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Dudi Maia Rosa e as mortes da pintura - portugues).pdf · PDF file— a noção de Ezra Pound de que “os artistas são a ante- na da raça humana” — do que do clichê contemporâ-

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  • Dudi Maia Rosa e as mortes da pintura

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  • Dudi Maia Rosa e as mortes da pinturaOswaldo Corra da Costa

    META L I V ROS

    So Paulo, 2005

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  • 2005 Metavdeo sp Produo e Comunicao Ltda.todos os direitos reservados

    projeto, coordenao editorial e grficaRonaldo Graa Couto

    textosOswaldo Corra da Costa

    obrasDudi Maia Rosa

    direo de arte e projeto grficowarrakloureiro

    gerncia editorial e grficaBianka Tomie Ortega

    reviso de textoAcross the Universe Communications

    produo grficaMetalivros

    secretaria administrativaRoberta Vieira

    estgio administrativoMarlos Ruiz Ortega

    distribuio e vendasMarcia Lopes

    escaneamento, provas e fechamento de arquivos digitaisBureau So Paulo

    impresso e acabamentoPancrom Indstria Grfica Ltda., So Paulo

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  • sumrio

    introduo, 11as mortes da pintura, 15o que pintura ps-meta?, 39Dudi Maia Rosa, 50apndice, 165aspectos biogrficos, 185bibliografia, 187

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  • Arte e propaganda cotejam dois verbos: inspirar e comu-nicar. Propaganda se inspira para comunicar? Arte co-munica inspirao? E nesses pontos cessam todas as nos-sas pretenses.A F/Nazca Saatchi & Saatchi abraou um projeto de in-centivo a artistas contemporneos brasileiros pela tradioque seu sobrenome carrega e pela grata inspirao queeles suscitam no seu trabalho. com muito orgulho que patrocinamos esta edio, umgesto gostoso de retribuir transparncia e cor com asquais Dudi Maia Rosa nos ilumina, expondo algumas desuas obras na sede da agncia, em So Paulo.

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  • para meu pai, pelo amor s palavras, para minha me, pelo amor s formas, e para minhas irms, pelos exemplos de semelhana e diferena.

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  • Ao escrever sobre a pintura de Dudi Maia Rosa, sinto-metentado a colocar a palavra pintura entre aspas, mas o leitorlogo se aborreceria. No entanto, uma de suas caratersti-cas no ser, estritamente falando, pintura. Seja qual foro nome que lhe dermos, procurarei argumentar que setrata de uma resposta criativa aos dilemas de um artistaque tem vocao de pintor, mas que tambm do seutempo. Mais precisamente, seu trabalho uma tentativade reconciliar a compulso de pintar com a intuio doslimites da pintura tradicional como linguagem para tra-tar de questes contemporneas. Ser moderno saber oque no mais possvel.1

    Antes de discutir a resposta especfica de Maia Rosa,procurarei, como pano de fundo, mapear algumas dasmortes da pintura, em especial as que considero as duasmais recentes: a crise da metapintura (pintura cujo tema a prpria pintura) nos anos 1950; e a crise mais abran-gente que durou aproximadamente de 1968 (ano politi-camente turbulento na Europa e nos Estados Unidos)at 1982, quando a Documenta vii de Rudy Fuchs, bemou mal, reconduziu a pintura a uma posio de desta-que. O primeiro captulo ilustrado com citaes (mui-tas to coloridas quanto imagens) de artistas, historiado-res da arte e filsofos, enquanto os demais captulos soilustrados com imagens. Se o ps-modernismo existe uma das questes que examinaremos no primeiro captu-lo , ter sido alguma dessas duas crises um sintoma datransio do modernismo para o ps-modernismo? Se, poroutro lado, o ps-modernismo no passa de uma iluso detica narcisista, o que ter causado tais rupturas na conti-

    nuidade do modernismo? Ou seriam as prprias rupturasiluses, frutos de guerras culturais que assumiram autono-mia retrica? certo que, por toda parte, durante as cri-ses, artistas desavisados continuaram nutrindo o prazerde aplicar substncia sobre superfcie, s vezes com resul-tados vitais e inovadores.

    No comeo da dcada de 1980, quando o trabalho deMaia Rosa adquire contornos prprios, a pintura estavacomeando a recuperar estatura artstica. O mercado dearte recebeu a volta da pintura com entusiasmo seme-lhante quele com que acolheu a arte pop na dcada de1960. Em ambos os casos, galeristas e colecionadores cele-braram o retorno do figurativo, mais facilmente digerveldo que os plos opostos da abstrao gestual da dcada de1950 e da arte minimalista e conceitual da dcada de 1970.Parte dessa nova pintura, no entanto, manifestava que al-go havia mudado, que a inocncia e, at certo ponto, oidealismo modernistas haviam sido irremediavelmenteperdidos. Na dcada de 1950 e 1960, houve uma reao metapintura, e algumas dessas manifestaes pioneiras se-ro examinadas no segundo captulo. Por convenincia, esem maior seriedade, chamaremos essa pintura de pintu-ra ps-meta. Na dcada de 1980, a volta da pintura foi umamanifestao de horror vacui, uma resposta ao desapareci-mento da pintura como veculo de vanguarda devido aosurgimento de novas mdias happenings, instalaes,performances, fotografia, vdeo, land art. Boa parte da no-va pintura no passava de uma recuperao nostlgica epouco crtica, defasada das questes contemporneas; li-mitava-se a reprises de metapintura ou, no caso do neo-ex-

    introduo

    S sou livre quando minha vontade, fundamentando-se crtica e filosoficamente naquilo que existe, capaz de formular bases de novos fenmenos.kasimir malevich, Non-Objective Art and Suprematism, 1919

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  • pressionismo, manifestaes anteriores. Mas havia tam-bm uma pintura criticamente engajada, incluindo a deMaia Rosa, que retomou o caminho interrompido da pin-tura que chamo de ps-meta.

    Espero que os dois primeiros captulos atraiam leito-res que, de outra forma, no tomariam contato com aobra de Maia Rosa. Aos j familiarizados, espero que ainsero de sua obra no contexto descrito nesses captu-los estimule novos olhares e promova uma apreciaomais completa de sua relevncia.

    No terceiro captulo, examinaremos como a obra deMaia Rosa surgiu em seu contexto imediato So Pau-lo, dcada de 1970 e como ela reagiu s possibilidadesreduzidas de pintura crtica e criativa. O processo no foisereno. A trajetria de Maia Rosa teve a cota de hesita-es e desacertos, por vezes parecendo um tatear no es-curo. No foi motivada por questes intelectuais; nohouve declarao de objetivos, manifesto, agenda polti-ca ou ideologia explcita. Foi e continua sendo umprocesso carregado de inquietude experimental, comum rastro de obras eutanasiadas. Maia Rosa se aproximamais do antigo clich do artista como receptor sensvel a noo de Ezra Pound de que os artistas so a ante-na da raa humana do que do clich contempor-neo do estrategista com ps-graduao em artes plsticas.Os historiadores da arte inevitavelmente fazem curado-ria da histria da arte, e certamente tentador e possvelrepetir o mesmo com a histria de Maia Rosa, enxergan-do-a como uma evoluo coerente. Mas os desvios foramingredientes necessrios dos xitos, e sero includos ediscutidos como tais. Tambm examinaremos um aspec-to interessante da obra de Maia Rosa: a maneira como omaterial resina e fibra de vidro funciona tal qualuma assinatura. Tudo que preso nesse mbar setransforma, reconhecivelmente, em propriedade do artis-ta. Uma vez eliminada a necessidade de estilo ou tem-tica prpria, o artista est livre para saquear a histria daarte, tanto abstrata quanto figurativa, sem perder a iden-tidade visual. Tal como a pintura modernista auto-refe-rencial da dcada de 1950 (examinada no primeiro cap-tulo), o meio aqui a mensagem, mas, diferentementedaquela, nunca toda a mensagem.

    Walter Benjamin expressou uma vez o desejo deproduzir um livro composto inteiramente de citaes2.Tal mtodo teria a virtude de reduzir o nmero de juzosde valor, embora continuassem presentes, inevitavelmen-te, na escolha das citaes. Neste texto, pretendo citar, emuito, pois parto da premissa de que o leitor deveria inte-ressar-se menos pelas minhas opinies do que pelas infor-maes que reuni para que faa os prprios julgamentos.O fato de que houve algum critrio na escolha das cita-es no deve impedir que o leitor as use da maneira quelhe convier. Alm de representar uma contribuio paraa morte do crtico (se me permitirem mal interpretar afreqentemente mal interpretada morte do autor decla-rada por Barthes), o uso abundante de citaes coeren-te com o protagonista desta obra, que cita com freqn-cia, tanto no trabalho quanto na conversa. Fiz o possvelpara evitar o uso de palavras especializadas; quando ine-vitvel, procurei incluir uma definio dos termos utiliza-dos. Duchamp sabia bem o valor de ser enigmtico, umcharme de que prefiro ser incapaz.

    Nutro grande respeito pelas convenes acadmi-cas, e procurei segui-las sempre que possvel. No sou,porm, um acadmico, nem este livro pretende s-lo.Trata-se de uma viso pessoal, sem nenhuma ambiocatedrtica. Ao escrev-lo, pude contar com informaescolhidas em conversas com diversos interlocutores, quecontriburam com tempo e vivncia. O prprio artista foiuma inspirao constante, e espero que meu ngulo deabordagem faa jus ao dilogo que mantivemos durantequase vinte anos. Nenhum texto pode dar conta da obrade Maia Rosa. Para tanto seria preciso combinar esta emuitas outras abordagens. Espero que esta seja apenas aprimeira de muitas. Rafael Vogt Maia Rosa, filho do ar-tista, foi de valor inestimvel durante todas as etapas doprocesso. Alm de responder prontamente a todos osmeus pedidos de informao, esclarecimentos ou foto-grafias, Rafael escreveu-me palavras emocionantes eemocionadas sobre o pai, e espero que ele algum dia seanime a publicar suas observaes privilegiadas. Devoboa parte da energia necessria para este projeto ao fatode o entusiasmo, tanto do pai como do filho, ter si