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  • Determinados aspectos acerca da aplicao do instituto do amicus curiae no novo cdigo de processo civil

    Ana Clara Galdino Conde

    Rio de Janeiro 2016

  • ANA CLARA GALDINO CONDE

    Determinados aspectos acerca da aplicao do instituto do amicus curiae no novo cdigo de processo civil

    Artigo Cientfico apresentado como exigncia de concluso do Curso de Ps-Graduao Lato Sensu da Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro. Professor Orientador: Ubirajara da Fonseca Neto

    Rio de Janeiro 2016

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    DETERMINADOS ASPECTOS ACERCA DA APLICAO DO INSTITUTO DO AMICUS CURIAE NO NOVO CDIGO DE PROCESSO CIVIL

    Ana Clara Galdino Conde

    Graduada pela Universidade do Grande Rio Professor Jos de Souza Herdy UNIGRANRIO. Advogada. Ps-graduanda em Direito Processual Civil pela Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro.

    Resumo: A possibilidade de um terceiro intervir no processo judicial h muito se v em nosso ordenamento jurdico, sendo comumente apresentados pela assistncia, a oposio, a nomeao autoria, a denunciao da lide e o chamamento ao processo. Com o advento da Lei 13.105 de 16 de maro de 2015, que trouxe o novo Cdigo de Processo Civil, ocorreram alteraes relevantes com relao s modalidades permitidas: A denunciao da lide e o chamamento ao processo sero mantidos como forma de interveno de terceiros; A nomeao autoria e a oposio sero excludas desse ttulo, mas continuaro existindo no Processo Civil em captulo prprio; a assistncia ser realocada para o captulo da interveno de terceiros; e, ocorrer a incluso do incidente de desconsiderao da personalidade jurdica e do amicus curiae como novas modalidades. Assim, considerando a relevncia da incluso do amicus curiae como forma de interveno de terceiros, o presente trabalho busca analisar as principais modificaes que essa previso expressa trar para o dia a dia forense, apontando aspectos gerais acerca deste instituto desde o incio de sua aplicao, com o objetivo de facilitar o entendimento do tema.

    Palavras-chave: Direito processual civil. Interveno de terceiros. Amicus Curiae. Novo Cdigo de Processo Civil.

    Sumrio: Introduo. 1. A origem do amicus curiae. 2. O amicus curiae no sistema processual civil brasileiro. 3. O amicus curiae no novo Cdigo de Processo Civil. 3.1. Hipteses de interveno. 3.2. Modalidades de interveno. 3.3. Quem pode ser o amicus curiae. 3.4. Prazo para intimao. 3.5. Competncia. 3.6. Interposio de Recursos. 3.7. Poderes do amicus curiae. Concluso. Referncias.

    INTRODUO

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    A presente pesquisa discute os aspectos que norteiam o instituto do amicus curiae.

    Apesar de tal instituto j possuir grande destaque no mbito jurdico, apenas com o advento

    do novo cdigo de processo civil que esse tema foi tratado expressamente, criando-se um

    artigo para essa matria antes estudada apenas pela doutrina e jurisprudncia.

    Mesmo no havendo um marco inicial no que diz respeito origem da sua aplicao

    no direito brasileiro, o instituto do amicus curiae possui grande relevncia para este, sendo

    inclusive amplamente admitida sua presena pelo STF nas aes diretas de

    inconstitucionalidade (ADI) e nas arguies de descumprimento de preceito fundamental

    (ADPF). A funo do amicus curiae apresentar, mediante provocao do juiz ou por sua

    prpria vontade, elementos de fato ou de direito que sero relevantes para a questo a ser

    tratada em juzo.

    Assim, faz-se necessrio o estudo desse instituto luz do novo CPC, levando-se em

    considerao que agora ser tratado como espcie de interveno de terceiros. Nesse aspecto,

    questiona-se como ser a aplicao pratica do amicus curiae no mundo jurdico, bem como,

    se haver mudanas quanto aplicao dada anteriormente, delimitando-se suas hipteses e

    modalidades, dentre outros aspectos da interveno.

    Inicia-se o primeiro captulo do trabalho abordando a evoluo histrica desse

    instituto, desde os primeiros registros de sua aplicao.

    J o segundo captulo destina-se a adentrar em um dos temas mais polmicos acerca

    do amicus curiae: sua natureza jurdica. Nesse captulo, ainda no sero estudadas as

    modificaes trazidas pelo novo cdigo com relao a esse ponto.

    O terceiro captulo trata de como este instituto tem sido utilizado no sistema

    processual civil brasileiro nos ltimos anos, e como vem sendo aplicado na prtica.

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    Ainda o terceiro captulo pesquisa as inovaes trazidas com o novo cdigo de

    processo civil, estudando a fundo o artigo 138 do novo Cdigo de Processo Civil.

    Destaca-se ainda que este artigo cientfico ser elaborado com base em pesquisa que

    utilizar a metodologia do tipo bibliogrfica, documental e histrica, qualitativa, explicativa.

    1. A ORIGEM DO AMICUS CURIAE

    A real origem do amicus curiae uma incgnita. H noticias de que esta tenha se

    dado no direito ingls, mais precisamente no direito penal ingls medieval, de acordo com

    ensinamento de Elisabetta Silvestri1, que menciona ainda haver outra tese que defende que as

    origens mais remotas deste instituto se deram no direito romano.

    No direito romano, o amicus curiae tinha como funo ser um colaborador dos

    magistrados nos casos em que a discusso no se limitava a questes de cunho jurdico,

    atuando com a finalidade de auxiliar os juzes a no cometer erros no momento do

    julgamento.

    J no direito ingls, a participao do amicus curiae era diferente. Nas palavras de

    Cassio Scarpinella Bueno2:

    Consta que, no direito ingls, o amicus curiae comparecia perante as cortes em causas que no envolviam interesses governamentais na qualidade de attorney general ou, mais amplamente, de counsels. Nessa qualidade, o amicus tinha como funo apontar e sistematizar, atualizando, eventuais precedentes (cases) e leis (statutes) que se supunham, por qualquer razo, desconhecido para os juzes.

    1SILVESTRI, Elisabetta. Apud BUENO, Cassio Scarpinella. Amicus curiae no processo civil brasileiro: Um terceiro enigmtico. So Paulo: Editora Saraiva, 2012. p. 130. 2 Ibidem. p. 114.

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    Atualmente, o direito ingls admite a interveno em juzo do amicus curiae apenas

    se este estiver atuando em prol de interesses pblicos ou da coroa inglesa, e ainda assim, no

    mximo quando o prprio juiz entender que esta necessria, afim de que seja sanada alguma

    dvida, mesmo que de direito3.

    Nesse contexto, oportuno se faz destacar as origens do instituto estudado, luz do

    direito norte-americano. Isso por que foi no direito norte-americano que notamos as primeiras

    admisses de amicus curiae particulares, como sujeito de relaes privadas e tutelando

    interesses privados. No incio, assim como nos pases estudados anteriormente, este era visto

    apenas como relacionado ao interesse pblico, mas com o passar dos anos a sua atuao

    sofreu as citadas alteraes4.

    Seguindo, e utilizando-se dos ensinamentos de Cassio Scarpinella Bueno5,

    constatamos ainda que H referncias existncia da figura do amicus curiae em outros

    pases que adotam o commom law. Assim, por exemplo, no Canad, na Austrlia e em Hong

    Kong. Apesar de notado nos trs pases citados anteriormente, em alguns a presena do

    amicus mais forte do que em outros: enquanto em Hong Kong, de 1942 1997, teve-se

    conhecimento de apenas 31 casos, na Inglaterra, no mesmo perodo, foram verificados 874

    casos6.

    Importante se faz observar que, a princpio, o amicus curiae era instituto aceito

    apenas nos pases que adotam o common law, no tendo equivalentes nos sistemas

    processuais da civil law. Porm, segundo ensinamento de Elisabetta Silvestri7: A

    jurisprudncia francesa tem, mais recentemente, admitido a interveno de terceiros na

    3 Ibidem., p.115. 4 Ibidem. p. 116-117. 5 Ibidem. p. 128. 6Ibidem. p. 129. 7SILVESTRI, op. cit., p. 130.

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    qualidade de amicus curiae,distinguindo sua participao em juzo daquela desempenhada por

    testemunhas ou peritos. E continua8: De acordo com o entendimento dessas decises, o

    amicus deve ser entendido como uma tcnica de informao que o juzo pode utilizar sem

    levar em conta as regras tradicionais de colheita de provas. Ainda assim, no existe no

    direito francs uma lei que admita expressamente a interveno do amicus. O texto legislativo

    mais prximo, o que cuida das vrifications personnelles du juge, regulado nos arts. 179

    a 183 do Nouveau Code de Procdure Civile.O art. 181 dispe que o juiz pode, para a

    formao de seu convencimento, valer-se de qualquer pessoa cuja oitiva lhe parea til para

    a descoberta da verdade. 9

    Ainda com relao ao civil law, existe o direito italiano. Neste pas como em vrios

    outros, no h uma lei que trate expressamente do amicus curiae. Porm, fazendo uma

    analogia, podemos considerar determinadas situaes como sendo exemplos de um caminhar

    para a gradativa e expressa admisso do amicus curiae no direito italiano. Nas palavras de

    Cassio Scarpinella Bueno10, com base nos ensinamentos de Elisabetta Silvestri:

    [...] falta de lei expressa no direito italiano, a interveno do amicus curiae pode ser determinada, analogicamente, possibilidade que o juiz italiano tem, em processo do trabalho, de determinar, de ofcio ao a requerimento da parte, que os sindicatos prestem determinadas informaes em juzo, nos termos do art. 421, comma 2, e art. 425, ambos do Cdigo de Processo Civil italiano. Para evitar a pouca aplicabilidade do instituto, no entanto, a autora sugere que no deve haver prvia fixao de quais entidades podem intervir na qualidade de a