desejos e preferncias das famlias. Estas, alm de fornecer os recursos, efetuam pagamentos para as empresas que os repassam de volta em forma de salrios, juros, aluguis (ou arrendamentos) e lucros, criando, assim, os fluxos monetrio e real da economia (CASTRO, 1988).

    Do lado dos consumidores, na opinio de Camps (1988), o processo de escolha depender basi-camente do preo do bem especfico e de outros bens, da sua renda e de sua preferncia. Da parte das empresas, Segovia (1988) entende que o problema enfrentado de decidir por uma alternativa especfica de produo, quando h a necessidade de renunciar a outras opes existentes, sempre tendo como objetivo maior a gerao de lucros como fator de eficincia.

    Diante do problema empresarial anteriormente citado, torna-se claro que a atividade fundamental da empresa a produo, que consiste na utilizao dos fatores produtivos e dos recursos intermedirios para obter bens e servios (MOCHM, 2007).

    Sobre os fatores produtivos, importante conceitu-los como sendo todo agente econmico, pessoa ou coisa capaz de acrescentar valor s matrias primas em algum momento do processo produtivo (IGLE-SIAS, 1988). A respeito dos bens intermedirios, so aqueles que so utilizados para a produo de bens e servios finais, pelo emprego basicamente do trabalho e do capital.

    Na atividade produtiva, a escolha do mtodo ou processo de produo depende da sua eficincia. Esta pode ser classificada como eficincia tcnica ou tecnolgica, quando comparado com outros mtodos, se utiliza de menor quantidade de insumos para produzir uma quantidade equivalente do produto. Outro tipo de classificao a eficincia econmica que est associada ao mtodo de produo mais barato (isto , os custos de produo so menores) relativamente a outros mtodos (VASCONCELOS e GARCIA, 2004).

    Ao decidir o que e quanto, como e para quem produzir, levando em conta as respostas do consu-midor, as empresas procuram variar a quantidade utilizada dos fatores, para com isso variar a quantidade produzida do produto. Nesse processo buscam sempre utilizar a melhor tecnologia ao menor custo.

    Vasconcelos e Garcia (2004), entendem que no processo produtivo as empresas podem utilizar fatores de produo variveis e fixos. Os primeiros podem ser conceituados como aqueles cujas quanti-dades utilizadas variam quando o volume de produo se altera. Os fatores fixos so aqueles em que as quantidades no mudam quando a quantidade de produto varia.

    Para efeito de anlise microeconmica, h de se considerar dois tipos de relaes entre a quantidade produzida e a quantidade utilizada de fatores. O primeiro a anlise de curto prazo que o perodo no qual existe pelo menos um fator fixo de produo; o segundo a anlise de longo prazo onde todos os fatores so variveis (VASCONCELOS, 2002). Essa anlise importante para se observar a eficincia econmica das empresas.

  • 15Companhia Nacional de Abastecimento

    A funo produo representa a tecnologia utilizada no pro-cesso produtivo de determinado produto e a tecnologia determina quais insumos, a sua quantidade e a forma de utilizao dos mesmos. Dada uma tecnologia de produo, os preos e as quantidades de insumos determinaro os custos totais e em vista das diferentes possi-bilidades de utilizao desses fatores, possvel combin-los de forma a minimizar os custos de produo (CASTRO et al, 2009).

    3 - O custo de produo

    A maximizao dos resultados de uma empresa ocorre na rea-lizao de sua atividade produtiva, pois ela procurar sempre obter a mxima produo possvel em face da utilizao de certa combinao de fatores. Os resultados timos podero ser conseguidos quando houver a maximizao da produo para um dado custo total ou mini-mizar o custo total para um dado nvel de produo (VASCONCELOS e GARCIA 2004).

    Na produo, o custo mede a renncia ao emprego dos recursos produtivos (homens, mquinas, etc) em outro uso alternativo melhor (RAMIZ, 1988). Assim, o custo total de produo pode ser definido como o total das despesas realizadas pela firma com a combinao mais econmica dos fatores, por meio da qual obtida determinada quantidade do produto (VASCONCELOS e GARCIA, 2004).

    Outra definio podemos encontrar em REIS (2007), que especi-fica o custo de produo como a soma dos valores de todos os recursos (insumos e servios) utilizados no processo produtivo de uma atividade agrcola, em certo perodo de tempo e que podem ser classificados em curto e longo prazos. Comenta que a estimativa dos custos est ligada gesto da tecnologia, ou seja, alocao eficiente dos recursos pro-dutivos e ao conhecimento dos preos destes recursos.

    Em termos econmicos, a questo relativa ao curto ou longo prazo refere-se possibilidade de variao dos fatores de produo. Considera-se curto prazo se pelo menos um dos fatores de produo no puder variar no perodo considerado, quando no longo prazo, todos os fatores podem variar (CASTRO et al, 2009).

    Ao se falar em custos, deve-se definir os conceitos em termos econmicos. O custo econmico considera os custos explcitos, que se referem ao desembolso efetivamente realizado, e os custos implcitos que dizem respeito queles para os quais no ocorrem desembolsos efetivos, como o caso da depreciao e do custo de oportunidade, que se refere ao valor que um determinado fator poderia receber em algum uso alternativo (CASTRO et al, 2009).

    Outro conceito importante o de custo operacional, que o custo de todos os recursos que exigem desembolso monetrio por parte da atividade produtiva para sua recomposio, incluso a depreciao; e a sua finalidade na anlise a opo de deciso em casos em que os retornos financeiros sejam inferiores aos de outras alternativas, representadas pelo custo de oportunidade (REIS, 2007)

    Os custos de produo so divididos em dois tipos. Os custos variveis totais (CVT) so a parcela dos custos totais que dependem da produo e por isso mudam com a variao do volume de produo. Representam as despesas realizadas com os fatores variveis de produo. Na contabilidade empresarial, so chamados de custos diretos (VASCONCELOS e GARCIA, 2004).

    Os custos fixos totais (CFT) correspondem s parcelas dos custos totais que independem da pro-duo. So decorrentes dos gastos com os fatores fixos de produo. Na contabilidade privada, so cha-mados de custos indiretos (VASCONCELOS e GARCIA, 2004).

    O custo total (CT) a soma dos custos fixos totais e variveis totais.

  • 16Custos de Produo Agrcola: A Metodologia da Conab

    Os custos de produo podem variar por diversos motivos. Pode-se destacar a utilizao intensiva ou no de tecnologia; o uso dos fatores, com maior ou menor eficincia, intensidade ou produtividade; o volume de produo e o preo dos fatores (RAMIZ, 1988).

    considerando o curto prazo que se define o custo total da firma. Na anlise de curto prazo, o que se observa so os custos variveis e fixos, pois o comportamento do custo total de produo, que varia com os insumos, determina o nvel de produo tima aquela que maximiza os lucros (CASTRO et al, 2009).

    Outros fatores importantes que impactam os custos de produo so os encargos de depreciao, de amortizao e de exausto dos recursos utilizados na produo. Mesmo sendo classificados como custos fixos, so componentes do custo total que influenciam tomadas de deciso das empresas (OLIVEIRA NETO, JACOBINA, FALCO, 2008).

    No caso da depreciao, h necessidade de substituio de bens pelo desgaste do uso, ao da natu-reza ou obsolescncia normal; com a amortizao h recuperao de capital ou de bens com prazo legal limitado ou despesas registradas no ativo diferido e, no que se refere exausto, h de se buscar o retorno da perda de valor dos bens ou direitos do ativo, ao longo do tempo, decorrente de sua explorao (OLIVEIRA NETO, JACOBINA, FALCO, 2008).

    Na opinio de Reis (2007), no curto prazo importante a anlise econmica simplificada dos custos, ou seja, essencial verificar se e como os recursos empregados em um processo de produo esto sendo remunerados e como a rentabili-dade pode ser comparada a outras alternativas de emprego do tempo e do capital. As variveis receita e preos so fundamentais para se verificar o lucro econmico (retornos maiores que as melhores alter-nativas) e o lucro normal (retornos iguais s alternativas existentes).

    No longo prazo, na anlise econmica, no existiriam custos fixos e deve-se observar variveis que impliquem no aumento de custo no curto prazo para atingir menor custo de produo no longo prazo, ou seja, deve-se observar a faixa mais eficiente na qual mais econmica a produo (CASTRO et al, 2009).

  • 17Companhia Nacional de Abastecimento

    Parte III - Aspectos Metodolgicos

    A preocupao da Conab com os custos de produo datam da dcada de 1970 e o seu mtodo de clculo sempre buscou a participao de agentes econmicos ligados produo, principalmente na cons-truo da metodologia e no levantamento dos pacotes tecnolgicos. Esse procedimento pode ser observado nos antecedentes histricos relatados, no mtodo de elaborao desta metodologia e nos atributos meto-dolgicos descritos nesta parte do trabalho.

    1 - Os antecedentes histricos1

    Na ausncia de parmetros para elaborao de custos de produo agrcola que refletissem de forma consistente as diversas tecnologias agrcolas em uso poca, a concesso do financiamento de cus-teio agrcola durante o perodo de 1965 a 1978, tinha como critrio de clculo a utilizao da rea cultivada, da produtividade mdia esperada e do preo mnimo do produto, sendo o resultado limitado a 60% do valor a ser financiado. A frmula em uso era:

    VF = A . Pd . 60% . P

    Onde:VF = valor a ser financiadoA = rea a ser cultivadaPd = produtividade mdia esperadaP = preo mnimo do produto

    1 As informaes dos antecedentes histricos foram obtidas atravs de documentos e de entrevistas com os tcnicos da Conab: ngelo Bressan F ilho, Antnio Srgio Ribeiro Camelo, Asdrbal de Carvalho Jacobina, Bevenildo Fernandes Sousa e Wander Fernandes de Sousa . Houve unanimidade em citar o ex-empregado da Companhia de F inanciamento da Produo (CFP) Mario Fujita como o precursor dos estudos para a elaborao dos custos de produo.

  • 18Custos de Produo Agrcola: A Metodologia da Conab

    O maior inconveniente na adoo desse critrio era o de se estabelecer financiamento em at 60% do valor da produo. Assim, o montante de recursos por unidade de rea era definido pela magnitude do P, j que este se constitua no nico componente da frmula acima com maior grau de liberdade para ser alterado. Dessa maneira, qualquer tentativa de estmulo a um determinado produto, via aumento do preo mnimo, provocava, automaticamente, a elevao do volume de recursos de custeio, impedindo, consequen-temente, a sua plena utilizao como instrumento de poltica agrcola, alm de se mostrar ineficiente como referencial para uma poltica de crdito.

    Outro agravante era o hiato temporal existente entre o momento no qual o agricultor necessitava de crdito para dar incio ao ciclo de cultivo e o momento no qual os preos mnimos eram fixados, no per-mitindo alocaes de recursos para a agricultura de forma racional e adequada.

    A necessidade de se estabelecer um novo padro de referncia para a concesso dos financiamentos de custeio agrcola fez com que, a partir de 1979, o governo passasse a utilizar a estrutura de custos de pro-duo da ento Companhia de Financiamento da Produo (CFP), hoje Conab.

    Essa estrutura de custos foi originada a partir de um projeto de pesquisa de campo iniciado em maro de 1976, cujas informaes possibilitaram a elaborao de matrizes de coeficientes tcnicos de produo, as quais permitiram estimar com maior grau de segurana os custos de produo. Tal iniciativa tinha por finalidade subsidiar os estudos para determinao dos preos mnimos, bem como, servir de fonte compa-rativa para anlises de pleitos encaminhados por organizaes de produtores e de parmetros nas demais decises de governo relacionadas poltica agrcola.

    Na elaborao do projeto de pesquisa de campo, os critrios utilizados para a aplicao dos questio-nrios foram:

    a) rea cultivada;

    b) sistema de cultivo e produo;

    c) forma jurdica de explorao da terra; e

    d) tecnologia utilizada.

    A definio das regies para a aplicao dos questionrios foi feita com base no levantamento de produo, rea e produtividade, em nvel municipal, efetuados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Esta-tstica (IBGE). A seleo das culturas foi definida de acordo com os produtos amparados pela Poltica de Garantia de Preos Mnimos (PGPM), levando-se em considerao a participao mdia de cada produto sobre o total de Emprstimos do Governo Federal (EGF) concedidos.

    Aps o levantamento de campo e tabulao dos dados, os resultados preliminares foram ampla-mente discutidos no mbito do governo e com outras entidades afins. A partir dos resultados obtidos, foram construdas as matrizes de coeficientes tcnicos que, multiplicadas pelos vetores de preos dos fatores, pos-sibilitaram a elaborao das estimativas de custos de produo para as regies Centro-Sul, safra 1978/79 e Norte/Nordeste, safra 1979/80.

    Estas estimativas de custos de produo apontaram as distores existentes nos valores das opera-es de custeio concedidos atravs do sistema tradicional de clculo.

    Diante das ineficincias contidas no tradicional sistema de concesso de crdito de custeio, o governo federal criou, atravs do voto do Conselho Monetrio Nacional n 155 de 23/05/79, o Valor Bsico de Custeio (VBC), cujo clculo passou a ser determinado com base nas estimativas de despesas a serem desembolsadas pelo produtor ao longo do ciclo produtivo da lavoura, ou seja, na parte da estrutura de custos correspon-dente ao custeio da lavoura, cabendo CFP, e posteriormente Conab, a responsabilidade da elaborao e divulgao desse instrumento.

    Dadas as diferenas regionais existentes nos calendrios de plantio agrcola, tornou-se necessria a elaborao de clculos distintos para a safra de vero, safra da seca e safra de inverno, com nfase no Centro-Sul.

    A metodologia utilizada na elaborao dos custos de produo era a do custo operacional (custo varivel e alguns custos fixos) e pode-se destacar o cuidado com o clculo dos custos financeiros e a atua-lizao dos gastos dada a inflao no perodo. Outro procedimento rigoroso dos tcnicos era com a depre-ciao das mquinas e benfeitorias.

    Em meados da dcada de 1980, foram realizados dois seminrios com a participao de diversas ins-tituies pblicas e privadas, que tinha como objetivo geral desenvolver e definir um mtodo de clculo de

  • 19Companhia Nacional de Abastecimento

    custos de produo para as lavouras temporrias, de forma a reduzir as divergncias nos procedimentos de clculo, elaborar planilha que fosse de uso comum e propor a uniformizao de critrios para o cl-culo do custo de produo.

    Esses encontros permitiram a elaborao de planilha bsica de clculo dos custos de produo que possibilitava a obteno de resul-tados comparveis, alm de estimular a continuidade das discusses e do desenvolvimento de estudos complementares visando o aperfei-oamento dos trabalhos, principalmente com relao s mquinas, implementos e custos financeiros (BRASIL, 1988).

    A estrutura da planilha para elaborao de custo total de pro-duo previa informaes acerca do produto, da safra, da produtivi-dade e a caracterizao dos custos variveis e fixos, que podem ser assim resumidos:

    a) custos variveis:

    mquinas: as despesas de combustveis seriam registradas de acordo com as indicaes do fabricante agregando at 5% do valor devido ao transporte; a manuteno seria de 6 a 7% sobre o valor da nova mquina;

    implementos e utenslios: de 4 a 8% sobre o valor do implemento;

    manuteno de benfeitorias: 0,5 a 2% sobre o valor da ben-feitoria nova;

    mo de obra temporria: valor de mercado com encargos sociais de 51,56%;

    insumos: valor dos bens consumidos;

    despesas gerais: 1 a 2% sobre os itens anteriores;

    transporte externo: frete pago at unidade armazenadora, at 50 km da propriedade;

    armazenagem: valor de mercado (tabela de rgos ofi-ciais);

    encargos financeiros (juros): sobre capital de giro, utili-zando taxas do crdito rural (recursos do Manual de Crdito Rural 18), taxas de mercado (complemento) e custo de oportunidade (recursos prprios).

    b) custos fixos:

    depreciao: consideram-se as mquinas, equipamentos, utenslios, implementos, benfeitorias, instalaes, solo (sistematizao e correo), animais de trabalho e embalagens;

    remunerao sobre o capital prprio no depreciado: taxa de retorno custo de oportunidade;

    seguros, taxas e impostos: de acordo com as normas tributrias e para o seguro o prmio sobre 50% do valor do bem;

    mo de obra fixa: para o administrador, 6 a 10% dos custos variveis; para os demais casos, o preo de mercado. Para ambos, acrscimos de 51,56% a ttulo de encargos sociais;

    remunerao da terra: 3 a 5% do valor da terra ou o valor do arrendamento, com preferncia para o ltimo;

    No incio da dcada de 90, considerando a metodologia de elaborao de custo total definida no encontro de 1987, citado anteriormente, a Conab elaborava custo padro dos principais produtos da PGPM, como mdia nacional, principalmente da regio Centro-Sul.

  • 20Custos de Produo Agrcola: A Metodologia da Conab

    Em meados da dcada de 1990, estudos internos levaram a Companhia a elaborar e divulgar metodo-logia de elaborao de custos de produo agrcola, onde o mtodo de clculo adotado procura contemplar todos os itens de dispndio, explcitos ou no, assumidos pelo produtor, desde as fases de correo e preparo do solo at a fase inicial de comercializao do produto (BRASIL, 1996).

    O documento, no que se refere ao mtodo de elaborao dos custos, contm o contexto poltico e econmico vivenciado naquele momento, apresenta antecedentes histricos, os aspectos metodolgicos e o detalhamento das contas e dos itens que compem o custo de produo. Foi mantida a estrutura da pla-nilha negociada no encontro de Curitiba, em 1987.

    A metodologia indica como custo varivel os gastos com mquinas, mo de obra temporria e per-manente, sementes, fertilizantes, defensivos, transporte externo, classificao, armazenagem, transporte e seguro. Nos custos fixos, a metodologia estabelece o registro das despesas com depreciao, manuteno peridica de mquinas, encargos sociais, seguro de capital fixo e remunerao esperada sobre o capital fixo e a terra.

    Dando continuidade ao processo de melhoria dos procedimentos para a elaborao dos custos de produo, a Conab regionalizou seus clculos, ampliou os produtos e estabeleceu novas praas para a ela-borao dos custos de produo. Tal inovao exigiu pesquisas de sistemas de produo e de coeficientes tcnicos, nas principais zonas produtivas, previamente mapeadas atravs do sistema de avaliao de safras da Companhia. (BRASIL, 1999).

    No final de 2002, a Conab j disponibilizava custos de arroz, algodo, feijo, milho e soja representando diversas praas nos estados de Gois, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paran e Rio Grande do Sul, que eram atualizados anualmente e, dentre outras finalidades, utili-zavam-nos na elaborao dos preos mnimos.

    Em 2003 a Companhia inclui nos seus trabalhos a elaborao de custos de produo de culturas permanentes. Foram realizadas pes-quisas, trabalho de campo para conhecimento do sistema de cultivo e estudos sobre a cultura e, assim, elaborar os custos de produo de caf, cana de acar, citros e uva, que so atualizados bimestralmente e disponibilizados na pgina eletrnica da Companhia.

    Em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu-ria (Embrapa), em 2005, foi construda metodologia para elaborao de custos de produo de aves e sunos e atualmente disponibiliza ao pblico, custos da desses plantis para os estados do Cear, Esprito Santo, Gois, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paran, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e So Paulo.

    No processo de operacionalizao do Programa de Garantia de Preos para a Agricultura Familiar (PGPAF), institudo pelo Decreto n 5.996, de 20 de dezembro de 2006, a Conab, entre outras atividades, responsvel pela elaborao e atualizao dos custos de produo de diversos produtos: abacaxi, aa, arroz, banana, caf, cana de acar, castanha de caju, caprinos, cebola, laranja, feijo cores, feijo caupi, girassol, inhame, leite, mamona, mandioca, milho, ovinos, pimenta, quiabo, soja, tangerina, tomate e trigo.

    Em 2007, a Conab desenvolveu a metodologia de elaborao de custo de produo da atividade leiteira e mantm disposio do pblico custos nos estados de Gois, Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondnia, Santa Catarina e So Paulo, para a agricul-tura familiar e do agronegcio.

    Para o programa de sociobiodiversidade do Ministrio do Meio Ambiente, a Conab desenvolveu, a partir de 2008, custos de produo de aa, andiroba, babau, buriti, buriti-polpa, carnaba, castanha-de-baru, castanha-do-brasil, copaba, ltex lquido, mangaba-fruto, pequi, piaava nativa, seringa e umbu fruto.

    Em parceria com o Ministrio da Pesca e Aquicultura, em 2009, a Conab elaborou custo de produo de pescados (sardinha) nos estados do Rio de Janeiro, Santa Catarina e So Paulo, com vistas a oferecer sub-sdios no processo de desenvolvimento de poltica pblica por parte do

  • 21Companhia Nacional de Abastecimento

    ministrio citado.

    Em resumo, a Companhia construiu sua metodologia, ampliou seu escopo, reduziu o tempo de atu-alizao dos custos, fortaleceu sua relao institucional, contribuiu, e continua a faz-lo, com as polticas pblicas e programas de governo e oferece, atravs dos custos de produo, informaes essenciais para o desenvolvimento da agropecuria nacional.

    2 - O mtodo de construo da metodologia em 2009

    A construo da reviso metodolgica de elaborao dos custos de produo da Conab foi reali-zada por meio de pesquisa bibliogrfica e anlise documental, sendo de cunho qualitativo, e se pautou no modelo indicado por LAVILLE e DIONNE (1999).

    Com o objetivo de conhecer e compreender o processo de elaborao de custo de produo foi necessrio adquirir conhecimento terico sobre o assunto, identificar condies prticas do seu desenvol-vimento, participar do processo de elaborao de custos e de capacitao, conhecer opinies de agentes econmicos, centros de pesquisa e universitrios, rgos de governo e representantes dos produtores.

    Diversas medidas foram adotadas para a construo da reviso metodolgica, que podem ser resu-midas da seguinte forma:

    1 fase: conhecimento terico sobre custos de produo. Nessa fase, tambm, pode-se conhecer o sistema de coleta dos coeficientes tcnicos e a metodologia da Conab. A pesquisa da literatura e o conheci-mento do sistema de elaborao dos custos de produo podem ser classificadas como preliminares;

    2 fase: elaborao de notas tcnicas e artigos sobre o tema, o que exigiu aprofundamento dos conhecimentos tericos e tcnicos;

    3 fase: participao de cursos internos relacionados ao tema, o que permitiu ampliar o conhecimento sobre o processo de levantamento de coeficientes tcnicos e sua apropriao nos custos de produo;

    4 fase: participao direta nos levantamentos dos coeficientes tcnicos para a elaborao de custos de produo relacionados com agricultura empresarial e familiar com contatos diretos com os diversos agentes envolvidos na atividade agrcola, o que proporcionou conhecimentos que fortaleceram o processo de capacitao;

    5 fase: levantamento de informaes e estudos sobre diversos temas (mquinas e implementos; benfeitorias; fertilizantes e agrotxicos; mudas e sementes; irrigao; seguro rural; mo de obra e outras despesas de ps-colheita); preparao de sugestes de alterao na metodologia; organizao de reunies e obteno de consenso no mbito da rea responsvel acerca da proposta de reviso metodolgica;

    6 fase: elaborao dos relatrios internos para a Companhia com a proposta de reviso da metodo-logia e do plano de ao para sua implementao;

    7 fase: discusso no mbito da Conab (matriz e regionais) das propostas de reviso e do plano de ao;

    8 fase: registro de todas as pesquisas e documentos escritos no sistema de informao da Conab, para guarda e conservao de todo o material utilizado nessa primeira etapa do trabalho;

    9 fase: apresentao e discusso tcnica da proposta de reviso da metodologia de elaborao de custos de produo com as principais universidades de referncia no trato com a agricultura, com diversos centros de pesquisa, com entidades representativas de produtores rurais, com fbricas de mquinas e imple-mentos agrcolas e com diversos rgos de governo nas principais unidades da federao (Anexo I);

    10 fase: anlise interna das contribuies das diversas instituies consultadas;

    11 fase: divulgao da metodologia de custos de produo.

    A metodologia de elaborao de custos de produo ser constantemente atualizada, tendo em vista que a ideia manter um processo de discusso metodolgica atravs de desenvolvimento de projetos de interesse da Conab e de seus parceiros, cujos temas preliminares foram matria de discusso nos encon-tros tcnicos.

  • 22Custos de Produo Agrcola: A Metodologia da Conab

    3. Os atributos metodolgicos

    O mtodo de clculo adotado pela Conab busca contemplar todos os itens de dispndio, explcitos ou no, que devem ser assumidos pelo produtor, desde as fases iniciais de correo e preparo do solo at a fase inicial de comercializao do produto.

    O clculo do custo de uma determinada cultura est associado a caractersticas da unidade produ-tiva, aos diversos padres tecnolgicos e preos de fatores em uso nas diferentes situaes ambientais. O custo obtido, observando as caractersticas da unidade produtiva, mediante a multiplicao da matriz de coeficientes tcnicos pelo vetor de preos dos fatores.

    Os resultados apresentados, pelo mtodo da Companhia, indicam o total do custeio, do custo vari-vel, do custo operacional e do custo total, com o objetivo de oferecer as condies para estudos de polticas pblicas e programas de governo, alm de subsidiar discusses tcnicas de melhoria do processo produtivo e de comercializao.

    Essencial para o conhecimento do processo de clculo do custo de produo entender as rotinas para a sua construo. Para tanto, abaixo esto descritos os procedimentos que sero adotados pela Conab na elaborao desses custos.

    3.1 Da unidade produtiva modal

    Para o clculo do custo de produo, a Conab utilizar a moda do pacote tecnolgico na regio de pesquisa, ou seja, se respeitar o processo produtivo mais utilizado no local de levantamento dos coefi-cientes tcnicos para a elaborao do custo de produo.

    Essa unidade, construda pelos painelistas, deve ter caractersticas do sistema de cultivo, do modelo agrcola, do pacote tecnolgico, do local de produo (biomas), do tipo de produo (manual, semimecani-zada, mecanizada, etc), do processo de produo (plantio convencional, plantio direto, transgenia, orgnico, etc) e outras informaes que aproximem a unidade produtiva do perfil da realidade local e regional.

    Essa situao no impede a coleta de informaes de outros pacotes tecnolgicos na regio e a ela-borao do seu custo, dependendo das necessidades, das condies tcnicas, da solicitao dos produtores ou da livre deciso da Companhia.

    Outra providncia que poder ser adotada pela Companhia ser a definio, junto com os paine-listas, da unidade produtiva modelo que ser utilizada para o acompanhamento e avaliao do pacote tec-nolgico. Aps a confirmao da unidade selecionada, haver visita tcnica para definio de calendrio, se for o caso, de novas visitas e mesmo o cronograma de informaes que venham a ser fundamentais para avaliao dos custos de produo.

    3.2 Do painel

    O levantamento das informaes para construo do custo de produo ser atravs de painel que um encontro tcnico onde os participantes, por consenso, caracterizam a unidade produtiva modal da regio e indicam os coeficientes tcnicos relacionados com os insumos, as mquinas, implementos, servios e os vetores de preos que compem o pacote tecnolgico dessa unidade.

    Alm dos tcnicos da Conab, os participantes externos no painel devem ser: produtores rurais, repre-sentantes de classe (sindicatos, federao, confederao), de cooperativa e associao, de assistncia tcnica e extenso rural, de movimentos sociais, de rgos estatais e no estatais ligados agricultura, de insti-tuio financeira, de pesquisa agropecuria, de centros acadmicos, de concessionria e ou fabricante de insumos, de mquinas e implementos agrcolas e outros convidados pela Companhia.

    A coordenao do encontro ser da Conab que poder se associar a outras instituies para organi-zao do evento. O painel deve ser organizado de modo que tenha presena, preferencialmente, entre 10 a 15 participantes, com vistas a facilitar as discusses e o levantamento dos coeficientes tcnicos.

    A Companhia, antes do painel, pode tomar procedimentos no sentido de pesquisar sobre a cultura objeto dos coeficientes tcnicos, conhecer o processo produtivo local e regional, organizar visita a unidade produtiva para conhecimento de pacotes tecnolgicos, preferencialmente adotados na regio do painel,

  • 23Companhia Nacional de Abastecimento

    e manter contato com instituies estatais e no-estatais para obter informaes acerca do assunto objeto do painel.

    Durante o painel, o papel da Conab ser de induzir os parti-cipantes a caracterizar a unidade produtiva modal e indicar os coefi-cientes tcnicos e preos de insumos, mquinas, implementos e ser-vios do pacote tecnolgico. Outra atividade de organizar o cadastro de informantes acerca da pesquisa de preos para atualizao do custo e cadastrar todos os participantes do painel.

    responsabilidade da Companhia informar aos participantes do evento, as etapas de consolidao e confirmao do custo de pro-duo gerado pela Conab tomando por base as informaes do painel e registrar que todas as informaes obtidas no painel somente sero alteradas por deciso consensual dos participantes ou pela realizao de novo painel.

    Aps a consolidao e elaborao dos custos de produo, a Companhia deve submeter, formalmente, o resultado do custo de pro-duo aos participantes do painel e solicitar sua ratificao, sendo que na omisso de resposta pelo participante no tempo aprazado, a Conab entender como aceito o custo adotado durante o painel. Por fim, a Com-panhia deve divulgar o custo de produo na sua pgina eletrnica.

    Para efeito de organizao do processo de construo do custo de produo todas as informaes obtidas no painel devem ser regis-tradas nos processos internos da Companhia.

    Outra medida que pode ser adotada a utilizao dos resultados dos custos de produo, inclusive os coeficientes tcnicos, no processo de melhoria de gesto do produtor rural, que pode acontecer atravs de encontros tcnicos, organizados ou no pela Companhia.

    Outro aspecto a ser observado que as informaes constantes do custo de produo podem ser utilizadas como subsdio na discusso de polticas pblicas ou programas de governo no sentido de organizar, melhorar ou mesmo criar condies de minimizar ou resolver problemas no mbito da produo agrcola.

    3.3 Da caracterizao e informaes da unidade produtiva

    Para efeito de registro e caracterizao da unidade produtiva modal e, principalmente, para o levantamento dos coeficientes tcnicos e sua consolidao, so essenciais as seguintes informaes:

    local: municpio(s) onde se localiza a unidade produtiva modal e que faz(em) parte do levantamento dos coeficientes tcnicos;

    local de produo: informar o bioma e a localizao das terras no caso de unidades de uso susten-tvel (rea de proteo ambiental, rea de relevante interesse ecolgico, floresta nacional, reserva extrati-vista, reserva de fauna e reserva de desenvolvimento sustentvel);

    data do levantamento: indicar o dia, ms e ano do levantamento dos coeficientes tcnicos;.

    rea agricultvel: informao da rea total ocupada pela cultura, em hectares, na regio represen-tada; se no, informar apenas a rea da cultura no municpio;

    tamanho mdio das propriedades: mdia do tamanho das propriedades em relao ao nmero de produtores;

    rea mdia de cultivo: rea mdia de cultivo do produto objeto do levantamento dos coeficientes tcnicos;

    explorao produtiva modal: indicar as lavouras, as outras atividades produtivas e o total em hec-tares para cada rea explorada da unidade produtiva modal;

  • 24Custos de Produo Agrcola: A Metodologia da Conab

    condio da terra da unidade produtiva modal: percentual (%) da rea prpria ou arrendada para plantio;

    preo da terra da unidade produtiva modal: valor da terra em reais por hectare (R$/ha). Caso seja utilizada outra medida de preo (por exemplo: saco produto/ha) necessrio ter informaes que possam ser convertidas em R$/ha;

    preo do arrendamento da unidade produtiva modal: percentual da produo (%), valor em reais por hectare (R$/ha), valor por saco produzido por hectare (sc/ha) e outra modalidade negociada por hectare;

    tipo de solo: informar o tipo ou os tipos de solo predominante no municpio para o cultivo avaliado;

    topografia: descrio da superfcie predominante na unidade produtiva modal;

    clima: tempo meteorolgico observado na regio de localizao da unidade produtiva modal, indi-cando a poca normal de chuva e de dficit hdrico. Tais informaes podero ser obtidas em pesquisas juntos a instituies diversas e checadas na reunio;

    recurso hdrico: obter informao da poltica de recursos hdricos local, principalmente quanto ao nome da bacia hidrogrfica, rgo responsvel pela gesto (comit, agncia, etc), a quantidade em m3 outor-

    gada para a unidade produtiva;

    produto: variedade(s) cultivar(es) utilizada(s) para o plantio que ser motivo do custo de produo;

    safra: indicar ano da safra de plantio;

    faixa de produtividade modal: produtividade mnima e mxima, em hectares, observada na unidade produtiva modal;

    produtividade modal: produtividade modal, em hectares, do produto objeto do levantamento dos coeficientes tcnicos;

    espaamento entre plantas: espao entre plantas utilizado no plantio na unidade produtiva modal;

    espaamento entre linhas: espao entre linhas utilizado no plantio na unidade produtiva modal;

    densidade de plantio: indicar as plantas por hectare observadas no plantio na unidade produtiva modal;

    rotatividade da cultura: citar culturas e temporalidade da rotao;

    sistema de cultivo: indicar se convencional ou tradicional, plantio direto, orgnico, irrigado, sequeiro, cultivo mnimo, pr-germi-nado, transplante de mudas, consorciado, por estacas, estufa e outros;

    vida til do cultivo: para culturas semiperenes e permanentes, indicando o tempo e a produtividade de cada ano, quando for o caso;

    tecnologia: devem ser especificadas as tecnologias utilizadas pelo produtor de acordo com a classificao de alta, mdia e baixa, dadas as suas especificidades;

    meio ambiente: obter informaes acerca dos processos de conservao ambiental desenvolvidos na regio e mesmo na unidade produtiva (solo, gua, clima, vegetao, sequestro de carbono, etc), a prtica de manejo integrado de pragas, de programas de manejo da resistncia e do processo de consorciamento;

    comercializao: indicar os meios e os preos obtidos no pro-cesso de comercializao.

    Outras informaes podero ser obtidas a partir da necessidade

  • 25Companhia Nacional de Abastecimento

    e interesse da Companhia e de outras instituies.

    3.4 Do pacote tecnolgico e dos coeficientes tcnicos da produo

    No clculo do custo de produo de uma determinada cultura deve constar como informao bsica a combinao de insumos, de servios e de mquinas e implementos utilizados ao longo do processo pro-dutivo, que conhecida como pacote tecnolgico e indica a quantidade de cada item em particular, por unidade de rea, que resulta num determinado nvel de produtividade (BRASIL, 1996).

    Essas quantidades mencionadas, referidas a unidade de rea (hectare), so denominadas de coe-ficientes tcnicos de produo, podendo ser expressas em tonelada, quilograma ou litro (corretivos, ferti-lizantes, sementes e defensivos), em horas (mquinas e equipamentos) e em dia de trabalho (humano ou animal) e, dada as peculiaridades da atividade agrcola, os referidos coeficientes so influenciados dire-tamente pela diversidade de condies ambientais (clima, solo, topografia, sistema de cultivo, etc) que moldam, na prtica, uma grande variedade de padres tecnolgicos de produo (BRASIL, 1996).

    Durante o painel e no processo de consulta, a Companhia poder realizar o levantamento, principal-mente, de insumos substitutos e seus coeficientes tcnicos que podero ser utilizados para composio do pacote tecnolgico. Tal informao tem a finalidade de facilitar a coleta de preos e na reviso do pacote tecnolgico, nos casos de seu uso na falta do insumo rotineiramente utilizado pelo produtor.

    3.5 Do sistema de coleta de preos

    Outra varivel essencial no clculo de custo de produo o vetor de preos dos fatores que fazem parte do processo de produo, representado pelos preos mdios efetivamente praticados na rea objeto do estudo. Diferentemente do que acontece com os coeficientes tcnicos, os preos dos insumos e ser-vios apresentam variaes mais frequentes, exigindo levantamentos peridicos durante o ciclo produtivo (BRASIL, 1996).

    Os preos utilizados pela Conab nos clculos dos custos de produo so provenientes de duas fontes: a primeira provm das informaes coletadas no painel. A segunda constituda dos preos pesquisados pelas Superintendncias Regionais da Companhia, nas zonas de produo das Unidades da Federao.

    Na segunda fonte, a pesquisa mensal e so contactados fornecedores de insumos, de mquinas e implementos e de servios, principalmente, aqueles indicados pelos participantes do painel. Outras fontes de dados podem ser os rgos estatais e no-estatais de renome e reconhecidos pelas informaes relacio-nadas com a produo agrcola, alm de instituies pblicas que detenham exclusividade para divulgao de indicadores econmicos utilizados nos clculos do custo de produo.

    No caso de coleta de preos de produtos substitutos essencial a informao da razo pela qual foi necessria a incluso do novo insumo no processo de atualizao do pacote tecnolgico (retirada pelo fabricante, falta no mercado, uso pelo produtor, etc).

    3.6 Da adequao dos custos no tempo

    O texto abaixo tem origem no trabalho elaborado pela Conab, em 1996, e denominado de Custos de Produo Agrcola Conab que citado na parte de referncia bibliogrfica neste documento.

    De um modo geral, a produo agrcola se desenvolve em etapas distintas preparo do solo, plantio, tratos culturais e colheita exigindo, para tanto, perodos relativamente longos para serem realizadas. Isso faz com que os insumos e servios sejam incorporados lavoura em diferentes momentos, ao longo do processo produtivo.

    Por isso, em trabalhos de custos de produo agrcola, importante que se deixe clara a distino entre oramento ou estimativas de custo e custo efetivo ou simplesmente custo, bem como a data-base ou de referncia em que os clculos esto sendo realizados.

    A metodologia da Conab busca identificar corretamente os custos de produo no tempo, contem-plando, pelo menos, duas situaes distintas:

    a) custo estimado, realizado de trs a quatro meses antes do incio das operaes de preparo de solo,

  • 26Custos de Produo Agrcola: A Metodologia da Conab

    visa subsidiar as decises de poltica agrcola;

    b) custo efetivo, calculado a partir dos preos praticados na poca oportuna de utilizao, determina o custo efetivamente incorrido pelo produtor e serve para controle, avaliao, estudos de rentabilidade e subsdios s futuras polticas para o setor.

    No primeiro caso, o clculo tem por base os preos correntes de todos os insumos e servios a serem utilizados no decorrer do processo produtivo, levantados num determinado momento, independentemente da poca em que os mesmos sero incorporados ao processo produtivo, assumindo, assim, que as possveis variaes dos mesmos sero captadas ao longo do ciclo de produo e contempladas quando do clculo do custo efetivo.

    No segundo caso, estes dispndios vo sendo revistos, a cada instante, de acordo com o desembolso efetivo em cada fase do ciclo produtivo, a saber: preparo do solo, plantio, tratos culturais e colheita. Assim, a partir da utilizao desse critrio, possvel fazer-se clculos peridicos do custo durante todo o perodo de produo, bastando para isto eleger a data-base desejada, bem como calcular o custo efetivo ao trmino da safra.

    A temporalidade de atualizao dos custos de produo da Conab ser bimestral e acompanhar a evoluo dos preos dos fatores de produo, podendo ocorrer, tambm, em perodos inferiores, depen-dendo da necessidade e da melhoria da tcnica de coleta de preos pela Companhia. Os custos de produo atualizados estaro disponveis ao pblico na pgina eletrnica da Conab.

    3.7 - Da reviso do pacote tecnolgico

    A temporalidade de 03 em 03 anos ser o prazo observado pela Conab para a atualizao dos pacotes tecnolgicos. No entanto, a Companhia adotar o processo de consulta aos painelistas acerca da situao vigente e poder adotar providncias para atualizao do pacote tecnolgico na medida da necessidade ou de seu interesse. Todas as alteraes devem ser comunicadas ao publico.

    A consulta aos painelistas ser anual e obrigatria. No caso de modificao no pacote tecnolgico, informado e confirmado por todos os painelistas, nova visita poder ser agendada, podendo a Companhia adotar a consulta para o levantamento de novos coeficientes tcnicos.

    Os principais fatores para reviso dos custos de produo so:

    a) em ocorrendo alterao na produtividade a Conab poder realizar novo painel, de acordo com a sua metodologia. A deciso ser tomada a partir das informaes obtidas e da anlise tcnica por parte da Companhia;

    b) no caso em que houver o uso de mquinas e implementos em substituio queles bens regis-trados no custo de produo, seja por motivo de retirada do bem do mercado, seja pela incluso de novo equipamento no processo produtivo, a Conab poder realizar novo painel ou consulta aos participantes do painel original para adequar os coeficientes tcnicos ao novo pacote tecnolgico;

    c) qualquer alterao nas benfeitorias (incluso, excluso, aumento de capacidade, etc) que venha introduzir substancial modificao nos custos de produo. A Conab poder realizar novo painel ou con-sulta aos participantes do painel original para adequar o pacote tecnolgico;

    d) na retirada de comercializao do fertilizante ou a sua substituio pelo produtor, a Conab regis-trar o novo produto e dever realizar novo painel de acordo com a metodologia;

    e) ocorrendo a retirada de comercializao do agrotxico ou a sua substituio pelo produtor, a Conab registrar o novo produto e poder realizar novo painel ou consulta aos participantes da reunio original para adequao do pacote tecnolgico;

    f) na hiptese da retirada de comercializao da cultivar ou de informao de uso de nova varie-dade, novo painel deve ser agendado. A outra opo contato com os participantes do painel, no sentido de verificar a existncia de novos coeficientes tcnicos e consultar sobre as possveis alteraes no pacote tecnolgico, confirmando tais alteraes oficialmente;

    g) alterao no mtodo de irrigao ou mesmo modificao de coeficientes tcnicos que altere os resultados finais do custo de produo, novo painel poder ser agendado. A outra hiptese a reali-zao de consulta aos participantes do painel original sobre o assunto para adequar o pacote tecnolgico, formalmente;

    h) modificaes nos coeficientes tcnicos de mo de obra podero levar a Conab a realizar novo

  • 27Companhia Nacional de Abastecimento

    painel. A Companhia poder utilizar da opo de consulta aos partici-pantes do painel original para adequar o pacote tecnolgico;

    i) alteraes no seguro rural que resultem em modificaes nos coeficientes tcnicos sero motivao para adequao do pacote tecnolgico, seja com novo painel, seja atravs de consulta aos partici-pantes do painel original.

    A qualquer tempo, por questes tcnicas ou legais, a Conab poder agendar novo painel para levantamento de coeficientes tcnicos formadores do custo de produo. Poder tambm utilizar de consulta aos participantes do painel original para correo dos coeficientes tc-nicos, desde que haja concordncia de todos os painelistas.

    A deciso da realizao de novo painel ou do processo de con-sulta aos painelistas ser tomada tecnicamente pela Conab e todas as informaes sobre o assunto devem ser levadas em conta na elabo-rao das justificativas tcnicas para o processo de tomada de deciso. Todas as informaes devem ser registradas para efeito histrico e for-mao de arquivo para auxlio nas decises futuras.

    3.8 Da mensurao dos componentes de custos

    Neste item tambm ser utilizado o texto apresentado no tra-balho elaborado pela Conab, em 1996, e denominado de Custos de Produo Agrcola Conab, que citado na parte de referncias biblio-grficas neste documento.

    Do ponto de vista da mensurao dos custos de oportunidade social, os critrios adotados para sua determinao so os seguintes:

    a) custos explcitos, cujos valores podem ser mensurados de forma direta, so determinados de acordo com os preos praticados pelo mercado, admitindo-se que os mesmos representam seus verdadeiros custos de oportunidade social. Situam-se nesta categoria os compo-nentes de custo que so desembolsados pelo agricultor no decorrer de sua atividade produtiva, tais como insumos (sementes, fertilizantes e agrotxicos), mo de obra temporria, servios de mquinas e animais, juros, impostos e outros.

    b) custos implcitos no so diretamente desembolsados no processo de produo, visto que correspondem a remunerao de fatores que j so de propriedade da fazenda, mas no podem deixar de ser considerados, uma vez que se constituem, de fato, em dispn-dios. Sua mensurao se d de maneira indireta, atravs da imputao de valores que devero representar o custo de oportunidade de seu uso. Nesta categoria enquadram-se os gastos com depreciao de benfeito-rias, instalaes, mquinas e implementos agrcolas e remunerao do capital fixo e da terra.

    3.9 Da representatividade dos custos

    A metodologia de elaborao dos custos de produo da Conab busca observar o comportamento mdio dos diversos pacotes tecnolgicos relacionados com as culturas temporrias, semiperenes e perma-nentes, podendo ser utilizada nos produtos ligados avicultura, suinocultura, caprinocultura, atividade lei-teira, extrativismo e sociobiodiversidade.

    Os custos de produo, seus coeficientes tcnicos e os seus preos, devem ser observados no processo de elaborao, implementao e avaliao de polticas pblicas e de programas governamentais, principal-mente, no que se refere aos insumos, mquinas e implementos agrcolas, relao trabalhista, meio ambiente, sistema de cultivo, crdito rural, assistncia tcnica e extenso rural, infraestrutura e comercializao.

    essencial que os custos de produo sejam vistos, tambm, como instrumento na melhoria da gesto da unidade produtiva modal, podendo ser uma das variveis no aumento de renda do produtor rural.

  • 28Custos de Produo Agrcola: A Metodologia da Conab

    Parte IV - Detalhamento das Contas

    O texto abaixo tem origem no trabalho elaborado pela Conab, em 1996, e denominado Custos de Produo Agrcola Conab e no artigo de Oliveira Neto e Jacobina (2009), denominado A Reviso da Meto-dologia de elaborao dos Custos de Produo da Conab que citado na parte de referncias bibliogrficas neste documento.

    As planilhas de custos da Conab esto organizadas de maneira a separar os componentes de acordo com sua natureza contbil e econmica.

    Em termos contbeis, os custos variveis so separados em despesas de custeio da lavoura, des-pesas de ps-colheita e despesa financeira, esta ltima incidente sobre o capital de giro utilizado. Da mesma forma, os custos fixos so diferenciados em depreciao do capital fixo e demais custos fixos envolvidos na produo e remunerao dos fatores terra e capital fixo.

    Em termos econmicos, os componentes do custo so agrupados, de acordo com sua funo no pro-cesso produtivo, nas categorias de custos variveis, custos fixos, custo operacional e custo total.

    Nos custos variveis so agrupados todos os componentes que participam do processo, na medida que a atividade produtiva se desenvolve, ou seja, aqueles que somente ocorrem ou incidem se houver pro-duo. Enquadram-se aqui os itens de custeio, as despesas de ps-colheita e as despesas financeiras, consti-tuindo-se, no curto prazo, numa condio necessria para que o produtor continue na atividade.

    Nos custos fixos, enquadram-se os elementos de despesas que so suportados pelo produtor, inde-pendentemente do volume de produo, tais como depreciao, seguros e outros.

    O custo operacional composto de todos os itens de custos variveis (despesas diretas) e a parcela dos custos fixos diretamente associada implementao da lavoura. Difere do custo total apenas por no contemplar a renda dos fatores fixos, consideradas aqui como remunerao esperada sobre o capital fixo e sobre a terra. um conceito de maior aplicao em estudos e anlises com horizontes de mdio prazo.

    O custo total de produo compreende o somatrio do custo operacional mais a remunerao atri-buda aos fatores de produo. Numa perspectiva de longo prazo todos esses itens devem ser considerados na formulao de polticas para o setor.

  • 29Companhia Nacional de Abastecimento

    1 - A descrio dos itens que compem o custo de produo

    Considerando os critrios de organizao apresentados acima, os elementos do custo de produo agrcola so reunidos segundo o padro a seguir:

    A - CUSTO VARIVELI - DESPESAS DE CUSTEIO DA LAVOURA 1 Operao com mquinas e implementos 2 Mo de obra e encargos sociais e trabalhistas 3 Sementes 4 Fertilizantes 5 Agrotxicos 6 Despesas com irrigao 7 Despesas administrativas 8 Outros itensII - DESPESAS PS-COLHEITA 1 Seguro agrcola 2 Transporte externo 3 Assistncia tcnica e extenso rural 4 Armazenagem 5 Despesas administrativas 6 Outros itensIII - DESPESAS FINANCEIRAS 1 - JurosB - CUSTO FIXOIV DEPRECIAES e EXAUSTO 1 Depreciao de benfeitorias e instalaes 2 Depreciao de mquinas 3 Depreciao de implementos 4 Exausto do cultivoV - OUTROS CUSTOS FIXOS 1 Mo de obra e encargos sociais e trabalhistas 2 Seguro do capital fixoC - CUSTO OPERACIONAL (A + B)VI - RENDA DE FATORES 1 - Remunerao esperada sobre capital fixo 2 - TerraD - CUSTO TOTAL (C + VI)

    1.1 As mquinas e implementos agrcolas

    As mquinas e os implementos agrcolas so projetados para realizar a execuo de operaes em diversas fases do cultivo (correo e preparo do solo, plantio, trato cultural, colheita e ps-colheita) e devem ser utilizadas de acordo com as suas caractersticas e com as necessidades do plantio. O levantamento dos coeficientes tcnicos, que so observados a partir do seu uso, se traduzem em impactos importantes nos custos de produo agrcola.

    As principais informaes e coeficientes tcnicos a serem levantados pela Conab so: tipo, fabri-cante, marca, modelo, especificao, potncia, trao, preo do bem novo, quantidade do bem, fase de cul-

  • 30Custos de Produo Agrcola: A Metodologia da Conab

    tivo, poca e intensidade de uso, horas trabalhadas por hectare, preo do combustvel, salrio do operador e seus encargos sociais. So utilizadas, tambm, informaes relacionadas com a vida til dos bens e os gastos com sua manuteno.

    1.1.1 A hora/mquina

    A hora/mquina um fator de participao no custo de produo e corresponde ao gastos com insumos, operadores e manuteno. A Conab considera os valores de hora trabalhada no custo varivel.

    Para calcular o valor da hora trabalhada pelas mquinas preciso definir o preo e a quantidade con-sumida (coeficientes tcnicos) dos itens de cada equipamento, em cada hora de trabalho, levando em consi-derao a potncia, os gastos com o leo diesel, filtro/lubrificantes, energia eltrica e os salrios e encargos sociais e trabalhistas dos seus operadores.

    Na metodologia da Conab o coeficiente tcnico do leo diesel uma funo da potncia da mquina. Isto , o consumo de leo diesel igual a 12% da potncia da mquina. Para os motores estacionrios el-tricos, usa-se tambm uma funo da potncia da mquina para determinar o consumo de energia eltrica; assim, o consumo de energia eltrica igual a 75% da potncia da mquina.

    A Companhia, tomando por base pesquisa em manuais de proprietrio e na planilha de manuteno proposta por fabricantes, entende que os gastos com filtro e lubrificantes podem ser estimados em 10% das despesas de combustvel.

    A remunerao dos operadores das mquinas geralmente expressa em valores por ms, devendo-se apropri-la para a unidade de custo, que hora. Para tanto, deve-se dividir o valor mensal por 220, que corresponde mdia de horas trabalhadas num ms, conside-rando-se 8 horas de trabalho por dia, durante 5 dias por semana. O salrio ser o valor modal praticado na regio.

    1.1.2 A manuteno

    Outro fator que tem reflexo nos custos de produo a manu-teno, que pode ser entendida como o conjunto de procedimentos que visa manter as mquinas e implementos nas melhores condies possveis de funcionamento e prolongar sua vida til. Manuteno diz respeito, em resumo, ao abastecimento, lubrificao, reparos, coleta de leo, proteo contra ferrugem e deteriorao.

    Nas pesquisas realizadas pode-se observar que as condies de garantia, o treinamento dos operadores, a assistncia tcnica ofe-recida pelos fabricantes e suas concessionrias e a modernizao tec-nolgica das mquinas e implementos tm refletido nos gastos de manuteno.

    A partir dessas informaes e da deciso da incluso das mquinas e implementos como bens novos e de primeiro uso, o que indica o uso da manuteno como preventiva e corretiva, pode-se construir o mtodo de clculo do custo de manuteno.

    Na composio do custo a Conab apura os gastos com a manu-teno e com os filtros e lubrificantes de acordo com as horas traba-lhadas em hectare. Para tanto, utiliza como gasto de manuteno, observando o valor do bem novo, 1% para mquinas e 0,80% para implementos, com incluso de 100% no custo varivel, considerando, ainda, os gastos com filtros e lubrificantes estimados em 10% das des-pesas de combustvel.

  • 31Companhia Nacional de Abastecimento

    1.1.3 A depreciao

    Um dos aspectos essenciais para o custo de produo a depreciao que refere-se perda de valor ou eficincia produtiva, causada pelo desgaste pelo uso, ao da natureza ou obsolescncia tecnolgica. Para a unidade produtiva, a perda de valor ou eficincia, independente da sua natureza, representa um custo real. Nesse ponto, os indicadores de vida til em anos e horas so importantes face a implicao desses dados para o clculo da depreciao, da hora/mquina e da manuteno desses bens.

    A depreciao observada como uma funo linear da idade do bem, variando uniformemente ao longo da vida til. As tabelas de vida til (anos e horas) e de valor residual foram elaboradas a partir de pes-quisas bibliogrficas, contatos com produtores, fabricantes de mquinas e implementos e pesquisadores cujo resultado encontra-se no Anexos II e III. Tais informaes sero utilizadas nos clculos do custo de produo.

    Para o clculo da depreciao de mquinas e implementos, a Conab utilizar a seguinte frmula:

    [(VN VR)/VUh]. HsTr

    Onde:VN = Valor do bem novoVR = Valor residual do bemVUh = Vida til do bem definida em horasHsTr = Total de horas trabalhadas por hectare pelo bem.

    1.1.4 O seguro

    Mesmo no sendo prtica no mbito da agricultura, necessrio considerar o custo de seguro das mquinas e implementos como gasto repassado a uma seguradora ou como poupana para constituir fundo visando ao ressarcimento dos riscos de danos que podem ocorrer com o bem. Nesse ltimo caso, considera-se o risco de acidentes ou perdas assumido pelo proprietrio.

    A Conab utiliza o custo de oportunidade para incluir o seguro no custo fixo e estima o percentual de 0,75% como prmio a ser aplicado sobre o valor mdio de um bem novo.

    A frmula utiliza, como conveno, o preo mdio do bem (diviso do preo do bem novo por 2) multiplicado pelo percentual de seguro estipulado (0,75%), dividido pela vida til e multiplicado pela hora trabalhada efetivamente pela mquina e implemento.

    1.1.5 A remunerao do capital

    Na composio do custo de produo, necessrio incluir a remunerao do capital imobilizado pelo agricultor e o seu clculo refere-se parcela que calculada sobre o valor do bem adquirido e utilizado na produo e inclusa no custo fixo da produo.

    A Conab entende que o investimento do produtor deve ser remunerado e utiliza, por conveno, a taxa de 6% ao ano como a taxa de retorno, como se fosse aplicado o capital em outro investimento alternativo.

    Para o clculo, a Companhia utiliza, como conveno, o preo mdio do bem e o juros de 6% ao ano, dividido pela vida til e multiplicado pela hora trabalhada efetivamente pela mquina e implemento.

    A frmula utilizada a seguinte:

    {[((VM . QM)/2)/CAT]. HsTr}. J

  • 32Custos de Produo Agrcola: A Metodologia da Conab

    Onde:VM = Valor do bem novoQM = Quantidade do bemCAT = Capacidade anual de trabalho do bem em horas, definida como a razo entre a vida til do bem em horas e a vid