DA ADMISSIBILIDADE DO COMETIMENTO DOS ATOS DE IMPROBIDADE ...· RESUMO A corrupção é ... Ressalta-se

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    ANNA CLAUDIA KRGER

    DA ADMISSIBILIDADE DO COMETIMENTO DOS ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

    PREVISTOS NO ART. 10 DA LEI N. 8.429/92 NA MODALIDADE CULPOSA

    FLORIANPOLIS - SC ABRIL - 2007

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    RESUMO

    A corrupo problema que h muito permeia a gesto do patrimnio pblico nas diferentes sociedades e fenmeno comumente observado hodiernamente, em especial, nos pases em desenvolvimento. No Brasil, a legislao demonstra sua preocupao relativamente ao problema, compreendendo a Lei n. 8.429/29, conhecida como Lei de Improbidade Administrativa (LIA), especial mecanismo de combate desonestidade que eiva os diversos mbitos da Administrao Pblica do pas. Ainda que se reconhea que o combate contra a corrupo no prescinda da vontade popular, evidente que a normatizao exerce importante papel na tentativa de solucionar-se o problema. O intuito primordial da norma em comento seria a tutela do patrimnio pblico, bem como dos princpios norteadores da Administrao Pblica, por meio da tipificao das condutas mprobas e a imputao de sanes respectivas. A definio dos sujeitos ativos aptos ao cometimento de ato mprobo pela Lei n. 8.429/92, por sua vez, foi realizada de forma ampla, denotando a inteno de sancionamento de todos aqueles que participaram ou beneficiaram-se com o cometimento do ilcito. Assim sendo, faz-se relevante o estudo da mencionada norma, objetivando sua efetiva aplicao e respeito inteno do legislador e s aspiraes da sociedade. O problema ora analisado, concerne admissibilidade do cometimento dos atos de improbidade administrativa previstos no art. 10 da lei n. 8.429/92 na modalidade culposa. Isso, porque embora o referido artigo expressamente preveja a possibilidade de reconhecimento do ato mprobo cometido culposamente, a doutrina largamente discute tal entendimento, com fulcro, especialmente, na gravidade das sanes impostas pela LIA. Nesse sentido, o presente estudo, aps delinear as principais caractersticas da norma em comento, inclusive, no que tange responsabilizao civil do agente mprobo ou do terceiro beneficiado, apresenta a divergncia encontrada entre os entendimentos doutrinrios e jurisprudenciais concernentes ao tema. Palavras-chave: Administrao Pblica. Improbidade Administrativa. Dolo. Culpa. Responsabilidade. Agente Pblico.

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    SUMRIO

    1 INTRODUO ...................................................................................................... 4

    2 DO REGIME DA IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA .......................................... 6

    2.1 Da necessidade de combate aos atos de improbidade administrativa ................ 6

    2.2 Moralidade e Improbidade ................................................................................... 10

    2.3 Sujeitos passivos da improbidade administrativa ................................................ 14

    2.4 Sujeitos ativos da improbidade administrativa ..................................................... 16

    3 DOS TIPOS CARACATERIZADORES DA IMPROBIDADE ................................ 23

    3.1 Dos atos que importam enriquecimento ilcito (art. 9) ........................................ 24

    3.2 Dos atos que causam prejuzo ao errio (art. 10) .............................................. 29

    3.3 Dos atos que atentam contra os princpios da Administrao Pblica (art. 11)... 33

    4 DA ADMISSIBILIDADE DO COMETIMENTO DOS ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA PREVISTOS NO ART. 10 DA LEI N. 8.429/92 NA MODALIDADE CULPOSA........................................................................................ 39

    4.1 Da responsabilizao civil do agente mprobo ................................................... 39

    4.1.2 Das definies de culpa e dolo ......................................................................... 40

    4.2 Da admissibilidade da modalidade culposa nas hipteses de atos de

    improbidade administrativa previstas no art. 10 da LIA ............................................. 42

    5 CONSIDERAES FINAIS .................................................................................. 50

    6 REFERNCIAS ...................................................................................................... 54

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    1 INTRODUO

    A Lei n. 8.429, de 2 de junho de 1992, tambm conhecida como Lei de

    Improbidade Administrativa (LIA), foi editada como forma de dar aplicao aos

    institutos inovadores trazidos pela Constituio de 1988, objetivando uma atuao

    mais adequada e eficiente dos gestores pblicos no trato com o patrimnio dos

    cidados.

    importante instrumento a ser utilizado no combate corrupo, que

    reflete, portanto, a importncia de seu estudo mais aprofundado, visando possibilitar

    sua aplicao de acordo com a inteno do legislador e respeitando-se os anseios

    sociais de moralizao da gesto pblica.

    O presente trabalho objetiva, portanto, analisar um dos principais

    questionamentos encontrados na doutrina, no que se refere efetiva aplicao da

    Lei de Improbidade Administrativa, qual seja, a admissibilidade da modalidade

    culposa de cometimento dos atos de improbidade administrativa que importam

    prejuzo ao errio, previstos no art. 10 da lei em comento.

    O tema faz-se importante, mormente, porquanto o mencionado artigo

    expressamente prev a possibilidade de cometimento dos atos mprobos,

    culposamente.

    Para anlise da questo, o estudo foi divido em trs captulos.

    O primeiro trata do Regime da Improbidade Administrativa, versando

    brevemente sobre a necessidade de combate aos atos mprobos, que deu ensejo

    promulgao da Lei n. 8.429/92, bem como objetivando diferenciar as definies de

    moralidade e probidade e traando os conceitos de sujeitos ativos e passivos do ato

    de improbidade administrativa, trazidos pela prpria LIA.

    O segundo captulo, por sua vez, verifica os tipos caracterizadores da

    improbidade, descritos nos arts. 9 10 e 11 da Lei n. 8.429/92, respectivamente,

    como atos de improbidade administrativa que importam enriquecimento ilcito; que

    causam prejuzo ao errio; e que atentam contra os princpios da Administrao

    Pblica.

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    Por fim, objetiva o terceiro captulo o estudo especfico acerca da

    admissibilidade da caracterizao dos atos de improbidade administrativa que

    causam prejuzo ao errio, delineados no art. 10 da LIA, na modalidade culposa.

    Assim sendo, ressaltando que a LIA atm-se responsabilizao civil do

    agente mprobo e do terceiro beneficiado, diferencia os conceitos de culpa e dolo,

    para, posteriormente analisar o questionamento cerne do presente trabalho,

    trazendo, inclusive, entendimentos jurisprudenciais atinentes ao tema.

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    2 DO REGIME DA IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

    2.1 Da necessidade de combate aos atos de improbidade administrativa

    Trata o presente estudo sobre a possibilidade de cometimento de ato de

    improbidade administrativa mediante a conduta culposa do agente pblico,

    especialmente no que concerne s hipteses previstas no art. 10 da Lei n. 8429/92,

    que tratam dos atos mprobos que causam prejuzo ao errio.

    Dessa forma, entende-se interessante a realizao de breve anlise

    atinente aos objetivos traados com a promulgao da mencionada norma,

    conhecida como Lei da Improbidade Administrativa (LIA).

    A corrupo h muito permeia a Administrao Pblica, tanto no Brasil

    quanto em outros pases, seja a mesma decorrente da insensatez dos agentes

    pblicos, ou mesmo, da degenerao do carter daqueles que ascendem gesto

    do interesse comum.

    Analisando a origem da corrupo no Brasil, acredita-se que o fenmeno

    poderia ser justificado em razo dos vcios da colonizao, que buscava o

    enriquecimento a todo custo, ainda que, para tanto, fossem olvidados os preceitos

    morais. Tal fato torna-se mais evidente quando se verifica que a corrupo parece

    encontrar-se mais presente na gesto pblica dos pases em desenvolvimento. 1

    Emerson Garcia conceitua a corrupo como:

    Um fenmeno social que surge e se desenvolve em proporo semelhante ao aumento do meio circulante e interpenetrao de interesses entre os componentes do grupamento. Sob esta tica, os desvios comportamentais que infrinjam a normatividade estatal ou os valores morais de determinado setor em troca de uma vantagem correlata, manifestar-se-o como forma de degradao dos padres tico-jurdicos que devem reger o comportamento individual nas esferas pblica e privada. 2

    1 FIGUEIREDO, Marcelo. Responsabilizao por atos de improbidade. Cadernos de Direito

    Constitucional e Cincia Poltica. So Paulo, v. 28. p. 38. 2 GARCIA, Emerson; ALVES, Rogrio Pacheco. Improbidade administrativa. 2. ed. Rio de janeiro:

    Lumen Juris, 2004. p. 3.

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    A corrupo seria caracterizada, portanto, pela confuso entre o interesse

    pblico e o interesse do particular que atua na gesto pblica, o que infringiria, por

    conseguinte, os padres ticos socialmente exigidos do agente pblico, bem como

    as normas que objetivam o afastamento dos atos mprobos da conduo da

    Administrao Pblica.

    Em verdade, a soluo do problema no simples. O combate

    corrupo no pode ser realizado somente por meio da edio de novas leis que

    punam severamente aqueles que atuam de maneira mproba, por deterem as

    normas carter meramente repressivo.