DENIS, Od­lio red

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  • DENIS, ODLIO

    *militar; rev. 1922; comte. Zona Mil. Centro 1949-1950; ch. Depto. Ger. Admin. Ex. 1950-

    1952; comte. Zona Mil. Sul 1952-1954; comte. Zona Mil. Leste 1954-1956; comte. I Ex.

    1956-1960; min. Guerra 1960-1961; rev. 1964.

    Odlio Denis nasceu em Santo Antnio de Pdua (RJ) no dia 17 de fevereiro de

    1892, filho de Otvio Denis e de Maria Lusa Denis. O casal teve 13 filhos, dos quais

    Odlio foi o segundo.

    Seus estudos iniciais foram realizados nas cidades fluminenses de Campos, Nova Friburgo

    e Petrpolis. Nesta ltima concluiu os preparatrios em 1910, aos 18 anos de idade.

    Desejava ingressar na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, ento Distrito

    Federal, mas em 1911 o estabelecimento ainda se mantinha fechado, em virtude de sua

    participao no levante de 1904, quando da instituio da vacina obrigatria. A formao

    de oficiais fora transferida para Rio Pardo (RS) e depois para Porto Alegre, com o fim de

    distanciar os cadetes dos centros de agitao poltica. Reaberta a Escola do Realengo em

    1912, Odlio nela se matriculou no ms de maro, depois de j haver sentado praa no 52

    Batalho de Caadores (BC), na capital da Repblica.

    Na Escola do Realengo fez os cursos de infantaria e cavalaria. Declarado aspirante em abril

    de 1915, foi imediatamente destacado para servir em Baj (RS), onde se achava aquartelado

    o 11 Regimento de Cavalaria. Ali permaneceu at fevereiro de 1916. Promovido a

    segundo-tenente em janeiro de 1917, em maro seguiu para o Nordeste em misso especial,

    sob a chefia do coronel Manuel Onofre Muniz Ribeiro. Retornando ao Rio em julho, serviu

    de agosto seguinte a janeiro de 1918 no 56 BC, sob o comando do coronel Otvio de

    Azeredo Coutinho.

    Desde o ano anterior, um grupo de oficiais do Exrcito com influncia na tropa, seduzido

    pelo poderio blico que a Alemanha vinha demonstrando na Primeira Guerra Mundial,

    passara a defender, inclusive atravs da revista Defesa Nacional, o emprego de mtodos

    disciplinares germnicos no ensino militar brasileiro. Essas tentativas de modificao dos

    hbitos do Exrcito, estimuladas durante o governo Venceslau Brs pelo seu ministro da

    Guerra, general Jos Caetano de Faria, chegaram a alcanar a Escola Militar do Realengo,

    influindo na escolha dos professores e na elaborao dos programas de instruo. Esse

  • grupo responsvel pela renovao do quadro docente da Escola Militar recebeu a

    denominao de Misso Indgena. Como aluno destacado, Denis passou a integrar o grupo,

    assumindo funes de instrutor em dezembro de 1918. Entretanto, com a derrota dos

    imprios centrais europeus, a Frana ergueu-se como principal potncia militar do

    continente e, aos poucos, removeu a influncia que a Alemanha exercia nos planos

    remodeladores do Exrcito brasileiro. Em junho de 1921, Odlio Denis foi promovido a

    primeiro-tenente.

    NAS REVOLTAS TENENTISTAS

    Aquele esforo inicial de reforma do ensino militar provocou manifestaes de

    mudana de mentalidade entre os oficiais. Na faixa dos tenentes e capites comearam a

    despontar insatisfaes diante da frequente utilizao do Exrcito em misses de

    interveno nos estados, para remover pela fora situaes polticas divergentes do governo

    federal. O aparecimento dessa tendncia coincidiu com a deflagrao da campanha eleitoral

    de 1922 para a sucesso de Epitcio Pessoa, em que figuraram como protagonistas o

    presidente de Minas, Artur Bernardes, cuja candidatura presidncia da Repblica foi

    lanada com apoio de So Paulo, e o senador fluminense Nilo Peanha, que concorria ao

    cargo na legenda oposicionista da Reao Republicana, sustentada pelos governos do

    estado do Rio, da Bahia e do Rio Grande do Sul.

    Inimigo de Floriano Peixoto, cujo governo combateu com energia, e civilista por

    convico, a ponto de preencher as pastas militares de seu governo com polticos civis,

    Epitcio Pessoa no inspirava maiores afeies a uma oficialidade fortemente instigada

    contra os valores do regime representativo. Essa animosidade militar contra Epitcio foi

    repassada para Artur Bernardes, cuja candidatura traduzia os vcios da Repblica civil,

    agravados pela intimidade de sua aliana com o Partido Republicano Paulista (PRP), que

    representava o situacionismo de So Paulo. Nilo Peanha capitalizava, de certa forma, a

    inconformidade militar contra Bernardes. Mas a vitria de Nilo no era precisamente o que

    o Clube Militar desejava. A estratgia elaborada orientava-se no sentido de aumentar a

    tenso poltica de tal forma que as duas candidaturas civis fossem inviabilizadas, abrindo a

    perspectiva para a indicao do marechal Hermes da Fonseca, ex-presidente da Repblica

    (1910-1914), como soluo de conciliao nacional.

  • Vrios expedientes foram adotados para incompatibilizar o presidente mineiro com as

    corporaes armadas. Duas cartas atribudas a Bernardes foram publicadas no Correio da

    Manh nos dias 9 e 10 de outubro de 1921. Nelas o marechal Hermes era qualificado de

    sargento e os militares eram apontados como suscetveis de serem subornados com

    todos os seus bordados e gales. O Clube Militar viveu momentos de indignao com o

    episdio. Vrias assembleias foram convocadas para uma tomada de posio contra os

    insultos contidos nas cartas, e uma comisso de inqurito formada por oficiais associados

    do clube concluiu pela confirmao da autoria dos documentos, apesar das reiteradas

    negativas de Bernardes, vigorosamente sustentadas na Cmara e no Senado pelos

    representantes da bancada mineira.

    Afinal, a tentativa militar no surtiu efeito. As eleies presidenciais realizaram-se, de

    acordo com o calendrio eleitoral da poca, em 1 de maro de 1922, e Bernardes foi eleito.

    Nessa conjuntura, surgiu o problema da sucesso em Pernambuco, decorrente da morte do

    governador Jos Bezerra. Dois grupos disputavam a nova situao: o do antigo senador

    Francisco da Rosa e Silva e o do general Emdio Dantas Barreto. A famlia Pessoa de

    Queirs, com a qual o presidente Epitcio Pessoa tinha parentesco, estava ligada

    politicamente a Dantas Barreto. Acrescia o fato de que o comandante da 7 Regio Militar

    (7 RM), sediada em Recife, era o coronel Jaime Pessoa, tambm parente do presidente da

    Repblica. O marechal Hermes da Fonseca, presidente do Clube Militar, dirigiu a Jaime

    Pessoa um telegrama conclamando-o a manter as foras armadas afastadas das lutas

    polticas no estado. O fato teve como consequncia a priso disciplinar do marechal

    Hermes. Seu filho, o capito Euclides Hermes da Fonseca, comandante do forte de

    Copacabana, no Rio de Janeiro, no se conformou com a medida e, na madrugada de 5 de

    julho de 1922, os canhes do forte comearam a disparar sobre a cidade. A revolta contava

    com o apoio de algumas unidades da Vila Militar e de quase todo o corpo de cadetes e

    instrutores da Escola Militar. Sob o comando do coronel Jos Maria Xavier de Brito, as

    tropas de Realengo, segundo ficara previamente estabelecido, deveriam deslocar-se para o

    subrbio carioca de Deodoro e ali juntar-se com os contingentes procedentes da Vila, de

    onde marchariam para o centro da cidade sob o comando do marechal Hermes que j

    havia sido posto em liberdade com o fim de depor Epitcio Pessoa.

    No comando de uma companhia de infantaria da Escola Militar, o tenente Odlio Denis

  • movimentou-se com sua tropa ao longo do leito da ferrovia Dom Pedro de Alcntara, que

    fazia a ligao de Realengo com a Vila Militar. Junto ao quartel do 1 Batalho de

    Engenharia, deteve a marcha e ficou aguardando, conforme o combinado, o apoio de uma

    companhia daquela unidade. Esse apoio falhou, porque a oficialidade resolveu conservar-se

    ao lado do governo. Dominado o levante em poucas horas, Denis foi desligado em 21 de

    julho do quadro de instrutores da Escola do Realengo, ocupada por tropas legalistas

    comandadas pelo capito Euclides de Oliveira Figueiredo. Juntamente com outros oficiais

    que participaram do levante, foi preso e recolhido ao quartel do Corpo de Bombeiros, de

    onde saiu alguns dias depois para o 1 Regimento de Cavalaria, sendo dali transferido para

    bordo do Alfenas, colocado sob a guarda de unidades da Marinha. Condenado a um ano e

    quatro meses de recluso, por sentena emitida pelo juiz Olmpio de S Albuquerque,

    reconquistou a liberdade em 1923, por fora de habeas-corpus.

    Em 1924 Denis envolveu-se na fracassada conspirao do capito de mar e guerra

    Protgenes Guimares, que tentou levantar contra o governo a tripulao do couraado So

    Paulo. A revolta de Protgenes fracassou porque a polcia descobriu os lderes da

    conspirao antes do dia marcado para a sua ecloso, 21 de outubro. Mas o So Paulo, sob

    o comando do tenente Herculino Cascardo e tripulado por seiscentos homens, desafiaria as

    fortalezas da baa de Guanabara, tomando o rumo sul. No dia 12 de novembro chegou a

    Montevidu, onde o governo uruguaio concedeu asilo aos revoltosos, devolvendo todavia o

    couraado Marinha brasileira.

    Por sua participao na conspirao, Denis foi novamente preso e levado para a ilha

    Grande, no litoral fluminense, onde por duas vezes contraiu malria, sendo medicado no

    Hospital Central do Exrcito e dali enviado para o Depsito de Convalescentes de Campo

    Belo, no interior do estado do Rio, onde foi posto finalmente em liberdade. Como a

    condenao que recebeu no implicasse perda de patente, passou a adido do Departamento

    de Guerra, sem funo especfica na tropa.