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Disponibilidade do bem jurídico previdenciário: desaposentação Autora: Marize Cecília Winkler Juíza Federal Substituta publicado em 28.08.2009 Sumário: Introdução. 1 (In)disponibilidade do bem jurídico previdenciário. 1.1 Renúncia e transação de direitos. 2 Desaposentação. 2.1 Conceito de desaposentação. 2.2 Posicionamentos doutrinários. 2.3 Requisitos para a realização da desaposentação. 2.4 Consequências jurídicas da desaposentação. 2.5 Necessidade de devolução dos valores auferidos. 2.6 Forma de atualização dos valores a serem devolvidos. 2.7 Entendimento jurisprudencial. 2.7.1 Possibilidade de desaposentação, com devolução dos valores auferidos. 2.7.2 Decisão publicada recentemente em sentido contrário à desaposentação. 2.7.3 Pela desnecessidade de devolução dos valores auferidos, em se tratando de novo pedido de aposentadoria em regime próprio. Conclusão. Bibliografia. Resumo: A previdência social, terceiro vértice do sistema da seguridade social, ao contrário da saúde e da assistência social, é sistema eminentemente contributivo, verdadeiro seguro social obrigatório. Trata- se de sistema de filiação obrigatória, baseado na repartição, espécie de pacto intergeracional. O direito previdenciário, como ramo do direito público, de base constitucional, deve ser estudado de acordo com os princípios que regem a administração pública. No que tange à indisponibilidade do interesse público, segundo a melhor doutrina, todo o sistema de direito administrativo se constrói sobre os princípios da supremacia do interesse público sobre o particular e da indisponibilidade do interesse público pela administração. Contudo, não se pode considerar interesses públicos e privados como antagônicos, porquanto, na ampla maioria dos casos, ao se respeitarem direitos subjetivos pessoais, atende- se ao interesse público. No presente trabalho visa-se estudar a disponibilidade do bem jurídico previdenciário, especificamente no que diz respeito à chamada “desaposentação”. Indisponibilidade pode ser entendida como uma limitação à autonomia individual pela qual se impede que um sujeito de direitos, mesmo com legitimação e capacidade, possa efetuar total ou parcialmente atos de disposição sobre um determinado direito. A renúncia e a transação são as duas formas de disponibilidade de direitos. Dentre as várias formas de atos de disposição de direito, elegeu- se a desaposentação, que corresponde à renúncia à aposentadoria para aproveitamento do tempo de contribuição para obtenção de nova aposentadoria, para fins de estudo aprofundado. Os defensores do ato de desaposentação apoiam-se no caráter personalíssimo e renunciável do direito à aposentadoria. Já os opositores defendem o caráter indisponível e irreversível da aposentadoria, conforme disposto no artigo 181-B do Decreto nº 3.048/99, e também invocam o princípio da legalidade, de observância obrigatória para a administração pública, nos termos do artigo 37, caput, da CF/88. Atualmente, a jurisprudência é amplamente favorável ao instituto da desaposentação, como forma de retorno ao status quo anterior à aposentadoria, desde que haja o integral ressarcimento à autarquia previdenciária. Introdução A previdência social surge em razão da necessidade milenar da humanidade em precaver-se das eventualidades do futuro. Conforme bem salienta Daniel Machado da Rocha,(1) ao escolher um local para se abrigar ou guardar o alimento para o dia seguinte, os primeiros homens já Revista de Doutrina da 4ª Região, n. 31, ago. 2009

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  • Disponibilidade do bem jurdico previdencirio: desaposentao

    Autora: Marize Ceclia Winkler

    Juza Federal Substituta

    publicado em 28.08.2009

    Sumrio: Introduo. 1 (In)disponibilidade do bem jurdico previdencirio. 1.1 Renncia e transao de direitos. 2 Desaposentao. 2.1 Conceito de desaposentao. 2.2 Posicionamentos doutrinrios. 2.3 Requisitos para a realizao da desaposentao. 2.4 Consequncias jurdicas da desaposentao. 2.5 Necessidade de devoluo dos valores auferidos. 2.6 Forma de atualizao dos valores a serem devolvidos. 2.7 Entendimento jurisprudencial. 2.7.1 Possibilidade de desaposentao, com devoluo dos valores auferidos. 2.7.2 Deciso publicada recentemente em sentido contrrio desaposentao. 2.7.3 Pela desnecessidade de devoluo dos valores auferidos, em se tratando de novo pedido de aposentadoria em regime prprio. Concluso. Bibliografia.

    Resumo: A previdncia social, terceiro vrtice do sistema da seguridade social, ao contrrio da sade e da assistncia social, sistema eminentemente contributivo, verdadeiro seguro social obrigatrio. Trata-se de sistema de filiao obrigatria, baseado na repartio, espcie de pacto intergeracional. O direito previdencirio, como ramo do direito pblico, de base constitucional, deve ser estudado de acordo com os princpios que regem a administrao pblica. No que tange indisponibilidade do interesse pblico, segundo a melhor doutrina, todo o sistema de direito administrativo se constri sobre os princpios da supremacia do interesse pblico sobre o particular e da indisponibilidade do interesse pblico pela administrao. Contudo, no se pode considerar interesses pblicos e privados como antagnicos, porquanto, na ampla maioria dos casos, ao se respeitarem direitos subjetivos pessoais, atende-se ao interesse pblico. No presente trabalho visa-se estudar a disponibilidade do bem jurdico previdencirio, especificamente no que diz respeito chamada desaposentao. Indisponibilidade pode ser entendida como uma limitao autonomia individual pela qual se impede que um sujeito de direitos, mesmo com legitimao e capacidade, possa efetuar total ou parcialmente atos de disposio sobre um determinado direito. A renncia e a transao so as duas formas de disponibilidade de direitos. Dentre as vrias formas de atos de disposio de direito, elegeu-se a desaposentao, que corresponde renncia aposentadoria para aproveitamento do tempo de contribuio para obteno de nova aposentadoria, para fins de estudo aprofundado. Os defensores do ato de desaposentao apoiam-se no carter personalssimo e renuncivel do direito aposentadoria. J os opositores defendem o carter indisponvel e irreversvel da aposentadoria, conforme disposto no artigo 181-B do Decreto n 3.048/99, e tambm invocam o princpio da legalidade, de observncia obrigatria para a administrao pblica, nos termos do artigo 37, caput, da CF/88. Atualmente, a jurisprudncia amplamente favorvel ao instituto da desaposentao, como forma de retorno ao status quo anterior aposentadoria, desde que haja o integral ressarcimento autarquia previdenciria.

    Introduo

    A previdncia social surge em razo da necessidade milenar da humanidade em precaver-se das eventualidades do futuro. Conforme bem salienta Daniel Machado da Rocha,(1) ao escolher um local para se abrigar ou guardar o alimento para o dia seguinte, os primeiros homens j

    Revista de Doutrina da 4 Regio, n. 31, ago. 2009

  • estavam se prevenindo das situaes de dificuldade pela falta de recursos ou impossibilidade de trabalho. Era, porm, um sistema rudimentar, de autopreservao, baseado na poupana.

    A previdncia social delineada pela Constituio de 1988 faz parte do sistema de Seguridade Social, sendo que esta compreende um conjunto de aes integrado de aes de iniciativa dos poderes pblicos e da sociedade, destinados a assegurar os direitos relativos sade, previdncia e a assistncia social (art. 194).

    A sade direito de todos e dever do Estado, garantido mediante polticas sociais e econmicas que visem reduo do risco de doena e de outros agravos e ao acesso universal e igualitrio s aes e aos servios para sua promoo, proteo e recuperao (ar. 196). Constitui em servio nico, porm descentralizado, com participao das trs entidades federadas Unio, Estados e Municpios.

    A assistncia social est prevista nos art. 203 e 204 da Constituio, sendo prestada a quem dela necessitar, independentemente de qualquer contribuio. Visa proteger o hipossuficiente e retir-lo de condies de miserabilidade, que ferem a dignidade humana.

    A previdncia social, terceiro vrtice do sistema da seguridade social, ao contrrio da sade e da assistncia social, sistema eminentemente contributivo, verdadeiro seguro social obrigatrio (art. 201 da CF/88). A previdncia social visa amparar seus filiados em caso de risco social, ou seja, quando do surgimento de eventos que provoquem alteraes nas condies normais de vida, como doena, morte de familiar, velhice, gravidez, priso, etc.

    O direito previdencirio, como ramo do direito pblico, de base constitucional, deve ser estudado de acordo com os princpios que regem a administrao pblica, no que concerne concesso de benefcios pela Autarquia, dentre eles os da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficincia.

    A indisponibilidade em matria previdenciria, contudo, deve ser vista sob dois enfoques distintos: tanto do ponto de vista do Estado, representado pelo sistema previdencirio pblico, como do segurado, usurio de tal sistema. Afirma-se correntemente, tanto na doutrina como na jurisprudncia, que o direito a um determinado benefcio previdencirio indisponvel por parte do segurado. Assim, em sendo considerado verba alimentar, em tese, no seria possvel a renncia, ou mesmo a transao com verbas de tal natureza. Conforme ser verificado no correr do estudo, a questo da indisponibilidade do bem jurdico previdencirio mitigada, por razes de interesse do prprio segurado. Por outro lado, tambm sob a fundamentao de que o bem previdencirio indisponvel, tem-se que a administrao pblica possui o poder-dever de atuar de acordo com a legalidade, tanto na concesso como na reviso dos benefcios previdencirios.

    1 (In)disponibilidade do bem jurdico previdencirio

    Indisponibilidade pode ser entendida como uma limitao autonomia individual pela qual se impede que um sujeito de direitos, mesmo com legitimao e capacidade, possa efetuar total ou parcialmente atos de disposio sobre um determinado direito. So considerados indisponveis todos os direitos personalssimos, como o direito ao nome e honra. Cite-se o disposto no artigo 11 do Cdigo Civil de 2002: Com exceo dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade so intransmissveis e irrenunciveis, no podendo o seu exerccio sofrer limitao voluntria.

    Tambm os direitos oriundos da relao de trabalho e da previdncia social so considerados, em regra, indisponveis, em face de sua natureza alimentar.

    A indisponibilidade funda-se tanto no interesse do titular do direito como no interesse geral. Assim, ao se considerar um determinado direito como

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  • indisponvel, privilegia-se o interesse pblico na proteo daquele direito, bem como o direito do segurado, o qual, na maioria dos casos, hipossuficiente.

    1.1 Renncia e transao de direitos

    Tanto a renncia como a transao so institutos de natureza eminentemente civil, de direito privado. Segundo parcela da doutrina, apenas direitos de natureza civil so passveis de renncia, ante o carter pessoal e sobretudo disponvel destes, em contraponto aos direitos pblicos e aos de ordem pblica.

    Nas palavras de Orlando Gomes,(2) a renncia o fato pelo qual o titular do direito declara a vontade de se desfazer dele, ou de no aceit-lo. Ou seja, a renncia negcio jurdico unilateral que determina o abandono irrevogvel de um direito dentro dos limites estabelecidos pelo ordenamento jurdico. ato voluntrio e unilateral, que, em regra, no precisa do concurso de outra vontade para produzir o resultado buscado.

    J transao, segundo Slvio Rodrigues,(3) o negcio jurdico bilateral pelo qual as partes previnem ou extinguem relaes jurdicas duvidosas ou litigiosas, por meio de concesses recprocas ou ainda em troca de determinadas vantagens pecunirias. Segundo Orlando Gomes, o contrato pelo qual, mediante concesses mtuas, os interessados previnem ou terminam um litgio, eliminando a incerteza de uma relao jurdica.

    Requisito essencial da transao so as concesses mtuas de carter patrimonial com o objetivo de eliminar a incerteza do direito. Ocorre que, em alguns casos em que existe desigualdade das partes, questionvel a transao demasiadamente desproporcional. Por tal motivo, considera-se sempre imprescindvel a presena de advogado nos casos em que haja transao de direitos, com vistas a proteger o direito do segurado, parte hipossuficiente na relao processual.

    Saliente-se que, quando a transao recair sobre direitos discutidos em juzo, a homologao do juiz ato essencial validade do negcio.

    H inmeros casos em que pode haver a transao ou mesmo a renncia em relao s verbas de natureza previdenciria. No se pode deixar de mencionar que existe a possibilidade de transao com as verbas de carter previdencirio, conforme estabelece a Lei 10.259/2001 (Juizados Especiais Federais) em seu artigo 10, pargrafo nico. A questo, contudo, ultrapassa o mbito de estudo do presente trabalho, porquanto se refere transao das verbas devidas e no pagas pela Autarquia previdenciria no tempo oportuno fase administrativa e reconhecidas pelos representantes judiciais do INSS em sede judicial. As questes referentes transao no mbito dos juizados especiais federais, por se tratar de matria afeita ao poder judicirio, refoge ao objetivo do presente trabalho, o qual pretende analisar a questo da indisponibilidade do bem jurdico previdencirio ainda na fase administrativa. Saliente-se que inexiste qualquer dispositivo legal que permita ao segurado realizar qualquer ato de disposio de direito, ou transao em relao a verbas em atraso, na esfera administrativa.

    Tambm digno de nota o disposto na Lei 10.820, de 2003, com alteraes dadas pela Lei 10.953, de 2004, que autoriza o programa de emprstimos a aposentados e pensionistas do INSS com consignao na folha de pagamento. Trata-se, tambm, de disposio de verba decorrente do benefcio previdencirio, e no de disposio do prprio benefcio, razo pela qual se optou por no realizar aprofundamento da questo no presente trabalho, nada impedindo estudo posterior.

    Assim, por ser o ato extremo de disposio de direito previdencirio, elegeu-se para fins de estudo e aprofundamento o exemplo clssico de renncia de direito de natureza previdenciria, a desaposentao. 2 Desaposentao

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  • A desaposentao, em linhas gerais, corresponde renncia aposentadoria para aproveitamento do tempo de contribuio para obteno de nova aposentadoria. uma reverso da aposentadoria anteriormente concedida. Ocorre que, para analisar-se a natureza jurdica do instituto da desaposentao, necessria se faz uma anlise das diversas formas de aposentadoria, com vistas a reconhecer a possibilidade ou no de o segurado dispor do benefcio que vem recebendo.

    Marcelo Leonardo Tavares(4) conceitua a aposentadoria como um direito social do trabalhador inativo.

    Rosenval Rodrigues da Cunha Filho(5) afirma que a aposentadoria benefcio previdencirio de carter personalssimo, configurado pela conquista da inatividade remunerada por meio do recebimento de uma determinada importncia mensal continuada e indefinidamente, decorrente do cumprimento de requisitos e implemento de condies estabelecidas em lei sua concesso.

    Lorena de Mello Rezende Coinago,(6) por sua vez, afirma que a aposentadoria um direito social do trabalhador, de cunho patrimonial, personalssimo e individual, que funciona como uma espcie de seguro social, na medida em que todos contribuem obrigatria ou facultativamente para que cada segurado possa receber, na inatividade, o benefcio previdencirio.

    Nem toda espcie de aposentadoria permite que haja a desaposentao, visto que alguns desses benefcios no so permanentes, enquanto outros no permitem que haja o retorno atividade laborativa. As modalidades de aposentadorias previstas em lei so por invalidez, por tempo de contribuio, por idade e especial e sero analisadas, em breves comentrios, a seguir.

    Consoante artigo 42 da Lei de Benefcios, a aposentadoria por invalidez concedida quando o segurado no mais possui capacidade para o trabalho, mas tambm resta insusceptvel de qualquer recuperao.

    Considerando que a incapacidade laborativa constitui condio essencial da aposentadoria por invalidez, uma vez recuperada tal capacidade pelo segurado, haver a cassao do benefcio. Assim, a toda evidncia, no se trata de aposentadoria definitiva, tanto que o contrato de trabalho no rescindido pela aposentadoria por invalidez.(7)

    J a aposentadoria por tempo de contribuio, assim denominada pela Emenda Constitucional 20/98, a qual substituiu a aposentadoria por tempo de servio, concedida ao segurado que preencher os requisitos de idade e tempo de contribuio, de acordo com as regras estabelecidas pela mencionada emenda. Os casos mais frequentes de pedido de desaposentao ocorrem em tal espcie de aposentadoria.

    A aposentadoria por idade concedida ao segurado que completa idade determinada em lei 65 (sessenta e cinco) anos para o homem e 60 (sessenta) anos para a mulher , reduzida de 5 (cinco) anos no caso de se tratar de trabalhador rural, e tenha cumprido o perodo mnimo de carncia de 180 contribuies mensais, respeitando-se, quanto a tal requisito, a regra de transio prevista no art. 143 da Lei 8213/91.

    Tambm a aposentadoria especial constitui-se em modalidade de aposentadoria por tempo de contribuio, contudo, aplica-se um fator de converso em razo do exerccio de trabalho em condies de insalubridade, em que houve exposio do trabalhador a condies prejudiciais sade e integridade fsica. No caso de aposentadoria especial, a lei expressamente probe o retorno atividade do trabalhador aposentado (art. 57, 8, da Lei 8213/91). Melhor explicando, o aposentado por idade ou por tempo de contribuio pode retornar a atividade laborativa e continuar percebendo seu benefcio previdencirio,

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  • desde que contribua para com o sistema previdencirio, pois se trata de segurado obrigatrio do RGPS. Contudo, o beneficirio de aposentadoria especial, exatamente em funo da diminuio no tempo de servio para obteno do benefcio no pode retornar ao trabalho. Contudo, conforme ser visto a seguir, o fato de ser beneficirio de aposentadoria especial no impede o segurado de postular a desaposentao, a qual significa o desfazimento do ato concessrio anterior.

    Dessa forma, conclui-se pela total inviabilidade de aplicao do instituto da desaposentao no caso de aposentadoria por invalidez, uma vez que esta pressupe absoluta impossibilidade de retorno a qualquer atividade laborativa. Assim, ao menos em tese, o instituto da desaposentao possvel em qualquer uma das demais modalidades de aposentadoria.

    Ressalve-se, entretanto, a posio de Rosenval Rodrigues,(8) para quem, no caso de aposentadoria por idade, o tempo de contribuio no fator determinante ou, pelo menos, o nico elemento neste contexto, tampouco o mais relevante, o que torna a desaposentao mais rara nessa espcie.

    2.1 Conceito de desaposentao

    Segundo Fbio Zambitte Ibrahim,(9) a desaposentao definida como a reverso da aposentadoria obtida no Regime Geral de Previdncia Social, ou mesmo em Regimes Prprios de Previdncia de Servidores Pblicos, com o objetivo exclusivo de possibilitar a aquisio de benefcios mais vantajoso no mesmo ou em outro regime previdencirio. Tal desiderato surge, frequentemente, com a continuidade laborativa da pessoa jubilada, a qual pretende, em razo das contribuies vertidas aps a aposentao, obter novo benefcio, em melhores condies, em razo do novo tempo contributivo.

    Wladimir Novaes Martinez(10) considera a desaposentao ato administrativo formal, vinculado, provocado pelo interessado no desfazimento da concesso do benefcio. Considera verdadeira renncia que corresponde reviso jurdica do deferimento da prestao anteriormente deferida ao segurado do RGPS.

    Continua, afirmando que a desaposentao no o inverso da aposentao, mas o restabelecimento do cenrio pretrito, retroagir ao estgio em que se encontrava quando do deferimento da prestao. Explica que, ontologicamente, apreciando seus elementos constituintes, no h diferena entre quem completa 35 anos de contribuio (e continua trabalhando e contribuindo) e no se aposenta e quem se aposenta e depois se desaposenta.

    Lorena de Mello Rezende Coinago(11) afirma que a desaposentao consiste na tentativa do beneficirio de desfazer o ato administrativo da aposentadoria, com fundamento exclusivo na sua manifestao volitiva, a fim de liberar o tempo de contribuio utilizado na concesso da aposentadoria para que o mesmo possa reutiliz-lo no requerimento de concesso de nova aposentadoria em um regime mais benfico.

    Conforme bem explica Marina Vasques Duarte,(12) no se pode confundir a reviso do benefcio, alegando a inconstitucionalidade do artigo 18, 2, da Lei 8213/91, com o instituto da desaposentao. Cedio que o aposentado que retorna ou continua no exerccio da atividade laborativa continua como segurado obrigatrio da previdncia social e deve continuar contribuindo para com o sistema, sem que tal tempo de contribuio seja somado para fins de reviso da aposentadoria que j vem recebendo.

    De fato, no h que ser acolhida a pretenso de reviso da aposentadoria, considerando as contribuies feitas ao sistema aps a concesso do benefcio, porquanto no sistema brasileiro vige o princpio da repartio, e no o da capitalizao individual.(13) A Seguridade Social, sistema do qual a previdncia social faz parte, juntamente com a sade e a assistncia social, financiada por toda a sociedade, em respeito ao princpio da solidariedade. Assim, no se trata de pagamento de contribuio a um sistema privado, em que haver o retorno exato das

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  • prestaes vertidas, pelo contrrio, uma vez que o segurado contribui para com todo um sistema, baseado num verdadeiro pacto de geraes.

    Dispe o art. 195, II, da Constituio que a Seguridade Social ser financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos oramentos da Unio, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municpios, alm das contribuies sociais dos empregadores, dos trabalhadores e sobre a receita dos concursos de prognsticos. Assim, juridicamente vlida a cobrana de contribuio social do aposentado que continua trabalhando vinculado Seguridade Social, independentemente da contagem de tal tempo de contribuio para fins de reviso da aposentadoria.

    Nesse sentido, pode-se mencionar recente entendimento jurisprudencial:

    Ementa: PREVIDENCIRIO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIO PROPORCIONAL. DESAPOSENTAO. PERCEPO DE NOVO BENEFCIO. IMPOSSIBILIDADE. O fato de inexistir contraprestao no tocante ao peclio posterior aposentao no importa em inobservncia das diretrizes constitucionais, uma vez que se deve dar primazia ao princpio da solidariedade, expresso no art. 195 da nossa Carta Maior, visto que constitui suporte do aparato previdencirio consubstanciado na adoo do regime de repartio , no havendo qualquer mcula de inconstitucionalidade nessa interpretao, uma vez que sedimentada em sistemtica prpria do pergaminho inaugural. (TRF Quarta Regio, Apelao Cvel 200171000088003/RS, D.E. 30.04.2007, Relatora Luciane Amaral Corra Mnch)

    Dessa forma, a desaposentao deve ser entendida como verdadeiro desfazimento do ato administrativo de concesso do benefcio previdencirio, e no como sua mera reviso.

    2.2 Posicionamentos doutrinrios

    Apresentado o conceito jurdico da desaposentao, necessria se faz uma abordagem acerca dos elementos favorveis e contrrios ao instituto em comento. Os defensores do ato de desaposentao apoiam-se no carter personalssimo e renuncivel do direito aposentadoria, quando o for por ato voluntrio do segurado e em seu benefcio, como no caso de obter nova aposentadoria mais vantajosa. Baseiam-se ainda em ausncia de proibitivo legal, calcando-se no princpio da legalidade, consubstanciado no artigo 5, inciso II, da Constituio Federal. Por outro lado, os opositores da desaposentao defendem o carter indisponvel e irreversvel da aposentadoria, conforme disposto no artigo 181-B do Decreto n 3.048/99, e tambm invocam o princpio da legalidade, de observncia obrigatria para a administrao pblica, nos termos do artigo 37, caput, da CF/88, mas sob o enfoque de ausncia de previsibilidade legal para o procedimento de desaposentao e suas implicaes no sistema de seguridade, alm de classificarem a aposentao como ato jurdico perfeito e assim intangvel, conforme preceito constitucional.(14)

    Wilson Teles Macedo,(15) consultor jurdico da Unio e uma das poucas vozes contrrias desaposentao, considera que no vlida a renncia pura e simples da aposentadoria, como ato de despojamento de um direito integrante do patrimnio jurdico do titular, em face da inexistncia de previso legal. Segundo o mencionado autor, tal disposio somente seria possvel em caso de expressa previso no ordenamento jurdico ptrio.

    Ivani Contini Bramante,(16) em texto elaborado no ano de 2001, quando o tema da desaposentao ainda era muito incipiente e os tribunais ptrios em poucas oportunidades tinham se manifestado, apesar de defender a existncia do instituto, afirmava que a renncia aposentadoria esbarra na problemtica da indisponibilidade do direito e no

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  • carter de definitividade e irreversibilidade do ato de concesso de aposentadoria por tempo de servio.

    Para a mencionada doutrinadora, a questo consiste em saber se o direito aposentadoria renuncivel e se possvel o cancelamento da aposentadoria e a consequente reverso do tempo de servio que a ela serviu de base. Cita vrios argumentos obstativos desaposentao, os quais transcrevo ipis literis:

    (i) a aposentadoria direito personalssimo, tem carter alimentar, irrenuncivel, s extingue com a morte; (ii) o cancelamento da aposentadoria por tempo de servio ofende o ato jurdico perfeito, protegido pelo art. 5, XXXV, da Carta Magna; (iii) o ato concessrio da aposentadoria por tempo de servio ato administrativo vinculado e de carter irreversvel (art. 122 do RBPS); portanto, no pode ser desfeito pelo Poder Pblico, tendo em vista o princpio da legalidade (art. 37, caput, da CF); (iv) a vinculao a um regime previdencirio obrigatrio opera ope legis; a vinculao independe da vontade individual, decorre de lei, de modo automtico. Desse modo, um cidado vinculado a um dos regimes previdencirios no pode reverter para outro regime; (v) no pode ser contado em um regime o tempo de servio contado em outro;

    Marina Vasques(17) entende plenamente possvel a revogao do ato de concesso do benefcio, ainda que por vontade exclusiva do segurado, desde que desfeitas todas as consequncias jurdicas que o benefcio havia trazido, devolvendo-se as parcelas recebidas a esse ttulo. Apenas aps a desconstituio plena da aposentadoria o segurado poderia pensar em requerer outro benefcio, levando em conta aquele tempo de servio, carncia e contribuies que lhe foram devolvidos com a desaposentao.

    2.3 Requisitos para a realizao da desaposentao

    Assim, entendendo plenamente vivel o instituto da desaposentao, necessria se faz a anlise dos requisitos hbeis sua efetivao.

    Em artigo denominado pressupostos lgicos da desaposentao, Wladimir Novaes Martinez(18) explica que aposentao ato administrativo vinculado de constituio e declarao pblica de um direito subjetivo do segurado, enquanto a desaposentao ato de constituio do estado de no aposentado. O mestre elenca os seguintes requisitos para a desaposentao: benefcio regular, vontade do titular, natureza disponvel do benefcio, renncia formal ao benefcio anterior, restituio dos valores recebidos, motivao nobre, permisso legal, ausncia de prejuzo. Por imprescindvel ao presente estudo, efetuar-se- um breve relato dos apontamentos efetuados pelo referido doutrinador.

    Benefcio regular necessrio que o requerente esteja regularmente aposentado. Nas palavras de Wladimir Novaes, a desaposentao pressupe a existncia de um direito previdencirio eficaz, protegido pelo ato jurdico perfeito ou coisa julgada, um deferimento aperfeioado de certo benefcio, de regra uma aposentadoria.

    Vontade do titular como a aposentadoria direito personalssimo, o procedimento administrativo da desaposentao dever ser impulsionado pelo seu titular. De fato, a desaposentao no pode ser pautada pela oportunidade e convenincia da administrao, mas pela autonomia da vontade do segurado.

    Natureza disponvel do benefcio para Wladimir Novaes, somente podem ser consideradas como renunciveis as aposentadorias especial, por idade e por tempo de servio.

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  • Renncia formal ao benefcio anterior tambm segundo o mestre, no direito social, a absteno de direitos sempre foi concebida como instituto cujos limites so a proteo liberdade do indivduo. (...) Uma garantia do indivduo, o que no pode haver desprendimento obrigatrio, aquela compulsria, estranha sua volio, uma renncia obrigada.

    Restituio dos valores recebidos caso no haja restituio dos valores percebidos, a desaposentao passa a ser invivel sob o ponto de vista do equilbrio econmico-financeiro e atuarial da seguridade. Como se trata de desfazimento de ato jurdico anterior, necessrio o retorno ao status quo ante.

    Motivao nobre tambm segundo Wladimir Novaes, a finalidade da desaposentao ampla, significando voltar a contribuir e jubilar-se adiante ou obter certido de tempo de servio e inativar-se logo depois ou em outro regime. Afirma que, moralmente, no se admite que o aposentado queira se prejudicar ou que pense em causar dano s instituies ou s pessoas. Segundo entende, a motivao deve ser juridicamente elevada, no podendo haver desaposentao sem tal requisito. Permisso legal Segundo Wladimir Novaes, a desaposentao no reclama autorizao legal. De fato, inexiste previso legislativa acerca da possibilidade de desaposentao, e esta uma das maiores crticas dos doutrinadores que so contrrios ao instituto.

    Ausncia de prejuzo o desfazimento do ato administrativo de concesso do benefcio no pode causar prejuzos a terceiros, em especial ao equilbrio atuarial do Regime Geral de Previdncia Social. A questo do ressarcimento dos valores auferidos ser analisada em captulo especfico.

    2.4 Consequncias jurdicas da desaposentao

    Para Marina Vasques,(19) ao contrrio do que muitos defendem, a renncia a aposentadoria no afeta apenas a esfera patrimonial do segurado, visto que gera tambm a obrigao para a administrao de expedir certido por tempo de servio do perodo que foi levado em considerao para a concesso do benefcio.

    2.5 Necessidade de devoluo dos valores auferidos

    Considera-se mais acertado o entendimento, tanto da doutrina como da jurisprudncia, de que, em caso de deferimento da desaposentao, necessrio se faz o retorno integral ao status quo ante, ou seja, h o retorno da condio do segurado condio de ativo do sistema previdencirio, necessariamente com a devoluo dos valores auferidos, quando na condio de aposentado. O ato de aposentao desconstitudo, com efeitos ex tunc, ou seja, que retroagem data de concesso do benefcio anterior. Deve haver o integral ressarcimento dos valores Autarquia Previdenciria, a qual no pode suportar prejuzo de ato do qual no deu causa.

    Para Wladimir Novaes,(20) se o restabelecimento da situao anterior, restituindo o aposentado as mensalidades que recebeu Autarquia Previdenciria, financeiramente, como se ele no tivesse se jubilado, podendo a Autarquia emitir Certido por Tempo de Servio e promover o acerto de contas com o ente poltico em que ela se prestar (ou no) para um futuro benefcio.

    Marina Vasques Duarte, corroborando tal entendimento, afirma que os valores devem ser devolvidos ainda que tenham natureza alimentar, porquanto, se assim no for, o sistema de proteo social ser prejudicado pela criao de despesa no autorizada em lei, afrontando os princpios da legalidade e da supremacia do interesse pblico.

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  • A referida doutrinadora, juza federal no Rio Grande do Sul, afirma que a garantia da irrepetibilidade dos alimentos existe para proteger o indivduo, podendo ser objeto de disposio por parte do titular, uma vez que a renncia implica opo por benefcio mais vantajoso, no futuro.

    De fato, no havendo vedao constitucional ou legal, o direito inatividade renuncivel, podendo o segurado pleitear a sua desaposentao, por ser considerada a aposentadoria direito disponvel, de ntida natureza patrimonial. Entretanto, ao se conferir o direito desaposentao para a obteno de outro benefcio do mesmo regime previdencirio, h a necessidade de restituio dos proventos recebidos em decorrncia da aposentadoria renunciada. Ora, pretender a desaposentao, gozando das parcelas do benefcio de aposentadoria at a renncia, significa obter, por vias transversas, um "abono de permanncia por tempo de servio", violando o 2 do art. 18 da Lei 8.213/91.

    Visa-se evitar o locupletamento sem causa do segurado, bem como manter o equilbrio econmico-atuarial do sistema previdencirio.

    2.6 Forma de atualizao dos valores a serem devolvidos

    A juza Marina Vasquez entende que, para que a entidade previdenciria no sofra qualquer prejuzo, necessrio que os valores a serem devolvidos sejam atualizados monetariamente. A correo monetria no implica acrscimo patrimonial, mas somente recomposio monetria de valores, em razo do decurso do tempo. Os ndices de correo monetria para a devoluo dos valores ao INSS devero ser os mesmos aplicados pela autarquia quando do pagamento de benefcios em atraso.

    H certa divergncia quanto atualizao monetria de tais valores pelos mesmos ndices aplicados pelo INSS em relao a crditos de natureza tributria (contribuies sociais em atraso). Saliente-se que as verbas tributrias pagas em atraso so corrigidas pela taxa SELIC, a qual representa o somatrio de correo monetria e juros. Ocorre que no deve haver a incidncia de juros de mora, porquanto estes somente so devidos quele que descumpriu uma obrigao. In casu, no houve qualquer descumprimento, uma vez que o percebimento do benefcio era plenamente legtimo, decorrente de ato administrativo vlido e eficaz.

    Assim, a correo monetria dos valores a serem devolvidos deve ser efetuada na mesma proporo recebida pelo beneficirio, apenas com atualizao monetria, que implica mera readequao dos valores, sem significar acrscimo patrimonial. No so devidos juros moratrios, tampouco remuneratrios.

    2.7 Entendimento Jurisprudencial

    A jurisprudncia de nosso Egrgio Tribunal Regional Federal da 4 Regio tem admitido o instituto da desaposentao, por considerar que se trata de um direito patrimonial de carter disponvel, inexistindo qualquer lei que vede o ato praticado pelo titular do direito. Os julgados a seguir colacionados foram proferidos por unanimidade.

    2.7.1 Possibilidade de desaposentao, com devoluo dos valores auferidos

    (...) perfeitamente vlida a renncia aposentadoria, visto que se trata de um direito patrimonial de carter disponvel, inexistindo qualquer lei que vede o ato praticado pelo titular do direito. A instituio previdenciria no pode se contrapor renncia para compelir o segurado a continuar aposentado, visto que carece de interesse. 4. Se o segurado pretende renunciar aposentadoria por tempo de servio para postular novo jubilamento, com a contagem do tempo de servio em que esteve exercendo atividade vinculada ao RGPS e concomitantemente percepo dos proventos de aposentadoria, os

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  • valores recebidos da autarquia previdenciria a ttulo de amparo devero ser integralmente restitudos. (TRF 4 Regio, 200071000099781/ RS 6 Turma, DJU: 01.11.2006 Relator(a) JOO BATISTA PINTO SILVEIRA)

    Ementa: PREVIDENCIRIO. MANDADO DE SEGURANA. DESAPOSENTAO. PEDIDO. NEGATIVA ADMINISTRATIVA. DESCABIMENTO. AUSNCIA DE NORMA IMPEDITIVA. DIREITO DISPONVEL. PEDIDO DE DESISTNCIA NA FASE RECURSAL. 1. A liberdade tema a ser cuidado explicitamente, no podendo ser inferida ou deduzida, disciplinada por omisso ou a contrario sensu. Trata-se de bem fundamental e carece, quando afetado pela norma jurdica, de prescrio clarssima, exigindo disciplina objetiva e expressa. Caso contrrio, no existe ou no pode ser considerada na interpretao. 2. O ordenamento jurdico subordina-se Carta Magna, e esta assegura a liberdade de trabalho, vale dizer, a de permanecer prestando servios ou no (at aps a aposentao). E, evidentemente, de desfazer esse ato. 3. perfeitamente vlida a renncia aposentadoria, visto que se trata de um direito patrimonial de carter disponvel, inexistindo qualquer lei que vede o ato praticado pelo titular do direito. A instituio previdenciria no pode contrapor-se renncia para compelir o segurado a continuar aposentado, visto que carece de interesse. (TRF4 Regio, 200572000102172/SC, 6 Turma, DJU 24.05.2006 Relator(a) JOO BATISTA PINTO SILVEIRA)

    PREVIDENCIRIO. PROCESSUAL CIVIL. NATUREZA DA AO. DECLARATRIA E CONDENATRIA. HIPTESE DE OBSERVNCIA DO PRINCPIO DA FUNGIBILIDADE. RENNCIA APOSENTADORIA PREVIDENCIRIA. OPO PARA FINS DE CONTAGEM DE TEMPO DE SERVIO NO SERVIO PBLICO (ART. 202, PARGRAFO SEGUNDO, DA CF/88). SITUAO MAIS BENFICA. DIREITO DO SEGURADO. 1. Sendo a natureza da ao declaratria e condenatria, o rtulo conferido, no caso, no impede a prestao jurisdicional por se encontrarem presentes os pressupostos processuais. Princpio da Fungibilidade. 2. Os benefcios previdencirios so direitos personalssimos e, como tal, por sua natureza, irrenunciveis, uma vez que constituem fonte de subsistncia. A previso, pois, na legislao previdenciria (art. 58, pargrafo segundo, do Decreto 2.172/97), de ser o ato concessrio de aposentadoria irreversvel e irrenuncivel s vem a atender prpria natureza do direito em questo. Contudo, h que se distinguir a renncia pura e simples da renncia que possui, tambm, a natureza de opo e que permite ao segurado obter uma vantagem em sua fonte de sobrevivncia. 3. Na situao em exame, a renncia da aposentadoria previdenciria ir possibilitar parte autora contar o tempo de servio para fins de aposentadoria estatutria, no havendo, pois, em respeito finalidade do prprio instituto da aposentadoria no contexto social, como negar o direito renncia e, consequentemente, ao recebimento da certido de tempo de servio. 4. Apelao e Remessa Oficial improvidas. (TRT 5 Regio. AC n 133529-CE. 98.05.09283-6 Relator Juiz Araken Mariz)

    Ementa: PREVIDENCIRIO. DESAPOSENTAO. DEVOLUO DE VALORES RECEBIDOS. Se o segurado pretende renunciar aposentadoria por tempo de servio para postular novo jubilamento, com a contagem do tempo de servio em que esteve exercendo atividade vinculada ao RGPS e concomitantemente percepo dos proventos de aposentadoria, os valores recebidos da autarquia previdenciria a ttulo de amparo devero ser integralmente

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  • restitudos. (TRF 4R, AC 200171000199597/RS, SEXTA TURMA Relator(a) VICTOR LUIZ DOS SANTOS LAUS)

    Ementa: PREVIDENCIRIO. MANDADO DE SEGURANA. DESAPOSENTAO. PEDIDO. NEGATIVA ADMINISTRATIVA. DESCABIMENTO. AUSNCIA DE NORMA IMPEDITIVA. DIREITO DISPONVEL. 1. A liberdade tema a ser cuidado explicitamente, no podendo ser inferida ou deduzida, disciplinada por omisso ou a contrario sensu. Trata-se de bem fundamental e carece, quando afetado pela norma jurdica, de prescrio clarssima, exigindo disciplina objetiva e expressa. Caso contrrio, no existe ou no pode ser considerada na interpretao. 2. O ordenamento jurdico subordina-se Carta Magna, e esta assegura a liberdade de trabalho, vale dizer, a de permanecer prestando servios ou no (at aps a aposentao). E, evidentemente, de desfazer este ato. (TRF4, AMS 200570010019509/PR, 22.01.2007, Relator(a) JOO BATISTA PINTO SILVEIRA)

    Ementa: PREVIDENCIRIO. DESAPOSENTAO. POSSIBILIDADE. APROVEITAMENTO DO TEMPO DE SERVIO/CONTRIBUIO POSTERIOR. REGIME GERAL. DEVOLUO DE VALORES RECEBIDOS A TTULO DE PROVENTOS. Possvel a renncia pelo segurado ao benefcio por ele titularizado para postular novo jubilamento, com a contagem do tempo de servio/contribuio em que esteve exercendo atividade vinculada ao Regime Geral de Previdncia Social concomitantemente percepo dos proventos de aposentadoria, desde que integralmente restitudos Autarquia Previdenciria os valores recebidos a ttulo de amparo, seja para retornar-se ao status quo ante, seja para evitar-se o locupletamento ilcito. (TRF 4R, AC 200672050032297/SC, TURMA SUPLEMENTAR, D.E. 13.12.2007, Relator(a) FERNANDO QUADROS DA SILVA)

    Ementa: PREVIDENCIRIO. PEDIDO DE DESAPOSENTAO PARA RECEBIMENTO DE NOVA APOSENTADORIA. AUSNCIA DE NORMA IMPEDITIVA. DIREITO DISPONVEL. DEVOLUO DOS MONTANTES RECEBIDOS EM FUNO DO BENEFCIO ANTERIOR NECESSRIA. Nos termos do voto proferido no julgamento da Apelao Cvel n. 2000.71.00.007551-0 (TRF4, Sexta Turma, Relator Joo Batista Pinto Silveira, publicado em 06.06.2007)): 1. perfeitamente vlida a renncia aposentadoria, visto que se trata de um direito patrimonial de carter disponvel, inexistindo qualquer lei que vede o ato praticado pelo titular do direito. 2. A instituio previdenciria no pode se contrapor renncia para compelir o segurado a continuar aposentado, visto que carece de interesse. 3. Se o segurado pretende renunciar aposentadoria por tempo de servio para postular novo jubilamento, com a contagem do tempo de servio em que esteve exercendo atividade vinculada ao RGPS e concomitantemente percepo dos proventos de aposentadoria, os valores recebidos da autarquia previdenciria a ttulo de amparo devero ser integralmente restitudos. 4. Provimento de contedo meramente declaratrio. 5. Declarao de inconstitucionalidade do pargrafo 2 do art. 18 da Lei 8.213/91 rejeitada. (TRF 4R, AC 200772050039880/SC, D.E. 13.06.2008, SEXTA TURMA Relator(a) SEBASTIO OG MUNIZ)

    2.7.2 Deciso publicada recentemente em sentido contrrio desaposentao

    PREVIDENCIRIO. DESAPOSENTAO. INEXISTNCIA DE PREVISO LEGAL. DESCABIMENTO. I- Pretenso deduzida que no de renncia a direitos, objetivando-se no a absteno pura do recebimento do benefcio, mas a reaquisio de tempo de filiao em ordem a carrear ao Instituto nova obrigao consistente no deferimento de outra futura e diversa aposentadoria.

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  • Tratamento da matria luz do conceito de renncia a direitos que no se depara apropriado II- Postulao de cancelamento da aposentadoria com a recuperao do tempo de filiao que no traduz direito personalssimo. A pretendida desaposentao no se configura como um direito inato, como um atributo da personalidade redutvel esfera de autodeterminao do segurado, que se sobrepusesse ao direito legislado e no dependesse de qualquer condicionamento legal. III- O princpio da liberdade na acepo do livre poder de ao no qual a lei no dispe de modo contrrio vlido no regime do direito privado, no, porm, na rbita da Administrao, cuja atividade pressupe a existncia de prvia autorizao da lei. Inexistncia do direito alegado, falta de previso legal. (TRF 3R, AC 200003990501990/SP, D.E. 13.06.2008, OITAVA TURMA, D.E. DATA: 06.05.2008 Relator(a) PEIXOTO JNIOR) *Data da deciso: 07.05.2002.

    2.7.3 Pela desnecessidade de devoluo dos valores auferidos, em se tratando de novo pedido de aposentadoria em regime prprio

    PREVIDENCIRIO. APOSENTADORIA POR TEMPO DE SERVIO. REMESSA OFICIAL NO CONHECIDA. DESAPOSENTAO. NATUREZA DO ATO. EFEITOS. DESNECESSIDADE DE RESTITUIO DE VALORES. COMPENSAO FINANCEIRA. LEI N 9.796/99. 1. Remessa oficial no conhecida, tendo em vista a nova redao do artigo 475, 2, do Cdigo de Processo Civil, determinada pela Lei n 10.352/2001. 2. O aposentado tem direito de buscar melhores condies econmicas e sociais. Assim, quando presente uma situao que lhe seja mais favorvel, no h impedimento na lei ou na Constituio Federal em renunciar aposentadoria anteriormente concedida. 3. O direito aposentadoria um direito patrimonial disponvel ao trabalhador, cabendo-lhe analisar sobre as vantagens ou desvantagens existentes. 4. No ato de renncia, sendo um desconstitutivo, seus efeitos operam-se ex nunc, isto , no voltam ao passado, inclusive no que se refere ao pagamento de valores j vertidos para o regime prprio. Em outras palavras, sua incidncia to somente a partir da sua postulao, no atingindo as consequncias jurdicas consolidadas. Consequentemente, o ato de renncia no vicia o ato de concesso do benefcio, que foi legtimo, muito menos afronta o princpio do ato perfeito. 5. A compensao financeira entre o Regime Geral da Previdncia Social e os regimes dos servidores pblicos foi normatizada pela Lei n 9.796/99, no artigo 4, inciso III, pargrafos 2, 3 e 4, dando mostra de que no haver desequilbrio atuarial, mesmo se no houver devoluo dos proventos por parte daquele que renunciou a aposentadoria. 6. Remessa oficial no conhecida. Apelao no provida. (TRF 3R, AC 200061830046794/SP, STIMA TURMA, DJU:10.04.2008 p. 369 Relator(a) JUIZ ANTONIO CEDENHO)

    PREVIDENCIRIO. DUPLO GRAU OBRIGATRIO. DESAPOSENTAO. JUBILAMENTO EM REGIME PRPRIO. DESNECESSIDADE DE DEVOLUO DE VALORES RECEBIDOS. SUCUMBNCIA. 1. A nova redao do art. 475, imprimida pela Lei 10.352, publicada em 27.12.2001, determina que o duplo grau obrigatrio a que esto sujeitas as sentenas proferidas contra as autarquias federais somente no ter lugar quando se puder, de pronto, apurar que a condenao ou a controvrsia jurdica for de valor inferior a 60 (sessenta) salrios mnimos.

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  • 2. Se o segurado pretende renunciar aposentadoria por tempo de servio para postular novo jubilamento, futuramente, em regime prprio, dispensvel a repetio do montante percebido enquanto estiveram em benefcio, no havendo, por conseguinte, nenhum empecilho reverso da aposentadoria. 3. Quanto sucumbncia, o INSS pagar o montante de R$ 380,00 (trezentos e oitenta reais). (TRF 4R, AC 200271000360315/RS, SEXTA TURMA, D.E. 13.07.2007, Relator(a) VICTOR LUIZ DOS SANTOS LAUS)

    Concluso

    Diante de todo o exposto, conclui-se que a previdncia social, de carter eminentemente contributivo, faz parte do sistema de Seguridade Social, a qual, nos termos do art. 194 da Constituio Federal, compreende um conjunto integrado de aes de iniciativa dos poderes pblicos e da sociedade, destinado a assegurar os direitos relativos sade, previdncia e assistncia social.

    H certa controvrsia acerca da disponibilidade do bem jurdico previdencirio (aposentadorias, penses), porquanto suas parcelas, por possurem carter alimentar, seriam enquadradas como impossveis de disponibilidade por parte do titular do direito.

    Necessrio conceituar que indisponibilidade consiste de uma limitao autonomia individual pela qual se impede que um sujeito de direitos, mesmo com legitimao e capacidade, possa efetuar total ou parcialmente atos de disposio sobre um determinado direito.

    Nada obstante imensido de temas correlatos, optou-se por abordar, no presente estudo, somente a questo da desaposentao, ato mximo de disponibilidade do bem previdencirio. Conforme analisado, h certa celeuma no campo jurisprudencial e doutrinrio sobre a possibilidade ou no da reverso do ato de aposentadoria.

    Os defensores do ato de desaposentao apoiam-se no carter personalssimo e renuncivel do direito aposentadoria. J os opositores defendem o carter indisponvel e irreversvel da aposentadoria, conforme disposto no artigo 181-B do Decreto n 3.048/99, e tambm invocam o princpio da legalidade de observncia obrigatria para administrao pblica, nos termos do artigo 37, caput, da CF/88.

    Atualmente, em que pesem algumas decises em sentido contrrio, a jurisprudncia amplamente favorvel ao instituto da desaposentao, como forma de retorno ao status quo anterior aposentadoria, desde que haja o integral ressarcimento autarquia previdenciria. Certa controvrsia surge exatamente em relao necessidade de devoluo e forma de atualizao dos valores auferidos de acordo com a aposentadoria regular, sendo mais acertada a posio que considera necessrio o ressarcimento ao rgo previdencirio, com vistas a evitar locupletamento ilcito por parte do segurado requerente da desaposentao.

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  • COINAGO. Lorena de Mello Rezende. Desaposentao. Revista de Previdncia Social. n. 301. So Paulo, dezembro de 2005.

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    Notas 1. ROCHA, Daniel Machado da; BALTAZAR JR., Jos Paulo. Comentrios Lei de benefcios da Previdncia Social. 3. ed., revista e atualizada. Porto Alegre: Livraria do Advogado, Esmafe, 2003.

    2. GOMES, Orlando. Contratos. 18 ed. Rio de Janeiro: Forense, 1998.

    3. RODRIGUES, Slvio. Direito civil. So Paulo: Saraiva, 2002.

    4. TAVARES, Marcelo Leonardo. Direito Previdencirio. 5. ed. Lmen Iuris, 2003.

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  • 5. CUNHA FILHO, Roseval Rodrigues da. Desaposentao e Nova Aposentadoria. Revista de Previdncia Social n 274. So Paulo, set. 2003.

    6. COINAGO. Lorena de Mello Rezende. Desaposentao. Revista de Previdncia Social 301. So Paulo, dez. 2005.

    7. A respeito da resciso do contrato de trabalho pela aposentadoria por invalidez, Marina Vasquez Duarte, in Direito Previdencirio, consigna que, para os segurados que estavam empregados, h uma certa discusso no direito trabalhista. A concesso de aposentadoria por invalidez causa de suspenso do contrato de trabalho, nos termos do artigo 475 da CLT. Todavia, discute-se se aps 5 (cinco) anos de concesso de auxlio-doena ou aposentadoria por invalidez, o trabalhador teria ainda direito a este retorno. que se diz que, aps cinco anos de aposentadoria por invalidez ou auxlio doena, seu afastamento torna-se definitivo, com consequente extino do pacto laboral. O contrato at ento suspenso, dissolve-se. Neste sentido, como a lei garante o retorno do emprego quele que se habilitar antes de o quinqunio completar-se, a lei previdenciria assegura-lhe direito diverso: a manuteno da aposentadoria por mais algum tempo, como forma de compensar a perda do emprego pela invalidade prolongada.

    8. CUNHA FILHO, Roseval Rodrigues da. Desaposentao e Nova Aposentadoria. Revista de Previdncia Social n 274. So Paulo, set. 2003.

    9. IBRAHIM, Fbio Zambitte. Desaposentao. So Paulo: Impetus, 2006.

    10. MARTINEZ. Wladimir Novaes. Pressupostos Lgicos da Desaposentao. Revista de Previdncia Social n 296. So Paulo, jul. 2005.

    11. COINAGO. Lorena de Mello Rezende. Desaposentao. Revista de Previdncia Social n 301. So Paulo: dez. 2005.

    12. DUARTE, Marina Vasques. Desaposentao e reviso do benefcio no RGPS. In: Temas atuais de Direito Previdencirio e Assistncia Social. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003.

    13. O sistema da capitalizao, inspira-se em tcnicas de seguro e poupana assemelhando-se aos seguros de previdncia privada, em que cada filiado efetua poupana individual que ser revertida para si prprio. J o sistema de repartio baseia-se em verdadeiro pacto intergeracional. No nosso sistema previdencirio estatal, prevalece o modelo de repartio e no de capitalizao.

    14. CUNHA FILHO, Roseval Rodrigues da. Desaposentao e Nova Aposentadoria. Revista de Previdncia Social n 274. So Paulo, set. 2003.

    15. MACEDO, Wilson Teles. Servidor Pblico aposentadoria renncia. Revista de Direito Administrativo n 210. Rio de Janeiro, out./dez. 1997.

    16. BRAMANTE, Ivani Contini. Desaposentao e Nova Aposentadoria. Revista de Previdncia Social n 244. So Paulo, mar. 2001.

    17. DUARTE, Marina Vasques. Desaposentao e reviso do benefcio no RGPS. In: Temas atuais de Direito Previdencirio e Assistncia Social. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003.

    18. MARTINEZ, Wladimir Novaes. Pressupostos Lgicos da Desaposentao. Revista de Previdncia Social n 296. So Paulo, jul. 2005.

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  • 19. DUARTE, Marina Vasques. Desaposentao e reviso do benefcio no RGPS. In: Temas atuais de Direito Previdencirio e Assistncia Social. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003.

    20. MARTINEZ, Wladimir Novaes. Pressupostos Lgicos da Desaposentao. Revista de Previdncia Social n 296. So Paulo, jul. 2005.

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    REVISTA DE DOUTRINA DA 4 REGIO

    PUBLICAO DA ESCOLA DA MAGISTRATURA DO TRF DA 4 REGIO - EMAGIS

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