Dicionário terminológico

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Dicionário terminológico da Língua portuguesa

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  • DICIONRIO TERMINOLGICO PRINCIPAIS ALTERAES

    Da nomenclatura gramatical portuguesa ao Dicionrio Terminolgico

    A Nomenclatura Gramatical Portuguesa (NGP) foi publicada em 1967 e revogada em 2004 com a publicao da Terminologia Lingustica para os Ensinos Bsico e Secundrio (TLEBS).

    Ambas surgem como uma lista de termos a utilizar em contextos de ensino, de acordo com as orientaes curriculares. Antes, como agora, uma lista de termos no , por si s, ensinvel, cabendo aos programas a defini-o clara dos contedos a trabalhar e/ou das competncias a desenvolver.

    As concluses da experincia pedaggica da TLEBS e os pareceres de especialistas motivaram a sua suspen-so e consequente reviso, que se veio a concretizar no Dicionrio Terminolgico (DT), disponvel em http://dt.dgidc.min-edu.pt/, instrumento a usar por professores dos ensinos bsico e secundrio, com uma fun-o reguladora de termos e conceitos sobre funcionamento da lngua de forma a acabar com a deriva terminol-gica1 .

    O Dicionrio Terminolgico, resultante da reviso da TLEBS, por um lado, eliminou termos redundantes, ina-dequados ou pouco relevantes; por outro lado, acrescentou termos nos domnios da anlise do discurso e da ret-rica.

    O novo Programa de Portugus do Ensino Bsico (PPEB) recorre aos termos do DT nas listas de contedos de todas as competncias. Nas tabelas de descritores de desempenho e de contedos do Conhecimento Explcito da Lngua, a lgica de organizao baseia-se no DT, mas no se limita a uma colagem, uma vez que alguns domnios se entrecruzam (, por exemplo, o caso do domnio da Lexicologia, que surge integrado no Plano da Lngua, Variao e Mudana).

    Assim, entender o DT e a tipologia das alteraes no , por si s, suficiente para uma real implementao do novo PPEB, mas ajudar a lidar com as novas abordagens e desafios.

    Os domnios do Dicionrio Terminolgico

    A. Lngua, comunidade lingustica, variao e mudana A.1. Lngua e comunidade lingustica A.2. Variao e normalizao lingustica A.3. Contacto de lnguas A.4. Mudana lingustica

    1 RELATRIO Terminologia lingustica: reviso e consulta pblica, in http://www.dgidc.min-edu.pt/linguaportuguesa/Paginas/RELATORIOTLEBS.aspx

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  • B. Lingustica descritiva B.1. Fontica e Fonologia B.2. Morfologia B.3. Classes de palavras B.4. Sintaxe B.5. Lexicologia B.6. Semntica

    C. Anlise do discurso, retrica, pragmtica e lingustica textual C.1. Anlise do discurso e reas disciplinares correlatas

    D. Lexicografia D.1. Obras lexicogrficas D.2. Informao lexicogrfica

    E. Representao grfica E.1. Grafia E.2. Pontuao e sinais auxiliares de escrita E.3. Configurao grfica E.4. Convenes e regras para a representao grfica E.5. Relaes entre palavras escritas e entre grafia e fonia

    Tipologia das alteraes

    Mais do que comparar a NGP com o DT, importa referir o tipo de alteraes terminolgicas em contexto de ensino do portugus. No fundo, trata-se de conhecer as diferenas entre a terminologia usada at agora, a que chamaremos tradio gramatical, por nem sempre corresponder a termos da NGP, e a que passar a figurar em todos os programas de Portugus, a partir de 2011/2012.

    Assim, podemos verificar quatro tipologias de alteraes:

    Os termos mudam e/ou estabilizam-se, mas os conceitos mantm-se: por exemplo, nome e substantivo so sinnimos, mas o DT fixa o termo nome;

    os termos mantm-se, mas o conceito muda: por exemplo, o predicativo do sujeito continua a chamar-se predicativo do sujeito, mas a sua definio inclui constituintes que a tradio gramatical considerava complementos circunstanciais, como na frase: A Maria est em Lisboa;

    o Dicionrio Terminolgico apresenta novos termos que no faziam parte dos programas, nem da tradio gramatical, sobretudo nas reas da semntica, da semntica lexical e da anlise do discurso, retrica, prag-mtica e lingustica lexical;

    mudam os termos e os conceitos: por exemplo, o numeral ordinal d lugar ao adjetivo numeral, por se consi-derar que possui caractersticas dessa classe de palavras.

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  • Procederemos, em seguida, apresentao e exemplificao das principais diferenas entre a tradio gra-matical e o Dicionrio Terminolgico. Sero abordadas algumas reas que sofreram alteraes e apresentados novos termos e conceitos lingusticos que no faziam parte da tradio gramatical.

    Os domnios e os termos comparados foram selecionados pela sua importncia ao longo dos trs ciclos do ensino bsico, mas nem sempre reproduzem aqueles que figuram no novo PPEB nem esto distribudos por anos de escolaridade.

    Para alm disso, muitos dos termos apresentados no sero explicitados ao aluno, em contexto de sala de aula. Considermos, no entanto, importante a sua integrao, mas lembramos que os contedos do Conhecimento da Lngua so os definidos pelo texto programtico.

    Nveis de lngua e variedades do portugus

    Os termos relativos Lngua, Variao e Mudana no sofreram grandes alteraes, destacam-se, no entan-to, alguns termos que se encontram fortemente enraizados na metalinguagem da disciplina de Lngua Portuguesa / Portugus e que sofreram alteraes ou passaram a ser abordados de outra forma.

    Tradio gramatical Dicionrio Terminolgico

    Distinguia-se:

    geografia da lngua portuguesa / domnio atual da lngua portuguesa;

    nveis/ registos de lngua: lngua cuidada lngua familiar lngua popular calo gria regionalismos lngua literria

    histria da lngua portuguesa/ diacronia/ sincronia

    O termo variao inclui:

    variedades geogrficas: correspondem s variaes que a lngua apresenta ao longo do seu territrio. As variedades do portugus so: a variedade europeia, a variedade brasileira e as variedades africanas.

    variedades situacionais: resultantes da capacidade de os falantes adaptarem o estilo de linguagem situao de comunicao.

    variedades sociais: tambm chamadas socioletos ou dialetos sociais, usadas por falantes que pertencem mesma classe social e ambiente socioeconmico ou educacional.

    variedades histricas: resultantes da mudana lin-gustica. Consistem no contraste entre a gramtica antiga e a gramtica posterior da lngua.

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  • Formao de palavras

    O que mudou

    Processos morfolgicos de formao de palavras

    Nos processos de formao regular de palavras, as alteraes mais importantes relacionam-se com a com-posio.

    Tradio gramatical Dicionrio Terminolgico

    Derivao (processo de formao de novas palavras a par- Derivao (processo morfolgico de formao de pala-tir de uma palavra primitiva): vras que consiste, tipicamente, na associao de um afixo

    prefixao (associao de um prefixo a uma forma de derivacional a uma forma de base):

    base) impossvel; prefixao (sem alterao) refazer, invisvel, infeliz,

    sufixao (associao de um sufixo a uma forma de descrente;

    base) possibilidade; sufixao (sem alterao) simplesmente, ventoso;

    prefixao e sufixao (associao de um prefixo e de prefixao e sufixao (sem alterao) imparcial-um sufixo) impossibilidade; mente;

    parassntese (associao simultnea de um prefixo e parassntese (sem alterao) renovar, aprofundar, de um sufixo a uma forma de base) amanhecer; enlouquecer;

    derivao imprpria (integrao da palavra numa nova converso (corresponde derivao imprpria da tradi-classe de palavras, sem que se verifique qualquer alte- o gramatical) (o) olhar, (o) saber, (o) comer; rao na forma); derivao no afixal (corresponde derivao regres-

    derivao regressiva (criao de nomes a partir de ver- siva da tradio gramatical) apelo (do verbo apelar); bos). desabafo (do verbo desabafar).

    Composio (processo de formao de novas palavras a Composio (processo de formao de novas palavras a partir de mais do que um radical ou palavra): partir da unio de duas formas de base):

    justaposio (formao de uma palavra a partir de morfolgica ( formao de uma palavra a partir de um duas ou mais palavras, que mantm a acentuao) radical e uma palavra ou de dois radicais) agricultura, obra-prima, vice-diretor. psicologia;

    aglutinao (formao de uma palavra a partir da morfossinttica (formao de uma palavra a partir de unio de palavras primitivas ou de radicais, em que ape- duas ou mais palavras) couve-flor, guarda-chuva. nas um mantm a acentuao) girassol, multinacio-nal.

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  • Mais exemplos:

    Exemplos Tradio gramatical Dicionrio Terminolgico

    Facilitar Derivao por sufixao Derivao por sufixao

    Amanhecer Derivao por parassntese Derivao por parassntese

    Infelizmente Derivao por prefixao e sufixao Derivao por prefixao e sufixao

    (o) comer Derivao imprpria Derivao por converso

    Guarda-roupa Composio por justaposio Composio morfossinttica

    Biblioteca Composio erudita (aglutinao) Composio morfolgica

    Arranha-cus Composio por justaposio Composio morfossinttica

    Ortografia Composio erudita (aglutinao) Composio morfolgica

    (a) pesca Derivao regressiva Derivao no afixal

    gua-de-colnia Composio por justaposio Composio morfossinttica

    Democracia Composio erudita (aglutinao) Composio morfolgica

    O que h de novo

    Processos irregulares de formao de palavras

    Estes processos so relativamente recentes no mbito do ensino do portugus. Apenas o termo estrangeiris-mo, agora emprstimo, surge na NGP, ainda que outros, como sigla e acrnimo, faam parte da tradio gramati-cal. No DT surgem no domnio da Lexicologia.

    Terminologia Explicao Exemplos

    Emprstimo (antes estrangeirismo)

    Transferncia de uma palavra de uma lngua para outra.

    Futebol, scanner, surf

    Extenso semntica Alargamento do significado de uma palavra. Navegar na Internet, portal

    Amlgama Criao de uma palavra a partir da juno de partes de duas ou mais palavras.

    Informtica (informao automtica)

    Truncao Criao de uma palavra a partir do