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Direito Processual Penal - Apostila

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Direito Processual Penal

Text of Direito Processual Penal - Apostila

rea Policial Prof. MaurilucioINQURITO POLICIAL 1) CONCEITO: um procedimento administrativo exercido pela Polcia Judiciria e que marca o incio da 1 Fase da Persecuo Penal. Consiste na tarefa Estatal de perseguir o crime, produzir provas e obtendo a punio do criminoso. 2) FINALIDADE: Visa a apurao da existncia da infrao penal e a respectiva autoria a fim de que o titular da ao penal disponha de elementos que autorizem a promov-la. O art. 13 do CPP trata das funes secundrias da Polcia Judiciria, pois a sua funo precpua a elaborao do Inqurito Policial e a devida apurao da infrao penal. 3) PROCEDIMENTOS EXTRAPOLICIAIS: O art. 4 do CPP dispe que a competncia definida neste artigo no excluir a de autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida mesma funo. O dispositivo ora citado prev a existncia de inquritos extrapoliciais com a mesma finalidade dos inquritos policiais. Por exemplo temos os Inquritos Policiais Militares, IPMs. CARACTERSTICAS DO INQURITO POLICIAL: a) Dispensvel: Art. 12 do CPP. O inqurito policial um procedimento administrativo que tem por finalidade instruir a ao penal ou o ofendido nos casos da ao privada. Assim, se estes possurem elementos imprescindveis ao oferecimento da denncia ou da queixa, evidente que o inqurito se torna dispensvel. b) Escrito: Art. 9 do CPP. Sendo o Inqurito Policial uma pea meramente informativa, endereada ao titular da ao penal, inconcebvel a existncia de inqurito policial oral. c) Sigiloso: O Art. 20 do CPP. O sigilo a garantia da eficcia das investigaes policiais, porm no se estende ao advogado, que tem livre acesso aos autos de inqurito policial, mesmo que se encontrem conclusos Autoridade Policial, conforme dispe o art. 7, XIV da Lei 8.906/94 Estatuto do Advogado. O Advogado no tem o direito de se manifestar dos atos do Inqurito Policial, porm, pode ter vista dos respectivos Autos. d) Inquisitivo: O Inqurito Policial um procedimento unilateral da Polcia e tem por objetivo apurar uma infrao penal. Deve-se levar em conta o Princpio do Contraditrio, previsto no Art. 5 LV da CF. O Art. 14 do CPP quando fala das diligncias requeridas pela vtima as quais devem passar pelo crivo da Autoridade Policial que se entender no serem necessrias tem o poder discricionrio de neg-las, exceto no exame do corpo de delito. e) Indisponvel: Art. 17 do CPP. Instaurado o Inqurito Policial, a Autoridade Policial dever conclu-lo no prazo, no podendo arquiva-lo. Tarefa esta de atribuio do Ministrio Pblico. f) Obrigatrio: Art. 6 do CPP. A Autoridade Policial obrigada a instaurar o I.P. nos casos de crime de Ao Penal Pblica Incondicionada. ATOS PRATICADOS NO INQURITO POLICIAL: a) Preservao do local: Art. 6, I, A Autoridade Policial dever dirigir-se ao local, providenciando a preservao do mesmo at a chegada dos peritos criminais. A Lei 5.970/73 faculta a liberao do local nos casos de acidente de trnsito, com a remoo dos feridos e dos veculos que estiverem atrapalhando o trnsito ou causando risco de novos acidentes.Atualizada 24/10/2006

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b) Busca e apreenso de objetos relacionados com o fato aps liberado pelos Peritos Criminais: um ato coercitivo, pois o Estado exerce o seu poder atravs da Polcia Judiciria. O Art. 11 do CPP determina o acompanhamento dos instrumentos de crime nos autos de Inqurito Policial. c) Conduo coercitiva: A autoridade policial, nos termos do Art. 201 do CPP pargrafo nico, poder conduzir coercitivamente, sua presena, testemunhas, vtimas e indiciados. d) Interrogatrio do indiciado: A autoridade policial dever identificar-se ao indiciado como seu interrogador. Aps finalizado, o interrogatrio dever ser lido ao indiciado na presena de duas testemunhas, denominadas testemunhas de leitura ou instrumentrias. Ao interrogatrio Policial se aplicam as mesmas regras do Interrogatrio Judicial. Com a Lei 10. 796/03 ocorreram algumas alteraes ao art. 185 do CPP as quais so de suma importncia. As principais alteraes so: Ser qualificado e Interrogado na presena do seu Defensor Constitudo ou ser nomeado um para o ato. A falta do defensor constitudo ou dativo acarreta nulidade do ato. O Interrogatrio de acusado preso ser efetuado no estabelecimento prisional em que se encontra, em sala prpria, desde que estejam garantidas as seguranas da Autoridade (Delegado ou Juiz) e dos seus Auxiliares, a presena do Defensor Constitudo ou Dativo e a publicidade do ato. (portas abertas). Inexistindo a segurana o Interrogatrio ser nas formas do CPP. Dever ser cientificado do seu direito constitucional de se manter calado. E o seu silncio no poder ser interpretado como confisso ou em prejuzo da defesa. O Interrogatrio ser em duas partes: I-Sobre a pessoa do acusado: Residncia, meio de vida, profisso, oportunidades sociais, lugar onde exerce a sua atividade laboral, vida pregressa, se j foi preso anteriormente e onde est sendo processado, se houve suspenso condicional ou condenao, qual a pena imposta, se a cumpriu e outros detalhes familiares. II-Sobre os fatos: - Ser verdadeira a acusao que lhe feita. - No sendo verdadeira se conhece as pessoas a quem deva ser atribuda prtica do crime. Onde estava ao tempo em que foi cometido o crime e se teve notcia deste; As provas j apuradas; Se conhece a vtima e as testemunhas j inquiridas; Se conhece o instrumento utilizado para a prtica do crime ou qualquer outro usado para a prtica da infrao e tenha sido este apreendido; Se conhece todos os demais fatos e pormenores que conduzam a elucidao dos antecedentes e circunstncias da infrao; Se tem algo a mais a dizer em sua defesa; Se o Interrogado nega a acusao que lhe feita; Se houverem mais de 1 acusados, estes sero interrogados em separado; e) Reconhecimento de Coisas e pessoas: Os reconhecimentos devem ser efetuados nos termos dos arts. 226, 227, e 228 do CPP e as acareaes podero ser feitas sempre que indiciados e testemunhas e ofendido divergirem em suas declaraes sobre fatos ou circunstncias relevantes;

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rea Policial Prof. Mauriluciof) Acareaes: Ocorrem quando houver divergncia entre as declaraes do acusado e da testemunha ou ofendido. g) Exame de Corpo de Delito: o aspecto material da infrao. A qual demanda de autoria e materialidade. A autoridade policial poder determinar a realizao de qualquer percia exceto aquelas que envolvam a sade mental do acusado. Neste caso a autoridade deve representar ao magistrado competente para que se proceda como determina o art. 149 pargrafo 1 do CPP. As percias podero ser efetuadas em qualquer horrio. h) Identificao do Indiciado: Art. 5, LVIII da CF determina que o civilmente identificado no ser submetido identificao criminal, salvo nas hipteses previstas em lei. Porm existem algumas previses, dentre elas a Lei 9.034/95 e a Lei 10.254/00. A smula 568 do STF anterior a atua CF ensinava que a identificao criminal do indiciado pelo processo datiloscpico no constitui constrangimento ilegal, ainda que j identificado civilmente. i) Reproduo Simulada dos Fatos: O art. 7 do CPP fala da reproduo simulada dos fatos. Sua finalidade a de apontar o modus operandi, empregado pelo agente quando da prtica do crime. O indiciado no obrigado a fazer a reconstituio do crime, da mesma maneira que no obrigado a confess-lo. j) Outras providncias: Existe a necessidade da obteno de documentos ou provas, que possam estar amparados por sigilo constitucional, como no caso da interceptao telefnica e quebra de sigilo bancrio. Estas provas dependem da autorizao judicial no bojo do Inqurito Policial. INCOMUNICABILIDADE DO ACUSADO: Conforme previso no Art. 21 do CPP, a incomunicabilidade do acusado pode ser decretada desde que no exceda o prazo de 3 dias. A incomunicabilidade ser decretada pelo juiz competente a pedido da Autoridade Policial ou Ministrio Pblico. A nica pessoa que poder comunicar-se com o acusado ser o Advogado. Lei 8.906/94 Estatuto da Advocacia. Para Tourinho Filho: O art. 21 do CPP foi revogado pelo Art. 136, IV da CF o qual diz Ora, se durante o Estado de Defesa, quando o Governo deve tomar medidas enrgicas para preservar a ordem pblica ou a paz social, ameaada por calamidades de grandes propores na natureza, podendo determinar medidas coercitivas, destacando-se restries aos direitos de reunio, ainda que exercida no seio de associaes, o sigilo da correspondncia e o sigilo de comunicao telegrfica e telefnica, havendo at priso sem determinao judicial, tal como disciplina o art. 136 da CF; no se pode decretar a incomunicabilidade do preso (CF art. 136, pargrafo 3), com muito mais razo no h que se falar em incomunicabilidade na fase de inqurito policial. Para Damsio de Jesus: Entende que no houve revogao do Art. 21 pelo art. 136 da CF e ensina: Em primeiro lugar, a proibio diz respeito ao perodo em que ocorrer a decretao do estado de defesa (art. 136 caput da CF), aplicvel priso por crime contra o Estado (pargrafo 3, I), infrao de natureza poltica. Em segundo lugar, o legislador constituinte, se quisesse elevar tal proibio categoria de princpio geral, certamente a teria inserido no art. 5, ao lado de outros mandamentos que procuram resguardar os direitos do preso. No o fez, relacionando a medida com os delitos polticos. Da porque, segundo o nosso entendimento o art. 21 do CPP permanece em vigor.

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NOTITIA CRIMINIS: Notitia criminis a notcia da ocorrncia de um crime. o conhecimento por parte da Autoridade Policial, da prtica de um crime, de maneira espontnea ou provocada por terceiros. Formas de Notitia criminis: 1) Imediata ou direta: Quando a Autoridade Policial vem tomar conhecimento da prtica de um crime pessoalmente ou atravs dos seus agentes. 2) Mediata ou Indireta: Ocorre quando a Autoridade Policial provocada formalmente por requisio do Ministrio Pblico, do Juiz de Direito ou a requerimento do Advogado. 3) Coercitiva: Pela lavratura do Auto de Priso em Flagrante Delito. PRAZOS DO INQURITO POLICIAL: O prazo para a concluso do Inqurito Policial de 30 dias, podendo ser prorrogado a pedido da Autoridade Policial. No existe limitao ao nmero de pedidos de prorrogao. No caso do acusado preso em flagrante ou preventivamente, o prazo de 10 dias a contar da priso ou decretao da priso preventiva. Entretanto se o inqurito for de competncia da Policia Federal o prazo em se tratando de ru preso ser de 15 dias podendo ser prorrogado por igual perodo, se o ru estiver solto por analogia aplica o prazo do Cdigo de Processo Penal, ou seja, 30 dias. CURADOR AO INDICIADO MENOR: O Art. 15 do CPP fala na presena do Curador junto ao menor de 21 anos e maior de 18. No foi revogado expressamente pela Lei 10.792/03, no que tange ao Inqurito Policial. No Interrogatrio judicial exigida a presena de Defensor constitudo ou Defensor Pblico e dispensado o Curador. Assim sendo, no tem necessidade a manuteno da figura do Curador em Juzo, em funo da revogao do art. 194, fato este que no ocorreu com o art. 15 que trata do Inqurito Policial e prev a figura do Curador acompanhando o menor. Diante desta situao e considerando que o Inqurito Policial a primeira fase da Persecuo Penal e de carter Administrativo foi mantido. Ao contrrio da 2 fase da Persecuo Penal que se inicia com o recebimento da Denncia. Tambm fato que a ausncia do Curador na Fase de Inqurito Policial no gera nulidade, porm est prevista a sua participao. BAIXA DO INQURITO DELEGACIA: Est prevista em apenas uma situao, quando ocorre o pedido de prorrogao de prazo para a concluso do Inqurito Policial, ou por Cota Ministerial. Depois de concludo ele no pode retornar a Delegacia e o MP ter o prazo de 5 dias no caso de acusado preso, para oferecer a denncia ou de 15 dias no caso do acusado solto. ARQUIVAMENTO DO INQURITO POLICIAL: Est previsto no art. 17 do CPP. uma medida privativamente do Poder Judicirio e a requerimento do Promotor de Justia. Da deciso judicial que determina o seu arquivamento no cabe recurso exceto nos seguintes casos: a) Art. 7 da Lei 1.521/51, nos casos de Crime Contra a Economia Popular, onde o magistrado deve recorrer ex officio. b) Crimes Contra a Sade Pblica contidos no CP onde recorre ex officio. Nos casos da Lei 6.368/76 represso ao entorpecente, a Lei obriga o magistrado a recorrer de ofcio.

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rea Policial Prof. Maurilucioc) Lei 1.508/51 Art. 6 pargrafo nico: que prev o processo e julgamento das contravenes do jogo do bicho e das corridas de cavalo fora do hipdromo ( penca). Nesse caso, quando qualquer do povo provocar a iniciativa do MP e a representao for arquivada, poder interpor recurso em sentido estrito. PROCEDIMENTOS: 1) Se o magistrado determinar o arquivamento do inqurito policial sem o requerimento do Ministrio Pblico, este dever interpor Correio Parcial, pois esta medida provoca tumulto processual, por parte do magistrado. A Correio Parcial regida pelo Decreto-Lei Complementar n 3 de 27/08/1969 e tem o mesmo rito do Agravo de Instrumento do Processo Civil. 2) No caso do Ministrio Pblico requerer o arquivamento e o Juiz descordar, o Juiz pode Recorrer ao Procurador Geral de Justia, o qual determinar outro membro do MP para efetuar a denncia ou manter o arquivamento, do qual no caber recurso. DESARQUIVAMENTO DO INQURITO POLICIAL: De acordo com o STF, constitui constrangimento ilegal o desarquivamento de inqurito policial e conseqente oferecimento de denncia e o seu recebimento sem novas provas. No obstante, o desarquivamento de inqurito policial, fundado em novas provas, no constitui constrangimento ilegal. Sendo perfeitamente cabvel. SUSPEIO DA AUTORIDADE POLICIAL: O art. 107 do CPP diz que no se poder opor suspeio contra Autoridade Policial, mas estas devero declarar-se suspeitas quando ocorrer motivo legal. Nesse sentido se Delegado de Polcia presidir IP contra acusado onde ele prprio ou familiar vtima, nenhuma irregularidade acarretar (RTJ 61/49 e RT 512/406). HIPTESES DE INDEFERIMENTO DE INSTAURAO DE INQURITO POLICIAL: A Autoridade Policial poder indeferir o requerimento de instaurao de Inqurito Policial nos seguintes casos: 1) Quando estiver extinta a punibilidade; 2) Se o requerimento no oferecer elementos mnimos indispensveis; 3) Se a autoridade a que se destina o requerimento for incompetente; 4) Se o fato narrado no constituir tipo penal, fato atpico; 5) Se o requerente for incapaz; RECURSO AO INDEFERIMENTO: No caso do indeferimento do requerimento, cabe recurso ao Chefe de Polcia, funo esta exercida pelo Secretrio de Segurana Pblica, aqui no Estado do Paran. Alguns Estados da Federao possuam Secretrio de Polcia Civil e de Polcia Militar, neste caso esta ser a autoridade competente para apreciar o recurso o Secretrio de Polcia Civil. PARTICIPAO DO MP NO INQURITO POLICIAL: Est prevista no Art. 47 do CPP e no art. 26, IV, da Lei 8.625/93 LONMP. O objetivo da participao do MP na realizao do Inqurito o acompanhamento da produo de provas. Quando o Inqurito Policial for para apurar delito praticado por Membro do MP, a Autoridade Policial dever remeter os Autos de Inqurito Policial ao Procurador Geral de Justia, a quem competir dar prosseguimento apurao do delito, conforme art. 41 pargrafo nico da LONMP.Atualizada 24/10/2006

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PRINCPIO DA DEVOLUO DO INQURITO POLICIAL: Previsto no Art. 28 do CPP, a devoluo se trata no sentido de restituio, entrega, para prosseguimento. O juiz transfere a apreciao do Inqurito pelo Membro do MP, decidindo este pela denncia ou no. CONCLUSO DO INQURITO POLICIAL: O Inqurito Policial se encerra com o Relatrio da Autoridade Policial, conforme previsto no art. 10 pargrafos 1 e 2 do CPP. No Relatrio, o Delegado dever fazer o seu enquadramento da conduta do acusado, porm esta classificao poder ser modificada pelo Promotor de Justia no seu entender, se houver indcios da prtica de outros crimes. Bem como, o juiz poder dar outra capitulao ao fato, correo independentemente de qualquer diligncia, conforme Art. 383 do CPP, Emendatio libelli. No caso de a denncia ser pautada em uma determinada prova e na instruo ficar evidenciada circunstncia elementar nova que requeira uma pena mais grave o juiz baixa o processo para aditamento da denncia ou queixa subsidiria, e para conseqente defesa, conforme previso no art. 384 pargrafo nico do CPP Mutatio libelli. A Autoridade Policial, poder ainda no seu relatrio ou antes deste, representar pela Priso Preventiva, prevista no art. 311, desde que estejam presentes os seus requisitos. LEGISLAO SOBRE INQUERITO POLICIAL TTULO II DO INQURITO POLICIAL Art. 4 A polcia judiciria ser exercida pelas autoridades policiais no territrio de suas respectivas circunscries e ter por fim a apurao das infraes penais e da sua autoria. (Redao dada pela Lei n 9.043, de 9.5.1995) Pargrafo nico. A competncia definida neste artigo no excluir a de autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma funo. o Art. 5 Nos crimes de ao pblica o inqurito policial ser iniciado: I - de ofcio; II - mediante requisio da autoridade judiciria ou do Ministrio Pblico, ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para represent-lo. 1o O requerimento a que se refere o no II conter sempre que possvel: a) a narrao do fato, com todas as circunstncias; b) a individualizao do indiciado ou seus sinais caractersticos e as razes de convico ou de presuno de ser ele o autor da infrao, ou os motivos de impossibilidade de o fazer; c) a nomeao das testemunhas, com indicao de sua profisso e residncia. o 2 Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inqurito caber recurso para o chefe de Polcia. o 3 Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existncia de infrao penal em que caiba ao pblica poder, verbalmente ou por escrito, comunic-la autoridade policial, e esta, verificada a procedncia das informaes, mandar instaurar inqurito. 4o O inqurito, nos crimes em que a ao pblica depender de representao, no poder sem ela ser iniciado.

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rea Policial Prof. Maurilucio 5o Nos crimes de ao privada, a autoridade policial somente poder proceder a inqurito a requerimento de quem tenha qualidade para intent-la. Art. 6o Logo que tiver conhecimento da prtica da infrao penal, a autoridade policial dever: I - dirigir-se ao local, providenciando para que no se alterem o estado e conservao das coisas, at a chegada dos peritos criminais; (Redao dada pela Lei n 8.862, de 28.3.1994) (Vide Lei n 5.970, de 1973) II - apreender os objetos que tiverem relao com o fato, aps liberados pelos peritos criminais; (Redao dada pela Lei n 8.862, de 28.3.1994) III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstncias; IV - ouvir o ofendido; V - ouvir o indiciado, com observncia, no que for aplicvel, do disposto no Captulo III do Ttulo Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por 2 (duas) testemunhas que Ihe tenham ouvido a leitura; VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareaes; VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras percias; VIII - ordenar a identificao do indiciado pelo processo datiloscpico, se possvel, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes; IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua condio econmica, sua atitude e estado de nimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contriburem para a apreciao do seu temperamento e carter. Art. 7o Para verificar a possibilidade de haver a infrao sido praticada de determinado modo, a autoridade policial poder proceder reproduo simulada dos fatos, desde que esta no contrarie a moralidade ou a ordem pblica. Art. 8o Havendo priso em flagrante, ser observado o disposto no Captulo II do Ttulo IX deste Livro. Art. 9o Todas as peas do inqurito policial sero, num s processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade. Art. 10. O inqurito dever terminar no prazo de 10 (dez) dias, se o indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hiptese, a partir do dia em que se executar a ordem de priso, ou no prazo de 30 (trina) dias, quando estiver solto, mediante fiana ou sem ela. 1o A autoridade far minucioso relatrio do que tiver sido apurado e enviar autos ao juiz competente. 2o No relatrio poder a autoridade indicar testemunhas que no tiverem sido inquiridas, mencionando o lugar onde possam ser encontradas. o 3 Quando o fato for de difcil elucidao, e o indiciado estiver solto, a autoridade poder requerer ao juiz a devoluo dos autos, para ulteriores diligncias, que sero realizadas no prazo marcado pelo juiz. Art. 11. Os instrumentos do crime, bem como os objetos que interessarem prova, acompanharo os autos do inqurito. Art. 12. O inqurito policial acompanhar a denncia ou queixa, sempre que servir de base a uma ou outra. Art. 13. Incumbir ainda autoridade policial: I - fornecer s autoridades judicirias as informaes necessrias instruo e julgamento dos processos; II - realizar as diligncias requisitadas pelo juiz ou pelo Ministrio Pblico; III - cumprir os mandados de priso expedidos pelas autoridades judicirias; IV - representar acerca da priso preventiva.

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Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado podero requerer qualquer diligncia, que ser realizada, ou no, a juzo da autoridade. Art. 15. Se o indiciado for menor, ser-lhe- nomeado curador pela autoridade policial. Art. 16. O Ministrio Pblico no poder requerer a devoluo do inqurito autoridade policial, seno para novas diligncias, imprescindveis ao oferecimento da denncia. Art. 17. A autoridade policial no poder mandar arquivar autos de inqurito. Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inqurito pela autoridade judiciria, por falta de base para a denncia, a autoridade policial poder proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notcia. Art. 19. Nos crimes em que no couber ao pblica, os autos do inqurito sero remetidos ao juzo competente, onde aguardaro a iniciativa do ofendido ou de seu representante legal, ou sero entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado. Art. 20. A autoridade assegurar no inqurito o sigilo necessrio elucidao do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Pargrafo nico. Nos atestados de antecedentes que Ihe forem solicitados, a autoridade policial no poder mencionar quaisquer anotaes referentes a instaurao de inqurito contra os requerentes, salvo no caso de existir condenao anterior. (Includo pela Lei n 6.900, de 14.4.1981) Art. 21. A incomunicabilidade do indiciado depender sempre de despacho nos autos e somente ser permitida quando o interesse da sociedade ou a convenincia da investigao o exigir. Pargrafo nico. A incomunicabilidade, que no exceder de 3 (trs) dias, ser decretada por despacho fundamentado do juiz, a requerimento da autoridade policial, ou do rgo do Ministrio Pblico, respeitado, em qualquer hiptese, o disposto no art. 89, III, do Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (Lei no 4.215, de 27 de abril de 1963). (Redao dada pela Lei n 5.010, de 30.5.1966) Art. 22. No Distrito Federal e nas comarcas em que houver mais de uma circunscrio policial, a autoridade com exerccio em uma delas poder, nos inquritos a que esteja procedendo, ordenar diligncias em circunscrio de outra, independentemente de precatrias ou requisies, e bem assim providenciar, at que comparea a autoridade competente, sobre qualquer fato que ocorra em sua presena, noutra circunscrio. Art. 23. Ao fazer a remessa dos autos do inqurito ao juiz competente, a autoridade policial oficiar ao Instituto de Identificao e Estatstica, ou repartio congnere, mencionando o juzo a que tiverem sido distribudos, e os dados relativos infrao penal e pessoa do indiciado. AO PENAL O incio da Ao Penal marca a segunda fase da Persecuo Criminal ou Penal. Esta tarefa de punir do Estado, aps observados alguns princpios constitucionais: Devido Processo Legal, Presuno de Inocncia, Ampla Defesa, Contraditrio e Juiz Natural entre tantos outros. A titularidade do direito de punir privativa do Estado, o qual representado atravs do Ministrio Pblico na acusao e pelo Juiz de Direito incumbido de dizer o direito atravs de uma sentena que pode ser absolutria ou condenatria. Direito de Ao tambm conhecido por: Jus persecutionis e Jus persequendi in judicio.

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rea Policial Prof. MaurilucioO DIREITO DO ESTADO PUNIR: Este direito s pode ser exercido aps Ter sido facultado o contraditrio e a ampla defesa, conforme preceito constitucional inserido no art. 5, LV. Este direito do estado Jus puniendi surge aps a condenao do ru, pois anteriormente existe a Pretenso Punitiva do Estado, de certo s poderia ser exercido aps a sentena transitada em julgado. Pois ao contrrio estaramos ressuscitando o Tribunal de Exceo e o Sistema Inquisitrio, patrocinado pelo Estado. Este direito de punir abstrato, uma vez que est disposio do estado, genrico, autnomo, subjetivo e principalmente pblico. FUNDAMENTO LEGAL DA AO PENAL: Encontra-se no Cdigo Penal e no Cdigo de Processo Penal: a) Cdigo Penal: Art. 100 a 106. b) Cdigo de Processo Penal: Art. 24 a 62. CONDIES DA AO PENAL Considerando-se que existem algumas condies que podem ser especficas e outras genricas. As especficas so aquelas que so exigidas em certos casos e ao serem necessrias prpria lei estabelecer as exigncias. J as condies genricas so aquelas exigidas em qualquer ao penal: Condies Genricas da ao: a) POSSIBILIDADE JURDICA DO PEDIDO: Na ao penal o pedido deve ser possvel e admitido em direito. Deve tratar de um fato tpico (um crime) o qual possui um preceito e uma sano. b) INTERESSE DE AGIR ou JUSTA CAUSA: Aps ficar evidenciado indcios de autoria e materialidade da prtica do crime, o Ministrio Pblico pode efetivar a denncia. Na acusao deve haver legitimidade individual e social e fundada suspeita sobre o indiciado. c) LEGITIMAO PARA CAUSA: Divide-se em: ATIVA: Diz respeito ao polo ativo. a titularidade de exercer o direito de ao, representando o Estado nas aes penais pblicas, por parte do Ministrio Pblico. PASSIVA: Diz respeito ao polo passivo da ao penal, ou seja, ela pressupe uma condio ao acusado que ser maior de 18 anos. a capacidade para ser ru. No caso dos menores de 18 anos, estes no podem estar no polo passivo de uma Ao Penal Pblica por serem menor de 18 anos. LEGITIMAO PROCESSUAL PARA ESTAR NO POLO PASSIVO: Apesar da alterao no Cdigo Civil, ainda no houve qualquer alterao no Cdigo Penal e Processual Penal. com relao a maioridade penal. Assim sendo o maior de 18 anos e menor de 21 anos . No caso da vtima menor de 18 anos, esta representada. Condies Especficas da Ao As aes penais mesmo que possuam possibilidade, legitimidade, e interesse, devero possuir as condies especficas da ao, tambm chamadas de condies de procedibilidade. So condies especficas da ao a representao, a requisio do Ministro da Justia, pois jamais poder haver denuncia do Ministrio Pblico se no houverem esses pr-requisitos. CLASSIFICAO DAS AES PENAIS: importante ressaltar que a classificao das aes penais se d em face do sujeito ativo. AutorAtualizada 24/10/2006

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a) PBLICA: Incondicionada ou plena: no depende da manifestao de vontade do ofendido. Condicionada: Est condicionada a manifestao do ofendido, atravs da sua representao. Secundria: aquela que originariamente privada, mas em casos previstos em lei, se torna pblica. Ex: No caso dos crimes contra os costumes, quando a vtima pobre. No caso do estado de pobreza, esta ao passa a ser pblica. b) PRIVADA: Privada; Aquela que se inicia mediante a manifestao de vontade do ofendido atravs da queixa-crime. Personalssima: Subsidiria ou supletiva: a ao intentada no caso do ministrio Pblico no oferecer a denncia no prazo previsto em lei. Adesiva: Segundo Frederico Marques, Existe no caso do Assistente de Acusao. AO PENAL PBLICA: Fundamenta-se na Constituio Federal. Est prevista no Cdigo de processo Penal e Cdigo Penal. O seu titular o Ministrio Pblico, conforme LONMP Lei 8.625/93. Prevista tambm na Lei Orgnica do Ministrio Pblico Estadual. SISTEMA ACUSATRIO: Aps o Cdigo do Imprio, o Ministrio Pblico cresceu muito, sendo o fiscal da lei e o titular da Ao Penal Pblica. O sistema acusatrio vigente no Brasil, veio a suplantar o sistema anterior Inquisitivo herana das Ordenaes e do Perodo da Idade Mdia. O sistema inquisitivo buscava a confisso a qualquer custo. Detinha o poder de acusar, julgar e defender. J no sistema acusatrio atual, o Ministrio Pblico tem o dever de acusar, uma vez que o juiz tem o dever de julgar e a polcia de investigar. Sendo estes poderes separados e harmnicos. PRINCPIOS GERAIS DA AO PENAL PBLICA: A) Princpio da Obrigatoriedade: O Promotor de Justia obrigado a denunciar e movimentar o Sistema, atravs da Ao Penal, da qual o titular. Para tanto, necessita da sua opinio delicti, isto , formada a sua opinio sobre o crime e a sua tipicidade ele no pode dispor da Ao. livre para formar o seu convencimento e aps este concludo, dever efetuar a denncia ou opinar pelo arquivamento do feito. No Art. 28 do CPP, observamos que o juiz pode discordar do pedido de arquivamento, cabendo assim, recurso ao Procurador Geral de Justia, no que concerne o cumprimento do princpio da obrigatoriedade. B) Princpio da Indisponibilidade: Aplica-se este princpio por uma questo de razoabilidade. No caso da Ao Penal Pblica iniciada, o Promotor de Justia no pode dela se desfazer ou desistir. Ver art. 42, 385 e 576 do CPP. Com o advento da Lei 9.099/95 este princpio tornou-se mutvel uma vez que na Constituio Federal em seu art. 98, I, previu a transao penal. No art. 42 CPP O Ministrio Pblico no poder desistir da ao Penal. C) Princpio da Indivisibilidade: Ele ocorre no caso dos crimes que envolvam Concurso de Agentes. Neste caso, a ao penal no pode ser movida apenas contra um dos acusados e sim dever ser contra todos. Neste caso possvel efetuar o aditamento da denncia. Ver art. 48 do CPP. A queixa contra qualquer dos autores do crime obrigar ao processo de todos, e o Ministrio Pblico velar pela sua indivisibilidade.

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rea Policial Prof. MaurilucioD) Princpio da Oficialidade: No caso das Aes Penais os atos processuais so pblicos, salvo quando for decretado o sigilo, quando a lei assim o permitir. Art. 779 do CPP As audincias, sesses e os atos processuais sero, em regra, pblicos e se realizaro nas sedes dos juzos e tribunais, com assistncia dos escrives, do secretrio, do oficial de justia que servir de porteiro, em dia e hora certos, ou previamente designados. E) Princpio do in dubio pro societati; Aps a concluso do Inqurito Policial, com o devido relatrio da Autoridade Policial, este ser remetido a juzo. O Ministrio Pblico ser o seu destinatrio, o qual ter a opinio delicti, e estando convencido dos requisitos de autoria e materialidade, o Promotor dever denunciar o acusado. Ocorre que se houver uma dvida na opinio delicti, o Promotor de Justia no tem convico mas denuncia assim mesmo, esperando obter mais provas durante a instruo, o Juiz obrigado a absolver o ru, uma vez que o Princpio da Presuno de Inocncia soberano. INICIO DA AO PENAL PBLICA Todas as aes penais publicas iniciam mediante denncia do Ministrio Pblico, que por mandamento constitucional, CF art. 129, I, determina a competncia privativa do Ministrio Pblico para promover a ao penal pblica. DENNCIA: Seus requisitos esto previstos no Art. 41 do CPP: A denncia ou queixa conter a exposio do fato criminoso, com todas as suas circunstncias, a qualificao do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identific-lo, a classificao do crime e quando necessrio, o rol das testemunhas. a) PARTE EXPOSITIVA: uma minuta dos fatos. Aquelas indagaes do Inqurito Policial: Quem, Quando, Como, Aonde e Por que? Dever individualizar a conduta de cada um dos partcipes. H uma discusso muito grande no que tange a denncia alternativa os juristas com maior inclinao ao Direito Romano entendem que possvel. A outra corrente entende que no, que o ru deve se defender de um fato. b) QUALIFICAO DO ACUSADO: muito importante correta qualificao na denncia, para que no ocorram situaes de acusaes contra homnimos. O que pode ocorrer a prtica por um acusado em usar um nome falso. Neste caso aplica-se o art. 259 do CPP A impossibilidade de identificao do acusado com o seu verdadeiro nome ou outros qualificativos no retardar a ao penal, quando certa a identidade fsica. A qualquer tempo, no curso do processo, do julgamento ou da execuo da sentena, se for descoberta a sua qualificao, far-se- a retificao, por termo, sem prejuzo da validade dos atos precedentes. A lei 10.054/2000 Dispe sobre a identificao criminal e d outras providncias. c) CLASSIFICATRIA: o enquadramento do fato a norma penal (tipicidade). A classificao errnea do fato no poder causar a inpcia da denncia. Pois o ru se defende de um fato. Ex: Furto e Furto Qualificado, Roubo ou Extorso. d) ROL DE TESTEMUNHAS: importante o rol de testemunhas para que se possa efetuar uma anlise ou at contraditar uma testemunha. e) USO DO VERNCULO: Consiste no correto linguajar. f) DEDICATRIA: A quem endereada a denncia? Ela s pode ser dirigida ao Juiz Penal. g) DATA DA DENNCIA: importante, pois nesta fase temos uma das causas interrompem a prescrio.

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2.5.1. PRAZO PARA O MP EFETUAR A DENNCIA: Os prazos esto previstos no art. 46 do CPP Estes prazos so considerados imprprios, pois no ocorre a precluso se o MP no oferecer a denncia dentro do prazo e enquanto no estiver extinta a punibilidade. Poder ocorrer a ao penal subsidiria. 2.5.2. REJEIO DA DENNCIA OU QUEIXA: O juiz poder rejeitar a denncia ou queixa quando estiverem ausente qualquer uma das condies genricas da Ao. O objeto no processo penal o fato e a forma, devendo haver uma relao recproca entre a denncia e a sentena. O MP deve levar ao conhecimento do juiz o fato, produzindo a melhor descrio e deste deve o ru se defender. A ao a pretenso da concesso da tutela jurisdicional, onde o juiz dever informar o direito atravs da sentena. No caso do juiz rejeitar a denncia ou queixa, poder o MP ou o querelante, inconformado com a deciso judicial, interpor recurso em sentido estrito nos termos do Art. 581, I do CPP. Caber recurso, no sentido estrito, da deciso, despacho ou sentena: I que no receber a denncia ou queixa ver demais incisos II a XXIV. Em se tratando e crime de imprensa, o recurso oponvel ser apelao, conforme art. 44, 2 da Lei 5.250/67. No caso do juiz receber a denncia ou queixa, tratando-se de crime de imprensa, caber recurso em sentido estrito, sem suspenso do curso do processo. A DENNCIA, tambm conhecida como: exordial, inicial, vestibular, proemial, prodrmica, dilucular, antelquio. AO PENAL PBLICA INCONDICIONADA aquela em que o MP age de ofcio, independentemente da autorizao do ofendido. Constitui regra geral, sendo o maior nmero de aes penais pblica e incondicionada. No Cdigo fica evidente, uma vez que neste ponto ele no faz meno regra e to somente as excees. Na mesma situao a Autoridade Policial, dever agir de ofcio e no o fazendo incorrer no crime de prevaricao. Pode ocorrer do inqurito policial ser instaurado por requisio da autoridade judiciria ou do Ministrio Pblico. O ofendido tambm poder comparecer a presena da Autoridade Judiciria ou do Ministrio Pblico, narrar os fatos e se for o caso, uma destas autoridades poder requerer a instaurao do Inqurito Policial. Na A P P Incondicionada, no necessrio assistente de acusao, uma vez que o Ministrio Pblico tem o dever de agir. AO PENAL PBLICA CONDICIONADA Desenvolvimento: Na ao penal pblica condicionada o MP s pode oferecer a denncia se houver representao da vtima ou requisio do Ministro da Justia, conforme art. 24 do CPP: Nos crimes de ao pblica, esta ser promovida por denncia do Ministrio Pblico, mas depender, quando a lei o exigir, de requisio do Ministro da Justia, ou de representao do ofendido ou de quem tiver qualidade para represent-lo. 1 No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por deciso judicial, o direito de representao passar ao cnjuge, ascendente, descendente ou irmo. 2 Seja qual for o crime, quando praticado em detrimento do patrimnio ou interesse da Unio, Estado e Municpio, a ao ser pblica. Definio: A prpria lei se incumbe de definir os crimes de ao pblica condicionada.

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rea Policial Prof. MaurilucioRepresentao do Ofendido: Existem certos crimes que alm de imporem a agresso ao ofendido, ao Estado, causam uma Segunda violncia que a exposio do ofendido perante terceiros. O chamado Strepitus judicii, ou Escndalo do processo. Neste caso a lei condiciona a vontade do Poder Pblico exercido pelo Estado vontade do ofendido. Da mesma forma o Inqurito Policial somente poder ser instaurado mediante a representao do ofendido. Conforme art. 5 4 do CPP. A Representao nada mais do que a manifestao de vontade combinada com a autorizao do ofendido a sua instaurao. NATUREZA JURDICA DA REPRESENTAO: uma condio de procedibilidade, ou seja, uma autorizao ao Ministrio Pblico agir em nome do ofendido e processar o autor do delito. Esta representao uma pea essencial nos casos previstos em lei. Art. 564. A nulidade ocorrer nos seguintes casos: III- por falta das frmulas ou termos seguintes: a- A denncia ou a queixa e a representao e, nos processos de contravenes penais, a portaria ou auto de priso em flagrante. A representao pode ser escrita ou verbal, pessoalmente ou atravs de procurador que no necessariamente seja Advogado, uma vez que no se trata da postulao processual e sim, de manifestao de vontade que antecede ao processo. Art. 39: O direito de representao poder ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, mediante declarao, escrita ou oral, feita ao juiz, ao rgo do Ministrio Pblico, ou autoridade policial. Ver 1 ao 5. PODEM REPRESENTAR AS SEGUINTES PESSOAS: a) Ofendido maior de 21 anos, no caso de ser maior de 18 e menor de 21 necessita de representante legal. b) Ofendido alienado poder exercer o seu direito atravs de curador nomeado no juzo cvel. c) Ofendido menor de 18 anos ou alienado mental sem representante legal, ou, se colidirem os interesses desta com daquela, o direito de queixa poder ser exercido por procurador especial nomeado, de ofcio ou a requerimento do Ministrio Pblico, pelo juiz competente, para o processo penal, conforme menciona o Art. 33 do CPP. Esse curador Ad hoc pode representar ou no, conforme a sua convenincia, pois um substituto processual que fala em nome prprio, defendendo o direito alheio. Ao terceiro d-se o nome de substitudo. No caso da vtima Ter mais de 18 anos e menos de 21 anos, o direito de queixa ou de representao pode ser exercido, por ele ou por seu representante legal, conforme o Art. 34 do CPP. SUCESSO NO DIREITO DE REPRESENTAO: No caso da morte do ofendido ou quando declarado ausente por deciso judicial, o direito de representao passar para o cnjuge, ascendente, descendente ou irmo, conforme a previso do Art. 24 do CPP. ENDEREAMENTO DA REPRESENTAO: A representao poder ser efetuada perante as autoridades: Policial, Judiciria ou Ministrio Pblico. A representao efetuada perante o MP que contiver todos os elementos de prova da autoria e materialidade, o MP poder dispensar o inqurito policial, oferecendo a denncia em 15 dias. Caso contrrio, dever encaminhar as peas para Autoridade Policial, requerendo a instaurao do Inqurito Policial, conforme Art. 39, 5 do CPP.Atualizada 24/10/2006

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Art. 39: O direito de representao poder ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, mediante declarao, escrita ou oral, feita ao juiz, ao rgo do Ministrio Pblico, ou autoridade policial. 5 O rgo do Ministrio Pblico dispensar o inqurito, se com a representao forem oferecidos elementos que o habilitem a promover a ao penal, e, neste caso, oferecer a denncia no prazo de 15 dias. RETRATAO DA REPRESENTAO: A retratao quer dizer voltar atrs. Aquele que representa pode retratar-se durante o inqurito policial. Porm, depois de iniciada a Ao Penal a representao se torna irretratvel, conforme o art. 104 do CPP: Se for argida a suspeio do rgo do Ministrio Pblico, o juiz, depois de ouvi-lo, decidir, sem recurso, podendo antes admitir a produo de provas no prazo de 03 (trs) dias. Pode haver retratao da retratao desde que haja boa f e ainda esteja em curso o prazo para o direito da representao. A retratao e a representao so indivisveis, tero que representar ou retratar contra todos os autores do crime. No caso do ofendido representar contra um, o Ministrio Pblico poder aditar a denncia contra os demais. PRAZO PARA A REPRESENTAO: O prazo de seis meses para que o ofendido manifeste a sua vontade ou o seu representante legal. A contagem do prazo se inicia no dia em que tomou conhecimento da autoria do crime. Prazo este que decadencial, contnuo e peremptrio. contnuo porque nada suspende, fatal e peremptrio porque no se prorroga para o dia seguinte, extingue-se o direito. H controvrsia se o prazo uno ou duplo. A doutrina entende que o prazo uno, isto , o prazo de 6 meses a contar da data que tomou conhecimento, porm, no caso do seu representante legal, caso no tenha conhecimento do fato nos 6 meses, passa a contar da data que vier a ter conhecimento. Nesse sentido j temos a Smula 594. REQUISIO DO MINISTRIO DA JUSTIA: uma condio especfica de procedibilidade, sendo tambm um ato administrativo, poltico e discricionrio. administrativo porque parte do Ministrio da Justia. Tambm poltico, porque o cargo do Ministro da Justia envolve questes polticas associadas paz social. Tambm discricionrio porque ele pode exerc-lo ou no. Quando exercido a requisio encaminhada diretamente ao Ministrio Pblico, que poder oferecer denncia ou requerer a instaurao de inqurito policial. O prazo para o Ministro da Justia o mesmo da prescrio do crime. Depois de exercida a requisio do Ministro da Justia, esta irretratvel. AO PENAL PUBLICA SECUNDRIA aquela que era originariamente privada, mas passa a ser pblica por circunstncias previstas em lei. Como ocorre em relao aos crimes contra os costumes. Art. 213, que de ao penal privada, porm, no caso de vtima pobre, passa a ser pblica (condicionada), e no caso do crime ser cometido com o abuso do ptrio poder, tutela ou curatela, a ao penal passa tambm a ser pblica s que (incondicionada)..

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rea Policial Prof. MaurilucioAO PENAL PRIVADA Trata-se da ao promovida pelo titular do direito que a vtima do crime. Ex: Calnia, Injria, Difamao. Nestes casos a lei outorga poderes vtima a processar o autor da infrao, porm, no outorga poderes para a punio. Da dizer-se legitimao extraordinria, uma vez que o Estado o detentor da legitimidade para processar o criminoso. O Estado apenas estende o direito de ao e no de punio. PRINCPIOS DA AO PENAL PRIVADA PROPRIAMENTE DITA: a- Oportunidade ou convenincia: A ao penal privada um direito e no um dever. O direito de queixa privativo do ofendido. A vtima pode renunciar o seu direito de queixa, no podendo exerc-lo mais, conforme o art. 106 do CP. A renncia ao direito de queixa extingue a punibilidade do crime art. 108, inciso V do CP. b- Disponibilidade relativa: Iniciada a ao privada, a vtima pode dela dispor. Aplica-se durante a ao. A vtima dispe da ao privada atravs da desistncia prevista no art. 42 do CPP, perdo aceito art. 108,V do CP e pelo abandono do processo causando a perempo. Essa disponibilidade relativa, uma vez que vai at o trnsito em julgado da sentena condenatria; c- Princpio da Indivisibilidade: A queixa proposta contra um dos autores do crime obrigar o processo contra todos, conforme previso do art. 48 do CPP, podendo o Ministrio Pblico adita-la. d- Princpio da Intranscendncia: A ao penal s pode ser movida contra o responsvel penal pelo delito. J a ao civil pode ser movida tanto contra o autor do dano como contra um terceiro que a lei civil autorize. INCIO DA AO PENAL PRIVADA: Inicia-se mediante oferecimento da queixa-crime (petio inicial privada). O direito de queixa direito de ao, enquanto o direito de representao no possui direito de ao. REQUISITOS DA QUEIXA-CRIME: Esto previstos no art. 41 do CPP. So os mesmos da denncia porque ambos so uma petio inicial. Se a vtima de um crime de ao penal for pobre, ter direito a assistncia judiciria, desde que comprovada a sua pobreza, assim determina o art. 32 do CPP. PRAZO: Seis meses (art. 105 do CP e 38 do CPP). O MINISTRIO PBLICO E A AO PENAL PRIVADA PRPRIAMENTE DITA: O MP parte ativa ilegtima nesses crimes, no podendo ser o autor, participando apenas como custus legis. No caso de no intervir em todos os termos da ao privada propriamente dita no acarreta nulidade, apenas mera irregularidade. O MP pode aditar a queixa-crime no prazo de 3 dias contados do recebimento dos autos, conforme art. 46 do CPP: O prazo para oferecimento da denncia, estando o ru preso, ser de 5 (cinco) dias, contado da data em que o rgo do Ministrio Pblico receber os autos do inqurito policial, e de 15 (quinze) dias, se o ru estiver solto ou afianado. No ltimo caso, se houver devoluo do inqurito policial autoridade policial (art. 16), contar-se- o prazo da data que o rgo do Ministrio Pblico receber novamente os autos. 2 O prazo para o aditamento da queixa ser de 3 (trs) dias, contados da data em que o rgo do Ministrio Pblico receber os autos, e, se este no se pronunciar dentro do trduo, entender-se- que no tem o que aditar, prosseguindo-se nos demais termos do processo.

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No caso de aditar a queixa, o ministrio Pblico ficar na condio de Assistente do Querelante, porm, no poder alterar a classificao do crime. Na condio de fiscal da lei dever fiscalizar inclusive a indivisibilidade processual, isto , denunciar os demais acusados quando houverem, aditando a denncia. Conforme art. 48 do CPP: A queixa contra qualquer dos autores do crime obrigar ao processo de todos, e o Ministrio Pblico velar pela sua indivisibilidade. H uma Segunda corrente que entende que o MP no pode aditar a denncia porque no o titular desse tipo de ao, podendo apenas pedir ao juiz que declare extinta a punibilidade, pela renncia ao direito de queixa. PEREMPO: Significa a extino. Trata-se de uma penalidade processual e produz os seguintes efeitos: - Extingue o processo. - Extingue o direito de ao. - Extingue a punibilidade do crime. CASOS EM OCORRE A PEREMPO: So regulados pelo art. 60 do CPP: Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se- perempta a ao penal: I- quando iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do processo durante 30 (trinta) dias seguidos; II- quando falecendo o querelante, ou sobrevindo a sua incapacidade, no comparecer em juzo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60 (sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber faz-lo, ressalvado o disposto no art. 36; III- quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o pedido de condenao nas alegaes finais; IV- quando sendo o querelante pessoa jurdica, esta se extinguir sem deixar sucessor. OBS: A perempo s se opera na ao penal exclusivamente privada. CABIMENTO: A perempo s se vislumbra aps o incio da ao penal privada, pois antes de ser oferecida a queixa-crime pode ocorrer a prescrio, decadncia ou a renncia, uma vez que o direito no venha a ser exercitado. Pode ocorrer tambm a morte do querelante nos crimes de adultrio e induzimento a erro essencial e ocultao de impedimento, nos casos que envolvem a instituio do casamento. AO PENAL PRIVADA PERSONALSSIMA o tipo de ao que s pode ser movida pelo ofendido, diferente da ao penal privada propriamente dita, pois neste caso o representante legal do ofendido no pode atuar, sendo esta uma faculdade que ode ser exercida somente pela vtima. Do carter personalssimo: Observa-se atravs do art. 108 do CP: 1- Quando a vtima do crime for menor de 18 anos, ter que aguardar completar a idade. 2- Se a vtima falecer, extingue-se a punibilidade do crime (este caso no se encontra no art. 108 do CP).

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rea Policial Prof. MaurilucioAO PRIVADA SUBSIDIRIA OU SUPLETIVA Este tipo de ao s poder ser oferecida no caso do rgo do Ministrio Pblico no oferecer a denncia dentro do prazo. Porm, cabe ressaltar que, no caso do Ministrio Pblico opinar pelo arquivamento, no cabe este tipo de ao. Neste caso o Ministrio Pblico no fica num plano secundrio, apenas oferece a denncia substitutiva e afasta o querelante, uma vez que este tipo de ao utilizado nos crimes de ao penal pblica incondicionada, onde o MP tem o dever de agir e por lapso no age. Com o afastamento do querelante, (desistncia da ao subsidiria) o processo retoma o seu curso normal. Porm, se quiser continuar, neste caso, a vtima pode atuar como assistente de acusao. Cabe lembrar que no ocorre a perempo da ao privada subsidiria. O promotor dever atuar em todos os atos processuais da ao penal privada subsidiria, sob pena de nulidade. Conforme o art. 564, III, e, do CPP; Art. 564: A nulidade ocorrer nos seguintes casos: III por falta das frmulas ou dos termos seguintes: e- a interveno do Ministrio Pblico em todos os termos da ao por ele intentada e nos da intentada pela parte ofendida, quando se tratar de crie de ao pblica; AO PENAL PRIVADA ADESIVA Segundo o doutrinador Jos Frederico Marques, onde ele entende a atuao do Assistente de Acusao, que vm atuar como um auxiliar do Ministrio Pblico, na qualidade de procurador da vtima ou dos seus familiares. Art. 268: Em todos os termos da ao pblica, poder intervir, como assistente do Ministrio Pblico, o ofendido ou seu representante legal, ou na falta, qualquer das pessoas mencionadas no art. 31. Art. 31: No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por deciso judicial, o direito de oferecer queixa ou prosseguir na ao passar ao cnjuge, ascendente, descendente ou irmo. JURISDIO CONCEITO DE JURISDIO a funo que tem o Estado de declarar com imparcialidade o Direito objetivo atravs do Poder Judicirio. Jurisdio poder, funo e atividade do Estado de aplicar o direito ao fato concreto para solucionar os conflitos existentes. H conflitos de interesse quando mais de um sujeito procura usufruir o mesmo bem. Como poder, manifestao do poder estatal atravs da sua capacidade de decidir e impor as suas decises. Tem a funo de promover a pacificao de conflitos interindividuais, mediante a realizao do direito justo e devido processo. E atividade onde esta constitui os atos do juiz no processo. O poder, a funo e a atividade somente transparecem legitimamente atravs do devido processo legal. CARACTERES FORMAIS DA JURISDIO Notio: (conhecimento) o poder de presidir a instruo; Judicio (julgamento): o poder de julgar a lide. Vocatio ( chamamento): o direito de chamar as pessoas para o processo. Coertio: (Coero): o poder de impor medidas restritivas de direito. Executio: (executar): o poder de executar a condenao.Atualizada 24/10/2006

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OUTRAS CARACTERSTICAS DA JURISDIO Outras caractersticas da jurisdio so: a) lide; b) inrcia; c) definitividade; d) secundria; e) instrumental; f) declarativa ou executiva. Lide e litgio so vocbulos sinnimos e correspondem a um evento anterior ao processo. Para que haja a lide necessrio que ocorra "um conflito de interesses qualificado por um pretenso resistida", conforme a clssica lio de Carnelutti. Inrcia: embora a jurisdio seja funo ou atividade pblica do Estado, versa sobre interesses privados - direitos materiais subjetivos das partes -, donde no ter cabimento a prestao jurisdicional, a no ser quando solicitada, nos casos controvertidos, pela parte interessada. Da surge a inrcia a que esto obrigados os rgos jurisdicionais. Definitividade: os atos jurisdicionais so suscetveis de se tornar imutveis. Art.5o, XXXVI, CF: "a lei no prejudicar o direito adquirido, o ato jurdico perfeito e a coisa julgada". Secundria: atividade secundria porque atravs dela o Estado realiza coativamente uma atividade que deveria ter sido, primariamente exercida, de maneira pacfica e espontnea, pelos prprios sujeitos da relao jurdica. Instrumental: porque tem objetivo de dar atuao prtica s regras do direito, assim a jurisdio um instrumento de que o prprio direito dispe para impor-se obedincia dos cidados. Declarativa ou executiva: a jurisdio no fonte do direito, o rgo jurisdicional convocado para remover a incerteza ou para reparar a transgresso, atravs de um juzo que se preste a reafirmar e restabelecer o imprio do direito, quer declarando qual seja a regra do caso concreto, quer aplicando as edidas de reparao ou de sano previstas pelo direito. PRINCPIOS BSICOS DA JURISDIO 1- Indeclinabilidade: A jurisdio obrigatria. O juiz no pode deixar de julgar sob nenhuma alegao, at mesmo pela lacuna da lei. O DPP admite a analogia. 2- Improrrogabilidade: A jurisdio de um juiz no pode envolver a de outro, exceto nos casos de conexo e continncia; 3- Juiz Natural ou pr-constitudo: O ru tem o direito de ser julgado por um rgo regular do Poder Judicirio. Esse princpio probe o juiz de exceo; A Constituio probe os chamados tribunais de exceo para o julgamento de determinadas pessoas e determinados casos (art.5o, inciso XXXVII, CF). 4- Unidade: A jurisdio uma s, ou seja, sempre a mesma. O que diferencia uma da outra a atividade sobre a qual recai. 5- Iniciativa das partes: Baseado no princpio ne procedat judex ex officio, no pode haver jurisdio sem ao. 6- Relatividade ou co-relao entre pedidos e deciso. Est no brocado ne eat judex infra vel extra vel ultra petita portium ( no haja o juiz aqum ou fora ou alm dos pedidos das partes). 7- In dubio pro reo: Na dvida, o juiz deve julgar em favor da defesa. A defesa tem o benefcio da dvida. 8- Investidura: sendo a jurisdio um monoplio do Estado e este, que uma pessoa jurdica, precisa exercla atravs de pessoas fsicas que sejam seus rgos ou agentes, essas pessoas so os juzes. 9- Indelegabilidade: quer dizer que o poder do juiz de julgar o caso concreto indelegvel no pode este, invertendo os critrios da Constituio e da lei, transferir a sua competncia que lhe foi atribuda pelo Estado para outro.

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rea Policial Prof. MaurilucioJURISDIO, LEGISLAO, ADMINISTRAO Jurisdio difere da legislao, porque consiste na soluo de conflitos de interesse apresentadas ao Estadojuiz, este fazendo justia em casos concretos. Legislao so normas de carter genrico e abstrato no destinada a um caso concreto. As diferenas entre jurisdio e administrao so: a) o administrador no possui o poder de atuar na realizao do bem comum; b) no tem carter substitutivo; c) os atos administrativos no so definitivos. S na jurisdio reside o escopo social magno de resolver os conflitos entre as pessoas. OBJETIVO DA JURISDIO Segundo Pontes de Miranda, "o fim do processo a entrega da prestao jurisdicional, que satisfaz tutela jurdica". Conforme Arruda Alvim podemos dividir a causa do processo em: a) causa final: a atuao da vontade da lei, como instrumento de segurana jurdica e de manuteno da ordem jurdica; b) causa material: o conflito de interesses, qualificado por pretenso resistida, revelado ao juiz atravs da invocao da tutela jurisdicional; c) causa imediata ou eficiente: a provocao da parte, isto , a ao. Concluso, a jurisdio, dando ao direito do caso concreto a certeza que condio da verdadeira justia e realizando a justa composio do litgio, restabelece a ordem jurdica, atravs da eliminao do conflito de interesses que ameaa a paz social. ESPCIES DE JURISDIO A jurisdio una e indivisvel assim como o poder soberano. A doutrina, porm fazendo tais ressalvas, costuma classificar a jurisdio em espcies, so elas: a) pelo seu objeto, jurisdio penal ou civil; b) pelos organismos judicirios que a exercem, especial ou comum; c) pela posio hierrquica do rgos dotados dela, superior ou inferior; d) pela fonte do direito com base no qual proferido o julgamento, jurisdio de direito ou de eqidade. a) Jurisdio penal ou civil: No processo, as atividades jurisdicionais tm por objeto uma pretenso, que varia conforme o direito objetivo material em se fundamenta. H, ento, causas penais, civis, comerciais, tributrias, etc. comum dividir as pretenses de natureza penal das demais. Fala-se em jurisdio penal (causas penais, pretenses punitivas) e jurisdio civil (por excluso, causas e pretenses no-penais). A jurisdio penal exercida pelos juzes estaduais comuns, pela Justia Militar Estadual, pela Justia Militar Federal, pela Justia Federal e pela Justia Eleitoral. Apenas a Justia do Trabalho desprovida de competncia penal. A jurisdio civil exercida pela Justia Estadual, pela Federal, pela Trabalhista e pela Eleitoral, apenas a Militar no a exerce. Relacionamento entre jurisdio penal e civil: por ex. quando algum comete um furto, este ato gera duas conseqncias: obrigao de restituir o objeto furtado (natureza civil) e sujeio s penas do art. 155, CP. Outro exemplo: uma pessoa que se casa, j sendo casado com outra pessoa, o direito impe duas penas: nulidade do segundo casamento (art.183, inciso VI, CC) e sujeio pena de bigamia (art.235, CP). Assim h na lei dispositivos que interagem entre a jurisdio penal e civil: i) Suspenso prejudicial do processo-crime: se algum est sendo processado

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criminalmente e para o julgamento dessa acusao relevante o esclarecimento de uma questo civil, suspende-se o processo criminal espera da soluo no caso cvel (art.92-94, CPP). Ex: o ru acusado de bigamia alega que o casamento anterior era nulo. O art.91, I, CP d como efeito da sentena penal "tornar certa a obrigao de indenizar o dano resultante do crime". Se o ru for absolvido no crime poder ser absolvido em certos casos da ao cvel (art.65 e 66, CPP). Resta observar o art.64, caput e pargrafo, CPP permite que seja intentada a ao civil na pendncia do processo-crime; b) Jurisdio especial ou comum: A doutrina costuma, levando em considerao as regras da Constituio, distinguir entre "Justias" que exercem jurisdio especial e comum. As primeiras so: a Justia Militar (arts.122124, CF), a Justia Eleitoral (arts.118- 121, CF), a Justia do Trabalho (arts.111-116, CF) e as Justias Militares Estaduais (art.125, 3o , CF); no mbito da jurisdio comum esto a Justia Federal (arts.106-110, CF) e as Justias Estaduais ordinrias (arts.125-126, CF). c) Jurisdio superior ou inferior: Os ordenamentos jurdicos em geral tm duplo grau de jurisdio, princpio que consiste na possibilidade de um mesmo processo aps julgamento pelo juiz inferior, voltar a ser julgado por rgos superiores do Poder Judicirio. Os rgos de primeiro grau de jurisdio so denominados "primeira instncia" e os de segundo grau de "segunda instncia". d) Jurisdio de direito ou de eqidade: O art.127, CPC diz que "o juiz s decidir por eqidade nos casos previstos em lei". Decidir por eqidade significa decidir sem as limitaes impostas pela lei (art.400 e 1.456, CC). No direito processual civil, sua admissibilidade excepcional (art.127, CPC), mas nos processos arbitrais podem as partes convencionar que o julgamento seja realizado com eqidade (art.1.075, inciso IV, CPC; art.1.040, inciso VI, CC). Na arbitragem de causas pequenas, o julgamento por eqidade sempre admissvel, independente da autorizao das partes (lei 9.099/95, art.25). LIMITES DA JURISDIO Existem limitaes: internas de cada Estado, excluindo a tutela jurisdicional em casos determinados; e internacionais, pela necessidade de coexistncia dos Estados e pelos critrios da convenincia e viabilidade. Essas limitaes no atingem o direito processual penal. O legislador no leva muito longe a jurisdio de seu pas, pois leva em considerao a experincia e a necessidade de coexistncia com outros Estados soberanos: a) convenincia, o que interessa a pacificao no seio da sua prpria convivncia social; b) viabilidade, porque se excluem os casos em que ser impossvel a imposio do cumprimento da sentena. A doutrina sintetiza os motivos da observncia essas regras acima: a) existncia de outros Estados soberanos; b) respeito a convenes internacionais; c) razes de interesse do prprio Estado. Outros tambm considerados so submisso e da efetividade. Em relao a jurisdio penal esta tem limites que correspondem precisamente aos de aplicao da prpria norma penal material. So imunes tanto jurisdio civil como penal, por respeito soberania de outros Estados, jurisdio de um pas: a) os Estados estrangeiros (par in parem non habet judicium); b) os chefes de Estado estrangeiros; c) os agentes diplomticos. Tem se estendido a imunidade tambm a organismos internacionais, como o caso da ONU. Pe em dvida sua aplicao jurisdio trabalhista.

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rea Policial Prof. MaurilucioLimites internos, em princpio a funo jurisdicional rege sobre toda rea dos direitos substanciais (art.5o, XXXV, CF; art.75, CC). Porm, s vezes o Estadoadministrao o nico a decidir a respeito de eventuais conflitos, sem interveno do Judicirio. o que acontece nos casos de impossibilidade da censura judicial dos atos administrativos. Alm disso a lei expressamente no art.1.477, CC exclui da apreciao judiciria as pretenses fundadas em dvida de jogo. JURISDIO VOLUNTRIA E CONTENCIOSA Existem atos jurdicos da vida de particulares revestidos de tal importncia que passam a interessar coletividade. No direito moderno, a administrao pblica de direito privado exercida por: a) rgos jurisdicionais; b) rgos do chamado "foro extrajudicial"; c) rgos administrativos, no dependentes do Poder Judicirio. So atos praticados pelos rgos do "foro extrajudicial", a escritura pblica (tabelio), o casamento (juiz de casamentos, oficial do registro civil), o protesto (oficial de protesto), o registro de imveis (oficial do registro de imveis), etc. Por outro lado, h interveno de rgo estranho quando o Ministrio Pblico participa dos atos da vida da fundao (art.1.199, CPC), ou quando os contratos ou estatutos sociais tramitam pela junta comercial. A jurisdio civil compreende, segundo art.1o, do CPC, a jurisdio contenciosa e voluntria. A jurisdio contenciosa aquela funo que o Estado desempenha na pacificao ou composio dos litgios. Pressupe controvrsia entre as partes (lide), a ser solucionada pelo juiz atravs da legalidade estrita. J em relao a jurisdio voluntria, a doutrina separa esta em trs categorias: 1) atos meramente receptcios (funo passiva do magistrado, como publicao de testamento particular, art.1.646, CC); 2) atos de natureza simplesmente certificante (legalizao de livros comerciais, "visto", em balanos); 3) atos que constituem verdadeiros pronunciamentos judiciais (separao amigvel, interdio,...). Os elementos caractersticos da jurisdio voluntria so: a) visa a constituio de situaes jurdicas novas; b) no h o carter substitutivo; c) no h lide. Trata-se de jurisdio voluntria onde o juiz apenas realiza gesto pblica em torno de interesses privados, como se d nas nomeaes de tutores, nas alienaes de bens de incapazes, na extino do usufruto, etc. Aqui no h lide nem partes, mas apenas um negcio jurdico processual, envolvendo o juiz e os interessados. Da Frederico Marques ensinar que "a jurisdio voluntria apresenta os seguintes caracteres: a) como funo estatal, ela tem natureza administrativa, sob o aspecto material, e ato judicirio, no plano subjetivo-orgnico; b) em relao s suas finalidades, funo preventiva e tambm constitutiva". O legislador nos arts.1.103 a 1.210, CPC no fala acertadamente em processo, porque se no h lide, no pode se falar em processo, mas apenas em procedimento. Permite o Cdigo em matria de jurisdio voluntria no art.1.109, CPC onde o juiz no fique "obrigado a observar critrio de legalidade estrita, podendo adotar em cada caso a soluo que reputar mais conveniente ou oportuna".

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SUBSTITUTIVOS DA JURISDIO Pode a lide encontrar soluo por outros caminhos que no a prestao jurisdicional. A autocomposio pode ser obtida atravs de transao ou de conciliao. E a deciso da lide ocorre atravs do juzo arbitral. A transao o negcio jurdico em que os sujeitos da lide fazem concesses recprocas para afastar a controvrsia existente. Pode ocorrer antes da instaurao do processo ou na sua pendncia, esta apenas homologada pelo juiz (art.269, inciso III, CPC) com soluo de mrito. A conciliao uma transao obtida em juzo, pela interveno do juiz junto s partes, antes de iniciar a instruo da causa, extinguindo o processo com soluo de mrito (art.449, CPC). O juzo arbitral (arts.1.072 a 1.102, CPC) importa renncia via judiciria, confiando, as partes, a soluo da lide a pessoas desinteressadas, mas no integrantes do Poder Judicirio. O laudo arbitral homologado tem fora de sentena (art.1.097, CPC). Todas essas formas extrajudiciais de composio de litgios s podem ocorrer entre pessoas maiores e capazes e apenas quando a lide girar em torno de bens patrimoniais ou direitos disponveis.

DIVISO DA JURISDIO 1- Quanto graduao: a- Inferior: decide em primeira instncia. b- Superior: reexamina, atravs de recurso, a causa j decidida na instncia inferior. 2- Quanto matria: a) Penal: causas de natureza penal. b) Civil: causas de natureza civil. 3- Quanto forma: a) Contenciosa: quando existe litgio. b) Voluntria: quando no existe litgio mas levado a juzo. 4- A Jurisdio ainda se divide em: a) Comum ou ordinria: Justia comum. b) Especial ou extraordinria: Justias especiais. COMPETNCIA CONCEITO a limitao do poder jurisdicional de juzes ou tribunais.. O instituto da competncia definido ento, de uma forma simples, como a demarcao, ou como a delimitao da jurisdio. Trata-se do exerccio pelos vrios rgos jurisdicionais, de seu poder, dentro de uma determinada limitao legalmente imposta. a poro do poder jurisdicional que toca a cada rgo exercer. Nas palavras de Tornaghi (apud Sobrinho, 1996, p. 15), sobre o poder de julgar, que qualidade inerente aos juzes (se esse poder no restringido por nenhuma lei, competelhes julgar tudo. Mas, se alguma s lhes permite decidir determinadas controvrsias, ento, o exerccio de sua jurisdio fica demarcado pela sua competncia. A lei que estabelece a competncia dos vrios rgos jurisdicionais, tratando de previamente fixar os limites dentro dos quais cada um destes rgos pode exercer a funo jurisdicional. Desse modo, a competncia vem a ser o poder de exercer a jurisdio nos limites estabelecidos em lei, ou ainda, mbito dentro do qual pode o magistrado exercer a jurisdio. A primeira limitao legal que se tem no mbito do ordenamento jurdico, por ordem de grandeza, adiante da qual no se exercita de modo algum a jurisdio, a que estabelece a competncia geral (competncia externa ou internacional), responsvel pela restrio de jurisdio de um Estado em relao direta com a de outros Estados. Naquilo que toca ao controle especfico de nosso pas, fala-se em competncia interna (ou especial), que vem a ser aquela que se determina pelos limites colocados jurisdio exercida pelos mais diferentes rgos jurisdicionais.

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rea Policial Prof. MaurilucioNATUREZA JURDICA um pressuposto processual de validade da instncia, pois o processo s valido quando corre perante juiz competente. CRITRIOS DE FIXAO DA COMPETNCIA - Ratione materiae: em razo da matria. - Ratione personae: em razo da pessoa. - Ratione loci: em razo do local. COMPETNCIA DE ATRIBUIO: o conjunto formado pelas competncias ratione materiae e ratione personae. CRITRIOS DA COMPETNCIA RATIONE LOCI: - Comum ou geral: o lugar da infrao, ou seja, aquilo que a doutrina chama de locus delicti comissi ( lugar da prtica da infrao). - Secundrio ou subsidirio: o lugar do domiclio ou da residncia do ru. CARACTERSTICAS DA COMPETNCIA DO JUZO OU DA VARA: S existe nas comarcas onde h mais de uma vara criminal. A competncia do juiz pressupe a competncia ratione loci. PODE HAVER FORO FACULTATIVO EM PROCESSO PENAL: Quando se trata de um crime de ao penal privada, o art. 73 do CPP o querelante pode processar o ru em seu domiclio ou ainda, quando conhecido, no lugar da infrao. ESPCIES DE COMPETNCIA FUNCIONAL 1- HORIZONTAL: aquela que divide o trabalho de dois ou mais juzes da mesma graduao dentro de um s processo. Podendo ser: a) Por fase do processo: aquela que estabelece a diviso do trabalho por fase do processo. b) Por objeto do juzo: aquela que estabelece a diviso pelo objeto do julgamento. 2- VERTICAL: aquela que divide o trabalho no mesmo processo entre juzes de graus diferentes. Possui duas etapas. a) ORIGINRIA: Aquela nos processos de competncia originria dos Tribunais. b) RECURSAL: O processo corre perante o juiz de primeiro grau, e quanto sua deciso sobre para o Tribunal. PRORROGAO DA COMPETNCIA 1- Necessrias: a) Conexo ou continncia: b) Casos do artigo 74, pargrafo 2 do CPP (desclassificao). c) Caso do artigo 85 do CPP. 2- Voluntria: aquela que deriva da vontade das partes. As partes, principalmente pela sua omisso, concordam que o processo corra perante juiz incompetente, prorrogando-se posteriormente. Isso s pode correr nos casos de incompetncia relativa. COMPETNCIA POR PREVENO O significado do vocbulo preveno o de algo que vem antes, que avisa, que previne. Define, no tocante ao instituto da competncia, o fenmeno processual atravs do qual, havendo vrios juzes igualmente competentes, que se firme a competncia daquele que por primeiro vier a tomar conhecimento da causa (art. 83 CPP). Assim, havendo vrios competentes em um primeiro momento, j em seguida ser espao de competncia de um s deles, por ter primeiro conhecido a causa.

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No se trata de um critrio empregado para determinar a competncia, visto que o juiz que no segundo momento o nico competente, tambm j o era anteriormente. A preveno, portanto, firma, assegura a competncia de um juiz j competente. Verifica-se a preveno, por exemplo, entre outros, em casos como o do artigo 107 do Cdigo Civil: Se o imvel se achar situado em mais de um Estado ou comarca, determinar- se- o foro pela preveno, estendendo-se a competncia sobre a totalidade do imvel (o juiz de uma ou de outra comarca ser competente, mesmo que de Estados diferentes, para conhecer a causa). COMPETNCIA POR CONEXO OU CONTINNCIAO vocbulo conexo, no tocante competncia, vem a ser o estabelecimento de um vnculo ou de um elo entre duas ou mais aes que, por estarem intimamente relacionadas entre si, podem ser conhecidas e decididas por um mesmo magistrado e, por vezes, inclusive no mesmo processo. um vnculo que entrelaa duas ou mais aes, a ponto de exigir que o mesmo juiz delas tome conhecimento e as decida. As razes ou os motivos que embasam a conexo de causas so de ordem particular, buscando tornar mais clere e ao mesmo tempo menos oneroso o processo e, de ordem pblica, buscando evitar que acontea a existncia de sentenas contraditrias emanadas de mais de um entendimento jurdico sobre o mesmo caso, alm de permitir uma viso mais completa dos fatos e da causa, enveredando por uma melhor aplicao jurisdicional do direito. A base legal melhor sistematizada vem referida no artigo 103 do Cdigo Civil, que diz: Reputam-se conexas duas ou mais aes, quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir. Compreendida na conexo, tem-se a continncia, que ocorre quando houver, entre duas ou mais aes, identidade quanto s partes e causa de pedir, mas que objeto de uma, por mais amplo, acabe por abranger o das outras, conforme se despende do que inscrito no artigo 104 do referido Cdigo. A conexo e a continncia produzem o mesmo efeito, distinguindo-se por ser a continncia uma espcie do gnero conexo (ver tambm os arts. 105; 106; 219 e 163 CPC). Em hiptese, a competncia relativa atuao do magistrado no est fundada no ttulo originrio, mas trata-se da conseqncia da unio dos vrios processos. No mbito do Cdigo de Processo Penal temos elencado no artigo 76, que: A competncia ser determinada pela conexo: I se, ocorrendo duas ou mais infraes, houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por vrias pessoas reunidas, ou por vrias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar, ou por vrias pessoas, umas contra as outras; A conexo pressupe a existncia de um nexo entre as infraes praticadas e as pessoas nelas envolvidas, podendo ser classificado como um liame intersubjetivo, objetivo ou instrumental. A conexo intersubjetiva, caso do inciso I, apresenta-se sob trs modalidades: a conexo intersubjetiva por simultaneidade (tendo ocorrido duas ou mais infraes, praticada ao mesmo tempo por duas ou mais pessoas reunidas); a conexo intersubjetiva por concurso (duas ou mais infraes cometidas por duas ou mais pessoas em concurso, em tempo e lugares diversos); a conexo intersubjetiva por reciprocidade (infraes cometidas por vrias pessoas, umas contra as outras). II se, no mesmo caso, houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou para conseguir impunidade ou vantagem em relao a qualquer delas; Na conexo objetiva, caso do inciso II, as infraes so praticadas visando facilitar a outras ou para ocult-las, ou ainda, buscando vantagem em relao a qualquer delas;

III quando a prova de uma infrao ou de qualquer de suas circunstncias elementares influir na prova de outra infrao. Trata-se da conexo instrumental.

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rea Policial Prof. MaurilucioSeguindo o elencado no artigo 77 do Cdigo de Processo Penal, temos que: A competncia ser determinada pela continncia quando: I duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infrao; Trata-se neste artigo, sobre a continncia por coautoria (quando duas ou mais pessoas so acusadas pela mesma infrao, o que no se confunda com a conexo por concurso). Abrange todos os crimes onde exista coautoria necessria (rixa, bigamia, adultrio, etc) e codelinqncia eventual. II no caso de infrao cometida nas condies previstas nos arts. 51, 1, 53, segunda parte, e 54 do Cdigo Penal; (vide arts. 70 concurso formal; 73 erro na execuo e 74 resultado diverso do pretendido, todos do CP, com redao dada pela Lei 7.209/84). Inversamente ao inciso I, este inciso trata de unidade de agente e pluralidade de infraes. CONSEQUNCIA DA CONEXO: a unificao processual ou simultaneus processus, art. 79 caput do CPP. A lei recomenda que, havendo duas ou mais infraes penais conexas entre si, sejam investigadas pela polcia no mesmo inqurito, denunciadas juntas e julgadas pela mesma autoridade judiciria e decididas na mesma sentena. HIPTESES DE CONEXO: 1- Nexo intersubjetivo de conexo: 2- Conexo casual, lgica, teleolgica ocasional, objetiva ou conseqencial: o que liga as infraes so as finalidades com que foram realizadas (ocorre muito em homicdio qualificado). 3- Conexo processual, instrumental ou probatria: o que liga a prova. CONTINNCIA Uma causa est contida na outra, sendo impossvel a ciso. Uma continente e a outra contedo. A tendncia da doutrina moderna a de considerar a continncia espcie de conexo. ESPCIES DE CONTINNCIA: 1- Quando duas ou mais pessoas forem acusadas pela mesma infrao (concurso de agentes), sero julgadas no mesmo processo. Acarreta o litisconsrcio passivo . 2- Em todos os casos de concurso formal de infraes penais, acarretando no processo continncia de causas. CONSEQNCIAS ESPECIAIS DA CONEXO E CONTINNCIA: 1- Se houver conexo ou continncia entre crimes de ritos diversos, prevalece o de recluso. 2- Nos casos de conexo ou continncia entre crimes definidos na lei de entorpecentes e outras infraes penais, prevalece o rito da infrao mais grave, ressalvados os da competncia do Tribunal do Jri e das jurisdies especiais, vide art. 29 da Lei 6368/76. COMO ESTABELECER O FORO PARA REALIZAR ESSA UNIFICAO DA CONEXO E CONTINNCIA ? Observam-se as seguintes regras: 1- No concurso entre competncia do Tribunal do Jri e a de outro rgo jurisdicional comum, prevalecer a competncia do Tribunal do Jri. 2- No concurso de jurisdio da mesma categoria: a- prepondera a do lugar da infrao qual for cominada a pena mais grave.Atualizada 24/10/2006

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b- Prevalecer a do lugar no qual houver ocorrido o maior nmero de infraes se as respectivas penas forem de igual gravidade; c- Firmar-se- a competncia pela preveno nos outros casos. 3- No concurso de jurisdies de diversas categorias, predominar a de maior graduao. 4- No concurso entre jurisdio comum e especial, prevalecer a especial. CRIMES CONEXOS DE COMPETNCIA FEDERAL E ESTADUAL: O cdigo no resolve esse problema, mas a Smula 52 do antigo TFR diz prevalecer a Justia Federal, pois sua competncia firmada pela Constituio Federal, enquanto a Justia Comum residual. No h casos de conexo ou continncia entre duas justias Especiais, cada uma responder pela Justia que a corresponda. COMPETNCIA PELO LUGAR DA INFRAO De acordo com o artigo 70 do Cdigo de Processo Penal: A competncia ser, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infrao, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o ltimo ato de execuo. 1. Se, iniciada a execuo em territrio nacional, a infrao se consumar fora dele, a competncia ser determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o ltimo ato de execuo. 2. Quando o ltimo ato de execuo for praticado fora do territrio nacional, ser competente o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu resultado. 3. Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdies, ou quando incerta a jurisdio por ter sido a infrao consumada ou tentada nas divisas de duas ou mais jurisdies, a competncia firmar-se- pela preveno. Para fixao da competncia no mbito internacional o direito positivo brasileiro (Cdigo Penal, art. 6) adotou a teoria da ubiqidade, vale dizer, considera como lugar do crime tanto o local da conduta como do resultado. Todavia, no que concerne competncia interna, estabeleceu como competente, regra geral, o foro do local em que ocorreu o resultado, isto , adotou a teoria do resultado, consoante ressai do caput do artigo 70, ora em exame: sem dvida no local do cometimento do crime que mais facilmente se pode recolher provas do delito, uma vez realizadas as percias e exames e ouvidas as testemunhas do fato e a vtima. Modernamente, contudo, a jurisprudncia tem entendido em afastar a disposio literal do caput do artigo 70. Fala o texto do artigo 71 do Cdigo de Processo Penal, que: Tratando-se de infrao continuada ou permanente, praticada em territrio de duas ou mais jurisdies, a competncia firmar-se- pela preveno. Crime continuado trata-se de quando o agente pratica dois ou mais crimes de uma mesma espcie, mediante mais de uma ao ou omisso, pelas condies de tempo, de lugar, pela maneira que se fez a execuo ou outras, devem os posteriores ser tidos como continuao dos anteriores. So exemplos clssicos deste tipo de delito, o crime de seqestro ou crcere privado, que perdura no tempo, enquanto no recuperar a vtima, a sua liberdade de ir e vir, e o crime de quadrilha (art. 288 CP).

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rea Policial Prof. MaurilucioCOMPETNCIA PELA NATUREZA DA INFRAO Tanto a Constituio Federal como as Leis infraconstitucionais que delimitam a competncia pertinente aos rgos jurisdicionais especializados, ou seja: da Justia do Trabalho (art. 114 CF que no tem competncia criminal); da Justia Eleitoral (art. 121 CF c/c Cdigo Eleitoral Lei 4.737/65, que neste tpico logrou status de Lei Complementar, s podendo vir a ser alterada por essa modalidade); da Justia Militar (art. 124 CF c/c art. 9 CPM Justia Federal; art. 125 4 c/c art. 9 CPM Justia Estadual). Estabelece ainda a competncia da Justia Federal (arts. 108 e 109 CF) que Justia Comum. A Justia Comum Estadual estabelecida por excluso. Uma vez tendo sido estabelecida a justia competente a apreciar o delito, deve-se fixar o Forum competente (com previso a partir do art. 69 CPP). Tendo sido estabelecidos a Justia e o Forum competentes para as comarcas que tenham mais de um juiz, com competncias especficas, resta saber qual deles o competente a apreciar uma determinada causa. Isso est estabelecido pela respectiva lei de organizao judiciria. Trata ainda o Cdigo de Processo Penal, no Ttulo V, Da Competncia, alm das competncias j apresentadas at aqui, da competncia pelo domiclio ou residncia do ru (arts. 72 e 73 CPP), competncia por distribuio (art. 75 CPP), da competncia pela prerrogativa de funo (arts. 84 a 87 CPP), e pelas disposies especiais (arts. 88 a 91 CPP), todas originalmente elencadas no artigo 69 do referido Cdigo. No que tange s modalidades peculiares de competncia penal, pode-se citar a competncia do Tribunal do Jri e a competncia dos Juizados Especiais Criminais. COMPETNCIA DO TRIBUNAL DO JRI O jri tem seu bero na Constituio Federal, elencado no artigo 5 XXXVIII, nos direitos e garantias fundamentais do cidado. Compete ao Tribunal do Jri, conforme o que estabelecido no artigo 74 1 Cdigo de Processo Penal, o julgamento dos crimes, consumados ou tentados, previstos nos artigos 121 1 e 2 (homicdio doloso simples, privilegiado ou qualificado); 122 nico (induzimento, instigao ou auxlio ao suicdio); 123 (infanticdio); 124; 125; 126; e 127 (sobre aborto), todos do Cdigo Penal. O Tribunal do Jri funciona sempre junto Justia Comum, seja ela Federal ou Estadual, mas nunca funcionar perante as Justias Especiais. Se um homicdio for de competncia militar, ou eleitoral, a competncia para processar e julgar ser do colegiado prprio da Auditoria Militar ou do Juiz Eleitoral, com competncia ratione loci. O preceito constitucional que cuida de conferir competncia ao jri para o julgamento de crimes dolosos contra a vida (art. 5 XXXVIII "d" CF), pode muito bem ser compatibilizado com o artigo 109 tambm da Constituio Federal, que confere competncia aos juzes Federais para processar e julgar os crimes praticados em detrimento de bens, servios ou interesse da Unio ou de suas entidades autrquicas ou empresas pblicas (inc. IV, que trata da competncia genrica da Justia Federal), ou de outros incisos desse artigo, que tratam da competncia especfica dessa justia.

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COMPETNCIA DOS JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS Esto disciplinados, os Juizados Especiais Criminais, pela Lei 9.099/95, que tem como base jurdica o artigo 98 I da Constituio Federal, onde se especifica a competncia desses Juizados. Trata-se de Tribunais criados com a finalidade de dar soluo a infraes penais de menor poder ofensivo, assim consideradas todas aquelas contravenes e crimes cuja pena mxima no ultrapasse a um ano. No podem, contudo, ser objeto de processo em Juizado Especial, os crimes falimentares, os crimes de responsabilidade de funcionrio pblico, os crimes contra a honra e contra a propriedade imaterial (os submetidos a ritos especiais no Cdigo de Processo Penal), alm daqueles crimes com procedimentos especiais prprios previstos (crime de imprensa, abuso de autoridade, etc). Os crimes de menor poder ofensivo tambm no sero apreciados pelo Juizado Especial nos casos em que forem praticados em concurso com crimes que esto excludos de tal competncia. Em se tratando de continncia ou conexo, nos crimes comuns, a competncia determinada pelo juzo competente para processar e julgar os crimes mais graves (art. 78 II CPP). Enquanto prev o estatuto processual que a competncia , em regra, determinada pelo lugar em que se consumou a infrao, ou no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o ltimo ato de execuo, a lei especial dispe que a competncia do Juizado determinada pelo lugar em que foi praticada a infrao. Por disposio da Lei Federal, lugar do crime aquele em que efetivamente ocorreu a ao ou omisso, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou onde deveria produzir-se o resultado. Preferiu o legislador adotar o chamado princpio da ubiqidade, afastando o princpio do resultado adotado pelo Cdigo de Processo Penal para definir a competncia ratione loci. Dessa forma, havendo mais de um juizado na comarca, a competncia tanto daquele em que foi praticada a conduta, quanto daquele em que ocorreu o resultado. Resolve-se eventual conflito pela preveno, conforme dispe o Codex (arts. 78 II "c" e 83). COMPETNCIA RECURSAL DO TRIBUNAIS A competncia recursal , em verdade, uma subespcie, derivao de uma classificao mais ampla, ou seja, da competncia funcional, que vem a ser, por sua vez, a distribuio feita por lei dentre os vrios juzes de uma mesma instncia ou ainda, de instncias diversas, para que, em um mesmo processo ou em um segmento ou fase de seu desenvolvimento, possam praticar determinados atos. Divide-se a competncia funcional em: a) horizontal: objetiva-se os atos que dois ou mais rgos judiciais da mesma instncia podem praticar num mesmo processo, que podem ainda ser: - por fases do processo (quando dois ou mais rgos jurisdicionais de uma mesma instncia praticam determinados atos num determinado feito); - por objeto do juzo (no jri, o poder de julgar distribudo a rgos diversos, de acordo com sua funo os jurados tem funo diversa da do magistrado). b) vertical: objetiva-se os atos praticados por rgos jurisdicionais de instncias diversas, em um mesmo processo, em funo do princpio do duplo grau de jurisdio. - em razo de recursos (a competncia recursal existe exatamente em razo do princpio do duplo grau de jurisdio).

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Atualizada 24/10/2006

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rea Policial Prof. MaurilucioCOMPETNCIA DA JUSTIA ELEITORAL Quanto competncia da Justia Eleitoral, a Constituio Federal prev apenas alguns de seus aspectos e ainda assim, no que diz respeito competncia recursal. Em sntese, de forma simplssima, diz-se que Justia Eleitoral compete processar e julgar os crimes de cunho eleitoral, bem como aqueles crimes comuns que porventura lhes sejam conexos. A competncia dos rgos integrantes da Justia Eleitoral dever vir disposta e regulada em Lei complementar (conforme o que disposto no art. 121 caput CF), continuando a viger o Cdigo Eleitoral, devidamente reconhecido pela ordem constitucional, nos pontos aqueles em no seja contrrio, de forma expressa ou implicitamente Constituio. A base legal que norteia os procedimentos relativos competncia da Justia Eleitoral encontra-se nos arts. 121 3 e 4 I, II e V; 22 I, "b", "d", "e"; 29 I, "b", "d", "e"; 35 II e III, todos da Constituio Federal. COMPETNCIA DA JUSTIA MILITAR de competncia da Justia Militar, processar e julgar os crimes militares aqueles elencados no artigo 9 do Cdigo Penal Militar (com redao dada pela Lei 9.299/96). Pode o crime militar ser prprio (de conduta delituosa tipificada como tal no Cdigo Penal Militar) ou imprprio (de conduta tipificada tanto na Lei Penal Militar quanto na Lei Penal comum), sendo o fator diferenciador, quase sempre, a qualidade de militar ou no tanto do agente como da vtima. A Justia Militar Estadual, como a Justia Militar Federal, tem competncia por fora d e disposio constitucional sobre os crimes definidos em lei. No pode, no entanto, a Justia Militar Estadual, vir a julgar um civil que eventualmente tenha praticado um crime em co-autoria com um policial militar, ou mesmo um civil que tenha praticado crime contra policial militar em servio ou contra bens da Polcia Militar (art. 9 III COM). COMPETNCIA DA JUSTIA COMUM FEDERAL DE 1 GRAU A competncia criminal da Justia Comum Federal de 1 Grau vem elencada no artigo 109, primeira parte, IV, V, VI, IX e X da Constituio Federal. De acordo com a Smula 38 do STJ: Compete Justia Estadual Comum, na vigncia da Constituio de 1988, o processo por contraveno penal, ainda que praticada em detrimento de bens, servios ou interesse da Unio ou de suas entidades. A competncia dos juzes federais de primeiro grau, em regra, d-se em razo da pessoa, isto , trata-se de que a ao penal somente tramitar na Justia Federal quando vier a violar o interesse de determinadas pessoas jurdicas (Unio, suas autarquias ou empresas pblicas). Se estabelece assim, a competncia dos juzes federais, quando da existncia de fatos delituosos que vierem a envolver, tanto como agentes quanto como vtimas, os servidores federais enquanto no exerccio de suas funes.

Direito Processual Penal

CONFLITO DE JURISDIO Das questes referentes competncia que se resolve em um nico processo diz-se que houve verificao da competncia. Quando se resolve em dois ou mais processos, ocorre a regulamentao da competncia. A verificao da competncia pode ser feita atravs de: 1- Exceo de incompetncia. 2- Reconhecimento de ofcio. A Exceo de Incompetncia um meio de defesa indireta que ataca os vcios do processo. A defesa deve oferecer excees de incompetncia no trduo da defesa prvia (art. 108 do CPP), Se no forem oferecidas no trduo da Defesa Prvia, ocorrer a PRECLUSO, isto no caso de incompetncia relativa. J, no caso de incompetncia absol