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Do mito à filosofia (Prof. Mário de Souza)

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Do mito à filosofia (Prof. Mário de Souza)

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  • 1. DO MITO FILOSOFIA Mrio de Souza Figura mitolgica da cultura pr-colombiana de Paracas, que se desenvolveu no atual Peru (Museu de Lima).

2. SOUZA, Mrio de DO MITO FILOSOFIA Mrio de Souza E no te esqueas, meu corao, que as coisas humanas apenas mudanas incertas so. (Arquloco, poeta grego) Passagem do pensamento mtico para o pensamento filosfico-cientfico possvel que o ato primeiro de organizar algo, por exemplo, diferenciar uma fruta de outra seja por gosto, formato, quantidade de matria ou por outras razes, possa ser ou tenha sido o primeiro passo de uma dentre outras habilidades humana que se projetou na direo de construir uma possibilidade de estruturao de algo, aqui compreendido como uma fruta; porm, compreender que essa ou aquela fruta, ou frutas, individualmente, tm estruturas bem prprias e caractersticas diferentes, que as tornam uma diferente da outra um crescimento nas direes simblicas. possvel que este fato tenha sido aperfeioado no homem no perodo Paleoltico, que de onde se tem referncia de que o mesmo vivia com uma dependncia enorme da Natureza; sendo assim, a caa, a pesca, e a coleta de frutos e razes so seus meios de sobrevivncia; ento, possvel imaginar que nesse perodo, possivelmente por tentativas e erros, ele tenha apreendido a construir suas primeiras estruturaes de pensamento sobre as coisas que faziam parte de seu modo de viver; esta ao est na concepo de que o homem dotado no momento da possibilidade do ato de pensar, comunicar, agir e criar smbolos; o homem em ato e potncia, ocupando o espao-tempo e a cognio, de forma inter-relacionada, numa rede de sistemas vivos e criando linguagens. Incio da civilizao, mas ainda homem-animal. Como outros animais ele possivelmente encontrou a necessidade de viver em grupo; assim, o homem , em princpio, um ser gregrio e, este conjunto de possibilidades provavelmente o conduziu a organizar-se e estruturar-se para o que concebemos por grupos sociais; nessas estruturas de sociabilidade, ainda tosca, vista sob o prisma de conjunto de pessoas com casamento de interesses primeiros, ou seja, numa viso ainda primitiva de pequenos grupos particulares; possvel que o interesse maior fosse o interesse na sobrevivncia desses grupos, e dos indivduos, no havia rede de interao, como a concebemos no mundo hoje; possvel que esta conjuntura estabelecida tenha sido um princpio o princpio da sobrevivncia. Dentro deste princpio, a comunicao torna-se o veculo propulsor desses grupos sociais; e a oralidade primitiva deve ter sido o primeiro passo que o indivduo (unidade elementar na construo de estrutura social) tomou para expressar o conhecer apreendido possivelmente pelo sensvel e pela troca de experincia com o meio ambiente ou pelo ato de tentativas e erros, com a ao (sobre a) da Natureza, com os indivduos, com seu grupo ou entre grupos o simbolismo. Essa propulso pela oralidade primria outro incio do alicerce civilizatrio. A passagem desses conhecimentos atravs da oralidade alimentou a criao de memria e, esse processo primeiro de armazenamento hoje conhecido como oralidade primria; onde, por oralidade primria entende-se como tcnica de armazenamento informativo onde a fala muito superior escrita, segundo Lvy (2000); possvel que no perodo Paleoltico o Homem comunicava-se por rudos, em comparao com processos de aprendizagens junto aos animais; mesmo assim ainda uma forma bastante primitiva de oralidade (esses rudos), possivelmente, anterior a oralidade primria, que com o passar dos milhes e milhes de anos, ou seja, o tempo dentro do contexto espacial-temporal entra como ao e potncia no equilbrio do Homem e Natureza e, deva ter chegado ao que 2 3. SOUZA, Mrio de compreendemos hoje por fala, que vai se materializar nas construes diferenciadas de contextos grupais a linguagem. Esta evoluo da comunicao, talvez seja o passaporte para a comunho, de fato, de grupos de homens para a articulao entre eles e entre outros grupos atravs da oralidade, agora j posto em falas; nesse sentido, possivelmente tenha surgido os brotos do ato de observar (no sentido de estar na ao, entendida aqui como um olhar mais tendencioso que um simples passar a vista), entre eles, as semelhanas e/ou as diferenas; assim sendo, indo ao nascer de diversos cultos, comuns a alguns indivduos e, possivelmente, entre alguns grupos; isto possibilitou, provavelmente, a divergncia entre indivduos e/ou grupos, estabelecendo o conflito e o confronto de aes pessoais, ou numa comunidade, que o processo de racionalidade humana, natural, mesmo que ainda numa forma primitiva; possivelmente, o surgimento de culturas como cultivo de e nas aes humanas, entre Homens; o incio do processo de diferenciao animal; as linguagens e os simbolismos comeam a ter vida prpria, comeam a ser compreendido como cultura. Esses arranjos culturais entre as sociedades primitivas (cultura como cultivo), mesmo que tenha a oralidade primria como sendo a linguagem elementar que permeia e sedimenta a formao destes grupos, mas tendo a memria singular como ferramenta de apreenso desse conhecimento (simbolismo) e, a audio como canal entre a oralidade e esta memria, ento, estava estabelecida a comunicao; nesse momento a comunicao passa a ser o elemento vital nos grupos sociais tendo a cultura o estabelecimento e o sedimento da maturidade e desenvolvimento conjuntural dessas formaes de sociedades primitivas. Estabelece-se a linguagem (sinais) e os simbolismos, mesmo que de forma tosca, mas o incio do processo de humanizao do homo ereto. possvel que nesse caldeiro cultural, o homem que ora dotado da possibilidade de pensar (pensar no sentido de imaginar aes mais elaboradas que instintivas), tenha instaurado dentro de seu modo primeiro de ver (no sentido de ser impresso na memria) e operar (no sentido de agir) a maturidade de percepes mentais; deste modo sensibilidade deve ter sido aguada com os rgos do sentido para os meios que se interfaceiam entre a Natureza (aqui entendido como os elementos primeiros de contato fsico para suas necessidades primeiras) e a Cultura (aqui entendida como comunho de cultivos entre grupos sociais por identificaes de semelhanas e/ou diferenas entre indivduos de um grupo, ou entre grupos); nesse contexto o homem se insere entre a Natureza e Cultura para buscar (no sentido de nascer na necessidade) o ato de questionar-se e questionar; ato primeiro de se conceber como ator de uma rede de aes entre os pares, ou seja, uma rede de aes sociais. Agora, os smbolos e a linguagem se confundem com o Homem e a Natureza. E, ao fazer isto, o homem necessitou procurar inicialmente entender o que lhes rodeia de mais imediato: Natureza Primitiva. Instaura-se assim, a possibilidade do conhecimento aqui concebido como o ato de ver semelhanas ou diferenas em pequenas aes do homem vivendo em sociedade; surge ento um princpio que a necessidade de responder a questo: o que isto? Em suma, pode-se agora supor que o Homem comeava com a possibilidade de fazer reflexes entre o pensar e o agir (esprito e matria) dando forma s coisas pensada atravs da linguagem e dos smbolos; a instaurao da possibilidade de argumentao da realidade que lhes impressa, o incio da busca pela razo; o nascer do conflito entre indivduos, grupos e geraes o movimento das mudanas agora com fala e criao de sinais (linguagens) e smbolos, pois possvel que agora o homem comeasse a ter aes com busca de critrios, e as diferenas naturais entre Homens (no sentido de sua natureza biolgica), que se amplia de forma natural num grupo ou grupos; como este fato no e nem deve ter sido linear, ento os conflitos e os interesses devem ter dado incio multiplicidade de grupos sociais; e os interesses do conhecimento deviam divergir na atuao e vivncia desses grupos, com gerao de conflitos e de mudanas nas aes que delimitavam o homem no espao- tempo, dentro da Natureza fsica, cultuando suas necessidades, provavelmente, imediatas da sobrevivncia individual ou de grupo que se emerge na cultura e na comunicao. Nessa construo elementar do conhecimento (se comparado com os processos de hoje), onde a oralidade teve predominncia, pois o conhecimento era apresentado em 3 4. SOUZA, Mrio de narrativas, atos ainda vistos hoje, em comunidades primrias, na frica ou em regies pauprrimas do Nordeste do Brasil; assim, essas narrativas (propriedades de grupos sociais) tentavam dizer ou expressar-se sobre essa realidade que se apresentava aos olhos dos homens; na tentativa de expressar o que lhes impresso, num primeiro momento, surge reflexo (ainda como expresso elementar do desejo) sobre o conhecer; mas suas reflexes se dirigiram para o mito, pois o mito idealizado de forma sobre-humana podia ser belo, bem definido, cheio de poderes, e incontestvel, em princpio, e assim, mais fcil cri-lo para explicar realidades que se apresentava aos olhos dos homens esses smbolos cediam ao Homem possibilidade de juntar-se Natureza e a Vida. Incio da complexidade existencial da humanidade. Era o nascimento do que se compreende por verdades (no sentido de dar sentido ao que se explica), pois estas verdades estavam na explicao racional, mesmo que atravs dos mitos; estas verdades se prestavam para as coisas da realidade (sensaes vistas dos rgos dos sentidos), preenchendo as lacunas que os homens no podiam explicar da ao da Natureza; assim, esse conhecimento da realidade podia ser descrito como um conhecimento intuitivo (embora fosse uma ao humana) e, desse modo, as reflexes feitas para assegurar este conhecimento atravs da mitologia carrega consigo a configurao (no sentido de nascimento da representao) de smbolos ou figuras; agora se vai para a passagem de outra estrutura de linguagem mais complexa, no indivduo, no grupo e entre grupos sociais, onde aparece a palavra escrita (mesmo que na forma grfica, desenhos do que viam sobre a realidade) como a representao do que se estar a falar (oralidade) sobre os questionamentos e conhecimentos de interesse do indivduo ou de grupo;

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