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DIREITO PROCESSUAL PENAL REVISÃO – AULA 01 Prof. Leonardo Galardo POLÍCIA FEDERAL

DIREITO PROCESSUAL PENAL · 3 Direito Processual Penal REVISÃO – AULA 01 PERSECUÇÃO PENAL CONCEITO • A Persecução Penal (persecutio criminis in judicio) é

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DIREITO PROCESSUAL PENAL

REVISO AULA 01

Prof. Leonardo Galardo

POLCIA FEDERAL

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Direito Processual Penal

REVISO AULA 01

PERSECUO PENAL

CONCEITO

A Persecuo Penal (persecutio criminis in judicio) a atividade do Estado...

Que busca a represso das infraes penais...

A atividade de persecuo penal se desenvolve em duas vertentes...

a) INVESTIGAO CRIMINAL:

Apurao da autoria do fato criminoso

Apurao da materialidade do fato criminoso

H vrias formas de investigao criminal:

Inqurito Policial

Comisses Parlamentares de Inqurito

Investigao direta pelo Ministrio Pblico

(...)

b) AO PENAL:

Submeter o possvel autor da infrao penal a um processo

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INQURITO POLICIAL

CONCEITO

O Inqurito Policial um procedimento administrativo investigatrio, que busca reunir indcios de autoria e materialidade das infraes penais, com o objetivo de fornecer estes elementos ao Ministrio Pblico ou ao Querelante, possibilitando, assim, o seguimento da persecuo penal, atravs da propositura da ao penal.

O que devemos interpretar por Procedimento Administrativo?

Podemos defini-lo como um conjunto de atos e diligncias presididas pela autoridade policial (Delegado de Polcia).

O Cdigo de Processo Penal trouxe um conceito de Inqurito Policial?

O Cdigo de Processo Penal no trouxe o conceito de Inqurito Policial, o que nos obrigou a tomar por base o conceito disposto no Cdigo de Processo Penal Portugus.

Qual a finalidade do Inqurito Policial?

A finalidade do Inqurito Policial proporcionar ao Ministrio Pblico ou ao Querelante os elementos necessrios (indcios de autoria e materialidade do fato) para dar prosseguimento persecuo penal, atravs da propositura da ao penal.

CARACTERSTICAS

INQUISITORIAL:

O que diferencia o processo do procedimento a existncia ou no do contraditrio:

PROCESSO:

H contraditrio

PROCEDIMENTO:

No h contraditrio

O inqurito policial um procedimento...

Sendo assim, no possui contraditrio...

Logo, ele inquisitivo.

INFORMATIVO:

O inqurito policial no pode servir de fundamentao para a sentena...

Tendo em vista que os seus atos no foram submetidos ao contraditrio...

O inqurito policial serve unicamente de pea informativa...

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Que autoriza a propositura da ao penal (justa causa = lastro probatrio mnimo)...

Muitos sustentam que o inqurito policial deveria ser desentranhado do processo...

Aps o recebimento da denncia ou da queixa...

Para evitar a formao da convico do juiz pelos elementos do inqurito...

Certo que o juiz no pode fundamentar sua sentena com elementos do inqurito...

Pela simples razo de este no ser desenvolvido em contraditrio...

Carecendo de valor probatrio...

SIGILOSO (Sigilo Externo Total + Sigilo Interno Parcial):

O sigilo do inqurito no uma necessidade apenas do interesse da investigao...

(funo utilitarista)

O sigilo acima de tudo garantia do prprio indiciado de no ser exposto e estigmatizado...

(funo garantista)

Logo, o sigilo possui dupla funo:

Funo Garantista: Preservar o indiciado

Funo Utilitarista: Assegurar a eficcia da investigao

O sigilo do inqurito se divide em sigilo externo e sigilo interno:

O sigilo externo refere-se a todas as pessoas estranhas ao procedimento (mdia)...

Este sigilo absoluto, sobretudo com a finalidade de preservar o indiciado...

Com base no artigo 1, inciso III, da CRFB/88 (dignidade da pessoa humana).

O sigilo interno abrange aqueles que possuem envolvimento com o procedimento...

bvio que no faz sentido falar em sigilo para o Juiz e para o Ministrio Pblico...

A discusso do sigilo diz respeito ao indiciado e seu advogado...

PORTUGAL:

Sigilo Interno Total

(O advogado do indiciado no tem acesso aos autos)

BRASIL:

Sigilo Interno Parcial

(O advogado do indiciado tem acesso aos autos)

O advogado do indiciado tem direito de ter acesso ao procedimento...

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Vejamos a Smula Vinculante n 14 do STF: direito do defensor, no interesse do repre-sentado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, j documentados em procedimen-to investigatrio realizado por rgo com competncia de polcia judiciria, digam respeito ao exerccio do direito de defesa.

Porm, o advogado no pode acompanhar as diligncias em andamento...

Sob pena de inviabilizar a produo da prova...

Interceptao telefnica...

Busca e apreenso...

(...)

O advogado s poder acompanhar as diligncias j finalizadas e introduzidas nos autos...

ESCRITO:

O artigo 9 do CPP dispe que:

Todas as peas do inqurito policial sero, num s processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.

INDISPONVEL:

A autoridade policial no possui discricionariedade para arquivar o inqurito policial...

Sendo assim, aps a sua instaurao, somente o Juiz poder arquivar o inqurito policial...

DISPENSVEL OU PRESCINDVEL:

A instaurao do inqurito policial no ser obrigatria. O MP pode obter a prova da materialidade do crime e os indcios de autoria atravs de outras modalidades:

Peas de Informao:

So documentos, processos administrativos, dentre outros...

Termo Circunstanciado:

no Juizado Especial Criminal (artigo 69 e 70 da Lei 9.099/95)...

Quando o autor e a vtima forem conhecidos, no teremos a necessidade de inqurito...

Justa Causa (STF + STJ):

o lastro probatrio mnimo para ensejar a ao penal...

SISTEMTICO:

A investigao criminal uma tentativa de reconstruo histrica do fato criminoso...

Sendo assim, deve ser organizada de forma lgica...

Obedecendo ordem cronolgica dos fatos.

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UNIDIRECIONAL:

A finalidade do inqurito apurar fatos e encaminhar os resultados apreciao do MP...

Logo, no cabe autoridade policial formular qualquer juzo de valor sobre a investigao...

O objetivo (direcionamento) do inqurito exclusivamente o Ministrio Pblico.

VCIOS NO INQURITO POLICIAL

Tendo em vista que o inqurito policial um procedimento administrativo...

Podemos perceber que o mesmo est sujeito a todos os requisitos do ato administrativo...

Competncia

Finalidade

Forma

Motivo

Objeto

A competncia deve ser lida como atribuio...

Pelo fato de a palavra competncia est ligada ao exerccio da jurisdio...

A doutrina tradicional trata os vcios no inqurito policial com certa simplicidade...

Alegando que eventuais vcios no podero contaminar a ao penal...

Uma vez que o inqurito uma fase distinta do processo...

Exemplo: um auto de priso em flagrante nulo daria azo ao relaxamento da priso, porm no inviabilizaria o oferecimento da denncia, tendo em vista que o Ministrio Pblico pode obter a base da denncia em quaisquer peas de informao.

Outro setor da doutrina possui um posicionamento mais conservador...

Ao entender que as irregularidades no inqurito policial podem inviabilizar o processo...

Podemos citar o professor Andr Nicolitt...

O professor Andr Nicolitt entende que devemos ter como referncia a justa causa...

Que o lastro probatrio mnimo sobre a materialidade e autoria de um fato criminoso...

Ele entende que h dois caminhos possveis:

a) A Justa Causa foi encontrada em decorrncia do ato nulo:

Nesse caso, a nulidade contamina tudo, o que impede o Ministrio Pblico de aproveitar as informaes constantes deste inqurito, para montar a denncia.

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b) A Justa Causa foi encontrada em decorrncia de outros atos do inqurito policial:

Nesse caso, ser possvel aproveitar as informaes constantes do ato nulo para montar a base da denncia.

INSTAURAO DO INQURITO POLICIAL

Sobre a instaurao do Inqurito Policial, temos que nos deter em dois aspectos:

O ato administrativo formal que o instaura:

a) PORTARIA:

(Cognio Espontnea ou Imediata ou Direta)

(Cognio Provocada ou Mediata ou Indireta)

As portarias so atos administrativos internos pelos quais os chefes de rgos, reparties ou servios expedem determinaes gerais ou especficas a seus subordinados ou designam servidores para funes e cargos secundrios. Por Portaria tambm se iniciam sindicncias e processos administrativos

b) AUTO DE PRISO EM FLAGRANTE:

(Cognio Coercitiva)

a reduo a termo da priso captura, ou seja, a formalizao da priso, com a oitiva do condutor e das testemunhas, dentre outros atos. Atravs deste auto, do qual consta toda a dinmica da priso, fica instaurado o inqurito e o Delegado j determina algumas diligncias.

O motivo que leva a autoridade policial investigao criminal (notitia criminis)

Como o Delegado de Polcia fica sabendo das informaes e instaura o inqurito policial

A cognio espontnea ou imediata ou direta:

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Meios no formais relacionados ao dia-a-dia da prpria autoridade policial...

Isto ocorre, quando o Delegado de Polcia fica sabendo do crime atravs da internet, televiso, rdio, conversa com amigos, jornal, encontro do corpo de delito...

O Delegado de Polcia vai instaurar o Inqurito Policial BAIXANDO UMA PORTARIA.

A cognio provocada ou mediata ou indireta:

Ato jurdico formal previsto na lei processual...

Podemos citar os exemplos do artigo 5 do Cdigo Penal:

a) Requisio do Juiz

b) Requisio do Ministrio Pblico

c) Requerimento do Ofendido ou de seu Representante Legal

O Delegado de Polcia vai instaurar o inqurito policial BAIXANDO UMA PORTARIA.

Note, que a REQUISIO (ordem) diferente do REQUERIMENTO (Pedido).

Sendo assim, se o Delegado de Polcia deixar de instaurar o inqurito policial, aps a requisio do Juiz ou do Ministrio Pblico, ele incorrer no crime de desobedincia (de acordo com a jurisprudncia, no apenas um crime do particular em face da administrao pblica, podendo, inclusive, ser praticado de um funcionrio pblico para outro funcionrio pblico).

Por outro lado, se ele deixar de instaurar o inqurito policial, aps o requerimento do Ofendido ou de seu Representante Legal, ele estar agindo dentro de sua discricionariedade, no estando sujeito ao crime de desobedincia.

Obviamente, ele s poder fazer duas anlises: PRESCRIO ou INEXISTNCIA DO CRIME. Sendo assim, a sua negativa de instaurao do inqurito policial em face do particular s pode ocorrer nessas duas hipteses.

Vale lembrar, que o particular que discordar do Delegado de Polcia poder interpor recurso perante o Chefe de Polcia. Se o Chefe de Polcia tambm entender que no cabe a instaurao de inqurito, existir ainda a alternativa de impetrar mandado de segurana.

A cognio coercitiva:

Auto de priso em flagrante....

Quando o suposto autor do crime for preso em flagrante, teremos a instaurao do inqurito policial atravs do AUTO DE PRISO EM FLAGRANTE (APF).

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NOTITIA CRIMINIS X DELATIO CRIMINIS

Comunicao do Crime

A Notitia Criminis (stricto sensu) a comunicao que a vtima faz da infrao penal que sofreu. Nesse caso, a prpria vtima se dirige autoridade policial, com a finalidade de informar que foi vtima de uma determinada infrao penal.

A palavra da vtima suficiente para a instaurao do inqurito policial.

A Delatio Criminis a comunicao efetuada por qualquer um do povo. Obviamente, ela s ser possvel nos crimes de ao penal pblica, uma vez que os crimes de ao penal privada dizem respeito prpria vtima e nada poder ser feito sem a sua autorizao.

A palavra de qualquer um do povo no suficiente para a instaurao do inqurito policial.

O que o Delegado de Polcia faz acerca da Delatio Criminis?

O Delegado dever instaurar a VPI:

Verificao Preliminar de Inqurito

OU

Verificao da Procedncia das Informaes

O Delegado vai ao local, busca informaes, investiga as redondezas, conversa com possveis testemunhas, faz operaes na regio, tudo com a finalidade de verificar se as informaes so procedentes ou no...

Se a informao da Delatio Criminis era procedente, o Delegado de Polcia vai instaurar o inqurito policial. Porm, se a informao era improcedente ou inconclusiva, o Delegado de Polcia vai acautelar aqueles dados, guardando-os por perodo indeterminado.

O disque-denncia uma forma de Delatio Criminis Annima, tambm chamada de Delatio Criminis Inqualificada (pois no h a qualificao daquele que a forneceu).

A CF/88 veda o anonimato. Por isso, algumas pessoas dizem que o disque denncia seria in-constitucional. Porm, devemos atentar para o seguinte fato: sempre que tivermos o choque entre direitos assegurados pela Constituio, teremos que fazer a PONDERAO DE INTERES-SES!

Segurana Pblica X Vedao do Anonimato Vence a SEGURANA PBLICA.

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INCOMUNICABILIDADE DO PRESO

O artigo 21 do CPP rege a incomunicabilidade do preso:

A incomunicabilidade do indiciado depender sempre de despacho nos autos e somente ser permitida quando o interesse da sociedade ou a convenincia da investigao o exigir.

Todavia, com o advento da CRFB/88, surgiram duas correntes acerca do tema:

1 CORRENTE:

(Revogao do Artigo 21 do CPP)

O artigo 136, pargrafo terceiro, inciso IV, da CRFB/88 dispe que...

A incomunicabilidade do preso vedada no estado de defesa (situao muito mais grave).

Logo, se a incomunicabilidade do preso foi vedada no estado de defesa (mais grave)...

Deve tambm ser vedada no estado de normalidade democrtica (menos grave)...

2 CORRENTE:

(Recepo do Artigo 21 do CPP)

O artigo 136, pargrafo terceiro, inciso IV, da CRFB/88 trata de situaes excepcionais...

Logo, se a incomunicabilidade do preso foi vedada no estado de defesa (exceo)...

Podemos perceber que a mesma deve ser admitida fora deste casos (regra)...

POSIO MAJORITRIA:

O artigo 5, incisos LXII e LXIII, da CRFB/88...

Afasta qualquer dvida interpretativa em relao incomunicabilidade...

Pois o preso tem assegurado o direito fundamental assistncia familiar:

LXII a priso de qualquer pessoa e o local onde se encontre sero comunicados imediatamente ao juiz competente e famlia do preso ou pessoa por ele indicada;

LXIII o preso ser informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistncia da famlia e de advogado;

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PRAZO

O inqurito policial possui um prazo de concluso:

PRISO TEMPORRIA 05 DIAS + 05 DIAS

No caso de Crime Comum (Lei n. 7.960/89)

PRISO TEMPORRIA 30 DIAS + 30 DIAS

No caso de Crime Hediondo + Terrorismo + Tortura (Lei n. 8.072/90)

OBSERVAO: O prazo do inqurito policial tem natureza penal. Sendo assim, conta-se o primeiro dia! Logo, mesmo que o indiciado tenha sido preso s 23h59min, aquele dia contar como o primeiro dia do inqurito policial.

OBSERVAO: Toda pessoa presa ou encarcerada tem o direito de:

SER LEVADA SEM DEMORA PRESENA DO JUIZ

Pacto Internacional de Direitos Civis da ONU (Artigo 9, pargrafo terceiro)

Pacto de So Jos da Costa Rica (Artigo 7, item 5)

OU

SER COLOCADA EM LIBERDADE

Pacto Internacional de Direitos Civis da ONU (Artigo 9, pargrafo terceiro)

Pacto de So Jos da Costa Rica (Artigo 7, item 5)

LOGO, o prolongamento irrazovel do inqurito do ru preso...

Ainda que dentro do prazo legal...

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Pode configurar constrangimento ilegal...

Tendo em vista que o direito durao razovel do processo...

No configura um simples direito ao cumprimento de prazos...

Se fosse assim, qualquer descumprimento de prazo seria motivo de sua violao...

O que no ocorre.

Assim, nem todo cumprimento de prazo pode atestar a razoabilidade...

Seja do processo...

Seja da priso no curso do processo...

Concluindo, os prazos para indiciado preso devem ser lidos como...

Prazo Mximo de concluso do inqurito.

ENCERRAMENTO DO INQURITO POLICIAL

Aps a realizao das diligncias...

A autoridade policial dever efetuar um minucioso relatrio...

Pautado pela objetividade (sem juzo de valor)...

Para que o MP possa formar a sua opinio delicti.

O artigo 10, pargrafo primeiro, CPP, dispe que o inqurito ser encaminhado ao juiz...

O juiz administrar o envio dos autos do inqurito ao Ministrio Pblico...

Pois o inqurito relatado s interessa ao Ministrio Pblico.

RJ: O inqurito encaminhado diretamente ao Ministrio Pblico...

Temos as chamadas Centrais de Inqurito...

Resoluo n. 786 de 02/12/1997.

H uma discusso:

DE UM LADO:

(O Juiz no deveria atuar)

A atividade do Juiz no curso do inqurito comprometedora do sistema acusatrio...

Quando este participa da produo de provas inquisitrias (informaes)...

O que no se evita na remessa direta da Delegacia para o Ministrio Pblico...

Pois nas medidas cautelares o juiz inevitavelmente chamado a decidir.

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DE OUTRO LADO:

(O Juiz deveria atuar)

O direito fundamental durao razovel do processo...

Fica afetado quando no h controle sobre a durao razovel do inqurito policial...

INQURITO POLICIAL JUIZ MINISTRIO PBLICO

Quando o inqurito policial chega ao Ministrio Pblico...

O Promotor de Justia pode adotar 03 desdobramentos distintos:

OFERECE A DENNCIA

Se o Promotor de Justia entender que:

H indcios de autoria e materialidade

Estudaremos na segunda fase da persecuo penal (ao penal).

REQUER A BAIXA PARA DILIGNCIAS

Se o Promotor de Justia entender que:

No h indcios de autoria e/ou materialidade

Porm, h diligncias capazes de fornec-los ou encontr-los

O artigo 16 categrico...

No sentido de que o MP s pode requerer a baixa dos autos...

Para a realizao de diligncias imprescindveis ao oferecimento da denncia...

O que so estas diligncias imprescindveis ao oferecimento da denncia?

So aquelas que buscam reunir os indcios de autoria ou materialidade do fato.

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REQUER O ARQUIVAMENTO

Se o Promotor de Justia entender que:

No h indcios de autoria e/ou materialidade

No h diligncias capazes de fornec-los ou encontr-los

H alguma causa de extino da punibilidade

O fato no considerado infrao penal (crime ou contraveno)

A deciso que determinar o arquivamento do inqurito possui natureza administrativa.

Isto ocorre, uma vez que o juiz no presta jurisdio (atividade atpica).

A deciso de arquivamento REBUS SIC STANTIBUS.

Sendo assim, poder sofrer alterao ao longo do tempo...

Caso o contexto ftico sofra qualquer alterao.

A regra no sentido de que o arquivamento do inqurito subjetivamente complexo.

Isto ocorre, uma vez que precisamos de dois rgos: MP + JUIZ.

O Ministrio Pblico requer o arquivamento.

O Juiz arquiva os autos.

Porm, h casos em que o arquivamento do inqurito subjetivamente simples.

Isto ocorre, uma vez que precisamos de apenas um rgo: JUIZ ou MP.

JUIZ:

Quando o juiz entende pelo arquivamento...

Pelo fato de o inqurito ter ultrapassado o prazo de durao razovel...

Trata-se de atuao do juiz com base em sua funo de tutor das garantias fundamentais.

MINISTRIO PBLICO:

Quando o arquivamento realizado pelo Procurador-Geral de Justia...

Em sua atribuio originria...

Se o investigado gozar de foro por prerrogativa de funo...

Cuja competncia para julgamento do Tribunal de Justia...

Caso haja manifestao do Procurador-Geral de Justia pelo arquivamento...

Este arquivamento no ficar submetido ao controle do judicirio (artigo 28 do CPP)...

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Pois o titular da ao o Ministrio Pblico...

E este j se manifestou pelo arquivamento atravs de seu rgo de cpula (PGJ).

Quando o arquivamento realizado pelo Procurador-Geral de Justia...

Em decorrncia da aplicao do artigo 28 do CPP...

Se o MP requer o arquivamento e o Juiz discorda...

A atividade do juiz ficar restrita remessa dos autos esfera superior do MP...

Trata-se de controle meramente anmalo...

Quando a esfera superior do MP se manifestar...

No restar nada mais a ser feito pelo Juiz...

Que dever acatar a referida manifestao.

Se o Juiz concordar:

O inqurito policial vai ser arquivado.

Se o Juiz discordar:

O inqurito policial vai ser encaminhado ao Procurador-Geral de Justia (art. 28 do CPP):

H 03 desdobramentos possveis:

OFERECE A DENNCIA PESSOALMENTE

O PGJ vai oferecer a denncia pessoalmente.

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DESIGNA OUTRO RGO DO MP PARA OFEREC-LA

1 Discusso: O membro do MP designado pode se recusar a oferecer a denncia?

a) NO!

Com base nos princpios da hierarquia e da delegao...

O rgo inferior atua como mero longa manus do rgo superior...

b) SIM (Majoritria)!

O rgo inferior mantm a sua independncia funcional...

Se isso acontecer, o PGJ dever designar outro membro para oferec-la...

2 Discusso: O membro do MP designado pode alterar a imputao na denncia?

a) NO!

Com base nos princpios da hierarquia e da delegao...

O rgo inferior atua como mero longa manus do rgo superior...

No h espao para qualquer modificao...

b) SIM (Majoritria)!

O rgo inferior mantm a sua independncia funcional...

E no precisa agir em desacordo com a sua conscincia...

H espao para algumas modificaes:

Alterar a definio jurdica do fato

Ampliar a extenso temtica da acusao

Ampliar a extenso subjetiva incluindo outros acusados

INSISTE NO ARQUIVAMENTO

O Juiz estar obrigado a arquivar.

ARQUIVAMENTO IMPLCITO

A doutrina e a jurisprudncia no pacificaram a existncia do arquivamento implcito...

Trata-se de fenmeno processual complexo, decorrente de duas omisses:

1. O MP que oferece a denncia sem atentar para a outra pessoa ou fato

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2. O Juiz que no percebe a falha e deixa de aplicar o artigo 28 do CPP

O professor Nicolitt entende que o arquivamento implcito um fenmeno simples...

Decorrente (apenas) da omisso do MP...

Isto ocorre, uma vez que o juiz no pode aplicar o artigo 28 do CCP...

Com a finalidade de efetuar o controle do princpio da obrigatoriedade...

Porm, tal entendimento minoritrio...

E vamos analisar a situao luz da doutrina tradicional...

De acordo com a doutrina tradicional (majoritria)...

O arquivamento implcito um fenmeno complexo...

Ocorre quando: (A+B)

a) O MP deixa de incluir na denncia:

ALGUM FATO:

Arquivamento Implcito Objetivo

ALGUMA PESSOA:

Arquivamento Implcito Subjetivo

b) O Juiz no se pronuncia e deixa de aplicar o artigo 28 do CPP

ARQUIVAMENTO IMPLCITO OBJETIVO:

Ocorre quando h mais de um fato e o MP deixa de se manifestar acerca dos demais fatos. Alm disso, o juiz no percebe a omisso e deixa de aplicar o artigo 28 do CPP, o que faz com que ocorra o arquivamento implcito, no tocante aos fatos no mencionados pelo MP.

ARQUIVAMENTO IMPLCITO SUBJETIVO:

Ocorre quando h mais de uma pessoa investigada e o MP deixa de se manifestar acerca das demais pessoas. Alm disso, o juiz no percebe a omisso e deixa de aplicar o artigo 28 do CPP, o que faz com que ocorra o arquivamento implcito, no tocante s pessoas no mencionadas pelo MP.

Para aqueles que no admitem o arquivamento implcito...

Permanece o entendimento de que o inqurito policial poder ser reavaliado...

Com vistas ao aditamento da denncia (para incluir fato novo ou sujeito novo)...

Independente de novas provas e a qualquer momento.

Porm, sabemos que tal situao no encontra respaldo no ordenamento jurdico...

Por violar a segurana jurdica...

Ao permitir que o inqurito seja reavaliado livremente pelo Promotor de Justia...

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Aps o arquivamento...

Alm disso, o MP somente poder aditar a denncia para incluir fato ou sujeito novo...

Na hiptese de surgimento de novas provas...

De acordo com a Smula 524 do STF.

Logo: A DOUTRINA ENTENDE QUE H ARQUIVAMENTO IMPLCITO!!

O STF ENTENDE QUE NO H ARQUIVAMENTO IMPLCITO!!

(Para o STF a ao penal divisvel Esta a posio das provas objetivas)

DESARQUIVAMENTO DO INQURITO POLICIAL

Mesmo depois do arquivamento do inqurito policial, o Delegado de Polcia poder efetuar novas diligncias, nas hipteses em que tiver notcia de novas provas. Note, que a lei no exige a existncia efetiva das novas provas e sim mera notcia de novas provas.

O QUE NECESSRIO PARA O DESARQUIVAMENTO DO INQURITO?

Notcia de novas provas.

O QUE NECESSRIO PARA O OFERECIMENTO DA DENNCIA?

Novas provas.

Artigo 18 do CPP: Depois de ordenado o arquivamento do inqurito pela autoridade judiciria, por falta de base para a denncia, a autoridade policial poder proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notcia.

Smula 524 do STF: Arquivado o inqurito policial, por despacho do juiz, a requerimento do Promotor de Justia, no pode a ao penal ser iniciada, sem novas provas.

Vale ressaltar, que a referida Smula, ao se referir s novas provas est dispondo sobre os elementos de informao que formem um lastro probatrio mnimo, tendo em vista que estamos no curso do inqurito policial e ainda no podemos falar, tecnicamente, em provas, em virtude da ausncia do contraditrio.

Sendo assim, essas novas provas possuem a natureza jurdica de CONDIO DA AO. O professor Afrnio Silva Jardim sustenta que as novas provas so a JUSTA CAUSA e o professor Paulo Rangel sustenta que so CONDIO ESPECFICA DE PROCEDIBILIDADE.

A expresso novas provas no exige que tais provas sejam inditas, o que significa que elas j podiam existir desde antes, no sendo obrigatrio que sejam posteriores ao arquivamento do inqurito policial. O que se exige, de fato, que tal prova (elemento de informao) no tenha constado anteriormente no inqurito policial.

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Por fim, cabe dizer que as novas provas podem ser classificadas em FORMALMENTE NOVAS e SUBSTANCIALMENTE/MATERIALMENTE NOVAS:

AS PROVAS FORMALMENTE NOVAS:

So aquelas que (embora no constassem anteriormente do inqurito policial) no agregam nenhuma modificao relevante no tocante autoria e materialidade, no autorizando assim a propositura da ao.

AS PROVAS SUBSTANCIALMENTE/MATERIALMENTE NOVAS:

So aquelas que (embora no constassem anteriormente do inqurito policial) vem a modificar a concluso acerca da autoria e da materialidade, sendo capaz de alterar a opinio do destinatrio do inqurito (Ministrio Pblico) e de quem faz o juzo de admissibilidade da denncia (juiz), traduzindo-se, verdadeiramente, em justa causa para a ao penal.

PROVAS

As provas so elementos de convico, que servem para a livre apreciao do juiz. Nesse sentido, podemos perceber que o juiz poder aceitar ou rejeitar a prova, desde que fundamente a sua deciso, pelos princpios do convencimento e da motivao das decises judiciais (Artigo 93, inciso IX, CF/88).

SISTEMAS DE AVALIAO

Podemos estudar trs sistemas de avaliao das provas:

a) CERTEZA LEGAL OU PROVA TARIFADA:

Esse sistema definia as provas com valores absolutos, com base em uma hierarquia de provas previamente estabelecida pelo prprio Cdigo de Processo Penal. Sendo assim, cada prova teria um valor fixo. Podemos citar a antiga expresso que dizia que a confisso a rainha das provas.

Cabe ressaltar, que tal sistema foi abolido do nosso cdigo, tendo deixado, apenas, trs resqucios:

a1) ARTIGO 155, PARGRAFO NICO, CPP:

Pargrafo nico. Somente quanto ao estado das pessoas sero observadas as restries estabelecidas na lei civil.

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a2) ARTIGO 158 DO CPP:

Quando a infrao penal deixar vestgios, ser indispensvel o exame de corpo de delito, direto ou indireto, no podendo supri-lo a confisso do acusado.

So os crimes que deixam vestgios, tambm denominados CRIMES NO TRANSEUNTES. Nessas hipteses, ser indispensvel o exame de corpo de delito, o que significa que teremos uma hierarquia de provas, tendo em vista que o exame de corpo de delito valer mais do que a confisso.

a3) ARTIGO 167 DO CPP:

No sendo possvel o exame do corpo de delito, por haverem desaparecido os vestgios, a prova testemunhal poder suprir-lhe a falta.

Note, que este artigo traz uma soluo para as hipteses de desaparecimento dos vestgios, ocasio em que ser possvel utilizar a prova testemunhal. Sendo assim, teremos, mais uma vez, uma hiptese de hierarquia de provas, pelo fato de a prova testemunhal ser a nica capaz de suprir tal ausncia. Com isso, ficaramos com a seguinte hierarquia: 1) Corpo de Delito; 2) Testemunho; 3) Confisso.

b) CERTEZA MORAL OU NTIMA CONVICO:

Este sistema de valorao de provas traz a certeza da conscincia do prprio ser humano. o caso utilizado no Tribunal do Jri, em que a deciso tomada com base na ntima convico dos jurados. Isto ocorre, pelo fato de os jurados no fundamentarem as suas decises.

QUESTO DE PROVA: Todas as decises judiciais devem ser fundamentadas? NO! As decises dos jurados, tomadas no mbito do Tribunal do Jri, seguiro o sistema da certeza moral ou ntima convico, o que significa que no sero fundamentadas.

c) LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO OU PERSUASO RACIONAL

O livre convencimento motivado envolve os princpios do livre convencimento e da motivao. Nesse sistema, as provas passam a ter um valor relativo, ocasio em que o prprio juiz vai definir o valor de cada prova.

Podemos citar o artigo 182 do CPP: O juiz no ficar adstrito ao laudo do perito, podendo aceit-lo ou rejeit-lo, no todo ou em parte.

Sendo assim, se o juiz pode rejeitar o laudo, com muito mais razo pode rejeitar outras provas, tendo total discricionariedade para adotar as provas que desejar na sua deciso, desde que fundamente a mesma.

CONCLUSO: O Cdigo de Processo Penal adotou, como regra, o Princpio do Livre Convenci-mento Motivado ou Persuaso Racional, na forma do artigo 93, inciso IX, da Constituio da Re-pblica de 1988. Sendo assim, as provas tero valores relativos, podendo o juiz valorar as pro-vas dos autos com total discricionariedade, desde que fundamente a sua deciso. Porm, vale ressaltar que o Tribunal do Jri adotou o sistema da Certeza Moral ou ntima Convico, tendo em vista que os jurados (juzes leigos) no precisaro fundamentar as suas decises, atuando de acordo com a prpria conscincia. Por fim, podemos dizer que h, ainda, trs resqucios do sistema da Certeza Legal ou Prova Tarifada, que so as hipteses do artigo 155, pargrafo nico,

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do Cdigo de Processo Penal, do artigo 158, caput, do Cdigo de Processo Penal e do artigo 167, caput, do Cdigo de Processo Penal, muito embora tal sistema j tenha sido abolido de nosso ordenamento jurdico.

PRINCPIOS

Vamos estudar os princpios que envolvem o tema das provas:

a) VERDADE REAL:

O princpio da Verdade Real autoriza o juiz a produzir provas de ofcio, sempre com a finalidade de atingir a verdade dos fatos.

O artigo 156 do CPP dispe que o juiz pode, inclusive, produzir provas na fase do inqurito policial. Porm, tal assertiva um resqucio do sistema inquisitivo e fere o sistema acusatrio (sistema adotado atualmente), alm de violar o princpio dos freios e contrapesos, por representar uma interveno do poder judicirio (juiz) no poder executivo (autoridade policial).

Podemos citar, como exemplo de atuao do princpio da Verdade Real, a oitiva da testemunha referida, que a pessoa indicada por uma das testemunhas ouvidas em juzo (e que no fazia parte dos autos).

Exemplo: o MP e o ru arrolaram uma testemunha x para a audincia de instruo e julgamento. Contudo, ao ser ouvida, a referida testemunha mencionou uma testemunha y, que no era do conhecimento do MP ou do ru. Ainda de acordo com a testemunha x, esta outra testemunha tinha melhor conhecimento dos fatos e poderia esclarecer o ocorrido. Na ocasio, y seria a TESTEMUNHA REFERIDA e o juiz poderia mandar intim-la, independente do pedido do MP ou do ru. Este seria um clssico exemplo de produo de provas de ofcio pelo juiz.

Note, que o princpio da Verdade Real uma negativa do princpio da Inrcia, pois neste momento o juiz deixa de ser um mero espectador, passando a atuar de maneira incisiva, no deslinde do feito (o juiz se torna mais atuante).

No podemos confundir a Verdade Real com a Verdade Material e com a Verdade Judiciria:

XVERDADE

REALVERDADEMATERIAL

VERDADEJUDICIRIA

DETALHES Realidade dos fatos Provas dos autos Convico do juiz

No Processo Penal Brasileiro, se o juiz no atingir a verdade real, que a prpria realidade dos fatos, ele dever absolver o acusado. Sendo assim, a verdade atingida pela prova dos autos e a verdade atingida por sua prpria convico no podero ser suficientes, se no corresponderem realidade do que ocorreu. Obviamente, a verdade real algo muito estudado no campo terico, sendo essencial para a marcao de questes objetivas em concursos pblicos. Em outras, palavras, devemos sempre dizer que o juiz somente poder condenar se tiver atingido a verdade real, que efetivamente aquilo que aconteceu no caso concreto.

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Porm, temos que ter em mente (at para entender melhor este conceito de verdade real), que a doutrina costuma critic-la, dizendo que a mesma ser inatingvel, pelo fato de nunca ser possvel ingressar na cabea do ru e saber se ele est dizendo a verdade.Dessa forma, no campo prtico, sabemos que vai prevalecer a verdade material, que aquilo que ficou provado nos autos (mas isso no deve ser considerado para fins de prova objetiva).

b) LIBERDADE NA PRODUO DE PROVAS:

Tudo poder ser aceito como prova, desde que no viole garantias constitucionais, como por exemplo as provas ilcitas (interceptao telefnica sem autorizao judicial). Sendo assim, no h maiores formalidades, no tocante aos documentos e testemunhas.

Porm, este princpio possui uma nica limitao, que est prevista no artigo 155, pargrafo nico, do CPP: Somente quanto ao estado das pessoas sero observadas as restries estabelecidas na lei civil.

Isto significa, que as provas inerentes ao estado das pessoas somente podero ser efetuadas pelo documento civil. Exemplo: a idade s pode ser provada pela certido de nascimento ou pela carteira de identidade, o estado civil somente pode ser comprovado pela certido de ca-samento, a morte somente poder ser comprovada pela certido de bito e assim por diante.

c) COMUNHO DAS PROVAS:

As provas no pertencem s partes que a produziram. Por outro lado, as provas pertencem aos autos do processo.

Sendo assim, uma vez produzidas e inseridas nos autos, elas podero ser utilizadas, inclusive, pela parte contrria. Dessa forma, mesmo que uma das partes perca o interesse em uma determinada prova ou perceba que a mesma poder lhe trazer prejuzos, no ser possvel desentranh-la dos autos, antes de consultar a parte contrria. Nesse sentido, se a parte contrria quiser utilizar a referida prova, a mesma ter que permanecer nos autos.

Isso tambm vale para as provas produzidas pelo juiz, que podero ser utilizadas pela defesa e pela acusao, no podendo ser desentranhadas.

d) PROVA EMPRESTADA:

A prova emprestada consiste na utilizao de uma prova de natureza civil, dentro de um processo penal. Para que isso possa ocorrer, preciso respeitar o PRINCPIO DA NECESSIDADE, avaliando a precariedade da prova produzida no processo civil, bem como a dificuldade de produzi-la novamente, em sede de processo penal. Para tanto, tenho que analisar dois requisitos (conjuntamente):

d1) MESMAS PARTES

Uma das partes do processo penal ser o Ministrio Pblico (acusao). Sendo assim, a expres-so mesmas partes significa que a outra parte do processo penal tem que estar presente na-quele processo civil, para que eu possa utilizar a prova emprestada (pelo menos uma das partes tem que estar presente naquele processo).

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Alm disso, se eu tiver um litisconsrcio no processo civil, no preciso repetir todo mundo, no sentido de que a lei somente exige que, pelo menos, aquela pessoa que est no processo penal tambm faa parte do processo civil (mesmo que com vrias outras pessoas).

d2) CONTRADITRIO:

A prova a ser emprestada tem que ter passado pelo crivo do contraditrio. Vale lembrar, que nem todas as provas passam pelo contraditrio, no mbito das sindicncias ou inquritos admi-nistrativos. Sendo assim, se eu quiser adotar uma prova desta seara, preciso me certificar que ela passou pelo crivo do contraditrio.

OBSERVAO: De acordo com o STJ, os atos iniciais das sindicncias ou inquritos administra-tivos no exigem uma defesa, por parte do acusado, o que significa que os atos produzidos na-quele momento no passaro pelo crivo do contraditrio. Ainda de acordo com o STJ, a defesa do acusado somente ser obrigatria A PARTIR DO PARECER DA COMISSO. Sendo assim, os atos produzidos antes do referido parecer nem sempre tero contraditrio, o que significa que nem sempre podero ser utilizados como prova emprestada.

e) NUS DA PROVA:

O nus da prova ser daquele que alegar. Contudo, se restar dvida ao final do processo, o juiz ser obrigado a absolver o ru, em virtude do princpio do in dbio pro ru.

f) INADMISSIBILIDADE DAS PROVAS ILCITAS:

As provas ilcitas no sero aceitas no processo, devendo ser desentranhadas dos autos. Pode-mos citar o exemplo de uma interceptao telefnica sem autorizao judicial, da apreenso de substncias entorpecentes dentro da residncia do agente, sem o devido mandado de busca e apreenso, dentre outras situaes da mesma natureza.

Contudo, vale ressaltar que nem toda prova ilcita vai gerar nulidade absoluta! Vejamos as diferenas a seguir:

f1) NULIDADE ABSOLUTA:

(Teoria da Inadmissibilidade das Provas Ilcitas)

Quando a prova ilcita tiver sido essencial para a descoberta da verdade

Ocorrer quando a prova ilcita tiver influenciado na descoberta da verdade. Nesse caso, teremos a nulidade absoluta do processo em comento, com base na TEORIA DA INADMISSIBILIDADE DAS PROVAS ILCITAS

f2) NULIDADE RELATIVA:

(Teoria da Descoberta Inevitvel)

Quando a prova ilcita no tiver sido essencial para a descoberta da verdade

Ausncia de Nexo Causal

OU

Presena de Fonte Independente

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Ocorrer quando a prova ilcita no tiver sido essencial para a descoberta da verdade. Segue a TEORIA DA DESCOBERTA INEVITVEL (Teoria da dcada de 1980). Nessa situao, o juiz teria condies de chegar s mesmas concluses, atravs de outras provas juntadas aos autos, sem a necessidade de tal prova ilcita. Nesse caso, podemos concluir que a prova ilcita no foi inevitvel para aquela concluso final, j que havia outras fontes para se chegar ao mesmo resultado. Outrossim, cabe ressaltar que a base desta teoria est em duas situaes distintas:

a) AUSNCIA DE NEXO CAUSAL:

Vamos supor que algum faa uma interceptao telefnica sem autorizao judicial. Alm disso, vamos imaginar que aquela prova ilcita no tenha servido para nada, no sentido de que no foi possvel chegar a nenhuma concluso com aquelas informaes. Nesse momento, podemos concluir que aquela prova ilcita no produziu nada de concreto, no gerando efeitos no processo e no possuindo qualquer nexo causal com o resultado final.

b) PRESENA DE FONTE INDEPENDENTE:

A primeira distino que devemos fazer no sentido de que fonte no a mesma coisa que prova. Alm disso, as fontes podem, inclusive, ser resguardadas, como ocorre com as fontes jornalsticas e com as fontes do disque-denncia, que assegura o anonimato. Vamos supor que exista uma prova ilcita acostada aos autos referente a um determinado traficante de drogas. Porm, no dia seguinte, eu vejo o juiz decretando a priso do referido traficante de drogas. Em tese, eu imaginaria que o juiz decretou a priso preventiva, com base naquela prova ilcita. Contudo, pode ser que exista uma fonte independente, que foi acostada aos autos naquele mesmo dia, trazendo informaes suficientes para dar ensejo ao decreto de priso preventiva. Podemos citar o exemplo de um disque-denncia, que deu origem a uma determinada diligncia policial e chegou s mesmas concluses trazidas pela prova ilcita.

Ressalte-se, por fim, que no existe mais a nomenclatura de prova ilegtima. Sendo assim, tudo ser prova ilcita: violao no campo do direito penal, do direito processual penal e do direito constitucional.

PROVAS EM ESPCIE

Existem diversas espcies de provas e vamos estud-las de maneira individualizada, comeando pelo exame de corpo de delito e seguindo para as demais (rol taxativo do Cdigo de Processo Penal).

a) EXAME DE CORPO DE DELITO (Artigos 158 ao 184 do CPP):

O exame do corpo de delito o conjunto de elementos sensveis de um fato relacionado ao cri-me. A palavra sensveis deve ser compreendida no sentido de que tais elementos podem ser percebidos pelos sentidos humanos. J a palavra corpo pode significar objeto ou pessoa.

Se o corpo de delito for um objeto, ser encaminhado para o ICCE (Instituto de Criminalstica Carlos boli). Se o corpo de delito for uma pessoa (viva ou morta), ser encaminhada para o IMLAP (Instituto Mdico Legal Afrnio Peixoto).

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a) CORPUS CRIMINIS:

o corpo do crime. Pode ser a vtima (homicdio), a trouxinha de maconha (trfico de entor-pecentes), a arma de fogo (porte ilegal de arma de fogo de uso permitido ou restrito), dentre outros corpos ou objetos.

b) CORPUS INSTRUMENTORUM:

o instrumento do crime. Pode ser a faca (crime de ameaa), a arma de fogo (crime de roubo mediante o emprego de arma), dentre outros instrumentos. O objetivo do exame do corpo de delito ser o de testar a natureza e a eficcia do referido instrumento.

c) CORPUS PROBATORUM:

So todos aqueles elementos que estiverem presentes na cena do crime e que no fizerem parte do corpus criminis ou do corpus instrumentorum. Podemos citar um copo de bebida sobre a mesa da sala ao lado do corpo, uma guimba de cigarro ao lado de um corpo, dentre outros elementos capazes de participar da soluo do caso.

a) EXAME DIRETO:

feito no prprio corpo de delito, diretamente pelo perito. O laudo pericial um exemplo de exame direto.

b) EXAME INDIRETO:

feito atravs de informaes, pelo fato de j no se ter mais acesso ao corpo de delito. Podemos citar o parecer tcnico feito acerca do laudo do perito. Naquele momento, o que vai ser analisado no vai ser o prprio corpo de delito e sim o laudo pericial.

O laudo pericial dever ficar pronto no prazo mximo de 10 (dez) dias. Porm, este prazo poder ser prorrogado, em carter excepcional, a requerimento dos peritos (artigo 160, par-grafo nico, CPP).

O exame de corpo de delito poder ser feito a qualquer hora e em qualquer dia. Cuidado com as questes de prova, que disserem que poder ser feito a qualquer hora, em qualquer dia e em qualquer lugar, uma vez que o lugar do exame o prprio instituto responsvel (ICCE ou IMLAP).

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O artigo 159 do Cdigo de Processo Penal diz que temos, apenas, 01 (um) PERITO CRIMINAL no local do crime (regra). Esta alterao recente fez com que a Smula 361 do STF fosse cancelada:

Artigo 159 do CPP: O exame de corpo de delito e outras percias sero realizados por perito oficial, portador de diploma de curso superior.

X

Smula 361 do STF: No processo penal, nulo o exame realizado por um s perito, considerando-se impedido o que tiver funcionado, anteriormente, na diligncia de apreenso.

Devemos ter cuidado para no confundir o PERITO CRIMINAL com o PERITO LEGISTA. Isto ocorre, uma vez que o PERITO CRIMINAL vai ao local do crime, para efetuar a anlise das circunstncias tcnicas que envolvem o crime. J o PERITO LEGISTA fica no Instituto Mdico Legal.

O artigo 159, pargrafo primeiro e pargrafo segundo, do Cdigo de Processo Penal, dispe acerca dos peritos no oficiais (peritos ad-hoc), que sero aqueles utilizados, na hiptese de no existir perito criminal disponvel no momento do crime.

Artigo 159, pargrafo primeiro, CPP: Na falta de perito oficial, o exame ser realizado por 2 (duas) pessoas idneas, portadoras de diploma de curso superior, preferencialmente na rea especfica, dentre as que tiverem habilitao tcnica relacionada com a natureza do exame.

Artigo 159, pargrafo segundo, CPP: Os peritos no oficiais prestaro o compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo.

Trata-se de duas pessoas, que possuem diploma de nvel superior (preferencialmente na rea da percia), que sero requisitadas pela autoridade policial, para a realizao do exame de corpo de delito. Tais pessoas no podero recusar o encargo, salvo se houver alguma escusa atendvel (exemplo: a esposa deste perito ad-hoc est prestes a ter um filho).

obrigatrio ter 02 pessoas idneas (ad-hoc)

obrigatrio que estas pessoas tenham diploma de nvel superior

Seria interessante que o curso superior fosse na mesma rea do exame

O artigo 159, pargrafo terceiro e pargrafo quarto, do Cdigo de Processo Penal, vo tratar do ASSISTENTE TCNICO. Vejamos o que diz o CPP:

Artigo 159, pargrafo terceiro, CPP: Sero facultadas ao Ministrio Pblico, ao assistente de acusao, ao ofendido, ao querelante e ao acusado a formulao de quesitos e indicao de assistente tcnico.

Artigo 159, pargrafo quarto, CPP: O assistente tcnico atuar a partir de sua admisso pelo juiz e aps a concluso dos exames e elaborao do laudo pelos peritos oficiais, sendo as partes intimadas desta deciso.

Vale ressaltar, que todas as partes podero indicar um assistente tcnico! Seja o Ministrio Pblico, o Assistente de Acusao, o Ofendido, o Querelante e o Acusado.

Alm disso, somente ser possvel a contratao de 01 ASSISTENTE TCNICO por cada parte.

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Geralmente, uma pessoa com forte conhecimento na rea. Pode ser um perito aposen-tado, um perito atuante em outro estado da federao, bem como qualquer outra pessoa com amplos conhecimentos naquela rea.

O assistente tcnico no far laudo e sim um PARECER.

O assistente tcnico somente poder ingressar no processo:

a) Aps a aprovao por parte do juiz

+

b) Aps a concluso do laudo pericial.

Se o assistente tcnico tiver alguma dvida, ele poder examinar o corpo de delito, analisar, discutir o tema, porm ele s poder ter acesso ao referido corpo de delito, dentro do rgo oficial e sob a superviso do perito oficial.

OBSERVAO: Devemos atentar para os casos em que o corpo de delito no pode ficar disponvel no rgo oficial, aguardando o momento processual apropriado para o ingresso nos autos do assistente tcnico. Podemos citar o exemplo de um homicdio, ocasio em que o corpo ser liberado para a famlia em um curto espao de tempo, fazendo desaparecer o corpo de delito. Como o assistente tcnico deve agir nessa hiptese? Ele vai ser obrigado a requerer a exumao do corpo? Na verdade, ele no vai poder aguardar a aprovao pelo juiz, bem como a concluso do laudo pericial. Sendo assim, a sada ser requerer a PRODUO ANTECIPADA DE PROVAS, ocasio em que o assistente tcnico poder ter acesso ao corpo de delito de imediato, com a finalidade de analisar e tomar as prprias concluses, antes do seu desaparecimento.

Vejamos, ainda, o pargrafo stimo deste artigo 159 do CPP: Tratando-se de percia complexa que abranja mais de uma rea de conhecimento especializado, poder-se- designar a atuao de mais de um perito oficial, e a parte indicar mais de um assistente tcnico.

As percias complexas so casos que envolvam MAIS DE UMA REA DO CONHECIMENTO. Podemos citar o exemplo que exige um perito de local + perito toxicolgico + ...

A autpsia ser feita pelo menos 6 (seis) horas depois do bito, salvo se os peritos, pela evi-dncia dos sinais de morte, julgarem que possa ser feita antes daquele prazo, o que declararo no auto.

Porm, nem sempre ser necessrio o EXAME INTERNO (autpsia). H casos, em que o simples EXAME EXTERNO SER SUFICIENTE. O prprio CPP traz essa informao no pargrafo nico do artigo 162:

Nos casos de morte violenta, bastar o simples exame externo do cadver, quando no houver infrao penal que apurar, ou quando as leses externas permitirem precisar a causa da morte e no houver necessidade de exame interno para a verificao de alguma circunstncia relevante.

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X MORTE NATURAL MORTE SUSPEITA MORTE VIOLENTA

CONCEITO Decorrente de:Causas naturais

Existe dvida:

Morte NaturalOU

Morte Violenta

SuicdioOU

HomicdioOU

Acidente

PERCIA No Sim Sim

O exame de corpo de delito pode ser feito por cara precatria, na forma do artigo 177 do CPP: No exame feito por precatria, a nomeao dos peritos far-se- no juzo deprecado. Ha-vendo, porm, no caso de ao privada, acordo das partes, essa nomeao poder ser feita pelo juiz deprecante.

A percia grafotcnica constante do artigo 174, IV, do CPP no obrigatria, tendo em vista que ningum obrigado a produzir provas contra si mesmo. Sendo assim, o ru poder se recu-sar a faz-lo, sem que isso lhe importe em qualquer tipo de sano: No exame para reconheci-mento de escritos, por comparao de letra, observar-se- o seguinte: IV quando no houver escritos para a comparao ou forem insuficientes os exibidos, a autoridade mandar que a pessoa escreva o que lhe for ditado. Se estiver ausente a pessoa, mas em lugar certo, esta lti-ma diligncia poder ser feita por precatria, em que se consignaro as palavras que a pessoa ser intimada a escrever.

Note, que a palavra mandar dever ser riscada, por no ter sido recepcionada pela Constituio da Repblica de 1988.

O artigo 168 fala do EXAME COMPLEMENTAR. Este exame ser feito, sempre que o primeiro exame no tiver sido suficiente. Podemos citar o exemplo da leso corporal de natureza grave, em virtude da incapacidade para as tarefas eventuais por mais de 30 dias. Nesse caso, ser feito um primeiro exame, no ato da leso. Porm, ser necessria a realizao de um segundo exame, aps os 30 dias da leso, com a finalidade de verificar se a incapacidade persiste. Este segundo exame ser justamente o exame complementar.

Ateno ao artigo 184 do CPP: Salvo o caso de exame de corpo de delito, o juiz ou autorida-de policial negar a percia requerida pelas partes, quando no for necessria ao esclarecimen-to da verdade.

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Sendo assim, podemos perceber que a autoridade (policial ou judiciria) poder negar qualquer percia requerida pelas partes, SALVO O EXAME DE CORPO DE DELITO. Neste caso, as autoridades estaro obrigadas a deferi-lo, por expressa previso do Cdigo de Processo Penal.

PRISES

PRISO EM FLAGRANTE

O flagrante vem tratado do artigo 301 ao 310 do Cdigo de Processo Penal.

O conceito vem de flagrans/flagrare que significa arder em chamas. Sendo assim, esta-mos diante de um crime que est ardendo em chamas, que est latente no mundo ftico. No necessariamente ser pego no ato e sim estarmos diante de algo que est ainda recente no mundo real.

Sujeito Ativo:

a) Flagrante Facultativo:

Qualquer pessoa pode prender em flagrante

(exerccio regular de direito)

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b) Flagrante Obrigatrio:

A autoridade policial e seus agentes devem prender em flagrante

(estrito cumprimento do dever legal)

Sujeito Passivo:

Em regra, todas as pessoas podem ser presas em flagrante, exceto:

EXCEO 01. Aqueles que possuem imunidade diplomtica:

So os representantes de Estados Estrangeiros, tais como Chefes de Estado (Presidente, Primeiro Ministro,...), Embaixadores e Presidentes de Entidades Governamentais Estrangeiras (exemplo: ONU).

O Cnsul no se enquadra neste grupo, pois ele no est protegido por sua funo. Porm, ele est protegido na esfera pessoal, em virtude do local em que se encontra (carro oficial, gabine-te,...)

EXCEO 02. Aqueles que possuem imunidade parlamentar:

So os Deputados Federais, Deputados Estaduais e Senadores.

Eles no podero ser presos em flagrante, em funo de delitos afianveis. Porm, se o crime for inafianvel, eles podero ser presos em flagrante.

OBSERVAO: A Autoridade Policial (Delegado de Polcia) vai arbitrar fiana, nas hipteses em que estivermos diante de crimes com pena privativa de liberdade no superior a 04 anos. Nos demais casos, a fiana ser requerida ao juiz, que decidir em at 48 (quarenta e oito) horas.

EXCEO 03. O Presidente da Repblica:

O artigo 86, pargrafo terceiro, da CRFB/88 dispe que o Presidente da Repblica no sofrer qualquer espcie de priso cautelar. Sendo assim, o Presidente s poder ser preso com o trnsito em julgado da sentena penal condenatria.

Art. 86. Admitida a acusao contra o Presidente da Repblica, por dois teros da Cmara dos Deputados, ser ele submetido a julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nas infraes penais comuns, ou perante o Senado Federal, nos crimes de responsabilidade.

1 O Presidente ficar suspenso de suas funes:

I nas infraes penais comuns, se recebida a denncia ou queixa-crime pelo Supremo Tribunal Federal;

II nos crimes de responsabilidade, aps a instaurao do processo pelo Senado Federal.

2 Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o julgamento no estiver concludo, cessar o afastamento do Presidente, sem prejuzo do regular prosseguimento do processo.

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3 Enquanto no sobrevier sentena condenatria, nas infraes comuns, o Presidente da Repblica no estar sujeito a priso.

4 O Presidente da Repblica, na vigncia de seu mandato, no pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exerccio de suas funes.

Esta prerrogativa exclusiva do Presidente da Repblica, no se estendendo aos demais Chefes do Poder Executivo (Governador e Prefeitos). Logo, no h Simetria Constitucional nestes casos.

EXCEO 04. Previso em Lei Orgnica:

o caso dos membros do MP e da Magistratura, que s sero presos em flagrante delito, se for decorrente de um crime inafianvel.

o mesmo procedimento daqueles que possuem imunidade parlamentar, que no podem ser presos em flagrante delito por crimes que admitem fiana.

Vejamos as situaes de flagrncia (artigo 302 do CPP):

I est cometendo a infrao penal

o flagrante prprio ou real.

Trata-se de presuno relativa, no sentido de que o agente est na fase de execuo de seu iter criminis. uma presuno relativa, o que significa que admite prova em contrrio.

II acaba de comet-la

o flagrante prprio ou real.

Trata-se de presuno relativa, no sentido de que o agente acabou a fase de execuo de seu iter criminis. uma presuno relativa, o que significa que admite prova em contrrio.

III perseguido, logo aps, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situao que faa presumir ser autor da infrao

o flagrante imprprio ou quase-flagrante.

Trata-se de presuno relativa, que qualquer pessoa poder fazer, perseguindo o suposto agente, ao longo de uma situao ftica e observado um lapso temporal.

H trs requisitos:

a) Elemento Volitivo:

a perseguio do agente

b) Elemento Temporal:

o logo aps

Para o STF, este logo aps no tem um conceito em horas. Sendo assim, tem que ser um tempo razovel e elstico.

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c) Elemento Ftico:

a situao que faa presumir ser ele o autor da infrao

IV encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papis que faam presumir ser ele autor da infrao

o flagrante presumido ou ficto.

Trata-se de presuno relativa, que qualquer pessoa poder fazer, bastando alguns elementos. H trs requisitos:

a) Elemento Casual:

o fato de o agente ter sido encontrado

b) Elemento Temporal:

o logo depois

Para o STF, este logo depois no tem um conceito em horas. Sendo assim, tem que ser um tempo razovel e elstico. Porm, ele dura mais tempo do que o logo aps.

c) Vestgios:

So os instrumentos, armas, objetos ou papis

Auto de Priso em Flagrante:

A priso em flagrante se divide em 04 (quatro) momentos:

1. PRISO CAPTURA:

a captura do indivduo.

2. PRISO CONDUO:

a conduo do indivduo, do local da prtica da infrao penal, at a Delegacia de Polcia que atende circunscrio daquela rea territorial.

3. LAVRATURA DO APF (PRISO DOCUMENTAO):

o preenchimento das formalidades da priso em flagrante.

4. RECOLHIMENTO AO CRCERE:

o recolhimento do agente ao crcere, nas hipteses em que a priso em flagrante for convertida pelo juiz em priso preventiva.

No crime do artigo 28 da Lei n. 11.343/2006 (crime do usurio de drogas), no cabe mais a priso em flagrante. Sendo assim, a autoridade policial e seus agentes no podero mais lavrar o auto de priso em flagrante, muito menos recolher o indivduo ao crcere.

Porm, sero efetuadas as duas primeiras fases (captura e conduo).

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O condutor geralmente PMERJ. Por este motivo, interessante que ele retorne o quanto antes para as ruas. Sendo assim, o condutor ser ouvido desde logo e liberado para retomar as suas atividades.

Se no tivermos testemunhas do crime, vamos chamar 02 pessoas que sero as testemunhas de apresentao. Estas pessoas vo testemunhar a apresentao do preso autoridade policial.

No h maiores formalidades ou requisitos acerca das testemunhas de apresentao, o que significa que as mesmas podem ser quaisquer pessoas: pode ser o inspetor que est na DP, o pipoqueiro do outro lado da rua,...

O preso vai assinar a nota de culpa. Se ele no souber ou no puder ou no quiser assinar, sero chamadas 02 pessoas para serem as testemunhas de leitura. Podem, inclusive, ser as mesmas pessoas que funcionaram como testemunhas de apresentao.

O Delegado deve adotar os seguintes procedimentos aps a lavratura do APF:

Imediatamente:

a) Comunicar ao Juiz Competente

(a priso da pessoa e o local onde a mesma se encontra)

b) Comunicar ao Ministrio Pblico

(a priso da pessoa e o local onde a mesma se encontra)

c) Comunicar famlia do preso ou pessoa por ele indicada

(a priso da pessoa e o local onde a mesma se encontra)

Em at 24 horas:

a) Encaminhar o APF ao Juiz Competente

b) Encaminhar cpia integral do APF Defensoria

(se o preso no informar o nome do seu advogado)

c) Entregar ao preso a nota de culpa mediante recibo

(com o motivo da priso, nome do condutor e nome das testemunhas)

Ao receber o auto de priso em flagrante, o juiz dever fundamentadamente, na forma do artigo 310 do CPP:

I relaxar a priso ilegal

II converter a priso em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos constantes do art. 312 deste Cdigo, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas cautelares diversas da priso

III conceder liberdade provisria, com ou sem fiana.

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Pargrafo nico. Se o juiz verificar, pelo auto de priso em flagrante, que o agente praticou o fato nas condies constantes dos incisos I a III do caput do art. 23 do Decreto-Lei no2.848, de 7 de dezembro de 1940 Cdigo Penal, poder, fundamentadamente, conceder ao acusado liberdade provisria, mediante termo de comparecimento a todos os atos processuais, sob pena de revogao. (NR)

Antigamente, o sujeito era preso em flagrante e assim permanecia, at a sentena penal condenatria passvel de recurso. Naquela ocasio, a priso em flagrante seria convertida em priso decorrente de sentena penal condenatria recorrvel.

Atualmente, a priso em flagrante no sustenta mais a custdia cautelar daquele sujeito, aps a comunicao da referida priso... Dessa forma, to logo o Juiz receba o Auto de Priso de Flagrante, ele dever efetuar as seguintes anlises:

Priso Ilegal:

Ser imediatamente relaxada.

Priso Legal:

a) Aplica as Medidas Cautelares Diversas da Priso:

Se elas se mostrarem suficientes para atender aos fins pretendidos

b) Converte em Priso Preventiva:

Se estiverem presentes os requisitos da preventiva (artigo 312 do CPP)

+

Se as demais medidas cautelares diversas da priso se mostrarem incuas

OBS: Para a converso da priso em flagrante em priso preventiva, no sero necessrios os requisitos do artigo 313 do CPP. Isto ocorre, uma vez que tais requisitos so apenas exigidos nas hipteses de decretao originria de priso preventiva. Note, que o artigo 313 do CPP est topograficamente situado no captulo reservado priso genuinamente preventiva, no sendo obrigatrio nas hipteses de mera converso. De toda sorte, uma vez concedida a liberdade provisria ao acusado, a decretao da priso preventiva passar a exigir tais requisitos previstos no artigo 313 do CPP.

c) Concede a Liberdade Provisria

Se no estiverem presentes os requisitos da preventiva

OU

Se estiverem presentes as causas de excluso da antijuridicidade

(No so apenas as hipteses do artigo 23 do CP)

Exemplo: artigo 128, inciso I, do Cdigo Penal

Exemplo: artigo 146, pargrafo terceiro, do Cdigo Penal

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Quais so as espcies doutrinrias de flagrante?

a) Flagrante Preparado ou Provocado (Priso Ilegal):

Vejamos a Smula 145 do STF:

No h crime, quando a preparao do flagrante pela polcia torna impossvel a sua consumao.

Ocorre quando o agente encena a situao, com a finalidade de obter a consumao do crime e prender o agente em flagrante. Nesse caso, o STF entende que o flagrante preparado e no deve prosperar, tendo em vista que a encenao do fato impediu a consumao.

Temos dois requisitos (crime de ensaio ou crime de experincia):

1. Encenao

+

2. No Consumao

Exemplo: todas as casas de um condomnio foram furtadas, exceo de uma. E, curiosamente, todas as subtraes ocorreram na primeira noite de lua cheia do ms. Da, na primeira noite de lua cheia do ms seguinte, o dono daquela nica casa que ainda no havia sido furtada deixou as portas e janelas abertas e ficou de prontido com a equipe policial, aguardando o momento do crime. Poucas horas depois, o agente ingressou na residncia deste indivduo, vindo a ser preso pela polcia em flagrante.

Note, que a vtima interagiu com o infrator, como se lanasse uma isca a fim de conduzi-lo prtica da infrao penal. Da a sua inadmissibilidade jurdica, tendo em vista que o crime jamais poder se consumar, sendo considerado crime impossvel.

OBS: Eugnio Pacelli (minoritariamente) considera artificial esta distino, alegando que a priso decorrente de flagrante preparado ou provocado deveria ser considerada lcita, uma vez que malgrado a preparao ou provocao, o agente delinquiu porque quis.

OBS: Nicolitt (majoritariamente) considera crime impossvel, o que faz com que este tipo de flagrante seja considerado ilegal.

OBS: Os dispositivos antifurto acoplados s mercadorias expostas venda em lojas de departamento no se coadunam com a hiptese de flagrante preparado ou provocado, tendo em vista que as referidas mercadorias esto expostas indistintamente a todos os consumidores.

OBS: A Smula 567 do STJ dispe que a existncia de dispositivos como cmeras de vigilncia e segurana patrimonial, por si s, no tornam impossvel o crime de furto.

b) Flagrante Esperado (Priso Legal):

Nasce de uma prvia comunicao policial.

Exemplo: algum vai ligar para a DP e informar que, por volta de meio-dia, teremos um rapaz de blusa amarela, cala azul, dentre outras caractersticas especficas... Que vai vender drogas na porta da escola.

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Da, o policial vai para a porta da escola, paisana, com a finalidade de investigar e aguardar. Quando as pessoas comearem a se aproximar deste suspeito, o policial vai abord-lo e, caso se confirme a ocorrncia de um crime, teremos a priso e flagrante legal.

c) Flagrante Forjado (Priso Ilegal):

a conduta do mau policial, que sugere a existncia de um flagrante no existente. Trata-se de crime de abuso de autoridade (Lei n. 4.898/65).

Exemplo: o policial estava investigando quem seria o chefe de uma determinada organizao criminosa. Da, foi encontrado um caminho, com uma determinada quantidade de drogas. O policial no consegue descobrir quem era dono daquele caminho.

Nesse momento, o policial lembra de um antigo desafeto e resolve colocar na conta dele. Diz que ele era o dono do caminho, o que faz com que este desafeto passe a ser investigado pela chefia daquela organizao criminosa.

Para tanto, o mau policial esconde drogas e armas no carro desse seu desafeto. Isto um flagrante forjado. o que as pessoas falam que acontece em certas operaes policiais.

d) Flagrante Diferido ou Postergado ou Retardado (Priso Legal):

O flagrante diferido ou postergado ou retardado est presente na Lei de Drogas (11.343/2006) e na Lei do Crime Organizado (12.850/2013).

Trata-se de uma ao controlada da polcia, que pode se utilizar, atravs de autorizao judicial, do instituto denominado Undercover, que consiste na infiltrao policial.

um flagrante demorado... Vrias oportunidades de priso so deixadas de lado, visando ao desmantelamento completo daquela organizao criminosa.