DURKHEIM, ÉMILE. A divisão do trabalho social. vol. I

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r\I !LIVRO IA FUNO DA DIVISO DO TRABALHO CAPTULO I/

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Mtodo para determinar esta funo.

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A palavr~ empregada de duas maneiras muito diferentes. Designa ~ sistema de mOVimentosvitais, abstrao feita de suas consequencias, ora a relao de correspondncia que eXisteentre estes movimentos e algumas necessidades do organismo. E assim que se fala da funo de digesto, de respirao, etc.; mas diz-se tambm que a digesto tem por funo presidir incorporao no organismo de substncias lquidas ou slidas destinadas a reparar suas perdas; que a respirao tem por funo introduzir nos tecido~ do animal o gs necessrio manuteno da vida, etc. nesta segunda acepo que entendemos a palavra. Perguntar-se QMl a fun~o da diviso do trabalho, portanto,~_Qroc!!r:Jr :J qual necessidadeeIa corresponde; Quando resolvermos esta questo, poderemos ver se esta necessidade da mesma natureza que aquelas s quais correspondem outras regras de conduta cujo carter moral no discutido. Se escolhemos este termo, foi porque qualquer outro seria inexato ou equvoco. No podemos empregar o termo fim ou objetivo e falar da finalidade da diviso do trabalho, porque isto seria supor que a diviso do trabalho existe em vista de resultados que iremos determinar. O termo resultado ou efeito no nos satisfaria mais, porque ele no desperta nenhuma idia de correspondncia. Ao contrrio, a palavra papel oufuno tem a grande vantagem de implicar esta idia, mas sem prejulgar nada sobre a questo de saber como esta correspondncia se estabeleceu, se ela resulta de uma adaptao intencional e preconcebida ou de um ajustamento repentino, Ora, o que nos importa saber se ela existe e em que consiste, no se foi pressentida de antemo nem mesmo se foi sentida ulteriormente. I Nada parece mais fcil, primeira vista, do que determinar o papel da(~ t~~eus esforos no so conheci.dos por tO?? mundo? Tendo em vist~ que e ~ --~aumenta simultaneamente a fora QrodutIva e a habilidade do trabalhador, ela e a condio necessria do desenvolvimento intelectual e material das sociedad~ ela a fonte da civiliza()~" Por outro lado, como se atribui de bom grado civilizao um valor absolu- " "T,-iiSetenta nem mesmo procurar uma outra funo para a diviso do trabalho. Que ela realmente tenha este resultado, algo que no se pode pensar em discutir. Mas, se ela no tivesse outro e no servisse para outra coisa, no se teria nenhuma razo para atribuir-lhe um carter moral. Com efeito, os servios que ela assim presta so completamente estranhos vida moral ou, pelo menos, tm com ela apenas relaes muito indiretas e muito distantes. Mesmo que hoje esteja muito em voga responder aos libelos de Rousseau por ditirambos em sentido inverso, no est completamente provado que a civilizao seja uma coisa

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I DA DIVISO DO TRABALHO SOCIAL25

,~ ( moral. Para encerrar a questo, no podemos nos referir a anlises de conceitos que necessariamente so subjetivas; seria preciso conhecer um fato que pudesse servir para medir o nvel de moralidade mdia e observar em seguida como ele varia na medida em que a civilizao progride. Infelizmente, esta unidade de medida nos falta; mas POSStmos uma para a imoralidade coletiva. O nmero mdio dos suicdios, dos crimes de todo tipo, pode com efeito servir para marcar a elevao da imoralidade em uma dada sociedade. Ora, se fizermos a experincia, ela no redundar em honra para a civilizao, pois o nmero destes fenmenos mrbidos parece crescer na medida em que as artes, as cin-

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cias e a indstria progridem. 36 Sem dvida, haveria alguma leviandade em concluir deste fato que a civilizao imoral; mas pelo menospode-seficar certo de que, se ela tem -sobrea vida moral uma influnciapositivae favorvel,esta muitofraca. Se, por outro lado, se analisa este complexus mal definido que chamamos civilizao, v-se que os elementos dos quais est composta esto desprovidos de todo''carter moral. Isto verdadeirosobretudopara a atividadeeconmicaque acompanhasempre a civilizao. Muito loqge d~Jia- servir ao progresso da moral, nos grandes centros indusmais suicdios s~onmisnumerosos; em-todOcaso-, evidente que el ~--- que os crimes e os -- ,--no apresenta os signos exteriores pelos quais se reconhecem os fatos morais. Substi~ ttmos as diligncias pelas estradas de ferro, os barcos a vela pelos transatlnticos, aspequenas oficinas pelas manufaturas; todo este desdobramento de atividades geralmente visto como til, mas no tem nada de moralmente obrigatrio. O arteso, o pequeno industrial, que resistem a esta corrente geral e perseveram obstinadamente em seus modestos empreendimentos, cumprem igualmente bem seu dever como o grande manufatureiro que cobre um pas de usinas e rene sob suas ordens todo um exrcito de operrios. A conscincia moral das naes no se engana nisto: ela prefere um pouco de justia a Jodos_os-aperfeioamentos...industriais.Jl:iiiiifidQ-:seffiduvida, a atividade industrial nifo existeJenl..razO-de-selTela--cQI:r-esponde-a-necessidades,-mas, estas-necessidacl.,Lno ----~omorais~ -Com maior razo acontece o mesmo com a arte, que absolutamente refratria a tudo o que se assemelha a uma obrigao, pois ela o donnio da liberdade. Ela um luxo e um adorno que talvez seja bom ter, mas que no se pode ter o dever de adquirir: o que suprfluo no se impe. Ao contrrio, a moral o nnimo indispensvel, o estrito necessrio, po cotidiano sem o qual as sociedades no podem viver. A arte responde necessidade que temos de difundir nossa atividade, sem fim, pelo prazer de difundi-Ia, enquanto que a moral nos obriga a seguir uma via determinada em direo a um fim definido: quem diz obrigao diz igualmente constrangimento. Assim, mesmo que possa estar animada por idias morais ou achar-se misturada evoluo dos fenmenos morais propriamente ditos, a arte no moral por si mesma. Talvez a prpria observao estabeleceria que, junto aos indivduos como nas sociedades, um desenvolvimento intemperante de faculdades estticas seja um grave sintoma do ponto de vista da moralidade. De todos os elementos da civiliza~.Q.dLcincia-..o...nicoque,em--certas-collJlies, apre~ ~moraLCom efeito, as sociedades tendem