Demonstrações contábeis DLPA, DMPL, DVA e Notas Explicativas.pdf

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    Demonstraes contbeis:

    DLPA, DMPL, DVA e Notas

    Explicativas

    IntroduoA constituio de uma empresa a formalizao da vontade de um ou

    mais indivduos que, reunidos, passam a ter objetivos em comum. Do ponto

    de vista econmico, o objetivo primordial o lucro.

    Essa formalizao de vontade requer que os scios aportem uma deter-minada quantidade de bens (dinheiro, imveis, etc.) que formaro o capi-

    tal inicial da empresa em questo. E o que isso representa? Representa uma

    dvida que a empresa possui com os scios. Quando ser paga? Partindo da

    hiptese da continuidade contbil, essa dvida ser paga no longo prazo,

    ou, ainda, jamais ser paga! Portanto, o capital , fundamentalmente, um fi-

    nanciamento de longo prazo.

    Diante do objetivo, que examinar as demonstraes financeiras, o tipo

    societrio que mais nos oferece subsdios a sociedade por aes ou socie-dade annima. Do ponto de vista legal ou jurdico, para constituir uma socie-

    dade por aes so necessrios, no mnimo, dois scios, exceto na hiptese

    de subsidiria integral que ter como nico acionista a sociedade brasileira

    (Art. 251 da Lei das S/A, Lei 6404/76). O documento de constituio deno-

    minado de estatuto social. Todo e qualquer tipo de decises ou alteraes

    que possam ser relevantes ou, ainda, que estejam previstas no prprio esta-

    tuto, devero ser realizadas por meio de assembleias.

    Existem dois tipos de assembleias: a ordinria e a extraordinria. A As-sembleia Geral Ordinria (AGO) versar sobre assuntos que tenham certa

    previsibilidade e constncia de acontecimentos. Por exemplo: destinao do

    lucro, distribuio de dividendos e aumento de capital. A Assembleia Geral

    Extraordinria (AGE) tem o objetivo de deliberar sobre assuntos que no

    tenham uma frequncia de acontecimentos previsveis. Por exemplo: altera-

    o de artigos estatutrios, abertura ou fechamento de filiais.

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    Para formalizar a constituio de uma S/A, a subscrio do capital poder

    ocorrer reunindo-se os scios em assembleia e produzindo-se uma ata cons-

    titutiva ou, de forma opcional, por meio de uma escritura pblica. Um ponto

    muito importante a ser destacado que caber assembleia avaliar quais-

    quer bens que sejam destinados subscrio das aes que no sejam di-

    nheiro. Assim, por exemplo, se um ou mais scios aportarem recursos como

    veculos, imveis, marca ou qualquer outro seno o dinheiro caber as-

    sembleia dar um valor, de modo soberano, estipular seus valores. A lei ainda

    prev a publicao no Dirio Oficial e em outro jornal de grande circulao

    onde a empresa tenha sua sede.

    Existem dois tipos de sociedades annimas: capital aberto ou fechado. Para

    operar como S/A de capital aberto, em suma, operar no mercado de capitais,

    o primeiro passo a obteno de registro na Comisso de Valores Mobilirios

    (CVM). Vale ressaltar que as S/A de capital aberto tm suas aes negociadas

    em mercado aberto (Bolsa de Valores) e tambm no chamado mercado de

    balco1. J as S/A de capital fechado no operam no mercado aberto, ou de

    Bolsa de Valores. Suas aes so trocadas sem passar pelas negociaes de

    volume e preo avaliadas pelos investidores do mercado de capitais.

    Da mesma forma que ocorre com qualquer sociedade personificada, as

    sociedades annimas podem integralizar todo o seu capital ou deixar uma

    parte a ser integralizada. Para tanto, o montante a ser integralizado dever

    constar no estatuto da empresa, devidamente consignado em dinheiro ou

    em nmero de aes.

    As aes de uma empresa so divididas em preferenciais, que tm a pre-

    ferncia na distribuio dos dividendos, e as ordinrias, pois tm direito a

    votar, deliberar nas assembleias da companhia. Ou seja, esse grupo de aes

    ordena os destinos da empresa e ainda pode ser dividido em algumas clas-

    ses que aumentaro ou restringiro alguns direitos ou benefcios (como con-

    versvel em aes preferenciais, por exemplo).

    As aes preferenciais tambm podem ser divididas em classes, atri-buindo-lhes alguns direitos ou privilgios (como o direito de eleger algum

    membro do Conselho de Administrao, restringindo o voto para essa finali-

    dade especfica). Todavia, o direito clssico a fixao de um dividendo fixo.

    1Mercado de balco a

    troca de aes entre inte-ressados sem passar pelaBolsa de Valores.

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    Outros privilgios que podem ser concedidos aos titulares de aes prefe-

    renciais so a prioridade na distribuio de dividendos por meio da fixao

    de dividendo mnimo, prioridade no reembolso do capital, ou ambos.

    O montante das aes preferenciais no poder exceder a metade do

    total das aes emitidas da sociedade, conforme a chamada Nova Lei das

    S/A, Lei 10.303/2001.

    Esse breve comentrio sobre as sociedades annimas serve para enten-

    der sua complexidade e ao mesmo tempo para mostrar ao leitor o porqu

    ou qual a razo de emisso de diversos quadros explicativos. Esse captulo,

    especialmente, vai mostrar as transformaes ocorridas no Patrimnio Lqui-

    do, bem como a produo da riqueza.

    A anlise dos demonstrativos contbeis til tanto para os chamados

    stakeholders2

    quanto aos shareholders3

    . Portanto, os demonstrativos sopreparados para os executivos financeiros para administrarem suas em-

    presas, aos fornecedores, s instituies financeiras, investidores, atuais e

    potenciais, e tambm a outros interessados, tais como sindicatos de traba-

    lhadores e rgos governamentais. Essa anlise dedica-se ao clculo de n-

    dices, de modo a avaliar os desempenhos passados, presentes e projetados

    da empresa.

    Os demonstrativos fornecem um ponto inicial para se compreender uma

    empresa. Os ndices fornecem uma via rpida para monitorar as condiesde uma empresa apesar de permitirem um exame apenas superficial. Com

    o desenvolvimento e aperfeioamento dos mercados h, inevitavelmente, a

    necessidade de informaes cada vez mais detalhadas e, em muitos casos,

    realizadas sob medida para cada classe de interessados.

    Outras reas de finanas tambm usam a anlise baseada em ndices. Os

    analistas de ttulos calculam muitos ndices quando preparam uma reco-

    mendao de investimento, por exemplo. Os gerentes de crdito analisam a

    solidez financeira dos clientes potenciais, especialmente a liquidez, antes deconceder uma linha de crdito. Os administradores financeiros das socieda-

    des annimas usam ndices para comparar a empresa com outras semelhan-

    tes e identificar tendncias.

    2

    Stakeholdeem lngua iempregado presarial. A taproximadainteressados

    stakeholders

    ressados naproduzidas p

    3Shareho

    termo em ltambm mudo no discurial. A tradu

    prietrios da

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    Os insumos bsicos para a anlise baseada em ndices so a Demonstra-

    o do Resultado do Exerccio (DRE) e o Balano Patrimonial (BP). Todavia,

    como foi dito anteriormente, a interligao da anlise fundamental para se

    ter uma ideia completa da situao financeira da empresa. Assim, funda-

    mental verificar a gerao de caixa, a construo do valor e sua devida distri-

    buio e, principalmente, a explicao detalhada das principais contas.

    Foi a partir desta breve compreenso dos demonstrativos que sero de-

    senvolvidos os prximos tpicos. O objetivo fundamental mostrar aos inte-

    ressados na anlise mais detalhada das informaes de natureza contbil de

    uma empresa, a construo e o desenvolvimento de quadros e mapas adicio-

    nais. Com tais elementos, o resultado esperado uma viso clara e transpa-

    rente dos fenmenos de natureza econmica e financeira das organizaes.

    Demonstrao de Lucrosou Prejuzos Acumulados (DLPA)

    Segundo a Lei 6.404/76, as empresas obrigadas a publicarem suas de-

    monstraes podero, se preferirem, colocar a Demonstrao de Lucros ou

    Prejuzos Acumulados na prpria Demonstrao das Mutaes do Patrim-

    nio Lquido, conforme reza o texto deste diploma legal:

    Art. 186. 2.. A demonstrao de lucros ou prejuzos acumulados dever indicar

    o montante do dividendo por ao do capital social e poder ser includa nademonstrao das mutaes do patrimnio lquido, se elaborada e publicada pelacompanhia. (BRASIL, Lei 6.404/76)

    Todavia, o art. 274 do RIR/99 (Regulamento do Imposto de Renda, tambm

    conhecido por Decreto 3.000/99) enftico ao citar textualmente a DLPA

    como obrigao das empresas, vejamos:

    Art. 274. Ao fim de cada perodo de incidncia do imposto, o contribuinte dever apuraro lucro lquido mediante a elaborao, com observncia das disposies da lei comercial,do Balano Patrimonial, da demonstrao do resultado do perodo de apurao e da

    demonstrao de lucros ou prejuzos acumulados (BRASIL, Decreto 3.000/99)

    Assim, segundo o RIR/99, tal mapa de carter obrigatrio para as socie-

    dades limitadas e outros tipos de empresas, sem exceo. Portanto, embora

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    a Lei das Sociedades Annimas deixe uma possibilidade, o regulamento do