Dirio da Repblica, 1. srie — N. 212 — 5 de Novembro de 2007 MINISTRIO DA ADMINISTRAO INTERNA Decreto-Lei n. 368/2007

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  • 8008 Dirio da Repblica, 1. srie N. 212 5 de Novembro de 2007

    MINISTRIO DA ADMINISTRAO INTERNA

    Decreto-Lei n. 368/2007de 5 de Novembro

    O presente decreto -lei resulta da necessidade de dar cumprimento ao disposto nos n.os 4 e 5 do artigo 109., no n. 2 do artigo 111. e no n. 2 do artigo 216. da Lei n. 23/2007, de 4 de Julho, que aprova o regime jurdico de entrada, permanncia, sada e afastamento de cidados estrangeiros de territrio nacional.

    Pretende -se, desta forma, proteger as vtimas do crime de trfico de pessoas e cria -se, para esse efeito, um regime especial de concesso de autorizao de residncia. Este regime especial dispensa a verificao, no caso concreto, da necessidade da sua permanncia em territrio nacional no interesse das investigaes e dos procedimentos judiciais e prescinde da vontade clara de colaborao com as auto-ridades na investigao e represso do trfico de pessoas ou do auxlio imigrao ilegal.

    Para alm disso, define -se vtima de trfico como sendo a pessoa em relao qual hajam sido adquiridos indcios da prtica desse crime, por autoridade judiciria ou rgo de polcia criminal, ou quando o coordenador do Plano Nacional contra o Trfico de Seres Humanos entender que existem motivos suficientemente ponderosos para crer que essa pes-soa vtima de trfico e determina -se que a necessidade de proteco se mantm enquanto houver risco de a vtima, os seus familiares ou pessoas que com ela mantenham relaes prximas serem objecto de ameaas ou ofensas a bens pesso-ais ou patrimoniais, praticadas pelos agentes do trfico.

    Assim:Nos termos da alnea a) do n. 1 do artigo 198. da Cons-

    tituio, o Governo decreta o seguinte:

    Artigo nicoConcesso de autorizao de residncia a cidado estrangeiro

    identificado como vtima do crime de trfico de pessoas

    1 A autorizao de residncia a cidado estrangeiro identificado como vtima do crime de trfico de pessoas, nos termos do n. 4 do artigo 109. da Lei n. 23/2007, de 4 de Julho, com dispensa das condies estabelecidas nas alneas a) e b) do n. 2 do mesmo artigo, concedida, quando circunstncias pessoais da vtima o justifiquem, pelo Ministro da Administrao Interna, por sua iniciativa ou proposta do rgo de polcia criminal competente ou do coordenador do Plano Nacional contra o Trfico de Seres Humanos, aplicando -se o disposto nos artigos 54. e seguintes do Cdigo do Procedimento Administrativo.

    2 As circunstncias pessoais a que se refere o nmero anterior so ponderadas caso a caso e podem, designada-mente, relacionar -se:

    a) Com a segurana da vtima, seus familiares ou pes-soas que com ela mantenham relaes prximas;

    b) Com a sade das pessoas referidas na alnea anterior;c) Com a sua situao familiar;d) Com outras situaes de vulnerabilidade.

    3 Para efeitos do disposto no n. 2 do artigo 111. da Lei n. 23/2007, de 4 de Julho, considera -se identificada como vtima de trfico toda a pessoa em relao qual hajam sido adquiridos indcios da prtica desse crime, por autoridade judiciria ou rgo de polcia criminal ou quando o coordenador do Plano Nacional contra o Trfico de Seres Humanos entender que existem motivos suficientemente ponderosos para crer que essa pessoa vtima de trfico.

    4 Para efeitos do disposto no n. 5 do artigo 109. da Lei n. 23/2007, de 4 de Julho, considera -se que a ne-cessidade de proteco se mantm enquanto houver risco de a vtima, os seus familiares ou pessoas que com ela mantenham relaes prximas serem objecto de ameaas ou ofensas a bens pessoais ou patrimoniais, praticadas pelos agentes do trfico.

    Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 30 de Agosto de 2007. Jos Scrates Carvalho Pinto de Sousa Lus Filipe Marques Amado Rui Carlos Pe-reira Manuel Pedro Cunha da Silva Pereira Jos Manuel Vieira Conde Rodrigues.

    Promulgado em 18 de Outubro de 2007.

    Publique -se.

    O Presidente da Repblica, ANBAL CAVACO SILVA.

    Referendado em 25 de Outubro de 2007.

    O Primeiro -Ministro, Jos Scrates Carvalho Pinto de Sousa.

    Decreto Regulamentar n. 84/2007de 5 de Novembro

    A Lei n. 23/2007, de 4 de Julho, veio definir o novo regime jurdico de entrada, permanncia, sada e afasta-mento de estrangeiros do territrio nacional. A lei assenta

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    numa opo realista e equilibrada: favorecer a imigrao legal, desincentivar e contrariar a imigrao ilegal, com-bater a burocracia, tirar partido das novas tecnologias para simplificar e acelerar procedimentos, inovar nas solues.

    Cuidadosamente debatidas ao longo de muitos meses com as organizaes sociais e demais cidados interes-sados antes da sua submisso ao Parlamento, as opes constantes da Lei n. 23/2007, de 4 de Julho, resultaram de meticulosa preparao no interior do Governo (com articulao devida de um vasto conjunto de ministrios), a que se seguiu um extenso processo de discusso parla-mentar, aberto a contribuies de mltiplos quadrantes, o que ampliou a base de apoio poltica reforma aprovada e permitiu diversos aperfeioamentos.

    Empenhou -se o Governo em regulamentar com celeri-dade o novo regime legal, para o que foram adoptadas as medidas de coordenao apropriadas.

    Tratando -se de uma lei com elevada densidade norma-tiva, com mltiplas disposies directa e imediatamente aplicveis, o presente decreto regulamentar circunscreve -se ao necessrio boa execuo dos preceitos que carecem de normas complementares, designadamente em matria de concesso de vistos no estrangeiro e nos postos de fronteira para entrada de cidados estrangeiros no territrio nacio-nal, prorrogao da permanncia, concesso e renovao de autorizaes de residncia, direito ao reagrupamento familiar, regime do ttulo de residncia, estatuto do resi-dente de longa durao, sada, afastamento e expulso ou luta contra a imigrao ilegal.

    No estrito cumprimento das novas condies que per-mitiro uma melhor regulao dos fluxos migratrios, optou -se por um modelo de organizao e de procedimen-tos que sirva os imigrantes, as empresas, a economia e o desenvolvimento social e que corresponda plenamente a uma administrao moderna e eficiente.

    Por isso, reduziram -se ao mnimo indispensvel os requi-sitos de prova documental e outros que devem ser apresen-tados e criaram -se canais cleres que facilitam os fluxos de informao interservios. Deixam assim de ser necessrias inmeras deslocaes a diferentes servios dependentes de outros tantos ministrios, circulando a informao entre estes, sem mais encargos e transtornos para os interessados.

    Particularmente relevantes so as alteraes relativas ao mercado de oportunidades de emprego e os mecanis-mos eficientes que o mesmo comporta, os procedimentos que facilitam o acesso e a circulao de pessoal tcnico, investigadores, professores, cientistas e estudantes, bem como aqueles que respeitam ao reagrupamento familiar, proteco das vtimas de trfico e s garantias de audio e defesa dos imigrantes.

    Assim:No domnio da admisso e residncia de estrangeiros em

    territrio nacional so adoptadas as solues regulamenta-res necessrias a fazer cessar a desigualdade de estatutos jurdicos inerente anterior existncia de nove ttulos diversos consagrados no Decreto -Lei n. 244/98, de 8 de Agosto, que enquadrou a permanncia legal de imigrantes em Portugal e foi revogado pela Lei n. 23/2007, de 4 de Julho. So delineadas pormenorizadamente as condies de emisso de um nico tipo de visto, que permite ao seu titular entrar em Portugal para fixao de residncia, con-cedido de acordo com objectivos especficos previstos na lei para este tipo de vistos.

    Regulamenta -se o regime jurdico para a imigrao mera-mente temporria, atravs do visto de estada temporria

    para o exerccio de actividade sazonal e um regime de concesso de vistos para imigrantes empreendedores.

    Como forma de tornar Portugal mais atractivo para mo -de -obra altamente qualificada, , designadamente, simplificado o regime de concesso de autorizao de residncia a investigadores, docentes do ensino superior e outros cidados estrangeiros altamente qualificados que pretendam desenvolver a sua actividade em centros de inves tigao, estabelecimentos de ensino superior ou outras entidades que acolham actividades altamente qualificadas, pblicas ou privadas, nomeadamente empresas.

    Regulamenta -se, igualmente, o novo regime de concesso de autorizao de residncia a estrangeiros que queiram inves-tir ou desenvolver uma actividade empresarial no Pas, con-tribuindo, assim, para a atraco de investimento criador de emprego e riqueza, num quadro jurdico flexvel que permite valorizar tanto investimentos relevantes pelo montante como outros realizados no mbito da chamada economia social.

    O processo de concesso do visto de residncia para o exerccio de trabalho subordinado devidamente enqua-drado pela fixao anual, e mediante parecer da Comisso Permanente de Concertao Social, de um contingente global de oportunidades de emprego no preenchidas por cidados nacionais, cidados comunitrios ou estrangei-ros residentes em Portugal, visando ajustar as ofertas de empre go no preenchidas com o potencial de mo -de -obra estrangeira com a qualificao profissional adequada, tendo em considerao a importncia de uma estreita cooperao com os pases de origem de fluxos migratrios para a sua gesto. O regime proposto aplicvel sem prejuzo de regimes especiais ao abrigo de convenes internacionais.

    No que concerne ao reagrupamento familiar, alm de se proceder transposio da Directiva n. 2003/86/CE, do Conselho, de 22 de Setembro, em consequncia da uni-ficao dos estatutos jurdicos dos estrangeiros a resi dir legalmente em Portugal, precisam -se os termos em que alargado o mbito de aplicao pessoal do direito ao rea-grupamento familiar a estrangeiros que dele esto excludos luz do regime anterior, em especial, os titulares de vistos de trabalho e os titulares de autorizaes de permanncia, atravs da concesso imed