Densidade e qualidade ambiental - CORE ?· dependentes do transporte individual Nesse modelo a dependência…

  • View
    212

  • Download
    0

Embed Size (px)

Transcript

Densidade e qualidade ambiental:

o inevitvel, o desejvel e o possvel

Prof. Dra. Denise Helena Silva Duarte

FAUUSP/LABAUT

Universidade de So Paulo / Faculdade Arquitetura de Urbanismo - FAUUSP

Departamento de Tecnologia da Arquitetura - AUT

Laboratrio de Conforto Ambiental e Eficincia Energtica - LABAUT

Sumrio

1. Introduo

2. A proposio do adensamento, prs e contras

3. Questes a serem resolvidas

4. Consideraes finais

Introduo

INTRODUO: megacidades no mundo

Nas Amricas e na sia, cidades com 10 milhes de habitantes se

tornaram comuns

No final do sculo vinte, 20

cidades j haviam ultrapassado

essa marca

Em 2011, so 7 bilhes de

habitantes no mundo, sendo

1,339 bilhes na China

UNEP. Keeping track of our changing environment. From Rio to Rio + 20 (1992-2012)

Duas foras importantes que esto

moldando as nossas cidades hoje so:

1. o crescimento da populao

2. as taxas crescentes de urbanizao

Esse crescimento muitas vezes est

relacionado com o espalhamento da

cidade em reas monofuncionais e

dependentes do transporte individual

Nesse modelo a dependncia do

automvel predomina, o transporte

pblico insuficiente, as conexes so

ruins, faltam ciclovias e a infra-

estrutura necessria na cidade

INTRODUO: crescimento da populao urbana

UNEP. Keeping track of our changing environment. From Rio to Rio + 20 (1992-2012)

So Paulo: 3 maior aglomerao urbana do mundo

NASA. Imagem Landsat da Regio Metropolitana de So Paulo, 2005.

Imagem noturna da Regio Metropolitana de So Paulo,

registrada por astronautas a bordo da Estao Espacial

Internacional (EEI). As reas esverdeadas mostram os

bairros mais antigos, iluminados por lmpadas de vapor de

mercrio; os mais novos, com lmpadas de sdio,

aparecem nas regies alaranjadas. direita, o litoral de

So Paulo, com a vista de Santos, So Vicente e Guaruj.

(http://pacarai.blogspot.com/2009_08_01_archive.html)

//upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1a/S%C3%A3o_Paulo_Landsat_(fotografia_de_sat%C3%A9lite).jpg

So Paulo: disperso

RMSP Regio Metropolitana de So Paulo. (Bosselmann, P. Urban Transformation, 2008)

RMSP: 20,3 milhes de habitantes em 2011

Vista area da cidade de So Paulo

So Paulo: centro expandido

Vista area da cidade de So Paulo

So Paulo: adensamento

Distrito Bela Vista, o mais denso em populao, com 243hab/ha, visto a partir do Terrao Itlia, em direo Av. Paulista

So Paulo: disperso e verticalizao

Vista area da cidade de So Paulo, zona sul, Jabaquara: disperso e verticalizao em todos os distritos

So Paulo: zona sudoeste

Vista da zona sul da cidade de So Paulo, entre as avenidas JK e Bandeirantes, a partir do edifcio E-Tower, 2011

So Paulo: zona sudoeste

Vista da zona sudoeste da cidade de So Paulo, ao longo da Marginal do Rio Pinheiros, a partir do edifcio E-Tower, 2011

So Paulo: contrates

Contrastes entre a Favela de Paraispolis e os edifcios residenciais de alto padro, no bairro do Morumbi, na zona

sudoeste de So Paulo

Municpio de So Paulo: adensamento

Densidade construda x densidade de habitantes no municpio de So Paulo (elaborado sobre

dados do Censo 2010, IBGE)

A verticalidade no est associada ao

aumento de densidades demogrficas

Resistncia verticalizao e falsa

idia de que a verticalizao em So

Paulo gera alta densidade habitacional

Imenso estoque construdo de edifcios

de mltiplos andares vazios na rea

central.

Densidade de empregos na rea

central de 700 empregos/ha, e o

centro sustenta durante o dia

populao superior a 1.000 hab/ha

Coeficiente de aproveitamento mdio

no municpio 0,62

Densidade mdia do municpio inferior

a 100hab/ha, enquanto que a

densidade em favelas por vezes

supera os 1.000hab/ha

So Paulo: mobilidade

800 novos carros entram por dia nas ruas

A frota de veculos no Estado cresce 4 vezes

mais rpido do que o nmero de habitantes

O municpio de So Paulo tem mais de 7

milhes de veculos; quase 1 carro para cada 2

pessoas (at maro de 2011)

A maioria dos carros leva apenas um passageiro

Nos horrios de pico a velocidade mdia dos

veculos de 9,7 km/h, um pouco mais rpido

que os pedestres, que andam a 5 km/h

Paulistanos perdem em mdia 15 horas por

semana em congestionamentos

Perto no significa uma distncia caminhvel,

um percurso possvel, seguro e, muito menos,

agradvel, para o pedestre. Prximo e acessvel

so coisas muito diferentes. Vista area da cidade de So Paulo, em um dia de inverso trmica, 2004

So Paulo: mobilidade

O custo do estacionamento muitas vezes no considerado, como se o carro evaporasse ao final das viagens. Para o carro, o estacionamento o destino, e o carro ocupa muito mais espao do que uma pessoa andando

Percorrer 1km em So Paulo pode ser completamente diferente de se percorrer a mesma distncia em outro lugar

Em muitos pontos da cidade o acesso para pedestres simplesmente no existe

Multiplicam-se reas monofuncionais nos arredores da cidade, sem identidade

So Paulo: empreendimentos residenciais

Proliferam os empreendimentos urbanos remetendo

vida no campo, de casas ou apartamentos em

condomnio fechado.

Nos empreendimentos de alto padro, a rea

ocupada pelas muitas vagas de garagem quase

igual rea da unidade habitacional, j que cada

pessoa precisa de um carro (ou dois, por conta das

restries do rodzio de automveis em So Paulo)

para se deslocar.

So comuns os apartamentos de alto padro com

500m2 ou mais, e com 6, 7, 8 vagas na garagem, e

h os de cobertura com mais de 2000m2 de rea

privativa e 12 vagas na garagem!

So Paulo: empreendimentos comerciais

Edifcios de escritrios tambm so

orientados para o automvel e para os

estacionamentos, e no para a cidade,

para as caladas e para os pedestres

Novos edifcios de escritrios esto

sendo planejados com sete subsolos

para comportar estacionamentos de

acordo com a legislao local, mesmo

nas avenidas mais bem servidas da

cidade com metr e nibus

J h alguns anos so muito comuns os

engarrafamentos de garagem, no qual

as pessoas ficam retidas dentro dos

carros nas garagens dos edifcios

comerciais no horrio de pico porque as

ruas esto completamente travadas

pelo excesso de veculos

Vista dos edifcios comerciais da Av. JK, a partir do edifcio E-Tower, 2011

A proposio do

adensamento, prs e contras

1. Densidade para otimizao da infra-estrutura

2. Diversidade de usos

3. Reduo do tempo dos deslocamentos

Adensamento

Uma das necessidades atuais das

aglomeraes urbanas uma maior densidade

de ocupao. O espalhamento no deu bons

resultados, em muitas cidades no mundo

Precisamos pensar um novo modelo de

cidade, assim como os arquitetos e

planejadores dos sculos XIX e XX tambm o

fizeram.

Por mais que haja crticas, a cidade

modernista foi uma soluo para os problemas

do final do sculo XIX, e boa parte do sculo

XX. Hoje as demandas so outras. Estamos

de novo em um ponto de inflexo, e desta vez

enfrentando a iminncia de escassez de

recursos, de diversificao de matriz

energtica, de mudanas climticas, etc.

Alm de envolver muitas outras questes

sociais e econmicas, a cidade tambm um

ecossistema, e o fator humano introduziu um

grau de complexidade para o qual a natureza

tambm no tem experincia

Los Angeles, California

Phoenix, Arizona

Expanso nos arredores de Atlanta, EUA

Brasil

Com o programa habitacional Minha Casa,

Minha Vida em curso no pas, sero

construdas novas habitaes para cerca de

2,5 milhes de pessoas por ano, no Brasil

E vamos construir como?

Com qual padro de ocupao urbana?

Na maioria dos municpios brasileiros, se

mantidos os padres atuais, isso significa

construir residncias unifamiliares,

principalmente, em reas distantes,

monofuncionais, aumentando cada vez mais

a disperso das cidades e suas

conseqncias

Conjunto habitacional em Manaus AM, em construo nos anos 1990, Brasil

Cidade satlite no entorno de Braslia DF, Brasil

Diferentes entendimentos sobre o adensamento

Diferentes entendimentos sobre o

adensamento urbano, aqui muito

grosseiramente classificados em trs

referncias distintas:

1. a viso norte-americana a partir do

movimento chamado Novo Urbanismo

2. a realidade asitica, de cidades

verticais frente ao crescimento

populacional urbano sem precedentes e

escassez de reas passveis de

ocupao

3. a realidade europia, de cidades

compactas consolidadas, combinando

principalmente arranjos de mdia altura

para edifcios residenciais e