Dicionário gramsciano

Embed Size (px)

Text of Dicionário gramsciano

Vocabulrio gramsciano

Complexo e fragmentado como , nem por isso o pensamento de Gramsci est destitudo de vnculos e relaes internas construdas ao longo dos anos em que foi elaborado, entre revises e aprofundamentos admitidamente provisrios, em meio aoconstrangimento representado pela circunstncia da priso.Este vocabulrio significa, apesar disso, uma tentativa de fornecer alguns parmetros e pontos de referncia, sem a pretenso de estabelecer sentidos univocamente dados de uma vez por todas.Autores italianos e brasileiros aqui esto presentes, algumas vezes escrevendo sobre os mesmos conceitos ou sobre conceitos que se entrelaam intimamente e s podem aparecer separados de um ponto de vista didtico.No caso dos autores italianos, utilizaremos como fontes principais, mas no exclusivas: Umberto Cerroni.Lessico gramsciano. Roma: Riuniti, 1978; VV. AA.Antonio Gramsci: le sue idee nel nostro tempo. Roma: LUnit, 1987. As contribuies brasileiras so redigidas especialmente para esta pgina.Sero citadas, nestes pequenos textos,duas ediesdosCadernos do crcere: ora a edio Gerratana (Turim: Einaudi, 1975, indicada porQC), ora a edio brasileira (Rio de Janeiro: Civilizao Brasileira, 1999-2002, indicada porCC). Outras obras sero mencionadas por extenso.

AmericanismoAmericanismo e fordismoAtesmoAutocrticaBloco histricoBrescianismoCadernos do crcereCadornismoCatlicosConsensoCultura popularDemocracia polticaDestruioEconmico-corporativoElitesEstticaFascismo (fase pr-carcerria)Filosofia da prxisFrases incendiriasGuerra de posio e de movimentoHegemoniaHistria tico-polticaIdeologia e fanatismoIgnornciaIndivduoIntelectuaisIntelectuais (2)JacobinismoJornalismoLeninMachismoMtodo experimentalNacional-popularOtimismo e pessimismoPartido como moderno PrncipeReforma intelectual e moralReligioRevoluoRevoluo passivaRisorgimentoSociedade civilTeoria e prticaTotalidadeTraduo e tradutibilidadeTransformismoVaidade de partidoWeber

AmericanismoGramsci sigue con atencin la configuracin en los Estados Unidos ( y su incipiente proyeccin sobre Europa) de un modo de organizacin de la produccin que constituye a la vez todo un modelo de construccin de control y autoridad sobre los trabajadores industriales de parte de las patronales, que desarrollan un impulso reglamentarista en direccin no slo al proceso de trabajo sino a la vida cotidiana e incluso ntima de los trabajadores. En la fbrica de tipo fordista el patrn controla al trabajador, momento a momento, durante toda la jornada de trabajo. Y extiende ese control a la moral del trabajador, premiando mediante diferenciales salariales su buen comportamiento. Ese proceso de organizacin fordista tiene repercusiones sobre el conjunto de la organizacin social, y en vinculacin con otros factores da lugar a una formacin cultural que en la poca se denominaba americanismo.G. destaca que Norteamrica tiene una estructura social diferente a la europea, sin estratos sociales parsitos que constituyen supervivencias de modos de organizacin social anteriores, que en mayor o menor medida estn presentes en Europa, y no en la Unin, nacida como sociedad capitalista desde la poca colonial, y volcada desde el comienzo a una cultura donde el trabajo productivo y el comercio ocuparon un lugar central desde sus orgenes (junto, y apoyados por, los valores ticos emanados del puritanismo religioso).EE.UU. cuenta como presupuesto con una racionalizacin de la poblacin, que en Europa requerira toda una batalla histrica, y eso facilita el desarrollo acelerado de un tipo de organizacin social ms moderno, y la construccin de un tipo distinto de direccin intelectual y moral, que se origina en el mismo plano estructural, ms precisamente en la propia planta fabril.En realidad, el americanismo, en su forma ms lograda, exige esa racionalizacin de la poblacin para imponer su dominio:Esta racionalizacin preliminar de las condiciones generales de la poblacin, ya existente o facilitada por la historia, ha permitido racionalizar la produccin, combinando la fuerza (-destruccin del sindicalismo-) con la persuasin (-salarios altos y otros beneficios-), para colocar toda la vida del pas sobre la base de la industria. La hegemona nace de la fbrica y no tiene necesidad de tantos intermediarios polticos e ideolgicos. Las masas de Romier son la expresin de este nuevo tipo de sociedad, en donde la estructura domina ms inmediatamente las superestructuras y stas son racionalizadas (simplificadas y disminuidas en nmero).Homogeneizacin y simplificacin resultan as la palabra de orden del modelo americano, constituyendo pautas que se extienden a los productos que se libran al mercado (bienes estandarizados de consumo masivo) al proceso de produccin (cinta de produccin y otros mecanismos de aceleracin del trabajo en el marco de la instauracin de la subsuncin real) e incluso a los comportamientos privados e individuales. La hegemona nace en la fbrica en el fordismo, en el que la organizacin del proceso productivo ya lleva contenida una carga ideolgica de alta eficacia. Al da de hoy, es la desintegracin de ese modelo la que marca interrogantes sobre sus efectos en la conciencia de unas clases subalternas que sufren la reorganizacin profunda del sistema de explotacin por parte de los capitalistas.

Americanismo e fordismoUm dos dados consolidados da historiografia sobre a III Internacional , certamente, o da carncia de anlises sobre os Estados Unidos e a evoluo da sociedade americana. Entre outras coisas, a esta insuficincia de anlises que se devem alguns erros cometidos pela ento Unio Sovitica e pelo movimento comunista no campo das relaes internacionais logo em seguida II Guerra Mundial, quando os Estados Unidos surgiram como potncia hegemnica em nvel planetrio.Torna-se, pois, ainda mais surpreendente e excepcional que Gramsci, na sua elaborao solitria de recluso, tenha tido a sensibilidade de captar, como elemento de interesse da documentao que conseguia mandar buscar, as observaes sobre a sociedade americana. O ngulo visual a partir do qual Gramsci se coloca o da organizao de trabalho na grande fbrica, dele bem conhecido por causa da experincia turinense. E o primeiro dado que ressalta na srie de notas sobre os Estados Unidos escritas em anos variados e reagrupadas tematicamente em 1934 a intuio da enorme fora do capitalismo americano, o nico que no se v diante dos limites representados pelos resduos socioculturais de modos de produo anteriores. J uma adequada avaliao desta intuio poderia ter evitado, inclusive em anos bem mais prximos, certas subestimaes macroscpicas da fora do capitalismo estadunidense.O segundo dado relevante a compreenso da modernidade do modelo americano de organizao do trabalho, que, longe de tornar o operrio um gorila amestrado, cria, antes, as premissas para uma maior conscincia de classe, que, por parte dos capitalistas, se tenta combater seja com os altos salrios, seja com instrumentos pedaggicos. Gramsci reconhecia que ... o mtodo de Ford racional, isto , deve se generalizar; mas, para isso, necessrio um longo processo, no qual ocorra uma mudana das condies sociais.Portanto, diferena de grande parte dos grupos dirigentes e, mais ainda, de amplos estratos intelectuais da Itlia fascista, Gramsci reconhece a superioridade da organizao produtiva americana, embora considere que ela no poder continuar a desfrutar da posio de privilgio com a generalizao do mtodo, que excluir a possibilidade de manter os altos salrios. Neste sentido, tambm a Gramsci escapa a capacidade de auto-regulao que o capitalismo estava desenvolvendo por meio da interveno estatal, capacidade que, apesar de dificuldades crescentes, permite ainda hoje ao capitalismo americano manter a prpria hegemonia em nvel mundial. Por outro lado, no se deve esquecer que as notas gramscianas so extremamente precoces e no podem levar em conta os desdobramentos ligados grande depresso e aos instrumentos utilizados para super-la.Mas a agudeza gramsciana no se limita indicao dos aspectos essenciais da nova sociedade que est se desenvolvendo: estende-se tambm ao reconhecimento de relevantes aspectos culturais e de costume, que vo da incidncia da nova ordem produtiva sobre os hbitos sexuais s caractersticas do associativismo de classe, passando pela profunda diferenciao entre a cultura dos intelectuais americanos e a dos europeus.Mas, alm das intuies mais ou menos profundas, o que surpreende na reflexo gramsciana sua absoluta originalidade, prova de uma profunda capacidade de compreenso da realidade social que nem mesmo as horrveis condies da deteno e do isolamento conseguem atenuar.

AtesmoO atesmo uma forma puramente negativa e infecunda (QC, p. 1.827), porque ainda uma forma subalterna ou apenas polmica.Marx j observara isto, ao dizer:O atesmo [...] no tem mais sentido, porque ele umanegaode Deus e pe aexistncia do homemmediante esta negao. Mas o socialismo, como tal, no mais precisa desta mediao: ele parte daconscincia sensvel terica e prticado homem e da natureza como oessencial (Manuscritos econmico-filosficos de 1844).

AutocrticaNo se deve nunca esquecer que tambm existe uma autocrtica hipcrita (QC, p. 1.742). Portanto, bem melhor garantir a crtica do que tornar obrigatria a autocrtica.

Bloco histricoConfunde-se freqentemente o conceito gramsciano debloco histrico, que um conceito histrico e analtico, com o de alianas sociais, ou de bloco social. Gramsci formulara com grande clareza, em sua ao como dirigente do Partido Comunista, o problema das alianas da classe operria, particularmente nos anos imediatamente anteriores priso. Nas teses do Congresso de Lyon (janeiro de 1926), afirma-se a necessidade de pr em primeiro plano, entre os aliados do proletariado industrial e agrcola, os camponeses do Sul e das Ilhas. No escrito sobre aQuesto meridional(novembro de 1926), Gramsci indica o consenso das amplas massas camponesas como a condio para mobilizar contra o capitalismo a maioria da populao trabalhadora. Os intelec