Direito processual do trabalho

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  • 1. 1 APOSTILA DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO Prof.: Jos Geraldo APOSTILA DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO PROGRAMAO 1 - PRINCPIOS E SINGULARIDADES DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO. a) Conceito; b) Autonomia; c) Princpios gerais; d) Singularidades. 2 - ORGANIZAO JUDICIRIA DO TRABALHO. a) A Justia do Trabalho: sua jurisdio e competncia; b) Junta de Conciliao e Julgamento: composio, funcionamento, jurisdio e competncia. Juzos de Direito; c) Tribunais Regionais do Trabalho e Tribunal Superior do Trabalho. Funcionamento, jurisdio e competncia; d) O Ministrio Pblico do Trabalho; e) Corregedoria. Reclamao Correicional. 3 - PROCEDIMENTOS NOS DISSDIOS INDIVIDUAIS. a) Reclamao. Jus Postulandi. Inqurito. Revelia. Excees. Contestao. Reconveno. Partes e Procuradores. Substituio Processual na Justia do Trabalho; b) Audincia; c) Conciliao. Instruo e Julgamento. Justia Gratuita; d) Homologaes. 4 - NULIDADES DOS ATOS PROCESSUAIS. a) Noes gerais; b) Precluso. Tipos. Distino entre precluso, perempo, decadncia e prescrio. 5 - DAS PROVAS NO PROCESSO DO TRABALHO. a) Interrogatrio. Confisso e conseqncias; b) Documentos. Oportunidade de juntada. Incidente de falsidade; c) Prova tcnica. Sistemtica da realizao de percias; d) Testemunhas. Compromisso: impedimentos e conseqncias; e) Sentena (individual). f) Smula (enunciados pertinentes). 6 - RECURSOS NO PROCESSO DO TRABALHO. a) Disposies gerais: efeitos suspensivo e devolutivo; b) Recursos no processo de cognio; 7 - PROCESSOS DE EXECUO.

2. 2 a) Liqidao; b) Sentena de liqidao. c) Modalidades da execuo; d) Recursos no processo de execuo. e) Embargos do executado. Impugnao do exeqente. f) Embargos de terceiro; g) Penhora, avaliao, arrematao, adjudicao e remio; h) Fraude execuo; i) Execuo das decises proferidas contra pessoas jurdicas de Direito Pblico. Precatrios. 8 - AES CIVIS ADMISSVEIS NO PROCESSO TRABALHISTA. 1) Arresto; 2) Atentado; 3) Cautelar; 4) Civil Pblica; 5) Cominatria; 6) Consignao em Pagamento; 7) Danos Morais; 8) Declaratria (principal e incidente); 9) Depsito; 10) Embargos de Terceiro; 11) Executiva; 12) Exibio; 13) Habeas Corpus; 14) Habilitao incidente; 15) Incidente de Falsidade; 16) Mandado de Segurana; 17) Monitria; 18) Oposio; 19) Possessria; 20) Prestao de Contas; 21) Produo antecipada de prova; 22) Protesto, notificao e interpelao; 23) Reconveno; 24) Rescisria; 25) Restaurao de autos; 26) Seqestro; 27) Tutela Antecipada; 9 - DIREITO COLETIVO DO TRABALHO. a) Sindicatos: definio, espcies, administrao, centrais sindicais; b) Conflitos coletivos de trabalho convenes acordos e dissdios coletivos: modalidades e contedo; contribuies sindicais; direito de greve; fiscalizao do trabalho; c) Instaurao de Instncia; d) Conciliao e Julgamento; e) Extenso das decises e reviso; f) Ao de cumprimento. g) Ministrio Pblico do Trabalho. PRINCPIOS E SINGULARIDADES DO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO a) conceito; 3. 3 b) autonomia; c) princpios gerais; d) singularidades. INTRODUO 1 - Chama-se bem da vida tudo o que, independentemente de sua natureza, proporciona satisfao ao homem (NELTON MORAES SANTOS); pode tratar-se de coisas corpreas, incorpreas, mveis, imveis, semoventes, nome, honra, liberdade, direito prpria imagem, direito de inveno, direito autoral, interesses difusos, direito de informao, direito de resposta, direito de vizinhana, direito ao corpo, direito opo sexual, direito de expresso, direito de exercer qualquer trabalho lcito etc. Se houvesse bens suficientes para todos - o que nem sempre ocorre - no haveria disputa. A ordem jurdica - que nem sempre observada espontaneamente nas relaes inter-subjetivas entre os homens - existe para proteger esses bens. 2 - Quando duas ou mais pessoas tm interesse opostos (so opostos porque a satisfao do interesse de uma exclui a satisfao do interesse da outra) sobre o mesmo bem (ou seja, exigem a subordinao de um interesse alheio a um interesse prprio) e uma no se sujeita pretenso da outra diz-se que h a uma lide, isto , h um exerccio de um direito (direito pretenso da titularidade daquele bem), qualificado por uma pretenso resistida; sem resistncia a uma pretenso no h lide. 3 - Se as partes em litgio (sujeitos da lide) no se auto compem (no chegam espontaneamente a um acordo), recorrem ao Estado, atravs da ao, para que se lhes faa a hetero composio (isto , a aplicao coativa [cogente, obrigatria, compulsria] e jurisdicional [porque se trata da atividade do Estado de dizer o direito, distribuda em diversos rgos sob o monoplio do Estado] da norma jurdica objetiva [de direito material], sobre o caso em concreto [sobre a discusso que se trouxe para o processo]). 4 - Seguindo orientao do jurisconsulto romano CELSO (Digesto, Livro XLIV, ttulo VII, fragmento 51), de que a ao nada mais do que o direito de perseguir em juzo o que nos devido (Nihil aliud est actio quam ius quod sibi debeatur, iudicium perseqendi), durante muito tempo sustentou-se que direito de ao e direito material eram a mesma coisa 5 - Em 1868, Oskar von Blow, na obra Teoria das Excees Dilatrias, aperfeioando os estudos de WINDSCHEID e WACH, sistematiza a teoria de que direito material uma coisa e direito de ao, outra, bem diversa daquele, ou seja, consagra o entendimento de que no pode existir um nico direito material que no disponha de uma ao correspondente para o proteger, mas pode haver direito de ao sem que o titular da ao seja, ao mesmo tempo, titular da pretenso de direito material. A ao deixara de ser um direito a uma deciso favorvel para ser uma pretenso a uma deciso sobre o mrito. A nascia o Direito Processual, como cincia autnoma, distinta do direito material. 6 - A ao conceituada, hoje, como um direito pblico, subjetivo e abstrato de agir. 7 - O conflito de interesses nasce no campo pr-processual, isto , fora do processo, no campo dos fatos, na esfera da atuao das pessoas em sociedade. Lide , rigorosamente, apenas a parte do litgio (objeto ou ponto litigioso) que o sujeito titular do direito de ao, que se julgue prejudicado ou ameaado de o ser, leva ao processo, por meio da ao, e para o qual pede a tutela jurisdicional do Estado. CONCEITO DE PROCESSO 8 - Dissemos que a lide se forma no momento em que uma pretenso de direito material a um bem 4. 4 juridicamente protegido se choca com igual pretenso, sobre o mesmo bem, em sentido oposto, e que a parte litigiosa dessa dissenso (ponto litigioso) trazida frente ao Estado, por meio da ao, reclamando-se a tutela jurisdicional no processo. 9 - Processo deriva do latino procedere, palavra composta de pro - para diante - e cadere - cair, caminhar, um p levando o outro para a frente. Por isso se diz, comumente, que processo (no sentido jurdico) um andar para a frente. Para MAURO CAPPELLETTI, processo um fenmeno social de massa; para GUSTAV RADBRUCH, processo um mal social (seria ideal que nunca nascesse, mas, uma vez nascido, convm que termine o quanto antes; exige um tratamento social: acessvel a todos, de curta durao, por um baixo custo, com maior carga de certeza na entrega da prestao jurisdicional e justia na deciso). 10 - O processo constitui-se de atos sucessivos (um aps o outro, e no aos saltos, com supresso de fases), encadeados (o posterior conseqncia necessria do anterior, e, por sua, vez, pressuposto lgico do seguinte) e lgicos (coerentes entre si, uns complementando ou excluindo os outros), que resultam da atividade (da atuao, voluntria ou compulsria, segundo o determine ou faculte a lei, e segundo o interesse das partes na sua prtica) dos sujeitos titulares de interesses em conflito (partes, testemunhas, advogados, juzes, auxiliares do juzo, perito, intrprete etc.), do rgo jurisdicional e dos auxiliares deste (o juiz no um convidado de pedra; sujeito do processo, ou parte supra-processual; o Estado, personificado no juiz, tem interesse em entregar a prestao jurisdicional de forma rpida, barata, justa, eficiente e definitiva), e que se movem (a lei pune a inrcia das partes, dos auxiliares do juzo e do prprio juiz) segundo uma ordem estabelecida (a lei fixa, previamente, prazos, tempo, modo e forma de se praticarem os atos do processo; h prazos peremptrios (no podem ser prorrogados. Ex.: prazo de recurso, prazo de agravo, prazo de embargos declaratrios, de embargos execuo etc.) e prazos dilatrios (podem ser ampliados segundo as circunstncias dos autos (prazo para impugnao a clculos, prazo para juntada de ris, prazo para rplica, prazo para formulao de quesitos etc.) para o fim a que se destinam (obteno de um ato jurisdicional justo, eqitativo, clere e definitivo), isto , um ato jurisdicional, compondo a lide (sentena, provimento jurisdicional que ponha fim ao litgio). 11 - O processo compe-se de uma relao processual e de um procedimento. Relao processual um nexo entre os sujeitos, a includo necessariamente o Estado. Procedimento a forma de cada ato, o encadeamento de um ato com os outros. Mais de um procedimento pode ocorrer na formao de um processo. 12 - O fundamento do processo a tutela ou a atuao do direito objetivo. O processo instrumento da jurisdio. O direito processual do trabalho originou-se do direito processual civil. Todo homem tem direito ao processo (corolrio do due process of law). CONCEITO DE DIREITO PROCESSUAL 13 - Direito Processual do Trabalho um sistema de princpios e leis que regulamentam o exerccio da jurisdio quanto s lides de natureza trabalhista, como tais entendidas todas as lides que no so de natureza penal, civil ou que no entram na rbita das jurisdies especiais (eleitoral, acidentria, militar etc.). 14 - Ou, simplesmente: Direito Processual do Trabalho a regulamentao do exerccio da funo jurisdicional trabalhista. " o complexo sistemtico de normas que disciplinam a atividade das partes, do Juiz e de seus auxiliares, no processo individual, coletivo e intersindical no coletivo do trabalho". (Nicola 5. 5 Jaeger). 15 - O Direito Processual do Trabalho uma disciplina tcnico-jurdica com tonalidades cientficas; uma cincia autnoma q